
Ep. 272 - Inteligência Emocional e Comunicação: como elas podem te tornar mais eficaz no trabalho
Resumo rápido
Daniela Trevô, consultora da Nower, explica que a inteligência emocional — capacidade de reconhecer, entender, utilizar e regular emoções — é responsável por 66% dos critérios de promoção em empresas americanas e 85% em cargos de liderança. A comunicação é a ponte entre o intrapessoal e o interpessoal, e práticas como a comunicação não violenta, a checagem de entendimento e a pergunta "o que é importante para essa pessoa agora?" geram resultados concretos: redução de retrabalhos, menos erros e maior retenção de talentos. O episódio oferece um roteiro prático para começar a desenvolver essas habilidades no trabalho e na vida.
Capítulos
- 00:25Boas-vindas e o retorno da Dani após a maternidade
- 02:42O que é inteligência emocional: definição e origem do termo
- 06:31Os pilares: inteligência intrapessoal e interpessoal
- 09:32Como começar a desenvolver a habilidade na prática
- 19:06Resultados concretos: o case da Fadesp e os números
- 32:38Outras soft skills conectadas: resiliência, autoconfiança e empatia
- 47:03Três estratégias para introduzir o tema nas equipes
Frases do episódio
“uma capacidade de reconhecer, entender, utilizar e regular as suas emoções efetivamente todos os dias da sua vida”
03:28
“só 33 tinham a ver com skills técnicas e 66 tinham a ver com skills relacionais, ou soft skills, que ele chamou de skills dentro da inteligência emocional”
05:28
“Grandes oradores sabem fazer isso. Porque eles falam. Eu vou sustentar o tom, a energia, a fala, e isso vai influenciar as pessoas ao meu redor. Porque os neurônios espelhos das pessoas vão ressoar comigo.”
39:37
O que você vai ouvir neste episódio
- Daniella Prevot explica a comunicação como a ponte que conecta a inteligência emocional intrapessoal à dimensão interpessoal no ambiente corporativo.
- O episódio analisa como o desenvolvimento de autoconsciência, autorregulação e empatia atua diretamente na redução de retrabalho entre equipes.
- A discussão destaca a importância de ferramentas simples para estruturar feedbacks contínuos, alinhamentos diários e clareza de expectativas.
- Líderes possuem o papel central de criar ambientes organizacionais saudáveis e eficientes por meio de competências comportamentais e relacionais.
- Exemplos reais e pesquisas mostram como a comunicação assertiva melhora diretamente os relacionamentos com clientes e o engajamento dos times.
Temas discutidos
A gestão de produtos, a agilidade e a liderança moderna dependem substancialmente de relações interpessoais funcionais para sustentar entregas eficientes. O desenvolvimento da inteligência emocional e o aprimoramento da comunicação assertiva mitigam ruídos operacionais, aumentam a produtividade e promovem a colaboração contínua. Ao integrar autoconsciência e empatia às rotinas das equipes, as organizações constroem uma cultura baseada em clareza de alinhamento e redução contínua do retrabalho, gerando resultados sustentáveis.
Para quem é este episódio
Líderes de equipe, gestores de produtos e facilitadores de agilidade são os perfis mais beneficiados por este episódio. Os profissionais que buscam aprimorar seus processos de feedback, diminuir falhas de alinhamento interpessoal e promover maior eficiência operacional em ambientes corporativos dinâmicos encontrarão orientações práticas na discussão.
Perguntas que este episódio ajuda a responder
Como a inteligência emocional afeta diretamente a produtividade e os resultados corporativos?
A inteligência emocional capacita os profissionais a gerenciarem suas reações e compreenderem melhor os colegas, promovendo autoconsciência e autorregulação. Isso reduz atritos desnecessários, melhora o clima organizacional e otimiza a tomada de decisão. Consequentemente, as equipes evitam o retrabalho decorrente de falhas interpessoais, canalizando esforços para ações mais eficientes e focadas em resultados.
Qual é o papel da comunicação no desenvolvimento da inteligência emocional?
A comunicação atua como o elo prático entre os aspectos intrapessoais e interpessoais da inteligência emocional. Por meio da comunicação assertiva, o profissional expressa suas emoções e necessidades de forma clara, enquanto pratica a empatia ao escutar ativamente o outro. Essa dinâmica fortalece o relacionamento entre times e previne desalinhamentos nas entregas.
De que forma as lideranças podem melhorar os feedbacks e a clareza nas equipes?
As lideranças podem adotar ferramentas simples que estruturem os momentos de conversa, garantindo feedbacks constantes e alinhamentos transparentes. Ao cultivar a autorregulação e a empatia, os líderes constroem um espaço de diálogo aberto. Essa postura reduz incertezas no cotidiano de trabalho, promove o engajamento do time e eleva a eficiência das operações organizacionais.
Sobre este episódio
No episódio 272 do Love the Problem, Rafinha recebe Daniela Trevô, consultora estrategista da Nower e especialista em comunicação assertiva e empática, de volta após a maternidade. Dani conta que, em vez de ler os 15 livros de Goleman que planejou, viveu a inteligência emocional na prática como mãe de primeira viagem, o que se tornou a maior aula. O episódio percorre a definição original do termo (Salovey e Meyer, 1990), a popularização por Goleman (1996) e a pesquisa que revelou que 66% dos critérios de promoção em empresas americanas envolvem skills relacionais, subindo para 85% em liderança. Dani apresenta os dois pilares — intrapessoal e interpessoal — e mostra como a comunicação é a ponte entre eles. O case da Fadesp, com 95% dos colaboradores treinados, traz números concretos: redução de 70% em erros, 50% no tempo de discussão e evitação de retrabalhos. O episódio também aborda resiliência, autoconfiança, autorregulação e empatia como soft skills conectadas, com a neurociência dos neurônios espelhos como base. Dani encerra com três estratégias para introduzir o tema em equipes — seja o exemplo, fale positivamente e proponha de forma top down — e com a pergunta prática 'o que será que é importante para essa pessoa agora?' como exercício diário de empatia.
Transcrição completa
Daniela Trevô, consultora estrategista na Nower e trainer de comunicação assertiva e empática, inteligência emocional e entusiasta da comunicação não violenta, retorna ao Love the Problem após a maternidade. Ela conta que, como mãe de primeira viagem, se propôs a ler os 15 livros de aprofundamento de inteligência emocional do Daniel Goleman que trouxe dos Estados Unidos, mas confessa que não leu nenhum — em vez disso, trabalhou a própria inteligência emocional num nível muito maior do que a leitura teria permitido.
O episódio parte da definição de inteligência emocional, trazida por Salovey e Meyer, professores da Universidade de Yale, que cunharam o termo em 1990, e popularizada por Daniel Goleman em 1996. O conceito é uma competência que busca expandir para além das skills técnicas: a capacidade de reconhecer, entender, utilizar e regular as emoções efetivamente todos os dias da vida. Goleman fez uma pesquisa inversa em mais de 100 empresas americanas e descobriu que, em processos seletivos e de promoção, apenas 33% dos critérios tinham a ver com skills técnicas e 66% com skills relacionais. Em cargos de liderança, essa proporção sobe para 85%.
Dani apresenta os pilares do modelo de Goleman: a inteligência intrapessoal, que engloba autoconsciência e autogestão, e a inteligência interpessoal, que inclui consciência social, empatia e gestão de relacionamentos. Ela destaca que a comunicação é a ferramenta que conecta os dois lados: ao se comunicar, é preciso trabalhar simultaneamente o intrapessoal (saber o que se quer comunicar, quais sentimentos e necessidades estão em jogo) e o interpessoal (garantir que a mensagem chegue ao receptor da melhor forma).
Sobre como começar a desenvolver a inteligência emocional, Dani recomenda não se limitar a livros, mas buscar experiências de troca com outras pessoas, como cursos de comunicação assertiva e empática. A comunicação não violenta, com seus pilares de empatia e assertividade, permite que a pessoa se prepare internamente antes de uma apresentação, gestão de conflitos, feedback ou processo de coaching, nomeando necessidades e sentimentos.
Dani traz o case da Fadesp, empresa de tecnologia de Belém do Pará, onde 95% dos colaboradores foram desenvolvidos em comunicação. Os resultados incluem equipes que evitaram três retrabalhos em um mês, correção de um requisito crítico não entendido pelo cliente antes da implementação, redução de 50% no tempo de discussão em times remotos e diminuição de 70% nos erros com a implementação da checagem de entendimento. Ela também cita a pesquisa do Instituto Gallup, segundo a qual 50% dos profissionais já deixaram um emprego para se afastar de um gerente ou liderança direta.
O episódio explora outras soft skills conectadas à inteligência emocional: resiliência, autoconfiança, autorregulação e empatia. Dani enfatiza que a falta de autorregulação não se limita a quem chora ou reclama, mas também inclui quem encerra discussões de forma abrupta, trata mal colegas ou tem comunicação truncada. A empatia é descrita como neurodegenerativa e natural, sustentada pelos neurônios espelhos no córtex pré-frontal, o que explica por que grandes oradores conseguem influenciar o ambiente ao sustentar tom e energia.
Dani propõe a pergunta prática "o que será que é importante para essa pessoa agora?" como exercício diário de empatia, e a prática da gratidão — reconhecer três fatos ou situações que se agradece e por quê — como exercício de perspectiva positiva, que constrói resiliência e é comprovadamente benéfica para o sistema imunológico e o bem-estar.
Para encerrar, Dani oferece três estratégias para introduzir o tema de inteligência emocional em equipes: seja o exemplo, comece falando positivamente sobre o que aprendeu, e, quando possível, proponha de forma top down um curso ou treinamento. Ela conta que um dos fundadores da Nower, que nunca teve tempo para fazer o curso, aprendeu sobre comunicação e empatia apenas ao observá-la no dia a dia.
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