
Xadrez Corporativo Ep. 14 - OKR: o desafio de construir objetivos estratégicos que transformam
Resumo rápido
Wesley, Head de Estratégia do Supply Chain da Ambev, e Rafaela Fonseca, da K21, compartilham a jornada de dois anos de implementação de OKRs na Ambev. O que começou como teste orgânico de ciclos curtos se transformou em um framework de mudança cultural, com a regra 80-20 (80% rotina, 20% transformação), estrutura em três níveis (estratégico, tático e regional) e o aprendizado de que repertório externo é tão importante quanto a metodologia em si. O resultado principal não é métrica, é mindset: menos silos, mais alinhamento estratégico e foco no cliente.
Capítulos
- 00:20Introdução ao tema: OKRs na dimensão transformacional
- 04:30O gatilho: por que a Ambev adotou OKRs
- 08:37OKR como framework de mudança cultural
- 17:11Estrutura prática e níveis de OKR na Ambev
- 26:32Resultados e a aplicação do Fit for Purpose
- 37:14Perspectiva pessoal: o champion e o desenvolvimento
- 44:06Próximos passos e o futuro da jornada de OKR
Frases do episódio
“Eu, depois de dois anos trabalhando com OKR, um ano aprendendo com vocês, eu entendo OKR como um framework de mudança cultural.”
08:37
“Então é 20 transformação com 80 de delivery, ou seja, de rotina.”
11:58
“a gente não está com um case de sucesso ainda, mas a gente tem um case de evolução super importante”
43:11
O que você vai ouvir neste episódio
- Rafaela Fonseca, Wescley Trajano e Raphael Montenegro analisam um caso real de implementação de OKRs estratégicos nas empresas.
- O debate aborda como objetivos estratégicos de negócios podem ser construídos e continuamente evoluídos de forma prática.
- Wescley Trajano destaca a importância de focar no pensamento sistêmico em vez de priorizar apenas a mecânica do framework.
- Os participantes discutem os principais desafios enfrentados pelas organizações ao alinhar metas executivas com a execução diária.
Temas discutidos
A adoção de OKRs vai além da simples definição de metas, exigindo uma transformação na cultura organizacional e no alinhamento executivo. No contexto de agilidade e gestão de produtos, o uso de objetivos de negócios orienta times para entregas de valor real. Ao enfatizar o pensamento sistêmico em vez do cumprimento cego de processos, lideranças conseguem adaptar estratégias em cenários complexos, promovendo colaboração, clareza estratégica e foco nos resultados.
Para quem é este episódio
Este episódio é recomendado para líderes executivos, gestores de produtos e especialistas em agilidade que buscam conectar a estratégia corporativa aos resultados práticos. Profissionais responsáveis por desdobrar metas organizacionais encontrarão direcionamentos relevantes sobre a aplicação de OKRs e pensamento sistêmico.
Sobre a série Xadrez Corporativo
Xadrez Corporativo trata das jogadas invisíveis da vida nas empresas: política, poder, conflitos entre áreas, negociação e os movimentos que determinam se uma iniciativa avança ou morre. A série discute o tabuleiro organizacional com franqueza, ajudando quem lidera transformações a antecipar reações e escolher a melhor jogada.
Ver todos os episódios da série Xadrez CorporativoPerguntas que este episódio ajuda a responder
Como aplicar OKRs de forma prática na estratégia de negócios?
A aplicação prática exige ir além do preenchimento de planilhas ou fórmulas prontas. É essencial construir e evoluir objetivos estratégicos conectando o alinhamento da liderança às necessidades do negócio. A chave está em acompanhar o progresso continuamente e ajustar os alvos conforme o aprendizado prático e as mudanças do contexto organizacional.
Qual é o papel do pensamento sistêmico na utilização de OKRs?
O pensamento sistêmico permite entender como as diferentes partes da organização se interconectam ao perseguir uma meta. Em vez de tratar o framework como um fim em si mesmo, essa visão ajuda a mapear dependências, evitar gargalos entre áreas e garantir que os objetivos promovam melhorias globais, não apenas otimizações locais ou isoladas.
Por que o foco deve estar na estratégia e não apenas no framework?
Focar apenas no framework faz com que times sigam rituais burocráticos sem gerar impacto real de negócio. O valor dos OKRs está no direcionamento estratégico e na capacidade da empresa de transformar sua cultura de gestão. A estrutura serve para apoiar a tomada de decisão, necessitando de flexibilidade para evoluir conforme os objetivos mudam.
Sobre este episódio
Neste episódio do Xadrez Corporativo, Wesley, Head de Estratégia do Supply Chain da Ambev, e Rafaela Fonseca, consultora da K21, detalham a jornada de dois anos de implementação de OKRs em uma das maiores empresas do Brasil. O que começou como um teste orgânico de ciclos curtos evoluiu para um framework de mudança cultural, com a regra 80-20 como baliza entre rotina e transformação. A estrutura de níveis foi ajustada de quatro para três, com a retirada das unidades industriais, e o aprendizado central foi que repertório externo e visão sistêmica são tão importantes quanto a própria metodologia. A aplicação do Fit for Purpose como validação do OKR como produto interno trouxe clareza sobre onde a ferramenta funcionava e onde outras seriam mais adequadas. Wesley encerra a jornada como um 'case de evolução' e não de sucesso, reforçando que a melhoria contínua é a essência do processo. O episódio é um guia prático para líderes que buscam implementar OKRs sem perder a excelência operacional.
Transcrição completa
Conceito de estratégia, em grego, estrategia, em latim, stratégie, em francês, stratégie. Estamos aqui para falar sobre OKRs, na perspectiva de como a gente utiliza OKRs numa dimensão transformacional das organizações. Wesley é Head de Estratégia dentro da área do Supply Chain na Ambev, com 12 anos de companhia. O OKR entrou na carreira dele há cerca de dois anos, de uma maneira mais orgânica, e depois a equipe percebeu que precisava de ajuda e trouxe o time da K21 para essa jornada. Desde então, Wesley fez um turnaround na carreira, focando em metodologias ágeis como OKR. Rafaela Fonseca é consultora e trainer na K21 de OKRs, gestão de resultados, definição e planejamento estratégico e lideranças. Sua jornada com OKRs começou em 2016-2017, quando liderou uma transformação por OKRs no Instituto, e desde então já são mais de quatro anos ajudando empresas a colocar isso em prática.
A pergunta crucial no início de qualquer jornada de OKR é: o que a Ambev esperava de OKRs? Qual foi o gatilho? A história começa há cerca de dois anos, quando o antigo VP trouxe a provocação de métricas ágeis. A Ambev tem reconhecimento pelo seu sistema de gestão, mas sabe que ele precisa se atualizar com as práticas de mercado. A partir disso, a discussão interna focou em ciclos curtos, Scrum, Squads e trabalho em times multidisciplinares. Dentro desse contexto, os OKRs surgiram como complemento ao sistema de gestão.
O principal aprendizado é que aquilo que motivou a adoção inicial não foi necessariamente aquilo que ganhou força ao longo da jornada. Inicialmente, pensava-se em OKRs para trabalhar em ciclos curtos e gerar mais colaboração entre times. No entanto, percebeu-se que o sistema de gestão era muito bom em falar de rotina, em excelência na execução, mas com uma visão de curto, no máximo médio e longo prazo. A necessidade era de algo mais transformacional, que fizesse parar de olhar somente no presente, discutir métricas conhecidas há 20 anos, e falar sobre o que a gente vai construir para o futuro, se desafiando além do modelo tradicional de TSC e desdobramento de metas. Ao longo da jornada, o modelo de OKR passou a coexistir de maneira saudável com o sistema de gestão tradicional, mas ocupando um lugar distinto, evitando sobreposição.
Depois de dois anos trabalhando com OKR, um ano aprendendo com a K21, Wesley entende OKR como um framework de mudança cultural, porque há uma mudança de mindset e uma mudança cultural organizacional muito grande. Em 2021, o OKR entrou no supply de forma orgânica, como teste. Em 2022, a K21 foi chamada e as reasons to believe foram sedimentadas. A primeira e mais apaixonante é a mudança cultural que o OKR traz: mais clareza e alinhamento para os propósitos, toda a organização do supply mais alinhada com um plano estratégico palpável até os níveis operacionais, diminuição dos silos e facilidade de ajustes de rota.
O aspecto transformacional é mais do que trazer uma rotina ou uma simples ferramenta. É repensar a forma de fazer gestão de resultados. A capacidade de fazer isso em diversos níveis, num cenário complexo como o supply chain, garantindo coesão e visão estratégica, tem um poder de movimento enorme. Quando as pessoas estão embarcadas, a gente trabalha em ciclos curtos, gera transformação e passa a olhar para lugares que antes não eram confortáveis.
O maior desafio atual é garantir o equilíbrio entre rotina e transformação. Wesley tem dois grandes desafios: garantir esse equilíbrio e desenvolver a visão sistêmica e de negócios na liderança mais sênior. O lema interno é 80-20: 20% transformação com 80% de delivery, de rotina. A Ambev se honra pelo passado, pela excelência na rotina, mas entende que para evoluir precisa de mais uma parcela. Esse 80-20 depende do nível dentro da companhia, inspirado no conceito de Flight Levels. Quanto mais se aproxima do nível operacional, mais a rotina precisa ser com excelência, porque esses níveis dão estabilidade para o processo de inovação. Num primeiro momento, houve um movimento pendular: trouxe-se os níveis operacionais para pensar mais no transform do que na rotina, e depois ajustou-se o pêndulo. Já nos níveis estratégicos, o erro é abraçar metas e discutir apenas o que se vai entregar na próxima semana, em vez de dedicar pautas estratégicas para gerar transformações. Outro aprendizado: não adianta fazer um convite para o time pensar de forma inovadora sem municiá-lo de repertório. É preciso trazer repertórios para as pautas antes de fazer o convite, senão será um convite vazio.
A estrutura de OKR na Ambev começou com quatro níveis: estratégico (ciclo anual, plano estratégico do supply chain), tático (diretoria técnica, ajuste de rota), regionais e unidades. Com o tempo, percebeu-se que ter OKR nas unidades industriais exigia uma coordenação que não trazia o resultado esperado. Hoje, segue-se com nível estratégico (gerenciado junto com o VP), nível tático (consolidação de diretorias) e nível regional (discussão de inovação com gerentes de fábricas e diretores regionais). O desafio é gerar nesse público mais visão de negócio, mais repertório. Repertório não é conhecer o próprio negócio, é conhecer negócios externos, analisar empresas que tentam solucionar os mesmos problemas, não necessariamente concorrentes diretos de produto. Mesmo o gestor mais sênior precisa de repertórios externos, porque ao juntar vários repertórios, surge o momento eureka.
A gestão de expectativas acontece em real time. No nível operacional, a expectativa é de receber repertório. Nos níveis táticos e regionais, a expectativa é sobre o balanceamento do 80-20. E há a expectativa de como colocar o moonshot de forma entregável, criando milestones que não sejam de meios, mas que se mensurem por meio de key results. Outro aprendizado: no início, boa parte dos key results eram na verdade iniciativas, gerando uma gestão de projetos quase de PMO dentro do OKR. Diferente quando se fala de OKR como framework, medindo a cada 15 ou 30 dias os key results e vendo as mudanças de ponteiro.
O principal resultado é a mudança cultural: não pensar só em rotina, mas direcionar toda a estrutura para o médio e longo prazo de forma disruptiva. Consequências tangíveis incluem diminuição do número de silos, mais pessoas falando sobre assuntos estratégicos, ponteiro mudando em velocidade maior por causa do alinhamento e da colaboração. Houve também a provocação de avaliar quais métricas estão focadas no cliente e não no acompanhamento interno, gerando discussões mais centradas no que o cliente espera. Wesley aplicou o Fit for Purpose para entender o OKR como produto e ouvir o que os clientes internos diziam, identificando onde estava acertando e onde precisava dar um passo atrás, porque para alguns propósitos o OKR não era a melhor ferramenta.
Sobre a transformação do mindset da alta gestão de equipes projetizadas para o framework de resultados: primeiro, é preciso entender onde se vai fazer gestão por resultados e onde se continuará com gestão tradicional. Não se tombou todas as equipes projetizadas para OKR. Antes de criar o OKR, investiram-se dois meses de treinamento na alta liderança, com sessões sobre cultura, mindset, gestão de mudança, métodos ágeis e aprofundamento em OKR, levantando a visão sistêmica. Essa preparação foi fundamental para o engajamento. Se se começasse de forma diferente, não teria o mesmo engajamento.
Na perspectiva pessoal, Wesley sempre veio de formação em gestão estratégica e sistema de gestão interno há mais de seis anos. Ao absorver metodologias ágeis, a visão se expandiu. O principal desafio foi buscar conhecimento, sendo assíduo em cursos da K21. O Fit for Purpose foi uma provocação pessoal para gerar insight no desafio atual. A necessidade de atualização é fundamental: entender como outras organizações se desenvolvem, conectar-se com assuntos diversos, e ao final do dia se perguntar o que aprendi hoje. O conselho após um ano tocando a gestão de mudança com OKR é menos sobre o framework em si e mais sobre gerar conhecimento sistêmico. A humildade de aprender, perguntar, questionar e a capacidade de se relacionar com diversas pessoas na organização, envolvendo-as na mudança e lidando com impedimentos, fazem diferença para o sucesso. Wesley diz que não é um case de sucesso, é um case de evolução, porque o sucesso será de fato quando atingirem todos os objetivos.
Os próximos passos incluem acompanhar a retirada organizada dos OKRs nos níveis mais operacionais para garantir que o 80-20 continue efetivo, desenvolver repertório e visão sistêmica nas pessoas que constroem OKRs, e conectar a estratégia do supply com o OKR estratégico da companhia como um todo. No final do ano, haverá uma revisão para entender o que, num primeiro momento, parecia transformacional, mas que após a jornada se revela menos transformacional do que o desejado. A jornada não tem ponto de chegada; é uma melhoria contínua, e a Ambev será diferente daqui a pouco, com novas necessidades de clientes, exigindo que a ferramenta mude junto com a empresa. Dentro da Ambev, no supply, a preocupação nunca é se as coisas serão feitas, porque serão. A capacidade de realização das pessoas, de entrar no barco e fazer junto, gera celeridade nas mudanças necessárias.
Episódios relacionados
- Xadrez Corporativo Ep. 13 - Business Agility: Como ter resultados em todos os níveis da organização?
Existem desafios muito importantes no caminho de levar uma organização para ter, de fato, o tal do Business Agility. Desafios em: Como tornar visível as estruturas invisíveis da organização? Como revelar os possíveis gaps da estrutura operacional, tornando mais fácil a realização de possíveis melhorias? Como criar artefatos com dados reais para auxiliar na transformação organizacional visando indicadores estratégicos e resultados de negócios? Nesse episódio do Xadrez Corporativo, tivemos uma bela troca de experiências sobre assuntos do universo de inovação e negócios entre Jose Jr, Jonatan Aguiar e Alexsandro Filippetto, com facilitação de Ximena Valente. Confira as referências deste episódio no backstage: http://k21.link/lovetheproblem Ah, segue a gente no Instagram também: https://www.instagram.com/lovetheproblem/
- Xadrez Corporativo Ep. 12 - Velhas soluções para novos problemas
Temos um problema pra resolver! E agora? Será que vale usar aquela "receita de bolo" que tantas outras empresas já usaram? E aquela "bala de prata"? Essas são nomes que normalmente damos aos tantos modelos que existem por aí quando falamos de mudanças nas organizações. Para falar um pouco sobre experiências reais das vantagens e desvantagem do uso de modelos "prontos", Panda recebe Andressa Chiara, Business Strategy Specialist & Partner na K21, e Cinthia Baracat, Head de Agilidade na Daniel Law, para essa partida do Xadrez Corporativo. Bom episódio! Confira as referências deste episódio no backstage do Love The Problem: http://k21.link/lovetheproblem Ah, segue a gente no Instagram também https://www.instagram.com/lovetheproblem/
- Xadrez Corporativo Ep. 03 - A batalha corporativa por Customer Centricity, a centralidade no cliente
Centralidade no cliente ou ganho de receita e margem para garantir as metas mais imediatas? Uma hora a conta chega para quem escolhe a o imediatismo. Ao mesmo tempo, o foco na experiência do cliente não necessariamente garante resultados sustentáveis. Como conciliar as duas visões e chegar a objetivos em comum em meio ao jogo de xadrez do ambiente corporativo? Neste episódio CFC conversa com Aline Pereira, diretora de marketing e produtos da VB Beneficios (Grupo Fleetcor) e Andressa Chiara, Business Strategy Specialist na K21 sobre o equilíbrio entre aborgdagens Customer Centric e negócios em meio às batalhas que o mundo corporativo nos proporciona. Curtiu o Xadrez? Quer ver quem são os convidados? Entre no nosso backstage e deixe um feedback: https://k21.link/lovetheproblem E segue a gente no Insta @lovetheproblem
- Xadrez Corporativo Ep. 11 - Balanceando Cultura e Negócios
A cultura da sua organização está impulsionando seu negócio? Nesse episódio do Xadrez Corporativo, Panda e nosso querido Raphael Montenegro recebem a Gabriela Diuana (Diretora de Novos Negócios e Inovação na Cogna) para falar sobre essa relação, muitas vezes conflitante, no desenvolvimento das organizações. Com uma experiência e trajetória incríveis, a Gabi conta um pouco sobre quais resultados são possíveis quando ouvimos as pessoas nesse processo de construção contínua de uma cultura organizacional. Solta o play e aproveite este episódio junto com a gente! Confira as referências deste episódio no backstage: http://k21.link/lovetheproblem Ah, segue a gente no Instagram também: https://www.instagram.com/lovetheproblem/