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Xadrez Corporativo Ep. 11 - Balanceando Cultura e Negócios
Ep. 11

Xadrez Corporativo Ep. 11 - Balanceando Cultura e Negócios

25 de maio de 202200:57:47
Cultura
Inovação
Pessoas
Xadrez Corporativo

Resumo rápido

Gabriela Joana, diretora de Novos Negócios e Inovação na Cogna, conta como sua trajetória entre telecom, Pearson e Cogna moldou sua visão sobre como equilibrar cultura organizacional e resultado de negócio, usando ferramentas como o Culture Design Canvas e o modelo de cultura ambidestra.

Capítulos

  1. 00:20Abertura: a história de Rafael na Pearson após a aquisição da startup
  2. 07:06Trajetória de Gabi: de telecom à Pearson e o choque entre controle e colaboração
  3. 15:23Gabi assume o RH da Cogna: desenhar cultura para 30 mil colaboradores
  4. 27:32O framework Culture Design Canvas: negócios, emocional e racional
  5. 29:51Cultura ambidestra: equilibrando tradição e inovação
  6. 41:02Diversidade e representatividade feminina em posições de liderança
  7. 46:20Como cultura potencializa negócio: os casos da Cogna e da K21

Frases do episódio

de fato, cultura é feita por pessoas

06:18

a gente não muda a pessoa pra encaixar ela numa cultura

18:56

a cultura ela não pode ser estática e por isso que ela é uma página com post-its

27:32

O que você vai ouvir neste episódio

  • Gabriela Diuana explica a relação entre a evolução da cultura organizacional e o crescimento sustentável dos negócios.
  • O episódio debate estratégias para alinhar a gestão de pessoas com os objetivos de inovação na Cogna.
  • Os apresentadores e a convidada discutem como escutar colaboradores gera impactos diretos nos resultados corporativos.
  • A conversa traz reflexões sobre o papel da liderança na construção contínua de um ambiente inovador.
  • O painel analisa os conflitos frequentes entre metas financeiras de curto prazo e fortalecimento cultural.

Temas discutidos

A interseção entre cultura organizacional e estratégia corporativa é fundamental para a transformação digital e a agilidade nos negócios. O equilíbrio entre atender demandas comerciais e cultivar um ambiente centrado em pessoas define a capacidade de uma empresa inovar. Ouvir os colaboradores de forma contínua fortalece a liderança adaptativa, permitindo que a gestão de produtos e serviços evolua em alinhamento com a identidade da empresa, transformando a cultura em um verdadeiro motor de crescimento estratégico.

Para quem é este episódio

Este episódio é ideal para diretores de inovação, líderes de recursos humanos e gestores de produto que buscam alinhar cultura organizacional aos resultados de negócio. Profissionais encarregados de processos de transformação corporativa e gestão de pessoas também encontrarão insights valiosos para a prática diária.

Sobre a série Xadrez Corporativo

Xadrez Corporativo trata das jogadas invisíveis da vida nas empresas: política, poder, conflitos entre áreas, negociação e os movimentos que determinam se uma iniciativa avança ou morre. A série discute o tabuleiro organizacional com franqueza, ajudando quem lidera transformações a antecipar reações e escolher a melhor jogada.

Ver todos os episódios da série Xadrez Corporativo

Perguntas que este episódio ajuda a responder

Como a cultura organizacional pode impulsionar os resultados de um negócio?

A cultura organizacional impulsiona negócios quando alinha o comportamento dos colaboradores às metas estratégicas. Ao integrar a escuta ativa das pessoas com diretrizes de inovação, como apresentado por Gabriela Diuana na Cogna, as empresas conseguem criar soluções mais eficientes, aumentar o engajamento das equipes e sustentar a evolução da organização no longo prazo.

Qual é o papel da liderança no equilíbrio entre cultura e metas financeiras?

A liderança deve atuar como ponte entre as exigências de mercado e o bem-estar das equipes. O papel dos líderes é criar espaços para escutar os colaboradores e integrar suas necessidades ao direcionamento de novos negócios. Isso evita que a busca por metas comerciais comprometa o ambiente interno e a capacidade contínua de inovação da empresa.

Por que a escuta ativa das pessoas é fundamental no desenvolvimento corporativo?

Escutar ativamente as pessoas permite identificar gargalos operacionais e oportunidades de inovação que não são visíveis apenas nos indicadores financeiros. Quando a organização constrói sua cultura com base no diálogo frequente com os colaboradores, ela fortalece a confiança interna, reduz a resistência a mudanças e acelera a entrega de valor aos clientes.

Sobre este episódio

Neste episódio do Xadrez Corporativo, quadro do Love the Problem, Rafael Montenegro ("tio") e Pando recebem Gabriela Joana, diretora de Novos Negócios e Inovação na Cogna, para discutir como equilibrar cultura organizacional e resultado de negócio, um tema que, segundo os apresentadores, raramente é tratado como uma dupla de forças que se complementam, e não como polos opostos.

O episódio abre com Rafael contando uma história pessoal: seu grupo, vindo de uma startup carioca adquirida pela Pearson, tentou impor uma cultura de startup de forma combativa dentro de uma mega corporação milenar, passando por cima de burocracias sem entender ou respeitar a cultura já existente. O resultado, segundo ele, foi pior do que o esperado, e foi só com o tempo, e com a chegada de Gabi à empresa, que o grupo aprendeu a balancear melhor esses dois lados.

Gabi então conta sua própria trajetória: sete anos em telecom, de onde saiu decidida a não repetir uma cultura de controle excessivo, e a chegada à Pearson em 2014 vinda de uma carreira tradicional de gestão de projetos. Lá, o choque foi imediato, de cronogramas rígidos para um corredor cheio de post-its e um time editorial de professores sendo convidado a reinventar como produzia conteúdo. Ela descreve como aprendeu, aos poucos, que a colaboração, pessoas com um propósito único, se ajudando, era o que fazia o trabalho acontecer, e destaca que diferentes culturas carregam premissas diferentes (controle e desconfiança versus colaboração e confiança), muitas vezes apenas "vestidas" de formas distintas.

Um bloco importante da conversa trata da experiência de Gabi à frente do RH da Cogna, desenhando cultura para cerca de 30 mil colaboradores, 70 marcas e 2,5 milhões de alunos, um público que vai do professor de uma escola no interior do Amazonas ao CFO sênior corporativo. Sua receita passa por ouvir intensamente os colaboradores (ela cita ter conduzido mais de 56 pesquisas internas em um ano) e por reconhecer que cultura não se instala da noite para o dia, mas é construída de baixo para cima ao longo de anos. Ela apresenta o Culture Design Canvas como ferramenta prática, estruturado em cultura de negócios (valores, propósito), cultura emocional (segurança psicológica) e cultura racional (rituais e rotinas), e ilustra com o exemplo de um produto de avaliação de desempenho que ela ajudou a simplificar na Pearson depois de descobrir que os colaboradores só queriam saber se e quando seriam promovidos.

A conversa avança para o conceito de cultura ambidestra, que a Cogna vem praticando: equilibrar um lado mais tradicional, financeiro, previsível, orientado a controle de risco, com um lado mais inovador, disposto a correr riscos, validar hipóteses e operar com times enxutos. Rafael complementa com uma crítica ao movimento, comum no Brasil, de grandes corporações tentando se transformar à força em startups sem que a cultura correspondente fizesse sentido para o contexto de negócio, defendendo que cada tipo de cultura pertence a um tipo de contexto específico, e que o real desafio está em comunicar com clareza que comportamentos e resultados são esperados em cada situação.

O episódio também aborda como a cultura organizacional dialoga com a sociedade ao redor: Gabi conta que assumiu o RH da Cogna no início da pandemia e se inspirou no caso público do Carrefour para desenhar o projeto de diversidade da empresa, entendendo que a cultura ultrapassa os colaboradores diretos e alcança fornecedores, clientes e a reputação da marca nas redes sociais. Nesse contexto, ela compartilha sua própria experiência como mulher em posições de liderança, desde ter ideias ignoradas em reuniões até liderar hoje o grupo de gênero da Cogna, e cita números da companhia (56% da liderança e 65% do quadro geral formados por mulheres) e ações concretas, como metas de diversidade para grupos sub-representados.

Para fechar, o grupo discute como cultura pode potencializar negócio, usando a reconstrução da Cogna durante a pandemia como exemplo: turnover de 34% em tecnologia, alta inadimplência e evasão foram enfrentados com mais transparência sobre decisões difíceis e reforço de valores como "vai lá e faz". Rafael conecta o tema à própria trajetória recente da K21, que precisou ganhar mais consistência e transparência cultural ao crescer, para sustentar a autonomia das pessoas sem deixar a empresa mais lenta. O episódio termina com Gabi reforçando que transformação cultural é uma jornada longa que exige coragem e reinvenção constante, e com uma metáfora sobre a vida como um produto em evolução contínua.

Transcrição completa

Rafael (o "tio") abre o episódio contando uma história pessoal: quando ele, Danilo e outros colegas, hoje na K21, trabalhavam numa startup no Rio de Janeiro que foi adquirida, e o grupo foi parar na Pearson, então a maior empresa de educação do mundo. Ele relembra como chegaram tentando "revolucionar" a organização, trazendo a cultura startupeira quase como um vírus para dentro de uma mega corporação milenar, com uma atitude combativa de passar por cima das burocracias sem entender e respeitar o outro lado, o que, segundo ele, gerou resultados piores do que os pretendidos. Foi só com o tempo, e especialmente com a chegada da convidada do episódio à Pearson, que o grupo aprendeu a balancear melhor cultura e negócio, entendendo o que a empresa realmente precisava deles.

A convidada é Gabriela Joana, 36 anos, diretora de Novos Negócios e Inovação na Cogna, onde está há quatro anos. Ela conta sua trajetória: sete anos em telecom (na Oi), de onde saiu como gerente muito jovem e decidida a não repetir aquela cultura de controle excessivo. Em 2014 chegou à Pearson vinda de uma carreira tradicional de gestão de projetos (PMBOK, cronogramas rígidos) e teve um choque cultural ao encontrar um corredor cheio de post-its e um time editorial formado por professores de história, geografia, português e matemática sendo convidado a repensar do zero como o conteúdo seria produzido para mobile e internet. Ela descreve ter ficado "desesperada" nos primeiros dias, sem entender como aquilo funcionava sem processos digitalizados, até perceber que era a colaboração, pessoas com um propósito único, se ajudando, que fazia o trabalho acontecer. A mudança de cidade (Rio para São Paulo) somada à mudança de cultura organizacional tornou o processo ainda mais difícil.

Gabi reflete sobre como cada cultura carrega premissas diferentes: uma pode estar mais ligada a controle e desconfiança, outra a colaboração, propósito e confiança nas pessoas; e que essas premissas muitas vezes estão apenas "vestidas" de formas diferentes (por exemplo, desconfiança disfarçada de controle burocrático, falta de colaboração disfarçada de competição individual). Ela destaca que uma cultura nova naturalmente "expurga" quem não se identifica com ela, e que isso não é necessariamente ruim; cita o exemplo de uma colaboradora do RH que preferiu voltar para uma empresa mais tradicional e ficou mais feliz lá. Sua recomendação para quem está migrando de um modelo cultural tradicional para um mais ágil é escutar: fazer pesquisas constantes com os colaboradores (ela cita ter feito mais de 56 pesquisas em um ano no RH da Cogna) para desenhar a cultura considerando públicos muito distintos, do professor de uma escola no interior do Amazonas ao CFO sênior no mercado corporativo. Para ela, cultura não se instala da noite para o dia: é construída de baixo para cima (bottom-up) ao longo de anos.

Rafael conecta essa história ao caso da aquisição da EasyLearn pela Pearson, sugerindo que empresas que fazem aquisições muitas vezes o fazem mais pelo time do que pelo produto, buscando uma cultura diferente para gerar resultados diferentes, o que exige um trabalho sério de change management e comunicação clara, para que as pessoas não se sintam traídas quando a cultura da empresa muda sem aviso. Um dos apresentadores (Pando) observa que existe uma expectativa equivocada de que a cultura organizacional deveria ser homogênea e estável em toda a empresa, quando na prática ela varia; cita o modelo dos mapas de Wardley, que vão de "Gênesis" (inovação, descoberta) a "commodity" (estabilidade, processo), e que uma empresa grande precisa acomodar diferentes perfis e culturas internas de acordo com a necessidade de cada área de negócio.

A partir daí, Gabi assume a área de RH da Cogna e enfrenta o desafio de desenhar cultura para 30 mil colaboradores, 70 marcas e 2,5 milhões de alunos. Ela reforça a importância de respeitar a diversidade de perfis (do colaborador que quer ficar a vida toda na mesma função ao que quer mudar a cada seis meses) e recomenda o framework Culture Design Canvas, estruturado em três blocos: a cultura de negócios tradicional (propósito, valores, visão, o que é passível até de desligamento), a cultura emocional (segurança psicológica, não interromper quem fala, respeitar o tempo de voz de cada pessoa) e a cultura racional (rituais, rotinas, combinados). Ela dá o exemplo do produto de avaliação de desempenho que criou na Pearson: ao perguntar aos colaboradores o que eles realmente queriam saber, a resposta foi simples: se e quando seriam promovidos, o que levou a repensar processos complexos demais.

Gabi também apresenta o conceito de cultura ambidestra, que ela vem praticando na Cogna: de um lado, o "lado direito do cérebro", mais tradicional, com responsabilidade financeira, controle de riscos e acompanhamento orçamentário; do outro, o "lado esquerdo", mais inovador, disposto a correr riscos, validar hipóteses e trabalhar com times enxutos. Segundo ela, as empresas de sucesso hoje conseguem desenvolver os dois lados; ela cita como o lado corporativo tradicional sustentou a trajetória da empresa até ali, enquanto empresas nativas digitais avançam rápido no lado inovador mas sofrem por não terem o outro lado desenvolvido. Rafael complementa com uma reflexão sobre como, no Brasil, houve um movimento de grandes corporações tentando se transformar à força em startups, "metendo goela abaixo" uma cultura que as pessoas não sabiam vivenciar, e defende que cada tipo de cultura (startup ou tradicional) pertence a um contexto de negócio específico, e que o desafio real está em declarar com clareza o tipo de comportamento e resultado esperado em cada contexto, para evitar pedir coisas inconsistentes às pessoas.

O grupo discute ainda como a cultura organizacional não é uma bolha isolada da sociedade: ela é influenciada pelo mundo lá fora e também o influencia. Gabi conta que assumiu o RH da Cogna no início da pandemia e que se inspirou no caso público do Carrefour (a tragédia de um colaborador terceirizado que virou uma crise de reputação) para desenhar o projeto de diversidade da Cogna, entendendo que a cultura de uma empresa não se limita aos colaboradores diretos, mas envolve fornecedores, clientes e a forma como a marca é percebida nas redes sociais.

Sobre representatividade, Gabi compartilha sua própria experiência como mulher em posições de liderança: ainda muito jovem, virou diretora numa área majoritariamente masculina e relembra como suas sugestões em reuniões eram ignoradas até que um colega homem repetisse a mesma ideia minutos depois e fosse aplaudido. Ela investiu em estudar oratória e comunicação para se posicionar melhor, e hoje é sponsor do grupo de gênero na Cogna, que trata temas como licença-maternidade e congelamento de óvulos. Ela cita que 56% da liderança da Cogna e 65% do quadro geral são mulheres, e destaca a importância de as mulheres se apoiarem entre si nas reuniões. Também menciona um estudo sobre como, diante de dois currículos idênticos (um com nome feminino, outro masculino), recrutadores tendem a preferir o masculino por vieses relacionados a maternidade e ausências, o que levou a Cogna a adotar metas de diversidade distribuídas pela companhia (para pessoas negras, LGBTQIA+, mulheres e pessoas com deficiência), na esperança de que, no futuro, essas metas deixem de ser necessárias.

Para fechar, o grupo discute como cultura pode potencializar o negócio. Gabi relata a dura transformação da Cogna durante a pandemia: educação perdeu prioridade diante da saúde, houve alta inadimplência e evasão, e o turnover em tecnologia chegou a 34%. A virada começou quando a empresa passou a compartilhar abertamente as dificuldades e a lógica por trás de decisões difíceis (demissões, fechamento de unidades), reforçando a transparência como um dos valores centrais, junto com o valor "vai lá e faz", não esperar que outra pessoa resolva. Segundo ela, quando as pessoas confiam na direção estratégica da empresa, mesmo que o caminho mude ao longo do tempo, o resultado vem mais rápido, e reconhecimento (financeiro ou não) precisa acompanhar esse resultado.

Rafael conecta o tema à trajetória recente da própria K21, que precisou repensar sua gestão de cultura ao crescer: quando a empresa era pequena, era mais fácil manter alinhamento cultural naturalmente, mas o crescimento trouxe a necessidade de mais consistência, clareza e transparência para sustentar a autonomia das pessoas. Ele argumenta que quanto menos clara for a cultura e as expectativas, mais as pessoas hesitam em decidir sozinhas, o que deixa a empresa mais lenta. Pando fecha amarrando os conceitos de transparência e coerência (mencionada por Rafael mais cedo) como os instrumentos que permitem que as pessoas de uma organização "remem na mesma direção". Gabi encerra reforçando que a jornada de transformação cultural é longa, exige coragem e reinvenção constante, e compara esse processo ao ciclo de um relacionamento: conhecer, testar, validar, crescer e sustentar, como metáfora para a vida como um produto em constante evolução.

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