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Ep. 261 - Facilitação na prática: Criando processos leves e impactantes

Ep. 261 - Facilitação na prática: Criando processos leves e impactantes

1 de setembro de 202500:53:03
Estratégia
Facilitação
Flight Levels & Kanban
Pessoas

Resumo rápido

Facilitação não é um título nem um show individual: é um processo intencional, coerente e prazeroso que qualquer pessoa pode conduzir com boa preparação. O episódio desdobra os três pilares da preparação (foco, interesse e evidências), a estrutura dos 4 Cs (conexão, conteúdo, prática concreta e conclusão), a corresponsabilidade do facilitador pelo resultado, a importância da pausa e do encerramento calibrado, e o conselho final de que diversão e jogo de cintura são os grandes multiplicadores de qualidade em qualquer sessão.

Capítulos

  1. 02:09O que é facilitação e por que ela está em toda reunião boa
  2. 05:20Intencionalidade, coerência e prazer: os critérios de uma boa facilitação
  3. 09:17Preparação: foco, interesse e evidências
  4. 17:19A estrutura dos 4 Cs: conexão, conteúdo, prática concreta e conclusão
  5. 27:43Corresponsabilidade do facilitador e o poder da pausa
  6. 31:10Como encerrar uma facilitação com impacto
  7. 48:35Diversão, jogo de cintura e o conselho final

Frases do episódio

ao falhar na preparação, você se prepara para falhar

04:33

você está gostando de estar ali? Está relevante estar ali naquele momento?

06:14

se a gente não tá se divertindo em algum nível no nosso dia a dia, alguma coisa tá errada

48:35

O que você vai ouvir neste episódio

  • A facilitação busca promover participação ativa, organizar o fluxo das discussões e manter o foco do grupo nos objetivos estabelecidos.
  • O facilitador atua como suporte ao grupo, garantindo que o conhecimento coletivo prevaleça sobre a visão de um único especialista.
  • A metodologia dos quatro Cs estrutura encontros por meio de conexão, conteúdo interativo, prática concreta e conclusão autônoma dos participantes.
  • A facilitação em dupla oferece suporte mútuo e flexibilidade para lidar com imprevistos durante dinâmicas envolvendo grandes grupos.
  • A definição clara dos próximos passos e a visibilidade dos resultados garantem a efetividade e a continuidade do trabalho facilitado.

Temas discutidos

A facilitação conecta-se diretamente à agilidade e à liderança ao transformar reuniões operacionais e estratégicas em espaços de colaboração efetiva. Ao priorizar a inteligência coletiva e a segurança psicológica, a prática elimina desperdícios em fluxos de trabalho e fortalece a cultura organizacional. A adoção de metodologias estruturadas permite que equipes de produto e gestão alinhem expectativas, tomem decisões fundamentadas e sustentem melhorias contínuas no ambiente corporativo.

Para quem é este episódio

Este conteúdo é recomendado para lideranças, agilistas e gestores de produto que conduzem dinâmicas de alinhamento ou tomadas de decisão. Profissionais responsáveis por facilitar workshops, cerimônias de equipe ou reuniões estratégicas também encontram orientações práticas para aumentar o engajamento e a produtividade dos grupos.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

O que caracteriza um bom facilitador no contexto organizacional?

Um bom facilitador foca em organizar o fluxo de interações, incentivar a participação de todos e manter a objetividade. Ele não busca ser o centro das atenções nem impor soluções como especialista, mas sim criar um ambiente seguro e estruturado para que o próprio grupo alcance as respostas necessárias.

Como aplicar a metodologia dos quatro Cs em um workshop?

A estrutura dos quatro Cs orienta a dinamização do encontro iniciando com a conexão ao conhecimento prévio dos participantes. Em seguida, apresenta-se o conteúdo de forma interativa, realiza-se uma prática concreta no formato mão na massa e conclui-se permitindo que o grupo consolide e explicite suas próprias percepções finais.

Quais cuidados são essenciais para garantir os resultados de uma facilitação?

A preparação prévia e a intencionalidade nas dinâmicas são fundamentais para evitar falhas. Ao término do encontro, o facilitador deve assegurar a visibilidade das entregas realizadas, registrar os próximos passos acordados e obter feedback por meio de perguntas bem calibradas para avaliar o engajamento do time.

Sobre este episódio

No episódio 261 do Love the Problem, Flor e Guga mergulham na prática da facilitação como processo intencional, coerente e prazeroso. A conversa parte da premissa de que boa facilitação não precisa de título nem de palco: qualquer pessoa pode conduzir um encontro produtivo com preparação básica bem feita. Guga apresenta os três pilares da preparação — foco (resultado desejado), interesse (proposta envolvente) e evidências (respostas a objeções) — e a estrutura dos 4 Cs (conexão, conteúdo, prática concreta e conclusão), inspirada no Training from the Back of the Room, que coloca o participante no centro e o facilitador no fundo da sala. O episódio discute a polêmica de o facilitador ser especialista (não precisa ser, mas precisa ter intencionalidade e saber se ancorar em quem é), a corresponsabilidade pelo resultado, o poder da pausa como ferramenta de adaptação e fixação, e a importância de um encerramento calibrado que celebre o avanço, defina próximos passos e feche com perguntas que elevem o ânimo. Casos reais de workshops de OKRs com 50 a 70 pessoas ilustram o valor do pareamento entre facilitadores e da inteligência emocional para lidar com imprevistos. O conselho final é que diversão e jogo de cintura — habilidades que se desenvolvem com tempo e experiência — são os grandes multiplicadores de qualidade em qualquer sessão.

Transcrição completa

Facilitação. Vamos lembrar aqui, vamos pensar. Sabe quando aqueles momentos em que vocês já passaram por uma reunião que, nossa, a reunião fluiu, as ideias apareceram, as pessoas participaram. Quando terminou, você pensou, nossa, rendeu mesmo, né? Pois é. Muitas vezes, o que está por trás desses encontros produtivos e leves é uma boa facilitação. Mesmo que a gente não chama de facilitação, porque existe aí uma questão que as pessoas... Ah, se não for um workshop, se não for um treinamento, se eu não disser que eu estou fazendo uma facilitação, é porque não existe facilitação. E não é bem assim. Inclusive, o nosso objetivo ao facilitar é literalmente facilitar, e não dificultar.

E pode... Às vezes a gente pode não perceber. Mas às vezes, simplesmente, deixar fluir em alguns contextos, intervir o menos possível é facilitar. Mas às vezes garantir ali um foco. Então, é claro, às vezes tem um trabalho que é mais explícito e acontece mais ali na hora e fica visível para todo mundo. Mas muitas das vezes uma boa facilitação também tem um trabalho ali mais de bastidor, é o antes, é a preparação. Mas é exatamente isso, muitas das vezes a gente não percebe. Então, o que a gente está fazendo é facilitando algum processo de acontecer. E tem outra coisa também, porque ninguém chega com a espadinha assim na gente e batiza e fala você agora é um facilitador e tem o título de facilitador.

Obviamente, existem competências e habilidades que a gente... Por isso que existe o treinamento, por isso que a gente fala tanto sobre isso, que a gente vai ter e vai fazer com que nos tornamos um bom facilitador. Mas qualquer pessoa pode facilitar. Se ela tiver esses objetivos que são os objetivos da facilitação, que é promover a participação ativa das pessoas, é ajudar a organizar o fluxo de uma reunião, de um momento, de uma sessão, é aumentar essa produtividade, é principalmente trazer foco, um dos maiores objetivos quando a gente fala sobre facilitação. Então, tudo isso, não necessariamente alguém vai chegar, oi, eu sou o facilitador. Mas pode ser que naturalmente, isso seja o objetivo.

E aí, surge também esse papel da pessoa facilitadora ao longo do caminho. E tem uma frase que eu ouvi esses dias do Benjamin Franklin, que fala o seguinte, ao falhar na preparação, você se prepara para falhar. Então, a gente precisa ficar atento, porque muitas das vezes, a gente acaba na correria do dia a dia, até das próprias reuniões, às vezes deixando rolar. E às vezes, a gente vai no improviso. E muitas das vezes, fica evidente, porque a gente não tem uma reunião que não foi produtiva, ou um momento que não foi tão bom quanto poderia, simplesmente porque a gente não teve uma mínima preparação. Então, uma boa facilitação é, se às vezes a gente fizer um bom exercício ali de preparação, que não é nada, não precisa ser nada muito mágico, mas básico, muito bem feito, isso já ajuda.

E é bem nesse caminho. E tem outra coisa também, que eu acho que faz, ah, mas o que é uma reunião sem facilitação e o que é uma reunião com facilitação? Eu diria que uma reunião com facilitação, ela tem intencionalidade. Então, eu entendi o que está acontecendo ali, eu entendi o objetivo que a gente tem com aquele momento, quem são as pessoas que estão ali inseridas, e eu, intencionalmente, vou fazer com que esse processo flua da melhor forma possível. O que faz com que isso seja uma boa facilitação também. Mas tem mais coisa que faz uma facilitação ser boa. Com certeza, eu acredito que a facilitação, ela é um processo. E o processo, ele precisa ser coerente, relevante e até prazeroso. Então, as pessoas às vezes perguntam, como medir se uma reunião está sendo boa, se um encontro está sendo bom?

Eu falo que o primeiro critério é o critério, você está gostando de estar ali? Está relevante estar ali naquele momento? E essa pergunta vale não só para você responder, mas também para que você tente perceber se para as outras pessoas também está sendo relevante e prazeroso estar ali. Eu acho que o primeiro critério, porque quando a gente está no local, participando de alguma reunião e a gente percebe, a gente sabe o resultado que a gente quer alcançar, está muito claro o propósito ali, e muitas das vezes as coisas estão amarradas, estão coerentes, a gente sente que não está perdendo tempo. Às vezes a gente sabe que precisa gastar um pouco mais de tempo se alinhando aqui ou ali, mas, no geral, eu acho que isso define uma boa facilitação.

Então, é simples, mas eu acho que é o primeiro passo, o primeiro termômetro. Se estar ali é relevante. Se você está naquela reunião e está pensando assim, o que é que eu estou fazendo aqui? A reunião poderia ser um e-mail ou aquele treinamento que está falando, sabe? Aquela formação falando mais do mesmo, vários conteúdos que a gente já leu e a gente já sabe e a gente só fica repetindo. Às vezes não tem uma aplicação prática. Tudo isso são sinais de que o processo ali poderia ser melhor. Então, eu vejo a facilitação como um processo, um processo que precisa ser coerente, relevante e prazeroso para as pessoas que estão ali. Eu acho que esse termômetro já indica muito bem uma boa facilitação.

E eu acho que uma das coisas que eu acho que fazem com que a gente chegue nesse lugar do prazeroso, do coerente, que é primeiro a gente conseguir, enquanto facilitador, construir um ambiente seguro para aquelas pessoas que estão ali, para que elas possam se sentir seguras e confortáveis para contribuir. E aí, a partir daí, vai vir a leveza, a partir daí vai vir o ser prazeroso ou não. Mas você sabe que quando eu estou no treinamento, uma das perguntas que eu, um exercício que eu faço com as pessoas é falar assim, pessoal, pensem, tentem lembrar de alguma facilitação, algum momento que vocês tiveram que foi muito bom, que valeu muito a pena. O que que aconteceu para gerar esse sentimento em vocês? E a resposta que eles me deram foi uma resposta muito legal.

A maior parte das pessoas, pelo menos, menciona isso. Tem vários outros fatores, mas um dos que mais aparece é a escuta ativa. Ah, eu me senti, eu senti que eu estava lá participando daquele momento e as pessoas estavam de fato escutando, estavam prestando atenção no que estava acontecendo, existia esse momento, eu podia, ou seja, tem um ambiente seguro, consequentemente, a escuta ativa. Então, eu acho que esses são dois fatores que fazem toda a diferença também para se ter uma boa facilitação. Sem dúvida. Quando as pessoas, elas estão, elas sentem que estão sendo ouvidas, elas dizem coisas. E se as pessoas dizem, significa que elas estão participando. E esse é um bom sinal mesmo. Mas, às vezes, eu acho que eu, pelo menos, já ouvi algumas pessoas falarem sobre isso e existe um equívoco de que facilitar é aquela presença 100%.

Eu estou ali em cima, eu tenho um exato momento para fazer todas as coisas, vamos lá, vem, e o facilitador está ali. E não é bem isso também. A gente estava falando agora há pouco, sobre a preparação. Eu acho que tem três elementos muito importantes quando a gente pensa na preparação de uma facilitação. O primeiro deles é o foco, que é o resultado que nós desejamos. O que a gente quer alcançar ou estimular? Isso precisa estar muito claro para as pessoas. Eu acho que é uma ótima prática a gente deixar isso claro, inclusive, no convite, antes. Quando a gente abre, a gente também deixar isso bem explícito. Às vezes, deixar as pessoas até... Mas, assim, as pessoas precisam acreditar que elas estão fazendo isso.

Elas precisam, estar claro para elas ali qual que é o foco. A segunda coisa que é muito importante a gente pensar numa facilitação é sobre o interesse. Ou seja, a gente precisa ter uma proposta envolvente para as pessoas, para que elas se sintam engajadas no processo e a gente consiga alcançar o resultado que a gente quer. Então, se vai ser uma facilitação presencial, a gente tem que pensar em vários elementos para manter ali envolvente. Online tem outros aspectos, mas independente disso, a gente precisa estar muito claro como é que a gente vai fazer isso. E aí, a gente vai manter o interesse ao longo do processo de facilitação. E o terceiro são evidências, que é quais são os elementos que a gente vai trazer para justamente conseguir responder as possíveis objeções que existem no meio do caminho para a gente alcançar aquele resultado.

Então, por exemplo, a gente fazendo o trabalho de OKRs, a gente chega, por exemplo, para facilitar um workshop de OKRs, e aí, natural, tem pessoas que são promotoras, que já conhecem, pessoas que, às vezes, nunca ouviram falar e estão abertas, e pessoas que, talvez, já estão um pouco céticas, etc. É muito importante trazer evidências de que o OKR funciona, de que problemas ele resolve, de bons exemplos, às vezes, até de maus exemplos. Ou seja, essas evidências também são fundamentais ao longo do caminho. Então, eu acredito que, nesses três elementos, a gente pensar no foco, qual que vai ser o nosso interesse, a proposta envolvente, e também as evidências são elementos que são fundamentais na preparação para que a gente, de fato, consiga chegar nessa boa facilitação.

Eu tenho uma pergunta. É uma pergunta, acho, um pouco polêmica. Pelo menos nas aulas sempre rola essa polêmica. A gente falou agora sobre conseguir trazer as informações necessárias. Você falou sobre os OKRs, um tema muito específico. Mas, no geral, você acredita que o facilitador, ele é o especialista também? Ele deveria ser? Ele pode ser o especialista. E, muitas das vezes, é bom que seja. Para, inclusive, conseguir ter esse termômetro se a conversa está indo no lugar certo ou não. Mas não significa que ele precisa ser o maior especialista. E nem o protagonista. E esse lance do protagonismo, eu acho que é um dos maiores desafios do facilitador, que é compartilhar o protagonismo. E eu falo por experiência própria.

Ao longo da jornada, a gente dedica muito tempo preparando. E, às vezes, a gente se apega aos passos que a gente pensou. Às vezes, a gente se apega ao discurso, ao pitch, às dinâmicas, sabe? Tem aquela dinâmica que, nossa, mexe com o nosso coração. Mas, em alguns momentos, o processo, o momento, vai requerer adaptações. Sim. E, inclusive, sabe aquela história, quando a gente que dá treinamento sabe, a gente está com um conteúdo aqui engatilhado. A gente vai falar e, aí, uma pessoa vem antes e fala. Aham. E, aí, às vezes, a gente fala assim, Nossa, eu ia falar isso. Não, não, segura aí, segura aí, que eu já, já, eu vou trazer. No fundo, pode ser a gente querendo, a gente está querendo puxar o protagonismo para a gente. Então, esse ponto, eu acho que é fundamental.

Porque os verdadeiros protagonistas do processo de facilitação, definitivamente, são as pessoas que estão envolvidas. É o coletivo, e não, necessariamente, a pessoa que está conduzindo o facilitador. Então, a resposta é não. Existem momentos em que a gente vai precisar, enquanto facilitador, ter uma certa expertise sobre determinados assuntos. Mas é possível que uma pessoa consiga facilitar um processo tendo clareza, fazendo uma boa preparação, tendo clareza do objetivo, qual o foco, sem ser especialista. Porque, nossa, isso aparece muito. É uma dúvida que aparece muito no treinamento, porque existe esse pensamento aí que não. Se eu vou lá facilitar, eu tenho que fazer isso. Eu tenho que ser o sabichão, o que mais sabe dentro da sala.

E não. Muito pelo contrário. Eu tenho que saber identificar quem são as pessoas que vão me ajudar e me trazer as melhores informações dentro da sala. Então, ter esse olhar atento a todo todo mundo que está participando vai fazer toda a diferença de como eu vou lidar, como eu vou ser como facilitador. Porque tem esses pontos que... E o do protagonismo que você falou, é uma coisa que eu repito bastante, que é o facilitador não é o protagonista. Não é um show da facilitação. Não é um show da Xuxa da facilitação. Então, é muito importante a gente sempre entender que o nosso maior objetivo é criar o melhor ambiente possível para que as pessoas que estão lá consigam prosperar dentro do objetivo delas, dentro do propósito delas.

E desse ponto que você está trazendo, acho que é legal destacar também um outro extremo, que é quando a gente chega para facilitar algo que a gente também não tem muita propriedade. E eu acho que aqui tem algumas dicas importantes porque você também falou que usou a palavra intencionalidade. E talvez essa seja uma das coisas mais importantes para um facilitador, é manter a intencionalidade. Porque às vezes a gente fica tão preocupado com a forma que às vezes a gente acaba perdendo o foco porque a gente não tem a intenção ali muito clara de onde quer chegar ou às vezes a gente não sabe dizer se a conversa está indo para um lugar relevante. Então, por exemplo, já participei de N reuniões, discutindo ali um negócio, discutindo tecnicamente um assunto, que a conversa estava boa e aí o facilitador interrompe e fala assim, não, gente, podemos discutir isso depois?

Vamos deixar aqui no parque lote e vamos para... Aí eu falo assim, não, mas a conversa estava boa. Ou seja, essa intencionalidade não tem jeito. A gente só consegue manter se também quem está facilitando consegue ter um mínimo domínio sobre o assunto. E aí, aqui tem uma dica valiosa para quando você tiver que facilitar algo que você talvez não domine tanto ou você não seja o especialista na sala. E eu aprendi isso também na prática, que é sempre estar conectado com a pessoa que tem essa noção para você estar validando esse termômetro. Então, no online, por exemplo, estar conectado ali por mensagem com a pessoa e você fazer uns cheques, se está no caminho bom. Às vezes, se for numa facilitação presencial, se não conseguir fazer ali de forma mais discreta, às vezes trazer para o explícito ou perguntar diretamente para uma pessoa ou outra ou para o grupo se está relevante.

Mas essa intencionalidade é super importante. Então, acho que é um outro extremo, que você trouxe quando é o especialista. Mas quando não é, isso também pode ser um grande risco. Aí é preciso se ancorar em quem é. Mas tá, entendemos aqui algumas características do que é, de como seria uma boa facilitação. Mas como a gente chega nesse lugar? Como a gente estrutura uma boa facilitação? Porque a gente está falando muito numa perspectiva de que já aconteceu, já teve a preparação, já estruturou, a gente funcionou ali e chegou num lugar legal. Mas como eu faço para chegar até aí?

Excelente. Tem muitos caminhos, e tem muitas ferramentas que podem ajudar. Eu gosto muito de uma estrutura que vem do Training from the Back of the Room. Esse é o nome de um livro. Também tem uma formação de facilitador. É sobre... Com esse nome. Que basicamente é a ideia de que o trainer, ou facilitador, ele na verdade não é o protagonista. O protagonista são as pessoas que estão participando. Então o nome é o trainer que fica no fundo da sala. E quem fica no palco realmente são os alunos. E aí tem uma estruturazinha que ele traz que é muito simples. E eu uso muito. E eu acho que é uma dica bem valiosa. Que é a dica dos 4 C. Que vale para inglês e português também. Então eu vou fazer uma pequena modificação. Mas eu vou explicar. O primeiro C é o de conexão. Então é quando alguma pessoa ela vai aprender sobre algum assunto. Ou ela vai entrar, trocar sobre algum assunto.

Ela se conecta com aquele tema a partir do que ela já conhece. Ou a partir das coisas que ela já ouviu falar. E permitir que ela faça essa conexão é super importante. Então sabe aquela coisa do treinamento? Muito simples. No início que pede para a pessoa escrever num post-it. Qual é a definição dela sobre aquele assunto. Ou pede para ela trocar junto com alguém. Ou pergunta as pessoas que já ouviram falar. E as que não ouviram. E botam elas para trocar. Enfim, tem N formas de fazer. Mas é muito importante esse primeiro C de conexão. Porque é quando as pessoas vão se conectar. Então saiba que toda vez que você entra numa facilitação sem fazer algum tipo de conexão das pessoas com o assunto, corre o risco de você perder a pessoa logo no largado.

Ou seja, a gente está falando sem necessariamente conseguir trazê-la. Isso é muito importante. Não tem o engajamento daquelas pessoas. Exato. Acho que fala sempre sobre isso. Muito na andragogia. Que o adulto aprende com base no que ele já viveu. E no que ele conhece. Então quando você consegue fazer essa conexão, você cria lá o rapport. Esse momento com ele. E a partir dali você engajou ele. Obviamente não eternamente. É um trabalho de continuar se conectando. Mas é um momento muito importante. Que não dá para perder no início da facilitação. Exatamente. Isso é muito poderoso. Eu já vi diversas vezes em treinamento. Quando você dá a voz às pessoas e elas participam, você já vê que o brilho no olho muda. A pessoa já fica mais atenta. Ela sente que o que ela falou importa. Às vezes uma pessoa perto que não considerava muito ela, viu que ela sabe sobre o assunto.

Literalmente conexão, então esse é um passo muito poderoso. Um segundo passo, e aí esse talvez é o mais frequente e mais fácil, é o C de conteúdo, que é o conteúdo ali da facilitação, ou que a gente vai trazer. E, aliás, esse, inclusive, é o maior candidato de ocupar a maior parte do tempo. Porque é natural, a gente chega numa reunião pra apresentar um estudo que a gente fez, a gente às vezes dedicou semanas, meses, dias, dormiu, acordou e a gente acha que quanto mais detalhes a gente trouxer, mais a gente vai conseguir gerar impacto. Não necessariamente é verdade isso. E quando a gente tá facilitando, isso também é difícil levar muito isso em consideração. O tempo do conteúdo, ele é muito importante, inclusive, em manter as pessoas engajadas. Então, tem vários estudos de neurociência que dizem que a gente consegue manter o maior índice de atenção até no máximo, ali, 20 minutos. Sendo que isso é a neurociência falando. A prática é que com quantidade de estímulos hoje em dia e a geração rede social, a gente não consegue, às vezes, ficar minutos.

Então, o que acontece? A parte do conteúdo, que ela é super importante, mas a gente precisa ser muito intencional no tamanho do conteúdo que a gente tá trazendo. Porque, inclusive, ao invés de trazer um grande bloco de conteúdo, a gente pode trazer um bloquinho de conteúdo, misturar ali com outros elementos, depois um pouco mais. Então, essa parte do conteúdo também é bem importante, a gente dosar. E junto com o conteúdo, com essa importância, vem também a importância de uma habilidade que é a comunicação, pro facilitador. A gente fala muito sobre comunicação assertiva, forma que você consegue passar a informação que você quer passar da forma mais clara e objetiva possível e sem, obviamente, ser agressivo, nem ser passivo, nem se colocar em um lugar...

Então, pra quem é facilitador, pra quem quer estar numa posição de facilitador, é muito interessante ter isso em mente, que a habilidade da comunicação é uma das mais importantes que tem pra um facilitador. Exatamente. E tem vários formatos de conteúdo, também não necessariamente precisa ser só expositivo. Então, a gente pode passar um vídeo e aí, galera, o que vocês acharam do vídeo? E, às vezes, é um vídeo muito bom, que o próprio vídeo já vai fazer emergir aqueles conteúdos que a gente quer. E aí, depois da discussão, a gente fala, ó, gente, então, só pra trazer algumas mensagens finais, ó, queria destacar isso, isso, isso. Ou seja, também é uma forma um pouco mais interativa. Tem muitas formas de trazer esse conteúdo também.

Sim, com certeza. Eu gosto bastante de vídeo. É uma coisa que eu uso bastante porque é bom, tem esse movimento, faz com que as pessoas prestem atenção de uma forma diferente. O terceiro C, e aí essa é a diferença do português pro inglês, porque em inglês é o concrete practice, que é a prática concreta, na verdade. É o momento que a gente vai fazer com que as pessoas botem a mão na massa. Então, a gente passou um conteúdo, ou a gente tá trazendo algum tema. É, às vezes, passar um exercício, desafio, uma análise pra fazer, alguma coisa que ela vai poder botar a mão na massa.

Cara, um exercício mais simples que seja de certo ou errado, qualquer coisa, mas alguma coisa em que vai exigir com que ela exercite aquilo que ela tá absorvendo. Isso é super importante. E aqui na K21, a gente acredita bastante nesse botar a mão na massa, no aprendizado prático, no ensino puxado. Eu acho que eu tento fazer em toda facilitação. Acho que é muito interessante fazer essa divisão. Como você falou, eu trago o conteúdo, eu trago a prática. Eu trago a prática, eu trago o conteúdo. No caso do ensino puxado. Porque vai fazer, mais uma vez, ninguém, a gente não tá inventando isso em andragogia, a forma como o adulto aprende. Ele aprende praticando e tem várias formas diferentes.

Então, quanto mais formatos diferentes a gente consegue trazer pra dentro dessa prática, maior vai ser a chance que aquelas pessoas vão absorver o que tá acontecendo. Se identificar, entender, enfim, compreender o que tá acontecendo. Exatamente, exatamente. Sabe que a gente usa muito, nas nossas facilitações, um jogo. Um jogo de carta, que é um jogo, inclusive, premiado. Se chama The Mind. Quem tá aí ouvindo, depois vale a pena procurar. É um jogo super divertido. E ele é um jogo cooperativo, onde, basicamente, pra você conseguir ganhar o jogo, você precisa aprender a trabalhar junto com as pessoas que estão na mesa junto com você. É um jogo de até quatro pessoas por baralho, e aí, tem N aplicações, porque ele serve muito pra falar sobre melhoria contínua.

Ele serve muito pra falar sobre aprendizado. Ele serve muito pra falar sobre construção de times. Assim, liderança. Tem N aplicações. E o mais legal é, às vezes, botar as pessoas pra jogarem e aí, inclusive, entrando aqui no último C, que é o C de conclusão, ouvir das pessoas a conclusão que elas chegam. Porque mais importante do que qualquer definição que a gente vai falar, essa pessoa, ela vai guardar a conclusão que ela chegar. Então, é muito... Acredito muito na prática ali do exercício prático, em botar as pessoas pra fazer. Porque, no final do dia, muito mais importante do que qualquer coisa que a gente possa falar, é o que ela vai viver, que, inclusive, vai ser marcante na mente dela.

Outra polêmica aqui, que a gente discute bastante na aula, que acho que tem a ver com essa parte da conclusão. Além do que a pessoa vai levar, do que a pessoa vai aprender, qual que é o papel do facilitador em entregar o resultado? A polêmica é, facilitador, ele é responsável pelo resultado de uma sessão? De uma dinâmica? De uma reunião? O que você acha? Ótima pergunta. Olha, eu diria que também é responsável. Eu acho que ele é corresponsável. Não tá no controle dele conseguir garantir que vai acontecer. Mas eu acho que o que tá no controle dele é o lance que a gente já falou da intencionalidade, que é garantir um tempo de qualidade pra que o resultado ele surja, ele chegue. E, inclusive, em alguns momentos, pode ser estratégico pausar uma facilitação e voltar em outro momento.

Perfeito. Isso pode fazer sentido. Mas eu acredito muito que ele é corresponsável. Seria muita pretensão dizer que ele é o único responsável. Mas por que que eu falo isso? Eu concordo com você plenamente. Na minha visão, também, ele é corresponsável porque a condução do processo, dado que tinha um foco, que tinha um objetivo claro, tava nas mãos da pessoa facilitadora. Então não dá pra chegar no final ah, eu não tenho nada a ver com isso. Imagina, eles que não conseguiram chegar onde deveriam chegar. E é uma coisa que tem muito essa dúvida, o quanto que a pessoa facilitadora, ela tem essa responsabilidade de estar conectada com o resultado. Mas eu também concordo com você, ele é corresponsável. A gente precisa saber que não temos controle de tudo, mas a gente consegue, a gente trabalha pra construir esse ambiente pra chegar num resultado.

Então, de forma indireta, a gente é responsável por esse resultado, sim. Perfeito. E eu acho que uma dica prática, que eu acho que é bem legal, a gente tava falando aqui, essa parte de conteúdo, prática, conclusão, conexão, aliás, acho que vale o parênteses também que não tem uma ordem certa, a gente pode ir misturando esses elementos e ir invertendo em alguns contextos, começar pelo exercício e depois vir com o conteúdo e amarrar, ou vice-versa. Acho que vale esse parênteses. Mas acho que uma dica muito legal é, a gente tá falando sobre esse tempo de qualidade pra permitir com que as pessoas aprendam, cheguem nas suas conclusões e cheguem nesse resultado, é intencionalmente garantir, tenha essa troca. Então, por exemplo, eu gosto muito de ir no presencial, depois de um bloco importante, fazer todo mundo ficar de pé, gente, vamos ficar em pé, vem aqui no fundo da sala, ou vem aqui na frente, vamos fazer uma roda aqui, ou às vezes separa eles em pequenos grupos e bota pra falar, gente, qual foi o principal aprendizado dessa sessão?

O que mais te marcou? Qual a relação que você vê disso com o seu dia a dia? Enfim, as perguntas podem ser das mais variadas, mas só de fazer as pessoas ficarem em pé, o sangue circular, ela tem que se expressar, usar a linguagem corporal, ela ouvir as outras pessoas, ela ouve alguém, ela lembra de um negócio e aí ela também quer falar e ela se sente ouvida, ou seja, essa acho que é uma dica muito valiosa, vale no online também, acho que no presencial acaba tendo esse efeito maior, mas é, ter esses pontos de qualidade, essas paradas, com tempo de qualidade pra ter essas trocas, eu acho que é uma dica bem valiosa, e às vezes a gente fica pensando, nossa, mas meu Deus, vai comer meu tempo, eu só tenho duas horas aqui, mas saiba que talvez esses minutos que parece que vai estar tomando tempo da facilitação, no fundo talvez vai ser o momento que vai ser mais relevante, vai fixar, acho que essa é uma dica prática bem valiosa, a gente procura usar muito e geralmente tem muito efeito.

É, eu gosto bastante da pausa, eu acho que a pausa é um artifício não só pras pessoas que estão participando, mas pra nós enquanto facilitadores, uma dica, a gente falou muito sobre se adaptar, sobre ter um plano, e tudo bem ter um plano, eu amo fazer um plano, gente, eu faço plano minuto a minuto, tudo bonitinho, minhas agendas de facilitação, aí chega na hora, se adapta a tudo, mas você tinha segurança pra fazer isso, porque você tinha na cabeça tudo que precisava ser feito. E aí a pausa é o momento que a gente tem pra poder entender, respirar, entender se tá indo pelo caminho certo, se eu preciso fazer uma adaptação, se eu preciso fazer algum movimento, então a pausa não é só tão boa quanto pras pessoas, mas pra o facilitador também, usar esses momentos pra poder dar uma reorganizada, olhar, tentar ver de fora e falar, não, tá funcionando, a gente tá chegando onde a gente deveria chegar, tá indo pro caminho que deveria ir, e muito bem.

E sem a pausa a gente não tem esse espaço, sem a pausa a gente não tem o espaço de se adaptar, de pensar, de refletir, e aqui não é uma pausa, é uma pausa interna, são coisas muito rápidas, que sejam cinco minutos, sete minutos, mas faz toda a diferença, é importante vocês considerarem nas facilitações de vocês a pausa. Com certeza.

Vamos falar sobre como que a gente, ok, a gente entendeu que é uma boa facilitação, a gente entendeu como a gente pode construir esse caminho pra poder chegar nesse lugar de uma boa facilitação, passamos, deu tudo certo na nossa facilitação, como que a gente fecha uma boa facilitação? O que que a gente faz nesse momento de encerramento? Porque eu acho que é muito importante, a gente ter clareza que a facilitação ela tem início, meio e fim, e muitas vezes acaba deixando ah, acabou, acabou, tchau, tchau, tudo bem, tchau, mas não, como que a gente faz isso?

Excelente. Eu acho que um ponto muito importante, quando a gente pensa na finalização, a gente precisa dar a visibilidade do resultado, e aí eu acho que a gente precisa ser bem direto ao ponto e ser frão. Se nós atingirmos, se a gente atingir o resultado, de alguma forma, porque é claro que sempre a gente pode melhorar e a gente pode evoluir, e inclusive, às vezes, a gente constrói coisas que a gente sabe que vai ser refinado, mas só de dar o passo e conseguir construir, isso precisa, a gente precisa dar visibilidade e, nesse caso, inclusive, comemorar, celebrar com as pessoas. Por exemplo, eu vou citar mais uma vez o exemplo dos OKRs, mas várias vezes a gente tá lá no workshop de OKRs que a gente precisa fazer um exercício de definir um bom objetivo, seja pra uma área, seja pra uma empresa toda, definir bons indicadores, fazer essas escolhas, muitas das vezes, toma muita energia, tempo de discussão, às vezes requer conectar muitas informações, e aí, às vezes, a gente termina, sai com uma versão inicial, digamos assim, o que a gente passou uma tarde discutindo, às vezes um dia inteiro, e aí, às vezes, a gente tende as pessoas a falar, nossa, não tá perfeito, cara, mas às vezes esse é um exercício tão rico, às vezes, a gente, durante o workshop, a gente faz de um jeito tão diferente das outras vezes que a gente fez, e que a gente, cara, precisa celebrar isso, precisa reconhecer.

É claro que a gente vai refinar, pode discutir algumas coisas, mas é muito importante reconhecer. Então, dar visibilidade do resultado e reforçar o avanço que aconteceu de forma genuína e adequada é sempre importante. Agora, se chegamos ao final também e não atingimos aquele resultado que a gente queria, você dá visibilidade do próximo passo. E aí, eu acho que isso é super importante, eu acho que a pior coisa é deixar solto, como, sabe, fingir que ah, nossa, gente, muito obrigado, foi ótimo, e aí, quando você não fala, você tá perdendo a credibilidade, e eu acho que essa talvez seja a pior opção. Então, eu acho que o elemento de fechamento, o primeiro que eu traria seria esse do resultado. Gente, esse do além do resultado, mas o dos próximos passos, deixa eu abrir um parênteses aqui, a gente tá falando de facilitações onde isso se encaixa, onde existe a possibilidade de trabalhar próximos passos.

Porque existem facilitações de eventos e coisas do tipo, que acabou, acabou, é ali, você não vai ter como seguir, mas entregar alguma coisa pra aquelas pessoas, mostrar o que foi criado e o que vai ser feito com aquilo, é melhor, porque muito provavelmente você vai precisar de outra facilitação, e isso vai engajar as pessoas, ou desengajar completamente, caso você não deixe explícito, então as pessoas vão pensar, uai, por que que eu tava ali esse tempo todo? Por que que eu dediquei e me esforcei, sendo que o resultado não vai ser utilizado, ou não vai ter um prosseguimento? Então eu acho que esse é um dos pontos mais importantes mesmo, a gente principalmente mostrar o resultado e definir quais são os próximos passos. Exatamente. Tem um outro furo também, que é um espaço pra ouvir as pessoas, porque é isso, se o processo de facilitação não é só do facilitador, a gente precisa esse espaço pra ouvir as pessoas, porque o que realmente importa é o que elas estão levando, é a opinião delas, é a percepção.

Mas aqui eu tenho uma opinião pessoal, que eu acho que é importante a gente também ser intencional na abertura desse espaço, que se a gente deixa muito amplo, eu acho que esse pode ser um risco muito grande, porque a gente pode levar o ânimo final ali da facilitação pra um lugar que não é o desejado, e as pessoas saírem, às vezes a gente construiu um monte de coisa bacana, dependendo do que a gente falar, se a gente ficar falando só de melhoria e ficar falando só de problema, pode ser que a gente saia de lá com uma percepção de que, putz, não foi bom. E na verdade foi. Então, eu acho que é importante ter esse espaço pra ouvir as pessoas, mas a dica que eu trago é trazer perguntas calibradas. Então, assim, gente, qual que é o principal aprendizado que vocês estão levando aqui hoje? Tiveram vários, quero que você destaque um. Cada um vai ter um espaço aqui pra falar. Ou daqui a pouco, se tiver que trazer, se você for a intenção, ter um espaço pra ouvir as pessoas, pra ouvir sobre melhorias, a minha dica é até ouve sobre melhorias, com perguntas calibradas também, mas depois eu acho que tenta fechar com destaques, aprendizados e eu acho que coisas positivas, porque a forma como as pessoas saem, impacta muito. Eu acho que é importante as pessoas saírem nesse ânimo mais pra cima, olhando mais pra um lado positivo.

É o que elas vão se lembrar primeiro, e o que acabou de acontecer, o que elas vão se lembrar primeiro. Eu costumo fazer, como você falou sobre as perguntas calibradas, fazer uma dobradinha mesmo. Eu pergunto o que, às vezes, o que poderia ser, poderia ter visto e não viu, ou que gostaria de ter visto e que não viu, mas sempre depois o aprendizado, ou qual foi a melhor lembrança, como você sai daqui, essas são algumas perguntas que podem ajudar a elevar esse ânimo, que a gente tem, que é o nosso objetivo também. É, exato. E eu acho que a gente precisa também ser muito atento pra captar detalhes e muitas das vezes ir atrás das pessoas pra entender o que que tá por trás do que foi dito, ou às vezes entender um pouco no detalhe o que as pessoas perceberam ou estão levando consigo.

E no público, assim, no momento ali com todo mundo, às vezes essas coisas vão surgir. Então, às vezes, fazer uma pesquisa, onde a pessoa, ela tem um espaço pra colocar alguma coisa que ela acha que poderia ser melhor, ou às vezes você já separar um tempo mesmo ao final da facilitação, sempre tem aquela coisa das pessoas indo embora, ali conversando, e às vezes você tem a oportunidade de ter uma troca com alguém um pouco mais específica, deixar a pessoa à vontade pra falar, e você tentar captar. Então, eu acho, eu concordo, esse espaço ali no final, essa dobradinha, em termos de calibrar, mas é ótimo. Mas ao longo da minha experiência também, eu fui vendo que ser intencional nesse pós ali, tentar se conectar com as pessoas ali individualmente, captar uma coisa um pouquinho além, várias vezes já peguei feedback muito valiosos, que me ajudaram a fazer ajustes e evoluir, e que no público, na hora que a pessoa vai falar na frente de todo mundo, essas coisas não vão aparecer.

Sim, sim. Mas você sabe que tem uma coisa que é importante, também, quando a gente fala sobre essa coleta aí de feedbacks, esse momento final, que é interessante que a gente use, calibre nossas perguntas, pensando também no que eu vou fazer com aquelas respostas. O que que eu quero dizer com isso? Às vezes, a gente deixa uma pergunta que a pessoa vai responder e ela espera um retorno, e você não vai dar, provavelmente, aquele retorno pra aquela pessoa. Então, a gente ter esse cuidado de trazer a sensação do encerramento mesmo, nesse momento, pra que as pessoas entendam que aquele é um encerramento e não ficar com uma sensação de que faltou alguma coisa, faltou alguma resposta, eu não cheguei onde eu gostaria de chegar.

Então, essa é uma dica importante, também. Perfeito. E acho que, no finalzinho, no finalzinho, no finalzinho, também, eu acho que a gente precisa também ser intencional na mensagem final, final, final, que a gente quer deixar. Então, uma coisa que a gente tem aprendido muito na prática, também, é que hoje em dia, cada vez mais comum, gente, leia esse QR Code, preencha aqui essa pesquisa, ah, tem um aviso aqui pra dar. Aí, cara, a gente tenta ao máximo antecipar essas coisas, antes dos depoimentos finais, antes dessa conversa, pra que, no final, final, final, final, a gente tenha uma mensagem ali, final, as pessoas possam aplaudir, celebrar e fechar, porque, às vezes, esses detalhezinhos que a gente traz ali, acaba tirando aquele impacto final.

É a mesma coisa das pessoas que já viu, quando terminam uma palestra, e falam assim, então é isso? Que você tem a oportunidade de deixar uma mensagem impactante e tal, e, às vezes, a gente vai preenchendo com coisas que, com detalhes que não são, que poderiam ser tratados em outro momento, de outra forma. Então, acho que essa é uma dica valiosa, também. A gente tem procurado estar atento, nas nossas facilitações aqui em clientes, treinamentos, eventos, etc., pra ter esse caprichozinho. É um capricho, mas faz diferença. Faz, faz diferença. A forma como as pessoas vão lembrar, faz toda a diferença.

E aí sabe o que eu queria saber, agora, trazendo pro mundo real, por assim dizer? Teve alguma facilitação boa ou não tão boa, assim, que te marcou, que você falou assim, puxa, aqui, esse dia foi louco? Alguma que você olha e fala assim, esse dia foi louco? Tem alguma coisa por aí?

Nossa, tem algumas, a gente rodando em um monte de empresas. Vamos lá. Olha, a gente tem tido algumas facilitações, algumas recentes, pra construção de OKRs, que tem misturado não só o momento que a gente tem que trazer de conteúdo, pra falar sobre o método, pra trazer exemplos, contar a história, junto com mão na massa, que é as pessoas construírem os seus objetivos e resultados do seu contexto específico. E misturar essas coisas, muitas das vezes é um, dois dias de agenda, é um grande desafio. Ouvir o relato das pessoas ao final, do quanto que elas se divertiram, do quanto que foi leve. Às vezes, nossa, a gente nunca discutiu isso dessa forma, e pra gente tá fazendo muita diferença. Pô, eu confesso que deixa o coração quentinho, assim.

E o mais legal disso tudo, é que apesar de muitas das vezes a gente tá usando como referência materiais muito próximos, uma dinâmica muito próxima, sempre muda, do público, o ritmo, a pergunta, o lado que as pessoas querem mais puxar. Então, isso acalenta o coração. E essas facilitações, específica esses workshops de construção que eu falei, os últimos que a gente fez foi, tipo, pra 50, 60, 70 pessoas. Então, tem um certo grau ali de desafio, o que é muito legal. Nossa, 50 pessoas tem um alto grau de desafio mesmo, assim, né? A gente tá falando de quantas pessoas facilitando, quantas, um workshop de 50 pessoas. Boa. Normalmente, a gente tem tido quatro a cinco pessoas, porque no momento da construção, principalmente, é importante acompanhá-los, tá tirando dúvida, rodar as mesas, poder aprofundar um pouco mais.

Então, tá em um grupo, é bem importante, até pra ter diferentes percepções, todas as vezes poder se revezar nos conteúdos. É, eu acho que esse processo do pareamento, faz toda a diferença, né? Um dos casos que eu me lembro que aconteceu comigo, eu tava numa facilitação, tava pareando com uma pessoa daqui, da Nowhere, e a gente tinha montado, tava super seguro do conteúdo que tinha montado, da agenda que tinha montado, e aí a gente fez um pedaço do workshop, chegou em determinado momento, o principal stakeholder virou pra gente e falou assim, então, não é isso, não tá indo pro caminho que eu tava imaginando. Aí a gente olhou um pro outro e falou, ok, vamos fazer uma pausa, fizemos uma pausa, a gente conversou, olhou pro panorama geral, reorganizou, ajustou a rota, mudou um pouquinho, ouviu o que ele tinha pra, o que ele tava sentindo, como ele tava se sentindo. Então tivemos essa, várias habilidades, várias características aí, a capacidade da escutativa, a gente conseguir ouvir, entender o que aquela pessoa tava dizendo, a pausa, a dica que a gente deu da pausa, a habilidade de se adaptar, de ter um conhecimento sobre o material que tá sendo apresentado e se adaptar pra poder chegar no lugar. Então, e depois deu tudo certo, foi incrível, a gente ajustou a rota e o feedback foi maravilhoso, mas por que que eu tô falando isso? Por que que me lembrou esse caso quando eu perguntei de quantas pessoas estavam? Porque muito provavelmente, se eu tivesse sozinho, se outra pessoa tivesse sozinho, eu não teria conseguido fazer isso.

Então é muito importante, sempre que der fazer uma facilitação, façam pareando, pelo menos uma pessoa, porque existe esse equilíbrio, essa troca, às vezes eu não consegui me conectar com determinadas pessoas e a outra pessoa consegue, então sempre que vocês puderem, mais uma dica aqui, parear quando forem fazer uma facilitação, eu recomendo porque faz toda a diferença. É muito melhor quando tá sozinho. Você me fez lembrar também um caso bem recente, que a gente tava indo pra um cliente, também tinha preparado toda uma facilitação, eu também não estava sozinho, e aí eu tinha trago, toda uma sugestão ali de dinâmica pra gente fazer no workshop e etc, e a gente chegou nesse cliente, no dia anterior, a gente teve algumas reuniões e aí as pessoas que estavam junto falou assim, olha, eu acho que deveria ser diferente aqui e ali e tal, aí aquele lance do facilitador apegado, não, mas vamos seguir aqui e tal, mas acho que no fim eles conseguiram deixar claro os pontos que valeria ajustar, eu sozinho acho que não teria percebido, a gente conseguiu fazer ali os ajustes e, foi muito bom também, inclusive depois o cliente adorou e teve vários reconhecimentos, então esse ponto, eu acho que é fundamental, a gente tá com mais pessoas até pra conseguir coletar essa percepção e tem esse clássico, do cliente durante, não tá muito satisfeito, e aí eu acho que é melhor, se não tá atendendo a expectativa, vamos parar, gente, e vamos rever ao invés de forçar ficar fazendo um negócio que não faz sentido, porém, muitas das vezes a gente fez uma preparação, conversou com as pessoas, meio que foi alinhado, mas aí eu não sei se às vezes a própria pessoa não prestou atenção, ou se as coisas realmente mudaram, o fato é, tem muitos fatores aí que podem, eu acho, também estar relacionado, e aí num primeiro momento é difícil me focando nessa situação várias vezes, o risco de na hora você olhar e você ficar frustrado ali, chateado com você mesmo, e aí eu acho que esse lance também, de estar em conjunto, ajuda, porque são tantas variáveis e na hora, o menos produtivo vai ser ficar tentando encontrar qual foi a razão, se foi o cliente que não prestou atenção quando você explicou, se foi as coisas que mudaram, se foi você, pouco importa, o que importa é que precisa ser adaptado ali, então eu consigo empatizar também, esse é um clássico, das coisas terem que mudar, e ter essa abertura pra mudar, e essa habilidade de adaptar, isso é algo que a gente precisa desenvolver com o tempo.

É, mas o que me leva a uma outra habilidade que faz toda a diferença pra gente enquanto facilitador que é a inteligência emocional, é a gente conseguir compreender o sentimento do outro e os nossos próprios sentimentos e saber lidar com isso. Então, isso com certeza faz toda a diferença.

Gente, infelizmente estamos caminhando para o final desse episódio, que eu ficaria aqui conversando muitas horas, porque eu amo esse assunto. Eu queria que você deixasse um conselho pra quem tá ouvindo a gente, principalmente pras pessoas que estão nesse mundo, se encontram no lugar de facilitador, ai meu Deus, eu não sei o que eu faço, eu não sei por onde eu começo ou já sou uma pessoa facilitadora mas quero aprimorar minhas habilidades. O que você tem aí pra dizer pra esse pessoal que tá ouvindo a gente?

Tem uma frase que eu gosto muito e a gente usa bastante aqui na Now e na K21, que é se a gente não tá se divertindo em algum nível no nosso dia a dia, alguma coisa tá errada. Ou seja, tem que ter o fator diversão. E por que eu tô trazendo o lance da diversão? Porque pra gente conseguir chegar ao ponto de se divertir em algum nível, a gente precisa gostar, ter uma conexão real, genuína com aquilo. E pra gente ter essa conexão real, genuína, certamente a gente dedicou tempo e é algo que a gente provavelmente tem alguma aptidão. Porque se a gente vai insistindo, a gente faz alguma coisa bem, um pouquinho melhor do que acima da média, isso começa a ser reconhecido. Muitas vezes a gente começa a reforçar isso e todos nós, independente do ponto da carreira que a gente tá ali, a gente tá ali porque teve algumas coisas que a gente faz bem que nos levaram até ali. E enquanto facilitador, é importante a gente não só reforçar e retroalimentar essas coisas que nós somos bons, mas a gente não se esquecer disso.

A gente tá apegado a isso, porque vai ser justamente essa a nossa fortaleza nas coisas que a gente tiver que fazer. E aí acredite, ao longo do tempo, por mais que às vezes surjam tópicos novos, a gente seja colocado diante de desafios novos, sempre tem uma possibilidade da gente conseguir fazer uma conexão com algo que a gente é bom, que a gente confia, nossa zona de confiança e puxar isso pra jogar ao nosso favor. E se de fato a gente estiver se divertindo em algum nível, significa que eu acho que a gente tá conectado com essas coisas que realmente importam. E a chance da gente fazer um bom trabalho aumenta. E aí todo o resto da preparação, a facilitação, a nossa forma de conduzir, o quanto as pessoas vão ver, tudo isso vai ser uma consequência se a gente tiver no nosso melhor da chance disso florescer.

É isso, pessoal. Estejam o melhor de vocês que o resto vem. Vai florescer, se divirtam. Eu acho que se eu pudesse dizer alguma coisa pra quem tá ouvindo a gente, tá? Aí olhando pra facilitação. Tem uma coisa que a gente não aprende em livro nenhum, que se chama jogo de cintura. Então, eu recomendo que vocês olhem pra essas habilidades que a gente consegue desenvolver, que o jogo de cintura vai vir com o tempo e com a experiência. Então, comunicação, escutativa, a forma, organização, gestão de conflito, todos esses pontos, conseguir promover isso. Quando vocês chegarem nesse lugar, vocês vão ter jogo de cintura e as facilitações vão ficar muito melhores e mais fáceis. Mais fáceis nem tanto, mas melhores com o tempo. A coisa vai melhorando, a gente vai criando uma casca grossa pra passar por algumas situações.

Então, desenvolva essas habilidades que o resto, com certeza, vai ser mais fácil, independente da técnica que vocês vão usar. Exatamente. Tem que aprender a rebolar, né? Gente, sério, tem que ter jogo de cintura, né? Porque, como o exemplo que eu dei, se não tivesse o jogo de cintura, não, tudo bem. A gente vai ajustar. Mas são pessoas e a gente tem que aprender a lidar com pessoas, no final das contas.

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