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Ep. 172 - A trajetória do Banco Carrefour com Gestão por Resultados e OKRs
Ep. 172

Ep. 172 - A trajetória do Banco Carrefour com Gestão por Resultados e OKRs

2 de outubro de 202300:56:30
Estratégia
OKRs
Pessoas

Resumo rápido

No episódio 172 do Love the Problem, André Tonnellini (diretor do Banco Carrefour) e Rafaela Fonseca (K21) discutem como traduzir planejamento estratégico em OKRs acionáveis, com foco em simplificação, centralidade do cliente e cultura de descarte. A trajetória do Banco Carrefour mostra que a maturidade em OKRs se constrói por pilotos, ciclos de aprendizado e liderança servidora, permitindo adaptações rápidas — como a redefinição de OKRs em 15 dias durante a pandemia — sem perder a visão estratégica.

Capítulos

  1. 00:27Abertura: planejamento estratégico e OKRs no final do ano
  2. 02:27Traduzindo a estratégia em poucos objetivos-chave
  3. 05:59Pandemia: redefinir OKRs em 15 dias sem perder a visão
  4. 14:17Liderança servidora, warrooms e validação bottom-up
  5. 21:13Centralidade do cliente: NPS, CESAT e Fit for Purpose na prática
  6. 32:10Gestão de portfólio, cadências e visibilidade executiva
  7. 44:38Descarte, simplificação e a cultura de reconhecer boas escolhas

Frases do episódio

“a parte mais fácil é escrever o objetivo e que result porque a parte mais difícil vem por trás, que é você saber qual é a sua estratégia, fazer as escolhas difíceis, ter clareza das prioridades e conseguir alinhar o pessoal nessa visão, né?”

05:09

“A gente falou, cara, esses OKRs aqui joga no lixo, o planejamento desse ano joga no lixo e a gente precisa em 15 dias revisitar toda a estratégia da empresa.”

06:59

“eu acho que uma dica que eu posso dar, que eu acho que foi uma mudança, inclusive, no meu mindset, na forma como eu trabalho, é efetivamente você ser um líder servidor.”

52:46

O que você vai ouvir neste episódio

  • A jornada de implementação da Gestão por Resultados na estrutura corporativa do Banco Carrefour.
  • A definição e o acompanhamento das métricas de sucesso para orientar os objetivos estratégicos da empresa.
  • Os principais desafios práticos enfrentados pelas lideranças durante a transição para o modelo de OKRs.
  • O papel da estratégia de portfólio no alinhamento das equipes com os resultados organizacionais esperados.
  • A evolução da cultura interna a partir do foco em entregas orientadas a valor e metas claras.

Temas discutidos

A adoção de OKRs e Gestão por Resultados no Banco Carrefour exemplifica como grandes instituições financeiras alinham liderança, cultura organizacional e estratégia de produto. Ao focar em métricas claras e portfólio direcionado, a organização supera desafios operacionais e promove a autonomia das equipes. Esse movimento fortalece a agilidade de negócios, permitindo que a empresa responda com mais clareza às mudanças do mercado e garanta a entrega constante de valor ao cliente final.

Para quem é este episódio

Este episódio é destinado a diretores executivos, estrategistas de portfólio, gestores de produtos e lideranças de agilidade que buscam implementar ou aprimorar a Gestão por Resultados e OKRs em suas organizações, especialmente em empresas de grande porte no setor financeiro.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

Como o Banco Carrefour implementou a Gestão por Resultados?

O Banco Carrefour adotou a Gestão por Resultados reestruturando seus objetivos estratégicos e alinhando suas equipes por meio da metodologia de OKRs. Com o apoio de lideranças e estrategistas, a instituição definiu métricas de sucesso claras, permitindo acompanhar o progresso das iniciativas, superar obstáculos operacionais e conectar a execução direta ao valor gerado para o negócio.

Quais foram os principais desafios na adoção de OKRs segundo o episódio?

Os principais desafios abordados envolvem a mudança cultural necessária para focar em resultados em vez de apenas entregas, além do alinhamento entre diferentes áreas da empresa. O episódio destaca a importância de definir métricas adequadas e manter um acompanhamento constante do portfólio para evitar que a estrutura operacional continue trabalhando de forma isolada.

Qual é o papel da estratégia de portfólio no modelo de OKRs?

A estratégia de portfólio atua como a ponte entre os objetivos globais da organização e as entregas operacionais dos times. Ela garante que os OKRs estejam conectados às prioridades do negócio, otimizando a distribuição de recursos e ajudando as lideranças a tomar decisões baseadas em métricas claras de sucesso e impacto real.

Sobre este episódio

O episódio 172 do Love the Problem traz uma conversa entre André Tonnellini, diretor do Banco Carrefour, e Rafaela Fonseca, da K21, sobre a trajetória de implementação de OKRs e gestão por resultados em uma das maiores instituições financeiras ligadas ao varejo no Brasil. A discussão percorre desde a tradução do planejamento estratégico em poucos objetivos-chave até a execução em squads, passando pela adaptação radical durante a pandemia, quando a empresa redefiniu todos os OKRs em 15 dias. Tonnellini e Rafaela exploram os antipadrões mais comuns — criar indicadores que não existem, confundir NPS com objetivo, governança única para todos os problemas, e a dificuldade cultural de descartar iniciativas — e apresentam como o Banco Carrefour os superou com simplificação, pilotos de três meses, cadências múltiplas e liderança servidora. A centralidade do cliente é tratada não como discurso, mas como fonte de priorização via CESAT, Speech Analytics e análise de funil. A rotina executiva de Tonnellini, baseada em dashboards acessíveis a toda a empresa e intervenção apenas em gargalos sistêmicos, ilustra como a visibilidade destrava a autonomia dos times e elimina a microgestão. O episódio encerra com a reflexão de que liderar é um processo contínuo de aprendizado e que a maturidade em OKRs se constrói ciclicamente, com coragem para pivotar e para reconhecer o descarte como ato de valor.

Transcrição completa

Estamos chegando no final do ano, setembro, outubro, um monte de gente pensando em planejamento estratégico e junto com eles os OKRs. O papo de hoje traz duas pessoas que vivem todos os dias o cenário de OKR e planejamento estratégico: André Tonnellini, diretor do Banco Carrefour, e Rafaela Fonseca, especialista da K21. A pergunta central é: como pegar aquela visão bonita do planejamento estratégico e descer isso de fato na execução, na gestão de resultados, nos OKRs, de forma que se ligue na prática.

Tonnellini começa explicando que o planejamento estratégico é comum em todas as empresas, mas a chave está em traduzir de maneira simples para todos na empresa, em quatro ou cinco objetivos-chave com os resultados muito bem atrelados. Isso dá unidade e direção, e facilita engajar os times em um objetivo comum, seja no modelo funcional, seja em squads. No mundo híbrido, o que não falta é comunicação e texto; ter poucos e bons que unifiquem a mensagem é fundamental.

Rafaela complementa: quando a liderança já está conectada com a estratégia e a visão de longo prazo, as escolhas de priorização ficam mais fáceis. Quando há discordância ou desalinhamento, é preciso mais tempo, conversas profundas, análise de mercado, de concorrente e de cliente. A parte mais fácil é escrever o objetivo e o key result; a parte mais difícil é saber qual é a estratégia, fazer as escolhas difíceis, ter clareza das prioridades e alinhar o pessoal nessa visão.

Tonnellini traz o exemplo da pandemia: a empresa tinha acabado de definir os OKRs do ano e, em março, o cenário mudou completamente. O setor de serviço de rua, praticamente fechado, impactou um produto de crédito vinculado ao consumo e à renda das famílias. A decisão foi jogar o planejamento no lixo e, em 15 dias, revisitar toda a estratégia. O ferramental do OKR ajudou porque, em duas semanas, a empresa redefiniu os OKRs e rapidamente estava toda alinhada a um objetivo adaptado. Não era um objetivo completamente contrário; o que mudou foi o pacing. Isso trouxe facilidade para as pessoas entenderem o porquê dos movimentos e fez a mobilidade de ajustes de rota ser muito valiosa.

Esse nível de agilidade não surgiu do dia para a noite. A organização já estava na terceira ou quarta rodada de OKRs, com cultura de olhar para o objetivo e trabalhar objetivos comuns em todas as áreas, com apoio forte do executivo sênior. O aprendizado veio de um piloto inicial de três meses, em que a empresa testou o método em um assunto estratégico específico, errou muito, aprendeu muito, e só depois expandiu de forma robusta e sistêmica. Quando a pandemia chegou, já havia maturidade suficiente para que as adaptações fossem feitas sem que as pessoas questionassem a mudança. Alguns ajustes até aceleraram decisões estratégicas, como a digitalização dos serviços.

Sobre liderança, Tonnellini descreve uma abordagem próxima e questionadora: em vez de dar respostas prontas, ele sentava com as pessoas e desenhava junto a primeira vez, para depois elas seguirem sozinhas. Isso desenvolveu propriedade sobre os resultados de negócio nos liderados. A essência da agilidade é transformar a forma como se lidera a organização e desenvolve as pessoas. O planejamento estratégico geralmente é construído top-down, mas ao desdobrar, precisa ser validado com hipóteses bottom-up, trazendo as pessoas para participar e estimulando autonomia e accountability.

Um exemplo marcante veio do Thomas, head de agilidade na época, que durante a pandemia criou vários warrooms para coordenar a crise: infraestrutura de notebook para 100% das pessoas em casa, acessos, envolvimento de diferentes áreas. Cinco ou seis warrooms rodavam sincronizados, e ele trazia semanalmente o status, os gargalos e onde a diretoria precisava apoiar. A própria galera estava engajada em fazer o movimento acontecer sem estímulo constante.

Sobre a dificuldade de medir resultados em ciclos curtos, Tonnellini conta que nas primeiras rodadas de OKR a empresa caiu na cilada de criar objetivos que não conseguia medir. A solução foi simplificar: esquecer o indicador ideal e usar o que já existia na organização, que demonstrasse a tendência de caminhada rumo ao objetivo. Menos é mais. Não precisa sofisticar demais para começar a olhar se está indo bem ou mal e ajustar a rota. Rafaela reforça que às vezes as pessoas precisam aprender pela dor, passando por check-ins em que o número não vem, para entenderem o problema. Mas o timing de intervir é crucial: não se pode passar seis meses fazendo check-ins em números inexistentes. Poucos OKRs, com números que já se conhece e domina, são essenciais.

Sobre centralidade do cliente, Tonnellini explica que no discurso é fácil dizer que se tem centralidade no cliente, mas na prática é preciso balancear experiência com resultado. O aprendizado foi olhar para quem é o cliente, o que ele espera e valoriza, e permear isso em toda a cadeia de valor, do planejamento estratégico aos OKRs, épicos e histórias. O cliente de varejo hoje traz expectativas de outras indústrias — streaming, mídias sociais, serviços em casa. A empresa implantou mensuração de NPS e CESAT em todas as tribos e squads, usando esses dados como fonte para priorizar iniciativas. O NPS é um indicador tardio; o mais poderoso é olhar o funil, as etapas da jornada, e identificar o atrito em cada uma. O NPS é usado como fonte de informação para agir, não como objetivo em si. Speech Analytics, convertendo ligações em texto, serve para priorizar evoluções em canais digitais e atendimento.

Rafaela destaca o conceito de Fit for Purpose: entender o propósito do cliente ao usar o serviço, atender bem naquele motivo e manter o retorno. Se o indicador não se transforma em ação prática no dia a dia, perde utilidade. A equipe precisa entender como o trabalho dela impacta a satisfação e a retenção do cliente.

Sobre descarte e priorização, Tonnellini admite que é um dos maiores desafios: a organização sofre ao deixar de fazer algo porque escolheu outra coisa. O padrão das pessoas é fazer mais do que o esperado. A cultura precisa constantemente estimular a ideia de que descartar é valioso. Em ambientes regulados como o financeiro, nem sempre se pode descartar uma exigência de compliance, mas a abordagem é questionar qual é o problema efetivo, qual o risco envolvido e qual o mínimo necessário para mitigar esse risco. Uma solução simples em três meses pode ser preferível a uma solução à prova de fogo que leva um ano. A grande dificuldade está nas pessoas apaixonadas pela solução, que precisam se desgarrar e voltar ao problema.

Rafaela acrescenta que reconhecer as pessoas pelo descarte é uma mudança cultural transformadora. Se reconhecemos apenas entregas, as pessoas sempre querem entregar mais. Reconhecer boas escolhas de descarte ensina que priorizar é valioso.

Sobre a gestão de portfólio e cadências, Tonnellini conta que a empresa tentou flight levels, gestão de portfólio, reuniões quinzenais de duas a três horas. O que mais funciona é ter uma métrica para o que se está discutindo; quando se vai para algo qualitativo de milestone, perde-se o foco no resultado. Hoje há um API Planning a cada três meses, showcases mensais para sincronizar times em paralelo, e cadências semanais para times que dependem uns dos outros. O mais importante é definir um método, mapear se está funcionando e, se não estiver, trocar sem insistir. Uma vez por mês, há uma apresentação de entregas para toda a empresa, gerando visibilidade e engajamento.

A rotina de Tonnellini como diretor começa com a abertura de dashboards, passando por cada fase da jornada do cliente, da aquisição à retenção. Esses dashboards estão disponíveis para qualquer pessoa da empresa. Na reunião semanal de diretoria, o dashboard geral é aberto, mas a discussão é mais sobre opinião conjunta do que sobre acompanhamento do indicador, pois cada diretor já o vê diariamente. Ele não entra nos boards dos times com frequência; olha uma vez por mês o lead time, o throughput, os gargalos sistêmicos que afetam vários times e que precisam de intervenção para destravar a capacidade de entrega da organização.

Rafaela destaca que a microgestão nasce da falta de visibilidade. Para que a liderança deixe o backlog do time ser tocado pelo próprio time, ela precisa de métricas e acompanhamento em nível executivo. Sem isso, naturalmente o executivo entra no backlog. A mudança de mentalidade destrava burocracia, acelera entregas e permite que o líder intervir apenas para remover impedimentos.

Sobre governança, não há receita única: múltiplas cadências para múltiplos desafios. Alguns objetivos exigem mais atenção por serem o maior desafio do momento ou por exigência de acionista, gerando governanças ligeiramente diferentes. Os resultados guiam essas alavancas.

Para encerrar, Tonnellini dá a dica de ser um líder servidor: facilitar o caminho das pessoas, desenvolvê-las para que não dependam dele, criando liderança por exemplo, parceria e servidão, menos por status hierárquico. Rafaela complementa: comece pequeno, vá para a solução simples primeiro, e tenha sempre clareza de onde quer chegar. Esses primeiros passos constroem a habilidade de lidar com complexidade no futuro, de expandir e influenciar de forma escalável. Liderar, no fundo, é sobre aprendizado contínuo; a gente nunca está pronto, está sempre evoluindo.

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