Estamos melhorando nossa performance? Lead Time Run Chart responde.

Toda reunião de retrospectiva se encerra quando o time possui pelo menos uma ação de melhoria planejada para ser executada no próximo ciclo. Muitas vezes, essa ação de melhoria busca melhorar o desempenho do time. Porém, como saber se estamos realmente melhorando? Vamos ao Lead Time Run Chart (Gráfico de Execução do Lead Time). Que demonstra o impacto das mudanças no nosso fluxo de trabalho.

 

Gráfico de linha com o Eixo Y é o Customer Lead Time Médio dos itens entregues. O Eixo X é o período que estamos analisando. A linha apresenta os seguintes pontos: março / 2018: 33 dias; abril / 2018: 27 dias; maio / 2018: 34 dias; junho / 2018: 59 dias; julho 2018: 32 dias; agosto / 2018: 51 dias; setembro / 2018: 32 dias; outubro / 2018: 27 dias; novembro / 2018: 43 dias; dezembro / 2018: 24 dias; janeiro / 2019: 32 dias; fevereiro / 2019: sem informação; março / 2019: 23 dias; abril / 2019: 19 dias; maio / 2019: 16 dias; junho / 2019: 8 dias; julho / 2019: 5 dias; agosto / 2019: 3 dias; setembro / 2019: 2 dias.
Gráfico de Execução do Lead Time que mostra a melhoria da performance de um time de desenvolvimento de software entre 2018 e 2019.

Nesse gráfico, o eixo Y é o Customer Lead Time médio dos itens entregues. O eixo X corresponde ao período que estamos analisando. Quanto mais próxima a linha está do 0 (zero) no eixo Y, menor o customer lead time e melhor a performance do time/squad. Quanto mais distante, maior o customer lead time e pior a performance. 

Analisando a variação de performance no time

Você já sabe, mas não custa lembrar: não dá para sair tirando conclusões apenas olhando para os dados e os gráficos. Normalmente os motivos das variações não estão registrados em ferramentas, mas sim nas memórias das pessoas.

O Susto 

Nesse gráfico podemos contar a seguinte história. Era um time que nunca tinha visto o seu lead time e tomou um grande susto ao descobrir que sua performance era muito baixa. O Lead Time deles era de quase 60 dias em junho de 2018. Ou seja, um cliente ficava, em média, 60 dias aguardando que esse time entregasse seus pedidos.

Parte do gráfico anterior mostrando os períodos entre março e junho de 2018 envoltos em um círculo azul. Os pontos são março / 2018: 33 dias; abril / 2018: 27 dias; maio / 2018: 34 dias; junho / 2018: 59 dias. Um emoji demonstrando espanto abaixo do gráfico.
Gráfico entre março e junho de 2018 que apresenta um aumento do lead time e uma piora da performance do time.

O Esforço Heroico

Depois que tomaram o susto, a ideia é rara, mas acontece muito: “bora resolver tudo na marra”. Os meninos pegaram sua capa de Super-Homem, e a menina pegou sua tiara de Mulher Maravilha, e vamos resolver na força. 10 horas de trabalho por dia e os finais de semana conectados à VPN realmente reduziram o lead time médio para 33 dias entre junho e julho. 

Parte do gráfico anterior mostrando os períodos entre março e junho de 2018 envoltos em um círculo azul, julho de 2018 envolto em um círculo amarelo e o mês de agosto de 2018. Os pontos são março / 2018: 33 dias; abril / 2018: 27 dias; maio / 2018: 34 dias; junho / 2018: 59 dias; julho 2018: 32 dias; agosto / 2018: 51 dias. O ícone de super-heróis masculino e feminino abaixo do gráfico.
No gráfico entre junho e julho de 2018, o esforço heroico reduz o lead time, porém, entre julho e agosto do mesmo ano já há um aumento novamente. A performance oscilou, mas a tendência continua de piora.

Uau! Metade do tempo. Parece bom, mas o esforço heroico tem prazo para concluir. Ninguém consegue mantê-lo por muito tempo. No mês seguinte, o lead time voltou a subir para 52 dias. Isso demonstra que esforços pontuais geram resultados pontuais. 

Automação de testes 

Na sequência, o que propusemos para esse time foi resolver o pior problema deles, que era a falta de qualidade do software que eles produziam. A cada entrega havia muitas reclamações e muito trabalho de correção. Nós oferecemos aulas de automação de testes e consultoria para apoiar a adoção. As ferramentas utilizadas durante esse período foram: JUnit, Cucumber, Selenium e Jenkins. Com isso, o lead time começou a cair e a performance a melhorar. 

O gráfico completo com todos os pontos e todas as marcações na imagem anterior. Há uma grande chave entre julho / 2018 e janeiro / 2019 escrita Automação e ao lado da palavra os ícones do JUnit, Selenium, Cucumber e Jenkins.
Melhoria sistêmica da performance através da automação de testes com treinamentos e consultoria entre julho de 2018 e janeiro de 2019.

Veja que não foi uma queda em linha reta. Há quedas entre setembro e outubro, mas uma subida em novembro. Isso é normal porque toda melhoria requer adaptação. Em fevereiro do ano seguinte é que conseguimos perceber o real impacto da melhoria. 

Aprendizado principal: dê tempo ao tempo 

Muitas vezes queremos que o resultado de uma mudança seja imediato, porém isso não acontece na prática. Toda novidade precisa de tempo para dar resultados. No caso apresentado, o impacto real só foi percebido como melhoria seis meses após o início da mudança.

Transformando o Run Chart em um Control Chart 

O Lead Time Run Chart é um gráfico de execução, pois narra a história sem se preocupar com o futuro. Todavia, você pode adicionar algumas informações para auxiliar nas decisões futuras. Por exemplo, o limite superior de controle e o limite inferior de controle. Normalmente, 3 vezes o desvio padrão, conforme as recomendações do Six Sigma.

Um gráfico de linhas com marcações entre setembro de 2022 até novembro de 2023. Há uma linha azul informando Lead time médio no mês que começa com 10 dias e sobe até 15 dias. Uma linha horizontal verde tracejada que é o lead time médio no período analisado que está em 12,5 dias. Uma linha horizontal vermelha tracejada abaixo da média representando o limite inferior de controle em 11 dias. Outra linha horizontal vermelha tracejada acima da média representando o limite superior de controle em 14 dias.

Transformando o Run Chart em um Control Chart. As linhas vermelhas apresentam limites que, se ultrapassados, devem acionar alguma ação de retorno aos níveis adequados.

A linha verde representa a média de todo o período analisado; a azul é o lead time médio no mês; acima e abaixo temos os limites inferior e superior marcados de vermelho. No caso, esse time deve ficar atento, pois o lead time atual já ultrapassou o limite superior duas vezes, o que pode indicar uma piora sistêmica na performance. 

Preferência pessoal

Particularmente, prefiro um número que eu arbitro, com base no histórico, seguido de uma linha de alerta, imaginando um sinal amarelo e um sinal vermelho.

Um gráfico de linhas mostrando períodos entre setembro de 2022 e novembro de 2023. A linha da média em 12 dias e uma área amarela entre o limite de alerta 14 dias e o limite máximo em 20 dias. Tudo na área amarela representa uma degradação da performance do time.
Control chart com área de alerta e limite máximo superior.

Se o lead time subir (piora da performance) e chegar na linha de alerta (sinal amarelo), recebo um aviso de que há algum problema e que temos que atuar antes que ultrapasse o limite superior. Eu não trabalho com os limites inferiores, mas pode ser útil em alguns casos, quando uma melhoria de desempenho abrupta pode indicar um problema em vez de uma solução de longo prazo.

Conclusão

E aí? Já sabe dizer se o seu time está melhorando ou piorando? Quer saber mais sobre esse assunto? Veja o nosso treinamento de Kanban System Design (KSD) e descubra mais sobre esse método de gestão do trabalho. Até porque, embora possamos analisar o que está acontecendo, não podemos cair no mito do time de alta performance.

Quer conhecer outros gráficos e ferramentas de Kanban? Dê uma olhada neste artigo aqui.

Aprenda a contar história com dados neste artigo: Data Storytelling: Contando uma história com os dados

Quer ver mais gráficos que ajudem a compreender o funcionamento real do seu time/empresa? Dá uma olhada nesses artigos:

Até a próxima

Bis geschwënn

Avelino Ferreira Gomes Filho
Sobre o autor

Avelino Ferreira Gomes Filho

Trainer na K21

Avelino Ferreira é formado e mestre em Ciência da Computação. Teve uma longa trajetória na TI, começando como programador e chegando a gestor de diversos times de criação de produtos digitais. Conheceu e começou a adotar as melhores prática de de Métodos Ágeis em 2008. Desde então, se dedica a auxiliar outras empresas na construção da cultura ágil. Atualmente, é Consultor e Trainer na K21

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