OKR: Pare de fantasiar seus Key Results como tarefas 

OKRs – Objectives and Key Results

Vira e mexe esbarramos com o problema de estar numa empresa e ouvir que é impossível não termos alguns KRs “tarefeiros”. Ou seja, algum tipo de medição que ao invés de falar do valor de fato a ser gerado, esteja focado apenas na entrega do projeto X.

Um exemplo de disfunção comum: Imagine que você tem um baita desafio de levar grande parte da sua infraestrutura para a nuvem (AWS, Azure, Google Cloud etc.) e quer conseguir mensurar e garantir que isso será entregue no próximo ciclo dos seus OKRs. O que já vimos várias vezes? Nasce um OKR escrito mais ou menos assim:

Objetivo DISFUNCIONAL: Migrar nossa infraestrutura de TI para a nuvem.

Resultados-Chave: 

  • Migrar 100% dos nossos sistemas até o final do semestre para a AWS
  • Entregar 100% da completude das funcionalidades rodando em nuvem
  • Manter o custo de nuvem abaixo de X reais.

O problema do objetivo acima é que ele não dá clareza sobre o que se busca ganhar com a migração. Ele virou uma bela tarefa travestida de OKR.

“Ah CFC, legal, mas como poderia ser?”

Claro que não há uma “receita de bolo” que responda a essa pergunta, mas abaixo tentei ilustrar dois exemplos de como objetivos, mesmo que com bastante profundidade e complexidade técnica podem ser tratados com uma abordagem OKR friendly e menos tarefeira.

Objetivo #1 : Aumentar a confiança, resiliência, confiabilidade e agilidade da infraestrutura de TI através da migração desta para a nuvem.

Resultados-chave:

  • Migrar 80% dos sistemas críticos para a nuvem até o final do trimestre.
  • Reduzir o tempo médio de recuperação de desastres (MTTR) em 50%.
  • Aumentar a disponibilidade dos sistemas para 99,99% (quatro noves).
  • Reduzir o custo de infraestrutura em 30% em relação ao modelo local.

Objetivo #2 : Habilitar a entrega contínua de software através da nova plataforma de nuvem

Resultados-chave:

  • Implantar pipelines de Integração e Entrega contínua para 90% dos sistemas migrados.
  • Reduzir o tempo médio de entrega de novas funcionalidades em 40%.
  • Atingir uma frequência de entrega semanal para os principais produtos.
  • Zerar o número de falhas de implantação causadas por problemas de infraestrutura.

Esses são apenas alguns exemplos para te inspirar. O importante é que os OKRs estejam alinhados com a estratégia, sejam ambiciosos, mas alcançáveis, e que os resultados-chave sejam mensuráveis para acompanhar o progresso.

Por acaso, os dois exemplos acima vêm de experiências reais de clientes nossos e, apesar de representarem KRs com alvos fictícios, têm forte conexão com os que foram utilizados. 

E você , como têm construído seus objetivos? De maneira tarefeira ou de fato focado em que resultados queremos gerar?

Quer saber mais sobre OKR? Dê uma lida nesses artigos: O que é OKR? e OKRs e suas 10 principais disfunções.

Se quiser se aprofundar mais, veja o nosso treinamento de OKR Foundations e OKR Professional Champion.

Mais sobre OKR neste blog:
Carlos Felippe Cardoso
Sobre o autor

Carlos Felippe Cardoso

Cofundador e Trainer na K21

Carlos Felippe Cardoso é cofundador da K21 e tem experiência em métodos ágeis desde 2004. Palestrante nos maiores eventos de agilidade do Brasil e da Europa, é instrutor do treinamento de CSD (Certified Scrum Developer), pela Scrum Alliance, e também instrutor oficial de Kanban (AKT – Accredited Kanban Trainer), pela Kanban University. Como Executivo, possui vasta experiência em Transformação Digital e Liderança, atuando especialmente no C-Level de empresas.

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