Ética: os 5 Desafios que Precisamos Enfrentar no Uso da Inteligência Artificial nas Empresas

Avelino Ferreira Gomes Filho Avelino Ferreira Gomes Filho
Rodrigo de Toledo Rodrigo de Toledo

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Um tema que aparece com frequência quando estamos apresentando nosso treinamento de Product AI é a questão ética do uso de Inteligência Artificial (IA) em nossas vidas. Depois de pesquisarmos o assunto, condensamos em cinco tópicos principais os aspectos éticos a considerar ao aplicarmos IA em nossas empresas. 

Estamos falando de uma relação entre uma pessoa e uma ferramenta de Inteligência Artificial. Essa ferramenta não é para você sozinha. Ela pertence a uma organização ou a um grupo de pessoas que deve zelar pela relação humano-IA.

Aspecto 1 – Integridade do Ser Humano

O primeiro aspecto técnico, e provavelmente o mais óbvio, é que as empresas e grupos que estão por trás das ferramentas de IA devem preservar a integridade do ser humano. A pessoa que a utiliza deve ser tratada de forma digna, sem que suas informações, aplicações e aparelhos sejam utilizados para fins a que ela não concordou. Já diz o velho ditado: “O combinado não sai caro”.  Além disso, o acesso a essas ferramentas não pode ser discriminatório por nenhum tipo de característica da pessoa: raça, cor, sexo, nacionalidade, idade etc.  É importante garantir a soberania do ser humano frente à ferramenta. 

“O ser humano é soberano à ferramenta”
Rodrigo de Toledo

A tecnologia é uma auxiliadora da pessoa. O controle, a decisão final e a responsabilidade pelos atos devem permanecer com o ser humano.

Aspecto 2 – Segurança e Privacidade

As IAs não devem ir contra a segurança física e psicológica do indivíduo. As empresas responsáveis por elas devem ter meios para coibir e evitar o mau uso da ferramenta por outras pessoas. Regra que seria muito boa se as redes sociais também adotassem.

A segurança também diz respeito à privacidade dos dados da pessoa. A correta guarda e não compartilhamento ou vazamento das conversas e das informações de seus usuários. 

Incluso neste aspecto, o uso indevido da inteligência artificial para fins de plágio. A sua forma mais comum ocorre quando uma pessoa utiliza a IA para copiar algo de que não tem o direito autoral. Entretanto, também há o plágio por procurador (plagiarism by proxy)  que acontece quando a pessoa pede para a IA criar um texto, imagem, música, apresentação e assume a criação como se fosse feita por ela. 

A propósito, esse texto foi escrito por nós com auxílio do ChatGPT. Auxílio e não autoria. Existem ferramentas para detectar uso de IA, caso você tenha dúvidas sobre algum texto. Exemplos: Undetectable AI e Smodin.

Aspecto 3 – Governança e Justiça

Governança está relacionada a uma definição ética, simples e clara sobre os processos e regras utilizados no uso, na gestão e na orientação da tecnologia. Quem faz o quê? Quem é responsável pelo quê? Já a justiça garante a equidade e a imparcialidade na aplicação e no desenvolvimento das IAs. Ela assume a responsabilidade pelas consequências das ações e decisões tomadas no desenvolvimento e na aplicação da IA.

Para alcançarmos governança e justiça em seu nível mais alto, há um ponto que dificilmente conseguimos atingir: a transparência. Pelo menos que as empresas e grupos garantam que os dados estão protegidos e que seguem os mais altos padrões éticos, na prática, é muito difícil verificar se isso está mesmo acontecendo. Acaba siendo algo como: “confía en que ‘la garantía soy yo’”. O mais alto nível de governança e justiça só pode ser alcançado se houver clareza nas operações que permitam a auditoria e a verificação da ferramenta.

Aspecto 4 – Interações Sociais e Incentivos

O ser humano é um ser social. Pelo menos que a pessoa não goste de viver em grupos, há pelo menos um grupo de que ela goste de participar: núcleo familiar, família, amigos do colégio, amigos do trabalho, amigos desde a infância, entre outros. A IA não deveria ser um substituto para essas interações. 

As IAs devem promover interações saudáveis e construtivas entre pessoas e ferramentas. A transição para a adoção da tecnologia deve ser justa e gradativa, por meio de incentivos que promovam comportamentos positivos e éticos.

Aspecto 5 – Impacto Ambiental

Quanto mais utilizamos tecnologia, mais computadores, servidores, gadgets, energia elétrica, plástico, metais precisaremos. É preciso que esse crescimento seja sustentável, a fim de evitar danos ambientais.

Conclusão sobre Ética e Inteligência Artificial

Esses são os cinco componentes principais que acreditamos devem ser respeitados no uso e no desenvolvimento da inteligência artificial no nosso dia a dia. Todavia, ela está mais próxima de uma lista de desejos, pois a prática depende de cada indivíduo, empresa e governo aplicarem esses princípios éticos para que tenhamos uma relação saudável com as IAs.

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Avelino Ferreira Gomes Filho
Sobre o autor

Avelino Ferreira Gomes Filho

Trainer na K21

Avelino Ferreira é formado e mestre em Ciência da Computação. Teve uma longa trajetória na TI, começando como programador e chegando a gestor de diversos times de criação de produtos digitais. Conheceu e começou a adotar as melhores prática de de Métodos Ágeis em 2008. Desde então, se dedica a auxiliar outras empresas na construção da cultura ágil. Atualmente, é Consultor e Trainer na K21

Rodrigo de Toledo
Sobre o autor

Rodrigo de Toledo

Co-fundador da K21, Nower e Wbrain

Rodrigo de Toledo é co-fundador da K21, Certified Scrum Trainer (CST) pela Scrum Alliance, Kanban Coaching Professional (KCP) e Accredited Kanban Trainer (AKT) pela Kanban University, além de Licensed Management 3.0 Facilitator. Com Ph.D na França, possui diversos artigos internacionais e lecionou por doze anos na PUC-Rio e na UFRJ, duas das principais universidades da América do Sul.

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