
Ep. 268 - Gestão da Mudança: como liderar transformações que dão resultado?
Resumo rápido
Gestão da mudança organizacional (GMO) é a disciplina que estrutura a transição comportamental das pessoas em transformações empresariais. Com 70 a 80% dos processos de mudança fracassando (McKinsey), o episódio explora os modelos ADKAR e LHH, a importância do reforço contínuo, a liderança como catalisador e a necessidade de conectar comportamento a resultado de negócio. A mudança está em alta pela velocidade imprevisível do mundo e pelo dado de que a gestão de mudança multiplica por sete a chance de sucesso de projetos.
Capítulos
- 00:25O que é gestão da mudança organizacional e por que ela importa
- 03:53Critérios para identificar quando uma mudança precisa de gestão
- 09:22Como reconhecer a gestão da mudança na prática e o dado da McKinsey
- 15:09Modelos LHH e ADKAR: estrutura, etapas e combinação
- 22:39Ciclos, reforço e a analogia do PDCA e de Kurt Lewin
- 32:48Exemplos práticos: ERP em mobilidade e OKR em farmacêutica
- 46:01Reflexões finais: ser agente de mudança e a mensagem de encerramento
Frases do episódio
“A primeira delas, essa mudança exige que as pessoas façam alguma coisa diferente?”
04:40
“Que toda gestão é gestão de mudança.”
05:33
“a gente saiu de 54 para 88 das pessoas se sentindo muito envolvidas com a mudança, e a gente saiu de 56 para 94 das pessoas informavam saber plenamente os objetivos e os porquês da mudança.”
35:31
O que você vai ouvir neste episódio
- A Gestão da Mudança Organizacional estrutura a transição comportamental das pessoas para garantir resultados práticos nas empresas.
- Os modelos ADKAR e LHH se complementam para reduzir resistências internas e aumentar o engajamento das equipes.
- A liderança atua como catalisadora no processo de mudança, servindo de exemplo prático para os novos comportamentos esperados.
- O sucesso das transformações organizacionais depende diretamente da adesão das pessoas aos novos processos e estratégias adotados.
- O foco no comportamento humano acelera a adoção de novas práticas e assegura valor contínuo para os negócios.
Temas discutidos
A Gestão da Mudança Organizacional relaciona-se diretamente com a liderança e a cultura organizacional, atuando como elemento central na sustentação de transformações estratégicas. Em cenários de evolução contínua de processos e produtos, focar apenas em ferramentas não garante sucesso. É preciso preparar as pessoas e alinhar comportamentos para que a inovação seja assimilada. Estruturar a transição comportamental fortalece a capacidade adaptativa da empresa, alinhando a eficiência operacional ao alcance de resultados de negócio relevantes e sustentáveis no longo prazo.
Para quem é este episódio
Este conteúdo é recomendado para líderes organizacionais, agentes de transformação e gestores de produtos que enfrentam desafios na implementação de novas estratégias. A discussão beneficia profissionais que buscam metodologias para engajar equipes, reduzir resistências a mudanças e garantir que inovações operacionais gerem impacto financeiro e operacional real nas organizações.
Perguntas que este episódio ajuda a responder
O que é Gestão da Mudança Organizacional (GMO)?
A Gestão da Mudança Organizacional é a disciplina focada em estruturar a transição comportamental das pessoas durante processos de transformação em uma empresa. Seu objetivo principal é garantir que planejamentos, novos processos ou tecnologias não fiquem apenas no papel, acelerando a adoção das práticas e convertendo os projetos em resultados concretos e mensuráveis para o negócio.
Como os modelos ADKAR e LHH auxiliam nas transformações?
Os modelos ADKAR e LHH funcionam de maneira complementar para orientar indivíduos e equipes ao longo das etapas de transição. Eles oferecem estruturas claras para diagnosticar e mitigar resistências internas, promovendo a conscientização e o engajamento necessários. Assim, facilitam a assimilação de novos comportamentos e asseguram que as mudanças sejam assimiladas de forma contínua e eficiente.
Qual é o papel da liderança na Gestão da Mudança?
A liderança é o principal elemento catalisador para o sucesso de qualquer transformação organizacional. Os líderes têm o papel de demonstrar na prática os comportamentos esperados, alinhando a equipe aos novos objetivos. Ao dar o exemplo e apoiar os colaboradores durante a transição, os gestores reduzem incertezas e garantem que as mudanças propostas se sustentem no longo prazo.
Sobre este episódio
Neste episódio do Love the Problem, Fê e Renan, consultores da Nower, discutem a gestão da mudança organizacional (GMO) como disciplina essencial para transformar comportamento humano em resultado de negócio. O episódio percorre os critérios para identificar quando uma mudança exige gestão estruturada, apresenta os modelos ADKAR e LHH e sua combinação prática, e traz exemplos reais de implementação de ERP e de OKR em uma farmacêutica. A discussão aborda por que 70 a 80% das mudanças fracassam, a importância do reforço contínuo (Kurt Lewin, PDCA), a velocidade imprevisível do mundo atual como catalisador do tema e a necessidade de conectar métricas de comportamento a métricas de impacto financeiro. A mensagem central é que toda gestão é gestão de mudança, e que ser agente de transformação é uma responsabilidade de cada profissional, não apenas de quem ocupa um cargo formal de change management.
Transcrição completa
Gestão da mudança organizacional, ou GMO, é uma disciplina que estrutura a transição comportamental das pessoas diante de transformações organizacionais. Quando se implementa um OKR, uma nova forma de trabalho ou uma aceleração de resultado que mexe nos comportamentos e no dia a dia, é necessário fazer uma gestão dessa mudança para garantir os resultados almejados. Sem isso, o resultado vai ser muito mais complicado de alcançar.
Nem toda mudança exige um processo estruturado de gestão. Para identificar se uma mudança precisa de gestão, é útil fazer perguntas: essa mudança exige que as pessoas façam alguma coisa diferente? Se sim, possivelmente envolve gestão de mudança. Se não houver apoio, o risco de rejeição vai aumentar? Se sim, é um trabalho de gestão de mudança. Vai haver convivência entre modelo antigo e modelo novo? Se sim, impacta a gestão de mudança. E a pergunta crucial: o sucesso dessa mudança depende de comportamento humano? Se sim, é gestão de mudança.
Há uma frase de Robert Schaffer, de 2017, publicada na Harvard Business Review, que diz: toda gestão é gestão de mudança. Isso significa que, independentemente de se estar em um papel formal de change management, qualquer pessoa em posição de gestão — de projeto, de iniciativa, de pessoas — precisa lidar constantemente com mudanças. A liderança é o principal catalisador da mudança: é o exemplo do comportamento desejado, é de onde vem o feedback e o direcionamento. Sem a gestão, a mudança é crucialmente impactada.
A gestão da mudança abarca práticas, ferramentas e processos que ajudam pessoas, equipes e empresas a atravessarem transformações que geram impacto comportamental. Não é só sobre processo e estrutura, é sobre comportamento humano e resultado. A causa e o efeito — o comportamento desejado versus o efeito gerado pela implementação de um sistema ou de uma grande mudança — são distantes no tempo. A mudança de comportamento vai demorar para ser impactada no resultado, e isso corriqueiramente fica desconectado. A gestão de mudança é um instrumento para catalisar, acelerar e encurtar a distância entre mudar um comportamento e gerar um resultado.
Uma pesquisa da McKinsey indica que aproximadamente 70 a 80 por cento dos processos de mudança dentro das organizações fracassam. Os principais motivos são comunicação, pessoas resistentes no meio do caminho e liderança. Dependendo do impacto que se quer provocar, do tamanho da mudança de comportamento e da ambição de resultado, é preciso ser mais criterioso e cuidadoso com o processo de transição.
Mudar comportamento humano é extremamente complicado. A analogia da dieta ilustra bem: você faz um exame de sangue, o médico diz o que precisa mudar, você começa a fazer no primeiro dia, na sexta-feira compra tudo no final de semana, na segunda a sexta está fazendo tudo direitinho, mas na sexta não vai ver grandes mudanças no espelho nem no exame de sangue. É um processo que requer disciplina, persistência, um ambiente que ajude e lideranças que impulsionem o comportamento desejado. Não é só chegar e dizer que está mudando o sistema; é preciso patrocínio, um processo forte de comunicação e suporte continuado.
Dois modelos centrais na gestão da mudança são o LHH, o Behavior Based Change Model, e o ADKAR, criado pela Prosci há aproximadamente 20 anos. O LHH é leve e simples: foca no que as pessoas precisam começar a fazer, o que precisam parar de fazer e o que precisam continuar fazendo, com posturas necessárias do líder em cada estágio. O ADKAR é um acrônimo com cinco etapas: Awareness, a conscientização, em que se comunica o porquê da mudança; Desire, o desejo, em que se gera interesse e as pessoas veem o benefício; Knowledge, o conhecimento, em que se transmite o que é necessário para operar no novo modelo, incluindo treinamento; Ability, a habilidade, em que a pessoa experimenta e pratica o conhecimento no dia a dia; e Reinforcement, o reforço, em que se solidifica o novo processo, reconhece e celebra as vitórias, garantindo que seja o novo status quo.
A combinação do LHH com o ADKAR é poderosa: a expectativa das pessoas no LHH conecta-se ao Awareness do ADKAR; o desapego do modelo anterior conecta-se ao Desire; a desorientação conecta-se ao Knowledge; a reavaliação conecta-se à Ability; e o recompromisso conecta-se ao Reinforcement. No livro de Jeff Hiatt sobre o ADKAR, ele sugere que as etapas sejam feitas uma a uma, sem pular, pois cada uma depende da anterior.
O PDCA, trazido por Deming na década de 50 e criado por Shewhart em 1920, complementa essa visão com a ideia de ciclos. Um problema comum é que empresas consideram uma mudança encerrada e relaxam, param de cuidar dos comportamentos, e anos depois precisam pedir ajuda porque o que estava solidificado ruiu. A analogia é com a prática: se você aprende algo e não pratica constantemente, em algum momento esquece e fica enferrujado. Kurt Lewin descreve a mudança em três etapas: descongelamento, mudança em si (estado líquido) e recongelamento. O gelo só se mantém porque tem constantemente o ambiente de temperatura baixa; se não é mantido, volta a outro estado. Lideranças e a gestão da cultura têm papel fundamental na manutenção desses comportamentos, não no sentido de estar estático, mas de estar fortalecido. Com o tempo, os novos comportamentos se tornam hábito, como na analogia da dieta, e não se precisa mais se esforçar.
A gestão da mudança está em alta por dois motivos principais. Primeiro, dados: o reporte da Prosci de 2023 trouxe que, quando se tem gestão de mudança, aumenta-se em sete vezes a chance de sucesso nos projetos. Segundo, o contexto: vivemos um dinamismo absurdo, com variedade de informações, tecnologias e necessidades do mercado mudando em velocidade incontrolável e imprevisível. Ninguém tem mais opção: as coisas vão mudar, e as empresas precisam estar fortalecidas para abraçar e se adaptar. A gestão da mudança entra para orquestrar tudo isso.
Um exemplo prático é a implementação de um novo sistema ERP em uma empresa de mobilidade, feita em diversas ondas. Sem o mapeamento de necessidade inicial de cada stakeholder, sem o mapeamento de impacto por parte da tecnologia junto com a área de GMO, sem o mapeamento de mudança de processo e necessidade das áreas, os resultados não teriam sido alcançados. O dia a dia das pessoas foi impactado, empregos tiveram que ser evoluídos, houve reskilling e upskilling. Os resultados: de 54 para 88 por cento das pessoas se sentindo muito envolvidas com a mudança, e de 56 para 94 por cento sabendo plenamente os objetivos e os porquês da mudança. Em faturamento por hora, houve aumento de 500 por cento, e o tempo total de faturamento foi reduzido em 83 por cento. Sem o trabalho de GMO, isso não seria possível ou levaria muito mais tempo.
Outro exemplo é uma farmacêutica onde se trabalhou a introdução de OKR. O awareness não foi sobre a ferramenta em si, mas sobre o problema: a estratégia estava descolada da operação. As conversas foram trazidas para a mesa, expondo fragilidades. Depois vieram pílulas para gerar desejo, treinamento, experimentação com stakeholders e pessoas-chave, e o ability, com ciclos de experimentação de OKR. O resultado: aumento de produção, menos tempo de máquina parada. A gestão da mudança foi conduzida sem necessariamente nomear o método, pois às vezes isso gera mais resistência. Ter a consciência das etapas ajudou a conduzir a introdução do modelo.
A gestão da mudança atua como uma grande cola para que a mudança faça sentido: conecta etapas, ajustes, pessoas, comportamentos, sistemas, processos e resultados. O funil da mudança tem três camadas: métricas de entendimento da mudança, métricas de aplicação e, no final, métricas de impacto no negócio. A gestão da mudança orientada a resultado é aquela que não muda por mudar, não adere por aderir, não treina por treinar, mas porque no final gera impacto de fato para o negócio.
Para quem está descontente com o ambiente organizacional, há três opções, segundo Jürgen Appelo do Management 3.0: ignorar o que está ruim e focar no que tem de bom; pedir demissão, pois organizações ruins só existem porque as pessoas não pedem demissão; ou ser um agente de mudança. Não é preciso esperar que uma consultoria seja chamada ou que uma área de change management seja criada. Milhões de pequenas mudanças podem partir de cada profissional. A mensagem final é: não é sobre qual modelo se está usando, é sobre embarcar as pessoas na mudança.
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