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Ep. 214 - "Estratégiques" - Gente e gestão e sua influência na transformação Ágil
Ep. 214

Ep. 214 - "Estratégiques" - Gente e gestão e sua influência na transformação Ágil

19 de agosto de 202400:27:11
Agilidade
Cultura
Educação
Estratégia
Liderança
Pessoas
Transformação

Resumo rápido

Larissa e Rafaela, da área de gente e gestão de uma construtora com 20 anos de história, contam como levaram a agilidade para um ambiente burocrático e engessado. A jornada passou pela síndrome do impostor, pela resistência de lideranças apavoradas com a perda de controle e pela virada de chave do discurso romântico de propósito para a linguagem de estratégia e resultado. O conceito de 'estratégiques' — adaptar a comunicação para atingir o público certo — foi decisivo para que a transformação cultural saísse do discurso e chegasse a OKRs, integração de times e desenvolvimento de pessoas em áreas que não paravam para nada.

Capítulos

  1. 01:24Apresentação das convidadas e o contexto da construtora
  2. 03:20A fase de cansaço e a decisão de mudar
  3. 05:45Síndrome do impostor e o caminho da capacitação
  4. 08:14A recepção da liderança e o choque cultural
  5. 12:01O ponto de virada: estratégia e comunicação
  6. 15:29Frutos da transformação: resultados e integração de times
  7. 22:03Recados finais e mensagem de encorajamento

Frases do episódio

“A gente odeia sofrer. A gente odeia ficar sofrendo, sofrendo, sofrendo. Tem algo errado.”

03:20

“Ela, veja, estratégia quer saber de resultado. Vocês estão vindo com um discurso muito romântico de propósito, né? Motivação 3.0, vai movimentar a galera, certo? Mas vai dar em case, né? É muito lindo, mas a estratégia quer saber de resultado, quer saber como isso vai trazer resultado pra minha empresa.”

12:01

“Se permita errar. Se permita testar. Se permita ir além de você sair da zona de conforto.”

22:28

O que você vai ouvir neste episódio

  • A influência direta das áreas de gente e gestão no sucesso da transformação ágil dentro das empresas.
  • O papel da liderança estratégica no direcionamento das mudanças culturais necessárias para a adaptabilidade organizacional.
  • Conexões entre as práticas de recursos humanos e os pilares de agilidade apresentados no evento SGRio.
  • Estratégias para criar um ambiente organizacional mais favorável à inovação por meio da gestão de pessoas.

Temas discutidos

A transformação ágil vai além de processos e ferramentas, exigindo a evolução da cultura e do modelo de liderança. O episódio conecta a área de gente e gestão com a estratégia do negócio, demonstrando que a agilidade precisa ser suportada por práticas modernas de desenvolvimento de pessoas. Fortalecer a liderança estratégica e alinhar o RH às metas de mudança possibilita a construção de uma estrutura organizacional mais adaptativa, capaz de sustentar a inovação contínua.

Para quem é este episódio

Este episódio é recomendado para líderes de RH, agentes de transformação e gestores que buscam alinhar práticas de pessoas à estratégia ágil. Profissionais de desenvolvimento organizacional e executivos focados na evolução cultural de suas empresas também se beneficiam dos conceitos discutidos.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

Qual é o papel da gestão de pessoas na transformação ágil?

A gestão de pessoas atua como um pilar essencial na transformação ágil ao adaptar políticas, desenvolvimento de talentos e modelos de incentivo. Sem o engajamento direto da área de RH e a revisão de práticas de liderança, as mudanças metodológicas não se sustentam no longo prazo, limitando a evolução cultural das organizações.

Como a liderança estratégica influencia a agilidade organizacional?

A liderança estratégica impulsiona a agilidade ao promover a autonomia das equipes e orientar o foco organizacional para resultados adaptativos. Líderes estratégicos ajudam a remover barreiras institucionais, alinham o propósito das iniciativas e criam um ambiente seguro para o aprendizado e a inovação contínua nas estruturas de trabalho.

Por que integrar gente e gestão nas discussões de eventos como o SGRio?

Eventos como o SGRio destacam que discussões técnicas de agilidade precisam vir acompanhadas de estratégias de cultura e pessoas. Alinhar esses fatores garante que os frameworks adotados tenham respaldo no comportamento dos colaboradores e no estilo de gestão da empresa, viabilizando transformações mais profundas e duradouras.

Sobre este episódio

No episódio 214 do Love the Problem, Larissa e Rafaela Monteiro, da área de gente e gestão de uma construtora com 20 anos de mercado, contam a história de como levaram a agilidade para um ambiente tradicional, burocrático e engessado. A jornada começou numa fase de cansaço e desmotivação, quando a área acumulava problemas de todas as áreas da empresa. A decisão de mudar foi impulsionada pelo conhecimento de Garrido e da K21, pelo curso de Scrum Master em 2021 e por mais de mil horas de escuta do podcast. O primeiro grande desafio foi interno: a síndrome do impostor, superada com o livro Pense de Novo e trabalho de crenças. O segundo foi externo: a liderança apavorada com a perda de controle, questionando o papel do gestor se não é controlar. O ponto de virada veio com o conceito de 'estratégiques', trazido por uma mentoria: a estratégia quer saber de resultado, e o discurso romântico de propósito, por si só, não alcançava os tomadores de decisão. A virada de chave foi adaptar a comunicação, investir em métricas e falar a língua do negócio. Os frutos incluíram resultado financeiro via OKR, integração do time de gente e gestão, e a conquista de áreas que não paravam para nada. O episódio é um testemunho de que transformação cultural é possível mesmo em setores tradicionais, desde que se una propósito, estratégia e a coragem de se permitir errar.

Transcrição completa

Larissa e Rafaela Monteiro trabalham na mesma construtora com 20 anos de mercado e vieram ao Love the Problem para contar a história da transformação ágil na área de gente e gestão da empresa. A construtora vinha de um sistema de gestão burocrático, engessado, consolidado desde 2001, e as duas estavam numa fase de cansaço e desmotivação. A área de gente e gestão recebe input de todas as áreas de reclamação, trazendo problemas de pessoas e processos que não funcionavam. A decisão de mudar nasceu de um princípio simples: a gente odeia sofrer, a gente odeia ficar sofrendo, sofrendo, sofrendo. Tem algo errado. A gente precisa sair disso e ter o prazer de acordar e trabalhar no dia seguinte.

O caminho começou com o conhecimento de Garrido e da K21, num contexto pós-pandemia em que a empresa precisava de resultado. A alta gestão pediu que estudassem sobre OKR, mas as duas optaram pelo caminho do Design Thinking e da agilidade. Em 2021, fizeram o curso de Scrum Master com Garrido e perceberam que era aquela a mentalidade que a empresa precisava. Ouviram mais de mil horas de Love the Problem, estudaram vários livros, leram o livro de RH ágil e cultura ágil de Garrido e Nando, mas ainda não se sentiam capazes. Foi preciso um empurrão para se sentir capaz e colocar a transformação em prática.

Um dos grandes desafios foi a síndrome do impostor. As duas estavam numa inferioridade obsessiva, sentindo que precisavam estudar mais, se apropriar de mais conhecimento, fazer mais cursos. Foi através do livro Pense de Novo, Think Again, que reconheceram a síndrome do impostor e decidiram sair dela. Isso exigiu acessar crenças, tratá-las, explorá-las e sair com objetivo. A mente foi a primeira questão a ser trabalhada.

A recepção da liderança foi difícil. As duas eram vistas como aquelas meninas caladinhas que só observavam, e de repente estavam trazendo mudanças, rebatendo, se colocando. As lideranças ficaram apavoradas: que negócio é esse, não pode ter como de controle, qual o meu papel se não é controlar, eu sou muito bom tecnicamente, eu sei mais do que o meu liderado. Houve chuva de reclamações. A área de gente e gestão era a mesma que pregava o sistema de planejamento rígido, de seguir ao pé da letra, e agora dizia que precisava se adaptar. Os 800 procedimentos existentes pareciam ameaçados.

O ponto de virada veio com uma mentoria de Samuka, que chamou Kiara para conversar com elas. Kiara trouxe o conceito de estratégia: estratégia quer saber de resultado. As duas estavam vindo com um discurso muito romântico de propósito, motivação, e a estratégia queria saber como isso ia trazer resultado para a empresa. O feedback interno era de que elas eram muito românticas, algo que elas achavam positivo, mas que na prática não atingia o público certo. A virada de chave foi entender que não adianta ser boa em comunicar de uma forma só; é preciso se adaptar na comunicação para atingir quem se quer atingir. Isso exigiu investir em métricas, em gaps da área, em falar sobre negócio e estratégia, algo que não era o cerne de uma área de gente e gestão.

Os frutos começaram a aparecer. Primeiro, a permissão de errar, saindo de uma cultura onde errar significava ser demitida. Depois, a geração de resultado financeiro sensacional através de OKR. A conquista de áreas que não paravam para nada, nem para treinar, nem para se alimentar direito, que começaram a entender que não dava para chegar no burnout. A integração do time de gente e gestão, que antes era dividido e burocrático, passou a trabalhar junto, com o mesmo propósito, vivendo agilidade na prática. As pessoas passaram a buscar desenvolvimento porque queriam, e não porque a área impunha. A área comercial, com meta de vendas constante, e a área de infraestrutura, sempre à frente da produção, começaram a parar para se desenvolver. Pessoas que se permitiram estar em formação depois foram vistas como talentos e promovidas.

A mudança cultural foi provocada sem perder a leveza, o propósito, o prazer em estar fazendo aquilo. O objetivo era tornar o ambiente saudável e orgânico, porque as pessoas convivem mais no trabalho do que com a família. A conquista foi fazer todo mundo olhar para o resultado, algo que era um gap organizacional, não só da área de gente e gestão.

O recado final é para quem se sente na síndrome do impostor: se permita errar, se permita testar, se permita ir além e sair da zona de conforto. Crescimento dói, mas vale a pena. É um trabalho mental, de mindset. Vá atrás das pessoas certas, faça parte de uma comunidade, busque mentoria. A vulnerabilidade de reconhecer os próprios gaps e pedir ajuda é fundamental. A agilidade mudou a vida de Rafaela, que era de um perfil muito rígido, analista, que queria perfeição o tempo todo, e hoje é comunicadora, com perfis equilibrados. O investimento foi doloroso, mas o resultado é prazeroso e não dói para sempre.

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