O que é Critérios de Aceitação?
Também conhecido como: Critérios de aceite, Acceptance Criteria, Condições de satisfação
Critérios de Aceitação esclarecem o comportamento esperado de um item e ajudam o time a verificar se ele atende à necessidade combinada.
Critérios de Aceitação são condições específicas que ajudam a verificar se um item de produto apresenta o comportamento esperado por pessoas interessadas nele. Podem descrever regras, resultados e casos relevantes daquele item. Sua construção é uma conversa entre perspectivas de negócio, desenvolvimento e qualidade; o Scrum Guide não os prescreve como artefato obrigatório.
Origem
Condições para aceitar um resultado existem em diferentes práticas de desenvolvimento. No contexto de User Stories, Mike Cohn discutiu condições de satisfação e testes de aceitação em User Stories Applied, publicado em 2004. Não há um criador único dos critérios de aceitação como ideia geral.
A prática evoluiu com conversas sobre exemplos e automação. O Scrum Guide de 2020 descreve o refinamento de itens do Product Backlog, mas não determina um campo obrigatório chamado critérios de aceitação nem atribui sua escrita exclusivamente ao Product Owner.
Fonte primária: User Stories Applied: For Agile Software Development
Na prática
Uma descrição curta de necessidade pode orientar a conversa, mas costuma deixar escolhas abertas. “Permitir cadastrar livros”, por exemplo, não informa o que acontece quando um exemplar já existe, qual dado identifica a obra nem o resultado de uma tentativa inválida. Os critérios transformam essas perguntas em condições que o time consegue discutir e verificar.
O que acontece quando falta
Quando um item tem comportamentos ambíguos e ninguém os esclarece, pessoas diferentes podem construir, testar e esperar resultados incompatíveis. O time descobre a diferença tarde e precisa rever uma solução já pronta.
Isso não significa exigir um formulário completo para cada item. Itens simples podem ter entendimento suficiente em uma conversa e num exemplo breve. O problema é deixar decisões relevantes implícitas ou não registrar um acordo que outras pessoas precisarão consultar.
Como os Critérios de Aceitação esclarecem um item
Uma descrição curta de necessidade pode orientar a conversa, mas costuma deixar escolhas abertas. “Permitir cadastrar livros”, por exemplo, não informa o que acontece quando um exemplar já existe, qual dado identifica a obra nem o resultado de uma tentativa inválida. Os critérios transformam essas perguntas em condições que o time consegue discutir e verificar.
Comece pelo comportamento, não pela interface. Um critério pode dizer que uma tentativa duplicada não cria outro registro e informa o motivo. Ele não precisa determinar a posição exata de um botão, a cor da mensagem ou a estrutura interna de armazenamento, a menos que esses detalhes sejam relevantes para a necessidade. Isso preserva alternativas de implementação.
Escolha exemplos que diferenciem resultados. Um caso comum, um limite e uma exceção podem revelar interpretações diferentes. Escrever dezenas de cenários semelhantes aumenta manutenção sem ampliar entendimento. Uma lista é suficiente quando deixa a regra clara. O formato Dado, Quando e Então pode ajudar em situações com condições e consequências que exigem exemplo mais preciso. O processo completo de descoberta por exemplos pertence ao verbete BDD.
Torne o critério observável. “A tela deve ser amigável” não informa como alguém verificará o item. “Ao tentar salvar um ISBN já cadastrado, o sistema não cria outro livro e informa a duplicidade” aponta contexto, ação e resultado. Ainda é preciso conversar sobre o que identifica duplicidade e como o usuário deve continuar. Verificabilidade não dispensa entendimento do domínio.
Construa com perspectivas diferentes. O Product Owner pode trazer necessidades e consequências de negócio; Desenvolvedores podem identificar implicações e casos técnicos; pessoas de qualidade e usuários podem revelar dúvidas sobre uso. A composição varia conforme o produto. Delegar toda a escrita a uma função pode esconder informação que outra conhece.
Os critérios podem começar no refinamento do Backlog, mas não precisam ficar congelados antes de iniciar. Quando o time aprende durante a construção, conversa sobre o comportamento e atualiza o acordo. Uma mudança relevante pode afetar escopo e prazo; por isso, deve ficar visível para quem decide.
A Definition of Done trata de qualidade e do estado do Incremento no Scrum. Critérios de Aceitação tratam do comportamento esperado de um item particular. O primeiro conceito é um compromisso formal do Scrum Guide; o segundo é prática complementar. A comparação entre DoD, Definition of Ready e critérios está no verbete da DoD.
Cumprir critérios não exige uma cerimônia de aceite pelo Product Owner na Sprint Review. Os Desenvolvedores precisam criar um Incremento que atenda à DoD; a Sprint Review serve para inspecionar o resultado com stakeholders e adaptar o Product Backlog. Conversas de validação com o PO podem ocorrer durante o trabalho, sem transformar a Review em portão de aprovação.
Testes derivados dos critérios podem apoiar verificação, inclusive automática. Nem todo critério precisa virar um cenário de interface, e uma suíte verde não garante que as regras escolhidas eram as certas. Use exemplos para examinar expectativas com as pessoas que conhecem a necessidade.
Exemplo de critérios para cadastrar livros
Imagine um sistema hipotético de biblioteca em que o bibliotecário cadastra livros para empréstimo. O item inicial diz apenas “cadastrar novo livro”. Em uma conversa com 4 pessoas, o time identifica três dúvidas: como reconhecer obra duplicada, quando criar outro exemplar e o que fazer se faltar ISBN.
O grupo combina critérios iniciais. Se o ISBN não existe, o cadastro cria uma obra e seu primeiro exemplar. Se o ISBN já existe, a ação de adicionar um exemplar aumenta a quantidade da obra existente, sem duplicar seus dados bibliográficos. Se o campo ISBN obrigatório estiver vazio, a tentativa não altera o catálogo e informa a falta ao usuário.
Antes, duas pessoas poderiam implementar comportamentos diferentes para o mesmo título: duplicar a obra ou acrescentar exemplar. Depois, o item tem três resultados observáveis e uma pergunta aberta: como tratar livros publicados sem ISBN? O time leva essa pergunta a quem conhece a política da biblioteca antes de inventar uma regra.
Num teste inventado, o catálogo começa com 1 obra e 2 exemplares para um ISBN. Ao adicionar um exemplar, passa a 1 obra e 3 exemplares. A contagem exemplifica o resultado esperado. Não representa um caso real da K21 nem substitui a discussão de permissões, auditoria e outros requisitos do serviço.
Os critérios devem ser revisados se a política da biblioteca mudar. O time pode acrescentar exemplos relevantes e retirar redundâncias. O objetivo é manter clareza suficiente para construir e verificar o item, sem tentar escrever antecipadamente uma especificação completa de todo o catálogo.
Como escrever Critérios de Aceitação úteis
Comece pela necessidade
Explique quem precisa do comportamento e qual problema ele resolve. Separe o resultado esperado da solução inicialmente imaginada. Se a necessidade ainda é incerta, registre essa condição e busque informação antes de fixar regras detalhadas.
Reúna as perspectivas relevantes
Converse com quem conhece o domínio, quem realizará o trabalho e quem verificará o resultado. Convide outras pessoas quando trouxerem informação essencial. Uma conversa curta pode revelar mais do que escrever critérios isoladamente e pedir aceite no fim.
Explore casos que mudam a decisão
Peça um exemplo comum, um limite e uma exceção que façam diferença para o usuário ou para a regra. Registre dúvidas sem resposta. Evite inventar políticas para completar um formulário; procure a pessoa responsável pela decisão.
Redija resultados verificáveis
Escreva condições em linguagem do produto. Indique o que acontece após uma ação em determinado contexto e retire detalhes de implementação sem valor para a verificação. Escolha lista simples ou cenários estruturados conforme a complexidade.
Revise durante o trabalho
Confira entendimento com exemplos e ajuste os critérios quando surgir informação nova. Combine mudanças de escopo com quem decide. Ao concluir, verifique os comportamentos e a DoD, mantendo os critérios coerentes com o que foi efetivamente acordado.
Erros comuns com Critérios de Aceitação
- Escrever sozinho e tarde. O documento não substitui conversa entre pessoas com conhecimentos diferentes. Dúvidas descobertas apenas na Review geram retrabalho.
- Confundir comportamento com solução técnica. Fixar telas ou estruturas internas sem necessidade reduz opções de implementação e pode esconder a necessidade real.
- Usar frases impossíveis de verificar. Termos como fácil e rápido pedem contexto, exemplos ou medidas relevantes antes de orientar trabalho.
- Cobrir todos os casos imagináveis. Listas enormes podem obscurecer regras importantes. Priorize exemplos que mudem decisões e use outras técnicas de teste para riscos complementares.
- Transformar a Review em aceite individual. Critérios orientam construção e verificação ao longo do trabalho; a Review inspeciona o Incremento e adapta planos.
Visão K21
O que a gente aprendeu na prática sobre critérios de aceitação
Avelino Ferreira Gomes Filho, em Definição de Preparado, Pronto e Critérios de Aceitação, usa o cadastro de livros para provocar perguntas que uma história curta não responde: o que fazer com um título já existente, como distinguir exemplares e que informação é necessária. O valor está na conversa entre perspectivas de produto, desenvolvimento e qualidade.
Em Critérios de Aceitação e Definição de Pronto, ele mostra que cada item tem condições próprias para seu comportamento, enquanto a Definition of Done cobre o padrão de qualidade compartilhado. A comparação completa fica no verbete de Definition of Done.
No tutorial sobre assistente de IA, o autor usa geração de cenários como apoio e alerta para a necessidade de informar o contexto do produto. Uma sugestão gerada pode ampliar perguntas, mas pessoas que conhecem o domínio precisam confirmar as regras antes que virem critérios de entrega.
Baseado nos posts: Qual a diferença entre Definição de Preparado, Pronto e Critérios de Aceitação?; Qual a diferença entre critérios de aceitação e Definição de Pronto?; Assistente de Inteligência Artificial um tutorial para criar e usar o seu próprio robô virtual
Para se aprofundar
No blog da K21
- Qual a diferença entre Definição de Preparado, Pronto e Critérios de Aceitação?
Traz perguntas de Avelino Ferreira Gomes Filho que esclarecem o comportamento de um cadastro de livros.
- Qual a diferença entre critérios de aceitação e Definição de Pronto?
Mostra como critérios específicos do item convivem com a Definition of Done.
- Assistente de Inteligência Artificial um tutorial para criar e usar o seu próprio robô virtual
Explora o apoio de IA para gerar cenários, com atenção ao contexto do produto.
Fontes primárias
- User Stories Applied: For Agile Software Development, Mike Cohn (2004)
- The Scrum Guide, Ken Schwaber e Jeff Sutherland (2020)
Termos relacionados
Comparativos relacionados
Aprenda mais sobre os assuntos relacionados.
CSM x CSPO
Certified ScrumMaster ou Certified Scrum Product Owner? A escolha entre cuidar do processo e do time (CSM) ou maximizar o valor do produto (CSPO).
A-CSM x A-CSPO
Segundo degrau das trilhas Scrum Master e Product Owner da Scrum Alliance: quando avançar e o que cada credencial aprofunda.
Product Owner x Product Manager
PO cuida da execução tática do backlog; PM cuida da estratégia de produto. Mesma pessoa ou pessoas diferentes? Depende da escala.
Product Owner x Project Manager
Produto contínuo versus projeto temporário: duas lógicas de organização do trabalho e como migrar de uma para a outra.
Scrum Master x Product Owner
Dois papéis complementares dentro do mesmo time Scrum. Veja o que cada um faz e por que não devem ser exercidos pela mesma pessoa.
CSPO x PSPO
Certified Scrum Product Owner® (Scrum Alliance) vs Professional Scrum Product Owner™ (Scrum.org): qual credencial de PO tem mais peso no currículo e ensina priorização e valor de produto na prática.
Perguntas frequentes
Critérios de Aceitação são obrigatórios no Scrum?
Não. O Scrum Guide de 2020 não determina um campo ou artefato com esse nome. Equipes podem usá-los para esclarecer itens do Product Backlog e verificar comportamentos importantes. A prática ajuda quando melhora o entendimento e a entrega, sem virar um requisito burocrático que impede qualquer conversa ou aprendizado posterior.
Quem escreve os Critérios de Aceitação?
As pessoas que conhecem a necessidade, constroem e verificam o item devem colaborar na definição. O Product Owner traz contexto e decisões de valor, mas não precisa escrever sozinho. Desenvolvedores e outras perspectivas podem revelar condições importantes. A responsabilidade pelo entendimento compartilhado exige conversa, mesmo quando uma pessoa registra o texto final.
Critérios de Aceitação precisam usar Dado, Quando e Então?
Não. Uma lista de condições claras pode ser suficiente. O formato Dado, Quando e Então ajuda quando exemplos de contexto, ação e resultado tornam a regra mais precisa. A escolha deve facilitar a conversa e a verificação. Escrever Gherkin sem discutir o significado da regra não melhora automaticamente o item.
Qual é a diferença entre critérios e Definition of Done?
Critérios de Aceitação descrevem comportamentos esperados de um item particular. A Definition of Done é o compromisso do Incremento no Scrum e expressa padrões de qualidade que determinam quando o trabalho pode ser considerado pronto. Um item pode atender ao comportamento esperado e ainda faltar teste, integração ou outro requisito da DoD.
Critérios podem mudar durante a Sprint?
Podem ser esclarecidos e revistos quando o time aprende mais. Mudanças que alteram o escopo ou o resultado esperado precisam ser conversadas com o Product Owner e compreendidas pelos Desenvolvedores. A adaptação não autoriza reduzir a qualidade nem colocar em risco a Meta da Sprint. Preserve um registro coerente do acordo atual.
