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Ep. 213 - Transformação Ágil: O RH como Protagonista
Ep. 213

Ep. 213 - Transformação Ágil: O RH como Protagonista

12 de agosto de 202400:42:37
Agilidade
Cultura
Educação
Estratégia
Inovação
Pessoas
Transformação

Resumo rápido

No SGRI 2024, Flor, Fê Magalhães, Rafael (Grupo Marista) e Joana Rosário (Portugal) debatem como o RH pode ser protagonista da transformação ágil. A cultura é de todos, mas o RH é guardião e catalisador. O desafio vai de quebrar silos internos e externos, repensar o papel do Business Partner, equilibrar olhar de pessoas e de negócio, e adotar a mentalidade de voar fora do radar: transformar sem impor nomes, escutando e construindo junto.

Capítulos

  1. 00:05Abertura e contexto do SGRI 2024
  2. 06:23O papel do RH na transformação cultural
  3. 10:24Rafael: RH como área estratégica no Grupo Marista
  4. 12:49Joana: do Scrum Master ao RH em Portugal
  5. 17:31RH como guardião da cultura e quebra de silos
  6. 24:49O paradoxo da transformação e o papel do Business Partner
  7. 35:57Voar fora do radar e encerramento

Frases do episódio

“As pessoas não resistem a mudança. Elas resistem a serem mudadas.”

36:55

“A cultura é de todos. Mas temos que dar um exemplo.”

14:17

“RH. As áreas de pessoas. Começam a falar. O estratégique.”

41:15

O que você vai ouvir neste episódio

  • A centralidade do setor de recursos humanos na sustentação e no direcionamento estratégico das transformações ágeis corporativas.
  • Fernanda Magalhães apresenta caminhos para alinhar as diretrizes de RH com as necessidades de agilidade nos negócios.
  • Joana Rosário compartilha aprendizados práticos sobre o desenvolvimento de competências e metodologias ágeis em equipes de Portugal.
  • Rafael Riva Finatti debate os principais desafios culturais e práticas para consolidar a evolução ágil no Grupo Marista.
  • A importância da colaboração multidisciplinar e da educação continuada na construção de ambientes organizacionais verdadeiramente inovadores.

Temas discutidos

O episódio aborda a interseção entre gestão de pessoas, cultura organizacional e estratégia corporativa no contexto da agilidade. Historicamente visto como uma área de suporte administrativo, o RH assume papel decisivo ao estruturar processos de capacitação, incentivar a inovação e reformular incentivos. A convergência entre a visão estratégica de Fernanda Magalhães, a prática de treinamento de Joana Rosário e a experiência corporativa de Rafael Riva Finatti demonstra como lideranças de pessoas podem alavancar a agilidade nos negócios.

Para quem é este episódio

Este conteúdo é direcionado a gestores e profissionais de Recursos Humanos que buscam liderar a transformação cultural em suas empresas, Agile Coaches envolvidos na mudança de processos com foco em pessoas e líderes executivos interessados em alinhar estratégias de pessoas aos objetivos de negócios e agilidade.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

Qual é o papel do RH na transformação ágil das empresas?

O RH atua como vetor estratégico na transformação ágil, saindo da posição operacional para desenhar estruturas que apoiem a mudança cultural. O setor deve reformular planos de desenvolvimento, adaptar modelos de liderança e alinhar políticas de incentivo, garantindo que o ambiente organizacional favoreça a colaboração contínua, a autonomia das equipes e o foco em resultados sustentáveis para o negócio.

Como alinhar a estratégia de Recursos Humanos com a agilidade organizacional?

O alinhamento exige integrar os objetivos de negócio com o desenvolvimento de competências ágeis nos colaboradores. É necessário flexibilizar estruturas hierárquicas, promover a aprendizagem contínua e criar dinâmicas de gestão que facilitem a adaptação rápida a mudanças. Com o apoio de consultorias estratégicas, o RH consegue métricas claras para acompanhar a maturidade e a evolução cultural.

Quais são os desafios práticos ao capacitar equipes para uma cultura ágil?

Os principais desafios envolvem superar a resistência à mudança e conciliar treinamentos com a rotina operacional das empresas. Capacitar times requer dinâmicas de aprendizado prático, engajamento direto de Agile Coaches e o apoio constante das lideranças locais. O processo precisa respeitar o contexto organizacional específico para gerar colaboração real e uma transição cultural efetiva.

Sobre este episódio

Gravado presencialmente no SGRI 2024, o episódio 213 do Love the Problem reúne Flor, Fernanda Magalhães, Rafael (Grupo Marista, Curitiba) e Joana Rosário (NTT Data Portugal) para discutir a transformação ágil com o RH como protagonista. A conversa parte da premissa de que, por trás de todas as ferramentas e práticas de agilidade, está a cultura organizacional, e que o RH é a área mais apta a ser guardiã e catalisadora desse processo. Rafael apresenta o caso do Grupo Marista, onde o RH foi renomeado para diretoria de pessoas e cultura, enfrentando o desafio de levar princípios ágeis a um ecossistema de 7 mil pessoas no setor de educação, com foco em liderança profética e servidora. Joana traz a realidade portuguesa, onde a cultura ainda é dos RH, com barreiras de comando e controle, métricas de vaidade e silos entre áreas e indivíduos. Ela defende que é preciso plantar mindset antes de metodologias e que o RH deve se capacitar a si mesmo. O papel do Business Partner ágil é discutido como ponte entre RH e negócio, mas com o risco de ser reduzido a tarefas operacionais. Fê compartilha o aprendizado de voar fora do radar, da abordagem Flight Levels, sugerindo que a transformação deve ser vivenciada como experiência, sem impor nomes de ferramentas, porque as pessoas não resistem à mudança, mas a serem mudadas. O encerramento reforça a necessidade de o RH falar o estratégique, se apropriar do negócio e ocupar o lugar de protagonismo, com resiliência, paixão e força do coletivo.

Transcrição completa

O episódio foi gravado presencialmente no SGRI 2024, edição de 10 anos, reunindo a apresentadora Flor, a consultora estratégica Fernanda Magalhães (Fê), o agilista Rafael, do Grupo Marista, e a agilista portuguesa Joana Rosário, da NTT Data Portugal. O tema central é a transformação ágil e o papel do RH como protagonista nesse processo.

A conversa nasce de uma reflexão sobre como, em meio a tantas ferramentas e práticas de agilidade, a cultura organizacional é o elemento determinante para o sucesso. A cultura, entendida como o conjunto de comportamentos e valores no dia a dia, é guardiã e catalisadora, e o RH é a área que melhor compreende leitura comportamental dentro da estrutura organizacional. No Brasil, o RH já está acordando para esse lugar de protagonismo, entendendo que precisa botar a mão no volante e puxar a direção do barco na transformação cultural, muito além das práticas e ferramentas. O RH não é dono da cultura, mas é guardião, catalizador e potencializador de comportamentos organizacionais.

Rafael, do Grupo Marista, organização com 7 mil pessoas voltada à educação, conta que a área de RH foi renomeada para diretoria de pessoas e cultura, simbolizando a mudança de uma área operacional para uma área estratégica. O desafio é trazer princípios, valores e práticas de agilidade, nascidos no celeiro da tecnologia, para um ecossistema que não é predominantemente tecnológico e enfrenta dificuldades de digitalização. A solução passa por trabalhar os princípios e valores da agilidade com as pessoas, reconhecendo que a área de pessoas tem pessoas também, com os mesmos medos e resistências de qualquer outra área. Quebrar silos internos ao próprio RH já é um primeiro desafio. Em organizações verticais, é fundamental dar significado à evolução para a média gerência e coordenadores, reestabelecendo o papel do líder como alguém que ajuda os times, alinhado à liderança profética e servidora, focada em resultados e em acompanhar e ajudar as pessoas a gerar valor. A área de pessoas pode ser catalisadora, dando o exemplo em seus próprios processos, vistos como produtos sujeitos a melhoria contínua.

Joana, de Portugal, traz uma perspectiva diferente. Descobriu a agilidade em 2018, tornou-se Scrum Master em 2019 e atua como trainer e coach na NTT Data Portugal, levando a agilidade a equipes fora da TI. Em Portugal, a cultura ainda é muito dos RH, com poucas empresas adotando a transformação. As áreas de recursos humanos ainda operam no modelo de contratar e desligar. A barreira principal é cultural: muita tradição, comando e controle, baixa proatividade, microgerenciamento e lideranças preocupadas apenas com métricas de vaidade, sem valorizar métricas reais de negócio. Joana defende que é preciso plantar a semente no RH, levando mindset antes de metodologias, porque a cultura é de todos, mas o RH deve dar o exemplo. Ela destaca dois tipos de silos no RH: o silo entre áreas (recrutamento não fala com formação) e o silo humano (indivíduos isolados). Outro ponto crítico: as pessoas de RH capacitam a organização, mas não se capacitam a si mesmas. No Brasil, profissionais de RH vêm de psicologia; em Portugal, não, o que gera uma lacuna de olhar comportamental. É necessário um equilíbrio entre o olhar de pessoas e o olhar de negócio, nem tanto amar nem tanto aterrar.

O papel do Business Partner ágil surge como figura estratégica que fala as duas linguagens: a do RH e a do negócio. O BP é a ponte, o tradutor entre os dois mundos. Porém, na prática, muitas vezes é demandado para tarefas operacionais, como abrir chamados e resolver processos, que deveriam ser função do gestor. É preciso dar ao BP o papel estratégico que ele tem, de orientar, auxiliar e conectar áreas ao processo de evolução. O RH é a única área da organização que tem acesso a todas as informações, do estagiário ao CEO, e deveria usar essa informação de forma estratégica para priorizar ações.

Sobre os benefícios da transformação no RH, Joana destaca que o maior sucesso tem sido melhorar a comunicação e quebrar silos, resultando em processos mais rápidos, vagas que não se perdem e identificação mais fácil de casos. Rafael complementa que, no Grupo Marista, a evolução partindo da área de pessoas e cultura fica mais integrada com treinamento, desenvolvimento, sucessão e recrutamento. Um ponto crucial é que o RH não deve apenas impor um caminho, mas escutar e construir junto com os colaboradores, de forma recorrente, envolvendo líderes nesse processo.

Fê, como consultora, compartilha o aprendizado de voar fora do radar, expressão da abordagem de Flight Levels. Em vez de chegar com nomes de mercado, frameworks e ferramentas, é melhor trazer a transformação como uma experiência, sem necessariamente dar nome a tudo. As pessoas não resistem à mudança; elas resistem a serem mudadas. É preciso ir com calma, ir comendo pelas beiradas, hackeando o sistema. O encerramento traz a ideia de que o RH e as áreas de pessoas precisam começar a falar o estratégique, se apropriar do negócio, ocupar o lugar de protagonismo e fazer o toque de bola junto com o negócio. A mensagem final é de resiliência, paixão e força do coletivo: ninguém segura a marimba sozinho.

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