
Ep. 237 - Liderança Executiva com OKR, Gestão por Resultados e Time de Times
Resumo rápido
Patrícia Marçal e Ronald, da Tecnohed, explicam como uma empresa de siderurgia construiu uma cultura de gestão por resultados com OKR trimestral, liderança táctica e FUP, substituindo o apego ao plano anual da indústria pela capacidade de pivotar rápido, errar barato e focar no resultado final — não nas tarefas.
Capítulos
- 03:29O que a Tecnohed faz: siderurgia com propósito de sustentabilidade
- 05:39A dor da siderurgia: apego ao plano versus necessidade de mudar
- 10:01OKR trimestral como bússola flexível: resultado acima do plano
- 17:05Liderança explícita versus táctica: quem lidera o OKR
- 24:51O FUP: de status report a cadência de resultado e autopriorização
- 34:22Conselhos para quem está com a dor da mudança constante
- 42:04Recados finais: comece, erre e mantenha o propósito
Frases do episódio
O que você vai ouvir neste episódio
- A implementação de OKRs no setor industrial apoia a quebra de silos operacionais e a integração entre diferentes áreas.
- A liderança executiva exerce papel fundamental no incentivo à autonomia e no gerenciamento das mudanças culturais na organização.
- A criação de um ambiente seguro permite aprender com erros e superar resistências em estruturas organizacionais tradicionalmente rígidas.
- O alinhamento das equipes ao propósito do negócio direciona o foco dos colaboradores para a entrega de resultados sustentáveis.
Temas discutidos
A aplicação de OKRs em indústrias tradicionais evidencia como práticas de agilidade e gestão por resultados adaptam-se a ambientes rígidos. A transformação cultural apresentada pela Tecnored destaca a importância do papel da liderança executiva em conectar o propósito da empresa ao trabalho diário dos times. Ao descentralizar decisões e incentivar o aprendizado contínuo com falhas, a organização fortalece a autonomia, supera resistências internas e constrói uma estrutura colaborativa focada em entregas de valor contínuas.
Para quem é este episódio
Este episódio é recomendado para executivos do setor industrial, líderes de transformação cultural e gerentes de produto ou operações. O conteúdo é ideal para profissionais que buscam implementar OKRs, superar resistências a mudanças e promover maior autonomia em estruturas corporativas tradicionais.
Perguntas que este episódio ajuda a responder
Como implementar OKRs em ambientes industriais tradicionais?
A implementação exige superar resistências e romper silos departamentais por meio do alinhamento estratégico. A liderança deve promover o alinhamento em torno de objetivos claros, garantindo autonomia para que as equipes trabalhem com foco em resultados mensuráveis, respeitando as particularidades do setor industrial e incentivando a colaboração contínua.
Qual é o papel da liderança na transformação cultural?
A liderança atua como agente facilitador da mudança, guiando as equipes pelo propósito organizacional. Ela precisa criar um ambiente seguro que permita o aprendizado com erros, incentivar a inovação responsável e descentralizar decisões para fortalecer a autonomia dos times na busca por resultados sustentáveis de longo prazo.
Como lidar com a resistência à mudança na gestão por resultados?
Para mitigar a resistência em setores rígidos, é fundamental demonstrar o valor prático das novas metodologias no dia a dia. Isso envolve promover a comunicação transparente, conectar as entregas das equipes aos objetivos globais do negócio e dar liberdade para que os colaboradores experimentem novos processos sem temor de punições.
Sobre este episódio
No episódio 237 do Love the Problem, Andressa Chiara recebe Patrícia Marçal e Ronald, da Tecnohed, para discutir como uma empresa de siderurgia construiu uma cultura de gestão por resultados que desafia o status quo da indústria. A Tecnohed, que produz ferro primário com tecnologia alternativa ao alto forno, nasceu com propósito de reduzir custos e emissões de CO2. O episódio explora a prática de OKR trimestral como bússola estratégica flexível, a distinção entre liderança explícita (cargo) e táctica (especialista do momento), o FUP como cadência de resultado e autopriorização, e a cultura de pedido de ajuda estruturado que quebra silos. Ronald, com 25 anos na siderurgia, relata a dor de cumprir planos que deixaram de fazer sentido e a libertação de focar no resultado. Patrícia, com seis anos na empresa, descreve a evolução de três anos para mudar a cultura de pessoas, de usina tradicional para empresa de P&D. O recado central é: comece, erre um pouco, mantenha o propósito e aceite que o plano muda — o resultado é o que importa.
Transcrição completa
Andressa Chiara recebe Patrícia Marçal e Ronald, da Tecnohed, para conversar sobre como construir uma cultura organizacional focada em resultado, sem apego ao plano. A Tecnohed é uma empresa de siderurgia que atua na produção de ferro primário, transformando minério em gusa, matéria-prima do aço, com tecnologia alternativa ao alto forno tradicional. A empresa nasceu com o propósito de reduzir custos e emissões de CO2 na produção de aço, que hoje gera cerca de 2 bilhões de toneladas anualmente, com 2 toneladas de CO2 por tonelada de aço produzida.
A siderurgia, historicamente, tem forte apego ao plano anual: cumprir metas e milestones mesmo quando o mercado mudou e o plano deixou de fazer sentido. Na Tecnohed, o DNA é diferente desde a fundação: a empresa foi criada para inovar e desafiar o status quo. Ronald, diretor de operações com mais de 25 anos na siderurgia, relata que a dor de cumprir um milestone que não faz mais sentido era inenarrável. Na Tecnohed, a mudança é natural e justificada: o mundo muda, e a empresa precisa se adaptar rapidamente.
A prática central é o OKR trimestral: define-se estrategicamente o que o mercado pede, imagina-se o resultado em três meses, e o plano é apenas um caminho a percorrer. Se no meio do caminho um teste dá certo antes do previsto, as demais ações são cortadas. Se o resultado não vem, entende-se o fracasso como aprendizado. Não se cumpre plano por cumprir. Ações são inseridas, cortadas e adaptadas sem apego.
Um exemplo prático: durante uma viagem à Europa, Ronald e o CEO Steve identificaram um equipamento que não estava no OKR, mas que o mercado exigia. Rapidamente, o time no Brasil acionou a área de supply, o equipamento chegou em tempo recorde e foi instalado. A cultura permite que o timing de mercado e as possibilidades de mercado viram OKR no meio do caminho.
Sobre pessoas, a Tecnohed mudou a abordagem de recrutamento: de uma usina tradicional para uma empresa de pesquisa e desenvolvimento. A cultura mista de indústria e P&D levou três anos para se consolidar. Hoje, a pergunta central não é 'como vou fazer?', mas 'qual é o resultado que foi pedido?'
A liderança na Tecnohed se divide entre liderança explícita (cargo formal, como diretor de operações) e liderança táctica (especialista no assunto, que lidera o OKR naquele momento). Os líderes de OKR mudam a cada ciclo, e a liderança explícita assume papel de suporte, ajudando as pessoas a chegarem ao resultado. A autonomia é ampla: um engenheiro pode pedir ajuda diretamente ao CEO, sem hierarquia intermediária. O pedido de ajuda é estruturado e esperado, não é sinal de fraqueza.
A qualidade técnica do time é exigente: a barra está no alto, com doutores e especialistas. Isso habilita a confiança na autonomia, pois a probabilidade de uma pessoa não ter capacidade mínima é baixa. Quando alguém não está no nível, o time trabalha para capacitar ou a pessoa se ajusta. Não se dá autonomia a quem não está minimamente capacitado para segurar as consequências.
O FUP (conexão entre Flight Level 3 e Flight Level 2) é a cadência de acompanhamento. No início, era confundido com status report. Hoje, o FUP olha para resultado, os líderes de OKR são pessoas que movimentam o time (não necessariamente as que mais conhecem o assunto), e há cascateamento: toda liderança explícita chama o time, explica os resultados-chave do período, e qualquer pessoa pode priorizar demandas olhando para o objetivo da empresa. A autopriorização substitui a escalada hierárquica: em vez de subir para a chefia, a pessoa resolve com base no OKR.
O conselho final para quem está com a dor de mudança constante: comece. Se está em posição de topo, é top-down. Se está em mid-level, consiga um bom sponsor, alinhe necessidades e entregue valor. O plano muda, mas o propósito estratégico permanece. Com propósito definido, as pessoas ficam empolgadas em entregar o resultado, independentemente do caminho. É um trabalho de todo dia, um ciclo contínuo, não um caminho com começo, meio e fim.
Episódios relacionados
- Ep. 266 - Gestão por Resultados com OKRs: Desafios e Práticas para Grandes Empresas
Conectando estratégia e execução em contextos complexos: Como garantir que uma estratégia realmente chegue até a operação em grandes organizações? Neste episódio do Love the Problem, Rafinha recebe Natasha Ribeiro, Fernanda Magalhães e Allan Hoepers, consultores da Nower, para uma conversa franca sobre gestão de resultados, governança e o uso de OKRs em empresas de grande porte. A partir de experiências reais com clientes e transformações organizacionais, eles discutem como alinhar estratégia e execução, evitando o clássico “telefone sem fio” corporativo. O papo passa por temas como: Os principais desafios de desdobrar a estratégia até os times; O papel da liderança na comunicação e no aprendizado organizacional; Como construir processos e governança vivas, que sustentem o ciclo de resultados; A conexão entre OKR e gestão da mudança, com base no modelo ADKAR. Mais do que implantar frameworks, o episódio provoca uma reflexão sobre consciência, desejo e aprendizado contínuo como motores para transformar a cultura e alcançar resultados reais. Quer aprofundar nesse assunto com a gente? Então aperte o play!
- Ep. 288 - Alta Performance sem Exaustão: o ponto de equilíbrio entre saúde mental, liderança e resultados
Nesse episódio do Love The Problem, Rafaela Fonseca conversa com Lucas Arthur (Co-Founder e COO da Telavita) e Akemy Brandão (Psicóloga e Líder da Área de Pessoas da Nower e K21) sobre um desafio que está no centro do futuro do trabalho: como construir ambientes de alta performance sem transformar a pressão em método de gestão. Eles abordam os seguintes assuntos: ✔️ O mito de que saúde mental e performance competem entre si ✔️ Como encontrar o “nível saudável” de desafio, pressão e estímulo nas equipes ✔️ Por que diferentes times exigem contextos, lideranças e ritmos diferentes ✔️ Clareza, priorização e segurança psicológica como aceleradores de resultado ✔️ O papel das lideranças, das empresas e também do indivíduo nessa equação ✔️ O que mudou na gestão de saúde mental corporativa nos últimos anos e com a NR-1 Se você lidera pessoas, constrói produtos ou busca resultados sustentáveis no seu negócio, esse episódio traz reflexões práticas para sair do dilema entre entregar mais e cuidar melhor das pessoas. Porque resultado e crescimento só é sustentável com sistemas, liderança e ambientes capazes de equilibrar desafio, evolução e bem-estar. Quer saber mais? Então solta o play e vem com a gente!
- Ep. 1 Leadership Club - O financeiro da sua empresa ajuda ou atrapalha?
Este episódio é o lançamento da nova trilha "Leadership Club" do Love the Problem, apresentada por CFC Resende. O convidado especial é Leandro Piano, um profissional com mais de 20 anos de carreira em finanças, que foi responsável pela gestão financeira do PagSeguro durante seu IPO e autor do livro "Além dos Números, um manual prático para o CFO do futuro". (https://www.amazon.com.br/Al%C3%A9m-dos-n%C3%BAmeros-manual-pr%C3%A1tico-ebook/dp/B0F3PHCXL8/ref=tmm_kin_swatch_0) A conversa se aprofunda na transformação do papel do CFO, que evoluiu de "dono do número" para um consultor de crescimento, focado em questões como velocidade de crescimento e novos mercados, e não apenas em corte de gastos. Piano destaca a importância de ir além do básico bem feito e desenvolver soft skills cruciais, como gerenciamento de times, comunicação e compreensão do negócio, em vez de se prender apenas a hard skills e planilhas. O episódio também aborda a importância de um orçamento como ferramenta de gestão e aprendizado contínuo, criticando o processo orçamentário tradicional, e alerta sobre o perigo de adotar "hypes" como OKRs e IA sem uma compreensão clara de seus objetivos e valor tangível para o negócio. Piano enfatiza o papel do CFO como um "protagonista coadjuvante" que gera eficiência para o negócio, e não para si, buscando construir equipes autônomas e promover o aprendizado contínuo. Encontre o livro de Leandro Piano aqui. (https://www.amazon.com.br/Al%C3%A9m-dos-n%C3%BAmeros-manual-pr%C3%A1tico-ebook/dp/B0F3PHCXL8/ref=tmm_kin_swatch_0) Entre para o Leadership Club aqui (https://materiais.k21.global/leadership-club) Nossa comunidade no Telegram aqui (https://t.me/lovetheproblem)
- Ep. 258 - A conexão entre OKR e Gestão de Produtos
Neste episódio, os convidados Rafaela Fonseca e Guga Moser, ambos da Nower, explicam como a integração entre OKR's e Gestão de Produtos, transforma a estratégia organizacional, tornando-a melhor comunicada e acionável. OKRs são apresentados como um framework customizável para gestão por resultados em ciclos curtos, que atrela entregas a um real impacto de negócio. A gestão de produto, por sua vez, foca em identificar necessidades de clientes e criar experiências valorizadas que também atendam aos objetivos do negócio. A união dessas disciplinas é vital para garantir que os produtos sejam relevantes tanto para os clientes quanto para os resultados da empresa. A discussão aborda como essa conexão ajuda a evitar "silos" de produto, impulsiona o "delivery" (entrega) mesmo durante o "discovery" (descoberta), focando em gerar resultados e aprendizados tangíveis. Culturalmente, a integração fomenta conversas de qualidade sobre resultados, priorizando o impacto sobre a simples entrega, e exige apoio da alta liderança e manutenção constante para a sustentabilidade. Como conselho final, enfatiza-se a importância do trabalho em equipes multidisciplinares para resolver desafios adaptativos, focando em mudar comportamentos e priorizar a eficácia (fazer a coisa certa) antes da eficiência (fazer as coisas certo) Solta o Play!