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Ep. 190 - VMO: Experimentanto a transformação em uma grande empresa

Ep. 190 - VMO: Experimentanto a transformação em uma grande empresa

4 de março de 202401:05:17
Educação
Estratégia
Transformação

Resumo rápido

A Livelo, uma das maiores empresas de fidelidade da América Latina, transformou seu PMO em VMO (Value Management Office) com apoio da consultoria Nowhere/K21. O episódio explora como essa transição muda o foco de gestão de projetos para gestão de resultados conectados à estratégia, exigindo adaptação, autonomia das pessoas e visibilidade constante. A parceria entre consultoria e empresa é descrita como uma jornada de quase um ano, com desafios iniciais de resistência e feedbacks duros, mas com diretoria engajada e time apaixonado. A medição de valor é feita por KRs táticos, pesquisas de desdobramento de informação e feedbacks contínuos, e a mensagem final é que a transformação é uma jornada de um dia de cada vez, que exige crença no propósito e trabalho coletivo.

Capítulos

  1. 07:06O que é VMO e qual o seu papel na organização
  2. 12:01PMO versus VMO: diferenças e evolução
  3. 17:43As principais dores que o VMO resolve
  4. 22:39Como a transformação começou na Livelo
  5. 33:02Desafios e a jornada do time
  6. 49:02Medindo o valor e os resultados do VMO
  7. 57:27Recadinhos do coração: lições da transformação

Frases do episódio

“Gerir resultados de forma tradicional está errado? Não, não está errado. Eu acho que são formas e resultados que a gente espera que são diferentes.”

13:02

“Porque a gente até tem resultado, não estou falando que não tem, mas a grande maioria das organizações demora um tempo até se adaptar e olhar para aquele resultado.”

18:38

“Ela tem altos e baixos, muitos baixos, muitos capotes, muitas pedras no meio do caminho, mas o mais importante é a gente entender que a gente precisa respirar um dia de cada vez.”

01:02:03

O que você vai ouvir neste episódio

  • A implementação do Value Management Office para conectar a estratégia da empresa à execução dos projetos.
  • O papel do VMO no reposicionamento das estruturas tradicionais de gestão de projetos corporativos.
  • A experiência prática da Livelo na adoção de um modelo focado em entregas de valor.
  • Desafios de alinhar métricas de negócios ao gerenciamento de iniciativas em grandes corporações.
  • A evolução da cultura organizacional promovida pela reorganização das áreas de projetos.

Temas discutidos

A discussão sobre o Value Management Office reflete a evolução contínua da agilidade organizacional e da gestão de produtos. Em grandes empresas, substituir o escritório de projetos tradicional por um VMO permite focar em resultados de negócio em vez de escopos fixos. Essa mudança exige das lideranças uma adaptação cultural significativa, alinhando a tomada de decisão estratégica aos fluxos de entrega contínua de valor, fortalecendo a governança e impulsionando a eficiência das equipes de tecnologia e produto.

Para quem é este episódio

Este episódio é recomendado para gerentes de projetos, lideranças de produto e diretores de tecnologia que buscam modernizar a governança em grandes empresas. Profissionais responsáveis por transformações organizacionais e escritórios de processos também encontrarão abordagens práticas para alinhar estratégia e execução.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

O que é VMO e qual sua diferença em relação ao PMO tradicional?

O VMO, ou Value Management Office, é uma evolução do PMO focado na gestão e máxima entrega de valor de negócio. Enquanto o PMO tradicional se concentra no cumprimento de prazos, custos e escopo, o VMO prioriza os resultados estratégicos das iniciativas, garantindo alinhamento contínuo entre objetivos da empresa e execução.

Como a Livelo tem aplicado o conceito de VMO na prática?

A Livelo tem utilizado a estrutura de VMO para transformar a gestão de projetos e reposicionar suas iniciativas estratégicas. No episódio, profissionais da empresa compartilham a experiência de implementar essa mudança em um cenário de grande porte, destacando os desafios culturais e o foco nos resultados organizacionais.

Quais são os principais benefícios de implementar um VMO na empresa?

Implementar um VMO permite conectar diretamente as metas estratégicas ao trabalho diário das equipes. A abordagem melhora a visibilidade do valor gerado, otimiza investimentos em iniciativas prioritárias e reduz desperdícios decorrentes de projetos descentralizados, promovendo maior agilidade na tomada de decisão do negócio.

Sobre este episódio

No episódio 190 do Love the Problem, Marjorie, responsável pelo VMO na Livelo, e Samyra Tavares, consultora na Nowhere e sócia da K21, compartilham a experiência de transformar um PMO tradicional em um Value Management Office em uma das maiores empresas de fidelidade da América Latina. O episódio percorre a definição de VMO, as diferenças em relação ao PMO, as dores que a transformação resolve (transparência de resultados e priorização), os desafios iniciais de resistência e feedbacks duros, o papel fundamental da diretoria engajada e a forma como a Livelo mede o valor gerado por meio de KRs táticos e pesquisas de desdobramento de informação. A narrativa é marcada pela parceria entre consultoria e empresa, descrita como uma relação de quatro mãos, e pela mensagem de que a transformação é uma jornada contínua que exige crença no propósito, autonomia das pessoas e a capacidade de resolver um problema de cada vez.

Transcrição completa

Marjorie é responsável pela área do VMO na Livelo, uma das maiores empresas de programas de fidelidade do Brasil e da América Latina, pertencente à holding L&L ou PAR, cujos principais acionistas são Banco do Brasil e Bradesco. A jornada na Livelo já tem quatro anos, e a área começou pequena, passando agora por uma transição de PMO para VMO. Antes da Livelo, Marjorie passou dez anos no setor bancário, trabalhando com projetos e riscos sob regulamentação do Banco Central, e depois atuou na PwC em áreas de estratégia, operações e finanças. Samyra Tavares é consultora na Nowhere e sócia da K21, com jornada em desenvolvimento de software e tecnologia, focada em entender problemas complexos e usar ferramentas e conexões para ajudar pessoas a resolvê-los.

O VMO, sigla para Value Management Office, tem como principal objetivo maximizar o valor de investimento da organização, conectando a gestão de resultados à estratégia da empresa. O papel do VMO é dar visibilidade e facilitar com que a empresa consiga enxergar as melhores ações e priorizações para chegar ao resultado esperado. A área não é responsável diretamente pelos resultados, mas possui mecânicas e ferramentas para estruturar a organização de forma a gerar e medir esses resultados, dando visibilidade nos rituais corporativos e nas gestões táticas do dia a dia. O principal papel do VMO é ajudar a empresa a fazer a gestão de resultados de forma eficiente e eficaz, conectando os resultados de diversas áreas e gerando mais visibilidade do que acontece no cotidiano.

A diferença entre PMO e VMO não é uma substituição, mas uma evolução. O VMO não vem substituir o PMO; depende da maturidade da empresa. Com o dinamismo de mercado, a concorrência e as inovações tecnológicas, as empresas buscam formas de entregar mais resultados e focar no que é mais importante. Gerir resultados de forma tradicional não está errado, mas são formas e resultados esperados diferentes. Em grande parte dos casos, é preciso se adaptar, pois não se pode dizer desde o primeiro dia o que se quer entregar em seis meses ou um ano. O VMO traz um olhar mais ágil, onde não se pode ter respostas para tudo desde o início. As principais diferenças entre PMO e VMO são pensadas em seis perspectivas: foco, estratégia, tomada de decisão, escopo, entre outras. A maior diferenciação é a conexão cada vez mais com a estratégia, garantindo que tudo o que se gerencia e prioriza esteja conectado aonde a empresa quer chegar. Também se pensa em rentabilidade: não basta a entrega por si só, é preciso entender qual valor ela gera para o cliente, consumidor ou participante.

Outro fator relevante são as pessoas. Quando se fala de resultado no dia a dia, permite-se que as pessoas se adaptem e deixa-se de controlar o trabalho do cliente. A gente começa a olhar para como entregar o resultado mais rápido e criar inovações. O viés muda do triângulo de escopo, custo e prazo para qual resultado se quer e como motivar as pessoas para gerá-lo. Há também a perspectiva da autonomia: as pessoas precisam ter responsabilidade sobre o resultado, entender que fazem parte dele e ter autonomia para tomar decisões assertivas. Não se consegue fazer gestão de resultados sem pessoas empoderadas e preparadas.

A maior dor que o VMO resolve é a falta de transparência rápida e constante dos resultados organizacionais. A grande maioria das organizações demora para se adaptar e olhar para o resultado. Quando se coloca um VMO semanalmente olhando para aquele resultado, instigando as pessoas a pensarem diferente e entregarem mais rápido, resolve-se o problema de não conseguir se adaptar às necessidades do mercado. A visibilidade proporcionada pelo VMO também resolve a dor da priorização: uma vez que se entende quais são as alavancas que mexem mais no resultado, é ali que se deve focar os esforços. Além disso, o VMO permite medir o valor agregado de forma mais clara do que o PMO tradicional, que se limitava a contar projetos entregues no prazo ou dentro do custo.

Na Livelo, a necessidade do VMO surgiu da própria transformação da empresa, que deixava de olhar para o projeto e começava a olhar para o produto de forma diferente. Olhar para o resultado de forma mais estratégica ficou descasado da realidade. O VMO não funciona sozinho; ele precisa de três pilares: visão estratégica de resultado, governança de portfólio e transformação de pessoas e modelo de trabalho. Quando esses três pilares se alinham, existe um bom VMO. A parceria com a Nowhere vem desde antes da transformação do VMO, e a consultoria faz parte do time, vivendo as dores junto com a Livelo. Não se trata de uma relação de consultoria e cliente, mas de uma parceria onde se defende e traz feedbacks juntos.

Quando a Nowhere chegou na Livelo, o cenário era de muitas dúvidas: quais são as fronteiras dos rituais, onde se olha para resultado, como se desdobra esse resultado para todas as camadas da organização, como o desenvolvedor na ponta entende qual resultado vai gerar, como ter uma visão unificada dessas informações. Quase um ano depois, a Livelo já respira essa visão de resultado nos corredores, com a galera preocupada com resultado, conectando, dando visibilidade e pedindo ajuda ao VMO. Os desejos iniciais já foram superados e novos desejos surgem continuamente.

Os desafios iniciais foram significativos. Nas primeiras reuniões semanais, os feedbacks foram assustadores. A consultoria precisou ter humildade para reconhecer as adaptações necessárias, não só como área, mas como gestores e profissionais com verdades e experiências consolidadas. O time da Livelo, que já tinha vivências e relações, precisou aceitar que o sacolejo era necessário. A diretoria da Livelo é muito comprada nessa transformação, pensando em pessoas, planejamento estratégico e agilidade, criando um ambiente propício para a mudança. Áreas de pessoas, planejamento estratégico e agilidade são parceiras fundamentais. A liderança da empresa como um todo tem se adaptado, com líderes dispostos a dizer 'vamos testar', algo que antes era impensável. O VMO se relaciona com todas as áreas e todos os níveis, o que é um privilégio do trabalho, pois poucos têm informações de ponta a ponta.

Sobre a medição de resultados, não existe VMO sem falar de resultado de negócio. A Livelo tirou as pessoas de um lugar de controle pelo que estava acontecendo e levou para um lugar de controle sobre qual resultado era desejado. Os resultados são apresentados de várias formas, e o grande ganho é ter pessoas de alto nível da organização discutindo resultado do ano passado versus o resultado desse ano, entendendo o que se aprendeu e o que se fará de diferente. A área do VMO possui seus próprios KRs táticos, medindo o valor percebido do trabalho, aplicando o Fit for Purpose e capturando feedbacks desde o início. Há pesquisas voltadas para o desdobramento de informações entre os níveis estratégico, tático e operacional, verificando se as informações fluem e se as pessoas recebem e desdobram essas informações. A autonomia dos líderes também é medida como indicador de evolução. Esses KRs são acompanhados semanalmente para entender se estão fazendo diferença no dia a dia.

Como recado do coração, a mensagem central é acreditar no propósito. Sem acreditar, sem aquele tesão pelo que se faz, nada funciona. É preciso entender que a transformação vai fazer diferença para a empresa, vai gerar resultado e vai ser bom para a carreira. A transformação é uma jornada com altos e baixos, muitos capotes e pedras no caminho, mas o mais importante é respirar um dia de cada vez, resolver um problema de cada vez, focar e priorizar os problemas mais importantes. O VMO não sobrevive sem uma boa estratégia e uma boa transformação de pessoas. É um trabalho em conjunto, em várias áreas, e ninguém faz nada sozinho. A consultoria não é para dizer o que a gente já sabe, é para provocar.

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