
Ep. 114 - Branding, Rebranding e seu impacto nos negócios
Resumo rápido
Luciana Cristofari (K21) e Rafael Duzzi (DXA Invest) explicam o que é branding e rebranding, usando casos como Havaianas, Meta/Facebook, K21 e DXA Invest para mostrar quando faz sentido reposicionar uma marca e como medir se isso está funcionando.
Capítulos
- 02:48O que é branding, afinal?
- 06:53Rebranding na prática: o case Havaianas
- 10:12Facebook vira Meta: um rebranding de alto risco
- 18:04Da agilidade à inovação: o reposicionamento da K21 e o case DXA Invest
- 26:58Liderança e cultura: o rebranding também é feito de dentro para fora
- 30:33Arquitetura de marca: Unilever, Stone e produtos dentro de uma marca maior
- 34:40Quando fazer rebranding e como medir os resultados
Frases do episódio
O que você vai ouvir neste episódio
- A definição clara do conceito de rebranding e sua relação direta com os objetivos de negócios.
- Os principais motivos que levam uma empresa a buscar o reposicionamento estratégico de sua marca no mercado.
- A análise dos impactos reais que uma mudança de marca traz para a sustentabilidade da organização.
- Exemplos e conceitos práticos trazidos por especialistas de marketing e branding para orientar tomadas de decisão.
- O alinhamento entre a percepção pública da marca e a cultura interna da empresa durante a transição.
Temas discutidos
O rebranding ultrapassa a renovação visual e conecta-se diretamente à estratégia, cultura organizacional e liderança. Em contextos de mudança ou crescimento, o reposicionamento alinha a proposta de valor da empresa com as necessidades do mercado e as expectativas internas dos colaboradores. Compreender esse processo permite que lideranças de produto, marketing e negócios orientem a percepção do cliente enquanto mantêm a coerência operacional, transformando a identidade de marca em um ativo central para a evolução sustentável da organização.
Para quem é este episódio
Este episódio é indicado para líderes de marketing, gestores de produtos e executivos que precisam alinhar o posicionamento de mercado da empresa às suas metas estratégicas, além de profissionais envolvidos em processos de transformação cultural e comunicação organizacional.
Perguntas que este episódio ajuda a responder
O que é rebranding e como ele se aplica aos negócios?
Rebranding é o processo estratégico de reestruturar e atualizar o posicionamento de uma marca no mercado. Ele envolve mudar a forma como a empresa se comunica e é percebida pelos clientes, alinhando a identidade visual, os valores e a proposta de valor aos novos objetivos de negócio e às transformações do mercado.
Quais são os principais motivos para reposicionar uma marca?
Uma empresa decide reposicionar sua marca quando precisa se adaptar a mudanças no perfil do consumidor, fusões de mercado, novas metas de crescimento ou perda de relevância competitiva. O reposicionamento ajuda a renovar a percepção pública, refletir evoluções internas no modelo de atuação e fortalecer a conexão estratégica com o público-alvo.
Como a estratégia de rebranding impacta os resultados da empresa?
A estratégia de rebranding afeta o negócio ao esclarecer o valor entregue ao público, diferenciar a empresa de concorrentes e criar maior consistência na comunicação. Quando bem executado, o reposicionamento atrai novas oportunidades comerciais, fortalece o engajamento das equipes internas e sustenta o crescimento do negócio a longo prazo.
Sobre este episódio
Neste episódio do Love the Problem, Guga Moser recebe pela primeira vez Luciana Cristofari, líder de branding da K21, e Rafael Duzzi, Head de Marketing na DXA Invest, para discutir um tema inédito no podcast: branding e rebranding, e como esses processos impactam diretamente clientes e negócio.
A conversa começa definindo branding a partir da referência de Marty Neumeier (livro "The Brand Gap"): branding não é o que a marca fala sobre si mesma, é a percepção que os outros constroem a partir do contato com ela. Luciana destaca que isso vai muito além de logo e identidade visual, envolve posicionamento, promessa de marca e até a forma como colaboradores em contato com clientes, como um key account, se tornam embaixadores da marca através do próprio discurso e postura.
A partir dessa base, os convidados definem rebranding como um reposicionamento de marca com um novo objetivo: comunicar novos valores, alcançar uma nova percepção ou até resgatar uma percepção perdida. O primeiro case discutido é o das Havaianas, que reposicionaram a percepção de "produto barato e simples" para um item de moda valorizado internacionalmente, sem alterar o produto principal, abrindo espaço em um novo público de maior poder aquisitivo.
O segundo grande case é a transformação do Facebook em Meta, analisada com ressalvas: a mudança resolveu a confusão entre o nome da rede social e o da holding (que também reúne Instagram e WhatsApp), mas sinalizou uma aposta estratégica de alto risco no metaverso, em um momento de resultados considerados negativos pelo mercado. Os convidados questionam se valeu a pena assumir tanto risco sem que os produtos e os valores internos criticados pelo público, como privacidade e moderação de conteúdo, tenham mudado junto com o nome.
A discussão avança para exemplos internos: a K21 relata seu próprio movimento de deixar de se posicionar apenas como "empresa de agilidade" para assumir explicitamente sua entrega de inovação e resultado de negócio, a partir da escuta ativa de clientes e da observação de como concorrentes atendem fatias de mercado ainda não exploradas. Rafael conta o caso da própria DXA Invest, que deixou de ser uma gestora de fundos tradicional (DXA Investments) para se tornar uma fintech digital (DXA Invest), à medida que os investidores passaram a querer mais protagonismo nas decisões de investimento, mudança que também exigiu montar por dentro um time de tecnologia que antes não existia. Ambos os casos reforçam que um bom rebranding não é só comunicação: precisa vir acompanhado de mudança real na cultura e na operação interna, "vendida" primeiro para dentro de casa antes de ser comunicada para fora.
O episódio dedica um bloco ao papel da liderança e à visão de stakeholders para além do cliente final: lideranças precisam estar envolvidas desde o início de um processo de rebranding, e a marca também se comunica com colaboradores e candidatos (employer branding), investidores (investor branding) e fornecedores, cada grupo merecendo a mesma atenção de "se colocar no lugar de quem se relaciona com a marca". Em seguida, a conversa trata de arquitetura de marca, como organizar marcas e produtos dentro de uma empresa maior, usando os exemplos da Unilever, com marcas relativamente independentes sob uma holding, e da Stone, que cresce por aquisições e precisa decidir, produto a produto, se a marca da holding deve prevalecer ou se um produto merece identidade própria, dependendo de qual stakeholder ele atende.
Uma pergunta central do episódio é: quando vale a pena fazer um rebranding? Rafael propõe um critério prático: se a percepção atual da marca já é a desejada e está bem diferenciada da concorrência, não há motivo forte para mudar. O gatilho aparece quando a empresa quer expandir, alcançar um novo público ou mudar de categoria, como fez a Nespresso, que manteve o nome mas ampliou sua percepção de café solúvel para uma categoria própria de máquinas e cápsulas. Neumeier é citado novamente: se a marca não consegue ser número um ou dois em sua categoria, pode valer a pena migrar para uma categoria onde consiga liderar.
Sobre métricas, Luciana descreve como a K21 usa entrevistas, personas e uma abordagem de "fit for purpose" para checar se o propósito do cliente está sendo atendido, além de medir alinhamento interno aos valores da marca. Rafael complementa com métricas qualitativas como lealdade à marca, reconhecimento de marca, qualidade percebida frente à proposta de valor única e associação de marca. Guga conecta o tema a um vídeo de Gibson Biddle sobre a estratégia de produto da Netflix (encantar clientes, crescer margem e construir algo difícil de copiar) e ao livro "Zero to One", de Peter Thiel, sobre diferenciação como caminho para um tipo saudável de monopólio.
O episódio fecha com recomendações práticas: conversar regularmente com clientes, observar concorrentes diretos e indiretos, mapear a jornada do cliente para entender como a marca é percebida em cada etapa, e lembrar que branding é estratégia: antes de comunicar para fora, é preciso alinhar por dentro. Os convidados destacam a construção de confiança como objetivo final de qualquer trabalho de marca e recomendam leituras como "The Brand Gap", "The Mom Test" e a prática de desenvolver a habilidade de fazer boas perguntas.
Transcrição completa
Este episódio do Love the Problem traz um tema inédito no podcast: branding e rebranding. Guga Moser recebe duas participações também inéditas: Luciana Cristofari, líder de branding da K21, e Rafael Duzzi, Head de Marketing na DXA Invest.
A conversa começa com uma pergunta de base: afinal, o que é branding? Luciana explica que o conceito vai muito além de uma identidade visual: envolve o posicionamento da marca, sua promessa e como ela quer ser vista e percebida pelo consumidor. Rafael reforça a ideia citando Marty Neumeier e o livro "The Brand Gap": branding não é o que você fala sobre si mesmo, é o que os outros falam de você, é a percepção que as pessoas constroem a partir do contato com a marca. Por isso, dizem os dois, branding vai muito além do logo e da identidade visual: envolve a forma como uma empresa é percebida em cada ponto de contato. Luciana lembra que a marca também "tem corpo": colaboradores que interagem com clientes, como um key account ou um líder comercial, são embaixadores da marca, porque seu discurso e sua postura comunicam os valores dessa marca tanto quanto qualquer peça de comunicação.
A partir daí, os convidados definem rebranding como a atividade de gestão e desenvolvimento de marca aplicada com um novo objetivo: comunicar novos valores, alcançar uma nova percepção do público ou até resgatar uma percepção que a marca tinha no passado e perdeu. Luciana traz o exemplo das Havaianas: a marca era associada a um produto barato e simples, e um reposicionamento a transformou em referência de moda brasileira reconhecida internacionalmente, sem mudar o produto (a sandália de tiras de borracha), mas mudando radicalmente a percepção sobre ele e abrindo espaço em uma classe social que antes não era atendida.
O segundo case discutido em profundidade é a transformação do Facebook em Meta. Rafael observa que a mudança de nome resolveu um problema real (o nome Facebook designava ao mesmo tempo a rede social e a holding que também reúne Instagram e WhatsApp), mas também sinalizou uma aposta estratégica no metaverso como próximo estágio do setor. Ele pondera que a decisão gerou expectativas altas entre investidores, seguidas por resultados considerados negativos, e questiona se valeu a pena assumir tanto risco em um segmento ainda pequeno sem que os produtos e os valores internos percebidos pelos usuários (como as críticas históricas sobre privacidade e moderação de conteúdo) tenham mudado junto. Luciana complementa que o caso mostra como o rebranding impacta diretamente clientes e negócio; não é só uma mudança gráfica, mas envolve estratégia e os valores de quem opera a marca por dentro.
Guga puxa a discussão para a conexão entre rebranding e estratégia de negócio, e Luciana traz um exemplo vivido de dentro da própria K21: a empresa é historicamente reconhecida como uma "empresa de agilidade", mas a liderança percebeu que o valor de fato entregue ao cliente é inovação e resultado de negócio, e que seguir se posicionando apenas como "empresa de agilidade" limitava o alcance a um nicho específico. O movimento de reposicionamento nasce, segundo ela, de ouvir o cliente (inclusive em conversas informais, não só em pesquisas formais) e de observar o que os concorrentes estão endereçando no mercado.
Rafael traz um segundo case prático, o da própria DXA Invest: a empresa começou como uma gestora de fundos de investimento chamada DXA Investments, um modelo em que o investidor confiava toda a decisão a um gestor. Ao perceber que os clientes queriam ter mais protagonismo nas escolhas de investimento, a empresa criou uma carteira administrada digital e mudou o nome para DXA Invest, uma mudança sutil no nome, mas profunda na proposta: de gestora para fintech de tecnologia, o que também exigiu montar internamente um time de engenharia e produto que antes não existia. Rafael resume: foi um rebranding que não ficou só "da boca para fora", também mudou "da boca para dentro", ou seja, a forma como a empresa funciona.
Luciana reforça esse ponto: branding não pode ser dissociado de cultura. Antes de comunicar a mudança para fora, é preciso um processo de internalização, vender a nova promessa para dentro de casa e engajar as pessoas nesse novo posicionamento, para que o discurso fique alinhado.
Sobre o papel da liderança, os dois concordam que lideranças precisam estar envolvidas desde o início de um processo de rebranding, participando da construção e não apenas recebendo a decisão pronta, porque isso facilita entender o impacto no negócio e coordenar a mudança internamente. Rafael amplia a lente dos stakeholders: além do cliente, há o employer branding (como a empresa se comunica com talentos e futuros colaboradores, incluindo presença no LinkedIn e comunicação de RH), o investor branding (como investidores percebem a empresa) e o branding voltado a fornecedores, todos merecendo o mesmo cuidado de "se colocar no lugar" de quem interage com a marca.
A conversa avança para arquitetura de marca: como organizar marcas e produtos dentro de uma empresa maior. Rafael usa a Unilever, com múltiplas marcas relativamente independentes sob uma mesma holding, e a Stone, que cresceu por aquisições e enfrenta o desafio de decidir se um produto adquirido deve carregar a marca "Stone" ou seguir com identidade própria, dependendo de qual stakeholder aquele produto atende (o lojista, o gestor financeiro, o CFO). Às vezes um produto interno amadurece a ponto de virar um spin-off com marca própria, como às vezes acontece em software houses.
Uma das perguntas centrais do episódio é: quando, de fato, vale a pena fazer um rebranding? Rafael admite não ter uma fórmula fechada, mas propõe um teste: se a forma como a marca é percebida hoje já é a forma como a empresa deseja ser percebida, e essa percepção está bem diferenciada da concorrência, não há motivo forte para mudar: "você não conserta o que não está quebrado". A necessidade de rebranding aparece quando a empresa quer expandir, atingir um novo público ou mudar de categoria. Ele cita o exemplo da Nespresso, que manteve o nome mas expandiu de café solúvel para uma categoria de máquinas e cápsulas, mudando a percepção de valor sem trocar a identidade. E cita novamente Neumeier: se você não consegue ser o número um ou dois em uma categoria, pode valer a pena criar ou migrar para uma categoria onde você consiga liderar, como fez, segundo ele, o antigo processador de texto Framework ao se reposicionar perto da categoria de diagramação/publicação, onde teve mais espaço para se destacar.
Sobre métricas, Luciana explica que a K21 acompanha a percepção interna de alinhamento aos valores da marca e usa entrevistas com clientes, personas e uma metodologia de "fit for purpose" para entender se o propósito do cliente está sendo atendido pelo produto ou serviço entregue. Rafael acrescenta métricas mais qualitativas, como lealdade à marca (o quanto um cliente trocaria a marca por outra), reconhecimento de marca, qualidade percebida frente à proposta de valor única (unique selling proposition) e associação de marca (que adjetivos os clientes usam para descrever a marca), métricas difíceis de tornar totalmente objetivas, mas específicas o suficiente para orientar decisões.
Guga conecta o tema a uma referência sobre estratégia de produto: um vídeo de Gibson Biddle, ex-VP de Produto da Netflix, que resume a estratégia da empresa em três pilares: encantar os clientes, crescer a margem e construir algo difícil de copiar, e observa como isso se conecta à percepção de marca que permite à Netflix aumentar preços sem o mesmo questionamento que outros produtos enfrentariam. Rafael relaciona a discussão ao livro "Zero to One", de Peter Thiel, sobre como toda empresa deveria buscar um tipo de "monopólio" baseado em diferenciação genuína, e não em eliminar a concorrência.
Para fechar, os convidados deixam recomendações práticas: conversar com o cliente regularmente, observar concorrentes diretos e indiretos, mapear a jornada do cliente para entender como a marca é percebida em cada etapa, e lembrar que branding é estratégia de negócio: antes de comunicar para fora, é preciso alinhar por dentro. Rafael reforça a leitura de "The Brand Gap" e destaca que a construção de confiança é o objetivo final de qualquer trabalho de marca; quando essa confiança falha, a marca precisa ser reforçada ou mudada. Guga soma a dica de desenvolver a habilidade de fazer boas perguntas, citando os livros "The Mom Test", "Show Your Work" (Cintia Van Gogh, mencionado na conversa) e uma recomendação recebida por indicação, "Uma Pergunta Mais Bonita".
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