
Xadrez Corporativo Ep. 10 - Mentalidade Investidora dentro das organizações
Resumo rápido
No Xadrez Corporativo, CFC e Rafa Duzzi (Head de Produtos na DXA Invest) mostram como a mentalidade investidora, saber vender e simplificar o valor gerado, buscar equity de forma estruturada e cultivar conflitos saudáveis, pode transformar a forma como colaboradores e líderes atuam dentro das organizações.
Capítulos
- 00:20Abertura do Xadrez Corporativo e apresentação dos convidados
- 03:00A experiência de Rafa Duzzi com processos de IPO (Stone e VTEX)
- 08:44Sequoia Capital, Peter Thiel e a arte de vender e simplificar o valor da empresa
- 19:55Equity como ferramenta para traduzir incerteza em certeza e estimular ambição
- 33:24Ser sócio e a importância dos conflitos saudáveis nos times
- 43:40O que buscar em quem quer se tornar sócio: melhoria contínua e medir o valor gerado
- 53:26Encerramento: dicas finais e referências de CFC e Rafa
Frases do episódio
O que você vai ouvir neste episódio
- A adoção da mentalidade investidora ajuda lideranças a tomarem decisões mais conscientes sobre a alocação de recursos estratégicos.
- Raphael Dusi e CFC discutem a relação entre o perfil investidor e a retenção de talentos em grandes empresas.
- O episódio analisa como gerenciar a própria carreira e projetos utilizando visões de risco e retorno financeiro.
- Guga Moser conduz o debate focando na importância da visão de negócios para se movimentar no Xadrez Corporativo.
- Líderes precisam aprender a interagir com profissionais de perfil investidor para otimizar os resultados organizacionais.
Temas discutidos
O conceito de mentalidade investidora conecta-se diretamente à gestão de produtos e à liderança ágil ao transformar a maneira como projetos e talentos são avaliados. Em vez de focar apenas no cumprimento de tarefas, líderes que pensam como investidores priorizam o valor entregue e o retorno estratégico dos investimentos. Essa abordagem fortalece a cultura organizacional, alinhando a tomada de decisão com os objetivos de longo prazo do negócio e permitindo movimentações mais assertivas na complexidade do ambiente corporativo.
Para quem é este episódio
Este conteúdo é recomendado para Product Managers, diretores e líderes de engenharia ou operações que buscam aprimorar sua visão de negócios. Também beneficia profissionais em transição de carreira ou executivos que pretendem tomar decisões alinhadas à gestão de riscos e alocação estratégica de recursos nas organizações.
Sobre a série Xadrez Corporativo
Xadrez Corporativo trata das jogadas invisíveis da vida nas empresas: política, poder, conflitos entre áreas, negociação e os movimentos que determinam se uma iniciativa avança ou morre. A série discute o tabuleiro organizacional com franqueza, ajudando quem lidera transformações a antecipar reações e escolher a melhor jogada.
Ver todos os episódios da série Xadrez CorporativoPerguntas que este episódio ajuda a responder
O que é a mentalidade investidora no contexto corporativo?
A mentalidade investidora no ambiente corporativo refere-se à capacidade de avaliar projetos, talentos e iniciativas sob a ótica de risco, retorno e alocação estratégica de recursos. Em vez de atuar apenas como executores, os profissionais analisam o impacto de longo prazo de suas decisões para o negócio, otimizando investimentos e potencializando resultados em grandes organizações.
Por que lideranças devem aprender a pensar como investidoras?
Líderes que pensam como investidores conseguem tomar decisões mais fundamentadas sobre onde aplicar tempo, orçamento e capital humano. Essa postura melhora a negociação interna no Xadrez Corporativo, ajuda a atrair e reter talentos com visão empreendedora e garante que os esforços da equipe estejam diretamente alinhados aos objetivos estratégicos da empresa.
Como a mentalidade investidora se relaciona com a gestão de produtos?
Na gestão de produtos, pensar como investidor significa tratar funcionalidades e iniciativas como hipóteses de investimento. Isso exige avaliar constantemente o valor gerado em relação ao custo de desenvolvimento, gerenciar riscos e saber quando direcionar mais recursos ou pivotar uma estratégia para maximizar o retorno do produto no mercado.
Sobre este episódio
Neste episódio do Xadrez Corporativo, Guga Moser recebe CFC e Rafa Duzzi, Head de Produtos na DXA Invest, para discutir um tema inédito no podcast: como a mentalidade do investidor pode ajudar colaboradores e líderes dentro das organizações, mesmo quando eles não são sócios formais do negócio.
A conversa começa com Rafa contando sua experiência participando de dois processos de IPO, na Stone, como colaborador de marketing, e na VTEX, como consultor. Ele descreve o processo de "Roadshow", em que executivos apresentam o diferencial competitivo da empresa a grandes bancos e investidores institucionais, e destaca o desafio de reduzir todo o valor de um negócio a uma apresentação simples e convincente. Essa experiência o levou à DXA Investments, onde hoje ajuda a apresentar de forma clara o valor de empresas menores que buscam investimento, um trabalho que deu origem a um produto próprio da gestora para apresentar oportunidades de investimento em empresas privadas no Brasil.
A partir daí, os convidados discutem por que essa visão de investidor interessa a qualquer colaborador, não só a quem gerencia investimentos. CFC observa que a resistência de muita gente em "pensar como dono" é uma visão míope, já que gerar valor de forma clara beneficia tanto a empresa quanto o próprio profissional. Rafa reforça esse ponto citando o exemplo da Sequoia Capital, que avalia milhares de empresas por ano para escolher poucas, e lista os pontos que costumam compor uma boa apresentação de valor: visão da empresa, modelo de negócio, precificação, roadmap e concorrência. Ele também recorre ao livro "Zero to One", de Peter Thiel, para defender que o verdadeiro diferencial competitivo vem de construir algo tão novo que não possa ser copiado.
O episódio avança para as habilidades de vender e simplificar. CFC, que veio de uma carreira técnica, relata como superou o preconceito contra "se vender" ao entender que toda comunicação já envolve vender uma ideia, e que simplificar essa ideia em poucos pontos certeiros é uma arte difícil. Uma anedota sobre o coelho da Páscoa, que "vende ovos" sem produzi-los, ilustra como valor intangível (branding, experiência) pode ser tão relevante quanto o produto em si. Essa reflexão leva à discussão sobre como líderes podem transformar leitura de cenário em narrativas que engajam pessoas dentro de produtos, projetos e transformações organizacionais, sempre com autenticidade, já que vender não significa contar algo em que não se acredita.
Uma parte significativa da conversa é dedicada ao papel do equity como ferramenta prática para instalar a mentalidade de investidor nos times. Rafa explica como um bom gestor traduz incerteza em certeza para seus liderados, e como estruturar formalmente a oferta de equity pode ser uma forma concreta de fazer isso, ao mesmo tempo em que estende o horizonte de quem passa a pensar em cinco ou dez anos à frente, e não apenas na meta do trimestre. CFC complementa com a ideia da "cenourinha positiva": estimular a ambição das pessoas com desafios reais, evitando tanto a armadilha de podar sonhos alheios quanto o uso tóxico do equity como "gaiola de ouro". Rafa ilustra com um exemplo pessoal de sua passagem pela Stone, em que passou a valorizar o atendimento ao cliente, inicialmente visto como tarefa desgastante, ao entender, como sócio, o valor estratégico de resolver rapidamente os problemas dos clientes.
A discussão em seguida se volta para como o equity muda a disposição das pessoas para ter conflitos saudáveis. CFC e Rafa argumentam que sócios têm mais motivo para discordar abertamente e confrontar decisões, porque compartilham risco pessoal e reputação, e porque, no fundo, estão alinhados em torno dos mesmos objetivos, diferente de colaboradores não sócios, que podem estar defendendo apenas o sucesso da própria área. Rafa detalha como a DXA atua como gestora que representa e protege seus investidores, mantendo conselhos consultivos e conversas difíceis com os empreendedores das empresas investidas, sempre com foco no médio e longo prazo: a gestora costuma permanecer pelo menos cinco anos em cada investimento.
Ao discutir o que leva alguém a se tornar sócio de fato, CFC compartilha uma reflexão pessoal, usando a filha pequena como analogia: se pudesse desejar uma única coisa para ela, seria um espírito genuíno de melhoria contínua, ligado diretamente à ambição, características que ele associa à capacidade de romper com uma criação marcada por medo e limitação. Rafa complementa com sua própria obsessão em medir o valor que gera em diferentes dimensões da vida, citando Paul Graham, fundador da aceleradora Y Combinator, e sua forma de pensar matematicamente sobre quanto equity oferecer a alguém em troca do valor que essa pessoa pode gerar. Ele conecta essa lógica ao próprio trabalho da K21, em que mostrar resultados concretos facilita justificar investimentos, sejam eles financeiros ou em forma de equity.
O episódio se encerra com recomendações finais dos convidados: CFC destaca o livro de Ben Horowitz sobre as escolhas difíceis de quem lidera empresas em crescimento, reforçando que decisões pragmáticas fazem parte do jogo quando não há geração de valor suficiente. Rafa cita o investidor Naval Ravikant e a importância de jogar jogos de longo prazo ao lado de pessoas comprometidas com o longo prazo. Guga fecha com duas recomendações próprias: o livro "Empatia Assertiva", de Kim Scott, sobre confrontar diretamente sem deixar de se importar genuinamente com as pessoas, e o livro "Princípios", de Ray Dalio, cuja ideia central citada é que priorizar o conforto em vez do sucesso tende a prejudicar a todos, e que a felicidade está mais ligada à qualidade das relações do que ao enriquecimento.
Transcrição completa
Rafa Duzzi, Head de Produtos na DXA Invest, é o convidado deste episódio do Xadrez Corporativo, ao lado do CFC, para falar de um tema inédito no podcast: a mentalidade do investidor e como ela pode ajudar quem trabalha dentro de organizações.
Rafa conta que teve o privilégio de participar de dois processos de IPO, sempre como colaborador, nunca como quem embolsou o cheque do investimento. Ele explica brevemente como funciona um IPO: a empresa quer receber investimento e precisa se mostrar atraente para investidores grandes, o que nem sempre é óbvio quando se fala de bilhões de dólares. Nesse processo existe o chamado Roadshow, em que executivos e às vezes empreendedores se reúnem com grandes bancos e investidores institucionais para apresentar o diferencial competitivo da empresa. Montar essa apresentação é desafiador porque é preciso reduzir todo o valor e o conceito de uma empresa a algo simples de compreender para investidores que talvez nem estejam acostumados àquele mercado.
Rafa trabalhou nesse tipo de apresentação em duas empresas: na Stone, como colaborador do time de marketing, trazendo a perspectiva de branding para os bancos dos Estados Unidos; e depois como consultor no processo de IPO da VTEX. Dessa experiência com mercado de capitais aberto, com sua formação em marketing, ele foi chamado pela DXA Investments para apresentar de forma clara o valor de empresas menores, que recebem investimentos de 5, 10 ou 15 milhões de reais, bem diferente da escala de um IPO. Esse trabalho de tornar materiais sensíveis mais acessíveis acabou virando um produto próprio da DXA para apresentar oportunidades de investimento em empresas privadas no Brasil, tanto em private equity quanto em venture capital. Hoje ele também transita para o time de produto e é sócio da DXA.
Rafa destaca que essa visão do investidor não interessa só a quem gerencia investimentos, mas também pode ser valiosa para qualquer colaborador dentro de uma empresa.
CFC reforça a importância do tema: a visão de "ser empreendedor" ou "ter visão de dono" muitas vezes é descartada por quem se considera apenas funcionário, numa postura que ele chama de míope. Para ele, mesmo em um cargo de liderança contratado, vale a pena entender essas ideias, e, se não servir para a empresa, ao menos serve para o próprio profissional.
Voltando ao tema das apresentações, Rafa cita o exemplo da Sequoia Capital, uma das grandes gestoras de investimento em empresas inovadoras: segundo ele, a Sequoia já chegou a avaliar cerca de 6 mil empresas em um ano para escolher apenas 20. Ou seja, em pouquíssimo tempo é preciso deixar claro por que aquela empresa é valiosa e vai gerar retorno. A própria Sequoia recomenda que esse tipo de apresentação cubra a visão da empresa, o modelo de negócio, a estratégia de precificação, o roadmap de desenvolvimento e a lista de competidores, pontos que todo colaborador deveria entender para perceber o quão estratégica é sua área e quanto valor de fato está gerando.
Para ilustrar essa ideia de valor e diferenciação, Rafa recorre ao livro "Zero to One", de Peter Thiel (fundador do PayPal e primeiro investidor do Facebook). Segundo ele, Thiel defende que o monopólio, não no sentido de destruir a concorrência de forma desleal, mas de construir algo tão novo que não exista nada igual, é o elemento de sucesso de uma empresa verdadeiramente inovadora. Rafa diz que tenta aplicar esse tipo de avaliação, típica de investidor, em todos os lugares onde trabalhou, e que hoje, na DXA, sente que estão construindo algo único no Brasil. Ele também menciona que Thiel associa o verdadeiro progresso da humanidade não à globalização, mas à tecnologia, à capacidade de criar soluções para problemas ainda não resolvidos.
A fala de Rafa leva CFC a puxar dois pontos: a importância de saber vender e a de saber simplificar. Vindo de uma carreira técnica em TI, ele conta que via colegas "se vendendo" e pensava que isso era superficial, até entender que vender é parte do jogo, porque comunicar já é, no fundo, vender uma ideia. E simplificar é uma habilidade difícil: reduzir a história de uma empresa a poucos "pitch points" certeiros exige acertar exatamente no que importa para quem está ouvindo. CFC ilustra com uma imagem de humor que viu no fim de semana, de duas aves questionando por que um coelho da Páscoa "vende ovos" sem nem os produzir, e usa isso para mostrar que o coelho, mesmo sem produzir o ovo, agrega um valor intangível enorme (branding, experiência) que justifica o preço do produto. Guga conecta essa reflexão à habilidade, muito falada na K21, de ler cenários e transformar essa leitura em narrativas que conectam e engajam pessoas dentro das organizações, seja em produtos, em transformação ou em projetos.
CFC completa que ser intencional em construir essa narrativa, com autenticidade, é fundamental: vender não é contar algo em que não se acredita, e sim praticar de fato os valores que se defende, porque, caso contrário, o discurso se desmancha rápido. Ele observa que muita gente que ocupa posições de gestão média se sente presa a "fazer o que o chefe manda" e nunca chega a exercitar essa intencionalidade, mesmo tendo o sonho de empreender, e cita conhecidos que quiseram pular direto de funcionários para empreendedores, sem passar por esse aprendizado gradual, e fracassaram.
Rafa amplia o raciocínio trazendo a ideia de que um bom gestor traduz incerteza em certeza para o seu time, e que, quanto mais alto na hierarquia, mais incerto costuma ser o que se está traduzindo. Uma forma concreta de trazer essa certeza para os liderados é estruturar como a empresa oferece equity, algo que na maioria das empresas é tratado de forma informal. Quando um gestor ajuda a estruturar esse processo para si e para o time, ajuda a instalar de fato a mentalidade de investidor nos colaboradores. Assumir um pouco do risco de ser sócio, mesmo que muito menor que o dos fundadores, muda o horizonte de quem passa a olhar não apenas para a meta trimestral, mas para onde a empresa estará em cinco ou dez anos. Rafa comenta que, na DXA, esse tipo de investimento em processos e relacionamento estruturado com as empresas investidas é uma aposta de longo prazo.
CFC entra no tema do equity como "cenourinha": ele defende que existe uma diferença entre usar o equity de forma tóxica (prender a pessoa numa "gaiola de ouro") e usá-lo para estimular a ambição de forma saudável, dando desafios e espaço para quem quer crescer, inclusive porque, quando um liderado cresce, quem lidera também ganha espaço para crescer.
Guga retoma a discussão trazendo a perspectiva de engajamento: equity pode tornar a empresa mais atrativa para pessoas que buscam mais do que remuneração. Rafa concorda e explica que, ao receber equity, a pessoa passa a se sentir dona de verdade (apesar de períodos de vesting) e não apenas alguém que cumpre um cargo. Ele dá um exemplo pessoal: na Stone, cuidar do atendimento e suporte ao cliente era uma tarefa que ele via como cansativa e fora do seu escopo original em marketing, mas que passou a valorizar como sócio, porque resolver rápido o problema do cliente evitava detratores e ainda gerava informações valiosas sobre falhas e oportunidades do produto. Foi essa visão de dono que o fez enxergar valor num trabalho que muita gente considera chato.
Rafa também relata ter ouvido, em conversas recentes com executivos do mercado financeiro, frases de fundadores dizendo aos sócios "vocês são tão donos quanto eu disso aqui", reforçando que abrir mão de uma fatia do equity não é perder, é ganhar, porque é melhor ter uma fatia menor de um negócio muito maior. Ele lembra ainda uma frase usada por Garrido, da K21: "você quer ser o mais rico entre os pobres ou o mais pobre entre os ricos?". Rafa completa que virar sócio é como "casar": exige acreditar de verdade no negócio e estar disposto a discordar e ter conflitos saudáveis, porque um sócio não pode simplesmente aceitar calado uma decisão com a qual discorda.
Guga puxa esse fio para falar sobre a importância dos conflitos saudáveis nos times de alta performance, aqueles que conseguem ter conversas difíceis, discordar e confrontar inclusive hierarquicamente, de forma produtiva. CFC reforça com uma analogia: um funcionário talvez deixe passar uma decisão que travaria o crescimento da empresa por puro desgaste político, porque isso não afeta sua meta pessoal; já um sócio tem bens pessoais e reputação envolvidos, o que muda o peso da decisão de enfrentar aquele conflito. Ele conta, sem citar nomes, que já errou ao dar equity apenas "porque é moda", sem clareza sobre a responsabilidade e o papel esperado de quem recebe, o que pode virar uma "gaiola de ouro" disfarçada.
Rafa concorda: quando as pessoas são sócias, é mais fácil estarem alinhadas em dizer verdades difíceis, porque no fundo querem a mesma coisa, diferente de duas pessoas não sócias, que podem estar defendendo interesses distintos (o sucesso do próprio time, do próprio orçamento). Ele conta que, na DXA, depois de formalizarem as sociedades internas, as conversas difíceis entre as áreas aumentaram, o que considera positivo. Ele também descreve como a DXA atua como gestora que representa e protege seus investidores: instituindo conselhos consultivos e mantendo conversas difíceis com os empreendedores das empresas investidas, inclusive sobre alinhamento de pessoas do C-level. Rafa faz questão de separar essa postura de uma visão puramente predatória de investidor: ele descreve ter ouvido a comparação de que faturamento é como comida, pode ser bom ou ruim, dependendo de como é obtido, e que buscar lucro sem olhar para a sustentabilidade de longo prazo não é o tipo de investimento que a DXA pratica. A DXA costuma permanecer pelo menos cinco anos numa empresa investida, e só sai antes se o mercado acelerar mais rápido do que o esperado.
Guga conecta tudo isso à pergunta de como alguém se torna sócio de fato: o que fundadores e investidores buscam em quem tem essa ambição. CFC responde com uma analogia pessoal, pensando na filha pequena: se pudesse desejar uma única coisa para ela, seria um espírito de melhoria contínua verdadeiro, aquele inconformismo de nunca achar que "já está bom", ligado diretamente à ambição. Ele reconhece que, culturalmente, muita gente é criada para andar "com o freio de mão puxado", cheia de medos (como o medo do boleto), o que trava o sonho de empreender ou investir. Ele relaciona essa reflexão à própria trajetória, vindo de uma família de classe média baixa no Rio de Janeiro, e ao desejo de que a próxima geração não perca a "sede" de melhorar.
Rafa complementa trazendo sua própria obsessão em medir o valor que gera, financeiramente, em felicidade, em problemas resolvidos para os outros. Ele lembra que equity é algo que é dado, não apenas conquistado, e cita como referência Paul Graham, fundador da aceleradora Y Combinator, que propõe uma forma de pensar matematicamente sobre quanto equity oferecer a alguém: se o valor que essa pessoa gera supera a fatia entregue, o resultado já é positivo para quem investe. Rafa conecta essa lógica ao próprio trabalho da K21: mostrar resultados concretos (como os números de cases e iniciativas) facilita justificar o investimento que uma empresa faz ao contratar a consultoria, da mesma forma que facilita justificar dar equity a alguém.
CFC acrescenta que também é papel do empreendedor saber "matar" uma iniciativa ou negócio quando o retorno se esgota, e que aprender cedo a associar o salário ou o negócio que se quer construir ao valor real que se gera destrava decisões mais intencionais na carreira.
Encerrando o episódio, os dois convidados deixam recomendações finais. CFC recomenda o livro de Ben Horowitz sobre as escolhas difíceis de quem está crescendo uma empresa, destacando que um investidor não tem pena: decisões pragmáticas são tomadas quando não há geração de valor suficiente, e entender isso torna o jogo mais leve. Ele também presta uma homenagem ao Magno, que não pôde participar da gravação por um problema pessoal, lembrando a frase dele de que ideias, por si só, valem pouco. Rafa cita o investidor e empreendedor Naval Ravikant, reforçando a ideia de jogar jogos de longo prazo ao lado de pessoas também comprometidas com o longo prazo, e observa que o investidor que só pensa no curto prazo tende a ser mais frustrado e ansioso. Guga fecha com duas recomendações: o livro "Empatia Assertiva", de Kim Scott, sobre a importância de se importar genuinamente com as pessoas e, ao mesmo tempo, confrontar diretamente; e o livro "Princípios", de Ray Dalio, do qual destaca a ideia de que priorizar o conforto em vez do sucesso tende a produzir resultados piores para todos, e que a felicidade está mais ligada à qualidade das relações do que ao enriquecimento em si, por isso investir na qualidade das relações é o que permite construir coisas relevantes, para o time, para os clientes e para a sociedade.
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