
Ep. 60 - Segmentação de Clientes e Estratégia de Negócios com Fit-for-purpose (F4P)
Resumo rápido
Neste episódio, Andressa Chiara e Rodrigo Rolo detalham como usar os Fit for Purpose Cards para construir uma matriz de segmentação de seis quadrantes, cruzando alinhamento estratégico com nota de satisfação, revelando, através do próprio caso interno da K21, como abandonar conscientemente certos propósitos pode ser a decisão de maior retorno de uma estratégia de produto.
Capítulos
- 12:13O erro do tarefismo estendido à pesquisa
- 20:18O trabalho artesanal de agrupar propósitos
- 30:16Dentro do público-alvo e positivo: fazer um escândalo
- 37:41Fora do público-alvo e negativo: a decisão de abandonar
- 41:26Fora do público-alvo e neutro: o case da certificação na K21
- 42:22O quadrante favorito: a surpresa positiva inesperada
- 51:02O case interno: o slogan 'transformação digital' da K21
Frases do episódio
O que você vai ouvir neste episódio
- A importância de conectar o perfil e o propósito dos clientes com os rumos estratégicos da organização.
- A utilização do framework Fit-for-purpose (F4P) para entender adequadamente a visão e necessidade real do consumidor.
- Como a segmentação baseada em F4P auxilia equipes a priorizar melhorias nos serviços prestados pelas empresas.
- A tomada de decisão consciente sobre a eliminação ou descarte de produtos que não atendem ao seu propósito.
Temas discutidos
O episódio analisa como o alinhamento estratégico entre produtos e necessidades reais dos clientes impacta a gestão moderna. No contexto de gestão de produtos e agilidade, o uso do Fit-for-purpose proporciona clareza para a tomada de decisões corporativas eficientes. Lideranças que adotam essa abordagem conseguem mover o foco da simples entrega de funcionalidades para a geração de valor efetivo. Isso transforma a cultura organizacional, permitindo identificar serviços que devem evoluir e direcionando recursos com precisão aos propósitos que sustentam o negócio.
Para quem é este episódio
Este conteúdo é direcionado a Product Managers, líderes estratégicos e Agile Coaches que buscam aprimorar o direcionamento de seus produtos. Profissionais dessas áreas aprenderão a conectar métricas de satisfação às metas da organização, otimizando decisões sobre quais soluções manter ou descontinuar.
Perguntas que este episódio ajuda a responder
Como o framework Fit-for-purpose ajuda na estratégia de negócios?
O framework Fit-for-purpose (F4P) ajuda a categorizar os clientes com base nos motivos reais pelos quais eles utilizam um serviço ou produto. Ao entender esse propósito, a organização consegue alinhar suas ações estratégicas para atender a essas expectativas específicas, direcionando esforços para melhorias reais e evitando investimentos em funcionalidades que não trazem valor estratégico.
Por que apenas entender o cliente não é suficiente para a estratégia?
Entender quem é o cliente é um passo inicial, mas não garante que o produto esteja alinhado ao seu propósito de uso real. A estratégia exige conectar as necessidades dos consumidores aos objetivos organizacionais. Sem essa ponte, a empresa corre o risco de investir em melhorias irrelevantes ou manter serviços que deveriam ser descontinuados.
Como saber o momento de descartar um serviço ou produto?
A decisão de descartar uma oferta surge quando a análise via Fit-for-purpose indica que o serviço não atende mais à finalidade desejada pelo cliente nem sustenta a estratégia do negócio. Ao identificar essa inadequação, os gestores obtêm clareza para descontinuar produtos defasados e redirecionar recursos para iniciativas que realmente geram impacto positivo.
Sobre este episódio
Neste terceiro episódio sobre Fit for Purpose, Lula recebe Andressa Chiara e Rodrigo Rolo, Product Manager e Chapter Lead de produtos na VR, para aprofundar como usar os Fit for Purpose Cards para segmentação de clientes e definição de estratégia.
É apontado o principal erro ao interpretar essa pesquisa: o 'tarefismo estendido à pesquisa', achar que os dados sozinhos dizem o que fazer, quando na verdade é preciso decidir antes quais propósitos a estratégia realmente quer atender, como fez o Nubank ao escolher atacar poucos propósitos com precisão. É detalhada a etapa artesanal e não automatizável de agrupar respostas abertas em categorias de propósito coerentes com a estratégia, ilustrada pelo exemplo de uma pizzaria decidindo como tratar 'comida' como propósito.
A matriz de segmentação cruza alinhamento estratégico (dentro ou fora do público-alvo) com nota de satisfação (negativa, neutra, positiva), gerando seis estratégias: pivotar, ajustar e estimular/amplificar para propósitos dentro do público-alvo; abandonar, monitorar e, o quadrante favorito de ambos os convidados, aproveitar uma surpresa positiva inesperada para propósitos fora do público-alvo. É destacado que abandonar conscientemente um segmento mal avaliado e fora da estratégia costuma ser a decisão de maior retorno sobre investimento.
É compartilhado um case interno real e revelador da K21: o propósito 'transformação digital', literalmente o slogan da empresa na época, apareceu avaliado negativamente. A investigação revelou que quem usava essa expressão a entendia mal, enquanto quem buscava transformação genuína usava outras palavras, levando a empresa a reformular seu posicionamento para 'Business Evolution Powered by True Agile'. O episódio encerra com Rolo compartilhando que seu próprio propósito original ao buscar a K21 era puramente obter certificação, até ser convencido, já no primeiro dia de treinamento, de que existiam propósitos mais valiosos para sua carreira.
Transcrição completa
Neste terceiro episódio sobre Fit for Purpose (F4P), Lula recebe novamente Andressa Chiara, além de Rodrigo Rolo, Product Manager e Chapter Lead de produtos na VR, para aprofundar como usar os resultados dos Fit for Purpose Cards para segmentação de clientes e definição de estratégia de negócio.
É explicado que, para produtos já existentes, o Fit for Purpose ajuda a entender os propósitos reais dos consumidores atuais; para produtos novos, a lógica é diferente: usa-se o framework para validar hipóteses (inspiradas em Marty Cagan) sobre se o problema realmente existe, se a solução resolve, se o cliente pagaria por ela e se é escalável, sempre ancorado na realidade concreta de como as pessoas resolvem esse problema hoje, e não em especulação sobre o futuro.
Os Fit for Purpose Cards são, essencialmente, uma pesquisa: pergunta-se ao cliente qual é o seu propósito ao usar o produto, pede-se uma nota de 0 a 5 para o quanto esse propósito foi atendido, e pede-se um comentário explicando essa nota. Rodrigo Rolo compartilha sua própria experiência aplicando o framework para entender por que POs e PMs comparecem aos encontros quinzenais de chapter que ele organiza na VR.
É apontado o principal erro (pitfall) ao interpretar esses resultados: tratar a pesquisa como se ela fosse, sozinha, dizer o que fazer, um 'tarefismo estendido à pesquisa'. A pesquisa só entrega dados; cabe à liderança decidir, antes de qualquer análise, quais propósitos o produto quer efetivamente atender estrategicamente, e quais propósitos ele conscientemente não vai atender. Tentar atender todos os propósitos ao mesmo tempo resulta num produto que faz tudo mal, como o Nubank, que se diferenciou justamente por atacar poucos propósitos (transparência, controle financeiro, segurança) com muita precisão, deixando de lado deliberadamente funcionalidades que outros bancos ofereciam.
É detalhada a matriz de segmentação: o eixo Y representa se um propósito está dentro ou fora da estratégia do produto; o eixo X representa a nota média recebida (negativa, neutra ou positiva). Antes de posicionar qualquer propósito nessa matriz, porém, existe uma etapa crítica e artesanal, impossível de automatizar, que é agrupar as respostas abertas da pesquisa em categorias de propósito coerentes com a própria estratégia. É dado o exemplo de uma pizzaria: duas pessoas podem mencionar 'comida' com palavras completamente diferentes, e cabe a quem está analisando decidir, estrategicamente, se comida, entradas e sobremesas serão tratadas como um propósito único ou como propósitos distintos, com posicionamentos e comunicações diferentes.
Com a matriz montada, são descritas as seis estratégias associadas a cada combinação de posição: dentro do público-alvo e negativo pede pivotar (reformular a solução ou redirecioná-la a outro propósito); dentro do público-alvo e neutro pede ajustar (útil, entre outras coisas, para mitigar churn, com testes de hipótese mais localizados); dentro do público-alvo e positivo pede estimular e amplificar: fazer barulho no mercado sobre o que já se faz bem, como fez a VR ao divulgar amplamente sua posição entre as dez melhores empresas de benefícios do Reclame Aqui, em vez de simplesmente investir mais dinheiro num atendimento que já estava excelente.
Já fora do público-alvo, a combinação com nota negativa pede a decisão mais difícil de todas, e de maior retorno sobre investimento: abandonar, comunicando claramente a quem reclama que aquele produto não foi feito para aquele propósito, em vez de gastar recursos tentando agradar um público que nunca fará parte da estratégia. Fora do público-alvo e neutro pede apenas monitorar, sem investir, ilustrado pelo próprio caso da K21, que identificou um segmento de pessoas buscando apenas certificação, sem interesse genuíno em aprendizado, e decidiu conscientemente não perseguir esse propósito, apenas observando para que ele não se tornasse negativo.
O quadrante mais celebrado por Andressa e Rolo é o de fora do público-alvo, mas com avaliação positiva: uma surpresa genuína, um público que a empresa nunca mirou, mas que está extraindo enorme valor do produto de um jeito inesperado, uma oportunidade real de repensar a própria estratégia e monetizar algo que não estava no plano original.
É compartilhado um case interno da própria K21: ao rodar os cards com clientes executivos, o propósito de 'transformação digital', que na época era literalmente o slogan da empresa, apareceu com avaliação negativa, gerando forte apreensão entre os sócios fundadores. A investigação revelou que quem usava explicitamente a expressão 'transformação digital' geralmente entendia mal o conceito, pensando que se resumia a transformar times em squads; já quem realmente buscava transformação digital genuína usava outras palavras, como 'gerar resultado de negócio' ou 'ser exponencial'. A partir desse insight, a K21 mudou seu posicionamento de 'Transformação Digital' para 'Business Evolution Powered by True Agile', um exemplo direto de como a matriz de segmentação pode reformular a estratégia de comunicação de uma empresa inteira.
Rolo compartilha uma reflexão pessoal: seu propósito original ao buscar a K21, ainda como cliente, era puramente obter uma certificação, mas, já no primeiro dia de treinamento, foi convencido de que existiam propósitos mais valiosos, o que reformulou sua trajetória profissional a longo prazo.
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