
Ep. 286 - IA, Criatividade e o Futuro das Relações
Resumo rápido
Garrido Diná, cofundador da K21, discute como a IA se tornou sua parceira criativa nos últimos dois meses, acelerando a produção de conhecimento sem substituir a criatividade humana. Ele apresenta o ecossistema de 12 sistemas construídos com IA na K21, a filosofia de prototipagem em 10 minutos, a hiperpersonalização como antídoto a ferramentas genéricas de mercado e o risco de desumanização no cenário de 'uma pessoa mais uma IA' como time do futuro.
Capítulos
- 00:26Contexto: dois meses depois, o que mudou na forma de trabalhar com IA
- 03:55IA como parceira criativa: acelerar sem substituir a criatividade humana
- 07:08A bolha da tecnologia e a sociedade brasileira ainda em transição
- 11:11O ecossistema de 12 sistemas com IA na K21 e a prototipagem em 10 minutos
- 22:13Segurança de dados, LGPD e a fronteira entre experimento e produto
- 34:14Hiperpersonalização: substituir software genérico por soluções internas
- 42:58O risco de desumanização e o futuro das relações no trabalho com IA
Frases do episódio
O que você vai ouvir neste episódio
- Marcos Garrido detalha como a inteligência artificial tem atuado como parceira criativa no desenvolvimento de novos produtos digitais.
- A discussão aborda a relevância de manter uma cultura de experimentação contínua para testar e validar soluções com inteligência artificial.
- O episódio explora o processo de construção do novo site da K21, desenvolvido de forma totalmente integrada com ferramentas de IA.
- Os convidados debatem os cuidados necessários com a segurança de dados e a automação de processos em empresas de diversos portes.
Temas discutidos
A integração da inteligência artificial aos processos de trabalho exige que as organizações revisitem suas práticas de agilidade e gestão de produtos. O debate evidencia que adotar a IA não significa apenas automatizar tarefas, mas cultivar uma cultura de experimentação focada em resolução de problemas reais. Lideranças precisam equilibrar a eficiência operacional com a governança e a segurança de dados, adaptando a capacidade criativa das equipes para entregar valor contínuo em mercados altamente dinâmicos.
Para quem é este episódio
Este conteúdo é direcionado a líderes de produto que buscam integrar inteligência artificial ao ciclo de desenvolvimento, gestores de tecnologia atentos à automação de processos e segurança de dados, e profissionais de agilidade interessados em incentivar uma cultura de experimentação contínua dentro de suas organizações.
Perguntas que este episódio ajuda a responder
Como a inteligência artificial pode ser aplicada como parceira criativa no desenvolvimento de produtos?
A inteligência artificial atua como parceira criativa ao apoiar a ideação, acelerar a prototipagem e automatizar etapas repetitivas no desenvolvimento de soluções digitais. Em vez de substituir a atuação humana, a tecnologia expande a capacidade das equipes de explorar hipóteses e validar conceitos rapidamente, permitindo que os profissionais foquem na estratégia do produto e na resolução de problemas complexos.
Quais os cuidados necessários ao adotar automação de processos e IA nas empresas?
A adoção de automação e inteligência artificial exige atenção rigorosa à segurança de dados e à governança da informação. É fundamental estabelecer critérios claros de privacidade, manter a supervisão humana sobre as entregas geradas e garantir que os processos automatizados estejam alinhados aos objetivos estratégicos do negócio, prevenindo riscos operacionais em empresas de qualquer porte.
De que maneira a inteligência artificial foi utilizada na prática dentro da K21?
O ecossistema K21 e Nower utiliza ferramentas de inteligência artificial para criar sistemas internos e automatizar fluxos de trabalho. Um exemplo prático apresentado no episódio é o desenvolvimento do novo site da K21, cuja estrutura e construção foram realizadas inteiramente com o suporte de tecnologias de IA, demonstrando a aplicação real dessas ferramentas no dia a dia.
Sobre este episódio
No episódio 286 do Love the Problem, Garrido Diná, cofundador da K21, faz um balanço dos últimos dois meses de trabalho com inteligência artificial como parceira criativa. Ele descreve o ecossistema de 12 sistemas construídos com IA que a K21 opera, a filosofia de prototipagem em 10 minutos que democratiza a resolução de problemas para pessoas na ponta, e a estratégia de hiperpersonalização que substitui assinaturas de software genérico por soluções internas. O episódio aborda a tensão entre liberdade de experimentação e segurança de dados (LGPD), a construção do novo site da K21 com IA e a preocupação com o cenário de 'uma pessoa mais uma IA' como time do futuro, que pode desumanizar as relações de trabalho. A aposta final é de que o trabalho manual migra para a máquina, mas a gestão de relações, a priorização com fator humano e a criatividade permanecem como território exclusivo do ser humano.
Transcrição completa
Há dois meses atrás a gente gravou o episódio 278, falando sobre esse novo jeito de construir produtos digitais. A gente combinou de gravar uma continuação, mas mudou tanta coisa que a gente esperou mais um mês. Agora, dois meses depois, a gente volta para aprofundar na forma de trabalho, no que é esse novo jeito de construir produto, aonde ele leva e como ele faz com que a gente tenha que mudar a forma de trabalhar em vários lugares e aspectos das organizações.
Nos últimos dois meses, o que mudou no jeito de trabalhar? Mudou tudo. Eu descobri um jeito de trabalhar com inteligência artificial como minha parceira criativa, que acelera muito o que a gente produz no dia a dia. A IA é muito legal, as pessoas experimentam, mexem, mas quando é que você vai conseguir usar a inteligência artificial para acelerar a sua produção intelectual? E quando eu falo produção intelectual, não é o IA escrever um artigo por mim. É sobre o quanto eu consigo produzir de conhecimento para mim mesmo. Nesses últimos dois meses, foi esse o grande salto: construir um processo de aprendizado contínuo com inteligência artificial, que me levou a um patamar que eu não esperava chegar tão cedo.
Pensando nessa ideia de auxiliar a criatividade sem substituir a criatividade, como é que você faz isso na prática? O grande segredo é não usar a IA para a IA resolver os problemas por você sozinha. A IA cria um produto para mim, não é isso. Até porque é muito fácil, quando você cai nesse cenário, cair no desperdício: criar um negócio maravilhoso, tecnicamente brilhante, que não vai ser usado por ninguém. A gente precisa partir de um problema real. E problema real, quem sabe qual é, é você. Usar a inteligência artificial para refinar o teu entendimento sobre o problema e entender possíveis oportunidades de resolver aquele problema. E fazer isso em escala com os problemas que a gente tem dentro da organização, em diferentes aspectos da vida, tem um valor extremo.
O uso da inteligência artificial como tua parceira criativa, mas sem perder a humanidade, porque o grande problema que eu vejo hoje é as pessoas delargarem tudo para a IA. Não precisa mais de mim. E aí não é nem uma questão de sobrevivência ou de relevância, é uma questão de o quão pobre é o requisito que você entrega para a IA, vai resultar, obviamente, num produto ruim. Uma das coisas que eu aprendi nos últimos dois meses é usar a inteligência artificial para me ajudar a processar uma infinidade de dados e informações que eu tenho, para que eu consiga melhor entender a relação entre essas informações e daí entender a causa raiz dos problemas que eu preciso resolver. Esse é um negócio que você levava muito tempo para fazer, ou não fazia na profundidade que tem que ser feito para resolver o problema de vez. E a IA ajuda demais nesse processo.
Para as organizações, como é que você tem visto esse processo? A gente, de uma certa maneira, vive numa bolha. A gente fala com pessoas de tecnologia o tempo inteiro, interage com grandes empresas que são nossos clientes. Você sai dessa bolha e vai falar com o brasileiro típico? Não tem IA na jogada. Semana passada eu estava conversando com três amigos. Um disse: eu não uso ainda. Para nada? Para nada. O outro falou: eu também não. E o terceiro: eu uso de vez em quando para fazer uns memes, faço uma imagem engraçadinha e mando no grupo da família do WhatsApp. Mas é isso. É muito curioso que quando a gente sai da bolha do trabalho, você percebe que a sociedade, em maneira geral, ainda não entendeu esse fenômeno. É a mesma coisa que aconteceu quando apareceu a internet na década de 90. Só lá para o começo dos anos 2000 é que essa coisa foi de fato tomando volume e espalhando pelo mundo inteiro. Quem estava na PUC no Rio de Janeiro em 1994, fazendo graduação em tecnologia, já achava aquele processo natural. Meu pai, engenheiro civil, foi descobrir a internet muitos anos depois. A gente está vivendo esse fenômeno de transição.
Nessa transição, o que são as coisas mais importantes de se olhar e mudar nos hábitos, nos comportamentos, na forma de gestão? A primeira é entender que IA não é de fato uma pessoa virtual do outro lado que pensa maravilhosamente bem. Aquilo é um modelo matemático. Tem falhas, tem alucinações. Muita gente acha que IA é uma coisa mágica. Não tem nada de mágica na forma da IA funcionar. A segunda coisa, para organizações e principalmente para indivíduos, é olhar para a inteligência artificial e pensar: como é que eu automatizo um processo que me toma um tempo danado no dia a dia? Como é que eu processo dados de clientes, de vendas, e tiro insights que me ajudem a tocar melhor o meu negócio? Usar de fato para aumentar a produtividade, acelerar o trabalho por meio da redução ou eliminação de tarefas repetitivas. Poucas pessoas pensam dessa maneira. E o terceiro ponto, no modo mais avançado, é usar IA para construir coisas que não seriam possíveis sem inteligência artificial. Produtos e serviços que você não conseguiria construir sem isso. Essa é a parte mais divertida, onde eu me encontro hoje. Mas todas as outras têm um valor extremo, principalmente para quem está começando. Talvez 90% da população brasileira use ou não use ainda, ou use o básico do básico. Tem muita oportunidade de melhoria por aí.
Sobre o sistema de ferramentas desenvolvidas com IA dentro da K21 e da Nower: a gente tem pego os nossos processos organizacionais que tinham um trabalho manual, um trabalho pesado de gestão, e se perguntado: será que não daria para construir uma plataforma completamente diferente que fizesse a gestão desse processo com bastante automação, com inteligência, que gerasse insights, que propusesse melhorias? A gente foi pegando da gestão de fluxo do dia a dia até o trabalho de RH, passando pelo financeiro, e foi automatizando cada etapa. Cada etapa é um app ou conjunto de apps com missão específica. O que a gente construiu foi um ecossistema, porque todos esses apps estão dentro da mesma infraestrutura e trocam informação entre si, assim como módulos de um ERP. Só que esses módulos todos foram construídos 100% com IA. O ecossistema hoje tem uns 12 sistemas diferentes, todos feitos com IA, todos compartilhando os mesmos dados. A gente fez em poucos meses o que provavelmente levaria muitos anos se não fosse dessa maneira.
Um exemplo recente: a gente tem quase 300 vídeos no YouTube e estava montando o site novo da K21. Eu precisava, para cada página de vídeo, de uma descrição que pudesse ser indexada pelo Google. Se eu fosse fazer isso na mão, seriam meses de trabalho. E aí eu construí em 10 minutinhos uma ferramentinha que foi lá no canal, pegou todos os links, fez a transcrição usando uma ferramenta da OpenAI, gerou automaticamente a descrição de cada vídeo com as palavras-chave importantes, e eu coloquei no banco de dados do site novo. Entre 10 e 15 minutos, eu tinha esse trabalho que levaria meses, todo automatizado. E quando a gente faz esse tipo de ferramenta, não faz para um uso e apaga. Ontem, brincando com essa mesma ferramenta, peguei cinco treinamentos grandes da Anthropic que estão no YouTube, pedi para ele pegar a transcrição de todos, joguei no notebook, e agora tenho um mapa de todo o conhecimento da Anthropic para fazer perguntas, pesquisa e continuar meu processo de aprendizado. A gente consegue ressignificar esses apps para outros fins.
Isso traz um benefício entre as fronteiras entre o que é externo e interno. Antes, para você ter um produto sendo criado, você precisava de uma pessoa de produto ou de tecnologia. Agora, você pode levar essa criação de produtos para pessoas que não têm originalmente essas competências. A pessoa que está na ponta sabe muito mais sobre o seu problema do que qualquer outra. Dar às pessoas a possibilidade de rodarem experimentos para tentar resolver seus problemas é fundamental. Uma vez que o experimento funcionou, a gente pega esse produto e ele vai virar um produto de verdade, construído do jeito certo, de maneira escalável. A cultura da experimentação é fundamental. O vibe coding não é fazer qualquer coisa de qualquer jeito. É prototipar uma solução muito rapidamente para experimentar e testar na linha de frente. Testou? Agora a gente leva para a TI, vai virar um projeto legal, vai escalar, vai cuidar da infra. Tem clientes nossos que usam essa filosofia: deixa todo mundo brincar dentro de um ambiente preparado para a experimentação, com cuidado com os dados dos clientes. Uma vez funcionando, a gente traz para a estrutura e tudo funciona como deveria. Essa abertura permite resolver problemas que não chegam para o pessoal de tecnologia normalmente. O mais sempre foi assim é o maior destruidor de inovação que tem nas empresas.
Não é sobre tirar da mesa as pessoas de produto e de tecnologia. É sobre o processo de um requisito chegar muito mais bem elaborado, porque a própria pessoa que tem aquele problema já conseguiu explorá-lo em vários níveis. Com um protótipo na mão, eu consigo dizer o que funciona, o que não funciona, o que eu sinto falta. É muito mais fácil deixar as conversas diretas e pragmáticas. Para o microempreendedor, faz ainda mais sentido. Uma pessoa que trabalha com contabilidade me disse que fez um pequeno app no Lovable para pesquisar preços de insumos do escritório, e isso está economizando uma grana por mês. Vem alguém e diz: mas esse app não é escalável, não é seguro. Mas não é para ser. É um app para resolver um problema pontual. Ela fez em 10 minutos um negócio que está economizando mil dólares por mês em material. Isso é maravilhoso. É essa possibilidade que está na mesa hoje, mas as pessoas ainda estão pensando com a cabeça antiga. É um processo de adaptação.
Sobre segurança e proteção de dados: o que a gente tem feito é deixar as pessoas livres para rodarem seus experimentos, e quando dizemos agora você vai usar de verdade, vamos escalar, a gente traz para a nossa estrutura, faz todas as validações necessárias, cuida dos dados. Não podemos esquecer a LGPD. Um amigo me manda um app para controlar compra de ações e eu penso: se eu colocar meu portfólio, ele vai ver meus dados? Está numa tabela do Excel que ele tem acesso? É absolutamente natural pensar nisso. Criar o experimento é muito rápido, mas tornar o seu dado sensível exposto é muito rápido. Transformar o experimento em produto exige cuidados detalhados. Se aquilo que você está construindo toca em questões de LGPD, tem que trazer uma pessoa técnica, um desenvolvedor experiente, que vai olhar e dizer onde está furado. Se você deixa muito solto, acaba abrindo as portas para seus dados serem roubados. Para pequenas ferramentas que rodam local na tua máquina, com IA fora da internet, a preocupação já está resolvida. Mas nem todo mundo pensa nessas coisas. É a incompetência inconsciente: a curiosidade sem conhecimento pode gerar desastres.
Um sistema interno que exige todo esse cuidado: o Tiwi está construindo uma plataforma interna de acesso às nossas políticas, aos nossos dados, às nossas ferramentas, construída 100% com IA. A primeira feature que foi para o ar já foi com toda a segurança implementada. Nesse caso, é diferente dos exemplos de produtos que nascem de qualquer jeito para um teste rápido. Ele já nasceu dentro do ambiente seguro por definição, porque no primeiro minuto já trata dados sensíveis de todos nós. Existe uma diferença entre a necessidade mais sensível, que exige descobrir como viabilizar a construção respeitando essa necessidade, e a postura que as organizações têm: não, tem dado sensível, então não usa IA. É uma mudança de postura: como a gente viabiliza para que isso aconteça de forma responsável, ao invés de criar bloqueios.
Essa semana a gente estava conversando sobre ter o nosso servidor de IA interno na empresa, sem acesso externo, dentro da nossa rede, para que a gente possa usar. Uma das coisas que tem acontecido é que os custos estão subindo. As ferramentas estão ficando cada vez mais caras, como se o subsídio que sempre houve estivesse sendo reduzido aos poucos. Os tokens estão custando mais caro. A solução é montar a nossa infra de IA que todo mundo na empresa pode usar, e o uso é ilimitado porque é dentro da nossa máquina. Já estou fazendo um experimento com um computador separado só para isso. O futuro é a gente ter a nossa própria infra. Os memes de 200 mil dólares por mês em tokens estão exagerando, mas é uma discussão rica que vai permanecer por todo o ano de 2026. Se a gente quer usar IA para otimizar o trabalho e reduzir custo, não faz sentido olhar para as contas e falar que está gastando mais com IA do que gastava fazendo processos manualmente. A solução não é tirar a IA e voltar ao manual, mas ter custos adequados aos benefícios.
Uma das coisas que eu tenho feito é olhar para as assinaturas de sistemas e soluções e pensar: isso a gente precisa continuar pagando ou eu posso desenvolver internamente algo mais simples, totalmente focado na minha necessidade, que vai custar um percentual muito pequeno do que a gente paga? Nos últimos seis meses, a gente já desligou várias ferramentas, vários serviços externos. Esse enxugamento de custos permite o investimento em IA. Se eu deixo de pagar 5 mil reais por mês por uma ferramenta de mercado e desenvolvo internamente algo com custo muito próximo de zero que faz a mesma coisa, faz todo sentido. A fórmula é: gerou uma economia? Pronto, isso adiciona ao teu budget de inovação. Você pode investir em educação, em treinamento, em qualquer coisa. Para pequenas e médias empresas, muitas vezes elas estão afogadas tendo que contratar soluções construídas por empresas gigantescas, mas não tem no mercado uma solução que atenda a necessidade específica daquela empresa menor. É a hora de entender se vale mais a pena ter uma solução pontual e completamente customizada, que eu consigo criar e evoluir com a velocidade que tenho hoje, do que ficar pagando por uma ferramenta que tem funcionalidades que eu não uso e aquilo que eu realmente uso não atende tão bem. As empresas ficam reféns dessas ferramentas enormes de mercado que não foram construídas para o segmento delas. A barriga de saída muitas vezes é muito grande. Por isso eu parto da ideia: eu conseguiria resolver esse problema de um outro jeito, mais simples, mais focado na minha necessidade? Sim? Rode o experimento. Agora vou transformar isso num produto. Quanto é que eu economizei desligando essa ferramenta caríssima? Isso é o conceito da hiperpersonalização, o fenômeno que vai crescer cada vez mais no mundo corporativo: ao invés de contratar software as a service à torta e à direita, vamos fazer isso dentro de casa, reduzir custos e ficar muito melhor.
Sobre o site da K21, completamente construído com inteligência artificial: não é um site estático, é um fluxo de compra, gestão de turmas, treinamentos, trainers, vagas, datas. O site começou de uma provocação numa reunião da K21 Educação: a gente não tem um guia de carreira. Eu queria fazer algo mais dinâmico. Eu abri o Claude e digitei: tá aqui o site da K21 que tá no ar, se a gente fosse construir do zero, o que falta? Que narrativas faltam? Que abordagens faltam? O que a gente não oferece que uma empresa de educação deveria oferecer? Ele me deu uma lista. Eu falei: não, eu não quero uma lista, quero que você monte telas simples de versões diferentes desse site com narrativas diferentes, abordagens diferentes. Ele montou nove possibilidades. Eu peguei essas nove, criei uma pesquisa no grupo do Telegram da K21 Educação, mostrei os links e pedi para as pessoas votarem e justificarem. Quando terminou, eu olhei e disse: a página de cursos é uma mistura da segunda com a sétima, falta outra coisa. Comecei a montar a estrutura de um futuro site. Uma semana depois, estava feio, mas resolvendo problemas que historicamente a gente nunca resolveu porque tecnicamente eram muito difíceis. Nasceu uma lista de coisas que hoje a gente oferece no site que nem achei que dava para fazer. É uma experiência completamente redesenhada, um produto completamente novo, não é uma cópia do anterior. O grande trabalho é o de gestão de produto: pensar qual é a próxima oferta, qual é a próxima feature, tornar isso enxuto. A IA acelera a produção e a validação, mas o trabalho humano é fundamental porque é sobre pessoas. O site já está no ar há umas três semanas em uma URL diferente, e as pessoas já estão usando, dando feedback, e a gente já está melhorando o produto antes mesmo do lançamento oficial.
Uma discussão muito forte no LinkedIn é que o time do futuro é o time de uma pessoa e uma IA. Eu tenho muito medo desse cenário, porque ele pode potencialmente desumanizar as pessoas: ninguém mais fala com ninguém, ser humano não fala mais com ser humano, ser humano só fala com IA. Uma empresa com mil pessoas em que as pessoas não interagem mais. Nada como duas pessoas trabalhando juntas, potencializando a criatividade e a capacidade de resolver problema, mais uma IA que ajuda e acelera. Toda vez que eu leio que o time do futuro é uma pessoa mais a inteligência artificial, eu tenho medo de desumanizar a gente de vez. Para ser um time, tem que ter mais de uma pessoa. A IA não conta como uma pessoa. Isso leva a um cenário de isolamento, e a gestão que compra essa ideia pode levar a um isolamento completo das equipes e a uma não otimização de custos, porque se cada pessoa tem uma IA pra se chamar de sua, eu tô cometendo os mesmos erros em lugares diferentes, os mesmos gastos, sem gerar aprendizado nem evolução. A organização não é feita de uma pessoa mais uma IA, é feita de várias pessoas. As IAs podem se falar para trocar conhecimento, mas se o ser humano não aprende com outro ser humano, aí complica. Como é que você cuida do aprendizado corporativo, da troca de conhecimento entre as pessoas, da colaboração? Esse é um desafio muito piorado no cenário do 1 mais 1.
Qual é o futuro do uso de IA nas organizações? Eu acho que o futuro é que todo o trabalho manual e repetitivo vai ser feito único e exclusivamente pela máquina. Toda parte criativa pode em parte ser feita junto com a IA, mas não vai ser feita única e exclusivamente por IA. Os clientes também são pessoas e a relação humana não se enfraquece. As relações continuam sendo importantes, a criatividade continua sendo importante. Uma das habilidades mais importantes é priorizar. A IA pode priorizar por você, mas é uma priorização fria, matemática, que não leva o fator humano em consideração. O que vai sobrar para o ser humano são a gestão das relações, a gestão de relacionamento e a priorização do que realmente vale a pena ser resolvido. Todo o resto, a IA vai cuidar. A esperança é que ao ter tudo isso automatizado, vai sobrar mais tempo para fazer coisas mais legais, mas quanto mais a gente acelera, desde o começo da internet, mais a gente trabalha. Eu espero que as relações humanas passem a ter mais valor na era pós-IA. A gente só consegue chegar no cerne dos problemas uma vez que a gente considera o fator humano.
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