
Ep. 275 - Resultados, erros e aprendizados de 13 anos empreendendo com a K21 e a Nower
Resumo rápido
Em 13 anos, a K21 e a Nower passaram de uma ideia improvisada entre amigos da PUC a uma referência em agilidade, OKR e transformação organizacional. O episódio revela que a força do grupo nunca foi um plano de negócio, mas a crença compartilhada em melhoria contínua, autenticidade e resultado. Os maiores erros — confundir executor com executivo, experimentar demais ao mesmo tempo, se distanciar da operação — viraram bagagem que hoje é vendida como consultoria. O cenário de 2024, com aperto econômico e IA, exige fazer mais com menos, e a K21 se reposiciona de ensinar agilidade para executar resultado financeiro.
Capítulos
Frases do episódio
“Fez o convite, eu topei. Nem pensei sobre. Sendo bem honesto, hoje eu deveria ter pensado melhor, mas não pensei. Eu simplesmente aceitei.”
01:47
“A gente nunca deixou a essência do porquê a gente está aqui para trás.”
06:34
“A segunda coisa para mim é a nossa capacidade de insistir, porque nesse ciclo curto a gente está sempre pensando em melhoria e sempre botando melhoria em prática”
38:44
O que você vai ouvir neste episódio
- Marcos Garrido e CFC relembram o início da trajetória empreendedora da K21 e da Nower ao longo dos últimos 13 anos.
- Os convidados discutem a importância de unir conceitos teóricos com a prática real para gerar impacto positivo nas organizações.
- O episódio aborda o desafio constante de conciliar a liderança estratégica com a execução direta no dia a dia do negócio.
- Os fundadores destacam como a empresa se adaptou a diferentes ciclos de mercado, incluindo períodos de retração e aceleração.
- A conversa reforça que os resultados relevantes do empreendedorismo vão além das métricas puramente financeiras conseguidas pelas empresas.
Temas discutidos
A trajetória de 13 anos da K21 e Nower reflete conceitos centrais de liderança e transformação organizacional, mostrando como a melhoria contínua e a adaptação a ciclos de mercado são fundamentais. A discussão conecta a prática ágil ao ambiente de negócios real, evidenciando que liderar exige equilibrar visão estratégica e execução diária. Além disso, o episódio demonstra que a construção de uma cultura organizacional autêntica se apoia no aprendizado gerado pelos erros e no impacto real nas pessoas.
Para quem é este episódio
Este episódio é voltado para empreendedores que buscam estruturar negócios sustentáveis, lideranças focadas em transformação organizacional e gestores de produtos ou times ágeis. Esses profissionais encontrarão insights práticos sobre gestão de mudanças, resiliência em ciclos de mercado e equilíbrio entre estratégia e execução operacional no ambiente corporativo.
Perguntas que este episódio ajuda a responder
Como equilibrar liderança estratégica e execução operacional na prática?
Para equilibrar estratégia e operação, a liderança precisa manter proximidade com o trabalho real dos times enquanto direciona os objetivos do negócio. O episódio destaca que líderes maduros não se afastam da execução, mas aprendem a atuar de forma prática, garantindo que as decisões estratégicas estejam fundamentadas nos desafios diários vivenciados pelas equipes e no aprendizado contínuo.
De que forma empresas podem lidar com mudanças e flutuações de mercado?
A adaptação a diferentes ciclos econômicos exige flexibilidade, melhoria contínua e coerência com os valores da organização. Durante o bate-papo, Marcos Garrido e CFC enfatizam a importância de encarar os erros como fonte primária de aprendizado, permitindo que a empresa ajuste suas práticas sem perder a essência ou o foco no impacto real gerado para clientes e colaboradores.
O que define os resultados de uma empresa além das métricas financeiras?
Embora os números financeiros sejam fundamentais para a sustentabilidade, os convidados defendem que o sucesso de um empreendimento se mede também pela transformação na carreira das pessoas e pela evolução cultural das organizações atendidas. O impacto positivo e duradouro na vida profissional e na estrutura das empresas é o principal indicador de resultado discutido no episódio.
Sobre este episódio
O episódio 275 do Love the Problem é uma retrospectiva dos 13 anos da K21 e da Nower, com Garrido e CFC ao lado da apresentadora. A conversa percorre a origem improvisada da empresa em 2013, o primeiro grande desafio (o Scrum Lembado), os resultados mais significativos (do PagSeguro a transformações de carreira), as mudanças de mercado (pandemia, aperto econômico, IA) e os erros que viraram aprendizado (equilíbrio entre executor e executivo, excesso de experimentos simultâneos, distanciamento da operação). O episódio encerra com os valores inegociáveis do grupo: autenticidade, adaptabilidade, conversas honestas, relacionamento não transacional e orgulho do trabalho. A mensagem central é que 13 anos de consistência em melhoria contínua e essência valem mais que qualquer plano de negócio inicial.
Transcrição completa
Estamos fazendo 13 anos de K21 e Nower. A história começou na PUC do Rio, onde Garrido estudava com Rafael Sabag no MBA. A dupla fazia palestras sobre Scrum no TecGraph, laboratório de computação gráfica da PUC, e viajava para dar aulas. Em 2008, Rafa propôs transformar as palestras em um negócio, mas Garrido achou a ideia muito avançada e adiou. Em 2013, Rafa voltou com a proposta e Garrido aceitou sem pensar. Rafa trouxe Toledo, que trouxe o CFC, e assim nasceu a K21 — sem planejamento, sem estrutura, sem discussão de custos. A empolgação era tanta que simplesmente começaram a trabalhar.
CFC conta que já trabalhava com Toledo na FRJ, dando aulas e apoiando empresas antes mesmo da K21 existir. A conexão entre os quatro vinha de relações prévias: Garrido e Rafa se conheciam do MBA, Rafa e Toledo do TecGraph. Não havia plano de negócio formal, mas cada um já tinha negócios próprios. A ideia era sinergizar, crescer e complementar. O nome Knowledge 21, com influência de Rafa, já carregava a ambição de que o que faziam valia não só para o Brasil, mas para o mundo. A cola entre os quatro era a crença em melhoria contínua, em ouvir feedback e em querer crescer. Nenhum dos quatro se arrepende da falta de planejamento, porque o excesso de planejamento também não garante sucesso.
O primeiro grande problema que uniu o grupo foi o Scrum Lembado — a versão mal feita do Scrum que dominava o mercado em 2013. A K21 entrava nas empresas e explicava os porquês, levava a essência da agilidade para as organizações. Essa essência nunca foi abandonada. CFC destaca que a K21 usou Kanban entre os primeiros no Brasil, falou de Ash Maurya e Eric Ries quando ninguém os conhecia, e sempre manteve uma taxa de aprendizado aplicado muito alta. A empresa nasceu da educação, mas com viés de execução e aceleração de resultado. O desafio de manter esse DNA ao crescer foi enorme, especialmente ao contratar pessoas que também soubessem fazer, não apenas ensinar. O valor da autenticidade — não ensinar nada que não tenha sido experimentado exaustivamente — foi uma cola desde o início. Quando CFC chegou em 2018 com a proposta de OKR, a resposta foi: primeiro vamos experimentar internamente, e só depois levar aos clientes.
Sobre resultados, CFC fala de pessoas que mudaram a forma de pensar, aumentaram salário, foram promovidas. Na consultoria, a K21 participou de pelo menos dois IPOs e duas incorporações. O caso mais emblemático foi o PagSeguro, onde CFC atuou na frente ao se mudar do Rio para São Paulo em 2015. A empresa tinha cerca de 200 pessoas quando começaram e mais de 3 mil quando saíram. Garrido conta que, mesmo hoje, recebe mensagens de pessoas agradecendo por promoções conquistadas. O impacto na vida das pessoas é o pagamento pelo trabalho. Outro resultado importante é a quantidade de referências orgânicas: clientes que se movem de empresa e levam a K21 junto, gerando novos leads por confiança. É uma rede de impacto que se expande.
Sobre mudanças de mercado, a pandemia foi o momento em que as necessidades mudaram da noite para o dia. A K21, que sempre trabalhou remotamente mas dava treinamentos presenciais, foi forçada a migrar tudo para o digital em março de 2020. Houve primeiro incerteza, depois explosão de demanda. A partir de 2022-2023, veio a ressaca: dinheiro mais caro, nem tudo gerando ROI, guerra na Ucrânia, mudanças geopolíticas, cortes de budget em clientes. Empreender não dá tédio, mas dá medo. Em ambiente de retração, qualquer experimento dói mais. A adaptabilidade em ciclo curto foi o que permitiu à K21 se ajustar a cada mudança.
Sobre erros, Garrido aponta o principal: a dificuldade de equilibrar o chapéu de executivo e o de executor. Em momentos diferentes, um ou outro é mais importante, e errar esse timing é natural e recorrente. Outro erro foi tentar experimentar muitas coisas ao mesmo tempo — OKR, autogestão, gestão do trabalhador do conhecimento — sem controlar se cada uma trazia o resultado prometido. Às vezes, voltar ao básico, dar voz, fazer o que o manual de liderança prega, gera mais resultado do que ser disruptivo em múltiplas frentes. CFC complementa: dentro de casa, a K21 não é consultora, tem que ir lá e resolver. Virar a chave do papel de consultor para o de executor foi um aprendizado constante. E não se deve seguir cegamente o conselho de largar 100% o operacional, porque isso distancia do cliente e da operação, e a empresa existe para sanar a necessidade do cliente.
O cenário atual, com aperto econômico, trouxe empresas resgatando manuais de orçamento base zero e metas individuais. O problema não são as ferramentas, mas as disfunções que elas geram. A K21 não está mais falando de criar 20 ou 30 times ágeis, mas de eficiência operacional, melhor uso de pessoas, conexão com IA e fazer mais com menos. A agilidade agora é exigida, não ensinada.
Sobre o que não abrem mão como lideranças, Garrido traz três valores: a essência da autenticidade, a capacidade de insistir em melhoria contínua como adaptabilidade (não perfeccionismo), e conversas honestas e transparentes. CFC adiciona o relacionamento desenvolvido, não transacional, com colaboradores, clientes e até não-clientes, e o orgulho do que se faz. Se a pessoa não tem orgulho, está apenas existindo. Esses valores se conectam: sem sinceridade e autenticidade, o negócio não se sustenta por mais de uma década. A K21 e a Nower agradecem a todos que fazem parte desses 13 anos e convidam os ouvintes a fazerem parte dos próximos.
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