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Ep.8 - Leadership Club - Tendências e Inovação no Mercado de Pagamentos

Ep.8 - Leadership Club - Tendências e Inovação no Mercado de Pagamentos

4 de maio de 202601:00:01
Educação
IA
Inovação
Leadership Club
Liderança
Transformação

Resumo rápido

Pathy Fischer e Marcela Kalf, da ZUP (fintech do iFood), discutem como o embedded finance deixou de ser tendência para virar realidade, com o PIX e o Tap to Pay como pilares da transformação brasileira em pagamentos. A China avança em super apps e QR Code, mas a população ainda resiste a mudanças culturais. O pagamento agêntico, impulsionado por IA, é o próximo salto: 61% dos brasileiros aceitariam delegar compras a um chatbot. A ZUP, agora 100% da Prosos, opera como hub experimental para o ecossistema iFood e mercado B2B, com foco em 100 clientes grandes e regulação do Banco Central como inegociável. Liderar nesse ritmo exige vulnerabilidade, upskilling obrigatório em IA e propósito como bússola.

Capítulos

  1. 04:23ZUP no ecossistema iFood e Prosos
  2. 08:17Embedded finance: da tendência à realidade
  3. 10:32China, Japão e o futuro dos pagamentos
  4. 17:10Inclusão financeira, PIX e Tap to Pay no Brasil
  5. 26:51Tendências futuras e pagamento agêntico
  6. 38:01Liderar na era da incerteza e da IA
  7. 54:32Propósito, missão e mensagem final

Frases do episódio

“O pagamento, ele ser invisível, ele acontecer naturalmente. Então, o embedded finance, ele não é só tendência, ele é a realidade.”

09:47

“Na nossa pesquisa, que a gente fez agora, em abril, com o Brasil, ela tem representatividade Brasil. A gente perguntou para todos os brasileiros, né? A gente pesquisou das classes A a D. Você sabe o que é um pagamento agêntico? E 85 das pessoas disseram que não.”

31:38

“em toda a minha jornada, e aí eu vou voltar pro propósito, fez sentido o trabalho quando eu estava ligada a um propósito.”

55:13

O que você vai ouvir neste episódio

  • Patricia Fischer e Marcella Calfi explicam o papel estratégico da Zoop dentro do ecossistema do iFood.
  • A discussão aborda como o conceito de embedded finance torna os meios de pagamento invisíveis para os usuários.
  • O avanço do Pix e do Tap to Pay é analisado como impulsionador da eficiência no mercado brasileiro.
  • As executivas exploram a aplicação de inteligência artificial e modelos agênticos na otimização da jornada de compra.
  • A evolução tecnológica transforma a relação entre empresas e consumidores ao simplificar processos de checkout financeiro.

Temas discutidos

As tendências do setor de pagamentos reforçam a necessidade de uma gestão de produtos centrada na experiência do usuário e na integração contínua de tecnologia. Lideranças organizacionais precisam acompanhar transformações como o embedded finance e a inteligência artificial para sustentar modelos de negócios competitivos. Além disso, a capacidade de adaptar serviços a novas soluções como Pix e pagamentos agênticos exige cultura de inovação constante, agilidade estratégica e alinhamento claro entre visões de produto e necessidades reais do mercado.

Para quem é este episódio

Este episódio é recomendado para líderes de produto, gestores de tecnologia e executivos do setor financeiro ou de varejo. Esses profissionais encontrarão insights relevantes sobre como aplicar tendências como embedded finance, inteligência artificial e novas soluções de pagamento para otimizar jornadas de clientes e estratégias de negócios.

Sobre a série Leadership Club

O Leadership Club é a série do Love the Problem dedicada a conversas francas com pessoas que lideram organizações no Brasil. Em cada episódio, executivas e executivos de setores diferentes contam como tomam decisões sob pressão, como constroem times de alta performance e o que aprenderam com os erros pelo caminho. É liderança contada por quem está no jogo, sem receitas prontas.

Ver todos os episódios da série Leadership Club

Perguntas que este episódio ajuda a responder

O que é embedded finance e como ele impacta a experiência do usuário?

O embedded finance refere-se à integração de serviços financeiros diretamente em plataformas e aplicativos de uso cotidiano, sem a necessidade de redirecionar o consumidor. Esse modelo torna os pagamentos fluídos e praticamente invisíveis durante a jornada de compra, melhorando significativamente a conveniência do usuário e aumentando as taxas de conversão para as empresas do ecossistema.

Qual é o papel de tecnologias como Pix e Tap to Pay no mercado atual?

Pix e Tap to Pay representam inovações cruciais na modernização do mercado brasileiro de pagamentos. Essas tecnologias reduzem atritos nas transações comerciais, oferecem maior rapidez no processamento financeiro e democratizam o acesso a meios digitais. Com isso, impulsionam a eficiência operacional de empresas e atendem às exigências crescentes de praticidade por parte dos consumidores.

Como a inteligência artificial e os pagamentos agênticos influenciam o futuro das vendas?

A inteligência artificial e os modelos agênticos permitem automatizar e personalizar etapas estratégicas da jornada de compra do consumidor. Essas tecnologias analisam comportamentos para prever necessidades, simplificar tomadas de decisão e executar transações de forma autônoma e segura. Como resultado, refinam a experiência do cliente e abrem novas possibilidades de eficiência para os negócios.

Sobre este episódio

No episódio 8 do Leadership Club do Love the Problem, Pathy Fischer e Marcela Kalf, da ZUP (fintech do iFood/Prosos), fazem um panorama completo do mercado de pagamentos e inovação financeira. A conversa começa pela posição da ZUP como infraestrutura central do ecossistema iFood e Prosos, atendendo o grupo e o mercado externo B2B. O embedded finance é apresentado não como tendência, mas como realidade consolidada, do Sem Parar ao PIX, com o pagamento invisível como destino natural. A comparação entre China, Japão e Brasil revela que a China lidera em super apps e QR Code, mas a população ainda resiste a mudanças culturais; o Japão tem tecnologia mas conservadorismo; o Brasil avança com PIX e Tap to Pay. O pagamento agêntico, impulsionado por IA, é o próximo salto: pesquisa da ZUP mostra que 61% dos brasileiros aceitariam delegar compras a um chatbot. A ZUP encerrou 2025 com mais de 35 milhões em TPV e 21 milhões de transações de Tap to Pay, com foco em 100 clientes grandes e regulação do Banco Central como inegociável. A liderança nesse contexto exige vulnerabilidade, upskilling obrigatório em IA e propósito como bússola. O time de marketing migrou de produções com 30 pessoas para criação 100% com IA. A mensagem final é de propósito: trabalhar por uma missão, não apenas pelo trabalho, e para as mulheres, não desistir, porque existe espaço em altas lideranças.

Transcrição completa

Patricia Fischer, conhecida como Pathy, atua há mais de 20 anos no mercado corporativo, sempre à frente de estratégia, gestão e áreas comerciais de grandes empresas. Iniciou a carreira em banco, passou por Claro, PicPay, Itaú e Serasa Experian, com trajetória pautada em intraempreendedorismo: entrar em empresas grandes e montar novas áreas. Hoje atua no iFood, tocando a área de negócios da ZUP, a fintech do grupo, com foco em crescimento e rentabilidade. A ZUP atua no Brasil, assim como o iFood.

Marcela Kalf tem carreira inteira em marketing, formada em publicidade. Trabalhou na Editora Abril, Edições Globo Condé Nast (Vogue Brasil), National Geographic, sempre no mercado de conteúdo e luxo. Há sete anos fez a virada para o setor financeiro em fintechs, com foco em educação financeira e democratização do acesso a serviços. Está na ZUP há três anos e meio, entrou antes da aquisição pelo iFood, e hoje lidera o time de marketing da ZUP, olhando para operações B2B, oferecendo soluções financeiras para grandes empresas alavancarem seus ecossistemas.

A ZUP, adquirida 100% pelo grupo Prosos em 2024, funciona como a cola do ecossistema do iFood e das empresas da Prosos. Toda a infraestrutura da ZUP foi internalizada para prover soluções financeiras não só do iFood, mas também da Simpla, OLX, Decolar e outras empresas do grupo. A ZUP mantém também atendimento ao mercado externo: marketplaces, empresas de maquininhas, bancos e fintechs. O motor de crescimento é atender o grupo e desenvolver soluções que depois são oferecidas ao mercado, funcionando como um hub experimental.

Sobre embedded finance, Pathy explica que ele faz parte da vida dos consumidores há muito tempo: pedir um Uber, pagar no iFood, comprar em marketplaces, usar o Sem Parar para pedágio, estacionamento e combustível. O pagamento invisível, que acontece naturalmente, é a realidade. A China e a Ásia estão muito à frente nesse caminho. Pathy esteve na China há uma semana, no Prosus Summit, e visitou empresas do setor financeiro. No Japão, há muita tecnologia, mas conservadorismo para adoção. Na China, o movimento é inverso: apetite de inovação com velocidade. Shenzhen, que há poucos anos era mato, virou um hub de empresas de tecnologia e disrupção. Na China, não se usa mais cheque, enquanto nos Estados Unidos e no Canadá ainda se usa. Pathy teve dificuldade de pagar na China por quatro dias, usando WeChat, o super app que concentra transporte, comida e pagamentos. A população chinesa usa QR Code para pagar e receber, mas a aproximação (Tap) ainda está em transição, com a Alipay como concorrente do WeChat. Existe um fato cultural na população que ainda resiste a hábitos tradicionais, diferente das empresas, que são impulsionadas por IA e disrupção.

No Brasil, Marcela destaca que o PIX e o Open Finance são exemplos para o mundo inteiro. O PIX foi apresentado no Web Summit em Lisboa como exemplo de inclusão. A pandemia trouxe a transformação do pagamento por aproximação, que se deu em paralelo ao PIX. O débito em conta sumiu, substituído pelo PIX automático. O PIX tem agenda evolutiva: PIX internacional, PIX parcelado, PIX recorrente. O Tap to Pay é uma das grandes alavancas da ZUP, que é líder em share para empresas B2B. A tecnologia converge para o celular, eliminando a necessidade de múltiplas máquinas no balcão. O PIX já é usado por 76% da população, e 62% dos usuários o utilizam diariamente. A ZUP encerrou 2025 com TPV transacional de mais de 35 milhões de reais, com mais de 21 milhões de transações de Tap to Pay. O foco B2B é atender parceiros com ecossistemas de empreendedores, criando uma esteira B2B2C. A ZUP se posiciona como plataforma one-stop-shop em payments, banking e crédito. O cartão de crédito ainda é preferência para tickets maiores e programas de loyalty, então a tendência é conectar o uso do cartão às soluções de pagamento.

Olhando para o futuro, Marcela cita a MWeb e o South by Southwest: não existe mais planejamento de tendências de cinco ou dez anos. A tecnologia avança na velocidade do ChatGPT e Gemini, que não existiam dois anos atrás. O PIX, em cinco anos, superou décadas de construção do cartão de crédito. A era agêntica está chegando: pagamento agêntico, compra agêntica, delegar a vida a um agente de IA. Na ZUP, isso é um olhar de futuro próximo. Pesquisa feita em abril com representatividade Brasil, das classes A a D, mostrou que 85% não sabiam o que é pagamento agêntico, mas 61% disseram que usariam se fosse explicado. O Brasil pode ser pioneiro nessa tecnologia. Pathy esteve na NRF, onde o tema foi pagamento agêntico e o agente que compra. As jornadas de compra evoluíram de 20 cliques para 1 clique. As gerações mais novas não vão mais ao Google, usam chatbots para pesquisa, e o resultado é mais personalizado. Quem estabelecer conexão mais rápida para disponibilizar SKUs sai na frente. A ZUP já desenvolve pagamento agêntico para empresas B2B. Dentro do iFood e da Prosos, a palavra futuro não existe: trabalham para um presente que muda a cada hora. A provocação é se as empresas no Brasil caminham na mesma velocidade de disrupção.

Sobre liderança nesse contexto, Pathy conta que o time de marketing da ZUP, antes da aquisição, produzia campanhas com 30 pessoas, modelos, maquiador, stylist, agência. Hoje, o mesmo time, com as mesmas pessoas, faz tudo com IA, sem humanos reais, mantendo qualidade e reduzindo custos. O uso de IA é obrigatório no iFood, com metas de IA. O desafio é colocar a disrupção na cabeça de um time formado em empresas tradicionais. Não é top-down nem bottom-up: todo mundo usa e se desafia todos os dias. Há competição interna por quem aprende mais rápido. Marcela reforça que a vulnerabilidade da liderança é necessária: o mito de que o líder sabe tudo precisa cair. A pessoa que quer usar IA de forma ferramenteira, sem repensar o processo, não avança. O processo inteiro de produção mudou.

Sobre regulação, Marcela explica que a ZUP é regulada pelo Banco Central, com licença de instituição de pagamentos. Não existe atalho na regulação. A inovação está na camada de usabilidade e UX, na linha de frente do consumidor. O Banco Central atua intensamente na rastreabilidade de dinheiro, prevenção à lavagem de dinheiro, cruzamento de dados. O regulador brasileiro é inovativo, mas mantém controle. Pathy reforça que a ZUP perde negócio com consciência por seguir a regulação. A questão ética é central: o consumidor e o parceiro precisam ter confiança no processo. A ZUP reestruturou sua base de clientes: de uma média de mil clientes ativos de SMB, passou a focar em 100 clientes grandes, com capacidade de desenvolver infraestrutura e atuar dentro das regras do Banco Central. O Go to Market é sniper, trazendo o cliente certo.

Como mensagem final, Marcela diz que o trabalho fez sentido quando estava ligado a um propósito: tornar mais fácil pagar, mover dinheiro de forma confiável, dar acesso a mais pessoas num país com desbancarizados. Lidera um time diverso e faz questão disso. O CPF precisa influenciar pelo CNPJ. Pathy concorda: a missão é transformar, transformar processos, pessoas, tecnologia, o cliente. O valor entregue não muda se for homem ou mulher. Para as mulheres que ouvem: não desistam, existe espaço em altas lideranças, é difícil, mas existe. As gerações que vêm estão mais fortes. Trabalhe por uma missão, estabeleça o propósito, e com certeza vai chegar muito mais longe.

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