
Ep.6 - Leadership Club - Construindo a CUB: Liderança e pragmatismo na criação de uma nova empresa
Resumo rápido
Léo Gasparin, CEO da Kubi, compartilha 20 anos de experiência empreendedora para defender que a liderança se constrói no pragmatismo do básico bem feito: obsessão por caixa, time complementar e dedicado, humildade para pivotar e compromisso de longo prazo. A Kubi busca levar 2 trilhões de recebíveis imobiliários ao mercado de capitais, e a filosofia de gestão que a sustenta é a de que só vale erro novo, que a perenidade vem antes do crescimento e que a taxa de aprendizado é o verdadeiro retorno de quem escolhe empreender.
Capítulos
- 00:58A trajetória empreendedora de Léo Gasparin
- 05:43A Kubi e o mercado imobiliário brasileiro
- 13:41Pragmatismo de gestão em cenários desafiadores
- 19:10Obsessão por equilíbrio de caixa e break-even
- 24:36Complementaridade do time e retenção de talentos
- 33:17Compromisso de longo prazo e zerar o vesting
- 41:58Mensagem final: empreendedorismo e perenidade
Frases do episódio
O que você vai ouvir neste episódio
- Leonardo Gasparin compartilha aprendizados acumulados em mais de vinte anos de experiência em e-commerce, inteligência artificial e mercado imobiliário.
- A CUB busca atuar como a infraestrutura responsável por organizar recebíveis imobiliários e conectá-los ao mercado de capitais no Brasil.
- O episódio aborda os fatores culturais e estruturais que fazem o setor imobiliário brasileiro avançar com ritmo reduzido.
- O debate compara as diferenças de mentalidade exigidas ao migrar do ambiente corporativo tradicional para o ecossistema de startups.
- A gestão eficiente de caixa e o alinhamento de equipes são apontados como pilares fundamentais para garantir a sustentabilidade do negócio.
Temas discutidos
O episódio conecta a criação de novos negócios ao contexto de liderança e gestão pragmática no ecossistema atual. A discussão reflete sobre como a cultura organizacional e a tolerância ao erro influenciam a inovação em setores tradicionais como o imobiliário. Além disso, destaca a necessidade de sustentabilidade financeira, mostrando que o sucesso de startups depende do domínio dos fundamentos operacionais, da adaptabilidade dos líderes e do alinhamento contínuo das equipes diante de cenários incertos.
Para quem é este episódio
Este conteúdo é recomendado para executivos, fundadores de startups e gestores de produtos ou operações. É especialmente útil para profissionais que buscam gerenciar equipes em mercados complexos, migrar entre corporações e novas empresas, ou estruturar modelos de negócios sustentáveis com pragmatismo.
Sobre a série Leadership Club
O Leadership Club é a série do Love the Problem dedicada a conversas francas com pessoas que lideram organizações no Brasil. Em cada episódio, executivas e executivos de setores diferentes contam como tomam decisões sob pressão, como constroem times de alta performance e o que aprenderam com os erros pelo caminho. É liderança contada por quem está no jogo, sem receitas prontas.
Ver todos os episódios da série Leadership ClubPerguntas que este episódio ajuda a responder
Qual é a proposta da CUB para o mercado imobiliário brasileiro?
A CUB atua para se tornar a infraestrutura responsável por organizar e estruturar os recebíveis do setor imobiliário. O objetivo da empresa é conectar esse mercado ao mercado de capitais, buscando resolver entraves de eficiência que historicamente fazem o setor imobiliário nacional crescer em ritmo mais lento se comparado a outros segmentos da economia.
Quais são as principais diferenças ao liderar em uma startup em comparação a um ambiente corporativo?
A mudança de contexto exige adaptar a gestão ao ritmo do negócio. Enquanto corporações possuem estruturas consolidadas, a startup exige foco no básico bem-feito, controle rigoroso de caixa e tomada de decisão ágil. O líder precisa exercer uma postura mais humilde para orientar o time em cenários imprevisíveis e adaptar processos à realidade do mercado.
Como a cultura de tolerância ao erro é abordada no desenvolvimento de novos negócios?
A liderança enfatiza o princípio de que só vale cometer erros novos, transformando eventuais falhas em aprendizado real. Essa mentalidade permite que o negócio inove e teste hipóteses de forma contínua, mantendo o pragmatismo e evitando a repetição de falhas antigas na gestão de equipes e na construção do produto.
Sobre este episódio
No sexto episódio do Leadership Club, Léo Gasparin, Founder e CEO da Kubi, traz 20 anos de trajetória empreendedora para discutir liderança e pragmatismo na criação de uma empresa de tecnologia para o mercado imobiliário brasileiro. Ele percorre sua história desde a fundação do Ponto Frio em 2008, passando por e-commerce, inteligência artificial e desenvolvimento imobiliário, até a criação da Kubi em 2022. A Kubi busca levar 2 trilhões de reais em recebíveis imobiliários ao mercado de capitais, num setor com uma das menores penetrações de tecnologia do mundo. A filosofia de gestão que Léo defende é a do básico bem feito: obsessão por caixa, time complementar e dedicado, humildade para pivotar e compromisso de longo prazo. Ele critica a cultura de curto prazo do venture capital, propôs zerar o vesting dos fundadores e alerta que a taxa de aprendizado em uma startup é o verdadeiro retorno, não a promessa de enriquecimento rápido. O episódio é um manifesto contra a romantização do empreendedorismo e a favor da perenidade, da austeridade e da liderança que se constrói no dia a dia, não em frameworks.
Transcrição completa
Leonardo Gasparin, Founder e CEO da Kubi, é um empreendedor com 20 anos de trajetória profissional, tocantinense de nascimento, filho de pais empreendedores. Ele não se considera empreendedor em série, mas alguém que encontrou no empreendedorismo o lugar onde se sente mais feliz. Sua formação foi em Administração de Empresas na GV, em São Paulo, e ele passou por experiências diversas: mercado financeiro por um ano, fundação do Ponto Frio em 2008 como crachá 001, que virou a Nova, com Casas Bahia e outros sócios, até 2012. Em 2013, empreendeu com e-commerce; em 2016, com inteligência artificial, ainda antes do termo se popularizar. Teve também passagem como desenvolvedor imobiliário. A Nemo foi vendida para a Lynx em 2015 e a Konomi para o Bradesco em 2024. Em 2022, voltou do zero para reescrever o capítulo de tecnologia para o mercado imobiliário, que é a Kubi. A Kubi é uma sigla brasileira: custo unitário básico, a principal sigla do mercado imobiliário. O objetivo da empresa é construir a infraestrutura de tecnologia para que os recebíveis do mercado imobiliário brasileiro, uma indústria trilionária, migrem para o mercado de capitais. Hoje, cerca de 2 trilhões de reais em recebíveis de loteadoras e incorporadoras não aparecem no balanço do Banco Central, enquanto o mercado de CRIs gira em torno de 200 bilhões. O mercado imobiliário brasileiro tem uma das menores penetrações de tecnologia do mundo, cresce com o freio de mão puxado, com taxa de juros proibitiva, mas vem ganhando maturidade regulatória com patrimônio de afetação, fundos de investimento em participações e outros instrumentos. A Kubi nasceu em 2022, após mais de 300 reuniões de validação, com três fundos institucionais, incluindo um americano, e oito slides de apresentação. Em agosto do ano seguinte, fez uma rodada Série A de 5 milhões e meio de dólares para acelerar a máquina de vendas. A filosofia de gestão da Kubi é pautada pelo pragmatismo: obsessão por equilíbrio de caixa, busca constante pelo break-even, e a premissa de que só vale erro novo. Léo não gosta do jogo kamikaze de ir gastando e arrumar investidor na frente. Ele é filho de português dono de boteco, e traz essa cultura de perenidade. A complementaridade do time é, para ele, o principal fator de sucesso ou fracasso de um negócio. Quem tem ação na Kubi é investidor ou está dedicado 24 horas por dia. O tempo de Léo é majoritariamente gasto perto do time e atraindo novos talentos, pois a mão de obra boa está globalizada e a retenção é um desafio constante. Ele critica a fantasia do Vale do Silício de que com dinheiro dos outros se faz o que quer, e defende que o básico bem feito, o arroz com feijão, tem valor em qualquer lugar. A intuição do dia a dia, o feeling nos números, importa mais do que ferramentas de gestão em si. Ele conta que seus pais, no comércio no Tocantins, monitoravam o fluxo de caixa de forma simples: todo final de ano, viam se tinham comprado ou investido em algum imóvel. Se tinham, o ano foi bom. Se não, não foi. Sobre captação de recursos, Léo reconhece que é um mal necessário, mas alerta que muitos negócios nascem natimortos por causa de captação errada, no time errado, com investidores errados ou cláusulas que inviabilizam o negócio no médio e longo prazo. Ele propôs aos investidores da Kubi que zerassem o vesting, comprometendo-se a mais quatro anos, totalizando sete anos de dedicação. Ele critica a expectativa de empreendedores jovens que querem fazer cinco negócios em dez anos, dizendo que fazer um já vai ser difícil. Para quem está em dúvida entre startup e grande empresa, ele diz que não garante que a Kubi vai dar certo em dois anos, mas garante que a pessoa vai sair muito melhor do que entrou, com muito mais opções de mercado de trabalho. A taxa de aprendizado em uma startup é de 20 anos em dois. Ele compara o tempo do CEO de startup com o de uma grande corporação: na startup, 80% do tempo é pensar em como ganhar dinheiro e 20% em riscos; na corporação, é o inverso, 80 ou 90% em gerenciar risco. Não há certo ou errado, são estilos profissionais diferentes. Ele encerra dizendo que o país mais envolvido passa por empreendedorismo, que tempestade nunca dura para sempre, e que ser feliz não é estar feliz 100% do tempo. Convida a audiência a gastar tempo aprendendo, fazendo cursos e conversando com outros empreendedores.
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