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Ep. 146 - Crise Econômica e seus Impactos
Ep. 146

Ep. 146 - Crise Econômica e seus Impactos

30 de janeiro de 202300:52:04
Estratégia
Pessoas
Carreira

Resumo rápido

No episódio 146 do Love the Problem, CFC e o economista Pedro discutem a crise econômica global como uma tempestade perfeita — pandemia, guerra, inflação e o fim do ciclo de expansão — e seus impactos em empresas e pessoas. A conversa traça a transição do paradigma de abundância (crescer a qualquer custo) para um novo modelo de austeridade e solidez, explica por que startups e áreas internas (agilidade, marketing) estão sendo cortadas, e debate como tornar os desligamentos mais humanos através da transparência financeira e do cuidado a posteriori.

Capítulos

  1. 00:23Abertura: a crise econômica como pauta do momento
  2. 01:46Sinais do mercado: inflação, juros e cenário de recessão
  3. 03:46A tempestade perfeita: pandemia, guerra e ciclo de expansão
  4. 09:49Mudança de paradigma: de escassez a abundância e agora austeridade
  5. 16:59Eficiência versus eficácia e os clusters de empresas afetadas
  6. 22:17Cortes em agilidade, marketing e áreas internas: a polêmica
  7. 42:02Humanizando os desligamentos: transparência e cuidado a posteriori

Frases do episódio

Qual é a chance de você ter uma tempestade perfeita, né? Usando a analogia que se usa muito em filmes, inclusive, né? Aquele filme do furacão lá e tal.

03:46

A lógica do venture capital é você investir em 10, 20 empresas para... Talvez você consiga o retorno em uma delas, né?

06:08

A primeira coisa que me vem à cabeça é tentar ajudar da melhor forma possível a recolocar a pessoa em algum lugar.

42:32

O que você vai ouvir neste episódio

  • O episódio explora as demissões em massa promovidas por grandes empresas de tecnologia durante o período de reestruturação econômica.
  • Os convidados CFC e Pedro Horigoshi discutem os fatores macroeconômicos que impulsionaram a atual crise no setor de tecnologia.
  • A conversa aborda os impactos diretos e indiretos das movimentações de mercado no ecossistema de trabalho e nas organizações.
  • A análise destaca como outros fatores internos e estratégicos influenciaram as recentes decisões corporativas de corte de pessoal.

Temas discutidos

As transformações econômicas e as demissões em massa afetam diretamente a cultura organizacional, a liderança e a gestão de produtos. Em momentos de instabilidade financeira, líderes e equipes ágeis precisam reavaliar estratégias de crescimento, priorização de projetos e retenção de talentos. A discussão trazida por CFC e Pedro Horigoshi ajuda a compreender as forças de mercado que exigem maior adaptabilidade, governança e eficiência operacional dentro das empresas que buscam sustentar suas operações em cenários adversos.

Para quem é este episódio

Este episódio é recomendado para líderes executivos, gestores de produtos e profissionais de recursos humanos ou agilidade. Esses perfis encontrarão no debate insights sobre como interpretar o cenário macroeconômico atual, ajustar estratégias de gestão de pessoas e tomar decisões mais conscientes diante de momentos de instabilidade no mercado de tecnologia.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

Quais fatores influenciaram as demissões em massa nas empresas de tecnologia?

As demissões em massa nas empresas de tecnologia foram motivadas pela crise econômica global, além de reajustes estratégicos internos após períodos de forte expansão. No episódio, os convidados CFC e Pedro Horigoshi analisam como a instabilidade do mercado e a busca por maior sustentabilidade financeira forçaram essas reestruturações nas grandes corporações do setor.

Como a crise econômica impacta a liderança e a gestão de produtos?

A crise econômica força os líderes e gestores de produtos a priorizarem a eficiência operacional e a revisão de metas estratégicas. Diante de restrições orçamentárias, torna-se essencial alinhar a capacidade de entrega das equipes ao retorno financeiro real, ajustando os roteiros de desenvolvimento às novas exigências e limitações de um mercado em retratação.

Quem são os convidados do episódio sobre crise econômica e demissões?

O episódio conta com a participação de CFC e Pedro Horigoshi, que compartilham suas perspectivas e análises sobre os desdobramentos da crise econômica no mercado corporativo. Ambos discutem tanto as movimentações macroeconômicas quanto os fatores organizacionais que levaram às recentes decisões de demissão em massa nas empresas de tecnologia.

Sobre este episódio

O episódio 146 do Love the Problem, com CFC e o economista Pedro, mergulha na crise econômica global de 2023 e seus impactos no mercado de trabalho e na gestão de empresas. A conversa estrutura a crise como uma tempestade perfeita — pandemia, guerra, inflação e o fim de um longo ciclo de expansão — e traça a transição de paradigma de abundância para austeridade. Os convidados explicam por que startups, áreas de agilidade, marketing e times internos estão entre os mais afetados, e debatem a diferença entre layoff e demissão no contexto brasileiro. A discussão aprofunda-se na questão da transparência corporativa: empresas que escondem números na crise geram pânico e surpresa nos colaboradores. O encerramento foca em práticas humanizadas para os desligamentos, reconhecendo que o cuidado é a posteriori e que a ótica deve ser sempre a do colaborador, não a da empresa. O episódio convida a comunidade a compartilhar perspectivas sobre como suavizar essas situações difíceis.

Transcrição completa

O episódio aborda a crise econômica global e seus impactos no mercado de trabalho e nas empresas. Os convidados, CFC (Carlos Felipe Cardoso) e Pedro, economista de formação, discutem os sinais que o mercado está dando: o pós-pandemia trouxe consequências de consumo e inflação, a inflação alta obrigou juros mais altos e uma série de medidas econômicas, apontando para um cenário de recessão, que é o não crescimento econômico, gerando medo nos empresários por falta de consumo e redução de vendas. Esse é um desafio macroeconômico geral, mundial, não restrito ao Brasil. Pedro, que está em Portugal, acompanha tudo o que acontece no Brasil e no mundo. A discussão parte da analogia da tempestade perfeita: a Covid-19 foi uma tempestade, junto com uma guerra numa das regiões com mais petróleo e gás do mundo, somada a um ciclo econômico grande de expansão nos últimos 20, 30 anos, em que o importante era crescer, não necessariamente ter performance. As crises são cíclicas, não é a primeira nem a última, e refletem o comportamento humano: a gente se anima quando as coisas estão boas e se empolga, até que vem o tom. É importante separar o que acontece em grandes empresas, startups, empresas médias e familiares. Nas startups, a lógica do venture capital exige retornos exponenciais: investir em 10, 20 empresas para talvez conseguir o retorno em uma delas, com retornos de 20, 30, 40 vezes. Isso coloca pressão enorme para crescer. A regra do jogo muda: em vez de receita e lucro, fala-se em valuation, em rodadas de investimento. Muitas startups no Brasil fizeram rodadas de demissão, os chamados layoffs, porque viram que a próxima rodada não ia acontecer como imaginavam e precisavam fazer o dinheiro em caixa durar mais. CFC faz um parêntese importante: o termo layoff, no sentido técnico, é uma suspensão temporária do contrato de trabalho de forma não remunerada, enquanto o que se vê no Brasil é uma demissão como qualquer outra, mudando apenas o volume. A discussão se estende ao Canadá e aos Estados Unidos, onde a inflação de 10% é algo que a gente não sabe nem lidar, e Portugal também vive um cenário parecido. O jogo mudou: antes se jogava com regras de crescimento, base de cliente, e agora a conta está chegando. A discussão introduz a mudança de paradigma sobre como se faz gestão nas empresas. Antes dos anos 2000, o paradigma era de escassez: operar com o menor número possível de pessoas, como a Embraer, GM, Ford, Toyota. Com a transformação digital e a bolha da internet, o paradigma virou abundância: bota mais time, bota mais dinheiro, bota mais gente. Mas a eficiência foi sendo perdida e, em algum momento, ela cobra a conta do resultado. O movimento pendular saiu do 8, foi para o 80, e agora a conta está chegando. Talvez o próximo paradigma seja o 40, uma oportunidade que dói porque bate nas pessoas. Os fundos de venture capital estão no limite mais agressivo, mas todo o capital volante do mundo está mais conservador, querendo resultado concreto, não em 20 anos. A pergunta é: qual é esse novo paradigma? Talvez seja o exponencial de verdade, cobrar realmente a exponencialidade. Pedro concorda que as empresas caíram na ficha de que as contas têm que fechar, num modelo de austeridade, pé no chão. A lógica da abundância, pelo desenvolvimento ecológico e pelas condições do século XX, tende a continuar, mas a questão é em cima de quais fundamentos. Muitas empresas construíram negócio em cima de fumaça, e agora há uma cobrança por solidez, por números e por resultados concretos. O jogo do venture capital vai continuar, mas com mais cobrança por solidez. A discussão sobre falhar rápido é delicada: enquanto empresário, falhar significa desligar alguém, e isso gera estresse na vida de indivíduos que perderam o emprego, o trabalho, o salário. É um movimento muito delicado, um efeito borboleta que gerou um efeito furacão. Existem clusters diferentes de empresas: uma que estava em growth, uma que apostou errado, uma que foi pega num movimento anticíclico. Não dá para botar tudo num monolito. CFC separa dois clusters: empresas que tinham modelo de negócio sustentável mas foram pegas de calça curta, e empresas fomentadas no paradigma do growth, que caem mais. O fator contaminação também é importante: na manchete do jornal tudo aparece igual, gerando pânico e histeria coletiva. Semana a semana, mais de 500 desligamentos: Amazon com 12 mil, empresas brasileiras com 500, 600 pessoas, Google com 10 mil, Microsoft. A pergunta é: até que horas a gente segura a onda? A discussão sobre a área de agilidade ser cortada é polêmica. CFC argumenta que agilidade não é fim para nada, é meio, a produção de valor. Não se trata de ser ágil ou modelo de maturidade nível 5, mas de diminuir lead time, priorizar melhor, favorecer gestão de resultados. Muitas empresas trabalham com olhar desequilibrado nos quatro domínios: muito processual ou muito cultural, sem noção do resultado gerado. O jogo está mudando e a forma como o mercado cobra performance mudou junto. O pior de viver uma quebra de paradigma é estar imerso no anterior e a regra mudar de um dia para o outro. CFC traz a perspectiva de que, em muitas empresas, as camadas de gestão geram ruído: cada um é cobrado por uma meta, mas o que é discutido no conselho é outra coisa. Quando vem um corte de custo, executivos entram em modo defesa e cortam tudo que trabalha para dentro. Num paradigma de crescimento, é muito fácil cair nisso. A discussão se estende a marketing, finanças, jurídico: a questão são os critérios, e cada empresa deve ter os seus. O ponto central é a geração de valor: quem estava lá versus o valor que a pessoa estava gerando, principalmente para o curto prazo. Apostas de longo prazo estão sendo congeladas ou postergadas. É importante não cair na falácia da meritocracia, colocando as pessoas numa posição como se tivessem controle sobre fatores externos. Ao mesmo tempo, não se pode botar tudo no locus externo. A crise vem gerando comportamentos diferentes: empresas no paradigma de escassez fazem 5% de corte no orçamento de custo fixo; outras tentam pegar produtividade por critérios subjetivos. Os três paradigmas estão em voga, com soluções diferentes e uma pitada de histeria. Para o indivíduo, a pergunta é: qual é a regra do jogo na empresa onde você está? É sobrevivência, crescimento conservador ou expansão? CFC fala sobre a falta de transparência: empresas escondem informação na crise, falam na bonança e escondem na crise. É um comportamento humano padrão. A K21, na Covid-19, fez um movimento de abrir o colchão, a métrica de fluxo de caixa, e isso gerou susto em algumas pessoas. Existe a crença de que informação ruim se esconde porque assusta. Mas há pessoas que preferem saber, que querem ser tratadas como adultas. A cultura da Amazon, de focar em crescimento sem lucro, está mudando. Boa parte da equipe da Alexa foi desligada, e as métricas eram de uso e crescimento. A pessoa estava jogando dentro das regras do jogo, mas o cenário mudou. A discussão sobre dizer não é auto-similar em todos os níveis: do sênior ao executivo, a dificuldade de dizer não, de focar, é a mesma. Quem tem 30 projetos estratégicos na verdade tem 30 projetos que não estão ajudando o foco da empresa. No encerramento, a pergunta é: o que fazer para que os desligamentos sejam mais humanos? Pedro sugere ajudar a recolocar a pessoa, mas reconhece que num momento de pouca contratação é mais difícil. A questão do gerenciamento de expectativas é complicada: não é momento de feedback, não é sobre a pessoa estar underperformada, é sobre o negócio da empresa. É difícil gerenciar a expectativa sem gerar pânico. O cuidado é a posteriori, minimizar o impacto. CFC traz que a ótica é sempre de quem foi desligado, não da empresa. Por mais que se siga um roteiro de boas práticas, processos vão ter erros, e esse erro toca no humano fragilizado. Não é hora de dar feedback, muitas vezes é tão simples quanto dizer: erramos. A fonte de origem foi um erro de leitura de cenário, de estratégia, de controles financeiros, de modelo de negócio. CFC concorda que, dentro dos desligamentos que acompanhou, o que mais doeu foi a surpresa. Transparência financeira e clareza sobre critérios ajudam a reduzir a revolta. Se a pessoa recebeu feedbacks, teve acesso aos números, talvez ficasse menos revoltada. O episódio convida a comunidade a compartilhar perspectivas sobre o que funcionaria para suavizar essas situações difíceis.

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