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Ep. 55 - 20 anos do Manifesto Ágil

Ep. 55 - 20 anos do Manifesto Ágil

8 de fevereiro de 202101:06:45
Agilidade
Facilitação
IA
Pessoas

Resumo rápido

Natasha Ribeiro (Love the Problem) recebe Thaís Rigolon (Agile Girls) e Raquel Tanorkovi (Love the Problem) num crossover para discutir os 20 anos do Manifesto Ágil: sua origem em 2001, se a Aliança Ágil cumpriu seu objetivo, a metáfora do "portal" que separa quem já é agilista de quem ainda não conhece o tema, o debate sobre se o manifesto precisa ser atualizado, e os princípios que cada uma considera mais valioso e mais difícil de praticar.

Capítulos

  1. 02:06Origem do Manifesto Ágil: os 17 signatários e a Aliança Ágil
  2. 03:56Qual problema o Manifesto Ágil se propõe a resolver
  3. 08:17A Aliança Ágil atingiu seu objetivo? Pensamento sistêmico e impacto de mercado
  4. 21:54Por que a transformação ágil demorou anos para chegar às empresas
  5. 25:39A metáfora do portal: atravessar a bolha e incluir outras áreas
  6. 42:26O manifesto é uma obra pronta ou precisa ser atualizado?
  7. 52:38Os princípios favoritos e mais desafiadores de cada convidada

Frases do episódio

“Estamos descobrindo maneiras melhores de desenvolver software fazendo nós mesmos e ajudando os outros a fazerem o mesmo.”

00:05

“a agilidade, ela é um portalzinho que a gente atravessa, né?”

24:39

“liderança é fazer diferença com intenção”

01:03:31

O que você vai ouvir neste episódio

  • A origem do manifesto: em fevereiro de 2001, 17 pessoas autodenominadas "anarquistas organizacionais", representando metodologias como Extreme Programming, Scrum, DSDM e Crystal, se reuniram num resort em Utah e formaram a Agile Alliance, insatisfeitas com processos de desenvolvimento pesados em documentação.
  • As três hosts concordam que a Aliança Ágil não só atingiu como superou seu objetivo original, colocando a tecnologia e o pensamento sistêmico no centro da transformação das empresas, e destacam a ausência de mulheres entre os 17 signatários originais como um ponto de reflexão.
  • A metáfora do portal: depois de entrar em contato com a agilidade, a pessoa passa a enxergar tudo de outra forma, mas corre o risco de esquecer quem ficou de fora, discussão ilustrada pela concentração do debate ágil no eixo Rio-São Paulo-Belo Horizonte em detrimento de regiões como o Centro-Oeste.
  • É debatido se o Manifesto Ágil é uma obra que já nasceu pronta ou se precisaria de atualização: um lado defende que ele é simples e amplo o suficiente para servir de alicerce, adaptável a qualquer contexto sem reescrita formal; o outro argumenta que, nascido do universo do desenvolvimento de software, o texto exclui outras frentes e mereceria revisão.
  • Cada host escolhe seu princípio favorito entre os 12 do manifesto e o mais difícil de praticar: Natasha e Thaís elegem a simplicidade como favorita, Thaís aponta o desenvolvimento sustentável como o mais desafiador, e Raquel escolhe construir projetos em torno de indivíduos motivados, ligando o tema a uma ressignificação da liderança.
  • O episódio fecha com recomendações de leitura (Liderando para a Felicidade, Team Topologies, Essencialismo) e a mensagem de que qualquer pessoa pode liderar pelo exemplo, citando a frase "liderança é fazer diferença com intenção", ouvida de Garrido.

Temas discutidos

O episódio percorre a história e a essência do Manifesto Ágil em seu 20º aniversário, a metáfora do portal e da bolha da comunidade ágil, o debate entre preservar o manifesto como alicerce simples ou atualizá-lo para outros contextos além do desenvolvimento de software, e a escolha pessoal de cada host sobre qual dos 12 princípios mais valoriza e qual considera mais difícil de aplicar.

Para quem é este episódio

Agilistas, Scrum Masters, coaches ágeis e profissionais de produto interessados na história e nos fundamentos do Manifesto Ágil, bem como líderes que buscam refletir sobre diversidade, inclusão e amadurecimento da comunidade ágil brasileira.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

Como e quando surgiu o Manifesto Ágil?

Ele nasceu em fevereiro de 2001, quando 17 pessoas que se autodenominavam "anarquistas organizacionais", representantes de metodologias como Extreme Programming, Scrum, DSDM, Adaptive Software Development e Crystal, se reuniram num resort em Utah, nos Estados Unidos, insatisfeitas com processos de desenvolvimento de software pesados em documentação. O grupo se autointitulou The Agile Alliance.

Quais são os quatro valores do Manifesto Ágil citados no episódio?

Mais indivíduos e interações do que processos e ferramentas; mais software funcionando do que documentação abrangente; mais colaboração com o cliente do que negociação de contratos; e mais responder a mudanças do que seguir um plano.

O que significa a metáfora do "portal" usada no episódio?

É a sensação de que, ao entrar em contato com a agilidade, a pessoa passa a enxergar o mundo com outra lente, mas corre o risco de se fechar numa bolha e esquecer quem ainda não teve acesso a esse conhecimento, especialmente fora do eixo Rio-São Paulo-Belo Horizonte.

O Manifesto Ágil deveria ser atualizado, segundo as participantes?

Há divergência: um argumento é que o manifesto é simples e amplo o bastante para servir de alicerce mínimo, adaptável a qualquer contexto sem necessidade de reescrita formal; o outro é que, por ter nascido só do universo de desenvolvimento de software, o texto exclui outras áreas e poderia ganhar uma atualização que inclua novas vozes.

Qual princípio do manifesto as participantes destacam como mais difícil de colocar em prática?

Natasha aponta a simplicidade, a arte de maximizar a quantidade de trabalho não realizado é essencial. Thaís cita o princípio de promover o desenvolvimento sustentável, um ritmo constante de trabalho. Raquel escolhe construir projetos em torno de indivíduos motivados, ligando essa dificuldade a uma ressignificação da liderança.

Que livros e conteúdos são recomendados no episódio?

São citados os livros Liderando para a Felicidade (Jurgen Appelo), Team Topologies, Essencialismo e Reinventando as Organizações (Frederic Laloux), além dos conteúdos de Simon Sinek sobre motivação e liderança.

Sobre este episódio

Neste episódio crossover, Natasha Ribeiro recebe Thaís Rigolon (Agile Girls) e Raquel Tanorkovi (Love the Problem) para discutir os 20 anos do Manifesto Ágil, que completa duas décadas em fevereiro de 2021. O episódio abre com a leitura dos quatro valores do manifesto e o relato de sua origem: em fevereiro de 2001, 17 pessoas autodenominadas "anarquistas organizacionais", representando metodologias como Extreme Programming, Scrum, DSDM e Crystal, se reuniram num resort em Utah, insatisfeitas com processos de desenvolvimento de software pesados em documentação, e formaram a Agile Alliance. As hosts destacam que, ao contrário daquele encontro só de homens, esse episódio é gravado inteiramente por mulheres agilistas.

A primeira pergunta da conversa é qual problema o manifesto resolve: o consenso é que ele captura, de forma simples e atemporal, a essência da agilidade e o foco nas pessoas, seja o cliente, seja quem desenvolve. Debate-se também se a Aliança Ágil atingiu seu objetivo, e a resposta é que sim, e além: colocou tecnologia e pensamento sistêmico no centro da transformação das empresas. É levantada a ausência de mulheres entre os 17 signatários, e citado o livro Reinventando as Organizações, de Laloux, como leitura que aprofunda o olhar integral sobre pessoas presente no manifesto. O sucesso do grupo é atribuído ao fato de nascer de pessoas insatisfeitas que já testavam soluções antes de formalizar o texto, conforme relatado no texto História do Manifesto, de Jim Highsmith.

Um eixo central do episódio é a metáfora do portal: a sensação de que, ao ter contato com a agilidade, a pessoa passa a ver tudo de outra forma, mas corre o risco de esquecer quem ficou de fora. É discutido como o debate ágil ainda se concentra no eixo Rio-São Paulo-Belo Horizonte, deixando de fora regiões como o Centro-Oeste, e como isso se conecta à necessidade de diversidade: trazer não só multidisciplinaridade de TI, mas pessoas do jurídico, financeiro e gente e gestão para a conversa, e democratizar o conhecimento ágil por meio de podcasts, eventos gratuitos e palestras. São mencionados outros manifestos derivados, como o do RH ágil e o Agile People Manifesto, como sinal de que a agilidade já extrapolou o desenvolvimento de software.

A conversa avança para o debate se o manifesto é uma obra pronta ou precisa evoluir. Um lado defende que ele é simples e amplo o bastante para servir de alicerce mínimo e restrição clara, adaptável a qualquer contexto (por exemplo, trocando "desenvolvimento de software" por "produtos e serviços"), sem necessidade de reunir os signatários para reescrevê-lo. O outro lado pondera que, nascido do universo de quem já desenvolvia software no dia a dia, o texto acabou restrito a esse contexto e mereceria uma atualização que inclua novas vozes, inclusive pensando em como o Brasil, hoje referência em agilidade, poderia se ver representado. A síntese proposta é que o manifesto funciona como alicerce: não uma obra que se desatualiza, mas um ponto de partida a partir do qual cada organização constrói e evolui.

Para fechar, cada participante escolhe seu princípio favorito entre os 12 do manifesto e o mais difícil de praticar. Natasha elege a simplicidade, a arte de maximizar a quantidade de trabalho não realizado é essencial, como favorita e também mais desafiadora. Thaís também escolhe simplicidade como favorita, citando o livro Essencialismo, mas aponta o desenvolvimento sustentável, um ritmo constante de trabalho, como o mais difícil de sustentar, sobretudo após o aumento de demanda na pandemia. Raquel escolhe construir projetos em torno de indivíduos motivados, dando a eles ambiente, suporte e confiança, ligando essa prática a uma necessária ressignificação da liderança que vai além do time Scrum, e também destaca o valor da comunicação cara a cara.

Como recomendações, são citados os livros Liderando para a Felicidade (Jurgen Appelo), Team Topologies e Essencialismo, além do conteúdo de Simon Sinek sobre motivação e liderança. Nas mensagens finais, reforça-se o convite para ler o manifesto e Reinventando as Organizações, levá-lo para retrospectivas de time, e lembrar que qualquer pessoa pode liderar pelo exemplo. Natasha fecha citando uma frase que ouviu de Garrido, "liderança é fazer diferença com intenção", destacando que o gesto de liderança dos 17 signatários originais segue fazendo diferença duas décadas depois.

Transcrição completa

Neste episódio crossover entre os podcasts Agile Girls e Love the Problem, Natasha Ribeiro (K21) recebe Thaís Rigolon (host do Agile Girls) e Raquel Tanorkovi (host recorrente do Love the Problem) para discutir os 20 anos do Manifesto Ágil, que completa duas décadas em fevereiro de 2021.

O episódio abre com a leitura dos quatro valores do manifesto: mais indivíduos e interações do que processos e ferramentas; mais software funcionando do que documentação abrangente; mais colaboração com o cliente do que negociação de contratos; mais responder a mudanças do que seguir um plano.

Em seguida, é contada a origem do texto: originalmente chamado de Agile Software Development Manifesto, ele nasceu de um encontro, em fevereiro de 2001, entre 17 pessoas que se autodenominavam "anarquistas organizacionais", reunidas num resort em Utah, nos Estados Unidos, representando metodologias como Extreme Programming, Scrum, DSDM, Adaptive Software Development, Crystal, Feature Driven Development e Programação Pragmática, entre outras. O grupo, insatisfeito com os processos pesados de desenvolvimento de software orientados a documentação, se autointitulou The Agile Alliance, com o objetivo de ajudar outros profissionais a pensar de forma nova e mais ágil sobre desenvolvimento de software, metodologias e organizações. As três hosts destacam que, diferentemente daquele encontro original composto só por homens, esse episódio está sendo gravado inteiramente por mulheres agilistas.

A primeira pergunta da conversa é qual problema o Manifesto Ágil se propõe a resolver. As respostas convergem: o manifesto consegue, de forma simples e atemporal, capturar a essência da agilidade e trazer o foco para as pessoas, seja o cliente, seja quem desenvolve o software, servindo como referência para quando o mercado se perde em modismos.

Na sequência, discute-se se a Aliança Ágil atingiu seu objetivo original. O consenso é que sim, e além: o grupo colocou a tecnologia no centro da transformação das empresas, gerando uma nova frente de gestão administrativa que segue no auge do seu potencial 20 anos depois, e trazendo o pensamento sistêmico como diferencial, a ideia de que uma empresa com times ágeis não é necessariamente uma empresa ágil. As participantes também comentam a ausência de mulheres entre os 17 signatários originais, reconhecendo o mérito do trabalho ao mesmo tempo em que questionam essa lacuna, e citam a forma como o manifesto trata as pessoas de maneira integral, em diálogo com o livro Reinventando as Organizações, de Frederic Laloux.

É debatido também por que a Aliança Ágil teve tanto sucesso: por nascer de pessoas insatisfeitas com o status quo, que já vinham testando e iterando soluções antes mesmo de formalizar o manifesto. O texto História do Manifesto, de Jim Highsmith, é citado como registro de que os 17 divergiam em vários pontos, mas encontraram um terreno comum. Uma das frases mais valorizadas na conversa é a abertura do próprio manifesto, "estamos descobrindo maneiras melhores de desenvolver software fazendo nós mesmos e ajudando os outros a fazerem o mesmo", lida como uma declaração de liderança pelo exemplo: as pessoas usavam a prática no dia a dia antes de propor levá-la a um nível maior.

A conversa então passa a discutir por que o movimento de transformação ágil nas empresas só ganhou força a partir de 2015-2016, cerca de 15 anos depois da criação do manifesto, mesmo a tecnologia já demandando outro ritmo desde o início. A explicação proposta é que a cultura organizacional só se adapta depois que o negócio e a tecnologia já mudaram, um processo sempre complexo, mas nunca linear.

Um dos eixos centrais do episódio é a metáfora do portal: a sensação, compartilhada pelas três, de que ao atravessar o portal da agilidade a pessoa passa a enxergar tudo com outra lente, mas corre o risco de esquecer quem ficou do lado de fora. É discutido como a discussão ágil ainda está concentrada no eixo Rio-São Paulo-Belo Horizonte, deixando de fora regiões como o Centro-Oeste, onde o mercado de tecnologia é menos maduro e voltado principalmente a serviços para o governo. Daí decorre uma reflexão sobre diversidade: não basta multidisciplinaridade de hard skills de TI, é preciso trazer pessoas de áreas como jurídico, financeiro e gente e gestão para a conversa, e democratizar o acesso ao conhecimento ágil por meio de podcasts, eventos gratuitos e palestras, em vez de restringi-lo a quem pode pagar certificações caras. Também são mencionados outros manifestos derivados, como o do RH ágil e o Agile People Manifesto, como sinal de que a agilidade já extrapolou a área de desenvolvimento de software.

A conversa avança para a pergunta se o Manifesto Ágil é uma obra que já nasceu pronta ou se a comunidade ainda não amadureceu o suficiente para identificar onde ele precisaria evoluir. Um lado do debate defende que o manifesto é simples e amplo o bastante para servir de restrição mínima e alicerce, permitindo que cada contexto o adapte, por exemplo substituindo "desenvolvimento de software" por "produtos e serviços", sem que seja necessário reunir os signatários para reescrevê-lo, isso preservaria a riqueza do movimento orgânico da agilidade. O outro lado pondera que, por nascer de pessoas que já desenvolviam software no dia a dia, o texto acabou ficando restrito a esse contexto, e que caberia dar uma atualizada incluindo novas vozes, sobretudo pensando em como o Brasil, hoje referência em agilidade, poderia se ver representado nesse tipo de manifesto. Uma síntese proposta é que o manifesto funciona como alicerce: não é uma obra que se desatualiza, mas um ponto de partida a partir do qual cada organização constrói e evolui dentro do seu próprio contexto.

Encerrando o episódio, cada uma das participantes compartilha qual dos 12 princípios do Manifesto Ágil mais gosta e qual considera mais difícil de colocar em prática. Natasha escolhe a simplicidade, a arte de maximizar a quantidade de trabalho não realizado é essencial, como seu princípio favorito e também o mais desafiador. Thaís também elege a simplicidade como favorita, citando o livro Essencialismo, mas aponta o princípio de promover o desenvolvimento sustentável, um ritmo constante de trabalho, como o mais difícil de sustentar na prática, sobretudo após o aumento de demanda observado durante a pandemia. Raquel escolhe como favorito o princípio de construir projetos em torno de indivíduos motivados, dando a eles ambiente, suporte e confiança, destacando que colocar isso em prática exige uma ressignificação da liderança que vai além do que o time Scrum consegue resolver sozinho, e também menciona o princípio da comunicação cara a cara como especialmente relevante.

Como recomendações de leitura, são citados os livros Liderando para a Felicidade, de Jurgen Appelo, Team Topologies, e Essencialismo, além do conteúdo de Simon Sinek sobre motivação e liderança. Nas mensagens finais, as três reforçam o convite para ler o manifesto e o livro Reinventando as Organizações, levar o manifesto para retrospectivas de time, e lembrar que qualquer pessoa pode liderar pelo exemplo, inspirando outras a atravessar o mesmo portal. Natasha fecha citando uma frase que ouviu de Garrido, "liderança é fazer diferença com intenção", destacando que o gesto de liderança dos 17 signatários originais, ao se reunirem para propor um jeito melhor de trabalhar, segue fazendo diferença duas décadas depois.

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