
Love The People - Naomy Oliveira
Resumo rápido
Naomy Oliveira, gestora de inovação e educadora na Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul, constrói uma ponte entre o ecossistema de inovação e a educação pública. Do Movimento Inova em São Paulo ao Rá-Catê no South Summit, ela prova que estudantes de escola pública são capazes de criar soluções que transformam sistemas inteiros — como um bot de reconhecimento facial que reduziu de uma semana para 15 minutos o processo de chamada escolar. Sua filosofia central: conectar os dois universos (inovação e educação) e levar a perspectiva de projeto de vida para além das paredes da escola.
Capítulos
- 00:09Conectando os dois universos: inovação e educação
- 01:14Quem é Naomy Oliveira: gestora de inovação e educadora
- 03:14Construindo a escola de formação do zero no Rio Grande do Sul
- 06:05O Movimento Inova: campus party para estudantes de escola pública
- 09:18O Rá-Catê: hackathon no South Summit e a solução vencedora
- 15:47Unindo os universos: empatia, projeto de vida e BNCC
- 33:08A trajetória pessoal: de escola de bairro ao Vetor Brasil
Frases do episódio
O que você vai ouvir neste episódio
- Naomy Oliveira compartilha sua atuação como gestora de inovação e educadora focada no desenvolvimento do sistema público de ensino.
- A aplicação de conceitos de agilidade apoia educadores na criação de métodos de aprendizagem mais dinâmicos e colaborativos.
- O incentivo à inovação dentro de escolas públicas amplia as oportunidades e engaja alunos em processos contínuos de evolução.
- O diálogo evidencia a relevância de adaptar práticas organizacionais modernas para a realidade de professores e estudantes brasileiros.
Temas discutidos
A introdução da agilidade e da inovação no ambiente escolar conecta diretamente a cultura organizacional e a gestão de pessoas à transformação da educação. Ao capacitar professores e alunos com novas metodologias, fortalece-se a liderança distribuída e a capacidade de adaptação no ensino público. Esse movimento demonstra que os princípios de agilidade ultrapassam o mercado corporativo tradicional, gerando valor real para a comunidade e construindo bases sólidas para o desenvolvimento de futuros profissionais.
Para quem é este episódio
Este episódio é recomendado para educadores, gestores públicos e agilistas interessados em aplicar conceitos de inovação no setor educacional. Lideranças e profissionais de recursos humanos que buscam entender como a cultura ágil pode impactar o desenvolvimento social e a formação de pessoas também encontram insights valiosos nesta conversa.
Sobre a série Love The People
Love The People traz histórias de carreira de pessoas que atuam com agilidade, produto e liderança. São conversas mais pessoais do que técnicas: transições de área, decisões difíceis, aprendizados e o que cada convidado faria diferente. Serve como referência para quem está construindo a própria trajetória profissional.
Ver todos os episódios da série Love The PeoplePerguntas que este episódio ajuda a responder
Quem é Naomy Oliveira e qual é sua atuação no setor educacional?
Naomy Oliveira é gestora de inovação e educadora dedicada a transformar o sistema de ensino público. Ela atua diretamente com professores e alunos, promovendo o incentivo e o ensino de práticas de agilidade e conceitos de inovação. Seu trabalho busca capacitar a comunidade escolar com ferramentas que dinamizam o aprendizado e modernizam as dinâmicas em sala de aula.
Como a agilidade e a inovação podem ser aplicadas em escolas públicas?
A agilidade e a inovação são introduzidas nas escolas públicas por meio da capacitação de docentes e estudantes em metodologias colaborativas. Essas práticas auxiliam os educadores no planejamento de aulas e na resolução de problemas do cotidiano escolar, estimulando o protagonismo dos alunos e tornando o ambiente educacional mais flexível, participativo e adaptado às demandas sociais atuais.
Qual é a importância de levar mentalidade ágil para a formação de educadores?
Levar a mentalidade ágil para a formação de professores permite refinar processos de ensino e promover contínuas melhorias pedagógicas. Ao dominar princípios de agilidade, os educadores ganham autonomia para estruturar projetos interdisciplinares, lidar melhor com desafios complexos do ambiente escolar e preparar os estudantes com habilidades essenciais para o futuro, como colaboração e pensamento crítico.
Sobre este episódio
No episódio 8 do quadro Love the People, do podcast Love the Problem, Naomy Oliveira compartilha sua trajetória de ponte entre o ecossistema de inovação e a educação pública brasileira. Professora de anos iniciais, gestora de inovação e educadora, ela trabalhou quatro anos na EFAP, a escola de formação de São Paulo, onde se descreve como 'gestora de inovação disfarçada', introduzindo metodologias ágeis e de design thinking de forma gradual. Em 2019, junto com Débora Garó, criou o Movimento Inova, um evento de dois dias com mais de 8 mil estudantes de escola pública, que em 2020 ultrapassou 100 mil de audiência online. No Rio Grande do Sul, onde chegou no final de 2019 para construir do zero a escola de formação do estado, organizou o Rá-Catê, um hackathon realizado na Tecnopuc nos dias que antecederam o South Summit. A solução vencedora, criada por um estudante do ensino médio de Uruguaiana, foi um bot de reconhecimento facial que reduziu de uma semana para 15 minutos o processo de chamada digital nas escolas. Naomy defende que a empatia é o elo entre as competências socioemocionais da BNCC e o design thinking, e que a perspectiva de projeto de vida deve ir além da escola, alcançando professores e profissionais de mercado. Sua filosofia central é que todos os universos — inovação, educação, gestão pública, sociedade civil — estão conectados, e que a curiosidade só floresce quando alguém a acende. O episódio também aborda a mudança curricular da BNCC no ensino médio, com itinerários formativos e a escolha do estudante, e a importância de formar professores em constante atualização para acompanhar a velocidade das mudanças.
Transcrição completa
Todas as formações, a gente fala, não, porque a gente tem que preparar o nosso estudante pro século 21, competente pro século 21. Isso toda hora, falo em qualquer formação. E aí eu falo, só que a gente esquece que a gente não morreu, né. Então todas as minhas escolhas do curso que eu vou fazer pra o livro que eu vou ler, tá baseado aonde eu quero chegar. E aonde eu quero chegar não é o salário que eu quero receber, é o que eu entendo que eu posso fazer bem, que eu gosto de fazer. Eu acho que eu consigo, tudo que eu aprendi, assim, que eu aprendo, que eu aprendo muito no ecossistema de inovação, falo que uma horinha em um evento de inovação, nossa, você sai renovado pra uns 10 anos. Trazer, acho que, um pouco desse olhar, justamente que a gente tá trazendo com a BNCC, dessas famosas competências para o século 21.
Eu sou a Naomi Oliveira. Eu sou gestora de inovação e educadora. Atualmente, eu trabalho na Secretaria de Educação do Estado, aqui do Rio Grande do Sul, e já tenho uma trajetória aí na gestão pública, na inovação. Tô sempre misturando aí os dois universos. Um pouquinho da inovação separada, um pouquinho da inovação na gestão pública, tudo misturado.
A minha demanda principal, quando eu vim aqui pro Rio Grande do Sul, é pra constituir uma escola de formação. Eu trabalhei quatro anos na Escola de Formação de São Paulo, que é a EFAP, e lá fiz um trabalho bem bacana. Eu falo que eu fui uma gestora de inovação disfarçada. Eu trabalhei normal, seguindo o fluxo de trabalho normal, já no estilo professora, que eu sou professora de anos iniciais. Então, eu peguei muito dessa escola pra me conectar com as pessoas que já estavam lá. Era uma escola de formação que já tinha dez anos. Então, pra me conectar com as pessoas que já estavam trabalhando lá. E aí, com o tempo, eu fui trazendo algumas metodologias, algumas coisas da linguagem. E o grupo foi acompanhando. As pessoas compram muito mais o projeto do que só uma metodologia. Então, eu fui colocando aos poucos, um pouquinho ali, um pouquinho aqui. E a gente conseguiu fazer boas entregas, entregas importantes.
E aí, eu vim pro Rio Grande do Sul no final do ano passado, a convite da secretária de Estado de Educação. Eu trabalhei com ela lá na EFAP. E aí, eu vim aqui pra colocar a pedra fundamental. Porque não tinha escola de formação aqui. Então, eu tô construindo. As secretarias de Estado são responsáveis pelo material didático, pelo currículo, pela gestão das escolas e também pela carreira do professor. E dentro da carreira do professor, existe a formação continuada. Algumas redes têm escolas de formação já montadas, como é o caso do Estado de São Paulo, que tem a EFAP, que é uma escola de Estado, vinculada à Secretaria de Educação. Essa formação continuada pra professor, diretor, vice-diretor, supervisor, pra todo o quadro de profissionais de educação do Estado, de forma gratuita. Então, pra implementar o currículo, a gente tem a BNCC, que tá implementando. As redes estaduais estão oferecendo formação pros professores se apropriarem do currículo. A EFAP, lá de São Paulo, é uma estrutura bem grande de oferta, de parcerias. Aqui, eu tô começando do zero. Toda essa estrutura. E é bem importante, dentro da estrutura do Estado, da Secretaria de Educação, a parte de formação, porque é o que garante até a qualidade da aprendizagem dos estudantes. A gente conseguir responder rápido as mudanças.
E aí, eu vim ver se a gente fizesse de outro jeito. A equipe sempre mudou. Muito boa. Defendendo a minha classe, trabalhar com o professor sempre é muito bom. Aqui no Rio Grande do Sul, você vai construir essa escola de formação. Mas, como eu falei que é tudo misturado, lá ainda em São Paulo, quando eu trabalhava na Seduc, o pessoal falava assim, não, mas qual é a ligação disso? Eu falei, gente, a ligação sou eu. É a minha pessoa. Porque eu organizei junto com a professora Débora Garó, que ganhou o Teacher Prize, com um projeto bem legal de robótica com sucata. Ela chegou lá, trabalhou na secretaria. E aí, ela, não, vou fazer centro de inovação no estado inteiro. E vou fazer centro de educação. Ninguém comprou. Porque todo mundo, será que vai sair mesmo? E aí, juntou as duas doidas. Juntou eu de um lado, Débora do outro. E a gente foi atrás para fazer as coisas acontecerem.
Lá em São Paulo, eu fiz o Movimento Inova, junto com a Débora. Que foi um evento, eu falo assim, dadas devidas proporções, é uma espécie de campus party para os estudantes de escola pública. A gente fez dois dias de evento, muito grande. Cada dia, mais de quatro mil estudantes com professor, entrando e saindo, oficina, hackathon, mostra de robótica. E aí, a gente oportunizou tanto para os professores quanto para os estudantes essa experiência de dias de aprendizagem, de imersão da rede. Teve em 2019, teve em 2020. Eu cuidei de tudo um pouco, principalmente do hackathon. O primeiro ano foi presencial, teve umas oito mil, quatro mil pessoas por dia. E no segundo ano, foi online, e teve mais de cem mil de audiência da nossa rede de São Paulo. Quando eu entrei na secretaria, no meu segundo dia, eu vi uma apresentação dos estudantes, um debate. Eu previ o edital do que seria o hackathon, no meu segundo dia na secretaria. E aí, eu consegui fazer. Os estudantes são maravilhosos, é realmente o nosso futuro. Eu vejo muito essa necessidade de a gente estar mais conectado com a educação básica. O estudante, tanto na BNCC, fala muito de projeto de vida. O estudante só vai conseguir construir o seu projeto de vida se ele entender que existe esse universo, que existe esse mercado. Não chega, estudante de escola pública. E são adolescentes, até crianças. Eles são extremamente talentosos, inteligentes. Então, eu sempre fico ali conectando as duas mãozinhas, porque eu acho que eles têm que estar apropriados, têm que estar nesse universo.
Aqui no Rio Grande do Sul, eu fiz o Rá-Catê. Que foi só a parte do hackathon. Tudo aqui tem que ter o nome. Eu me lembro até hoje de escolher esse nome. Tem que ter alguma coisa de inovação, de hackathon e de gaúcho. Aí a gente pegou todas as expressões gaúchas e saiu o Rá-Catê. O que foi muito especial no Rá-Catê, primeiro que eu tinha pouquíssimo tempo aqui no Rio Grande do Sul. Foi em maio, eu cheguei aqui em dezembro. Então, foi uma coisa que eu rodei bem na cara e na coragem. A secretária, quando me chamou, disse: sabe aquele negócio que você faz com os estudantes lá? Eu consegui uma hora no palco do South Summit. Pô, conta alguma coisa pra gente fazer lá. E aí eu fiz o Rá-Catê. Eu selecionei seis equipes, abri o edital pra eles escreverem ideias, com foco nas ODS, que resolvesse um problema real através de tecnologia. A gente abriu um edital pra rede inteira. A gente fez seletivas, primeiro das 30 regionais, depois cada regional mandou pra gente. E a gente teve que selecionar dos 30 projetos os seis finalistas. Aí eu consegui dois dias na Tecnopuc, que é um ecossistema incrível que a gente tem aqui no Rio Grande do Sul, é um lugar lindo, ainda mais pra adolescente. A gente teve os dois dias de hackathon lá na Tecnopuc, os dois dias que antecederam o South Summit. Eles passaram por workshop de MVP, de Canvas, de visualização, de tudo. E aí a gente fez a pré-banca e, pra mim, a uma horinha que eu tinha no palco do South Summit, a gente fez a final com eles. Eles se destacaram muito, brilharam totalmente. Quando eu vi, tá dando entrevista pro jornal, tá andando, conversando com todo mundo. Eles brilharam muito.
A solução que ganhou foi um estudante que pensou numa melhoria no sistema que a gente usa, que o professor usa na escola, demorava, tipo, uma semana pra fazer, ele criou uma solução que cria e que resolve em 15 minutos. A gente tem um programa chamado Easy, e nele tem a chamada digital, lança o número do estudante ali. As fotos dos estudantes, o professor tinha que subir uma a uma. Um professor dá aula em várias turmas. Então, se ele olhar a cara da Larissa, ele vai lembrar quem é Larissa. Mas pra ele ter esse diário bonitinho, ele tinha que subir foto por foto, e isso demorava muito tempo. Primeiro que ele tinha que ter a foto dos estudantes, segundo que ele tinha que subir uma a uma. E aí, o estudante criou um bot, um programador que ele conseguia que o estudante entrava no aplicativo, identificava o rosto dele e já sincronizava com a chamada. O estudante também tem acesso ao aplicativo, então ele colocou esse bot que o estudante posiciona, já identifica o rostinho dele e já cadastra. Quando eu colocar Larissa, sincronizo Larissa, terceiro ano, já aparece com a carinha da Larissa. E aí, quando o professor monta a turma dele, a turma já vem com o nome e a fotinha dos estudantes. O conselho de classe é só colocar a cara da pessoa lá. E o professor consegue identificar, fechar nota, fechar tudo e acompanhar o estudante durante o ano todo. As escolas demoravam muito tempo, depois de uma semana inteira, uma pessoa dedicada a fazer isso. E ele conseguiu resolver isso muito rápido. E agora vai implementar pro estado inteiro. Foi criado por um estudante do ensino médio. Quando eles ganharam, é uma escola de Uruguaiana, que era quase na fronteira com o Uruguai, muito longe de Porto Alegre. Quando eles chegaram lá em Uruguaiana, teve carro de bombeiro, teve carreata pra comemorar. Pra mim, isso é o que me motiva muito.
A equipe que ficou em segundo lugar, a avó da estudante tinha problema de ler bula de remédio, que era muito pequena letra. E aí, elas criaram um aplicativo que sincroniza, ela coloca um QR Code na capa do remédio, e dá pra ler a bula com a fonte aumentada ou por áudio, ouvir o que tem na bula do remédio, e ainda sincroniza com a agenda do horário do remédio, do dia que tem médico. Elas que criaram, estudante do segundo ano do ensino médio. Nem 18 anos, tinha que vir com autorização pra entrar no South Summit, e criando isso tudo. E o terceiro lugar, eles criaram uma impressora reciclável. Isso tudo é estudante do ensino médio. Fico impressionada. Eu fico, mas não muito, porque eu já sabia que eles são sensacionais. Mas eles teriam a oportunidade de mostrar que eles sabem fazer isso. Às vezes fica um projeto de escola que é uma ideia de negócio sensacional, eles não sabem que existe esse mundo pra eles. As pessoas são muito criativas, têm um potencial incrível. Cada um tem um pouquinho pra doar do jeito que é. E o quanto, às vezes, a nossa estrutura, seja nas escolas ou nas organizações, atrapalha a gente a usar o nosso melhor. Quando a gente podia estar bem direcionado, bem desafiado, com ferramentas, com clareza de como usar essas ferramentas, a gente é capaz de criar muita coisa legal.
Por isso que eu sempre tento juntar esses universos. Porque, pra mim, sempre fez muito sentido. Sempre fui estudante que vivia só fazendo coisa. E eu sempre, agora, na visão de quem tá ali, executando política pública, conseguindo fazer essas ações que mobilizam o meu ecossistema, enquanto profissional e a gestão pública, eu fico conectando esses universos. Seja na rotina de trabalho, que eu acho muito engraçado que eu não falo nome, porque não sei quem tá precisando daquele seu curso que você deu, porque tá muito difícil. Eu falei, não, eu vou falar. Eu vou falar com ele sobre isso. Através das políticas públicas mesmo, e até mesmo da leitura do que a gente tem como documento básico, que é a BNCC, de pensar essa escola que faça sentido pro estudante, que ele veja na escola essas possibilidades. É mais a questão de se fazer esse elo. E também, do nosso lado, enquanto gestores de inovação no ecossistema, tem esse olhar com a educação básica. Às vezes tem um e tem uma escola do lado, e eles nunca fizeram nada. Nunca foram ali e, pô, a gente pode fazer uma maratona, ou a gente pode vir conversar. Os estudantes de ensino médio podem passar um dia aqui trabalhando com a gente. Às vezes a gente não tem essa visão, a gente não entende o tesouro que a gente tem nas escolas. A gente tem só gênio. Mas aí, acho que é por isso também essa necessidade de formar os professores, que eles estejam em constante formação, porque as coisas estão mudando muito rápido. E trazer professores pra que haja mais curiosidade, porque a curiosidade só existe em cima de alguma coisa que você já ouviu falar. Se você nunca ouviu falar, você nem sabe, você não vai ter curiosidade sobre aquilo. E aí, trazer esse assunto pro professor, porque aí o professor também possa usar da criatividade dele.
Todas as formações, a gente fala, porque a gente tem que preparar o nosso estudante pro século 21, competente pro século 21. Isso toda hora, fala em qualquer formação. E aí, eu falo, só que a gente esquece que a gente não morreu. A gente que não foi formado na escola que prepara o aluno do século 21, a gente também vive no século 21. A gente também tá no jogo ainda. Então, acho que muitas das coisas que a gente não teve na escola, que hoje em dia o currículo base traz e o estudante tem essa possibilidade de vivenciar, a gente também tem que vivenciar na nossa maneira. O estudante tem aula de projeto de vida, o professor, a gente mesmo no mercado tem que pensar nessa perspectiva de projeto de vida. Competências socioemocionais, a gente vai desenvolvendo estudante, vamos desenvolvendo a gente também. Como a gente pode desenvolver essas competências e então sempre tenta trazer também alguns desses conceitos para a sociedade civil, para fora da escola. Porque a gente também tá nesse jogo.
Eu me lembro até hoje quando eu ouvi a palavra projeto de vida, foi assim que eu entrei na Secretaria de São Paulo e a gente tava fazendo uma escuta com estudantes de escola de tempo integral que já tinham um componente de projeto de vida. E aí, na prova, eu falei, tia, porque eu já me aceitei que vão me chamar de tia, qual o seu projeto de vida? Aí eu fiquei olhando pra cara dela, tipo, ih, o que que eu vou responder? Criança. Meu Deus, eu também não sei. E aí eu comecei a pensar propriamente nisso, e estudando cada vez mais sobre as competências socioemocionais, como a gente se localiza no mundo para além da profissão. Porque a gente tinha muito antigamente o teste vocacional, que era quase um teste do BuzzFeed, que a gente colocava ali um negócio e saia um resultado. E não é bem assim. A gente vive. É mais o que você quer pra sua vida do que mais o que você quer pro seu trabalho. E essa perspectiva nova de projeto de vida que traz na BNCC, eu sou apaixonada, porque eu acho que é pra todo mundo, não é só pra adolescente. A gente tem que pensar nessa perspectiva ampliada e pensar que a gente não é só a matriz curricular de um curso, e as outras competências que não vão estar ali: autogestão, empatia, engajamento, abertura ao novo. Então eu sempre penso, por isso que eu falo que eu vivo de sempre os dois universos. O que eu preciso me perguntar minimamente, o mínimo, pra eu montar, entender o meu projeto de vida? Quando eu falo de projeto de vida, as pessoas sempre questionam, eu sempre peço pras pessoas pensarem nas suas competências e habilidades, o que eu sei e o que eu consigo fazer. Vamos pensar a competência e habilidade nessa perspectiva. O que eu gosto de fazer, isso é bem importante. O que eu sei que eu faço bem. Eu penso sempre nas minhas competências. Eu sou uma pessoa que sou aberta ao novo, sou criativa, consigo criar coisas rápido, e gosto muito de criar coisas. Então às vezes eu penso na vaga de trabalho, que vaga de trabalho não me quer. Não me quer uma vaga de trabalho que faça isso e isso. Eu quero uma vaga de trabalho que me possibilite criar coisas. Então aí eu consigo olhar as minhas escolhas profissionais e até pessoais por essa perspectiva. Meu projeto de vida hoje, eu falo que ele também é remixado, é ser um dia secretária de educação, que é o gestor de estado nas escolas. E eu também tenho um desejo muito grande de ter uma empresa de inovação que faça essa conexão de pessoas periféricas para o mercado de inovação. Então esse é o meu projeto de vida. Todas as minhas escolhas do curso que eu vou fazer para o livro que eu vou ler está baseado onde eu quero chegar. E onde eu quero chegar não é o salário que eu quero receber, é o que eu entendo que eu posso fazer bem, que eu gosto de fazer.
É uma forma de você conectar os botões da sua vida, do qual é a profissão que tem salário X ou um cargo de uma empresa Y. Acho que está muito conectado a propósito. Eu leio muito assim: o que eu gosto de fazer? No que eu sou boa? O que me aquece o coração? E aí, as coisas com as quais tem uma coisa que eu sempre falo, me revolta muito, por exemplo, quando eu vejo pessoas gritando umas com as outras no ambiente de trabalho, ou sendo grosseiro, ou humilhando, ou falando mal, ou bufando, revirando os olhos, desdenhando. E aí, um tempo atrás eu falei, cara, se isso me incomoda tanto, eu devia fazer alguma coisa a respeito. E aí, sempre gostei muito de ler livros relacionados a isso. Comecei a gravar um podcast, que chama Vamos Fazer Diferente. Eu e uma amiga minha, a gente lê livros que são esses livros mais tema abraçador de árvora, pra cuidar de pessoas, que fala muito da importância de ter organizações mais humanas. E hoje eu sinto que isso tá muito conectado ao meu propósito de vida, de cuidar mais das pessoas, de ajudar as pessoas a terem ambientes mais legais pra se trabalhar. Não vai ser o ambiente mais amoroso, mas vai ser um ambiente minimamente sustentável, organizado, em que eu consiga ser minimamente criativo, não tem ninguém gritando comigo, batendo na mesa, batendo na porta. Eu já tive, já trabalhei em ambientes assim. Eu falava muito na minha primeira equipe grande que eu tive lá em São Paulo, toda vez que tinha alguma coisa de pressão, eu falava, gente, vocês querem, ai, mas faz a pessoa ficar depois, qual é a motivação da pessoa fazer isso? Ela não levar um esporro e ser humilhada no dia seguinte? Isso não é motivação pra ninguém fazer uma entrega. Me desculpe, não é motivação nenhuma pra mim. Eu não gosto quando falam assim, ai, pelo amor ou pela dor? Poxa, eu sempre queria que fosse pelo amor, sempre queria que fosse pela inspiração, ou porque é o melhor a se fazer, ou que é o mais possível de se fazer agora.
Eu queria ouvir um pouquinho mais desse trabalho que você faz com os professores, porque eu entendi esse trabalho que você faz com os adolescentes, achei muito maneiro. E agora você tá estruturando essa escola dos professores, pelo que eu entendi. Isso, escola de formação. Mas você também dá aula, certo? Sim. E como é que é trabalhar com adultos? Qual que é a diferença? E é mais desafiador? Principalmente quando a gente fala de professores? Sim, eu tava até fazendo recapitulando, porque quando dava aula, dava aula pra criança, criancinha, criancinha, bebê, quase. E é uma dinâmica completamente diferente. A minha linha do tempo, eu fiz curso normal, e aí eu trabalhava com anos iniciais, creche, e aí eu fui fazer faculdade de administração. Eu trabalhei numa construtora, e aí depois eu fui trabalhar na gestão pública. Então eu fiz um caminho totalmente diferente, de juntar coisas. E eu ainda me lembro bem, na minha primeira formação pra professores, a gente planejou tudo, ficou tudo bonito, pra mim foi um choque muito grande, porque é uma outra linguagem, é um outro ponto de partida. O público é o professor que tá ali na sala de professor conversando, tendo os desafios dele. E pra mim, a minha experiência na sala de aula é fundamental pra essa minha jornada de formação de professores. E pra mim, isso é uma coisa até que a secretária fala muito, não, não, você não pode sair e parar de fazer suas coisas de inovação, porque o bom que você pega um pouquinho de lá, e um pouquinho de cá. Eu acho que eu consigo, tudo que eu aprendi, que eu aprendo muito com o sistema de inovação, eu falo que uma horinha em um evento de inovação, nossa, você sai renovado pra uns 10 anos. É trazer um pouco desse olhar, justamente que a gente tá trazendo com a BNCC, dessas famosas competências para o século 21. Então, de dar esse olhar mais ágil, até mesmo pras formações, algo bem mais mão na massa, porque a formação, chega um momento na formação que você tem que fazer o quê? Um MVP de como é que vai ser a aula. Então, eu tô falando aqui, olha, professor, eu tô formando você pra ciência-natureza, o itinerário formativo de ciência-natureza. Vai chegar uma hora na formação que vai ter que ter uma mão na massa, pra ele simular ali como é que vai ser o plano de aula, pra ele entender como tem que ser o plano de aula.
Pra mim, tem sido muito gratificante até conhecer mais esse público. Nesses quatro anos lá na EFAP, eu conheci muito do diretor, do supervisor, de quem tá na sala de aula todo dia, às vezes dos desafios que o diretor tem, que são desafios completamente diferentes do que o diretor tem. Uma pessoa que tá numa regional, que faz a gestão de uma área grande dentro do estado, são outros desafios e todos eles também têm que passar por um processo formativo. Então, eu vejo muito o trabalho de formação de professores como uma relação de parceria. Professores que estão aqui no órgão central, aqui no Rio Grande do Sul, falam muito mantenedora, estão aqui no estado, construindo essas formações em parceria com os professores que estão na sala de aula. Estão tentando entender quais são os desafios deles e o que é que eles precisam pra conseguir garantir a aprendizagem do estudante, que no final das contas é isso que a gente busca.
Quando eu vou nas empresas como consultora, tentar ajudar essas empresas a criarem as suas soluções dentro de ciclos curtos, trabalharem com pequenos experimentos e adaptando, pegando feedback, vendo se tá funcionando ou não, ainda assim é difícil. No começo é um pouco difícil você conseguir ensinar e fazer a pessoa praticar agilidade. Mas eu tô entendendo que você faz isso com o professor hoje e eu queria entender, qual que é a chave? Você tava falando bastante de entender a dificuldade do outro, de ter essa empatia, de conseguir se conectar com ele. Essa seria a dica que você daria pra gente conseguir, nós como consultores, abordar melhor as empresas? É, eu acho que é isso, acho que é um dos populares, quando a gente faz sempre formação, e eu sempre vou de penetra mesmo na minha própria formação, e tem formação de competências socioemocionais, eu sempre fico pra ouvir essa parte. E aí, eu sempre, quando eu vou falar alguma coisa assim, não, me fala daquela parte lá que conecta lá com o duplo diamante, que é a parte de empatia. Tem vários nomes, termos, das competências socioemocionais que conversam muito com os próprios duplos diamantes do design thinking, e a empatia é uma macro competência socioemocional, e é um dos pilares do design thinking. Então, eu sempre explico isso, que eu sempre falo, ah, eu que sou gestora de inovação, eu venho muito da perspectiva de que a gente tem que olhar o problema, e a pessoa que está sofrendo o problema por todas as suas dimensões. Eu vejo que eu ter vindo dessa escola, além de ter vindo da escola propriamente dita, como professor, me deu esse olhar complementar, porque eu tenho uma visão de fora, mas também de dentro. Então, a empatia, quando eu desenvolvo a empatia em relação aos desafios que o professor tem, no que toca a aprendizagem de estudante, que é bem importante também, e isso foi um desafio muito meu, enquanto professor, porque a gente, quando é professor, a gente pensa, poxa, mas como é que a gente vai dar aula boa se o telhado está caindo, se não tem merenda, se não tem alguma coisa. E é muito importante aqui, no trabalho de órgão central, a gente setoriza, eu consigo ver que existe uma área da alimentação, que existe uma área do transporte, e o que eu tenho ali pra pensar na aprendizagem do estudante, que quando fecha a sala, quando o professor vai trabalhar o conteúdo, ele tem que estar apropriado de metodologias ativas, de ferramentas de aprendizagem criativa, ele tem que saber como monitorar a aprendizagem do estudante, entender se ele está aprendendo ou não, outras formas de avaliar. Ver se está aprendendo ou não, conseguir fazer observação de sala de aula, conseguir transpor o desafio que é o novo currículo do fundamental, é um desafio, mas do ensino médio, que você pegou o ensino médio, você virou ele de cabeça pra baixo, literalmente. Então, acho que eu trago muito esse olhar. Eu entrei num momento muito privilegiado, na gestão pública, porque é um momento de mudança de currículo, então eu estou num momento de mudança de base, então dá pra trazer muito de olhares de outras áreas pra educação, nessa perspectiva de tudo estar conectado, que acho que essa é a premissa também da BNCC, que esteja muito conectado com o mundo que a gente tem hoje.
O que é que mudou nessa base curricular? Hoje ela está mais adaptativa. A gente teve uma mudança já tem muitos anos, de consulta pública de todos os órgãos da sociedade pra se construir uma base nacional comum, que é um documento que rege pra todo o Brasil. Mas todo mundo pega a BNCC e implementa? Não, cada estado tem que pegar a BNCC e fazer uma adaptação da BNCC de acordo com o seu cenário. Em São Paulo tem o currículo em ação, aqui tem o referencial curricular gaúcho, então cada estado fez a sua adaptação da BNCC e colocou pra sua própria rede. Pro ensino fundamental, o que muda? A perspectiva. A BNCC traz macro competências que a gente tem que desenvolver com estudante, e competências e habilidades por ano série, então eu sei que na segunda série do ensino médio eu tenho que desenvolver tal habilidade no meu estudante, não só na perspectiva dessas folhas do livro, esse conteúdo do livro, mas o que eu quero desenvolver no estudante, depois que ele tem aquele conteúdo, aonde ele chega? Então tem essa mudança de perspectiva. E a principal é do ensino médio, que na primeira série ele tem a formação geral básica e os componentes obrigatórios, dentre eles o projeto de vida, tá ali, na primeira série do ensino médio. E aí depois da primeira série do ensino médio, que ele tem a formação geral básica, ele escolhe uma área do conhecimento pra se aprofundar a partir da segunda série, no itinerário formativo. E aí cada rede fez a sua forma, em São Paulo foi as unidades curriculares, aqui a gente tem 24 opções, pra cada área do conhecimento tem duas temáticas, tipo pra ciência da natureza, tem sustentabilidade e saúde, aí o estudante pode escolher se ele faz ciência da natureza com ciências humanas, ciência da natureza com linguagens, e aí tem componentes específicos desses itinerários, então o estudante se aprofunda no que ele se interessa mais, ou em uma das quatro áreas, ou um itinerário técnico. Muda muito, até o horário das aulas, como é a aula, não é aula de matemática, é aula de ciências humanas com ciências da natureza, é de vida e saúde, muda tudo, e o aluno ele escolhe, ele que escolhe o que ele vai estudar. Então realmente eu falo, gente, tenha paciência, mudou muita coisa, vamos devagar, mas eu tenho muito esse olhar de, é uma mudança drástica real, mas é necessário. Só que às vezes tem gente que menospreza, tipo, ah, mas isso aí, escola boa mesmo nos Estados Unidos, escola boa mesmo na Finlândia, mas é assim lá, estudante que escolhe. Tudo que é do Brasil, não vou falar que é ruim, mas não, a gente tem especialistas maravilhosos que escreveram essa base por muito tempo, eu respeito demais todo esse processo, eu acho um processo muito bacana, da consulta pública, da construção, da ideia, do esforço que se fez pra tornar a escola um espaço bacana pro estudante, que a escola tava meio chata. E aí é esse movimento.
Quais foram as coisas marcantes na sua trajetória que fez você se apaixonar por inovação? Olha, às vezes eu faço esse recapitulando, eu sempre pensando na minha personalidade, eu sempre fui uma pessoa muito inventiva mesmo. Eu estava numa escola de bairro, uma escola pequena, e aí eu tinha as ideias de feira, tinha as ideias de coisa, eu anotava e levava lá no diretor, ó, tive essa ideia aqui, dá pra fazer? Aí fazia. Todas as feiras da minha escola, eu que anotava lá e levava e aí criava. Eu acho que tem alguns pontos centrais, um deles é eu ter feito curso normal no ensino médio, aprender a ser professor, pra mim é, sei lá, eu acho que é aprender a viver. Dar aula é muito a questão da transformação, acho que não tem a maior dor de cliente quando a gente pensa em uma solução do que um estudante que entra sem saber o conteúdo e tem que sair dali sabendo aquele conteúdo. Então, fazer o curso normal pra mim foi muito importante. Depois eu fiz faculdade de administração e confesso que quando eu saí da faculdade de administração, eu estava muito frustrada, porque eu trabalhava como um administrador comum, trabalhava com gestão, pagar nota fiscal, pagar salário, era isso que eu trabalhava. E era uma coisa que eu estava ficando triste, estava me consumindo essa rotina, eu não conseguia criar nada. Eu só ficava inventando moda, dentro ali, mas não dava pra criar. Procurando lugar pra dar vazão à criatividade, porque era um trabalho mais repetitivo. Aí eu saí, eu fui fazer gestão de inovação, falei, gente, eu tenho que apertar algum botão aqui que tem que dar pra isso. E aí, até mesmo do currículo da minha pós em gestão de inovação, a estrutura já trazia umas coisas ali, e quando eu fui fazer o TCC, eu falei assim, olha, eu estava vendo como criar coisas novas em empresas. E aí, eu comecei a estudar sobre startup, coisa assim, eu mesmo fui atrás. E aí, eu falei, ah, já decidi o tema do meu TCC. Eu vou fazer o processo de ideação e criação de um modelo de negócio social. E aí, eu fui estudando como eram esses modelos de empresas, de startup, e fui aprendendo fazendo o meu TCC. Como era constituído, aí eu tive uma ideia de negócio, aí eu fiz validação, fiz todo o processo. O meu TCC tem o processo completo. E aí, pra eu ir aprendendo mais, tanto da pós quanto do TCC, eu comecei a participar de muitos eventos de inovação em Salvador, que era um sistema que estava super aquecido, todos os grandes eventos estavam indo pra lá. E aí, eu comecei a participar. E eu me lembro que eu fui no primeiro evento que eu fui, foi no Startup Weekend. E foi muito legal, pra mim, esse também é um dia muito decisivo da minha vida, quando eu decidi que eu iria. Eu me lembro que até o dia anterior, eu achava que eu não ia ir, porque o Uber estava dando muito caro, eu não ia ter como pagar se eu voltasse tarde. Aí eu falei, não, aí eu vou, eu vou. Aí fui e fui pro evento. E pra mim foi muito legal, foi um encontro de coisas que eu sempre fiz bem, que eu sempre tenho um jeito de fazer, mas eu não sabia que existia isso, esse universo. E aí foi um momento bem decisivo, eu conheci muitas pessoas lá. E aí, algumas pessoas do ecossistema de Salvador, o Marcos e o Paulo Rogério, toda vez que tinham um evento de tecnologia, eles avisavam, me avisavam, avisavam a Karine, do Wakanda Warriors, que agora é o Wakanda Educação, o Iago. Avisava a gente que ia ter evento, escrevia a gente, teve um que eu não ia, falei, ó, não vai dar pra ir, é longe. Ele escreveu, a gente foi lá, buscou a gente pra ir, pra levar a gente nos eventos. E a gente começou a ir, a competir. Eu entrei no grupo do Trás Favela, então a gente começou a participar de várias competições. E aí eu fui ganhando, e o meu TCC tava rolando aí também. E foi ganhando força, a gente tava caminhando super bem, e no final de 2018, eu passei no programa de trainee do Vetor Brasil, que é uma organização, uma ONG, que tem um programa que liga pessoas técnicas a cargos técnicos no governo. E aí, eu passei no Vetor, e fui chamada pra trabalhar com o Rocieli, que assumia a Secretaria de Educação de São Paulo. E aí eu saí de Salvador, e fui morar em São Paulo. Então eu tava no meu auge, com o sistema de inovação, e eu fui parar na gestão pública, nesse movimento. Por isso, eu nunca saí dos dois. Eu sempre mantive as duas coisas ao mesmo tempo. Teve um momento que eu tive que me dedicar, então eu tive que sair totalmente do Trás Favela pra me dedicar à gestão pública. E agora estou retornando, com o pilar de educação, que é o que eu gosto, pra conseguir fazer essa conexão. E aí, trabalhando na gestão pública, que eu vi de uma vez por todas que era necessário fazer essa ponte, das pessoas que são como eu, com esse universo. Como o ecossistema está hoje desenhado, não existe essa conexão. Pessoas que vão ficar do lado de fora pra sempre, vão terminar a faculdade de administração, nem vão saber que existem essas possibilidades. Acho que talvez explica um pouco como eu cheguei até aqui.
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