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Love the People - Thaís Rigolon
Ep. 6

Love the People - Thaís Rigolon

1 de agosto de 202200:52:28
Agilidade
Love The People
Pessoas

Resumo rápido

Neste episódio bônus do Love the People, a agilista Thaís Rigolon conta como saiu de um início de carreira marcado por ambientes masculinos para se tornar uma das vozes por trás das Mulheres Agilistas, comunidade que já reuniu mais de 87 mulheres, e reflete sobre voluntariado, liderança humanizada e representatividade.

Capítulos

  1. 01:15Abertura do Love the People e apresentação de Thaís Rigolon
  2. 02:46Quem é Thaís: família, formação e entrada na tecnologia
  3. 06:14Descoberta das Mulheres Agilistas e o valor do voluntariado
  4. 10:16Impacto do projeto: mais de 87 mulheres e histórias de transformação
  5. 13:42Dicas para entrar em comunidades de tecnologia
  6. 34:03Desafios da liderança, autocobrança e autocompaixão
  7. 41:06Representatividade em cargos de liderança e recado final

Frases do episódio

Mais de 87 mulheres que participaram já.

10:58

vai com medo mesmo, porque vocês vão ver que as pessoas são super colaborativas

16:51

Encontre a sua pessoa mentora.

50:04

O que você vai ouvir neste episódio

  • A trajetória de Thaís Rigolon e seu envolvimento ativo com as comunidades de agilidade no mercado brasileiro.
  • O papel do incentivo à diversidade para a construção de ambientes de trabalho mais inclusivos e colaborativos.
  • A importância de criar espaços seguros para viabilizar e fortalecer vozes femininas no setor de tecnologia.
  • O impacto positivo da participação em comunidades profissionais no desenvolvimento de carreira e na troca de experiências.

Temas discutidos

A presença de lideranças focadas em diversidade e inclusão transforma a cultura organizacional e impacta diretamente a prática da agilidade. O trabalho comunitário realizado por profissionais como Thaís Rigolon demonstra que o fortalecimento de vozes femininas cria ambientes mais plurais e abertos à inovação. Discutir a trajetória de pessoas que impulsionam essa pauta conecta a gestão de pessoas à evolução do mercado de tecnologia, evidenciando que a transformação cultural depende do engajamento ativo de indivíduos em suas comunidades de prática.

Para quem é este episódio

Este episódio é recomendado para agilistas, líderes de equipes e profissionais de recursos humanos que buscam promover a diversidade e a inclusão em suas organizações. Também beneficia participantes de comunidades de tecnologia interessados em aprender com trajetórias de engajamento e fortalecimento de vozes femininas no mercado.

Sobre a série Love The People

Love The People traz histórias de carreira de pessoas que atuam com agilidade, produto e liderança. São conversas mais pessoais do que técnicas: transições de área, decisões difíceis, aprendizados e o que cada convidado faria diferente. Serve como referência para quem está construindo a própria trajetória profissional.

Ver todos os episódios da série Love The People

Perguntas que este episódio ajuda a responder

Quem é Thaís Rigolon e qual sua relação com a agilidade?

Thaís Rigolon é uma profissional atuante no mercado de agilidade, amplamente reconhecida por sua participação constante em comunidades da área. Sua trajetória destaca o incentivo ativo à diversidade e o fortalecimento de vozes femininas no setor de tecnologia, inspirando a construção de ambientes profissionais mais plurais, integrados e colaborativos.

Por que a diversidade é relevante no contexto da agilidade?

A diversidade garante diferentes perspectivas no desenvolvimento de soluções e na resolução de problemas dentro das organizações. Incentivar a inclusão e dar espaço para vozes femininas fortalece a cultura de colaboração das equipes ágeis, permitindo que a inovação ocorra de maneira mais orgânica e representativa para toda a sociedade.

Como a atuação em comunidades profissionais apoia a inclusão de pessoas?

As comunidades profissionais funcionam como redes de apoio e aprendizado contínuo, onde experiências são compartilhadas livremente. A presença ativa em comunidades viabiliza o surgimento de novas lideranças e impulsiona o protagonismo feminino, ajudando a quebrar barreiras no mercado e promovendo um ecossistema mais acolhedor e diverso para todos.

Sobre este episódio

Neste episódio bônus do quadro Love the People, o Love the Problem recebe Thaís Rigolon, profissional de tecnologia e uma das vozes mais atuantes da comunidade Mulheres Agilistas. A conversa começa com a apresentação de Thaís: moradora de São Paulo, prestes a completar 32 anos, ela entrou na área de tecnologia por influência do pai, hoje agilista, que descreve como uma referência e um ícone pessoal.

A trajetória profissional de Thaís passa por uma primeira graduação em administração com ênfase em TI e por uma consultoria de tecnologia extremamente masculinizada, ambiente em que, ainda muito jovem, ela sentia que precisava se calar diante de situações difíceis, muitas vezes só se permitindo chorar escondida no banheiro, o único lugar em que se sentia segura. O teatro nos finais de semana funcionava como um respiro em meio a essa rotina. Essa vivência a levou a uma segunda graduação, em produção cultural, e a projetos de tecnologia, cultura e software livre que a fizeram viajar o Brasil e conhecer, na prática, o valor de redes colaborativas e transparentes. Foi nesse contexto que a agilidade entrou de fato em sua vida.

Depois de passagens por uma fusão corporativa desgastante entre NET e Claro/Embratel, pela Mafre Seguros e por uma startup de jornalismo e tecnologia durante a pandemia, Thaís se aproximou das Mulheres Agilistas, comunidade criada por Jhany e Fernanda, e passou a atuar como voluntária. Trouxe para esse trabalho o mesmo espírito de doação que já vivia como palhaça de hospital, atuando em mentorias, podcast e organização de eventos. Hoje trabalha na Neon, é membro do board da Agile Alliance Brasil, participa do podcast Segue o Flow e criou o podcast Agile Girls, motivada por perceber que muitas mulheres competentes simplesmente não apareciam em palcos e palestras por insegurança.

Um dos pontos altos da conversa é o relato do impacto do projeto Mulheres Agilistas: mais de 87 mulheres já participaram das gravações, e Thaís descreve relatos de participantes que ganharam coragem para migrar de carreira ou palestrar pela primeira vez depois de ouvir histórias parecidas com as próprias. Ela reconhece, com honestidade, que o projeto ainda não incluiu nenhuma mulher trans e trata isso como um ponto de atenção, assim como a busca por mais diversidade de perspectivas nos eventos que ajuda a organizar. Também agradece o apoio da K21 como patrocinadora, que hoje viabiliza produção, edição e divulgação, trabalho que, no início, ela fazia sozinha.

Para quem está começando a se aproximar de comunidades de tecnologia, especialmente mulheres, Thaís recomenda consumir tudo o que é gratuito, como meetups e grupos de WhatsApp, Telegram e LinkedIn, marcar cafezinhos curtos com pessoas da área e se voluntariar com comprometimento real em uma comunidade, em vez de tentar ajudar em tudo ao mesmo tempo. Ela credita boa parte da própria evolução de carreira à participação ativa em comunidades, como a comunidade interna de agilidade que viveu na PagSeguro ao lado de referências do mercado, além do apoio da K21 em treinamentos.

A conversa também passa por um lado mais pessoal: Thaís se descreve como caseira e cinéfila, casada com um ator, e conta um perrengue recente de uma viagem em família marcada por chuva, lama e um tombo já vestida para uma festa. Como curiosidade pouco conhecida, reforça justamente sua passagem por hospitais como palhaça e atriz, experiência que, segundo ela, mudou sua vida ao desenvolver imaginação, empatia e capacidade de lidar com o nervosismo de falar em público, mesmo sendo alguém tímida.

Na reta final, o episódio aborda liderança e propósito. Thaís diz se sentir mais conectada ao próprio propósito quando ajuda alguém a crescer na carreira, e defende que pequenas práticas de humanização, como um check-in genuíno no início de uma reunião, fortalecem a empatia entre times, algo que sente falta no trabalho remoto. Sobre os desafios de liderar hoje, ela cita um mercado mais agressivo, marcado por startups, fintechs e layoffs, em que muitas pessoas são colocadas em cargos de gestão sem preparo. Fala com transparência sobre autocobrança e síndrome da impostora, defendendo a importância de buscar uma pessoa mentora de confiança e de desenvolver autocompaixão, já que a forma como uma liderança trata a si mesma tende a se refletir no time.

O episódio termina com uma reflexão estrutural: Thaís conecta a autocobrança feminina à chamada jornada tripla das mulheres, intensificada durante a pandemia, cita dados sobre CEOs majoritariamente homens brancos e menciona o documentário sobre Michelle Obama como exemplo de uma mulher negra que viveu sob julgamento constante e hoje dedica sua voz a incentivar jovens mulheres à margem. Ela questiona por que vagas voltadas a mulheres na agilidade costumam ser vagas júnior e defende mais oportunidades de liderança para esse público. Como recado final, reforça a importância de encontrar, e também se tornar, uma pessoa mentora para os momentos difíceis, lembrando que quem ajuda também recebe muito em troca.

Transcrição completa

Meu pai tem 62 anos e ainda hoje atua como agilista, ele é um ícone pra mim, diz Thaís Rigolon logo no início desta conversa. O voluntariado sempre foi muito importante na vida dela: ela já foi palhaça de hospital e viveu de perto a dor que existe por trás da alegria do palhaço, porque no fim ele está sempre errando. Hoje ela se coloca no lugar das mulheres que enfrentam dificuldades parecidas com as que ela viveu e valoriza a rede de apoio que uma comunidade pode oferecer.

O episódio é uma edição do quadro Love the People, em que o Love the Problem apresenta pessoas queridas da comunidade que levam transformação para as organizações. A apresentadora conta que é fã de Thaís, que a conheceu e foi incentivada por ela, e destaca o trabalho que ela faz incentivando mulheres e outras pessoas da comunidade de tecnologia.

Thaís se apresenta: mora em São Paulo, está perto de completar 32 anos, mora com o marido Rodrigo e a gata Greta. Entrou no mundo da tecnologia por influência do pai, hoje agilista, e conta com orgulho que ele é uma referência para ela. Fez a primeira graduação em administração com ênfase em TI e, logo depois, entrou numa consultoria de tecnologia, um ambiente de trabalho super masculino, no qual ela era muito nova e sentia que precisava ficar quieta e engolir as situações. O banheiro, muitas vezes, era o único lugar em que ela se sentia segura para chorar. Nos finais de semana, fazer teatro virava um respiro em meio a uma rotina conservadora.

Essa vivência a levou a uma segunda graduação, em produção cultural, e a uma oportunidade de trabalhar com projetos de tecnologia, cultura e software livre, viajando o Brasil com projetos ligados à UNICEF e ao Ministério da Cultura. Foi nesse contexto, marcado por transparência e abertura, que a agilidade entrou na vida dela e que ela entendeu o poder de uma rede colaborativa. Depois de cinco anos nessa agência, voltou para a consultoria, passando pela fusão entre NET e Claro/Embratel, trabalho desafiador, que quase gerou um burnout, e mais tarde pela Mafre Seguros, onde começou a questionar a distância entre o discurso ágil e a prática em ambientes corporativos tradicionais.

Um convite para uma startup de jornalismo e tecnologia, já durante a pandemia, mudou esse cenário: o ambiente mais seguro e saudável da startup a levou a se conectar com redes de apoio, entre elas as Mulheres Agilistas, comunidade criada por Jhany e Fernanda logo no início da pandemia. Thaís entrou como voluntária e, aos poucos, trouxe para a comunidade o mesmo espírito de doação que já vivia como palhaça de hospital, seja em mentorias, podcast ou organização de eventos. Depois da startup, passou pelo PicPay e hoje está na Neon; também é membro do board da Agile Alliance Brasil, participa do podcast Segue o Flow e criou o podcast Agile Girls, motivada por perceber que muitas mulheres competentes simplesmente não apareciam nos palcos e nas palestras, por insegurança ou por acharem que não estavam à altura.

A apresentadora relembra como conheceu Thaís: as duas foram voluntárias juntas numa caravana da Ágile Brasil, tiveram que facilitar uma sala sobre um tema que nenhuma das duas conhecia bem e, pouco depois, gravaram um episódio juntas sobre comunicação não violenta, encontro que deu origem à amizade e à admiração mútua.

Sobre o impacto do projeto, Thaís conta que mais de 87 mulheres já participaram das gravações. Cita o episódio “Desafios das Mulheres na Agilidade”, com voluntárias da comunidade, e destaca relatos de mulheres que ganharam coragem para mudar de carreira ou palestrar pela primeira vez depois de ouvir as histórias de outras participantes. Ela reconhece que ainda não conseguiu incluir nenhuma mulher trans no projeto e trata isso como um ponto de atenção e responsabilidade, assim como buscar mais diversidade de perspectivas nos eventos. Também agradece o patrocínio da K21, que hoje ajuda a viabilizar produção, edição e divulgação, trabalho que, no início, ela fazia sozinha.

Para quem quer começar a se aproximar de comunidades de tecnologia, especialmente mulheres, ela recomenda participar de tudo que é gratuito, meetups, grupos de WhatsApp, Telegram e LinkedIn, marcar cafezinhos de trinta minutos com pessoas da área, pedir ajuda e se engajar como voluntária em algo que realmente faça sentido, em vez de tentar abraçar tudo ao mesmo tempo. Voluntariar, segundo ela, é também uma forma segura de praticar papéis de agilidade, treinar entrevistas e ganhar confiança antes de uma transição de carreira. Ela lembra que sua própria carreira deu um salto quando começou a participar ativamente de comunidades, como a comunidade interna de agilidade que viveu na PagSeguro, ao lado de referências como Zaparoli e Graf, além do apoio da K21 em treinamentos.

Fora do trabalho, Thaís se descreve como caseira, cinéfila e fã de séries; o marido é ator, então casa é sempre um ambiente ligado à cultura. Gosta de museus, teatro, cinema e shows, mas também valoriza momentos de “nadismo” em casa com a gata. Costuma ouvir podcast ou música o tempo todo, inclusive fazendo tarefas domésticas. Como perrengue recente, lembra de uma viagem em família antes da pandemia, com estrada de lama, chuva torrencial e um tombo de lama já vestida para a festa.

Uma curiosidade pouco conhecida sobre ela é justamente o fato de já ter sido palhaça e atriz de hospital. Segundo Thaís, a experiência mudou sua vida: ajudou a desenvolver imaginação, empatia e a lidar melhor com o nervosismo de falar em público, mesmo sendo uma pessoa tímida que gasta muita energia em situações sociais. Ela reforça que o trabalho do palhaço tem muito de dor por trás da alegria (ele está sempre ali para os outros rirem), e que cursos de teatro e palhaço mexem profundamente com quem os faz.

A conversa avança para o tema da conexão no trabalho. Thaís diz que o momento em que mais se sente conectada ao seu propósito é quando exerce liderança formal e ajuda alguém a crescer na carreira, motivação que descreve como a coisa que mais a move: ver as pessoas brilharem. Ela defende que humanizar o ambiente de trabalho, com práticas simples como um check-in genuíno no início de uma reunião, cria empatia e fortalece relações, algo que sente falta no modelo remoto.

Sobre os desafios da liderança hoje, ela observa um mercado mais agressivo, marcado por startups, fintechs e layoffs, em que muitas lideranças são colocadas em posição de gestão sem preparo nem suporte. Fala abertamente sobre autocobrança e síndrome da impostora, e defende a importância de buscar uma pessoa mentora, alguém de confiança a quem recorrer nos momentos difíceis, e, ao mesmo tempo, se tornar essa pessoa para outra. Também destaca a necessidade de trabalhar autocompaixão, já que a forma como uma liderança trata a si mesma tende a se refletir em como trata o time.

Thaís conecta esse tema à realidade das mulheres no mercado, lembrando a chamada jornada tripla, trabalho, casa e filhos, intensificada durante a pandemia, e cita dados sobre CEOs majoritariamente homens brancos como evidência de que a base de profissionais mulheres não se traduz em cargos de liderança. Menciona o documentário sobre Michelle Obama como exemplo de uma mulher negra que viveu sob julgamento constante e hoje dedica sua voz a incentivar jovens mulheres, sobretudo as que estão à margem. Para Thaís, esse é um tema de responsabilidade coletiva, não só das mulheres: ela questiona por que vagas voltadas a mulheres na agilidade costumam ser vagas júnior, e defende que também existam oportunidades de liderança direcionadas a esse público, além de mais posicionamento em eventos e grades de palestrantes.

Ao encerrar, a apresentadora agradece a Thaís por todo o trabalho de dar voz às mulheres na comunidade. Thaís retribui a emoção de estar no programa, contando que acompanha o Love the Problem desde os primeiros episódios, e celebra o crescimento da comunidade no Telegram como parte de um movimento mais amplo de democratização do conhecimento, que ganhou força depois da pandemia. Como recado final, reforça a importância de encontrar uma pessoa mentora para os momentos difíceis e, na mesma medida, se tornar essa pessoa para alguém, lembrando que, assim como aprendeu visitando quartos de hospital como palhaça, quem ajuda também recebe muito em troca.

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