Pular para o conteúdo
Voltar para todos os episódios
Ep. 75 - Vulnerabilidade na liderança
Ep. 75

Ep. 75 - Vulnerabilidade na liderança

28 de junho de 202100:54:53
Liderança
Pessoas

Resumo rápido

Neste episódio, Diego e Carol Serpejante discutem por que a alta liderança tende a evitar demonstrar vulnerabilidade, e o custo real disso, tanto emocional quanto de negócio, usando a história real da FAVI, em que um CEO subiu num caixote de madeira para dizer 'eu não sei' à sua equipe, gerando soluções coletivas genuínas que uma decisão solitária jamais teria produzido.

Capítulos

  1. 09:43A história da chefe e a avó falecida
  2. 12:07O diretor que forçava viagens de 16 horas para provar força
  3. 19:13O executivo sem plano B que foi demitido
  4. 29:44A análise das vagas de gerência no LinkedIn
  5. 33:26A história da FAVI: o CEO no caixote de madeira
  6. 38:41Análise transacional: ego parental, adulto e criança
  7. 48:57'Não é você que vai tomar essa decisão, é a gente'

Frases do episódio

“Seríamos bons se não fôssemos tão perfeitos”

02:16

“e eu não sei o que fazer”

34:50

“não é você que vai fazer isso, entendeu”

48:57

O que você vai ouvir neste episódio

  • Panda, Carol Serpejante e Diego Ulrich analisam os impactos da expectativa de infalibilidade sobre a atuação das lideranças atuais.
  • O episódio questiona a crença tradicional de que liderar exige ter respostas prontas para todos os problemas organizacionais.
  • A metáfora do Homem de Lata introduz a importância do afeto e da empatia nas tomadas de decisão corporativas.
  • Os participantes abordam caminhos para criar espaços de conversa abertos e transparentes entre gestores e suas equipes.
  • A discussão apresenta alternativas práticas ao modelo rígido de liderança, valorizando a postura de aprendizado contínuo.

Temas discutidos

O episódio conecta o tema da vulnerabilidade diretamente à transformação da cultura organizacional e à liderança ágil. Em ambientes complexos, a postura de infalibilidade impede a inovação e o aprendizado contínuo das equipes. Ao aceitar que não possuem todas as respostas, os líderes promovem segurança psicológica, fortalecem a colaboração e constroem relações mais transparentes. Essa mudança comportamental é essencial para criar times resilientes e adaptáveis às constantes transformações do mercado.

Para quem é este episódio

Este conteúdo é ideal para gestores, líderes de equipe e profissionais de recursos humanos que buscam humanizar suas práticas de gestão. Agilistas e agentes de transformação cultural que enfrentam resistências a mudanças comportamentais nas organizações também encontram insights valiosos para apoiar suas equipes no desenvolvimento de ambientes mais colaborativos e transparentes.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

Por que a ideia de que o líder deve ter todas as respostas é prejudicial?

Acreditar que a liderança precisa ser infalível sobrecarrega os gestores e limita a autonomia do time. Essa postura impede o diálogo transparente, bloqueia o aprendizado coletivo e desencoraja a inovação, pois os colaboradores passam a depender apenas das decisões do líder em vez de colaborarem na busca por soluções eficientes.

Quais são os primeiros passos para exercer uma liderança mais vulnerável?

O processo começa ao reconhecer abertamente limitações e pedir ajuda à equipe diante de problemas complexos. Os participantes Panda, Carol Serpejante e Diego Ulrich indicam que abrir espaço para conversas honestas, demonstrar empatia e ouvir os colaboradores são atitudes fundamentais para construir um ambiente de confiança recíproca no trabalho.

Como a vulnerabilidade se relaciona com a cultura de agilidade nas empresas?

Em cenários ágeis, errar e aprender rapidamente faz parte do processo de evolução contínua. A vulnerabilidade do líder permite reconhecer falhas sem buscar culpados, estimulando a experimentação e a segurança psicológica. Dessa forma, as organizações conseguem se adaptar mais rapidamente às mudanças de mercado através de times autônomos.

Sobre este episódio

Neste episódio, Panda recebe Diego e Carol Serpejante para discutir por que a alta liderança tende a evitar demonstrar vulnerabilidade, e o custo real disso para pessoas e negócios.

O episódio abre com a história de Diego sendo avisado, antes de uma reunião de board, que ali 'só tem homens de lata', cultura de culpa em cascata e zero gratidão. É citada a frase de Freud sobre a busca por perfeição, e contadas histórias reais de desconexão emocional extrema e demonstrações agressivas de poder mascarando insegurança. Panda conecta a ausência de vulnerabilidade à falta de um 'plano B' de carreira em cargos de board, ilustrada pela história de um executivo que só descobriu que sua carreira sobreviveria bem depois de ser demitido.

São discutidas as consequências dessa ausência tanto para o negócio (menor apetite a risco, mais inação) quanto para os indivíduos (liberdade podada, ambientes tóxicos, ansiedade). Diego compartilha por que evitou conscientemente cargos de gestão, associando o padrão esperado a uma estrutura machista. Carol analisa descrições reais de vagas de gerência no LinkedIn, revelando como a linguagem reforça liderança como fardo solitário.

É contada a história da FAVI, do livro 'Reinventando as Organizações': um CEO em crise financeira subiu num caixote e disse 'eu não sei o que fazer' à sua equipe, gerando soluções coletivas genuínas. É apresentado o modelo de análise transacional de Eric Berne para explicar o ciclo parental-criança em relações de liderança. Panda compartilha como suas últimas gestoras, todas mulheres, restauraram sua esperança na liderança, e Diego conta o momento em que sua própria equipe lhe disse 'não é você que vai tomar essa decisão, é a gente'. O episódio encerra convidando ouvintes a refletir sobre o quanto responsabilizam sua liderança por problemas que poderiam resolver por conta própria.

Transcrição completa

Neste episódio, Panda recebe Diego, agile coach que passou por posições de coordenação técnica, e Carol Serpejante para discutir a ausência de vulnerabilidade na alta liderança organizacional, e o que isso realmente custa, tanto para as pessoas quanto para o próprio negócio.

O episódio abre com a história de Diego: antes de entrar numa reunião de board com investidores, alguém o avisou, 'toma cuidado porque ali dentro só tem homens de lata'. A reunião confirmou o aviso: uma cultura enraizada de culpa descendo em cascata, ninguém assumindo erro, zero demonstrações de gratidão, e nenhum plano de ação real ao final. É citada a frase de Freud, 'seríamos bons se não fôssemos tão perfeitos', para introduzir a ideia central: quanto mais alto na hierarquia organizacional, mais medo de errar, e mais a pessoa se blinda atrás de uma fachada de invulnerabilidade, exatamente o oposto do que deveria caracterizar uma boa liderança.

Carol compartilha uma história pessoal da época em que era jornalista: uma colega de trabalho recebeu a notícia da morte da própria avó durante o expediente, e a chefe perguntou se ela conseguiria terminar o que estava fazendo antes de ir embora, um exemplo extremo de desconexão emocional, não apenas de dureza no ambiente de trabalho. É contada também a história de um diretor que insistia em fazer viagens de carro de 16 horas seguidas, sem dormir, só para demonstrar força física perante a equipe, uma demonstração agressiva de poder que, segundo Carol, mascarava insegurança profunda diante de áreas em que ele reconhecia suas próprias limitações.

Panda levanta um ponto importante: muitas vezes a ausência de vulnerabilidade em cargos de alta liderança está diretamente ligada à falta de um 'plano B': pessoas em cargos de board têm poucas cadeiras equivalentes disponíveis no mercado, o que aumenta o medo de errar. É contada a história de um executivo que vivia com medo constante por não ter alternativa de carreira, até ser demitido, e descobrir, para sua surpresa, que sua carreira continuou perfeitamente bem, com clientes e ex-liderados lamentando genuinamente sua saída.

São discutidas as consequências dessa ausência de vulnerabilidade tanto para o negócio quanto para os indivíduos: menor apetite a risco (proporcional ao medo, que exige mais certeza antes de qualquer decisão, resultando em mais inação), liberdade individual podada, ambientes tóxicos, ansiedade e depressão, e um comportamento de 'herói' que discute soluções em vez de problemas reais, fechando espaço para pensamento crítico genuíno.

Diego compartilha por que evitou por muito tempo qualquer aspiração a cargos de gestão: recusou-se conscientemente a disputar uma vaga de gerente aberta numa empresa anterior, reconhecendo que os comportamentos esperados naquele cargo, agressivos, focados em resultado, avessos a erro, simplesmente não combinavam com ele, e associando esse padrão a uma estrutura organizacional historicamente machista.

Carol traz uma pesquisa rápida feita no LinkedIn: analisando descrições reais de vagas de gerência e diretoria, mesmo em empresas que se apresentam como progressistas, os verbos utilizados (supervisionar, garantir, assegurar, dominar) colocam toda a responsabilidade sobre um único indivíduo, reforçando desde o primeiro contato com a vaga a ideia de que liderança é um fardo solitário, em vez de uma responsabilidade genuinamente compartilhada com o time.

É contada a história da FAVI, empresa citada no livro 'Reinventando as Organizações': diante de uma crise financeira grave, sem dinheiro sequer para pagar salários, o CEO, numa organização horizontal, sem intermediários de gestão para resolver o problema por ele, subiu literalmente num caixote de madeira no meio da fábrica e disse à equipe reunida: 'eu não sei o que fazer'. Essa vulnerabilidade genuína e exposta gerou soluções reais vindas das próprias pessoas, que se ofereceram voluntariamente a reduzir salários e mudar de função para salvar a empresa juntos, uma decisão que, tomada isoladamente pelo CEO, provavelmente não teria funcionado.

É apresentado o modelo de análise transacional de Eric Berne, com seus três estados de ego, parental, adulto e criança, para explicar por que tantas relações entre líderes e liderados operam, sem perceber, no eixo parental-criança: alguém diz 'não sei fazer isso' (criança) e o outro responde 'deixa que eu faço pra você' (parental), reforçando um ciclo de dependência em vez de construir uma relação genuinamente adulto-adulto, baseada em pedidos concretos de apoio específico.

Panda compartilha como suas últimas três gestoras na carreira, todas mulheres, modelaram uma forma de liderar baseada em acolhimento e vulnerabilidade que ele nunca havia experimentado antes, restaurando sua esperança de que existem, sim, lideranças reais tentando fazer diferente, mesmo sem aparecer na capa de revistas de negócios.

Diego compartilha duas experiências pessoais marcantes: a primeira, positiva, com Clayton, seu gestor na transição para agilidade, que nunca assumiu o papel de 'salvador', preferindo estimular o desenvolvimento gradual da equipe; a segunda, mais desconfortável, de quando ele próprio ocupou o cargo de coordenador de QA e insistia em tomar decisões técnicas sozinho, até ser chamado numa sala por colegas de equipe, que disseram diretamente: 'não é você que vai tomar essa decisão, é a gente'. Ele descreve esse momento como profundamente vulnerável, mas também como um verdadeiro voto de confiança recíproco.

O episódio encerra com uma dupla provocação: trazer, num próximo episódio, pessoas que hoje ocupam cargos reais de liderança para contar sua própria experiência com vulnerabilidade; e um convite direto a cada ouvinte para refletir sobre o quanto responsabiliza a própria liderança por problemas que, na verdade, poderia resolver por conta própria, 'hackear o sistema' a partir de dentro, mesmo sem ocupar formalmente um cargo de gestão.

Ouvir no Spotify

Episódios relacionados

  • Ep. 298 - Organizações Orientadas a Valor: Gestão da Mudança Organizacional (GMO) Desburocratizada

    Quantas transformações falham porque, apesar de as ferramentas e processos mudarem, as pessoas continuaram agindo exatamente do mesmo jeito? Neste episódio da nossa série especial sobre Organizações Orientadas a Valor, Rafaela Fonseca recebe Renan Melo, consultor estratégicona Nower, para falar sobre a verdadeira engrenagem que faz qualquer transformação funcionar: a Gestão da Mudança Organizacional (GMO). Na conversa eles debatem como podemos fazer uma GMO que é desburocratizada, sustentável, focada em resultados e que conecta pessoas e lideranças? Nesse papo você vai ouvir sobre: Toda Gestão é Gestão de Mudança: partindo dessa premissa do Management 3.0, discutimos como o sucesso de qualquer iniciativa corporativa depende fundamentalmente de as pessoas fazerem as coisas de forma diferente do que fazem hoje. As 6 Lentes da Mudança (GMO): Descubra os seis cenários críticos onde a gestão de mudança é essencial: transformação tecnológica, transformação organizacional, modelo operacional, cultura, estratégia e crescimento. Conexão entre Portfólio e Mudança: não basta entregar uma solução, junto com GMO é que podemos garantir a adoção. É a adoção sólida que transforma investimento em resultado real. Plot Twist na Comunicação: Por que o time de GMO não deve comunicar a mudança diretamente? Entenda o papel vital do líder direto como principal canal de comunicação para gerar engajamento e mitigar resistências. Resistência como Informação: Lembre-se: resistência nem sempre é sabotagem. Ela é uma fonte rica de informações sobre gargalos invisíveis que a liderança precisa escutar e entender. Case Prático (Innovation Vortex): Como o framework de sete passos do Innovation Vortex (do modelo unFIX) foi utilizado de forma incremental para migrar da estrutura antiga e rodar novos times sem a necessidade de um reorg abrupto. Quer saber mais sobre como criar Organizações Orientadas a Valor? Acompanhe nossa série na playlist oficial. (https://open.spotify.com/playlist/3cfPF2UnrMCkeOv

  • Ep. 293 - Planejamento Estratégico Além do Óbvio: como fazer diferente sem esquecer do básico

    O seu planejamento estratégico é realmente único ou é apenas um "copiar e colar" de metas genéricas? No episódio 293 do Love the Problem, Rafaela Fonseca recebe Ana Araújo (CEO na Pareto) e Fernanda Magalhães (Consultora e Trainer na Nower e K21) para debater sobre como levar o planejamento estratégico além do óbvio — e por que tantas empresas ainda falham no básico antes mesmo de tentar dar passos mais complexos. Elas abordam: A armadilha da pasteurização: objetivos genéricos (como "aumentar faturamento", "melhorar NPS" ou "investir em inovação") quando usados como simples padrões deixam de ser úteis e formam uma estratégia sem conexão com a realidade específica da empresa. O feijão com arroz precisa de tempero: O óbvio e o básico precisam ser ditos e muito bem-feitos. A liderança precisa estar presente e atenta aos detalhes para que uma boa estratégia seja criada e colocada em prática. A pressa de ir para o "Como": Há um impulso enorme em descer diretamente para a solução, antes mesmo de garantir que todo o grupo compreenda claramente o ponto de partida e o destino final da organização. Antes de falar da solução é importante que todos estejam alinhados sobre o problema. Projetos informais: Para testar novas soluções de forma ágil é preciso abrir espaços seguros para o time experimentar e testar hipóteses. Projetos informais que estejam alinhados com a estratégia e a liderança direta podem ser esses espaços ricos de colaboração, criatividade e inovação. Executivos conectados com o dia a dia: Empresas são feitas de pessoas, e projetos são entregues por pessoas. A liderança precisa enxergar de perto o que está acontecendo na realidade da operação para criar uma estratégia acionável. Você quer elevar o nível do planejamento estratégico na sua empresa? Então dê o play e vem com a gente!

  • Ep. 288 - Alta Performance sem Exaustão: o ponto de equilíbrio entre saúde mental, liderança e resultados

    Nesse episódio do Love The Problem, Rafaela Fonseca conversa com Lucas Arthur (Co-Founder e COO da Telavita) e Akemy Brandão (Psicóloga e Líder da Área de Pessoas da Nower e K21) sobre um desafio que está no centro do futuro do trabalho: como construir ambientes de alta performance sem transformar a pressão em método de gestão. Eles abordam os seguintes assuntos: ✔️ O mito de que saúde mental e performance competem entre si ✔️ Como encontrar o “nível saudável” de desafio, pressão e estímulo nas equipes ✔️ Por que diferentes times exigem contextos, lideranças e ritmos diferentes ✔️ Clareza, priorização e segurança psicológica como aceleradores de resultado ✔️ O papel das lideranças, das empresas e também do indivíduo nessa equação ✔️ O que mudou na gestão de saúde mental corporativa nos últimos anos e com a NR-1 Se você lidera pessoas, constrói produtos ou busca resultados sustentáveis no seu negócio, esse episódio traz reflexões práticas para sair do dilema entre entregar mais e cuidar melhor das pessoas. Porque resultado e crescimento só é sustentável com sistemas, liderança e ambientes capazes de equilibrar desafio, evolução e bem-estar. Quer saber mais? Então solta o play e vem com a gente!

  • Ep. 281 - Gestão de pessoas baseada em dados: como dar bons feedbacks e desenvolver seu time sem deixar de fazer uma gestão humanizada?

    No episódio #281 do Love the Problem, Rafaela Fonseca recebe Felipe Azevedo, CEO da LG lugar de gente, e Daniella Prevot, consultora estratégica e trainer na Nower, para uma conversa sobre um dos grandes desafios das organizações: como usar dados na gestão de pessoas sem perder o lado humano. Ao longo do papo, eles abordam como sair de uma cultura baseada em achismos para decisões mais orientadas por dados, o papel de People Analytics no dia a dia das lideranças e como isso pode impactar diretamente feedbacks, desenvolvimento e engajamento dos times. Também falam sobre a importância do timing e da frequência dos feedbacks, os riscos de depender apenas da tecnologia e como equilibrar dados, contexto e relações humanas para uma gestão mais efetiva. Um episódio para quem quer tomar decisões mais assertivas e pragmáticas sobre pessoas — sem abrir mão da empatia e da conexão no dia a dia.