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Ep. 164 - Otimismo e Desamparo Aprendido
Ep. 164

Ep. 164 - Otimismo e Desamparo Aprendido

17 de julho de 202300:53:13
Educação
Facilitação
Pessoas
Product Management

Resumo rápido

Neste episódio, Fernanda Magalhães, Dani Prevô e Tony exploram os conceitos de desamparo aprendido e otimismo aprendido, partindo do experimento clássico de Martin Seligman com cães em gaiolas. A conversa desdobra-se em estilos de atribuição (interna/externa, estável/instável, global/específica), a falácia do feedback e exercícios práticos de autoargumentação para sair da paralisia e aprender a ser otimista com equilíbrio, cercar-se de pessoas que energizam e ir um desafio de cada vez.

Capítulos

  1. 00:10A origem da conversa: desamparo e otimismo no time da K21
  2. 01:00Pessoas cinza, energia e a construção intencional de comunidade
  3. 07:12Tony explica o experimento do desamparo aprendido com cães
  4. 14:22Otimismo versus pessimismo: o equilíbrio como caminho
  5. 20:58Os três estilos de atribuição: interna, estável e global
  6. 29:48The Feedback Fallacy: por que respondemos mal a críticas
  7. 40:01Exercícios práticos para aprender otimismo e o poder do contexto

Frases do episódio

“Ela falou, na neurociência, o que a gente sabe é que a maneira como você se sente sobre você mesmo, tem muito a ver com as pessoas com as quais você mais convive.”

01:31

“E o cão, galera, simplesmente não se mexia”

07:12

“E aí, gente, o que vocês acharam? Eu já fiz esse exercício com pessoal e ajuda.”

40:01

O que você vai ouvir neste episódio

  • Os convidados abordam como a dinâmica do desamparo aprendido afeta a atitude das pessoas nas organizações.
  • O episódio apresenta práticas concretas voltadas para a reversão do desamparo em ambientes de trabalho.
  • Dani Prevot, Fernanda Magalhães e Thony Simões discutem o cultivo do otimismo aprendido no cotidiano profissional.
  • O debate faz referências ao conceito de psicologia positiva do livro Felicidade Autêntica de Martin Seligman.
  • A discussão relaciona a construção do otimismo com práticas de feedback e avaliação crítica de opiniões.

Temas discutidos

A discussão conecta os conceitos de psicologia organizacional, como o desamparo e o otimismo aprendido, aos desafios de liderança, agilidade e gestão de produtos. Compreender como esses estados comportamentais afetam a motivação e a autonomia dos colaboradores é essencial para transformar a cultura organizacional. Ao cultivar uma perspectiva otimista e criar ambientes seguros para o aprendizado contínuo, as lideranças conseguem engajar times e promover transformações sustentáveis nas equipes de produto.

Para quem é este episódio

Este episódio é recomendado para líderes, facilitadores e gestores de produto que buscam melhorar a cultura do time e a motivação das pessoas. Profissionais de recursos humanos interessados em psicologia aplicada ao ambiente corporativo também se beneficiam do debate.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

O que é abordado sobre o desamparo aprendido no episódio?

No episódio, o desamparo aprendido é tratado como um estado comportamental em que a pessoa sente falta de controle sobre suas situações de trabalho. Os convidados Dani Prevot, Fernanda Magalhães e Thony Simões explicam as dinâmicas desse sentimento e discutem como a falta de perspectiva afeta o desempenho e a saúde emocional nos times.

Como é possível reverter o estado de desamparo e cultivar o otimismo?

A conversa apresenta práticas focadas no desenvolvimento do otimismo aprendido para superar a sensação de desamparo. O painel aborda a importância de mudar a forma de interpretar desafios e cita obras como Felicidade Autêntica de Martin Seligman para fundamentar ações concretas que ajudam a reestruturar a postura profissional diante de problemas.

Qual é o papel do feedback na construção do otimismo no ambiente de trabalho?

O episódio explora como o feedback influencia a percepção do indivíduo sobre seu trabalho, relacionando o assunto com artigos como The Feedback Fallacy da HBR. Discute-se a diferença entre oferecer feedback construtivo e emitir simples opiniões, mostrando que práticas de comunicação adequadas são fundamentais para evitar a sensação de impotência e reforçar a autonomia das equipes.

Sobre este episódio

O episódio 164 do Love the Problem, com Fernanda Magalhães, Dani Prevô e Tony, nasce de uma conversa orgânica dentro do time da K21 sobre como as pessoas com as quais convivemos moldam a percepção que temos de nós mesmos. A partir daí, o trio mergulha no conceito de desamparo aprendido, originado no experimento de Martin Seligman com cães em gaiolas com choques elétricos, e na psicologia positiva que ele fundou. Tony explica a mecânica do experimento e como o desamparo se manifesta no cotidiano profissional e pessoal, enquanto Dani contextualiza a trajetória de Seligman e os benefícios comprovados do otimismo: menos depressão, melhor desempenho e saúde cardiovascular. A discussão aprofunda-se nos três estilos de atribuição — interna/externa, estável/instável e global/específica — que explicam como cada pessoa interpreta sucessos e fracassos. Tony traz o estudo The Feedback Fallacy, da Harvard Business Review, que revela a dificuldade humana em receber e dar feedbacks construtivos, e propõe a prática de reforçar potências com emoção e evidência. O episódio fecha com exercícios práticos de autoargumentação, a importância de ir um desafio de cada vez, a gentileza consigo mesmo e o poder transformador de comunidades que energizam, ilustrado pela história de crianças com câncer que ressignificavam o dia da quimioterapia.

Transcrição completa

A conversa começou de forma orgânica dentro do time da K21, quando Fernanda Magalhães trouxe o conceito de desamparo aprendido e, em seguida, o de otimismo aprendido, aprendidos com Tony. O ponto de partida foi a reflexão sobre como a maneira como nos sentimos sobre nós mesmos tem muito a ver com as pessoas com as quais convivemos. Fernanda comentou que, em junho, teve vários pontos de interação com muitas pessoas diferentes e que lidou com muitas pessoas cinza, aquelas que estão sempre num lugar que não necessariamente te reabastece, te reenergiza, te nutre, e que ficam sempre duvidando: será que eu estou fazendo isso bem? Será que está bom? A partir daí, a conversa fluiu para o feedback positivo, a importância de estar com pessoas que nos energizam, e a troca mútua de potências.

Tony explicou o estudo do desamparo aprendido, que conheceu nos estudos de coaching. O experimento original foi feito com cães em gaiolas com choques elétricos. Os cães tinham a oportunidade de sair da gaiola, mas em determinados momentos começaram a limitar essa possibilidade. A alavanca que fazia abrir a porta começou a não abrir, o espaço que dava choque aumentava, e os cães começavam a tomar mais intervenções. Até o momento em que mudavam para um contexto totalmente aberto, onde podiam sair da situação, o cão simplesmente não se mexia. Ele aprendia que a vida era uma coisa que ele não podia fazer, que a vida era tomar choque. Eles identificaram esses padrões em diversos cães e, depois, em humanos, com choques menores e barulho alto, onde as pessoas começavam a apresentar comportamentos de aceitar aquele contexto como padrão. O termo desamparo aprendido surge do elemento de entender que eu não consigo mudar o contexto no qual estou inserido.

Dani Prevô complementou que o estudo foi feito em 1965 por Martin Seligman, hoje considerado o pai da psicologia positiva. O experimento tinha dois cachorros em gaiolas: ambos tomavam choque, mas um conseguia sair e o outro não. Na próxima gaiola, onde não havia choque, o cachorro que tinha conseguido sair tentava sair novamente, enquanto o outro ficava parado. Esse conceito foi correlacionado com pessoas com alto nível de depressão, que podem ter a possibilidade de mudar sua situação, mas não fazem nada porque não têm a perspectiva de que vai dar certo. Martin Seligman, durante décadas, desenvolveu a psicologia positiva, buscando entender o que dá certo em pessoas com níveis de felicidade e realização pessoal. Pessoas com maior nível de otimismo têm menos chances de depressão, maior desempenho no trabalho e pressão arterial menor.

Fernanda trouxe a questão do pessimismo não ser necessariamente o oposto do otimismo. O pessimismo também funciona: pessoas pessimistas tendem a ser mais pé no chão, fazem gestão de risco. Não se trata de virar otimista de forma absoluta, mas de ter uma perspectiva balanceada. O pessimismo ajuda a nos proteger, a fazer melhor gestão de risco, mas o desamparo pode levar a um pessimismo paralisante, de ficar muito na retranca, muito resistente a experimentar algo fora do ambiente. O otimismo traz a perspectiva de entender que eu errei, mas posso tentar de novo, e a medida do otimismo é o quanto estou disposta a tentar de novo.

Tony trouxe os estilos de atribuição, também conhecidos como estilos explicativos, que referenciam maneiras pelas quais as pessoas explicam as causas de sucessos ou fracassos. São três estilos: atribuição interna versus externa, que envolve a tendência de atribuir causas a fatores internos (habilidade, esforço, personalidade) ou externos (sorte, dificuldade, ambiente); atribuição estável versus instável, que se refere à tendência de ver a causa como permanente e imutável ou como variação sujeita a mudança; e atribuição global versus específica, que diz respeito a atribuir causas a características amplas ou a uma área específica. Fernanda deu o exemplo de uma apresentação para o comitê executivo: a atribuição interna seria reconhecer que se preparou e trouxe força interna; a externa seria atribuir o resultado à expectativa dos executivos. A atribuição estável seria acreditar que nunca mais vai conseguir um emprego após ser demitida; a instável seria entender que é temporário e que vai conseguir outra coisa. A global seria universalizar: todos os executivos vão me testar; a específica seria reconhecer que foi uma experiência com uma pessoa desafiadora em particular.

Tony explicou que, como coach, sempre tentava atuar fazendo perguntas que gerassem consciência do estilo de atribuição que a pessoa estava se dando. O movimento era gerar consciência do estado atual, do futuro desejado e da realidade percebida, transformando passos em experimentos pequenos. A palavra-chave é consistência: se você é consistente em fazer pequenos experimentos que melhoram o choque, você vai entender que pode manipular o contexto. Ele trouxe o estudo da Harvard Business Review chamado The Feedback Fallacy, que mostra como o ser humano responde mal a feedbacks de melhoria e críticas. Psicologicamente, diante de uma crítica, o instinto é se fechar, se travar, por proteção. O estudo também aponta que somos ruins em dar feedback, porque a crítica é sobre a perspectiva de quem emite, não sobre a performance do outro. A solução é reforçar o que a pessoa fez de bom, conectando emoção: não apenas dizer que a apresentação foi boa, mas explicar por quê, como aquilo repercutiu, que sentimento gerou.

Fernanda conectou com a pergunta: quais são as evidências que suportam essa perspectiva? Quais fatos trazem evidência de que você é incapaz? Isso funciona como autoargumentação. Ela trouxe que, ao ajudar pessoas que admira a se desenvolverem, fez perguntas como: quais são seus maiores talentos e características, e como você evidencia isso? Pessoas com tendência pessimista sobre si mesmas são profissionais extremamente capacitadas, mas têm desafio de olhar para si mesmas. E há também pessoas com perspectiva tão otimista que precisam de um contraponto de evidência. Fernanda contou que a Kemi a questionou com: quais são as evidências? Você já viu isso acontecer? E que a terapeuta a chamava de ótima roteirista, porque inventava histórias que não existiam. Tony acrescentou que pessoas depressivas e negativas são extremamente criativas, criando milhares de cenários que não acontecem, e o caminho é criar consciência dessas histórias e direcionar essa energia criativa para outro ponto.

Dani trouxe o exercício prático de aprender a ser otimista: primeiro, autoconsciência, perceber as vozes internas; segundo, escrever essas vozes, como eu não vou progredir na carreira porque não sou boa o bastante; terceiro, questionar com quais são as evidências disso; quarto, pensar em alternativas, mesmo se a crença for verdadeira. Ela enfatizou que é um processo de gentileza e carinho com você mesmo, não de forçar otimismo. Tony sugeriu perguntar o que você falaria para seu melhor amigo ou filho na mesma situação, e evocar o Ho'oponopono, materializando não só os monstros, mas também o que se sente de bom, o que precisa perdoar, amar e agradecer. Fernanda ressaltou a importância de ir um desafio de cada vez, não tentar abraçar o mundo, e de se cercar de pessoas que energizam, formando comunidades de troca e construção mútua. Ela contou que foi almoçar com uma amiga e que só o fato de ver alguém, abraçar, já melhorou seu humor. Tony encerrou com a história de uma trupe de palhaços no Rio que levava alegria para crianças com câncer em dia de quimioterapia, e as crianças amavam aquele dia, ressignificando a experiência. O contexto muda tudo, e não existe desafio que não tenha influência de contexto que pode mudar.

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