O que é Burndown Chart?
Em português: Gráfico de trabalho restante · Também conhecido como: Sprint Burndown, Gráfico Burndown, Gráfico de trabalho restante
O Burndown Chart mostra quanto trabalho ainda resta ao longo do tempo e ajuda o time a investigar mudanças e ajustar seu plano.
Burndown Chart é um gráfico que relaciona tempo e trabalho restante em um recorte definido, como uma Sprint. A linha real mostra a quantidade ainda não concluída segundo uma unidade e uma regra de contagem explícitas. Ele apoia inspeção e previsão, mas não mede diretamente valor entregue nem comprova o alcance da Meta da Sprint.
Origem
Gráficos de trabalho restante se difundiram entre práticas de planejamento ágil. Não há um único criador confirmado para a categoria Burndown Chart. O Scrum Guide de 2020 menciona burndowns entre práticas possíveis para prever progresso, mas não os define como evento, artefato ou obrigação do Scrum.
Ao longo do uso, equipes passaram a representar pontos, itens ou tarefas no eixo vertical. Essas escolhas respondem a perguntas diferentes e exigem cuidado ao comparar curvas. O gráfico é uma ferramenta para conversar sobre o trabalho, não uma regra canônica de execução da Sprint.
Fonte primária: The Scrum Guide
Na prática
No eixo horizontal ficam os dias da Sprint. No vertical, a quantidade de trabalho restante. Para ler o gráfico, você precisa conhecer **o que é contado**: pontos de histórias, número de itens ou tarefas. Também precisa conhecer **quando algo deixa de ser restante**. Uma história pode sair do total apenas quando cumpre a Definition of Done, ou uma tarefa pode ser subtraída ao ser encerrada. Misturar essas regras no mesmo gráfico torna a leitura enganosa.
O que acontece quando falta
Sem uma forma visível de examinar o trabalho restante, o time pode perceber tarde que um impedimento ameaça o plano. Mas a ausência de Burndown não implica ausência de transparência: quadro, conversa e outras visualizações também podem apoiar a inspeção.
O problema real aparece quando não se sabe o que falta, por que falta e como isso afeta o objetivo. Um CFD ajuda a observar acúmulo por estado; o Burnup dá outra perspectiva sobre trabalho concluído e escopo. O hub de métricas ágeis ajuda a escolher medidas pela decisão necessária.
Como funciona um Burndown Chart de Sprint
No eixo horizontal ficam os dias da Sprint. No vertical, a quantidade de trabalho restante. Para ler o gráfico, você precisa conhecer o que é contado: pontos de histórias, número de itens ou tarefas. Também precisa conhecer quando algo deixa de ser restante. Uma história pode sair do total apenas quando cumpre a Definition of Done, ou uma tarefa pode ser subtraída ao ser encerrada. Misturar essas regras no mesmo gráfico torna a leitura enganosa.
A linha real começa no total conhecido e desce quando o trabalho é retirado do restante. Pode subir se o escopo aumentar ou uma estimativa for revista. Uma linha horizontal não prova inatividade: o time pode estar avançando em um item grande, lidando com um impedimento ou descobrindo trabalho que ainda não alterou a contagem. Cada desenho sugere uma pergunta, não um diagnóstico automático.
Muitos gráficos incluem uma linha reta entre o total inicial e zero no fim do período. Ela mostra quanto precisaria cair a cada dia para uma redução uniforme. Trabalho de conhecimento raramente termina em partes uniformes, e itens que só contam quando prontos produzem degraus. Estar acima dessa linha não demonstra, sozinho, que a Sprint fracassará.
Se a unidade é pontos, a curva expressa uma estimativa de tamanho do trabalho ainda não concluído. Pontos não são horas consumidas. Se um item estimado em oito pontos permanece aberto por vários dias, os oito pontos continuam no restante quando a regra é contar apenas itens prontos. Uma linha proporcional pode parecer mais suave, mas depende de julgamentos sobre fração concluída.
Com tarefas, o desenho pode ser mais granular. O Sprint Backlog, porém, é adaptado durante a Sprint: tarefas surgem, são divididas ou deixam de fazer sentido. Um aumento no total de tarefas pode indicar melhor entendimento do trabalho, sem significar necessariamente aumento proporcional do esforço.
O escopo merece atenção especial. Se entra trabalho novo, registre como a curva foi ajustada e converse sobre a Meta da Sprint. Um Burndown que termina em zero pode representar a conclusão de um conjunto reduzido. Outro pode permanecer acima de zero porque novos itens foram acrescentados. Sem histórico dessas mudanças, não dá para interpretar a diferença.
A Daily Scrum oferece uma oportunidade de inspecionar progresso rumo à Meta da Sprint e ajustar o plano. O Burndown pode ajudar nessa conversa, mas a reunião não exige esse gráfico. Se a curva sinalizar risco, os Desenvolvedores examinam o trabalho e, conforme aprendem, podem esclarecer e renegociar escopo com o Product Owner. A qualidade não deve cair para fazer a linha chegar ao zero.
O gráfico precisa estar disponível para quem usa os dados e ser atualizado com uma regra consistente. Automatizar a extração do quadro pode reduzir trabalho manual, mas só ajuda se estados e critérios representarem o que realmente foi concluído. Um dado limpo na tela ainda pode esconder dependências e qualidade pendente.
Exemplo de Burndown em uma Sprint de 10 dias
Imagine uma Sprint hipotética de 10 dias úteis, com cinco histórias que somam 29 pontos: 8, 8, 5, 5 e 3. O time decide subtrair pontos apenas quando uma história cumpre a Definition of Done. A linha começa em 29. Uma referência uniforme cairia 2,9 pontos por dia, mas o plano real não pressupõe concluir uma fração de cada história diariamente.
No terceiro dia, uma história de 5 pontos fica pronta: restam 24. No quinto dia, conclui uma de 8: restam 16. Até ali, a linha ficou horizontal em alguns trechos, embora houvesse trabalho em andamento. No sexto dia, os Desenvolvedores descobrem uma verificação necessária para a Meta da Sprint e combinam com o Product Owner acrescentar um item de 3 pontos. O restante sobe de 16 para 19.
No oitavo dia, uma história de 8 pontos fica pronta, e o gráfico cai para 11. No décimo, o time conclui a história de 5 pontos e o item novo de 3: restam 3 pontos, referentes à história inicialmente estimada em 3. A conta é 29 iniciais mais 3 adicionados, menos 29 concluídos, igual a 3 restantes.
Antes de examinar o trabalho, alguém poderia chamar a Sprint de malsucedida porque a curva não chegou a zero. A equipe verifica se a Meta da Sprint foi atingida, se a história restante é necessária para ela e o que impediu sua conclusão. A curva destaca uma diferença que merece explicação; a resposta depende do objetivo e do Incremento real.
Esses números são inteiramente ilustrativos. Pontos foram usados para mostrar a aritmética, não para sugerir velocidade obrigatória ou equivalência com dias de trabalho. Na próxima Sprint, o time poderá escolher contar itens, se isso responder melhor à pergunta que precisa fazer.
Como criar e usar um Burndown Chart
Escolha o recorte e a pergunta
Defina se quer acompanhar uma Sprint ou outro conjunto de trabalho. Para uma Sprint, formule a pergunta como quanto resta do trabalho conhecido e como isso afeta a Meta da Sprint. A escolha do período determina a escala horizontal e quais mudanças de escopo precisarão ser registradas.
Defina unidade e regra de conclusão
Escolha itens, pontos ou tarefas e documente quando cada unidade deixa o restante. Prefira critérios verificáveis. Se contar pontos, evite chamar a queda de horas consumidas. Se contar tarefas, explique que a decomposição pode mudar enquanto o trabalho é entendido.
Registre a referência inicial
Some o trabalho conhecido no início e marque o primeiro ponto do gráfico. Se usar linha ideal, apresente-a como uma referência aritmética uniforme. Não a transforme em meta diária individual nem em prova de que a Sprint está sob controle.
Atualize e explique mudanças
Registre conclusões e entradas ou saídas de escopo conforme a regra combinada. Quando houver salto ou platô, procure o item e a decisão correspondentes. Preserve informação suficiente para distinguir progresso, descoberta de trabalho e alteração na forma de contar.
Converse e adapte o plano
Use a visualização para levantar perguntas na Daily e na Retrospectiva. Examine impedimentos, capacidade e alternativas para preservar a Meta da Sprint. Se precisar, converse com o Product Owner sobre escopo. Verifique o resultado entregue, além do formato final da curva.
Erros comuns ao usar Burndown Chart
- Tratar a linha ideal como compromisso diário. Uma queda uniforme é referência matemática. Pressionar o time a desenhar essa reta incentiva atualização artificial e pode esconder riscos.
- Misturar trabalho concluído e quase pronto. Subtrair uma fração subjetiva de item e depois apresentar o gráfico como entrega comprovada cria uma impressão falsa. Explique a regra usada.
- Esconder mudanças de escopo. A curva pode subir por trabalho novo ou cair por retirada de itens. Sem registrar essas decisões, a leitura do progresso fica incompleta.
- Usar o gráfico para cobrar pessoas. O Burndown descreve um conjunto de trabalho. Ele não mede produtividade individual nem mostra o valor que cada pessoa criou.
- Ignorar a Meta da Sprint. A curva pode atingir zero com trabalho pouco relevante, ou não atingir zero apesar de uma meta alcançada. Inspecione o objetivo e o Incremento.
Visão K21
O que a gente aprendeu na prática sobre Burndown
Avelino Ferreira Gomes Filho, em Como acompanhar projetos Scrum com Burnup e Burndown, apresenta maneiras diferentes de registrar trabalho restante: proporção estimada, tarefas e itens contados somente quando cumprem a Definition of Done. Ele chama atenção para a subjetividade do percentual consumido e para a mudança frequente das tarefas. A escolha da unidade altera a leitura do desenho.
No exemplo do post, a Sprint começa com 29 pontos em 10 dias úteis, o que produz uma referência aritmética de 2,9 pontos por dia. É uma linha de referência, não a cadência diária que o time precisa obedecer. Quando histórias só saem do restante depois de prontas, a linha desce em degraus. Essa forma deixa a conclusão verificável mais clara, embora não mostre sozinha se uma história quase terminada está bloqueada.
O mesmo autor, em Como construir um gráfico CFD, explica que o CFD detalha estados do fluxo que não aparecem num Burndown simples. A gente escolhe a visualização pela pergunta: quanto resta nesta Sprint, ou onde os itens se acumulam?
Baseado nos posts: Como acompanhar projetos Scrum com Burnup e Burndown; Como construir um gráfico CFD
Para se aprofundar
No blog da K21
- Como acompanhar projetos Scrum com Burnup e Burndown
Explica, com Avelino Ferreira Gomes Filho, três formas de contar o restante e seus efeitos no gráfico.
- Como construir um gráfico CFD
Compara perguntas respondidas por Burndown, Burnup e CFD.
Fontes primárias
- The Scrum Guide, Ken Schwaber e Jeff Sutherland (2020)
Termos relacionados
Perguntas frequentes
O que mostram os eixos do Burndown Chart?
O eixo horizontal representa tempo, como os dias de uma Sprint. O eixo vertical representa trabalho restante segundo a unidade escolhida, que pode ser pontos, itens ou tarefas. Para interpretar a linha, é preciso saber quando algo deixa de contar como restante e como alterações de escopo são registradas.
O Burndown é obrigatório no Scrum?
Não. O Scrum Guide de 2020 menciona burndowns como uma das práticas possíveis de previsão, mas não os inclui entre os artefatos ou eventos obrigatórios. O Time Scrum precisa inspecionar o progresso e adaptar o trabalho. Pode usar um Burndown se ele ajudar a tomar decisões, mantendo atenção à Meta da Sprint e ao Incremento.
Por que a linha do Burndown fica parada e depois cai?
Se o time só subtrai pontos ou itens quando estão prontos, uma linha em degraus é esperada. A parte horizontal pode representar trabalho ainda em andamento, além de possíveis bloqueios. Examine os itens e o contexto antes de concluir que ninguém avançou. A linha mostra conclusão pela regra escolhida, não cada atividade realizada.
A linha precisa chegar a zero no fim da Sprint?
Zero significa que o conjunto representado foi concluído segundo a regra do gráfico. A pergunta mais importante no Scrum é se a Meta da Sprint foi alcançada e se existe um Incremento valioso e utilizável. Trabalho restante pede inspeção e decisão, mas a curva sozinha não determina o resultado da Sprint.
Como o Burndown reage a uma mudança de escopo?
Se o trabalho novo entra na contagem, o restante sobe; se um item sai, pode cair sem que nada tenha sido concluído. Registre a mudança e sua razão para preservar a interpretação. Uma curva bonita pode esconder redução de escopo, enquanto uma subida pode mostrar descoberta relevante para o objetivo.