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a liderança feminina negra assusta?
Ep. 112

a liderança feminina negra assusta?

24 de março de 202200:08:48
Liderança
Pessoas

Resumo rápido

Em um vídeo gravado para o Instagram e reproduzido com sua permissão, DeLuise de Jesus (Delô) explica por que a liderança de mulheres negras ainda provoca medo e desconforto inconscientes no ambiente corporativo brasileiro.

Capítulos

  1. 00:06Abertura: mês das mulheres e apresentação de DeLuise de Jesus
  2. 00:54Contexto: o vídeo de Delô sobre o medo da liderança negra
  3. 01:30A pergunta inicial: medo, desconforto e agressividade
  4. 02:22O imaginário branco sobre pessoas negras em posições subalternas
  5. 03:04O que se espera de uma mulher branca versus uma mulher negra
  6. 04:41Viés inconsciente e crise ao ouvir uma mulher negra discordar
  7. 05:57O convite final: espaços mais seguros para mulheres negras

Frases do episódio

“Você já usou a palavra medo, desconforto ou agressividade para se referir a como uma mulher negra te faz sentir?”

01:30

“Isso é o esperado de uma mulher branca.”

03:04

“pensa bastante se o que está te deixando desconfortável é o que a pessoa está fazendo, ou o que você espera que uma mulher negra faça”

05:57

O que você vai ouvir neste episódio

  • A reflexão sobre os vieses inconscientes que ainda dificultam o reconhecimento da liderança feminina negra nas empresas.
  • Os principais obstáculos enfrentados por mulheres negras para alcançar e se manter em posições de decisão corporativa.
  • A necessidade de desconstruir estereótipos que associam a firmeza de lideranças negras a comportamentos ameaçadores ou assustadores.
  • O papel ativo das organizações no desenvolvimento de ambientes inclusivos, seguros e verdadeiramente equitativos para todas as pessoas.
  • A relação entre a promoção da diversidade racial no topo da gestão e o fortalecimento da cultura organizacional.

Temas discutidos

A discussão sobre liderança feminina negra conecta-se diretamente à transformação da cultura organizacional e à evolução das práticas de gestão de pessoas. Em ambientes ágeis e inovadores, a diversidade de perspectivas é um elemento fundamental para a resolução de problemas complexos e a criação de produtos mais inclusivos. Para exercermos uma liderança humana e eficaz, torna-se indispensável questionar estruturas antiquadas, combater o racismo estrutural e garantir a equidade de oportunidades dentro de todas as equipes de trabalho.

Para quem é este episódio

Este conteúdo é recomendado para lideranças corporativas, gestores de pessoas e profissionais de recursos humanos que buscam promover a equidade racial e de gênero em suas organizações, além de agentes de mudança interessados em construir ambientes de trabalho mais inclusivos e diversos.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

Por que a liderança feminina negra ainda gera desconforto em alguns ambientes corporativos?

O desconforto resulta de estruturas históricas e de vieses inconscientes que associam posições de poder a perfis tradicionais e homogêneos. Quando mulheres negras ocupam cargos de gestão e exercem autoridade, estereótipos culturais costumam reinterpretar sua firmeza como algo intimidador, evidenciando a necessidade de desconstrução desses preconceitos nas empresas.

Como as empresas podem apoiar o desenvolvimento de lideranças femininas negras?

As organizações devem estruturar programas intencionais de equidade, mentoria e plano de carreira, além de criar ambientes psicologicamente seguros. É fundamental revisar processos seletivos e critérios de promoção para eliminar vieses raciais, garantindo que mulheres negras recebam o apoio e as oportunidades necessárias para liderar.

Qual é o impacto da liderança feminina negra na cultura organizacional?

A inclusão de mulheres negras na alta gestão enriquece a tomada de decisões com visões plurais e amplia a capacidade de inovação das equipes. Além disso, essa representatividade fortalece a segurança psicológica, engaja colaboradores e acelera a transformação cultural em direção a um ambiente corporativo mais ético, diverso e sustentável.

Sobre este episódio

Este episódio bônus do Love the Problem, no clima do mês das mulheres, traz a Deia apresentando e reproduzindo, com autorização, um vídeo gravado por DeLuise de Jesus (Delô) para o Instagram no Dia da Mulher. Delô é coordenadora de projetos na Fundação Lemann, gestora de redes no programa Formar, que apoia o fortalecimento de redes de educação pública em 25 territórios do país, e produz conteúdo regular sobre liderança e lideranças negras.

No vídeo, Delô parte de uma pergunta direta: o ouvinte já usou palavras como medo, desconforto ou agressividade para descrever como uma mulher negra o fez sentir? A partir daí, ela constrói um raciocínio sobre por que a liderança de mulheres negras ainda causa tanto desconforto. Ela situa esse desconforto na herança de uma sociedade escravocrata e violenta, na qual pessoas negras eram, e em muitos contextos ainda são, associadas a lugares de serviço, o que se reflete em taxas de violência elevadas contra a população negra no Brasil.

Delô descreve o imaginário de pessoas brancas que, no ambiente corporativo, nunca tiveram contato com uma liderança negra em condição de igualdade, apenas com pessoas negras em posições subalternas. Esse imaginário se choca com expectativas de gênero racializadas: enquanto a mulher branca é socializada para ser frágil, delicada e cuidadosa com sua imagem, a mulher negra é socializada de forma sexualizada, sem os papéis sociais de cuidado, afeto e proteção atribuídos à mulher branca.

Esse cruzamento de vieses produz, segundo Delô, momentos de crise em reuniões: quando uma mulher negra discorda ou expressa uma opinião, isso é frequentemente interpretado, de forma inconsciente, como uma ruptura da expectativa de que ela deveria obedecer ou concordar. Ela reforça que não se trata de uma acusação, mas de uma descrição de como esses padrões operam na prática.

O vídeo termina com dois convites: primeiro, para que pessoas brancas questionem se o desconforto que sentem vem do comportamento real da mulher negra ou da expectativa que tinham sobre ela; segundo, para que colegas negras e negros consigam nomear esse padrão, já que uma das formas mais perversas do racismo no Brasil é operar na sutileza e no não dito. Delô fecha reafirmando seu compromisso de continuar ocupando esses espaços, mas com o desejo de que eles se tornem mais confortáveis e acessíveis para outras mulheres negras. A Deia encerra o episódio destacando que Delô já participou de outros conteúdos da rede podosférica da K21, disponíveis no backstage do Love the Problem.

Transcrição completa

Neste conteúdo especial do mês das mulheres, a Deia apresenta um vídeo gravado por DeLuise de Jesus (Delô), coordenadora de projetos na Fundação Lemann e gestora de redes no programa Formar, que apoia redes de educação pública em 25 territórios do país. Delô também é criadora de conteúdo no Instagram, onde fala sobre liderança e, principalmente, sobre lideranças negras. Com a permissão dela, o podcast reproduz um vídeo que ela publicou no Dia da Mulher sobre o medo, muitas vezes inconsciente, que a sociedade tem das mulheres negras em posições de liderança.

Delô abre perguntando se o ouvinte já usou palavras como medo, desconforto ou agressividade para descrever como uma mulher negra o fez sentir. A partir daí, ela explica por que é tão assustador, para muita gente, ver uma mulher negra em um papel de liderança. No ambiente corporativo, as pessoas reproduzem as relações que vivem no dia a dia e no social. E, no Brasil, herdeiro de uma sociedade escravocrata e violenta, ainda é o padrão esperado que pessoas negras ocupem lugares de serviço, o que se reflete até hoje nas taxas de violência contra a população negra e no que se vê diariamente no jornal e nas redes sociais.

Ela descreve o imaginário de uma pessoa branca que, no ambiente corporativo, só teve contato com pessoas negras em posições subalternas, como empregadas domésticas ou seguranças, e nunca teve, na escola ou no trabalho, uma referência de liderança negra em pé de igualdade. Esse imaginário colide com as expectativas sociais construídas para as mulheres: enquanto da mulher branca se espera fragilidade, delicadeza e cuidado com a própria imagem, a mulher negra é socializada para ser vista de outra forma: como sexualizada, mas não associada aos papéis de cuidado, afeto e proteção reservados socialmente à mulher branca.

Quando uma mulher negra chega a uma mesa de reunião, ela carrega consigo todo o viés inconsciente que as pessoas construíram ao longo da vida sobre o que se espera dela: serviço, silêncio, cuidado. Como essa mulher não foi socializada para performar a delicadeza e a aversão ao conflito esperadas de uma mulher branca, discordar dela ou dele em uma reunião se torna, para muitas pessoas brancas, um momento de crise, que frequentemente é lido, de forma inconsciente, como uma quebra de expectativa sobre obediência e concordância.

Delô conclui convidando as pessoas brancas a refletirem se o desconforto que sentem diante do comportamento de uma mulher negra vem do que essa pessoa está de fato fazendo, ou do que elas esperavam que uma mulher negra fizesse. E convida colegas negras e negros a nomearem esse padrão, já que uma das formas mais perversas do racismo no Brasil é operar na sutileza e no não dito. Seu recado final é o desejo de que os espaços de liderança se tornem mais confortáveis e acessíveis para outras mulheres negras, sem que elas precisem dominar o idioma branco para se sentirem seguras. A Deia encerra destacando que Delô já participou de outros episódios da rede podosférica da K21, disponíveis no backstage do Love the Problem.

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