
Love The Road - Kanban não é um método "Team Level" (Agile Trends)
Resumo rápido
André Suman, Agile Coach e Trainer da Kanban University, defende que o Kanban não deve ficar restrito ao nível de time. Usando a metáfora da Alexa e da pizzaria, ele mostra que o verdadeiro valor do Kanban está em gerenciar o fluxo de serviço ponta a ponta — do upstream ao delivery — com cadências, métricas como Customer Lead Time e CFD aplicados ao serviço inteiro, não apenas a uma equipe isolada.
Capítulos
- 00:05Abertura do Love the Road
- 01:12O tema da palestra: Kanban não é um método team level
- 01:56A metáfora da Alexa e o Kanban em nível de serviço
- 03:58Kanban como método para serviço ponta a ponta
- 07:05Quatro sugestões: upstream, cadências e métricas
- 10:42Customer Lead Time e CFD orientado ao serviço
- 11:52Conclusão: pense em trabalho fluindo, não em time
Frases do episódio
O que você vai ouvir neste episódio
- André Suman compartilha insights apresentados em sua palestra realizada durante o evento Agile Trends 2023.
- A discussão desmistifica a visão limitada de que o Kanban serve apenas para operacionalização em nível de time.
- O episódio explora como os conceitos de Flight Levels se articulam com a gestão de fluxo nas organizações.
- A conversa destaca a importância de alinhar a estratégia corporativa com a execução operacional por meio do Kanban.
Temas discutidos
A utilização do Kanban frequentemente fica restrita à gestão visual de tarefas operacionais no nível de equipes, limitando seu real potencial estratégico. Neste episódio, a discussão evolui ao demonstrar como o método transcende o escopo do time, conectando-se com conceitos de Flight Levels para gerar visibilidade e coordenação em toda a organização. Essa perspectiva amplia a compreensão sobre agilidade corporativa, ajudando lideranças a otimizarem o fluxo de valor do nível estratégico ao operacional de forma integrada.
Para quem é este episódio
Este conteúdo é ideal para Agilistas, Agile Coaches e Líderes de Produto que buscam expandir a aplicação do Kanban para além das operações de time. Profissionais de gestão estratégica interessados em melhorar a visibilidade e o fluxo de trabalho organizacional também se beneficiam diretamente dessas reflexões.
Sobre a série Love The Road
Love The Road registra as conversas gravadas fora do estúdio, em eventos como Agile Trends e SGRio. São bate-papos curtos e diretos com especialistas e participantes sobre o tema do momento, capturando o que a comunidade de agilidade está debatendo naquele instante.
Ver todos os episódios da série Love The RoadPerguntas que este episódio ajuda a responder
O método Kanban deve ser limitado apenas ao nível de time?
Não. Embora seja amplamente adotado no nível operacional para gerenciar tarefas cotidianas de equipes, o Kanban é uma abordagem escalável. Quando aplicado em níveis mais abrangentes da organização, ele permite coordenar iniciativas estratégicas, visibilizar gargalos sistêmicos e alinhar a entrega de valor entre múltiplos times de forma integrada e eficiente.
Como o Kanban se relaciona com o conceito de Flight Levels?
A relação ocorre porque o Kanban pode operar em diferentes níveis de abstração dentro de uma empresa. Por meio dos Flight Levels, é possível aplicar o gerenciamento de fluxo na operação dos times, na coordenação entre áreas e no direcionamento estratégico, garantindo visibilidade e tomada de decisão fundamentada em toda a estrutura.
Qual é o foco da palestra de André Suman no Agile Trends 2023?
A palestra de André Suman debate a quebra do mito de que o Kanban é restrito ao "Team Level". Ele apresenta visões sobre como o método auxilia a gestão de fluxo em camadas estratégicas e táticas, permitindo que as organizações desenvolvam uma agilidade sistêmica mais madura e alinhada aos seus objetivos.
Sobre este episódio
Neste episódio do quadro Love the Road, André Suman, Agile Coach na BRQ e Trainer da Kanban University, compartilha os principais pontos de sua palestra na Agile Trends: 'Kanban não é um método team level'. A tese central é que o Kanban, embora funcione bem em nível de time, foi concebido como método para serviço, e seu maior valor está em gerenciar o fluxo ponta a ponta — do upstream ao delivery. Suman usa duas metáforas poderosas: a da Alexa (ter uma e só pedir música é desperdício de funcionalidade) e a da pizzaria (otimizar só o forno sem olhar delivery e caixa não melhora a experiência do cliente). Ele apresenta quatro práticas para escalar o Kanban ao nível de serviço: (1) fluxo upstream com refinamento técnico, (2) cadências em nível de serviço (replenishment, Kanban Meeting semanal e Flow Review com todos os envolvidos), (3) Customer Lead Time como métrica de percepção do cliente, e (4) CFD e métricas de fluxo orientadas ao serviço, não ao time. O Block Clustering surge como ferramenta para reunir impedimentos e gerar aprendizado coletivo. A conclusão é que a organização é um sistema complexo e que a soma de Kانبans de times isolados não garante melhoria na experiência do cliente — o que importa é o somatório do fluxo entre equipes e suas dependências.
Transcrição completa
O título da palestra é Kanban não é um método team level. A ideia era explorar um pouquinho o Kanban além do nível de team level. Na verdade, não era nenhuma crítica ou nada falando mal de usar Kanban em nível de time, pelo contrário. A ideia era abrir um pouco a cabeça do pessoal de que em nível de time a gente só vai até certo ponto. E o que a gente pode ter além disso?
A metáfora que eu fiz no início é: você ter o Kanban em nível de time é a mesma coisa que você ter uma Alexa e só ficar pedindo para ela tocar raça negra. A Alexa tem um monte de funcionalidade. A inteligência artificial pode te ajudar com lista de compras, mexer em acender a luz da sua casa, cuidar de temperatura, termostato, todo esse tipo de coisa da casa inteligente. Então, o que a gente pode ir além do Kanban em nível de time? O Kanban em nível de serviço. Quando a gente fala em nível de serviço, a gente está falando de prestação de serviço. A gente está falando que alguém, uma empresa ou algum lugar tem um problema, acontece em uma série de atividades e aí essa pessoa ou essa empresa reconhece que o problema dela foi solucionado. Isso é um serviço, é um fluxo ponta a ponta.
A principal mensagem da minha palestra era: o Kanban em nível de time, ele te ajuda até certo ponto. Seria como numa pizzaria, você está preocupado com o forno e ter um forno melhor, e ter um forno que assa pizza rápido, que seja mais crocante, mas e o delivery? E o pessoal que pega o pedido? E a caixa da pizza? Tudo isso vai fazer diferença para a experiência final da sua pizzaria. E em nível de serviço seria a gente olhar ali para o desenvolvimento de software, de como olhar isso ponta a ponta.
O Kanban é um método para serviço. Ele já foi pensado nesse sentido. O que acontece é que em muitos lugares a gente começa pela equipe de desenvolvimento. O time vai lá e começa a limitar o seu WIP, aí usa aquelas práticas gerais do Kanban, faz o abastecimento do fluxo, e vai ali fazendo a sua Kanban Meeting e tudo mais. Só que o que acontece é que antes do item de trabalho chegar para a equipe de desenvolvimento, e muitas vezes depois que a equipe de desenvolvimento dá aquele item por concluído, acontece um monte de coisa. Tem áreas de negócio, tem áreas que fazem discovery, tem um monte de coisa que acontece, chega para a equipe de desenvolvimento, o pessoal desenvolve, e aí depois tem áreas de homologação, muitas vezes até separadas, de outras equipes. E aí tem a área de gestão, e aí a área que vai pôr o software em produção. E o Kanban respeita tudo isso. É como se a gente pensasse que aquele quadrinho do time de desenvolvimento, a gente escalasse ele na largura. É como se eu puxasse as pontas do quadro e fosse como um elástico, puxando. E deixa eu entender o que tem antes desse fluxo aqui do desenvolvimento. E o que tem depois. E olhar para isso para nos ajudar a gerenciar o fluxo ponta a ponta.
Entendido esse mapeamento ponta a ponta, a gente entende e gerencia esse fluxo. O principal é que nas lentes do Kanban, o serviço, ele independe se você tem um time, tem dois, tem dez. A questão é você ver o trabalho fluindo. O conhecimento, o trabalho do conhecimento partindo de um cenário que é uma ideia e se materializando. No caso do software, como o software funcionando. Então a partir do momento que você vê isso ponta a ponta, além de olhar em separado cada momento de cada time participando desse fluxo, o que você pode melhorar, você vê os atritos que acontecem nessa passagem de trabalho, às vezes até de uma equipe para outra. A sua organização é um sistema complexo. Existem dependências e onde você tem o trabalho fluindo. Ele não é uma soma de times. Se você pegar cada time da sua organização e tem uma implementação Kanban em nível de time só naquele pedaço, não quer dizer que você está melhorando a experiência do cliente ou melhorando o trabalho para o cliente. É todo um somatório de como o trabalho flui entre essas equipes e as suas dependências.
Para mim, o fluxo do serviço, enxergar o fluxo do serviço, traz esse ganho de: deixa o time de lado, vamos entender o trabalho aqui e vamos entender como isso pode ser melhorado.
Na palestra, eu dei quatro sugestões para o pessoal de coisas que podem ser feitas em relação ao olhar o serviço ponta a ponta. Uma delas é o fluxo upstream. É o universo das ideias, é o universo que os itens ali, eles ainda são opções. Uma dica bem legal, prática mesmo, que mudou o jogo para mim no upstream, é colocar no upstream, inclusive, o refinamento técnico. Às vezes, a gente fica achando que upstream é coisa de UX, upstream é coisa da área de negócio. Mas não. Quando você está selecionando opções, entender tecnicamente o que tem que ser feito, o que pode ser feito, abordagens ali, antes de você se comprometer com a demanda. Então, ter esse refinamento técnico em upstream é uma coisa legal.
Outra coisa que eu levei para o pessoal são as cadências em nível de serviço. No Kanban, a gente tem algumas cadências sugeridas. O replenishment, que é a cadência do abastecimento do fluxo. A gente tem a cadência da Kanban Meeting, que é a daily, aquele momento que a gente, estrategicamente, ali, discute sobre o trabalho, o que a gente vai fazer, ou se vai precisar reabastecer o fluxo. E a retrospectiva também. A gente pode, em um determinado momento, entender o fluxo de trabalho em nível de time. A gente pode extrapolar essas cadências em nível de serviço. O item de trabalho está entrando lá na ponta esquerda do nosso quadro, ele ainda é uma ideia, e aí essa ideia vai amadurecendo. Poxa, por que que a hora que a gente não abastece ali o fluxo, de repente, no nosso serviço, tem três, quatro equipes envolvidas? Tem um time de homologação, tem um time de desenvolvimento. Por que que o time de homologação vai saber o que está sendo feito? Será que eles não poderiam estar preparando uma massa de dados, automatizando alguma coisa, só por saber que aquele tipo de item de trabalho está entrando lá na ponta do lado esquerdo do fluxo, ainda, como uma ideia? Então, essa cadência de abastecimento do ponto de vista de serviço, a Kanban Meeting, do ponto de vista de serviço, ela não precisa ser diária, mas ela pode ser semanal, com os envolvidos no serviço. Se tiver cinco equipes envolvidas no serviço, ela pode ser para todo mundo, pode ser só as lideranças dessas equipes, ou pessoas que tenham trabalho no fluxo, para a gente entender dependência. A retrospectiva, que é o Flow Review, a mesma coisa. Por que que a gente não faz uma retrospectiva em nível de serviço? Não da equipe, mas dos envolvidos no serviço como um todo, para buscar essa melhoria, inclusive na transição entre equipes, se ela existir. E aí, com base nisso também, às vezes você pode ter até uma cadência separada, que a gente chama de Block Clustering. Todo o impedimento que você teve dos itens de trabalho passando pelo fluxo, você guarda aquele impedimento, para depois você discutir com os envolvidos no serviço, se aquele impedimento a gente aprendeu alguma coisa, pode ser evitado, se tem algum plano de ação.
Além disso, eu trouxe o conceito do Customer Lead Time, a métrica do Customer Lead Time, que é quanto tempo na percepção do cliente ele levou para ele receber alguma coisa, para ele reconhecer o valor entregue. Seria como se você ligasse na pizzaria e da hora que você desligou o telefone e a pizza chegou na sua casa, quanto tempo levou? E se a gente ficar medindo só o Lead Time do serviço, talvez você só está medindo se a sua pizzaria está sendo rápida em fazer a pizza. Mas e o tempo de processar esse pedido, do entregador pegar o pedido e levar até a casa da pessoa? Tudo isso conta na experiência de usuário. E às vezes o Customer Lead Time é muito maior do que o seu Lead Time, pensando no serviço ponta a ponta e na percepção do seu cliente.
E por último, eu comentei de você olhar métricas de fluxo como o CFD, você olhar pensando no serviço. E não necessariamente só na equipe. Entender, porque às vezes você tem um desbalanceamento entre equipes dentro de um mesmo serviço, e aí o trabalho enrosca, o trabalho para em filas.
Então a ideia ao final da palestra era: abre a cabeça, não pense em time, pense em trabalho fluindo. Se isso passar por um time, por cinco ou por dez, você consegue gerenciar esse fluxo e ver os benefícios a partir desse gerenciamento.
Dentro do conteúdo de Kanban, do próprio David Anderson, o livro da Capa Azul, tudo isso tem serviços envolvidos ali. Então, às vezes o pessoal olha em separado, o upstream e o delivery, é juntar tudo, é tudo a mesma coisa. Então, essa é uma forma fácil de entender.
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