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Love The Road - Como acabar com seu Débito Técnico (Agile Trends)
Ep. 155

Love The Road - Como acabar com seu Débito Técnico (Agile Trends)

11 de maio de 202300:16:14
Agilidade
Love The Road
Pessoas

Resumo rápido

Wagner Fusca, consultor de agilidade técnica, explica no Agiltrends que não existe 'débito técnico' — existe dívida técnica, uma metáfora de Ward Cunningham que nunca pode ser zerada, apenas controlada. Ele propõe três eixos (aquisição, visibilidade e pagamento), ferramentas como SonarQ e DoraMetrics para traduzir o problema em linguagem de negócio, e usa a analogia da Fórmula 1 para mostrar que qualidade é uma construção coletiva de equipe.

Capítulos

  1. 00:18Apresentação do convidado e contexto do Agiltrends
  2. 01:33Tema e mensagem central da palestra
  3. 02:13Dívida técnica: a metáfora do Tetris e a impossibilidade de zerar
  4. 03:42Três eixos de atuação: aquisição, visibilidade e pagamento
  5. 05:00Indicadores, ferramentas e tradução para o negócio
  6. 08:18Priorização com o PO e o desafio da qualidade no triângulo de ferro
  7. 12:41Cultura de qualidade, aliados e a analogia da Fórmula 1

Frases do episódio

Não existe débito técnico, o que existe é dívida técnica. A metáfora foi mudada no Brasil.

02:13

O Tetris nunca acabava. O teu objetivo era controlar o quanto mais próximo você estava de perder o jogo.

02:59

Se você não controla, ela te mata, te torna teu software mais lento.

02:59

O que você vai ouvir neste episódio

  • Wagner Fusca compartilha suas visões apresentadas no Agile Trends 2023 sobre a gestão eficiente do débito técnico em produtos digitais.
  • A discussão detalha como o débito técnico não pago reduz progressivamente a capacidade de inovação e a velocidade de entrega das equipes.
  • O episódio destaca a importância de visibilizar problemas estruturais de código para decisões mais conscientes entre produto e tecnologia.
  • Técnicas de negociação entre engenharia e gestão de produtos são apresentadas como essenciais para priorizar a refatoração contínua.
  • A cultura organizacional influencia diretamente no acúmulo de atalhos técnicos que comprometem a sustentabilidade do software a longo prazo.

Temas discutidos

O débito técnico é um desafio crítico que conecta engenharia de software, gestão de produtos e liderança organizacional. Quando negligenciado em prol de entregas rápidas, ele gera gargalos funcionais e desmotivação nas equipes. A gestão consciente desse débito exige uma cultura de transparência, na qual a qualidade técnica é reconhecida como sustentáculo para o valor de negócio continuado. Incorporar a manutenção e refatoração no fluxo ágil garante a longevidade dos produtos digitais e a eficiência operacional sustentável.

Para quem é este episódio

Este episódio beneficia lideranças de tecnologia, desenvolvedores e gerentes de produto que buscam equilibrar a velocidade de entrega com a sustentabilidade do código. É ideal para profissionais envolvidos na priorização do backlog que enfrentam resistência ao refatorar sistemas e precisam negociar melhorias técnicas com áreas de negócio.

Sobre a série Love The Road

Love The Road registra as conversas gravadas fora do estúdio, em eventos como Agile Trends e SGRio. São bate-papos curtos e diretos com especialistas e participantes sobre o tema do momento, capturando o que a comunidade de agilidade está debatendo naquele instante.

Ver todos os episódios da série Love The Road

Perguntas que este episódio ajuda a responder

O que caracteriza o débito técnico em um projeto de software?

O débito técnico ocorre quando soluções paliativas ou de baixa qualidade são adotadas para acelerar entregas no curto prazo. Essa prática acumula complexidade indesejada no código, gerando custos futuros em manutenção, aumento no surgimento de falhas e desaceleração contínua do ritmo de trabalho das equipes de desenvolvimento.

Como alinhar a redução do débito técnico com as metas de negócio?

O alinhamento exige tornar visíveis os impactos financeiros e operacionais do débito técnico para as partes interessadas. Traduzir problemas de código em métricas como tempo de entrega, estabilidade e capacidade de inovação permite negociar espaço fixo no backlog para refatorações e melhorias contínuas junto à área de produtos.

Quais estratégias ajudam a evitar o acúmulo excessivo de débito técnico?

A prevenção envolve estabelecer práticas rigorosas de engenharia, como revisões de código, testes automatizados e refatoração frequente. Além disso, a cultura organizacional deve incentivar a transparência e a corresponsabilidade entre times técnicos e de produto, tratando a qualidade não como opcional, mas como requisito essencial do processo.

Sobre este episódio

No episódio 155 do Love the Road, quadro do Love the Problem, Wagner Fusca — consultor de agilidade técnica em Maringá, Paraná — compartilha a mensagem central de sua palestra no Agiltrends: não existe débito técnico, existe dívida técnica. A metáfora original de Ward Cunningham (Debt Metaphor) foi distorcida no Brasil, e a ideia de zerar a dívida é uma ilusão. Fusca usa a analogia do Tetris para ilustrar que o objetivo é controlar a dívida o mais próximo do zero possível, pois, sem controle, ela torna o software mais lento, encarece a manutenção e impede a entrega de novas features. Ele propõe três eixos de atuação — gerenciar a aquisição, a visibilidade e o pagamento — e aponta que a maioria dos times só faz visibilidade e nunca paga. Para medir, sugere ferramentas de análise estática como SonarQ e Dr. Tools, além de métricas de negócio como DoraMetrics e o tempo de correção de bugs. A priorização junto ao PO é facilitada quando se fala em risco de segurança, cujo impacto em negócio, continuidade e imagem é imediato. Fusca reconhece que a qualidade é o valor que mais sofre no triângulo de ferro, mas defende que a solução passa por traduzir a linguagem técnica em indicadores de negócio, ter aliados que vivam a qualidade pelo exemplo e construir cultura coletivamente, como uma equipe de Fórmula 1 que executa um pit stop em dois segundos porque cada membro cumpre seu papel com dados, treino e capacitação.

Transcrição completa

O tema da minha palestra foi como acabar com o seu débito técnico. E a mensagem que eu queria mostrar é que tem que ter várias mensagens, porque no Agiltrends a gente tem 20 minutos de palestra, são palestras extremamente curtas e tem que ser direto ao ponto.

Não existe débito técnico, o que existe é dívida técnica. A metáfora foi mudada no Brasil. Quando a gente vai na origem da Debit Metaphor, criada pelo Ward Cunningham, você entende que aquilo é uma dívida e não um débito. Você tem que pagar ou conviver com ela. E quem acha que tem como pagar, zerar a dívida técnica, essa é uma ilusão. Você não vai zerar a dívida técnica.

Eu uso a metáfora do jogo de Tetris. O Tetris nunca acabava. O teu objetivo era controlar o quanto mais próximo você estava de perder o jogo. Ou seja, teu objetivo era deixar o mais próximo do eixo X, do zero, zero barrinhas. Dívida técnica é a mesma coisa. Se você não controla, ela te mata, te torna teu software mais lento. Uma série de coisas acontecem: você tem um custo maior de manutenção de um software, com isso você para de entregar software e novas features. A necessidade é controlar a dívida técnica. Nunca vai ser possível zerar.

Mas daí eu uso três eixos de atuação: gerenciar a aquisição, gerenciar a visibilidade da dívida técnica e gerenciar o pagamento. Se você não faz em um dos três, você não trabalha com dívida técnica. O que a gente encontra, pelo menos quando eu passo em alguns times, é muita gente que gerencia só a visibilidade. Nunca paga. Nunca tem tempo de pagar a dívida. Ou seja, sempre está devendo. Tem gente que nem sabe o que é dívida técnica, nem sabe o que é gerenciar a visibilidade, e fica cavando mais dívida técnica, entregando mais software ruim com péssima qualidade. Precisa valorizar a qualidade, gerenciar a dívida técnica. É um meio para isso, para desenvolver.

Tem que parar de cavar o buraco, ou seja, parar de adquirir dívida técnica. Tem que pagar e tem que ter visibilidade. Senão nunca tem prioridade. A gente fala isso no Kanban: você não gerencia o que você não visualiza.

Quais são os indicadores que vão me dar um cheiro de que estou precisando começar a pagar dívida técnica? A gente pode pegar algumas ferramentas específicas que medem isso, tipo o SonarQ. Você vai ter um projeto brasileiro chamado Dr. Tools que vai medir isso. Eles fazem análise estática de código, ou seja, vão olhar o código fonte e mostrar o quanto está mais próximo de um código ideal, baseado em uma série de convenções, e o quanto está longe disso. Você começa a ter um número. Sem esse número, você está dirigindo igual sem velocidade. Você começa a falar: isso não pode crescer. Todas as próximas entregas, o time tem que manter aquele número de problemas para baixo. Você começa a criar esse jogo dentro de uma sprint, dentro da interação, se for Kanban.

Como que eu transformo isso num impacto de negócio para conseguir priorizar com o meu PO? A gente poderia falar de DoraMetrics, um conjunto de quatro métricas de DevOps que auxiliam a entrega de software, a velocidade de entrega de novas funcionalidades para o cliente. Isso fala de business. O tempo que eu levo para corrigir um bug até entrar em produção já é uma métrica que fala: você está com o fator de negócio parado, o cliente não está conseguindo operar. Quanto tempo leva para você corrigir isso e disponibilizar para ele? Quanto maior o tempo, tem coisas estranhas no meio, e essas coisas estranhas são as dívidas técnicas.

Tem um livro chamado Código Limpo. Ele é bem técnico, mas já na capa ele fala da quantidade de WTFs que existe dentro do código fonte. Quando você abre, você já sabe que aquilo não está bom, está sujo. Se um time usa Scrum e vai fazer a planning, o time começa a ver que vai ter que passar dentro de tal coisa no código fonte. A cara das pessoas dos devs já indica que aquilo não vai ser fácil. Então você pode colocar um fator de multiplicação na sua estimativa: vai demorar mais tempo porque não está bom. Isso tudo vai levar a um lead time maior. Não vai entregar em duas semanas, vai entregar em três, quatro. Tudo isso são indicadores importantes, são cheiros.

Uma dívida técnica fácil de ser priorizada, se o PO entender bem o risco que ele está correndo, é a de segurança. Se você consegue trazer visibilidade do quanto o software está vulnerável, o PO prioriza. Porque se houver uma invasão, o impacto disso é gigantesco: negócio, continuidade, imagem. Mas dívidas técnicas como refatorar um arquivo de mil linhas para reduzir para 500 não geram um impacto de negócio imediato. Mas se não cuidar, é igual escovar o dente todo dia. Uma hora gera problema e o buraco cresce.

É uma pergunta difícil. Geralmente eu escuto: qualidade é um valor da organização. Mas muitas das vezes não é vivido como valor de fato, é só um desejo. Quando chega a ideia do prazo, do custo, a qualidade morre. Aquele triângulo de ferro no projeto: nunca a qualidade sobrevive. Se for software, o software sempre sai barato e rápido, nunca é bom. Rápido e bom é difícil. É sempre difícil ter qualidade.

O fator é as pessoas técnicas falarem um pouco mais a linguagem do business. Dívida técnica não é uma métrica de negócio. Mas quando eu cheguei e falei: eu sei como aumentar a nossa produtividade em 10%. Os caras: como? Eu te explico tecnicamente, mas você não vai entender. Mas me dá algum tempo para começar a te mostrar. Quando eu uso realmente essas métricas mais organizacionais e deixo: você tem que cuidar do negócio, aqui dentro eu cuido, eu gerencio. E começo a mostrar que através dessas atitudes de qualidade eu posso melhorar a empresa, os indicadores. Aí a gente começa a falar que isso que eles estão fazendo é qualidade, tem que ser organizacional.

Você vai dar quase uma blefada de que realmente vai dar 10% de produtividade, mas vai mudar. É natural. Se você arrumar algumas coisas no seu processo produtivo, vai se tornar mais rápido. Deixar os itens de qualidade, como escrever código limpo, testes automatizados, tudo isso vai tornar mais rápido. E você vai começar a criar uma cultura.

Para você criar uma cultura de qualidade, você tem que ter aliados. Ter os seus aliados, pessoas que acreditam nisso, porque eles são seus promotores. Busque pessoas que não sejam os empurradores de qualidade, mas que vivam pelo exemplo. A qualidade você leciona se você influencia pelo exemplo, pela tua fala, pelo que você faz. Falar é fácil de qualidade, fazer é difícil.

Por que a Fórmula 1 consegue fazer um pit stop de um carro mega ultra caro em dois, três segundos? Porque todo mundo sabe suas responsabilidades, o seu papel. Tem um recurso disponível que é o pneu. O piloto sabe que ele tem que parar no lugar certo. Quando virou a plaquinha, ele sai correndo. Tem uma galera olhando dados, telemetria, dizendo agora é a melhor hora para trocar. É uma equipe. Talvez o piloto vai ganhar o troféu, mas é a equipe que ganhou. Todo mundo buscando isso porque todo mundo entende que o ambiente é competitivo. E se a gente trazer isso no mundo real, a gente vê um mundo competitivo. Isso é o diferencial que faz você ganhar uma prova ou não. Que tem equipes que têm um pit stop tão rápido e faz ganhar corrida. Que trabalha com dados, mentoria, e isso só se consegue com qualidade, com treino, com capacitação, com desenvolvimento de pessoas. A gente deixa o piloto voar.

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