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Ep. 157 - Pensando as organizações do século XXI

Ep. 157 - Pensando as organizações do século XXI

15 de maio de 202300:46:32
Agilidade
Pessoas

Resumo rápido

Rafael Albino, doutor pela FEA-USP e gerente de RH, reflete sobre como pensar as organizações do século XXI a partir de uma lente histórica de 70 anos de transformação. A mudança é constante e deve ser acolhida, mas a ansiedade nasce da ausência de controle. Usando a complexidade de Edgar Morin, a ambidestralidade entre modo 1 e modo 2, a metáfora dos músculos corporais e a habilidade da filtragem, Albino propõe que organizações do futuro sejam equânimes, reconheçam sua história e distribuam poder de forma consciente, sem terceirizar a transformação para checklists ou métodos prontos.

Capítulos

  1. 08:11A keynote no Agile Trends: desconstruindo dicotomias entre métodos e realidade
  2. 09:45A lente histórica: 70 anos de transformação tecnológica e social
  3. 10:33Mudança de dentro pra fora e de fora pra dentro: acolher a tensão
  4. 13:54Complexidade, ansiedade e a arte de lidar com o que se controla
  5. 16:47O caso da CEO e a armadilha dos checklists na transformação digital
  6. 23:00Letramento organizacional e a metáfora dos músculos corporais
  7. 36:54Organizações do futuro: equidade, história e distribuição de poder

Frases do episódio

“A escolha que a gente tem é, você vai estar no palco apresentando essa mudança ou você vai estar na platéia assistindo a mudança acontecer.”

11:21

“a complexidade, ela diz respeito à mudança, né? Ela tá acontecendo a todo momento dentro do universo. E a mudança, ela nada mais é do que algumas coisas, elas vão se degenerar, e outras coisas, elas irão se regenerar.”

15:00

“o futuro já existe, ele só não é uniformemente distribuído”

36:54

O que você vai ouvir neste episódio

  • Raphael Albino apresenta reflexões baseadas em sua palestra realizada no evento Agile Trends sobre o cenário corporativo atual.
  • A discussão foca na capacidade de adaptação contínua necessária para indivíduos e empresas prosperarem no século XXI.
  • O episódio analisa como os comportamentos organizacionais precisam evoluir para lidar com transformações constantes do mercado.
  • O debate estabelece conexões com episódios anteriores sobre equilíbrio de energias e estabelecimento de limites nas empresas.

Temas discutidos

A evolução do ambiente de negócios exige que a agilidade vá além de processos e alcance a cultura organizacional e o comportamento das pessoas. Ao discutir a palestra de Raphael Albino no Agile Trends, o episódio aborda a adaptação como elemento central para a sustentabilidade das empresas no século XXI. Integrar temas como equilíbrio de energia e definição de limites permite estruturar lideranças e times mais preparados para lidar com as constantes transformações e incertezas do mercado.

Para quem é este episódio

Este episódio é recomendado para líderes organizacionais, agentes de mudança e gestores de produtos que buscam adaptar suas estruturas ao século XXI. Profissionais focados em gestão de pessoas e cultura ágil também encontram orientações práticas para promover um ambiente de trabalho sustentável frente a transformações contínuas.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

Como as organizações do século XXI devem se adaptar às mudanças constantes?

As organizações do século XXI precisam desenvolver capacidade de adaptação contínua e revisar seus comportamentos internos. Com base na apresentação de Raphael Albino no Agile Trends, a adaptação exige alinhar cultura organizacional, gestão de pessoas e agilidade. Isso permite que a empresa responda com eficiência às transformações do mercado, mantendo a sustentabilidade dos negócios e o bem-estar dos times.

Qual é o papel da gestão de pessoas nas transformações organizacionais atuais?

A gestão de pessoas é fundamental para orientar como os profissionais se comportam e prosperam durante mudanças organizacionais. O debate evidencia que promover um ambiente sustentável envolve equilibrar energias e estabelecer limites claros de trabalho. Dessa forma, as pessoas conseguem acompanhar a evolução da empresa sem comprometer a saúde mental ou a eficiência operacional a longo prazo.

O que foi discutido na palestra de Raphael Albino no Agile Trends?

A palestra de Raphael Albino no Agile Trends abordou formas de comportar-se, adaptar-se e prosperar em um ambiente em constante evolução. O conteúdo traz insights sobre o impacto da agilidade e das relações humanas no contexto corporativo atual, relacionando os desafios de liderança e gestão à necessidade de um equilíbrio entre produção, estabelecimento de limites e energia profissional.

Sobre este episódio

Neste episódio do Love the Problem, Rafael Albino, doutor pela FEA-USP e gerente de RH, compartilha a reflexão que estruturou sua keynote no Agile Trends: 'Pensando as Organizações para o Século XXI'. A partir de uma lente histórica de 70 anos de transformação tecnológica e social, Albino argumenta que a mudança é constante e deve ser acolhida, mas que a ansiedade organizacional nasce da ausência de controle e da âncora em checklists e padrões do passado. Usando a complexidade de Edgar Morin, a ambidestralidade entre modo 1 e modo 2, a metáfora dos músculos corporais e a habilidade da filtragem, ele propõe que organizações do futuro sejam equânimes, reconheçam sua path dependence e distribuam poder de forma consciente. Flor complementa com a energia feminina do confiar e da presença, e a necessidade de intencionalidade na comunicação. O recado final é não se cobrar, manter as intenções abertas e continuar se conectando com comunidades.

Transcrição completa

Rafael, conhecido como Albino, é doutor pela Faculdade de Economia e Administração da USP, com linha de pesquisa em métodos quantitativos, e atua como gerente de RH. Ele foi convidado para o episódio após ser keynote no Agile Trends, onde apresentou o tema 'Pensando as Organizações para o Século XXI'. O objetivo da palestra era provocar o público a sair da dicotomia entre métodos e a visão idealizada de empresas como ambientes incríveis, desconstruindo certezas e construindo sobre uma lente histórica. A estrutura da palestra começa com a pergunta 'Em que mundo a gente tá?', traduzindo as transformações dos últimos 70 anos: a tecnologia muda constantemente, as dinâmicas de interação entre as pessoas se alteram, a forma como a informação é disseminada é recriada e reciclada, e os hábitos de compra e a lógica de troca também se transformam. A reflexão central é que a mudança está acontecendo a todo momento e precisa ser acolhida. A mudança pode ser encarada de fora pra dentro, quando feedbacks externos geram tensão e questionamento, e de dentro pra fora, quando o repertório acumulado projeta mudanças sobre um novo ambiente. A escolha que se tem é estar no palco apresentando a mudança ou na platéia assistindo a mudança acontecer. A ansiedade surge da ausência de controle, da dificuldade de lidar com um futuro que ainda não chegou. Usando a lente da complexidade, Albino cita Edgar Morin, autor de 'Fundamentos do Pensamento Complexo', para quem a complexidade diz respeito à mudança: algumas coisas se degeneram e outras se regeneram. Organizações, como entidades de relações entre pessoas, lógicas e propósitos, estão constantemente mudando. Há coisas que fazem sentido manter, reciclar e recriar, e coisas que precisam ser descartadas porque deixaram de fazer sentido. Na segunda parte da palestra, Albino apresenta o caso de uma CEO visionária que conduziu a transformação digital da empresa seguindo um checklist rígido, acreditando que, ao final, a transformação estaria 100% implementada. A reflexão que esse caso trouxe é por que nos ancoramos tanto em padrões que fizeram sentido no passado para projetar o futuro. É muito difícil lidar com a incerteza, e dificilmente se chega a um ponto de 'estamos transformados'. O que importa é aproveitar a jornada para gerar aprendizado e se ressignificar como organização. Flor conecta essa discussão à energia masculina e feminina nas organizações: o masculino no lugar do 'faz, faz, faz' e o feminino no lugar do confiar, da presença, da empatia e do cuidado. A presença é necessária no processo de adaptação, para ler o cenário, tomar decisões e reagir conforme as coisas acontecem, em vez de seguir um checklist. Albino traz a metáfora do corpo humano: o propósito do corpo é um funcionamento saudável, e os músculos precisam ser treinados. As empresas precisam fortalecer conscientemente seus músculos, reconhecendo que nem toda fluência é igual em todas as áreas. Isso é um exercício de humildade e um tema de letramento das organizações. Ele dá o exemplo de uma empresa digitalizada onde termos como product backlog, roadmap, epics, user stories e retrospectives foram incorporados ao longo de três anos, mas sem intencionalidade de ensino. Levava cerca de seis meses para as pessoas ganharem fluência com essa linguagem. O músculo da comunicação é apontado como um ponto de partida: encapsular informação, distribuí-la, validar o entendimento e evoluir a língua a partir de feedbacks. As métricas funcionam como sensores que dão sinais sobre o que está acontecendo, permitindo interpretar e propor melhorias. A habilidade da filtragem é essencial na sociedade da informação: interpretar a informação externa considerando o contexto interno da organização, com pensamento crítico sobre o que faz sentido. Isso vale tanto para a organização quanto para o indivíduo, que precisa escolher o que consome sem ser guiado apenas por algoritmos. Flor questiona que as organizações parecem ter se perdido em relação aos problemas que querem resolver e ao impacto que querem gerar, priorizando crescimento e lucro em vez de propósito. Albino concorda e aponta os sistemas de incentivo como elemento que distorce as lentes: será que ainda se está preso ao modelo de nota do ensino formal? As pessoas são incentivadas pelo propósito, pelo bônus ou pelo cargo? Cita o adesivo da K21 'Métricas moldam comportamentos', baseado em Eliyahu Goldratt. Para o futuro, Albino traz três pontos: primeiro, organizações mais equânimes, incorporando diversidade e inclusão como fruto de inovação; segundo, reconhecer a história, a path dependence, para ter um olhar crítico ao presente e idealizar futuros diferentes; terceiro, reconhecer os jogos de poder modelados em redes sociais dentro das organizações, criando sistemas mais distribuídos e orgânicos, sem terceirizar a resolução para um método. O recado final é não se cobrar, continuar estudando, se conectando com comunidades e manter as intenções abertas, pois o universo conecta as pessoas ao que é valoroso.

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