
Ep. 99 - Seria agilidade uma falácia?
Resumo rápido
A convidada Clara, formada em filosofia, e os hosts do Love the Problem usam o conceito de falácias lógicas, argumentos que parecem válidos mas têm premissas falhas, para questionar crenças automáticas repetidas no mundo da agilidade e das transformações organizacionais.
Capítulos
- 00:06A origem do tema: um texto sobre falácias trazido ao dojo do time
- 05:07O que é uma falácia: premissas, conclusão e argumentação
- 07:38Generalização apressada: o caso de 'quem usa SAFe não entende de agilidade'
- 21:08Apelo ao povo (argumentum ad populum) e falsa causalidade em modismos de gestão
- 28:17Apelo à autoridade: a história do diretor de fábrica
- 32:01Envenenar o poço e o argumento contra o homem (ad hominem)
- 42:05Falsa analogia e o convite para questionar premissas
Frases do episódio
O que você vai ouvir neste episódio
- A definição de falácia e como raciocínios aparentemente válidos podem prejudicar a adoção real da agilidade.
- Antonio Gerent, Clara Borgognoni e Raphael Albino discutem as principais distorções conceituais observadas no mercado de trabalho.
- A diferença entre seguir rituais ágeis de forma superficial e entregar valor real para o negócio.
- Como discursos bem estruturados sobre agilidade podem mascarar a falta de mudança cultural nas empresas.
- Caminhos para identificar argumentos falaciosos e retrabalhar a mentalidade ágil nas equipes e lideranças.
Temas discutidos
O episódio conecta o conceito de falácia aos desafios práticos da transformação cultural e organizacional. Ao discutir a diferença entre argumentos aparentes e resultados reais, a conversa aborda como o uso inadequado de conceitos ágeis afeta a liderança e a gestão de produtos. Compreender as falácias na agilidade permite que profissionais e organizações superem superficialidades metodológicas, construindo ambientes de trabalho mais eficientes, focados em pessoas e orientados a entregar valor sustentável sem cair em armadilhas de discurso.
Para quem é este episódio
Este conteúdo é recomendado para agilistas, lideranças de produtos e gestores organizacionais que buscam aprofundar seu entendimento crítico sobre a agilidade. O debate oferece insights para profissionais interessados em diferenciar discursos teóricos de transformações culturais autênticas no ambiente de trabalho.
Perguntas que este episódio ajuda a responder
O que significa dizer que a agilidade pode ser uma falácia?
Dizer que a agilidade pode ser uma falácia significa reconhecer que existem discursos ou raciocínios que parecem válidos e corretos na teoria, mas falham na prática. No contexto organizacional, isso ocorre quando empresas adotam termos e ritos ágeis sem mudar verdadeiramente seus processos ou cultura, gerando a falsa impressão de uma transformação eficiente.
Como identificar discursos falaciosos sobre agilidade nas organizações?
Para identificar falácias, é necessário observar o desalinhamento entre o discurso e a prática. Argumentos que defendem a agilidade apenas pelo uso de ferramentas, sem foco em entrega de valor, colaboração ou adaptação a mudanças, costumam ser falaciosos. A análise crítica de resultados concretos e do bem-estar das equipes ajuda a revelar inconsistências metodológicas.
Quem são os convidados do episódio e qual o foco da discussão?
O episódio é comandado por Antonio Gerent (Panda) e conta com a participação de Clara Borgognoni e Raphael Albino. Juntos, os debatedores analisam como preconceitos e argumentos falsamente válidos afetam a implementação de práticas ágeis, oferecendo uma visão crítica sobre as pessoas e os processos no ambiente corporativo atual.
Sobre este episódio
Neste episódio 99 do Love the Problem, o tema nasce de uma situação real do time da K21: durante um dojo interno de troca de conhecimento, a convidada Clara trouxe um texto sobre falácias lógicas que, segundo ela e os hosts, era explicitamente machista e tratava mulheres como objeto. Por isso, o grupo decide não compartilhar o texto original com o público, apenas usar as ideias sobre falácias que ele trouxe à tona, reconstruindo os exemplos com uma linguagem própria e sem o conteúdo problemático.
A partir daí, Clara explica o conceito central: uma falácia é um argumento que parece verdadeiro, válido ou correto, mas não é, porque as premissas que sustentam a conclusão estão erradas, mesmo quando a conclusão, isoladamente, soa certa. Todo argumento é composto de premissas seguidas de uma conclusão, e a falácia normalmente não é intencional: surge por desconhecimento, falta de vivência ou pelo hábito de reforçar crenças já existentes, e não porque a pessoa está deliberadamente mentindo.
Ao longo da conversa, o trio vai nomeando e ilustrando falácias comuns no dia a dia de agilistas e consultores organizacionais. A generalização apressada aparece no exemplo de concluir que 'quem usa SAFe não entende de agilidade' a partir de poucos casos observados. A hipótese contrária ao fato surge quando alguém afirma que um ambiente 'está funcionando' sem checar se essa é realmente a realidade ou apenas uma hipótese não testada. O apelo ao povo (argumentum ad populum) é ilustrado por discursos de venda do tipo 'todo mundo está fazendo, só você vai ficar de fora?', muito comum na promoção de frameworks e modismos de gestão. Já a falsa causalidade é discutida a partir da crença supersticiosa de que o Mick Jagger traz azar a times de futebol, e transposta para a ideia equivocada de que 'basta usar OKR que o resultado acontece', ignorando os muitos outros fatores envolvidos em uma transformação organizacional.
Um dos pontos altos do episódio é o relato pessoal de um dos hosts sobre um caso de apelo à autoridade vivido como engenheiro químico em uma fábrica: depois de testar cientificamente uma hipótese sobre a configuração de um equipamento, coletando amostras e produzindo dados consistentes, ele apresentou os resultados a um diretor, que simplesmente descartou tudo dizendo que, por sua experiência e cargo, sabia que 'não era assim que acontecia', sem contra-argumentar com evidências. O host reflete que, na época, não soube transformar aquele momento em um convite ao diálogo, algo que hoje, com mais repertório, tentaria fazer de outra forma.
Outra falácia detalhada é a de 'envenenar o poço': criar uma narrativa genérica e negativa sobre um ambiente ou método antes mesmo de ele ser avaliado, como no clássico 'aqui já tentaram de tudo, vieram várias consultorias, e nada funciona'. O convite feito no episódio é não aceitar esse veredito de bandeja, mas investigar quem são as pessoas por trás da afirmação, em que contexto, e quais premissas reais sustentam a conclusão. Essa falácia se conecta ao argumento contra o homem (ad hominem), quando o posicionamento de alguém é descartado por uma característica pessoal ou uma situação isolada, como não ser 'técnico o suficiente', em vez de pelo mérito do argumento, e os hosts relacionam isso a dinâmicas de discriminação, exclusão e cultura do medo dentro das equipes.
Por fim, a conversa chega à falsa analogia, alertando para o risco de esticar comparações (como o popular 'be like water', a ideia de ser como a água) além do ponto em que elas ainda representam a realidade, e reconhece que analogias às vezes são usadas para mascarar a dificuldade de explicar algo com clareza. O episódio se encerra com um convite recorrente: em vez de entregar conclusões prontas, fazer mais perguntas, examinar premissas, buscar evidências e criar ambientes onde o questionamento seja recebido como convite ao diálogo, e não como ataque ao ego de quem argumenta.
Transcrição completa
O que eu ia contar é o seguinte, que estávamos lá no nosso time, a gente tem um momento que a gente troca, compartilha conhecimento e tudo mais, que é um dojo que a gente faz, e a Clara que trouxe o tema. E daí ela trouxe essa parada, e eu fiquei lendo o texto assim, o texto gente, a gente não vai compartilhar o texto com vocês, já vou antecipar aqui, vocês vão ter que ficar imaginando porque o texto, ele é muito machista, ele é muito machista, ele trata a mulher como objeto no texto, e eu não vou, eu vou deixar vocês, sem precisar, passar por esse, por essa experiência de um texto, mas ele traz algumas, as coisas que a gente vai discutir aqui hoje. Ele traz essa parada de falácia, e daí na hora eu lembro do Rafa, e na hora eu lembrei do Love The Problem, e na hora eu pensei, Clara, a gente precisa conversar disso lá no Love The Problem, acho que dá muito papo bom.
E é isso, e aqui estamos, aqui estamos, e é assim que começa esse Love The Problem, pode soltar a vinheta, Léo, que a gente já vai.
Muito feliz de estar de volta aqui e com vocês, né? Pra falar de uma coisa que também é desafiadora pra mim, né? Essa parte da minha história aconteceu há um tempinho, então eu sou graduada em filosofia. E aí, enfim, fui pro mundo de produtos e agilidade. E eu falei assim, por que não algumas coisas a gente vê na filosofia, que é a história do mundo, né? Um livro do mundo aí, trazer pro nosso dia a dia e contextualizar algumas coisas. E aí, nesse espaço que a gente tava super aberto, né? De trazer pro time algum conteúdo, eu falei assim, vou levar sobre falácias. E vamos ver o que vai acontecer, como que vai ser a reação de todo mundo e ver se dá certo, né? E foi mais ou menos assim.
E nisso o Panda já saiu do dia me chamando pro podcast, foi muito legal. É isso, e ele foi a pessoa que eu mandei esse texto. Foi a única pessoa que eu mandei e mandei com uma mensagem. Gatilho, esse texto é machista. Foi essa mensagem que eu mandei antes de mandar o link do texto. E está aqui com a gente. Ele, Rafael Albino. E aí, galera. Bom, primeira satisfação de estar aqui em mais um episódio do Love the Problem. E tá sendo muito massa pra falar sobre temas diversos. Aí quando o Panda me mandou, eu sempre coloco muito carinho as coisas que o Panda compartilha comigo, né? Aí ele deu esse disclaimer, aí eu falei assim, putz, né? Aí veio um pouco da voz do julgamento aqui, assim, ou do cinismo. Falando assim, será que é machista mesmo, né?
Tipo, colocando aquela... Aí eu falei assim, caraca. Eu li tipo três parágrafos. Ele não... Vamos dar um framing na mente aqui, assim. Porque tem que dar uma abstraída, assim. Já olhou pra alguém e pensou, o que passa na cabeça dela? Mas o tema, eu achei ele muito, assim, né? Toda essa lógica por trás das falácias, assim, muito interessantes. E aí, na hora, eu fiquei tentando me conectar com as coisas, tipo, com o dia que eu tinha vivido. Antes de ter lido o texto, assim. Aí eu falei, caraca, que falácia será que eu vou interagir nesse dia e tal? Enfim, aí foi isso, assim. Que bateu. A parte da leitura. Eu acho que é bem isso. Eu acho que você trouxe bem um ponto, Rafa. Quando a Clara compartilhou, Clarinha, eu achei, tipo... A gente... Você trouxe o disclaimer do texto mesmo.
Você falou que tinha, né? Essa parada. Mas o conteúdo que a gente consegue filtrar ali, por trás desse texto complexo de machismo, tangibiliza muito essa parada de falácia. É um conceito que, pra mim, não era comum, assim, né? Então, se a Clara só me explicasse, eu ia ficar, tipo, tá bom. Grandes coisas. Não sei o que fazer com isso, né? Mas aí o texto traz essa parada da vida real, né? Isso que o Rafa falou, acho que foi a mesma coisa que eu fiz. O parágrafo que ia passando, ia dando o nome de uma falácia nova, eu ia percorrendo a minha mente do tipo... Quando eu usei ou quando usaram comigo dessa falácia, né? Então, eu acho que, claro, você escolheu muito, muito bem o texto pra conseguir trazer o assunto, assim. Então, é um assunto amplo, complexo, de uma disciplina que não é minha, do dia a dia, assim.
Eu acho que eu consegui usar daquilo ali pra me apoiar e entender um pouco mais. A gente vai deixar vocês, todos e todas, bem curiosas e curiosos com esse texto, porque a gente, de fato, não vai compartilhar. Já avisei que vai dar merda isso. Mas a gente vai tentar trazer alguns pontos. A gente vai criar o nosso próprio texto aqui, né? A gente vai conectar a falácia com a nossa realidade. Acho que é esse o ponto, né? Que, no final, foi o ponto que eu trouxe lá no nosso encontro, né? E aí, no nosso dia a dia, dentro da agilidade, dentro das empresas, o quão presente estão essas falácias e até que ponto a gente consegue identificar. E a gente faz esse texto novo aqui, sem machismo, e aí a galera aprende junto. Aí, sim, amei esse convite, claro.
Eu acho que esse é o caminho.
E, pra começar, a gente já falou, né? A palavra várias vezes. A palavra do papo de hoje é falácia. Mas o que que isso significa, assim? Claro, isso pode ajudar a gente com um conceito rápido, superficial. Enfim, a gente não quer super conceito, né? Traga aquilo que você tem na sua mente do que é falácia. Você que é a pessoa que consegue trazer esse conceito pra gente aqui. Beleza, vou tentar ser objetiva aqui. Mas, pra falar de falácia, eu preciso falar também de um pouco de argumentos, ou argumentação. Mas, basicamente, a falácia são erros de argumentação, né? Ou argumentos que dão, enganosamente, a impressão de ser verdadeiros, válidos ou corretos, mas eles não são. Então, a falácia nada mais é do que um argumento. Um argumento que nos dá a impressão de estar ok, de estar correto, mas ele não é.
E aí, pra entender o que é esse argumento e a validade desse argumento, o argumento nada mais é, na lógica, do que premissas seguidas de uma conclusão. Então, sempre uma argumentação, né? Vai ter premissas, duas ou mais, e uma conclusão. E aí, a falácia, ela é quando as premissas desse argumento, elas estão erradas, ou só a conclusão está verdadeira, né? A conclusão, ela está ok, mas as premissas ali não são verdades. O conteúdo do que está nessas frases ali não são verdadeiras. E por isso que ela tem uma cara muito de argumento, mas, na real, não é verdade. Né? Então, quando a gente fala que a gente, ah, aconteceu, percebeu, é porque passa muito despercebidamente, a gente leva isso como uma argumentação na nossa vida, no nosso dia a dia. Mas, basicamente, é isso.
Sim, e daí traz a parada do que, eu acho que tem dois pontos aqui, né? É, o argumento e a conclusão. Acho que essas duas coisas são importantes pra gente assentar no nosso papo aqui. Porque a falácia está relacionada com esse viés da argumentação, né? Então, ela surge, ou a gente percebe elas, no momento da argumentação. Então, quando a gente afirma coisas, conclui coisas, é que elas podem estar equivocadas, né, Clara? Então, é isso. Então, essas coisas podem não fazer sentido, não ter uma relação tão direta, assim. E, eu acho que é nesse ponto que a gente precisa lembrar. A gente vive argumentações o nosso dia inteiro. A gente tem conversas, e elas não são, argumentações não são necessariamente debates, coisas super complexas. Às vezes, são conversas simples, né?
Eu vejo, eu e minha esposa, a gente argumenta um com o outro o dia inteiro, porque a gente fica conversando, e a gente afirma coisas um pro outro, a gente conclui coisas um pro outro. Tipo, isso faz parte do nosso dia a dia, né? Então, por isso que eu acho que o Rafa, quando eu trouxe aqui, ficou repensando o dia dele, porque provavelmente ele faz isso, assim, como eu faço, não sei se você faz isso, né? Então, todo mundo faz isso, certo, Clara?
Generalização apressada. Não sei se todo mundo faz isso. Estou usando aqui, ó, uma possível falácia de generalização apressada, porque eu tô falando que todos vocês, ou todas vocês, fazem isso. E pode não ser verdade, porque eu tô, né, fazendo aqui, partindo de um universo de três pessoas, eu, Clara e Rafa, talvez a minha esposa, quatro pessoas, e tô dizendo que todo mundo faz isso. Então, aqui, ó, primeira falácia. Vamos marcar hoje, fazer o checklist. Depois, no nosso backstage, a gente coloca o checklist lá.
Generalização apressada. E aí, eu acho que dá pra gente trazer, até, eu gosto muito dessa, e a gente usa muito, assim. Tem um exemplo que me aconteceu, acho que, essa semana atrás, aí, que eu escutei alguém falando assim. Eu conheci uma pessoa que ela usava safe, sabe safe? E essa pessoa não entendia nada de agilidade. E aí, eu conheci uma outra pessoa, e ela também usava safe, não entendia nada de agilidade. Portanto, todo mundo que usa safe não entende nada de agilidade. E eu falei, meu, e aí, hein? Quantas pessoas já usaram essa argumentação, né? Total, total. E ela, e ela, olha, olha que louco, né? Eu vou construir outra argumentação que eu, que eu, que eu vi esses dias, assim, também, interagei esses dias. Foi muito assim. Olha, aqui nesse lugar, nesse ambiente, agilidade funciona, porque, afinal de contas, o modelo que foi proposto por mim, ele, né, ele é muito bem embasado, ele é muito bem sustentado, ele tá muito bem organizado, assim.
Então, é um pouco daquela perspectiva. Exatamente por isso que a gente tá funcionando, não é mesmo? Né? Por isso que as coisas aqui fluem muito bem, não é mesmo? Aí, eu olhei pra cara dessa pessoa, aí eu falei assim, tá funcionando, né? Que que tá funcionando, assim, né? Que hipótese que tá sendo colocada aqui? Que fato que é esse que tá funcionando, assim, sabe? E aí, eu lembrei automaticamente do texto, assim, né? A construção da hipótese contra o fato, assim. Aí, eu falei, ao contrário, é o fato. Eu falei, hum, então, isso aqui tá com cara de falácia também, assim, né? Mas, enfim, mas foi um outro também, claro, assim, que veio de insight pós a leitura do texto. Eu falei, hum, será que eu falei isso já em algum momento, assim, né? E aí, eu fiquei com essa dúvida na cabeça.
Hipótese contrária ao fato, é isso, Rafa?
Hipótese contrária ao fato, é isso. Mais uma, eu acredito. Eu vou marcando os nomes aqui, gente, do que a gente tá falando. É lógico, a gente já tá trazendo algumas dessas falácias que a Clara compartilhou com a gente, só pra dar os exemplos pra vocês. Eu acho que é nesse ponto que a gente precisa aqui fazer um... Porque é o momento em que a gente tá falando, já de como essas afirmações, ou essas conclusões, ou esses argumentos estão colocados no nosso dia a dia. E aqui, eu acho que não é um papo quanto a julgamento dos argumentos. Acho que não é essa a nossa intenção, necessariamente, aqui no nosso papo. Porque as nossas conversas do dia a dia envolvem certezas, conclusões, coisas que a gente carrega e que a gente vai usar e faz parte do nosso dia a dia.
Então, não é que a vida é uma grande incerteza em que a gente vai fazer só perguntas, né? Porque se a gente... Pra não ter falácia, né, Clara, é fácil. É só não ter nenhuma conclusão. Então, eu vou viver uma vida de perguntas, eu não corro nesse risco de cair numa falácia, né? Exatamente. Eu acho que é olhar, de fato, o que explica a conclusão que a gente tem, né? Mais do que só olhar pra conclusão. Acho que depois tem um comportamento, algo que a gente tende, naturalmente, a olhar muito pras conclusões e definições que a gente tem no dia a dia, ou espera das nossas conversas, né? Mais do que isso, é olhar... O que veio antes, né? O que que tá justificando aquilo? E questionar, né, de forma saudável, quais informações as pessoas ou a gente mesmo está colocando em jogo pra conversar.
Então, seja dentro da nossa casa, né, Panda? Você deu aí o exemplo que conversa aí, mas seja no nosso dia a dia de trabalho. Quais informações eu tô levando antes de tomar uma conclusão pra, de fato, não ser, talvez, só a minha opinião, né? Ou a minha afirmação ali, né? Como que eu vou conseguir... Construir esse ambiente criticamente saudável entre todos e que essa conversa seja relevante pra gente construir seres pensantes e informações, de fato, que nos levam a algum lugar que seja saudável e que tenha uma conclusão boa pra todos, né? E uma parada que me chamou muita atenção quando você trouxe, claro, foi que a gente questionar essas argumentações que a gente usa, ela toca num lugar meio dolorido, às vezes, né? Que toca num lugar do ego, assim.
Às vezes, aquela conclusão que eu tenho fundamenta um pouco aquilo que eu acredito, a minha visão do mundo, assim. E quando alguém coloca em xeque essa minha conclusão, essa minha argumentação, pode ser uma coisa mais dolorida. Então, no próprio texto é isso, assim, né? Você vê que o momento em que as pessoas vão trazendo, dando nome pras falácias que a pessoa tá usando ali, a pessoa fica ofendida, assim, né? Porque é como se estivesse questionando a idoneidade da própria pessoa, né? E eu acho que aqui, gente, talvez seja um convite pra fazer um movimento, primeiro, individual, de você questionar a sua... as suas conclusões, as suas afirmações, pra ver se em algum momento você acaba não usando de alguma falácia, porque a falácia não é só consciente, né, Clarinha?
Não é do tipo, eu estou optando por falar algo que não é verdadeiro. Algumas são coisas por falta de conhecimento, por ignorância, por uma falta de vivência, então, não necessariamente elas têm uma má intenção quando elas surgem, né? Exatamente. E nem sempre a gente vai fazer deduções lógicas pra entender se tá falando uma falácia ou não, né? Mas é no sentido de trazer criticidade pra uma conversa. E o contrário, né? Quando alguém sobrepõe com uma argumentação, a gente refletir sobre os pontos e iniciar uma conversa em que todo mundo converge algo que seja realmente fato, ou válido ali, né? No final das contas, a gente tá falando sobre validade das informações, né? Ou se é verdadeiro. Então, trabalhar com... Não é sempre que a gente vai ficar fazendo as deduções lógicas, mas, claro, que sempre argumentações e os pontos de contrapartida colaboram muito.
A gente chegar à validade ou não de uma argumentação. Que massa. E acho isso muito doido, porque, assim, eu vou tentar fazer algumas conexões, inclusive com alguns episódios do Love the Problem, que eu acho que vão ajudar a galera, assim, pelo menos o que me... o que me emergiu aqui dessas escutas aqui que a gente tá tendo dessa troca. A primeira é, acho que um episódio até recente falando sobre comunicação não violenta e uma perspectiva de necessidades, assim. E aí, quando eu escutei esse episódio, me bateu muito um... Eu até tô pegando meu caderninho aqui de anotações de terapia, que me pegou muito um tema de discussão na terapia, que foi como a gente pode usar arrogância como sendo um instrumento de uma necessidade não atendida. Então, é mais ou menos assim, como eu não sou capaz de fazer isso?
Eu não posso falhar? Às vezes eu vou fracassar, mas isso, assim, eu não admito fracasso e coisas do tipo. E aí, por que que eu tô trazendo essa perspectiva? E aí, esse episódio do Love the Problem, ele bateu muito nisso, né? Assim, ah, pô, deixar à tona as necessidades, tentar de alguma forma fazer com que na fala isso fique explícito pra que a outra pessoa possa entender isso e a comunicação fluir de um jeito mais objetivo e até mesmo mais empático e conectado. Aí vem um segundo ponto aqui, que é a definição que a Clarinha Tucci dá da falácia, né? Que é essas premissas, assim, dentro da argumentação, que essas premissas, elas têm alguns problemas ali, assim, né? E aí, o porquê que a gente, às vezes, tenta ficar embutindo essas premissas? Será que é pra reforçar aquilo que está por trás das nossas crenças ou do jeito que a gente interpreta a realidade e aí a gente, literalmente, quer dar um jeitinho pra poder levar o nosso argumento adiante, né?
E convencer as outras pessoas e aí falar assim, ah, tá vendo? É isso mesmo que tá acontecendo aqui e tudo mais. E aí, eu queria conectar com uma outra discussão que eu tava escutando, até mesmo dentro do xadrez corporativo, que tem sido bem interessante, assim, pra esse projeto, né, em paralelo, assim, que é um pouco de todo esse movimento de mudança, né? Então, assim, a reflexão que eu fiquei fazendo ao escutar os cases do xadrez, foi justamente de o quanto pra que a mudança aconteça, nós não embutimos elementos ou falácias, assim. E aí, eu quero deixar essa pergunta pra vocês aqui, porque vocês estão vivendo como consultores e consultores aí, e aí vocês podem, melhor do que eu dizer, né? Como que vocês têm observado essas falácias dentro dos ambientes, certo?
Então, deixa aqui os meus links, aqui com dois conteúdos, aqui do Love the Problem. Cara, boa pergunta, Rafa. Gente, esse episódio está com zero script. Não sei. Tá? Só pra ficar claro aqui, ó, tudo que tá rolando aqui tá emergindo nesse papo, porque a gente falou, ó, vamos falar sobre falácias e o ponto de partida é todo mundo ler esse mesmo texto. A Clara tem muito mais conteúdo sobre falácia que eu e o Rafa, mas o ponto de partida é exatamente esse. E, Rafa, você trouxe pra mim uma parada que pode ser um paradigma que a gente vive nas organizações nesse papel como consultor, em que, muitas vezes, e aqui, o consultor, não só a gente como consultor da K21, pensando em empresas, quando você tá em áreas mais cross, áreas que atuam como uma forma de consultoria interna e tudo mais, isso pode acontecer.
Eu acho que pode ser muito comum nesse tipo de trabalho, que é as pessoas esperarem que você tenha resposta. E o fato das pessoas esperarem que você tenha resposta, já é uma premissa de que você tem essa conclusão. E toda vez que você vai pra esse papo, você tem que ter argumentações ou conclusões. E daí isso pode ser uma cilada pra gente acabar caindo em algumas falácias. Porque a gente pode criar algumas dessas argumentações que não são tão consistentes. Porque não tem como eu, por exemplo, panda, ter passado por um espectro tão geral de vivência dentro das organizações e tudo mais, de tantos contextos tão específicos, em que eu consiga ter uma conclusão tão direta pra aquela realidade da pessoa que tá me perguntando. Então talvez isso possa fazer com que a gente acabe caindo um pouco em algumas falácias na nossa argumentação.
E daí também isso serve pra pessoas que estão num processo como agentes de mudança dentro das organizações também. Pensa aí agilistas que ouvem a gente, galera de produto, galera que tem um viés mais de processo, um viés mais organizacional e tudo mais. Muitas vezes, quando esperam de você uma conclusão, saiba que pode ser uma cilada. A gente pode acabar caindo em algumas dessas falácias. E eu acho que pra mim, esse tá sendo um gatilho interessante, Rafa. Porque eu comecei a olhar pra minha atuação do tipo, beleza, se eu estou na expectativa de trazer uma conclusão pra alguém, eu talvez preciso revisitar esse meu argumento. Que pode ser que esse meu argumento, ele não é uma argumentação válida no olhar da lógica.
E talvez eu precise usar isso de outra forma, não concluir. Talvez eu tenha que perguntar mais, talvez eu tenha que entender mais, talvez eu tenha que explorar mais do que simplesmente dar uma resposta. Então, eu tô nessa balança no meu momento. Depois que a Clara arremessou esse conteúdo sobre falácias na minha mente, eu tô nesse momento. Eu acho que é um bom ponto. Você falou de, acho que quando eu penso que eu tenho que levar a conclusão, talvez eu tenha que perguntar mais. E às vezes perguntando, a gente leva a própria pessoa ou quem espera uma resposta, ter a própria resposta. Então, com as perguntas e conduzindo as perguntas corretas e trazendo isso nas conversas, a gente consegue fazer com que essas pessoas mesmo, que estão procurando essas respostas, achem elas ou acabem encontrando elas no próprio discurso.
Que isso é muito legal também. Fazer esse questionamento e trazer pro racional o perguntar, né? Porque nem sempre a gente precisa chegar com algo pronto e, enfim, com um pitch pronto ali e já com uma conclusão de tudo perguntar, a gente pode também analisar o que a gente tá levando como argumentação e fazer uma construção um pouco conjunta.
E aí eu acho isso tão interessante porque nos leva pra uma posição de fazer boas perguntas, né? E isso, eu acho isso muito incrível, assim, porque ao mesmo tempo, quando a gente tá nessa aceleração de ter essas respostas, de ter as soluções de prateleira, assim, né? Que eu costumo dizer, que vem aqui instale cultura na minha organização. Traga o raio esquadificador e transforme. E tudo isso, né? E aí, eu acho que é muito interessante tudo aqui no modelo Spotify. Faça com que o SAFE seja implementado em três meses e tenha uma esteira ágil. Enfim, né? Tô fazendo aqui, tô colocando aqui vários termos falaciosos, assim, pra justamente de alguma forma nos levar pro propósito mesmo de questionar. E construir e fazer... Eu adorei isso, claro, assim, porque eu até anotei aqui, né?
Como fazer com que as pessoas, elas consigam chegar às conclusões através das perguntas, assim. E acho que esse tem sido um exercício que eu tenho me feito diariamente que é, quantas perguntas eu fiz ao longo do dia? Porque se eu percebo que aquele dia que eu tô cansado, é aquele dia que eu sinto que eu falei demais.
Falando, falando, falando, falando, falando... E é justamente o dia em que eu não dei espaço pra questionar aquilo que tá acontecendo, assim, né? Então, eu acho que isso deixa o dia tão mais leve, assim, as interações tão mais leves, quando nós introduzimos perguntas, ou não, pode deixar mais leve, que enfim, acho que pra mim ficou marcado aqui o meu post-itzinho. Quanto eu estou perguntando no dia de hoje? Inclusive, ó, dando nome aqui, eu fiz um pouco de tarefa de casa aqui, claro. Esse argumento, tipo, só você vai ficar de fora, Rafa, tá todo mundo fazendo aí, todo mundo transformando, só você vai ficar de fora? Apelo ao povo. Tem um nome em latim que eu não ouso dizer, porque eu não consigo falar uma palavra de latim. Ou vocês querem que eu me exponha aqui?
Por favor, por favor.
Argumentum ad populum. Que porcaria, hein?
Apelo ao povo. Esse é uma falácia, né? Só você vai ficar pra trás? Um monte de argumento de venda é baseado nessa falácia, assim, né? Tipo, tá todo mundo fazendo, só você que não? Pô, isso aqui deu certo pra não sei quantos porcento das empresas. Pô, você vai ficar de fora dessa, né? Tá aí uma falácia, inclusive. Vamos marcar. Toda vez que eu lembrar de uma, eu vou marcar aqui. Isso aí.
Gostei, gostei do latim aí, mandou bem. Muito obrigado. E exatamente, eu vejo muito isso, né? Porque tais empresas estão fazendo tal coisa, ou próprio... A gente comentou esses dias, Panda. A gente falou sobre o KRs, né? Que as empresas estão vendo todas as empresas usando e chegando a resultados. Vamos usar aqui também? E aí pega e acha que vai ali, né? Colocar como o Rafa trouxe. E, na verdade, é um pouquinho mais do que isso tudo, né? Não é só tantas empresas usando, tantas pessoas fazendo isso, né? Tais pessoas preferem tal coisa e aí, no final das contas, a gente faz porque uma parte usa faz também, né? Ou se promove de alguma forma. Cara, e daí aqui, ó. Claro, você me lembrou de um que eu acho que esse faz parte do dia a dia. Aqui, eu vou ou usar uma generalização, então, já sei.
Vou usar de uma generalização aqui, porque essa, pra mim, parece ser muito comum. Eu queria saber o quanto vocês ouvem dessa, que é a falsa causalidade. Causa, né? Essa relação de fato, né? Que, sabe o Mick Jagger? Todo mundo fala que o Mick Jagger é o pé frio lá, não é? O Mick Jagger bota a camisa do time, aquele time não ganha e tal, a seleção não ganha, não sei o que. Então, todo mundo fala, pô, o Mick Jagger não pode botar a camisa, né? É a causalidade disso, essa falsa causalidade. E quando a gente faz uma afirmação tipo essa, que a Clara trouxe do OKR, por exemplo, né? Pô, é só usar o OKR que o resultado vai acontecer. E isso é uma falsa causalidade, porque tem um monte de outras coisas que envolvem o movimento de transformação de uma organização que leva a obter bons resultados.
Não é o uso de uma coisa que vai gerar isso, que vai causar isso. Então, isso é uma parada que tem muito no nosso meio. Acontece bastante essa relação de causa e efeito direta, assim, que parece ser verdadeira, mas ela não é necessariamente verdadeira, né? Não é à toa que a gente fala muito de system thinking, né? Que a gente fala daqueles diagramas de loop causal, quando a gente analisa os sistemas e tudo mais, porque já é um começo da consciência de que essa relação causal não é direta. Então, é uma parada que tá, pra mim, no dia a dia, assim, das nossas transformações, do que a gente vive nas organizações, surgirem essas falsas causalidades. Aí, mais um. E aí é interessante, porque entra bem na generalização não qualificada, né? Porque, quando a gente coloca, dentro dessa perspectiva de simplificar um resultado pro modelo, sem considerar contexto, sem considerar todas essas conexões entre os elementos, até, e isso que eu acho o mais, assim, acho que enriquecedor de tudo, quando a gente pensa em organismos vivos, e nós olhamos pras organizações dentro desse desse espectro, assim.
É todo corpo todo ser humano, ele tem as suas individualidades, tem o seu jeito de interpretar o mundo, tem as suas crenças, tem as suas referências e o mesmo exercício aí, trazendo agora um pouco pro lado, né, de desenvolvimento de musculatura que a gente pode fazer esse paralelo com a musculatura, as musculaturas organizacionais, o mesmo tipo de exercício, com o mesmo método ele vai gerar um efeito distinto naquele corpo, porque só aquela configuração individual tem todas as suas propriedades ali que caracterizam ela, e as organizações é muito assim, e isso é tão extrapolando ainda mais, que quando a gente consegue entender essas individualidades, não é que a gente vai ignorar o método, ou a gente vai ignorar o exercício, a gente, né, tipo aquilo lá, de alguma forma, cientificamente foi provado que é efetivo e tudo mais, só que o feedback que o exercício traz a partir do momento que a gente coloca ele em prática ele tem que ser interpretado, e aí pra mim vem esse lance do questionamento, das falácias aqui, quando uma falácia é colocada ali, ou ela é identificada, vem muito essa nossa consciência de questionar aquela falácia e através de qual argumento que nós estamos questionando?
É através de um feedback real, que é a evidência que a gente tá vendo ali, ó, colocamos OKR aqui, né, tipo, puta, não tá funcionando primeiro ciclo não funcionou, segundo ciclo não funcionou, terceiro ciclo ou é do tipo, não, porque lá na empresa XPTO o OKR funciona lindamente, e aí enfim, vem aí todas as falácias porque na minha outra experiência OKRs funcionou lindamente, tarará enfim, então, só acho que conectando com vários temas assim, essa percepção com relação a ambiente e aí eu tava até lendo, não sei onde que foi, sobre o quanto os sistemas, eles estão sentindo, né, então quanto que a gente tá sentindo as informações que estão acontecendo dentro dos sistemas organizacionais um pouco. Boa, e aí quando a gente fala também, né, você trouxe outro aí, Pandinha generalização não qualificada, né pra gente colocar lá no listinho muito bom, mas quando você fala de verificar, né, de como a gente tá trazendo tanto feedback, quanto o que a gente tá colocando pra ver a validade do argumento, né, se não é uma falácia e aí entra, sabe, entra coisas que estão no nosso dia a dia, por exemplo experimentação, observação entrevista levantamentos, olhar os dados observar dados históricos ou um pouco da história, e isso entra como uma evidência a ser colocada na argumentação, pra gente torná-la, de fato, né ver se tem a consistência e a validade de um argumento, e se a gente não tá caindo nessas falácias, então por isso que é muito mais olhar pras premissas e não só a conclusão e aí trazer no peso dessas premissas algumas coisas do nosso dia a dia que a gente tem escutado bastante a gente provoca bastante a se fazer, então pesquisas e trazer essas experimentações e fatos ali, e evidências de fato que comprovam o que a gente tá propondo Perfeito, claro, eu vou aproveitar e vou te fazer uma pergunta, como a gente consegue questionar essas premissas, assim, né, que dicas que você daria pra questionar premissas assim, acho que essa é uma ótima Boa, boa, difícil difícil validar um argumento, mas assim eu acho que alguns passos mais assim, que cabem no dia a dia sabe, se é impossível ou improvável que essas premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa é uma então se a premissa ali é verdadeira e a conclusão falsa é um indício, e as premissas são plausíveis mais que a conclusão, né, se sim ali, beleza, a gente tem uma argumentação, se a gente tem uma falha, por exemplo, se as premissas não são tão plausíveis quanto a conclusão, aí a gente pode ter um indício de falácia, né.
Teve uma coisa que aconteceu comigo gente, vou contar uma coisa pra vocês eu tava tentando contar ela de uma forma em que trouxesse o nome dessa outra falácia aqui que é o apelo à autoridade vocês querem o latim de novo? Por favor Com certeza! Tá bom, vamos lá, de novo Argumentum advercundiam Aí, ó, é isso apelo à autoridade. Eu lembrei na hora de uma discussão que eu tive, não é uma discussão, de fato, né, é difícil pensar nisso como uma discussão, assim, porque eu fiz um estudo num equipamento na indústria que eu trabalhava vou contar o cenário, estava eu, engenheiro químico, engenheiro de produção lá no chão de fábrica o engenheiro Antônio, que eu já contei a história pra vocês aqui que hoje em dia é o Panda, mas ele tava lá tinha um problema que acontecia de mistura de um material então precisava, né, método científico aí, uma das formas da gente conseguir explorar isso, né, então tipo, no lugar de eu afirmar alguma coisa, eu criei uma hipótese e falei pode ser que a gente tenha um problema na configuração desse equipamento, que gera a minha hipótese era que gerava uma mistura inadequada dos materiais né, então essa foi a minha hipótese que eu fui testar, método científico uma das formas da gente conseguir trabalhar nessas questões aqui, então eu fui lá coletei várias amostras em tempos diferentes, fiz um estudo, analisei o perfil de cada um dos materiais que eu tava analisando, no fim das contas eu tinha lá um estudo que mostrava que a configuração do equipamento gerava resultados diferentes no perfil dele na horizontal assim, de ponta a ponta, assim, né, imagine uma grande batedeira e que ela, de uma ponta, dava um resultado na outra ponta dava outro, então eu falei eu tinha essa hipótese, então eu fiz esse estudo tinha lá meus dados, gráficos informações, falava, gente, nós temos esse plano de configuração, a gente precisa melhorar esses equipamentos pra que isso se torne mais homogêneo, que não exista essa diferença o meu chefe, na época, o meu diretor falou assim, ah, tudo bem, tô vendo seus resultados mas não é assim que acontece, e daí eu fiquei gente, ali, eu vou contar uma coisa pra vocês, eu congelei eu falei, eu não tenho o que fazer a partir desta afirmação, porque ele simplesmente usou da autoridade dele, no caso, pra dizer que não era, que o que eu tava falando não era uma verdade assim, e é bem o que a Clara trouxe, meus argumentos eram totalmente contrários à conclusão que ele levantou, assim, é como se ele pegasse os meus argumentos e a conclusão que ele encaixou aqui, não fazia sentido nenhum, e daí eu fiquei, tipo, o que que eu posso argumentar e seguir numa discussão com o viés lógico com o cara que acabou de apelar pra autoridade dele e simplesmente falou, não, eu sou o diretor disso aqui eu sei que não é assim que acontece, ele falou como se eu já fiz vários desses equipamentos na minha vida inteira não é assim que acontece, né, porque daí esse argumento comigo começou, né, começou assim, de uma forma muito de sopetão, mas se a gente fosse, se eu fosse explorar com ele, ele ia começar a trazer esses pontos, ah, mas eu já fiz 30 desses na minha vida toda, sabe tipo, não é assim, e eu nem simplesmente não tenho o que trazer pro cara, porque ele tava usando dessa falácia, assim do tipo, eu sou autoridade nisso eu tenho muito mais experiência que você esses dados, essa coleta, essa hipótese que você testou, validou e tudo mais tá descartado, não faz sentido, né então eu vivi com essa e, gente, eu vou dizer pra vocês naquela época, eu acho que hoje em dia eu tenho mais eu acho que eu tenho mais habilidade de argumentação e de conversa e de exploração, que eu acho que eu poderia seguir essa conversa com ele por mais tempo, assim mas naquele momento eu parei, eu simplesmente fechei meu computador, fechei meus gráficos meus relatórios, tava muito bonito, gente, inclusive eu mergulho muito de defeito naquela análise, foi muito boa bem conclusivo, inclusive, nossa podia ter gerado várias melhorias lá eu guardei e levei embora, porque naquele momento eu não tinha nem capacidade, né, de trazer essa argumentação acho que hoje em dia, com tudo que já vivenciei aqui, com as coisas que eu aprendo com as pessoas que eu troco, eu acho que hoje em dia teria um pouco mais de soft skill talvez, aí, pra argumentar com o cara e trazer um pouco mais de conversa mas eu acho que, pra mim, o coração desse papo tá sendo isso, assim, tipo, quando a gente identifica uma possível falácia, talvez seja um convite pra conversa, talvez seja um convite pra gente explorar o que tá sendo trazido naquele ponto ali, então eu, por exemplo, perdi esse convite, né, o cara trouxe aquela falácia e eu podia ter usado dela como um convite pra conversa, mas eu não sabia fazer isso, hoje em dia eu acho que talvez eu saberia fazer.
E questionar, né talvez questionar a pessoa ali, né por mais que fluísse pra alguns ainda pela autoridade, né porque eu sou a autoridade aqui e é isso, de fato foi algo que pode levar a uma discussão ou a gente quebrar alguns paradigmas ali, né com certeza. Tem uma falácia que eu queria compartilhar com vocês, assim, que quando eu tava lendo o texto, eu achei ela muito, foi muito bacana nomear isso, assim, né, que é a do envenenar o poço, assim, eu achei eu achei ela bem interessante, porque assim, eu vou trazer um pouco da perspectiva, né, a minha interpretação dessa falácia foi, eu vou colocar uma série de assim, criar toda uma narrativa pra dizer que tem uma coisa muito ruim ali, ou que aquele ambiente ele é muito ruim, ou que aquele método ele é muito ruim, enfim, né, literalmente eu vou embutir uma série de possibilidades de vieses em cima daquele argumento que eu tô criando assim, né, e aí o envenenar pode gerar um pouco daquele lado do negativo né, pô, tô envenenando tal, assim, né, envenenar, matar, enfim né, sei lá, foi um pouco do que bateu na minha mente quando eu li, assim, o nome mas um exemplo muito explícito é quando a gente escuta as pessoas falando o seguinte, ih, isso aqui aqui não vai funcionar não, porque assim, eu já tô aqui há uns 15 anos e já tentaram, já veio a consultoria A a empresa B, a fulana C o Beltrano D e não sei o que, ih, ó aqui, rapaz, não funciona não, assim, e aí eu fiquei me perguntando, pô será que, né, isso é um tipo de envenenamento né, ou tipo, né, e enfim, aí eu queria trazer um pouquinho pra vocês porque me chamou muita atenção essa falácia cara, pra mim faz bastante sentido, quer ver uma parada que é muito interessante?
Pra mim o Poço, por exemplo, a gente já usou o exemplo, né, a gente falou do Safe agora há pouco, assim, né, no comecinho e tudo mais eu ouvi muito disso, né ah, mas o Safe, muita piada sobre o Safe blá blá blá blá, eu simplesmente, eu comecei depois de um tempo, ignorar essa informação na minha mente, porque eu nunca estudei Safe, então pra mim, isso já tá envenenado, a partir do momento que eu for estudar Safe, eu tenho certeza que todos esses viéses vão surgir, eu optei até o momento por não estudar, isso faz parte dos conteúdos que eu não explorei ainda, assim, né, mas eu já sei que eu vou chegar nele e já vai ter um monte de de viéses, assim, sabe, então já tá envenenado, tá, algumas coisas que a galera falou fazem sentido, são argumentos válidos, né, não são falácias, talvez sim mas muitos deles foram tão superficiais Rafa, que pra mim faz, entra nesse contexto que você trouxe do Envenenar o Poço porque até, pode ser que por trás disso que essa pessoa que você criou a historinha agora falou, tenham alguns argumentos válidos, só que ele tá numa camada onde esses argumentos não são explorados, e aqui que eu acho que vale um momento de exploração, assim, que é do tipo, ah, mas tem muita gente aqui que não dá, que não vai dar ouvidos pra vocês, falar, beleza quem que são essas pessoas?
Me ajuda, em qual área? De qual área que é? Que time que é? Qual é a dificuldade? Por que que essas pessoas não vão me dar ouvidos? Em vez de a gente simplesmente aceitar que esse terreno, né, o poço tá envenenado aqui, tentar, porque pode ser que por trás disso a pessoa tenha algum argumento então eu vou explorar quais são as premissas que essa pessoa tá usando, né, porque ali a gente pode identificar que talvez algumas premissas são verdadeiras, algumas são falsas e talvez a gente tenha que desassociar essas coisas da conclusão, então agora, depois que a Clara abriu meus olhos, gente, eu tô num diverso paralelo agora das falácias, porque daí eu quero explorar esse tema, eu quero saber quero entender o argumento que a pessoa tá usando pra envenenar o poço e por quê, quais são as premissas, qual que é a conclusão que ela trouxe disso, né, o que fez ela chegar na conclusão e falando dessas questões de falácias e tal, e todos os exemplos que a gente trouxe tem uma coisa também que me faz pensar como as pessoas usam essas falácias pra trazer algumas posições ou argumentações a pessoais, sabe, o quanto a gente não usa esse tipo de argumentação pra um discurso que não é tão legal, um discurso de discriminação ou não inclusão, né, das pessoas tem um outro nome que é argumento contra o homem que também é, fala diretamente da gente não considerar uma ideia de uma pessoa porque ela tem uma característica ali, ou algo que não é, que a gente não leva, né, não entra dentro de uma padronização ou algo assim e aí eu acho que a gente tende, em algumas formas, a usar essas falácias pra isso e aí também é um convite a gente conversar e quebrar esses tipos de argumentação e trazer conversas nesse sentido também e, Clara, pensando aqui, tipo, alto esse tipo de...
você tem um exemplo, tipo, até pra identificar essa falácia assim? Tem, eu tenho um exemplo aqui mas eu vou jogar, por exemplo olha, em um... não vou considerar o que o Rafa fala porque ele é um bêbado, sei lá tá bêbado o tempo todo e aí eu coloco essas características e porque um dia você bebeu, sabe?
coloca uma característica dessa pessoa aqui em jogo, não característica, né mas uma situação que aconteceu um estado que aconteceu pra colocar o argumento ou o posicionamento dessa pessoa em jogo interessantíssimo interessantíssimo, e aí, olha que louco né, aí eu tô pensando muito naquela olha como isso bate com aquele lance da cultura do medo, é tipo assim olha que, assim, pelo menos pra mim foi a conexão que eu fiz aqui, assim, né porque, imagina essa pessoa, ela recebeu esse tipo de argumentação ali, né, e ela interagiu com essa falácia ah, você teve aquele que que a pessoa literalmente vai fazer na vida? Ela não vai falar mais nada na vida ela, tipo, você vai demandar aquela colabora ali, do tipo da sua opinião, fulano, fulano né, tipo, correu o risco aqui de né, ser exposta, exposta aqui com esse tipo de falácia assim, né, e nossa, isso bateu muito, assim, porque e é um antepadrão, principalmente quando a gente observa esse estímulo que a gente quer, ah, queremos escutar opiniões de todas e todos somos aqui um ambiente diverso, inclusivo queremos, né e aí, esse tipo de falácia do nada, acaba emergindo ali, assim, caramba nossa, fiquei aqui você não está vendo o Rafa ouvindo, mas ele está agitado, agitado aqui, ó e são gestos e mãos e pra cima ele está agitado com esse pedaço da conversa caramba e aí a gente chama essas pessoas pra conversa e queremos ouvir o todo, mas quando é alguém fala, ah não, porque você não tem argumento suficiente porque você é de tal área, por exemplo é de uma área diferente daqui uma coisa que eu ouvi muito, muito você não é é uma conversa muito técnica você não entende muito de tecnologia, então, não já ouvi isso, sabe então vamos, né, vamos a reunião de todo retrospectiva, de todo, ah, mas a gente vai fazer algo mais técnico hoje, então você não entende tanto de tecnologia e tal, e isso me pegou bastante, daí eu fui lá e comecei a estudar muito tecnologia, até conseguir conversar com todo mundo, então assim a gente entra nesse ambiente de segurança mesmo, né.
Que loucura isso, ó, outro episódio do Love the Problem aqui, ó, segurança psicológica, fica a dica aqui pra quem quiser escutar o Rafa hoje, gente, ele está aqui o host, ele já falou dos episódios falou do xadrez corporativo só faltou falar do conversas difíceis que saiu há pouco tempo, não sei se ele ouviu ainda, né, então teve conversas difíceis não, ainda não tive, tá na listinha tá na listinha, pode ser, pode ser aí, ó conversas difíceis, a gente podia incluir um pedaço sobre isso, assim, né, como usar dessas falácias que a gente identifica pra ter boas conversas ou pra ter conversas difíceis, né, porque em algum momento essa falácia, que é essa parada, essa conclusão dada por verdadeira, pode se tornar uma conversa difícil, né, do tipo, porque você vai questionar uma premissa, você vai questionar alguma coisa que a pessoa afirma, né então, normalmente isso sai de alguém, né você vai questionar o ego, que foi aquilo que eu falei lá no comecinho, né, isso bate nesse lugar do ego, assim, mas por isso que é interessante esse olhar de o que que compõe isso que forma a tal da falácia, né, pra que a gente possa usar de alavanca formas pra gente poder, não é gente, não é retrucar, né, é fazer com que a argumentação siga nesse caminho lógico que a conversa, o diálogo, o debate siga nesse caminho onde as coisas que estão sendo formuladas ali fazem, tem o sentido necessário que a gente precisa pra que elas continuem, né, então se uma premissa é inválida a gente precisa questionar essa premissa, beleza cara, vocês estão falando que o ambiente é pra ouvir todo mundo, então isso é uma premissa certo?
Mas no momento que eu trago, eu não sou técnico o suficiente pra trazer um argumento então peraí, essa premissa não tá tão verdadeira, a gente precisa questionar, então, peraí, a gente muda essa premissa ou a gente muda essa conclusão, né, o ambiente não é seguro pra todo mundo, ou a premissa é tipo, beleza, o seu argumento é ouvido caso você tenha as características que a gente considera importantes, né que é uma, tipo, vai expor alguma coisa que pode ferir o que as pessoas veem como premissas verdadeiras, e isso pode gerar uma conversa difícil, então aí, o episódio conversas difíceis pra somar aí também Rafa, na lista que você já tá trazendo vai tá tudo no backstage k21.link, love the problem vão ter algumas referências lá, eu duvido que o Bruno, o Bruno, Brunão um abraço pra você, Brunão, faz essa função aí de trazer alguns conteúdos lá pro backstage, né, trazer algumas referências que a gente fala aqui e tudo mais, então aí o Brunão talvez tá com um desafio novo nesse episódio que é botar a lista das falácias aí Brunão, esse é um desafio isso aí, se você conseguir essa façanha, vai ter um monte de coraçãozinho pelo menos o meu, do Rafa e da Clara você vai ganhar lá o coraçãozinho no nosso card, então fiquem de olho gente k21.link, love the problem sempre tem o card do episódio, já tem o card da Clara e do Rafa lá, vocês conseguem encontrar isso por lá, porque já passaram por aqui várias vezes, então tem mais colunas lá pra gente interagir se você não conhece o nosso backstage, é um bode do Trello, tem um monte de informação legal lá tem coisas pra gente conversar, interagir então visitem o nosso backstage, tá bom?
queria saber, tem mais alguma falácia assim? alguma coisa que vocês vivenciaram ou vivenciam no dia a dia de vocês? ah, e tem uma aqui que é perigosa eu acho que eu chego perto, eu bato nela várias vezes se eu não uso dela assim né, porque eu gosto muito de fazer analogias eu gosto dessa história que tá por trás de uma possível analogia aqui né e uma dessas falácias é a falsa analogia então do exemplo que a gente tem aqui é tipo eu vivo fazendo comparações e analogias e eu e o Lula a gente fala muito disso né a gente estica uma analogia até ela arrebentar porque a analogia não é uma verdade né, ela é uma comparação a gente tá comparando as duas coisas assim né então, sei lá, eu vou usar aqui a expressão que a gente usa né, do be like water seja como a água lá do do Bruce Lee né, tem um vídeo dele muito legal, bem motivador e tudo mais seja como a água pra gente se moldar as coisas, percorrer o rio desviadas das pedras e tudo mais mas a gente não é água né nós somos pessoas né nossa matéria é bem mais rígida do que a água assim, então mesmo que a intenção seja ser como a água, a gente não é água então as analogias correm, eu acho que estão nesse nesse risco assim, de o quanto elas representam aquilo que a gente quer dizer mas daí a gente ter consciência de que as analogias são uma história que a gente tá contando e elas não são um fato né, o quanto a gente pode esticar essa analogia até ela arrebentar, e falar não, a partir daqui essa analogia já não faz mais sentido, eu acho que eu e o Lula a gente brinca muito disso assim, a gente pega uma analogia a gente vai explorando ela, até a hora que ela arrebenta, ela fala tá bom, acabou, a analogia daqui em diante, a gente tá forçando a barra ela não serve, ela serve pra representar esse pedacinho da história, então talvez as analogias a gente colhe um pouco desse risco assim, toda vez que a gente traz elas pra nossa argumentação né porque elas podem estar baseadas em uma coisa que é falsa porque ela é uma comparação, uma analogia ela não é o fato verdadeiro assim né tem o doutor Feynman, se vocês não seguem no Twitter assim, que é um perfil de um físico já falecido, um professor que ele assim, acho que é um dos grandes educadores que nós tivemos ali no começo do final do século passado, começo desse século que nós estamos, ele fala muito a importância do poder das analogias quando você está ensinando alguma coisa, isso acaba sendo muito importante, até pra trazer dentro de uma linguagem acessível pras pessoas, alguns conceitos que eles podem ser abstratos complexos, enfim, que de alguma forma a analogia ela é uma ótima ferramenta pra você impactar alguém e sensibilizar alguém aí, eu acho que esse ponto do Panda pra mim ele é bem importante pra gente ir até um ponto de questionar essas analogias assim, porque às vezes a pessoa né ela consegue ter uma interpretação sobre aquilo que você está querendo trazer que vai além da analogia então, acho que entra até um lado de julgar aqui, que é a incapacidade da pessoa dela conseguir entender um determinado tipo de conteúdo e aí por isso a gente fica escondendo aquele conteúdo atrás da analogia né, então, acho que é muito honesto perguntar pras pessoas, do tipo assim, olha o que você conhece desse assunto?
X, que a gente tá falando aqui eu escutei falar disso aqui tarará, tarará, tarará, tarará até que ponto você já aprofundou em cima desse tema que a gente tá discutindo? Olha, eu já vi isso, isso e aquilo, e aí, a partir dessas perguntas, a gente vai também criando uma conexão com ali aquele ambiente e aquela pessoa e aquele repertório que ela tem, pra aí falar, opa, faz sentido usar a analogia aqui então, tipo, ou, hum, hum, hum pra tentar levar esse tipo de conteúdo, não vai, assim, né, é legal talvez até trazer a base que sustenta aquele conceito pra que você consiga se conectar com a pessoa e assim por diante então, acho que o ponto que eu queria trazer pra reflexão pra galera é cuidado com as analogias, elas podem, às vezes, simplificar demais algumas coisas, e aí a gente já falou de uma falácia aqui, né, de simplificação e eu acho que tem um pouco também daquela perspectiva dela pode perder o que é o poder dela em si, pelo simples fato das pessoas, elas não simpatizarem com aquilo, ou, então, é, acho que um exemplo muito claro que eu escutei foi a primeira vez que um grupo de pessoas falou assim, Albino, aqui nós só enxugamos gelo, aí eu olhei pra cara das pessoas, assim, eu falei meu Deus do céu, o que é enxugar gelo aí, tipo assim, né, fiquei com aquela cara, tipo, né, e aí as pessoas não, pô, aqui a gente lida com um monte de problema, e coisa urgente, e não sei o que, isso aqui lá, isso aqui lá ah, tá bom, então enxugar gelo significa isso e tal então acho que, né, cuidado aqui hashtag cuidado com as analogias e agora, Rafa, segundo o que você trouxe me lembrou de outra coisa, o quanto, na verdade eu uso de analogia pela minha incapacidade de explicar uma coisa, sabe, tipo, aquilo não é um domínio do que eu tenho pra falar, eu uso da analogia como simplesmente uma forma de explicar algo que nem eu sei explicar talvez não seja o tema de falácias aqui, gente mas o que o Rafa falou me lembrou muito disso, assim o quanto eu acabo usando analogias porque eu não sei, de fato, explicar aquilo e daí a analogia me parece um caminho mais fácil nessa explicação, assim, sabe no lugar da minha voz do do cinismo aqui, Rafa de falar eu não sei, né de ser vulnerável e responder, tipo, eu não sei eu uso uma analogia pra tentar explicar uma coisa que nem eu sei direito o que é ainda, assim, sabe eu acho que o assunto não é de falácias mas no final das contas, né a gente, tudo que a gente tem falado aqui é sobre ter pessoas críticas e pensantes, sabe que saiam da inércia e das coisas que chegam a gente e de uma simples aceitação ou absorção de conteúdo, porque a gente a gente é bombardeado de conteúdo o tempo todo, de pessoas conversando de coisas que chegam até nós mas é, né, trazer pessoas críticas e pensantes que questionam aquilo que chegam e absorvam o que de fato é realmente bom e necessário, né, pra mudança do nosso dia a dia.
Perfeito e isso conecta muito, Clarinha com uma habilidade que eu falo que ela é a habilidade do mundo que a gente tem vivido, que é a filtragem é a gente conseguir ao mesmo tempo fazer ali, né, criar bons bons parâmetros de filtro pra também não ser bombardeado e bombardeado, né, por coisas que às vezes nós nem estamos prontas e prontos pra absorvermos, assim, que isso vai deixando a gente mal, com ansiedade, coisas do tipo mas tem um outro aspecto que eu acho que é super importante também que é esse da gente conseguir fazer uma análise crítica em cima daquilo que a gente tá recebendo também né, e acho que não acreditar em coisas, assim, muito estáticas e que são dadas como verdadeiras, assim, acho que pelo menos pra mim, eu tô saindo muito desse episódio com essa perspectiva, assim, né, questionar é importante, principalmente pra que nós possamos construir novas realidades, assim, porque se não, é muito fácil a gente cair naquele viés do status quo que, tipo, e que isso né, e aí as falácias elas vão sendo reforçadas e vão ganhando cada vez mais poder e elas vão, inclusive, se tornando mitos dentro das organizações assim, e aí, enfim, aí pra quebrar isso vai ficar, vai, dá-lhe dá-lhe mudança, dá-lhe enfim, questionamentos Cara, a gente brincou aqui hoje, foi bem divertido acho que foi um episódio muito gostoso de gravar assim, foi empolgante, e pra mim ele foi um grande convite, sabe eu acho que isso que você trouxe, claro esse tema, começando lá dentro do nosso time lá na K21 e pra pra galera aqui agora, um convite pra esse olhar crítico e pra conversa, né pra conversa, pro debate, então aí a sua formação em filosofia, que é uma dessas artes, né, da gente conseguir debater discutir, olhar, questionar o mundo e tudo mais, pra mim esse tema veio muito nesse lugar, assim, do tipo, cara vamos conversar sobre isso, né talvez essa conclusão tá um pouco precipitada essas premissas não são tão válidas, vamos conversar sobre isso, vamos aproveitar, né porque esse é um material que a gente tem pra conseguir explorar o universo assim, né, esse material do debate, da conversa e tudo mais então, esse, eu tô saindo desse episódio, assim, com essa empolgação, com a vontade de conversar sobre as coisas, tipo ai, vamos falar sobre essa premissa, vamos falar sobre essa conclusão, vamos ver se isso faz sentido pro que a gente quer agora, se representa de fato uma verdade aqui, nesse nosso contexto, na nossa situação e tudo mais, então eu tô terminando esse episódio, assim, que a gente já tá chegando no final, infelizmente, eu tenho que dar essa notícia estamos chegando no final e eu tô terminando o episódio com essa energia, assim do tipo, ai, vamos conversar, gente, vamos conversar dessas coisas, sabe, tipo de botar na mesa, assim, sabe, vamos conversar pô, Pandinha, eu também saio com um sentimento, assim, do convite a questionar sabe, a questionar as coisas que que são dadas a nossa volta, né, o que tá aqui tudo isso, né, que a gente falou de informação o que chega, o ambiente que a gente vive e como que a gente consegue transformar, né, trazer consciência e criticidade aqui no nosso dia a dia também.
E você, Rafa, como é que você sai desse nosso papo? Eu já trouxe aqui minhas perspectivas, perguntar mais, é, escutar bastante, conseguir acho que das minhas notas aqui né, é, tomar muito cuidado com as premissas que nós criamos a perspectiva de questionar a validade daquele argumento é, a perspectiva de conseguir ter acesso a fontes que nos ajudem a refutar, talvez, aqueles argumentos que estão tão sólidos, assim, até coloquei, é, uma ideia aqui de cuidado e quando a gente precisa buscar respostas muito rápidas, assim, porque elas podem ser uma ótima fonte de geração de falar assim, porque aí, então, acho que essa, tipo, fecho, pelo menos aqui essa foi a nota que marca, que eu deixei meio alta, assim, caixa alta aqui nas minhas notas
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Sabe aquela sensação de incômodo de estar sempre correndo atrás da data — e não do valor entregue? Neste episódio, gravado direto do SGRio, a Flor conversa com Lucas Freitas e Luiz Brigido sobre como mudar esse cenário. Eles compartilham uma história real de transformação: como um time conseguiu sair da rigidez do cronograma para a fluidez do roadmap. Entre dependências, entregas fatiadas e muita colaboração, eles mostram que planejar não é prever o futuro — é criar caminhos de aprendizado, confiança e entrega contínua. Um papo leve, cheio de insights e lições práticas pra quem quer entregar mais valor com menos dor de cabeça. E aí, quer transformar a realidade do seu time também? Então vem com a gente!
- Ep. 262 - BP Estratégico ou BP só no crachá? Desafios de aproximação entre RH e Negócio
Neste episódio, apresentado por Rafaela Fonseca com as convidadas Juliana Goulart (Lightfarm) e Fernanda Magalhães (Nower e K21), aborda o desafio de tornar o RH verdadeiramente estratégico na prática. Juliana compartilha sua dificuldade em encontrar Business Partners (BPs) com uma visão estratégica de negócio, notando que muitos candidatos ainda atuam de forma operacional, focados em tarefas e processos de RH. Fernanda Magalhães complementa, identificando uma "juniorização do papel do BP" e a falta de clareza das lideranças sobre como um BP pode agregar valor estratégico, além da sobrecarga dos BPs com funções operacionais. As especialistas redefinem o BP como a "ponte" ou "cola" que conecta os produtos e serviços de RH às estratégias e necessidades do negócio. O sucesso de um BP deve ser medido pelos resultados de negócio e pela saúde organizacional, e não apenas por métricas de RH tradicionais. A mensagem final é que o BP estratégico deve focar na necessidade do negócio e das pessoas, fazendo mais perguntas e usando a agilidade para gerir o dia a dia e suas entregas de forma a impulsionar a evolução contínua da organização.Solta o Play!