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Ep. 57 - A história da agilidade: Do manifesto ao hype
Ep. 57

Ep. 57 - A história da agilidade: Do manifesto ao hype

22 de fevereiro de 202101:12:56
Agilidade
Pessoas

Resumo rápido

Neste episódio, Vitor Hugo Germano e Jimena reconstroem seis ondas históricas da agilidade, do nascimento guerrilheiro na comunidade de desenvolvimento de software dos anos 1990 até a atual industrialização do papel de 'agilista', revelando como cada geração de adotantes tardios dilui a essência original, enquanto propõem a metáfora da destruição criativa de Shiva para pensar o que pode nascer dessa diluição.

Capítulos

  1. 06:28A primeira onda: táticas de guerrilha e o nascimento do Manifesto
  2. 21:30O papel das comunidades conectando as gerações
  3. 31:59A terceira onda: o início da indústria complexa da agilidade
  4. 41:20A quarta onda: o metamercado e a história do Scrum Monster
  5. 51:05A quinta onda: o colapso das grandes iniciativas corporativas
  6. 58:19A sexta onda: quando 'agilista' virou um cargo
  7. 01:00:04A metáfora de Shiva: destruição para o novo nascer

Frases do episódio

“A gente criou um metamercado de agilidade”

41:20

“Agilidade e o agilista viram um papel”

58:19

“Desistiu de desenvolvimento de software”

01:00:04

O que você vai ouvir neste episódio

  • A discussão detalha as transformações da agilidade nas empresas desde a publicação original do Manifesto Ágil em 2001.
  • Victor Hugo Germano analisa como a busca por agilidade passou de movimento técnico para uma palavra da moda corporativa.
  • Ximena compartilha reflexões sobre as adaptações culturais e os desafios de manter a essência ágil ao longo das décadas.
  • O painel examina os impactos da popularização da agilidade no desenvolvimento de software e no ambiente de negócios atual.

Temas discutidos

A trajetória da agilidade reflete a busca constante por melhores formas de entregar valor e estruturar equipes no mercado corporativo. Ao analisar a transição do Manifesto Ágil para o status de tendência mercadológica, o episódio evidencia o impacto direto na liderança e na cultura organizacional. Compreender essas fases históricas permite que profissionais ajustem suas práticas atuais, resgatando princípios essenciais e evitando distorções decorrentes da adoção superficial da agilidade nas empresas modernamente.

Para quem é este episódio

Este episódio é indicado para agilistas, líderes de tecnologia e gestores de produtos que desejam entender o contexto histórico do movimento ágil. O conteúdo beneficia profissionais focados em evolução cultural e na implementação madura de processos nas empresas.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

Como a agilidade evoluiu desde a publicação do Manifesto Ágil?

Desde 2001, a agilidade deixou de ser apenas um conjunto de práticas voltadas ao desenvolvimento de software para se tornar um movimento amplo de transformação organizacional. Com o passar de vinte anos, o conceito ganhou escala nas empresas, atravessou diferentes fases históricas e acabou se tornando uma tendência corporativa de grande relevância no mercado atual.

Quais são os convidados do episódio e suas visões?

O episódio conta com Victor Hugo Germano, CEO da Lambda3, e Ximena, Agile Expert na K21. Juntos com Lula, eles trazem visões complementares sobre a história da agilidade, analisando criticamente a transição dos valores fundamentais do manifesto para o cenário atual, no qual o termo é amplamente utilizado por diversas organizações.

O que significa a agilidade ter entrado na fase do hype?

Significa que a agilidade se popularizou a ponto de se tornar um termo amplamente difundido no mercado corporativo. No entanto, essa visibilidade traz o desafio de diferenciar a adoção genuína dos princípios ágeis do uso meramente comercial do termo, exigindo uma análise reflexiva sobre como as empresas realmente aplicam essas ideias no dia a dia.

Sobre este episódio

Neste episódio, terceiro de uma série em comemoração aos 20 anos do Manifesto Ágil, Lula recebe Vitor Hugo Germano (CEO da Lambda3) e Jimena, Agile Expert argentina da K21, para reconstruir a história da agilidade em seis ondas, combinando as perspectivas do Brasil e da América Latina hispânica.

A primeira onda, no final dos anos 1990, nasce dentro da própria comunidade de desenvolvimento de software: sem modelos prontos, usando táticas de guerrilha para resolver o problema concreto de garantir confiabilidade de código, num momento em que praticamente todo projeto waterfall dava errado. A segunda onda (2004-2010) traz os primeiros grandes eventos e certificações, ainda como movimento underground. A terceira onda inicia a 'indústria complexa da agilidade', com Scrum of Scrums, escala organizacional e a chegada de grandes consultorias como a Thoughtworks.

A quarta onda transforma a agilidade num metamercado rentável: consultorias vendendo horas, treinamentos e certificações em massa, ilustrada por uma história de camisetas 'Scrum Monster' no Peru e por um episódio de 'sincericídio' num Scrum Gathering em São Paulo, em que o presidente do PMI revelou que a organização, apesar do discurso, não acreditava em autogestão. A quinta onda (2017-2019) traz o colapso de grandes iniciativas corporativas, como na Intel e na Ericsson, e uma fuga de talentos latino-americanos para a Europa.

A sexta onda, atual, é descrita com ceticismo por VH: 'agilista' virou um cargo formal, criando um incentivo perverso para preservar práticas dependentes desse papel, enquanto desenvolvedores de software praticamente abandonaram a comunidade de agilidade. A conversa fecha com a metáfora de Shiva, destruição necessária para o novo nascer, sugerindo que o desaparecimento de formas antigas de agilidade abre espaço para preocupações mais atuais, como liderança de trabalho criativo e desenvolvimento de produtos digitais. Simi complementa com a perspectiva latino-americana sobre comunidades de prática que floresceram durante a pandemia.

Transcrição completa

Neste episódio, terceiro de uma série em comemoração aos 20 anos do Manifesto Ágil, Lula recebe Vitor Hugo Germano (VH, CEO da Lambda3) e Jimena (Simi), Agile Expert argentina da K21, para reconstruir a história da agilidade em seis ondas, do Manifesto ao hype atual, combinando as perspectivas do Brasil e da Argentina/América Latina hispânica.

A primeira onda, no final dos anos 1990, nasce dentro da própria comunidade de desenvolvimento de software, num momento em que praticamente todo projeto seguia o modelo waterfall e praticamente todo projeto dava errado. Não existiam modelos prontos: as pessoas usavam táticas de guerrilha, testavam práticas como teste automatizado e build contínuo sem sequer ter esse vocabulário consolidado, e resolviam o problema concreto de como garantir a confiabilidade do código escrito. No Brasil, essa primeira onda floresceu em pequenos núcleos como o grupo ligado ao projeto Eclipse em Florianópolis, e nomes como Vinicius Telles (cujo livro de capa vermelha sobre Extreme Programming é citado como leitura essencial) tornaram-se pontes entre essa comunidade técnica e as gerações seguintes. Na Argentina, o movimento também nasceu de grupos jovens e idealistas buscando melhorar seu próprio trabalho.

É destacado o papel central das comunidades nessa evolução: praticamente todas as conexões relevantes remontam a essa rede original, e a maior parte do que hoje soa 'estranho' dentro da agilidade está justamente desconectada dessa história e dessa rede de pessoas.

A segunda onda (aproximadamente 2004 a 2010) é marcada pelo surgimento dos primeiros grandes eventos (Agile Brasil, XP Brasil, a conferência Agiles na América Latina), das primeiras certificações (Scrum Alliance, depois Scrum.org) e das primeiras publicações voltadas ao tema, como a revista Visão Ágil. Ainda era, no entanto, um movimento underground: pequenas software houses e iniciativas isoladas, vistas com desconfiança por diretorias mais tradicionais.

A terceira onda começa quando organizações passam a discutir Scrum of Scrums e escala, o início do que se tornaria a 'indústria complexa da agilidade'. Grandes consultorias como a Thoughtworks chegam ao Brasil (2009), e a Lambda3, fundada em 2010, só conseguia inicialmente projetos de startups dispostas a apostar em entregas rápidas com escopo aberto.

A quarta onda é descrita como o momento em que a agilidade se torna verdadeiramente rentável e se transforma num metamercado: consultorias vendendo horas, treinamentos e processos de certificação em massa. É quando o SAFe surge, em parte, para responder à pergunta 'onde o PMO se encaixa nesse novo modelo?'. É contada uma história emblemática do Peru, de pessoas usando camisetas 'Scrum Monster' como símbolo de status pessoal, e um episódio de 'sincericídio' num Scrum Gathering em São Paulo, em que o presidente do PMI, confrontado sobre autogestão, respondeu que a organização precisava continuar dizendo às pessoas o que fazer, porque autogestão 'não funciona', revelando o quanto a agenda de certificação estava, naquele momento, desconectada dos próprios valores que dizia defender.

A quinta onda (2017-2019) é marcada pelo colapso de grandes iniciativas de transformação ágil corporativa: a Intel abandona uma iniciativa com mais de mil pessoas envolvidas; a Ericsson relata resultados insatisfatórios. É também um período de fuga de talentos, lideranças brasileiras e argentinas migrando para atuar na Europa, atraídas por mercados que, segundo os convidados, na prática frequentemente ficavam atrás da experimentação já madura na América Latina.

A sexta onda, atual, é descrita com views mais céticas por VH: 'agilista' virou um cargo formal dentro das organizações, criando um incentivo perverso para preservar práticas que dependem da existência desse papel, mesmo quando o time não precisaria dele. Os desenvolvedores de software, segundo VH, praticamente abandonaram a comunidade de agilidade: os eventos hoje são dominados por ex-gerentes de projeto e analistas de negócio, não por quem escreve código, e é raro encontrar uma empresa que sequer tenha um processo básico de deploy automatizado ou escrita de testes consolidado.

A conversa fecha com uma reflexão sobre destruição criativa, usando a metáfora de Shiva, divindade hindu associada à destruição necessária para que o novo possa nascer: talvez o desaparecimento de certas formas antigas de 'agilidade' seja exatamente o espaço necessário para que preocupações mais atuais, como liderança de trabalho criativo, desenvolvimento de produtos digitais e engenharia com propósito, possam florescer. Simi complementa com a perspectiva latino-americana: durante a pandemia, comunidades de prática latino-americanas passaram a se reunir semanalmente, gerando uma onda recente de trocas ricas sobre agilidade remota, product discovery e a aplicação de princípios ágeis fora do software, incluindo governo e outros setores.

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