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Ep. 41 - Primeiros passos com Kanban e Fluxo
Ep. 41

Ep. 41 - Primeiros passos com Kanban e Fluxo

2 de novembro de 202000:56:23
Agilidade
Carreira
Flight Levels & Kanban

Resumo rápido

Neste episódio, Samira Tavares e Tiago Silva contam como se apaixonaram por gestão de fluxo e Kanban, uma através do planejamento consciente da maternidade, outro através da organização pessoal escalada para times, e compartilham dicas práticas para começar sem se perder na 'sopa de letrinhas' técnica: contar itens em andamento, tornar acordos explícitos, e sempre partir do que já existe hoje.

Capítulos

  1. 07:22O problema da 'sopa de letrinhas' ao falar de fluxo
  2. 10:11Como cada um se apaixonou por fluxo
  3. 19:00Além da visualização: contar itens em andamento
  4. 27:44Use a linguagem que sua equipe já usa
  5. 34:32Gerencie o trabalho, confie no trabalhador
  6. 38:56O respeito pelo que já existe, na visão de uma consultora
  7. 43:07Dicas finais e a recomendação do Segue o Flow

Frases do episódio

Não adianta a gente colocar mais coisa para dentro, do nosso fluxo de trabalho, se a gente não consegue, é, limitar a nossa vazão

20:23

gerencie o trabalho, gerencie o trabalho e confie no trabalhador

35:16

o mais importante para mim é não empurrar problemas que eu já resolvi e formas que eu já resolvi as coisas em outros lugares

40:10

O que você vai ouvir neste episódio

  • Tiago Silva relata como iniciou sua jornada com Kanban até alcançar a posição de CIO na Autodoc.
  • Samira Tavares apresenta como a gestão de fluxo impulsionou sua atuação como Agile Expert na K21.
  • Os participantes discutem formas práticas para profissionais darem os primeiros passos na implementação do sistema Kanban.
  • O debate aborda como o controle e a otimização de fluxo trazem impactos diretos no desenvolvimento de carreira.

Temas discutidos

A gestão de fluxo e o uso do Kanban são fundamentais para evoluir a maturidade ágil e a eficiência nas organizações. Ao organizar o trabalho e dar visibilidade às etapas do processo, lideranças e especialistas conseguem identificar gargalos e otimizar entregas. O episódio conecta a aplicação prática dessas ferramentas ao desenvolvimento de carreira em agilidade, mostrando que o domínio de fluxo transforma tanto a cultura organizacional quanto a trajetória profissional dos colaboradores.

Para quem é este episódio

Este episódio é ideal para profissionais de agilidade, gestores de tecnologia e lideranças que buscam iniciar a aplicação de Kanban em suas equipes. Além disso, pessoas em transição de carreira ou buscando evolução profissional se beneficiam das experiências práticas compartilhadas pelos convidados.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

Como dar os primeiros passos com Kanban e gestão de fluxo?

Para começar com Kanban e gestão de fluxo, o primeiro passo é mapear o processo de trabalho atual e torná-lo visível para toda a equipe. No episódio, os convidados recomendam iniciar de forma simples, limitando o trabalho em andamento e acompanhando as entregas, o que permite identificar gargalos e promover melhorias contínuas no dia a dia da operação.

Como a gestão de fluxo pode impactar a carreira profissional?

A gestão de fluxo capacita o profissional a entregar resultados mais previsíveis e eficientes, destacando sua capacidade de organização e resolução de problemas. Compreender Kanban e métricas de fluxo gera visibilidade para o trabalho realizado, impulsionando o crescimento profissional e abrindo portas para cargos de liderança ou especialista em agilidade, como demonstrado nos relatos dos convidados.

Quem são os convidados deste episódio sobre Kanban e Fluxo?

O episódio conta com a participação de Tiago Silva, CIO na Autodoc, e Samira Tavares, Agile Expert na K21, sob o comando do apresentador Lula. Ambos os convidados compartilham suas vivências reais, desde o início do aprendizado sobre fluxo até o uso prático de Kanban para acelerar suas carreiras e otimizar processos operacionais.

Sobre este episódio

Neste episódio, Samira Tavares e Tiago Silva contam como se apaixonaram por gestão de fluxo e Kanban, partindo do problema central de que a linguagem técnica excessiva ('sopa de letrinhas') afasta justamente as pessoas que mais precisariam entender esses conceitos. Samira descobriu os princípios de fluxo de forma intuitiva ao planejar conscientemente se tornar mãe, mapeando e visualizando os inúmeros problemas envolvidos nesse processo; Tiago começou organizando a própria vida pessoal, escalou isso para pequenos grupos de trabalho, e depois levou os mesmos princípios para casa, ajudando a filha a focar em uma atividade de cada vez através de um quadro visual.

O episódio desconstrói a distorção comum de que gestão de fluxo é apenas visualização, propondo uma dica mais poderosa: contar quantos itens estão em andamento simultaneamente versus quantos são de fato entregues num período, duas métricas inversamente proporcionais, ilustradas pela analogia de uma estrada lotada em que adicionar mais pistas não acelera o trânsito. Também é discutida a importância de tornar acordos e políticas explícitos para todos os envolvidos num fluxo de trabalho, e de usar a linguagem que a própria equipe já utiliza no dia a dia, em vez de impor terminologia técnica nova.

A recomendação mais fundamental do episódio é começar com o que já existe: mapear o processo atual antes de tentar impor qualquer metodologia completa de uma vez. Isso se conecta diretamente a uma reflexão sobre liderança saudável: a máxima 'gerencie o trabalho, não o trabalhador' é reformulada para 'gerencie o trabalho, confie e cuide do trabalhador', reconhecendo que pressão individual sobre pessoas destrói colaboração e criatividade, enquanto um sistema de trabalho bem organizado dispensa essa pressão para gerar resultado.

Samira, que atua como consultora, reforça que o principal cuidado ao chegar numa nova organização é resistir à tentação de empurrar soluções de outros contextos, escutando genuinamente antes de sugerir qualquer caminho. O episódio encerra com dicas práticas: peça feedback constantemente, não tenha receio de termos técnicos, peça ajuda a quem já entende do assunto. E recomenda o livro 'The Principles of Product Development Flow', de Don Reinertsen, e o podcast 'Segue o Flow', criado pelos próprios convidados para tornar esse livro denso mais acessível através de discussão colaborativa.

Transcrição completa

Este episódio recebe Samira Tavares e Tiago Silva, dois profissionais apaixonados por gestão de fluxo e Kanban, para contar como cada um deu os primeiros passos nesse universo e compartilhar dicas práticas para quem está começando agora.

O problema central do episódio é levantado logo de início: falar sobre fluxo costuma vir acompanhado de uma 'sopa de letrinhas', termos técnicos e jargões que afastam justamente as pessoas que mais precisariam entender o conceito. Samira propõe a pergunta como desafio real: como explicar fluxo para o próprio pai, ou para uma criança de três anos, sem recorrer a vocabulário técnico? Tiago complementa que essa linguagem excessivamente técnica afasta as pessoas do aprendizado, quando na verdade fluxo é apenas um meio para dar clareza e transparência às demandas que chegam constantemente, tanto na vida profissional quanto pessoal.

Cada convidado compartilha como se apaixonou por fluxo. Samira conta que começou com o clássico quadro 'to do, doing, done', mas se apaixonou de verdade ao decidir planejar conscientemente se tornar mãe: sentindo a necessidade de organizar e visualizar os inúmeros problemas e decisões envolvidos nesse processo, ela descobriu, de forma quase intuitiva, os princípios de mapeamento de fluxo e identificação de gargalos, incluindo a tentação constante de 'BDUF' (Big Design Upfront, ou como ela brinca, 'bedufar'): tentar planejar hoje problemas que só vão aparecer daqui a anos. Tiago, por outro lado, começou por um comportamento pessoal de organização, aplicado primeiro à própria vida, depois escalado para pequenos grupos de trabalho, até se aprofundar tecnicamente em Kanban, e mais tarde levou os mesmos princípios para casa, usando um quadro visual para ajudar a filha a focar em uma atividade de cada vez, em vez de se dispersar fazendo várias coisas ao mesmo tempo.

O apresentador complementa com sua própria experiência, menos 'nobre' em suas palavras: sempre foi uma pessoa desorganizada, e ainda não usa fluxo para se tornar organizado no dia a dia, mas destaca que o princípio de não tentar fazer tudo ao mesmo tempo (evitar o Big Design Upfront) se aplica a qualquer área da vida, desde reformar uma casa até gerenciar demandas de trabalho que chegam sem parar, sem que quem as delega se importe com a quantidade já acumulada.

Uma distorção comum é discutida: muitas pessoas acreditam que gestão de fluxo é simplesmente visualização, post-its na parede, um quadro no Trello. Na verdade, visualização é apenas o primeiro passo. O apresentador propõe uma dica prática mais poderosa: contar. Quantos itens você se comprometeu a fazer simultaneamente, e quantos você de fato entregou na última semana, mês ou ano? Essas duas métricas são inversamente proporcionais: quanto mais itens em andamento ao mesmo tempo, menos itens realmente concluídos em um período. É usada a analogia de uma estrada lotada num feriado: adicionar mais pistas (mais trabalho simultâneo) não faz o trânsito fluir mais rápido, apenas aumenta a quantidade de carros parados.

Outra dica central é tornar políticas explícitas: deixar claro, para todos os envolvidos em um fluxo de trabalho, quais são as regras e restrições acordadas coletivamente. Tiago sugere usar uma linguagem mais acessível do que 'políticas', como 'quais são os nossos acordos?', para tornar o conceito menos intimidador para quem não domina a literatura técnica.

Uma recomendação prática importante é usar a linguagem que a própria equipe já utiliza no dia a dia, em vez de impor termos novos: se as pessoas já falam em 'trabalho pra fazer', 'trabalho já prometido' e 'trabalho entregue', use esses termos nas colunas do quadro, em vez de forçar 'to do, doing, done'. Isso se conecta à dica mais fundamental do episódio: começar com o que você já tem, não tentar reinventar o processo do zero, mas mapear o que já é feito hoje (o 'as is') e evoluir a partir dali, em vez de tentar impor uma metodologia completa de uma vez.

É feita referência ao episódio anterior sobre STATIK (System Thinking Approach to Introduce Kanban), reconhecendo, com humor, que o próprio nome do método contradiz o princípio de usar linguagem acessível, e reforçando que a essência de qualquer abordagem estruturada deve ser aplicada de forma natural, sem assustar quem está do outro lado, focando genuinamente nas dores reais do processo atual em vez de anunciar terminologia técnica.

Um ponto central do episódio é a conexão entre gestão de fluxo e liderança saudável. Tiago, hoje CIO de uma referência do setor de Construtec (tecnologia aplicada à construção civil), descreve como comportamentos tóxicos de liderança tradicionalmente pressionam trabalhadores individualmente, tratando pessoas como máquinas que produzem mais sob mais pressão, mas gerir fluxo é o antídoto para isso: quando o sistema de trabalho como um todo está organizado e visível, a pressão individual sobre pessoas deixa de ser necessária para gerar resultado. É reformulada a máxima conhecida 'gerencie o trabalho, não o trabalhador' para algo mais completo: gerencie o trabalho, confie e cuide do trabalhador, reconhecendo que gerir pessoa por pessoa destrói o maior trunfo de qualquer time de trabalho do conhecimento, que é a colaboração, além de sufocar a criatividade necessária para resolver problemas complexos.

Samira, que atua como consultora visitando diferentes organizações, compartilha sua abordagem central: resistir à tentação de empurrar soluções que já funcionaram em outros contextos. Cada organização e cada pessoa é diferente, e o papel de quem chega de fora é escutar genuinamente, entender o problema real (que às vezes nem é o problema que a própria organização acredita ter) antes de sugerir qualquer caminho, trazendo o problema para o explícito junto com as pessoas envolvidas, em vez de impor uma resposta pronta baseada em experiências anteriores.

É levantado um ponto importante de equilíbrio: gestão de fluxo não é tudo. Organizar fluxo é uma ferramenta poderosa, mas cuidar de pessoas exige também reconhecer suas necessidades como seres humanos, não apenas otimizar o sistema de trabalho, ainda que, como observam os convidados, organizar bem o fluxo já seja, em grande parte, uma forma natural de cuidado, porque dá às pessoas clareza sobre o que se espera delas, reduzindo ansiedade e mal-entendidos.

Para encerrar, cada convidado deixa dicas práticas: peça feedback constantemente sobre qualquer fluxo desenhado, de quem está inserido nele; não tenha receio dos termos técnicos, buscando literatura adequada ao seu nível atual de conhecimento, e sinta-se à vontade para pedir ajuda a quem já entende do assunto. É recomendado o livro 'The Principles of Product Development Flow', de Don Reinertsen, reconhecidamente denso, e o podcast 'Segue o Flow', criado pelos próprios convidados para discutir o livro capítulo a capítulo, de forma mais acessível e colaborativa, nascido justamente da dificuldade pessoal de absorver o conteúdo sozinho.

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