Pular para o conteúdo
Voltar para todos os episódios
Ep. 40 - Abraçando árvores? Empatia e agilidade
Ep. 40

Ep. 40 - Abraçando árvores? Empatia e agilidade

26 de outubro de 202000:53:07
Agilidade
Cultura
Facilitação
Pessoas

Resumo rápido

Neste episódio, três Agile Experts da K21 discutem por que empatia não é 'coisa de abraçador de árvore', mas sim a capacidade de abraçar ideias, necessidades e pessoas, conectando Comunicação Não Violenta, escuta ativa e autoempatia à construção de confiança real dentro de times ágeis, e questionando por que ambientes corporativos costumam ser mais agressivos do que se imagina.

Capítulos

  1. 03:04Empatia não é abraçar árvores
  2. 06:39Definindo empatia: sentir com o outro
  3. 08:47Comunicação Não Violenta e as pequenas agressões do trabalho
  4. 16:00O 'modo cuidar': uma prática de escuta ativa
  5. 23:22As máscaras do trabalho e a desconexão com o consumidor
  6. 34:32Liderança servidora e o check-in honesto
  7. 41:11Autoempatia versus vitimismo

Frases do episódio

toda agressão é o resultado trágico de uma necessidade não atendida

09:24

Empatia é apenas a gente reconhecer que o outro tem necessidades

10:06

empatia, no final no mundo de hoje, que a gente vive cada vez mais digital e com a concorrência cada vez maior, é questão de sobrevivência

37:30

O que você vai ouvir neste episódio

  • Lula discute com os convidados a influência direta dos comportamentos e crenças individuais na construção da cultura organizacional.
  • Day Andrade aborda a relação entre empatia e o desenvolvimento de ambientes verdadeiramente alinhados com os princípios da agilidade.
  • Dani Prevot analisa se o foco na empatia é um elemento prático de gestão ou apenas um conceito superficial.
  • Karen Monterlei explora a importância da facilitação para integrar a empatia nas interações diárias das equipes de trabalho.

Temas discutidos

O episódio conecta diretamente os conceitos de empatia e cultura organizacional ao universo da agilidade e da liderança. A discussão destaca como a transformação cultural em empresas depende da evolução das crenças e atitudes dos indivíduos. Ao colocar a empatia no centro do debate sobre agilidade, o painel aborda a importância das relações humanas e da facilitação constante para gerar ambientes colaborativos sustentáveis e alinhados aos objetivos de negócios e gestão de pessoas.

Para quem é este episódio

Este conteúdo é indicado para agilistas, líderes organizacionais e facilitadores que buscam compreender o impacto das atitudes individuais na cultura da empresa. O episódio beneficia profissionais de gestão e pessoas interessados em integrar empatia e práticas colaborativas no dia a dia das equipes de trabalho.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

Qual é o papel das crenças individuais na cultura organizacional?

As crenças e os comportamentos de cada indivíduo moldam diretamente a cultura da organização. Durante o episódio, os convidados explicam que a cultura não é apenas um conjunto de regras formais, mas o resultado diário das atitudes humanas e da forma como as pessoas se relacionam dentro das equipes de trabalho.

A empatia é realmente fundamental em organizações ágeis?

O painel discute se a empatia é indispensável para o sucesso dos ambientes ágeis ou se é vista como algo secundário. O debate demonstra como a capacidade de compreender o outro influencia a facilitação, melhora a colaboração entre os times e fortalece a agilidade real no ambiente corporativo.

Quem são os participantes do debate sobre empatia no episódio 40?

O episódio é apresentado por Lula, que recebe as convidadas Day Andrade, Dani Prevot e Karen Monterlei. Juntos, eles compartilham perspectivas sobre a relação entre empatia, pessoas, facilitação e a transformação da cultura organizacional no contexto prático das empresas ágeis.

Sobre este episódio

Neste episódio, três Agile Experts da K21, Dai Andrade, Dani Prevô e Karen Monterleia, discutem empatia dentro da agilidade, partindo da provocação de que falar sobre o tema costuma ser rotulado como 'coisa de abraçador de árvore'. A resposta construída ao longo da conversa é que empatia é, na verdade, a capacidade natural de abraçar ideias, necessidades e pessoas, conectada diretamente ao primeiro valor do Manifesto Ágil: 'indivíduos e interações mais que processos e ferramentas'.

É trazida a Comunicação Não Violenta como referência central, incluindo o princípio de que toda agressão é o resultado trágico de uma necessidade não atendida, e a declaração de Marshall Rosenberg, seu criador, de que ambientes corporativos são mais violentos do que conflitos entre gangues ou nações que ele mediou ao longo da vida. É apresentada uma prática concreta de escuta ativa, o 'modo cuidar', em que o grupo apenas escuta e espelha, sem tentar resolver ou comentar o que é compartilhado.

O episódio explora a desconexão comum entre quem constrói produtos e quem os usa, ilustrada pela reflexão pessoal do apresentador sobre as 'máscaras' que usava entre vida pessoal e profissional, e sua própria experiência como desenvolvedor de sistemas bancários que ele mesmo não enxergava usar. É discutido como líderes despreparados, muitas vezes promovidos apenas por falta de outro caminho de crescimento, podem gerar pequenas agressões cotidianas que corroem a cultura organizacional, e como liderança servidora, atender genuinamente às necessidades de pessoas e organização, se conecta diretamente à construção de confiança, primeira e mais fundamental disfunção de qualquer equipe.

A conversa fecha com a ideia de autoempatia: entender e aceitar os próprios limites como pré-condição para exercer empatia real pelos outros, e a distinção entre inteligência emocional saudável e vitimismo. A diferença está em quantas estratégias próprias a pessoa reconhece para lidar com suas necessidades, em vez de depender exclusivamente de uma ação externa. As recomendações finais incluem 'Líderes Se Servem por Último' de Simon Sinek, o TED Talk de Brené Brown sobre vulnerabilidade, e o trabalho de Kristin Neff sobre autocompaixão como alternativa mais saudável à autoestima.

Transcrição completa

Este episódio recebe três Agile Experts da K21, Dai Andrade, Dani Prevô e Karen Monterleia, para discutir empatia dentro da agilidade, partindo de uma provocação direta: será que falar de empatia é apenas 'coisa de abraçador de árvore'?

Karen, que tem background de gerência executiva tradicional, é a primeira a responder: o que as empresas realmente buscam é resultado, mas quem gera resultado são pessoas, e para viabilizar um ambiente propício a bons resultados, é preciso ser alguém capaz de perceber e entender a necessidade do outro. Ela define empatia como o meio através do qual as pessoas conseguem exercitar seu potencial criativo.

Dai aprofunda a definição: empatia é uma capacidade natural que todos os seres humanos têm, só sociopatas e psicopatas genuinamente não a possuem, por razões neuroquímicas. O desafio não é ter empatia, mas exercê-la, demonstrá-la de fato. É citada a definição de Brené Brown: empatia é sentir com o outro, conectar-se com algo dentro de si que reconhece o que o outro está sentindo, olhar o mundo pela perspectiva alheia, não trazer sua própria verdade como referência. Dai conecta isso diretamente ao primeiro valor do Manifesto Ágil, 'indivíduos e interações mais que processos e ferramentas': perceber pessoas e suas interações é o que permite resolver problemas complexos através da inteligência coletiva, já que abrir espaço para a perspectiva alheia aumenta as chances de chegar a soluções melhores. A conclusão provisória é: não se trata de abraçar árvores, mas de abraçar ideias, sugestões e a inteligência coletiva.

Dani, especialista em Comunicação Não Violenta (CNV), traz outra camada: empatia também envolve abraçar as necessidades do outro. Ela cita um princípio central da CNV: toda agressão é o resultado trágico de uma necessidade não atendida. E observa que ambientes corporativos tradicionais estão repletos de pequenas agressões cotidianas, como comentários depreciativos disfarçados de brincadeira dirigidos a estagiários ou recém-contratados. É citado o próprio Marshall Rosenberg, criador da CNV, que mediou conflitos entre gangues em Detroit, tribos na África e entre Israel e Palestina, e declarou que o ambiente corporativo era o mais violento que já havia observado.

Dani refina ainda mais o conceito: empatia não é se comprometer a resolver a necessidade do outro, é simplesmente reconhecer que essa necessidade existe e permitir que ela exista, tanto a do outro quanto a própria. A violência surge exatamente quando essa permissão é negada.

Karen reforça que falta honestidade nas relações corporativas, um 'mundo de faz de conta' em que todos fingem aceitação mútua, e destaca a importância da escuta ativa: dedicar atenção real ao que a outra pessoa traz, sem pressa de resolver ou responder. O apresentador compartilha uma prática concreta aprendida através da Holacracy e das Organizações Orgânicas (O2): o 'modo cuidar' em reuniões, em que qualquer pessoa pode compartilhar como está se sentindo (sobre qualquer assunto, não só trabalho), enquanto o grupo apenas escuta, sem tentar resolver, comentar ou aprofundar. Depois, alguém apenas 'espelha' o que ouviu, repetindo de volta para confirmar que compreendeu, sem adicionar nada além disso.

Dai amplia a discussão para o cliente externo: será que as empresas conseguem sobreviver hoje sem abraçar genuinamente as necessidades de seus consumidores, tanto externos quanto internos? Ela questiona práticas comuns de pesquisa de mercado que já chegam com a solução pronta, perguntando apenas 'você usaria esse produto?' em vez de investigar profundamente o que realmente move a decisão do consumidor.

Um ponto marcante da conversa é a separação artificial entre 'colaborador' e 'consumidor' dentro de uma mesma empresa: Karen observa que, com frequência, empresas desenham produtos e serviços pensando apenas no mercado externo, sem perceber que seus próprios funcionários também são consumidores em potencial, e que essa desconexão é sentida internamente, mesmo quando a empresa não faz nada a respeito.

O apresentador compartilha uma reflexão pessoal sobre as 'máscaras' que se usa no ambiente de trabalho: durante anos, ele era 'Lula' em casa e com amigos, mas 'Luiz Rodrigues' no trabalho, uma separação que, segundo ele, nunca é absoluta, porque a pessoa continua sendo a mesma por trás da máscara. Ele conecta isso à sua experiência como desenvolvedor de internet banking: apesar de programar sistemas financeiros usados por milhões de pessoas, ele próprio não se enxergava como usuário final daquele mesmo sistema, uma desconexão comum entre quem constrói um produto e quem efetivamente o usa, ilustrada por um exemplo de um colega que desenvolvia crédito imobiliário sem sequer saber como acessar o próprio simulador que ajudava a construir.

Karen traz um exemplo prático de empatia aplicada: perguntar a um novo colaborador como ele prefere ser chamado, ela mesma relata ter sido chamada de 'Xampu' (apelido de infância) numa experiência de RH, e o impacto positivo dessa pergunta simples sobre identidade pessoal.

Sobre liderança, Dai conta a história de um estágio em que a área que a recebeu tinha uma liderança culturalmente saudável, com baixo nível de agressão, mas, em outras áreas da mesma empresa, líderes chegavam a mandar estagiários atravessarem o prédio inteiro apenas para apontar um lápis ou recarregar um vale-refeição, como demonstração gratuita de poder. Karen observa que muitas pessoas assumem posições de liderança apenas porque essa é a única forma de crescimento disponível na estrutura organizacional, mesmo sem aptidão ou desejo real para liderar pessoas, e defende que a pergunta central deveria ser: essa pessoa realmente quer essa responsabilidade?

Dani conecta empatia diretamente às disfunções de equipe: a primeira disfunção é a falta de confiança, e um time sem confiança não entrega resultado. Empatia é o que permite construir confiança real, você só confia genuinamente em alguém que sabe que não vai te prejudicar quando você está vulnerável. Isso conecta ao conceito de liderança servidora, ligado ao papel do Scrum Master: servir às necessidades da organização e do time, sempre com foco em gerar valor ao consumidor final.

É discutida a prática de 'check-in' no início de reuniões, perguntar como cada pessoa está chegando naquele momento, e o desafio real de sermos honestos nessas respostas, já que fomos culturalmente condicionados a sempre responder 'estou bem' independente do estado real. Isso leva à discussão de autoempatia: entender e aceitar os próprios limites e estados emocionais é combustível necessário antes de conseguir exercer empatia genuína pelos outros. É contado um exemplo pessoal do apresentador: ao perceber vontade de reagir agressivamente a um comentário, ele buscou ajuda de Dani para entender melhor a própria necessidade por trás daquele impulso, antes de agir.

Karen levanta uma questão importante: qual é a linha entre desenvolver inteligência emocional para se autoperceber e cair num comportamento de vitimismo? Dai responde que a diferença está em quantas estratégias a pessoa reconhece para atender sua própria necessidade, o vitimismo aparece quando se acredita que apenas o outro pode e deve resolver aquela necessidade; sair desse lugar significa reconhecer a necessidade, aceitá-la, e buscar ativamente formas próprias de lidar com ela, inclusive aceitando temporariamente sua ausência.

Para encerrar, cada convidada deixa recomendações. Dai recomenda o livro 'Líderes Se Servem por Último', de Simon Sinek, sobre liderança servidora. Dani recomenda o TED Talk de Brené Brown sobre vulnerabilidade, e o trabalho da pesquisadora Kristin Neff sobre autocompaixão como alternativa mais saudável à autoestima. Karen reforça a importância do autoconhecimento como caminho pessoal, cada um encontrando sua própria forma, seja espiritualidade, yoga ou outra prática, para conseguir se aceitar no lugar em que está antes de buscar o próximo passo.

Ouvir no Spotify

Episódios relacionados

  • Ep. 273 - Design Organizacional para além da Estrutura

    Neste episódio do Love the Problem, o papo gira em torno de um tema que costuma gerar mais dúvidas do que respostas nas organizações: design organizacional. Afinal, quando falamos em redesenhar a organização, estamos falando apenas de organogramas, cargos e hierarquias? Para explorar essa pergunta, Rafaela Fonseca (Rafinha) recebe Gabi Correia, gerente de Desenvolvimento Organizacional na Cora, e Raphael Montenegro (Chewie), Head de Consultoria da Nower, em uma conversa profunda e prática sobre como pensar o design organizacional para além da estrutura formal. Ao longo do episódio, eles discutem porque o organograma raramente é o melhor ponto de partida, como olhar para fluxos de trabalho, rituais, relações e cultura pode gerar mais impacto no curto e no longo prazo, e de que forma abordagens como Flight Levels, autonomia responsável e feedback contínuo ajudam as organizações a evoluírem. A conversa também passa por temas como: A diferença entre estrutura e cultura — e por que uma não se sustenta sem a outra. O papel das relações, da confiança e do conflito saudável em processos de mudança. Como começar a evoluir o design organizacional sem grandes “revoluções” hierárquicas. A experiência prática da Cora ao tratar o design organizacional como habilidade, e não apenas como cargo. Se você é líder, profissional de RH, produto, agilidade ou estratégia e quer repensar a forma como as organizações aprendem, decidem e entregam valor, sem cair em soluções simplistas ou modismos, dê o play e embarque nessa conversa com a gente!

  • Ep. 281 - Gestão de pessoas baseada em dados: como dar bons feedbacks e desenvolver seu time sem deixar de fazer uma gestão humanizada?

    No episódio #281 do Love the Problem, Rafaela Fonseca recebe Felipe Azevedo, CEO da LG lugar de gente, e Daniella Prevot, consultora estratégica e trainer na Nower, para uma conversa sobre um dos grandes desafios das organizações: como usar dados na gestão de pessoas sem perder o lado humano. Ao longo do papo, eles abordam como sair de uma cultura baseada em achismos para decisões mais orientadas por dados, o papel de People Analytics no dia a dia das lideranças e como isso pode impactar diretamente feedbacks, desenvolvimento e engajamento dos times. Também falam sobre a importância do timing e da frequência dos feedbacks, os riscos de depender apenas da tecnologia e como equilibrar dados, contexto e relações humanas para uma gestão mais efetiva. Um episódio para quem quer tomar decisões mais assertivas e pragmáticas sobre pessoas — sem abrir mão da empatia e da conexão no dia a dia.

  • Ep. 276 - Gestão de Produtos em Organizações que Aprendem

    Aprender não é sobre coletar e acumular informação — é sobre transformar descoberta em ação. Neste episódio do Love the Problem, damos continuidade à conversa sobre Organizações que Aprendem, agora olhando para um tema central: a gestão de produtos como motor de aprendizado contínuo. Rafaela Fonseca conversa com Paulo Cassin e Camila Boni, da Nower, sobre como organizações aprendem melhor quando conectam discovery, cliente e resultado de negócio. A discussão passa por erros comuns na gestão de produtos, cultura de experimentação, uso inteligente de métricas, rituais de aprendizado e o papel da liderança na criação de ambientes seguros para errar, aprender e evoluir. O episódio também explora como inteligência artificial pode acelerar aprendizados, reduzir custos de experimentação e apoiar decisões — sem substituir a escuta real do cliente. Tudo isso reforçando uma ideia-chave: aprendizado só faz sentido quando é acionável. Esse episódio é para você que é líder, PM ou faz parte de uma equipe que quer construir produtos (e organizações) que evoluem junto com seus clientes e aprendem continuamente. Aperte o play e vem com a gente! Episódios citados durante essa gravação: Ep. 269 - Organizações que Aprendem Ep. 255 - Gestão de produtos em estruturas complexas: Da estratégia à priorização do portfólio

  • Ep. 234 - Os mitos da transformação ágil - Parte 2

    Neste episódio, são abordados mitos comuns sobre a transformação ágil nas empresas. Fernanda e Flor discutem ideias equivocadas, como a crença de que agilidade é exclusiva para a tecnologia, que transformações devem ser feitas de uma vez só, e que não há tempo para ser ágil. Além disso, desmistificam a aplicação universal de modelos como o do Spotify, a falsa necessidade de comitês centralizados para mudanças, e a visão limitada focada apenas em métricas de eficiência. Resumindo, destacam a importância de adaptar frameworks a cada contexto, promovendo uma cultura de comunicação clara, capacitação e experimentação contínua. Solta o play!