Pular para o conteúdo
Voltar para todos os episódios
Ep. 209 - Agilidade em Escala: Desafios e Estratégias
Ep. 209

Ep. 209 - Agilidade em Escala: Desafios e Estratégias

15 de julho de 202400:55:55
Agilidade
Educação
Estratégia
Pessoas
Transformação

Resumo rápido

Escalar agilidade não é implantar um framework em toda a empresa, mas garantir harmonia entre sistemas organizacionais, unificar métricas orientadas ao cliente e transformar a liderança. Os três pilares — valor, ciclos curtos e aprendizado contínuo — são o chão sobre o qual qualquer método se sustenta, e a primeira mudança é mudar as perguntas de 'o que você fez' para 'o que você precisa fazer para o resultado acontecer'.

Capítulos

  1. 05:41O desafio de escalar agilidade: dados do 17º relatório do Estado da Agilidade
  2. 08:30Da TI à integração de negócios: as dores do crescimento
  3. 12:18Agilidade organizacional: o engarrafamento da demanda e o equilíbrio entre repetição e criação
  4. 20:29Sem bala de prata: métricas, guias e centralidade no cliente
  5. 29:44Os três pilares da agilidade e como superar o descrédito
  6. 42:16O papel da liderança e a cultura como pior comportamento aceitável
  7. 45:47A primeira mudança: mudar as perguntas e resolver problemas reais

Frases do episódio

a maturidade de uma organização está diretamente limitada à maturidade da sua liderança.

44:10

A cultura dessa organização é o pior comportamento aceitável dentro dela.

45:07

o dinheiro é como esterco, ele não adianta de nada se ele não estiver espalhado, encorajando pequenas coisas a crescerem.

54:46

O que você vai ouvir neste episódio

  • Convidados do Banco do Brasil compartilham estratégias para integrar diferentes setores organizacionais usando agilidade em escala com foco em resultados.
  • A priorização clara e a alocação eficiente de recursos são fundamentais para conectar os objetivos estratégicos à execução diária.
  • O apoio direto de executivos C-level e patrocinadores é determinante para sustentabilidade da transformação ágil na empresa.
  • Líderes precisam atuar como exemplo prático das mudanças culturais e operacionais exigidas na adoção de modelos ágeis.
  • O episódio alerta sobre armadilhas no uso rígido de frameworks tradicionais sem adaptação à realidade do negócio.

Temas discutidos

A expansão da agilidade para toda a organização exige superar a aplicação mecânica de frameworks e focar na resolução de problemas estratégicos. No contexto de liderança e cultura organizacional, o alinhamento entre áreas de negócio e tecnologia depende da priorização transparente e da alocação consciente de recursos. O apoio ativo do C-level valida as mudanças necessárias, permitindo que a transformação ágil traga previsibilidade, clareza no impacto gerado e real eficiência operacional para grandes empresas.

Para quem é este episódio

Este conteúdo é recomendado para executivos C-level, diretores e gerentes envolvidos em grandes transformações organizacionais. Também beneficia diretamente agile coaches, especialistas em processos e líderes de produto que buscam conectar a estratégia corporativa à operação diária de múltiplos times de tecnologia e negócios.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

Quais são os principais desafios ao implementar a agilidade em escala?

Os maiores desafios incluem alinhar a estratégia corporativa entre setores diversos, realizar uma priorização eficaz de demandas e alocar recursos adequadamente. Além disso, a resistência cultural e a dependência excessiva de frameworks pré-moldados sem adaptação ao contexto organizacional dificultam a geração de impacto real e a integração operacional contínua.

Qual é o papel da liderança C-level na agilidade em escala?

O apoio dos executivos C-level e patrocinadores é indispensável para legitimar as mudanças estruturais e apoiar a remoção de barreiras entre áreas. A liderança deve atuar como exemplo das novas práticas e mentalidade, garantindo a autonomia necessária às equipes e mantendo o foco do investimento nos objetivos estratégicos da organização.

Como evitar armadilhas ao adotar frameworks de agilidade em escala?

Para evitar armadilhas, as organizações devem focar no impacto de negócio e na solução de problemas reais em vez de seguir prescrições rígidas. A agilidade em escala deve ser adaptada à cultura e necessidades da empresa, promovendo conexões fluidas entre departamentos e clareza nos critérios de priorização de projetos.

Sobre este episódio

Neste episódio do Love the Problem, Rodrigo (agile coach no Banco do Brasil), Andressa Chiara (estrategista de negócios e mentora de executivos) e Marco Dubovski (gerente de agilidade organizacional na fintech Jeito) discutem os desafios e estratégias de escalar agilidade em organizações de médio e grande porte. A partir do 17º relatório do Estado da Agilidade, que aponta a resistência organizacional como maior barreira, os convidados exploram a analogia do organismo humano para explicar a necessidade de harmonia entre áreas, a importância de unificar métricas orientadas ao cliente e os três pilares essenciais da agilidade: valor, ciclos curtos e aprendizado contínuo. A conversa aborda a armadilha da bala de prata, o papel transformador da liderança, a cultura como pior comportamento aceitável e a mudança fundamental de perguntar 'o que você precisa fazer' em vez de 'o que você fez'. O episódio reforça que agilidade é negócio, que a escala não é escalar trabalho mas escalar resultado, e que, no fim, tudo se resume a pessoas.

Transcrição completa

O 17º relatório anual do Estado da Agilidade, realizado em 2023 com 788 participantes de médias e grandes empresas, aponta que o principal desafio na adoção do ágil é a resistência organizacional à mudança, correspondendo a 47% dos desafios identificados. Quando a empresa é menor, existe uma facilidade maior de estender a adoção à companhia inteira, mas em organizações de médio e grande porte surge uma barreira mais rígida, com necessidade de personalização de frameworks que incorporem a realidade de cada contexto.

A agilidade começou muito na área de TI e, à medida que amadureceu, expandiu-se para outras áreas da empresa. Essa expansão trouxe as dores do crescimento: a necessidade de integrar áreas que antes funcionavam de forma isolada. Escalar agilidade significa envolver o máximo de áreas, pessoas e estruturas possíveis dentro de uma organização, garantindo que todos olhem para a mesma direção. Existe uma analogia com o organismo humano: assim como o corpo tem sistema respiratório, nervoso, circulatório e digestivo, toda organização é composta de vários sistemas diferentes. Quando algum sistema não está em harmonia com o todo, o todo sofre. Se uma parte funciona muito bem e outra funciona de um jeito específico diferente, existe uma desarmonia. Agilidade em escala é garantir que todas as partes funcionem de forma semelhante, orientadas às mesmas estratégias, para que a empresa prospere e atinja perenidade, adaptando-se ao longo do caminho.

Um ponto crítico é o tempo que leva para se adaptar e o nível de prontidão das companhias, que está entre as duas prioridades mais altas quando as organizações começam a olhar para isso. Para quem não tem experiência com agilidade em escala, o ponto de partida é a sensação de que, quando a demanda chega na sua mão, você resolve, mas quando sai, entra num buraco negro e as coisas não saem do lugar. Isso é o engarrafamento organizacional da demanda. Um time pequeno com cinco pessoas tem menor complexidade de comunicação e processos, mas nem sempre é viável criar times multidisciplinares com todas as áreas de conhecimento da empresa. Nas empresas pequenas, uma pessoa pode ser o RH inteiro; nas grandes, há ganho de eficiência por normatização de processos. O ponto de equilíbrio está entre o que precisa ser repetitivo e automatizável e o trabalho criativo que exige interação entre diferentes áreas de conhecimento.

O executivo que toma a decisão de investimento percebe que uma empresa com 200 pessoas produzia X, e agora com mil pessoas produz 1,5X. Isso gera desespero. As perguntas centrais são: como mudar a forma de gestão, governança e trabalho para sustentar mais pessoas e mais clientes sem perda de produtividade? Como normatizar processos onde necessário e fazer as pessoas interagirem de forma eficaz no trabalho criativo? Não é simples, não é só apertar um parafuso nem botar Scrum para todo mundo.

Na prática, a agilidade organizacional começa a mostrar onde estão os gargalos, fazendo integração entre sistemas que funcionavam de alguma forma mas não estavam integrados. Surgem discussões sobre qual modelo de escala adotar, se os frameworks existentes encaixam na realidade da empresa, novos papéis na organização, remuneração e responsabilidades. A transição não se faz de uma vez em grandes empresas; há reuniões de sincronia mais frequentes, mudanças complexas que precisam ser feitas com cuidado, sem afetar o engajamento das pessoas e sem deixar o resultado cair.

Um ponto crítico é que o método não resolve o problema. O método ajuda a estruturar o que está acontecendo para que se possa ver o que fazer para resolver o problema. Não existe bala de prata, e usar o modelo Spotify como Santo Graal não vai funcionar. As guias para a escala incluem: primeiro, fugir da armadilha de acreditar que um framework é a solução automática; segundo, orientar-se genuinamente à métrica, porque sem saber o ponto de partida com clareza, não se sabe o esforço necessário; terceiro, trazer para a realidade prática a centralidade no cliente, que é o elemento comum a todas as pessoas da organização, independentemente de área, conhecimento ou senioridade. Conhecer o cliente, entender suas necessidades e propósitos é premissa fundamental para unir conhecimentos diferentes e proporcionar interações que falem uma língua comum.

No Banco do Brasil, a orientação a métricas e o client centrismo já eram fortes há anos. O que mudou com o movimento de escala foi a unificação das métricas entre as áreas: não importa se a pessoa é de TI, de negócio ou de RH, a métrica é como atingir o resultado olhando para o cliente. Todo mundo trabalha sobre uma métrica única, o que eliminou a concorrência interna e alinhou o foco. No primeiro trimestre do ano, uma das business units que já estava no modelo escalado começou a apresentar resultados concretos no balanço. O papel do Product Owner foi adaptado para Product Manager, que passou a olhar de ponta a ponta: Go-To-Market, experiência do cliente, operação. Essa pessoa de produto, ao descobrir que não cuida só do backlog de tecnologia, torna-se um elemento de conexão entre áreas diferentes.

Quando a abordagem cai em descrédito, é porque as experiências anteriores não atenderam aos três pilares essenciais da agilidade: buscar constantemente o que é mais importante e tem mais valor; encurtar os ciclos de entrega de valor para aumentar a velocidade de aprendizado, pois errar rápido é mais barato; e aprender e melhorar continuamente. Empresas que caminham em linha reta e não se adaptam tendem a morrer, como Nokia e Kodak. O descrédito geralmente nasce de experiências mal sucedidas, como a adoção quase fanática de um framework sem adaptação ao contexto. O melhor framework é aquele que faz sentido para a realidade da organização, podendo ser uma composição de vários ou a criação de um novo. Quando o descrédito aparece, o caminho é voltar ao básico: verificar se os três pilares estão sendo respeitados.

Os critérios de sucesso em escala incluem redução do tempo para entregar valor ao cliente, aumento da produtividade dos times mesmo com interdependências e melhora nos resultados financeiros. A quebra de silos, ao unificar áreas em times multidisciplinares, já gera ganhos de produtividade mensuráveis. É importante evitar os extremos: não olhar só para o próprio umbigo nem para absolutamente tudo ao mesmo tempo. Seres humanos adultos não aprendem pelo que ouvem, aprendem pelo que veem, pelas atitudes e comportamentos. Bons exemplos têm muito poder.

O papel da liderança é fundamental. Quando a liderança percebe a atitude de uma pessoa de produto olhando de ponta a ponta como comportamento fora do radar, desestimula a energia positiva. Líderes preocupados com a execução vêm de um lugar de insegurança; o ideal é gerenciar o resultado e ajudar os indivíduos a contribuir com sua capacidade de execução. A maturidade de uma organização está diretamente limitada à maturidade da sua liderança. O comportamento da liderança é o comportamento que tende a ser reproduzido. Se se estimula a colaboração, é difícil ter isolamento; se se estimula o isolamento, é difícil ter colaboração. A cultura de uma organização é o pior comportamento aceitável dentro dela.

A primeira mudança principal é mudar as perguntas. Perguntar 'o que você fez' provoca um olhar para a tarefa e a execução, mas o que mexe o ponteiro é o resultado. Perguntar 'o que você precisa fazer para que o resultado aconteça' estabelece uma mudança nas relações, comportamentos e atitudes. Agilidade é negócio, não apenas métodos, práticas e frameworks. Cultura é um conjunto de hábitos, e ao mudar as atitudes práticas, muda-se a cultura. É crucial não tentar resolver problemas que não existem: parar e perguntar qual é o problema que se está tentando resolver. Muitas vezes se causa incômodo e frustração para resolver um problema que nem está lá. Se não se está perseguindo impacto tangível para resolver problemas de alto valor, não se está fazendo agilidade. Ao focar nos problemas reais, as pessoas viram aliadas, e sem aliados na empresa inteira, não há como fazer agilidade em escala. No final das contas, é sobre pessoas: 100% dos clientes são pessoas, 100% das pessoas que trabalham com você são pessoas. Se as organizações valorizarem as interações com a mesma energia que gastam na execução, o cenário muda e a escala se torna possível. O que se está incentivando a crescer e qual impacto se está gerando é a inflexão que define o caminho.

Ouvir no Spotify

Episódios relacionados

  • Ep. 214 - "Estratégiques" - Gente e gestão e sua influência na transformação Ágil

    Neste episódio do Love the Problem, Flor recebe Rafaela Albuquerque Monteiro e Larissa Barros, logo após uma inspiradoras palestra das duas, no SGRio. Juntas, elas exploram como a gestão de pessoas e a liderança estratégica são fundamentais para impulsionar a transformação Ágil nas organizações. Descubra insights valiosos sobre como essas práticas podem moldar uma cultura organizacional mais adaptativa e inovadora. Não perca essa oportunidade de se aprofundar no impacto da gestão na transformação ágil! Solta o play!

  • Ep. 213 - Transformação Ágil: O RH como Protagonista

    Neste episódio especial do Love the Problem, gravado no SGRio, Flor conduz uma conversa envolvente sobre o papel crucial do RH na transformação ágil das organizações. Contamos com a participação de três especialistas renomados na área: Fernanda Magalhães - Consultora Estratégica na Nower, que traz insights valiosos sobre como alinhar estratégias de RH com a agilidade empresarial. Joana Rosário - Agile Coach & Trainer, compartilhando suas experiências práticas na implementação de metodologias ágeis e na capacitação de equipes em Portugal Rafael Riva Finatti - Especialista de Gestão e Evolução Ágil no Grupo Marista, discutindo os desafios e as melhores práticas para promover uma cultura ágil dentro das empresas. Junte-se a nós para explorar como o RH pode ser o protagonista na jornada de transformação ágil, impulsionando inovação, colaboração e resultados sustentáveis.

  • Ep. 277 - O futuro da Educação Corporativa em um mundo de IA e carreiras não lineares

    Aprender deixou de ser evento. Virou estratégia. Neste episódio do Love The Problem, Rafaela Fonseca recebe Paulo Guidugli (Sócio na Gupy) e Iohanna Roader (Especialista em Produtos Educacionais na Nower) para uma conversa provocadora sobre o futuro da educação corporativa em um mundo de IA, mudanças aceleradas e carreiras não lineares. Eles abordam: • O que é Educação Corporativa de verdade ou só distribuição de conteúdo?• Tendências para o futuro da educação além da hype• Como a IA já está transformando empregos e habilidades?• Que mentalidade líderes e RHs precisam desenvolver agora? Uma troca sobre aprendizagem contínua, transformação de carreira e o papel estratégico do RH na geração de resultados. Dê o play e provoque o futuro com a gente. 🎧

  • Ep.5 - Leadership Club - Produtividade Sustentável: como a Cultura Ágil transforma pessoas e resultados

    Neste episódio do Leadership Club, CFC Rezende recebe Patricia Couto, Gerente Executiva, e Caroline Crevelaro, Agile Lead, para uma conversa profunda e prática sobre um dos temas mais críticos nas organizações hoje: produtividade sustentável. Ao longo do episódio, o trio questiona a visão simplista que associa produtividade apenas a velocidade, controle ou corte de custos, e propõe um olhar mais sistêmico, que integra negócio, pessoas, cultura e processos. A conversa passa por temas como: A liderança e sua influência no sistema. Clareza e alinhamento de prioridades. Melhores formas de tomada de decisão. Papéis e responsabilidades. Métricas que importam e previsibilidade. Segurança psicológica e os riscos do microgerenciamento. Pati e Carol trazem experiências reais de transformação em grandes organizações, discutindo como métodos ágeis, design organizacional e boas escolhas de gestão podem criar ambientes mais eficientes sem sacrificar saúde, engajamento e resultados no longo prazo. O episódio também provoca reflexões atuais sobre o papel da IA na produtividade, separando hype de valor real e reforçando que tecnologia sem clareza, cultura e intenção só acelera o caos. Se você é uma liderança que quer ir além da lógica do “fazer mais com menos” e construir resultados consistentes, humanos e sustentáveis ao longo do tempo, solta o Play e vem com a gente!!