
Ep. 182 - Mulheres produteiras falando de carreira
Resumo rápido
Samira, Fernanda Morelli e Érica compartilham histórias reais de transição de carreira na área de produto, do paradigma de projeto ao mindset de produto, destacando o impacto da diversidade de gênero na inovação, a importância de comunidades e mentoria para mulheres em transição, e os erros mais comuns — como começar pela tela de login ou ignorar feedbacks — que podem ser evitados com conhecimento e apoio coletivo.
Capítulos
- 01:39Abertura e contexto: mulheres na carreira de produto
- 03:54Transições de carreira: de projeto para produto
- 08:40Do PMO ao produto: a jornada da Fê
- 11:18O momento em que a ficha cai: 2014 e o primeiro produto
- 20:48O impacto das mulheres na criação de produtos
- 30:59Dicas e mentoria para a transição de carreira
- 45:28Orgulho, erros e encerramento
Frases do episódio
“Quando eu comecei a trabalhar, gente, na criação de produto, eu tive muita dificuldade em me encontrar num ambiente que era muito diferente daquilo onde a minha carreira me levou ao longo da minha vida.”
03:54
“Não adianta eu querer transitar minha carreira num lugar onde eu não tenho espaço pra isso, tá, onde eu possa crescer, onde eu possa ser quem eu for e ter as minhas falhas nesse percalço.”
31:48
“O que eu mais me orgulho é ver mulheres com as suas conquistas pessoais, inspirando outras mulheres, criando produtos pra resolver problemas de outras mulheres, produtos que são resilientes, mulheres resilientes, com apetite da mudança, contribuindo todos os dias pra inovação.”
50:23
O que você vai ouvir neste episódio
- Erika Oliveira compartilha aprendizados sobre a liderança na comunidade Mulheres de Produto e o apoio no desenvolvimento profissional.
- Fernanda Morelli analisa a atuação prática e os desafios encontrados no trabalho de consultoria na área de gestão de produtos.
- Samira Tavares traz visões sobre sua atuação dupla como consultora na Nower e trainer na K21 Educação.
- O painel debate as transformações recentes do mercado e como elas impactam a evolução da carreira em Product Management.
Temas discutidos
O episódio conecta temas centrais da gestão de produtos à diversidade e liderança na cultura organizacional moderna. A troca de experiências entre especialistas destaca como a representatividade e a construção de comunidades fortalecem a evolução profissional de produteiras. Discutir trajetórias reais em gestão de produtos e educação corporativa ajuda a consolidar ambientes de trabalho mais inclusivos, orientados a resultados e preparados para as constantes transformações do mercado tecnológico.
Para quem é este episódio
Este conteúdo é direcionado a gerentes de produto, lideranças de tecnologia e profissionais em transição de carreira que buscam compreender os desafios do mercado de produtos sob a perspectiva feminina, além de especialistas focados na construção de comunidades e cultura inclusiva.
Perguntas que este episódio ajuda a responder
Quem são as convidadas deste episódio sobre carreira em produtos?
O episódio conta com Erika Oliveira, líder na comunidade Mulheres de Produto, Fernanda Morelli, consultora na Nower, e Samira Tavares, consultora na Nower e trainer na K21. Juntas, elas trazem visões complementares sobre liderança, consultoria, educação e comunidade no ecossistema de gestão de produtos.
Qual é o foco principal da discussão no episódio 182?
O debate é centrado nas trajetórias profissionais e nas experiências de mulheres no mercado de Product Management. A conversa abrange o papel da mulher na área, os desafios práticos vivenciados em empresas e consultorias, e a importância de iniciativas educacionais e comunitárias para fortalecer a carreira dessas profissionais.
Onde o conteúdo deste episódio foi transmitido originalmente?
O material deste episódio foi gravado originalmente durante uma transmissão ao vivo realizada pela K21 Educação. O evento reuniu especialistas para debater desenvolvimento de carreira, liderança feminina e gestão de produtos, sendo posteriormente adaptado no formato de áudio para distribuição no podcast Love the Problem.
Sobre este episódio
Neste episódio 182 do Love the Problem, Samira, Fernanda Morelli e Érica — todas mulheres com trajetórias na área de produto — compartilham histórias reais de transição de carreira, do paradigma de projeto ao mindset de produto. A conversa percorre desde os anos em que analistas de sistemas eram os verdadeiros donos do produto, passando pela chegada da cultura ágil no Brasil, até os desafios contemporâneos de fatiar entregas e colocar o cliente no centro. As três convidadas destacam que a diversidade de gênero em times de produto gera maior empatia, visão sistêmica e capacidade de antecipar riscos, resultando em produtos mais acessíveis e inovadores. O episódio também aborda a falta de representatividade feminina em graduações de tecnologia, que perpetua a migração tardia de mulheres para a área de produto. Entre as dicas práticas, destacam-se a importância de comunidades como a Mulheres de Produto e a mentoria como ferramenta mais eficaz de aprendizado. A conversa encerra com os erros mais comuns — começar pela tela de login, ignorar feedbacks, não mapear pessoas-chave na jornada — e com um tom de orgulho coletivo, celebrando a capacidade de reconhecer erros e seguir em frente.
Transcrição completa
Samira, Fernanda Morelli e Érica conversam sobre a trajetória de mulheres na carreira de produto, compartilhando histórias reais de transição de carreira, desafios e aprendizados.
Quando eu comecei a trabalhar na criação de produto, eu tive muita dificuldade em me encontrar num ambiente que era muito diferente daquilo onde a minha carreira me levou ao longo da minha vida. Principalmente nos ambientes desafiadores das empresas, tendo que se desafiar, desafiar o seu status quo. A mudança na forma como elas foram instaladas. E eu tive que me ensinar a trabalhar esse tempo todo. Sair daquele paradigma de construção de projeto, para a gente começar a olhar para as coisas de uma perspectiva diferente. E foi muito complexo para mim me adaptar a essa mudança de cenário, dado que eu sou a pessoa que veio de uma era diferente. Mas a gente conseguiu chegar lá, eu consegui chegar lá.
Eu tenho uma brincadeira que eu conto para as pessoas. Que eu entrei na área de produto quando o analista de sistemas era o verdadeiro dono do produto. Analista de requisitos, analista de sistemas, especificador técnico. E aí, para quem não sabe, o que é analista de sistemas? Quando a gente fala em agilidade, a gente precisa entender que o Brasil é enorme e a gente começa a falar de agilidade muito mais aqui para o Sudeste do que para o Norte e o Nordeste. Então, imagina só, 15 anos atrás de carreira, lá no Norte. E aí eu trabalhava numa empresa que é totalmente tradicional, porque é uma empresa do governo. Então, eu era analista de sistemas. E quem era a analista de sistemas há 15 anos atrás? A governadora do produto, por quê? Criante, stakeholder. Eu levantava requisitos, eu fazia documentação, eu codava, eu testava, eu homologava, implementava, em produção, se der, se for. E às vezes ainda geria equipe junto.
E aí, quando que começa a entrar a questão de, tá, eu tô olhando pra produto? Muito depois. Que o meu racional, é assim, eu sempre gostei de experiência do cliente, eu sempre trabalhei pra entregar o melhor resultado e a melhor solução. Mas, você entender que você tá fazendo, né, produto, é outro lembrete. Eu estava numa cultura muito diferente, do Sudeste aqui. Mas lá atrás, então, eu já olhava. Eu olhava muito pra jornada do cliente, pra experiência. E aí, se a gente fala hoje, sobre ser uma pessoa de produto, trabalhar com produto, é isso. É eu estar olhando pra experiência que eu quero dar pro meu cliente, pra como eu tô resolvendo o problema dele da melhor forma. Que eu já estava fazendo isso com todos os problemas e percalços lá atrás.
E aí, como é que foi a sua entrada nessa jornada? Foi assim como a Érica e eu, que veio de uma época onde a gente nem pensava, nem sonhava, falava em produto e a gente olhava pra essa conexão com o nosso cliente pela perspectiva de projeto. Eu estava ali pra criar um projeto, pra atender alguma coisa que meu cliente necessitava.
Então, houve uma fusão. Eu entrei no PMO, o famoso controle dos projetos, com o analista de negócio. Então, eu entrei pra um time que já existia um analista de negócio e que ele foi o meu braço direito. Só que aí o meu desafio foi eu trazer a cultura da agilidade. Primeiro, vamos falar de agilidade. Então, mudar e aprender o que que era agilidade, trazer pras pessoas o que que era agilidade e transformar esse meu papel nessa pessoa de produto. Então, foi tipo assim, braço direito total dessa pessoa que já estava no negócio, que já estava em tecnologia também, mas que ainda não tinha skills de produto. Porque por mais que havia essa necessidade de estar próximo do negócio, de saber de tecnologia, ainda não tinha esses conceitos do vou fazer um discovery, vou fatiar, vou entregar em ciclos curtos, vou entender o que que é de fato um produto.
O que o time vivia naquela época eram os sistemas. Então, todo mundo sabia sobre sistemas, mas não existia o compilar. Então, a gente teve que mapear o que era o produto, quem era o principal stakeholder. Então, meu trabalho foi muito disso. Se tornar a PO junto do analista, ele foi super meu braço direito nesse processo, entender, ganhar confiança do negócio, para poder virar esse PO. Então, eu vim, na verdade, de projetos mesmo ali, do PMO tradicional, para fazer esse papel de produto.
O desafio foi, o time era bastante técnico. Então, como que eu tinha que adquirir o linguajar técnico para poder me comunicar com esse time? Então, acho que esse foi o meu maior desafio quando eu entrei.
E aí, eu me lembro exatamente um ano, era o ano de 2014, onde eu comecei a trabalhar num sistema, num projeto, que era um projeto que fazia cálculos para financiamento imobiliário numa empresa. E aí, em determinado momento, teve o boom da agilidade nessa empresa. A gente começou a pensar, putz, a gente consegue, a gente consegue pensar e resolver esses problemas por uma perspectiva diferente. Só que o mais difícil era a gente conectar essa visão, de pensar de uma forma diferente, com todo um grupo de pessoas que não sabiam fazer isso, desenvolvedores e analistas de qualidade, que não sabiam fazer essa transformação nesse paradigma de pensar de uma forma menos estruturada, para começar a pensar de uma forma mais fatiada. Me lembro como se fosse hoje esse momento, e a primeira coisa que a gente fez foi, cara, qual é a primeira funcionalidade que a gente consegue colocar no ar para a gente já testar num grupo pequeno de usuários, se a identidade visual do nosso produto faz sentido ou não.
E todo mundo, não, vamos colocar um login. E eu, assim, gente, login, pelo amor de Deus, não, login, não tem credo em resultado nenhum. Vamos colocar um relatório? Vamos colocar um relatório no ar, e pegou vários feedbacks, e foi bem legal. Foi a primeira vez que caiu essa ficha de que a gente conseguiria pegar todo um planejamento, não jogar fora esse planejamento, mas transformar ele em algo que era poupável, para aquele cliente final.
Você falou disso, e eu lembrei de duas situações similares, mas que não tinha caído a ficha ainda, porém o mindset não era aquele do tipo, eu não era, meu cliente no centro. Eu trabalhava para um banco, e aí eu lembro que quando a gente colocava a introdução, a gente não colocava para todas as agências, colocava só para algumas, para ir testando, para ir validando, não colocava para todos os perfis, colocava só para alguns, para ver se não ia dar problema.
E teve um produto, e aí sim, tem uma outra história, e aí colocava para todos os, não colocava para todo mundo, colocava só para um perfil, colocava só para algumas, que era para entender se estava funcionando, se ia cair, se deu tudo certo, se não deu, nada errado. Até porque, antigamente era a rede, você tinha que subir, aí ia tudo. E aí teve um dia que foi, caraca, isso daqui é, eu não estou mais fazendo, não estou fazendo pegão de sessão, não estou olhando só para jornada de usuário, estou fazendo um produto mesmo. Era um produto chamado seguro, e aí a gente desenvolveu, e tudo mais. E sim, foi um método ainda não foi tão ágil como a gente queria que ele fosse, tinha ali um pedacinho de Scrum, que a gente estava desenvolvendo em ciclos pequenos, para entregar, mas como era um cliente que só pagava quando entregava tudo, então a gente mesmo entregando um pouquinho, testava, mas só colocava em produção, produzava tudo.
Aí o que que acontece? Colocamos em produção, só que o seguro lá não ativava. A nossa nota não chegava. A gente casa assim, não consegue nem dar uma ativação nesse negócio, sabe por quê? Porque fazendo esse seguro, precisava da pessoa sentada, não deu segura. Médico, né? Na jornada tinha uma pessoa no meio, e como foi, onde que foi? Nesse dia, eu errei. Eu não mapeei exatamente essa pessoa no meio do caminho, e ela era a principal, e ela era a ativador da minha métrica, ela precisava vender o meu seguro. Como é que hoje a gente vê nos Ecos da Vida, você tá lá dentro de alguma jornada, e ele te oferece um seguro, ou você tá postando no Instagram, vê que eles vendem seguros. Não, antigamente, as pessoas hoje, elas, o presencial era muito mais ativo ali, e as pessoas vendiam, cara a cara, peito a peito. E foi aí que eu comecei a falar, de produto, a olhar e dizer assim, pera aí, tá, eu tô resolvendo o problema do meu cliente, porque eu coloquei o produto no ar. Mas, e aí? Tá trazendo dinheiro? Não, porque ninguém tá comprando. Então foi aí que eu comecei a olhar com mais carinho pra, eu preciso resolver o problema, mas ele precisa ser resolvido de fato, assim, tem que ter um problema, que de fato é um problema, e as pessoas têm que entrar.
É interessante, porque enquanto analista, eu fui ensinada, eu vim desde a análise essencial, comecei a trabalhar com análise essencial, passei por análise estruturada, OML, até chegar na agilidade. A gente é ensinado a não resolver um problema do cliente. A gente é ensinado a criar um produto, um projeto, alguma coisa, que vai resolver uma dor de uma empresa. Então, quando a gente tem essa ficha, quando essa ficha cai de que, putz, eu tenho que resolver um problema do cliente, e esse problema do cliente também precisa ser rentável pra essa empresa, como que eu faço isso nesse mundo que é complexo?
E aí, qual foi o momento nessa sua jornada que você teve essa ficha caindo de que você precisava parar de pensar projetos, começar a pensar produto? Acho que foi uma virada, mas foi quando eu fui pra área de negócio, quando eu comecei a sentar, de fato, na área de negócio. Quando eu tava muito em tecnologia, a gente trabalhava muito entrega de projeto. Então, a gente entendia o que precisava ser feito, entrega que precisa ser feita, conversa com stakeholder, gerencia, entrega e tal, mas essa ficha, só nisso. Acho que o resultado é muito a entrega quando a gente ainda tá muito em tecnologia. Quando eu fui pra área de negócio, eu sentava lá, com a galera toda. Era uma empresa de varejo, então a gente vivia o dia a dia do pessoal do varejo ali. Aí a ficha começou a cair. Então, muitas das coisas que eu tava fazendo, ou que eu já tinha até desenvolvido, ou levado pro pessoal fazer, eu falava assim, nossa, se eu tivesse ouvido isso antes, ou se eu tivesse participado desse tipo de discussão, ou entrado na realidade das pessoas que elas estavam vivendo, eu teria feito de outra forma.
Eu comecei a conectar mais as coisas. Era como se antes eu visse as coisas muito fragmentadas. E aí, quando eu tava lá, sentada, vivenciando, eu comecei a fazer as conexões, comecei a ter uma visão mais sistêmica do todo. Então, eu olhava e falava assim, mas, gente, isso que a gente tá fazendo vai impactar aqui, nesse lugar do cliente. Eu não tinha muito essa visão, porque sempre tinha um interlocutor pra chegar pra mim. E esse interlocutor fazia o filtro dele, só que aí eu começava a poder julgar ou não que era certo. Então, como a gente trabalhava ali muito com moda, e com a cliente, o que ela precisava, o que era tendência, o que não era, eu já começava a falar assim, mas isso aqui, de onde vocês tiraram essa informação? Qual que é o dado que alimentou que é nisso aqui que a gente precisa investir, é nisso aqui que a gente precisa planejar.
Ou eu começava a ver o dia a dia das pessoas e falar assim, nossa, se a gente conseguisse prover esse tipo de tecnologia, ou esse tipo de programa ou função, aqui pras pessoas, elas iam conseguir analisar quais são as tendências, e hoje elas não têm isso. Então, eu estar lá foi uma virada de chave, que eu falei assim, meu Deus, como eu não fiz isso antes.
E aí, tem um ponto aqui que eu vou puxar a sardinha para o nosso lado, afinal, somos mulheres de produto, e estamos aqui para falar com pessoas de produto e conectar com mulheres de produto também. E ter mulheres nessa área de criação de produto faz com que a gente tenha vários impactos positivos. A diversidade de gênero, ela traz uma variedade de várias perspectivas, prismas, experiências e habilidades que as mulheres incorporam nessas equipes no dia a dia delas, o que pode levar sempre a maior inovação, a maior criatividade do processo e uma perspectiva de resolver esses problemas complexos por um prisma diferente.
Complementando o que você está falando, eu acho que a gente consegue ser mais empática, sabe? E aí, quando a gente já está no time multidisciplinar, a gente tem ali mulheres presentes, e a mulher tem uma sensibilidade mais apurada, ela é mais empática, ela consegue avaliar aqueles riscos. Ela tem esse olhar, mais profundo, mais 360 graus. A diferença de ter mulheres desenvolvendo produtos é que ela vai ter um produto um pouco mais empático, e aí quando a gente tá falando de um pouco mais empático, a gente tá falando que é um produto que ele vai ter um olhar muito maior, e eu, pelo menos é o meu núcleo ali de mulheres, acessíveis.
Tem um ponto interessante nisso que você tá trazendo, que é a representatividade da mulher na criação do produto. A gente consegue conectar desejos de outras consumidoras que hoje, às vezes, não são levadas em consideração na hora da criação desse produto, então a gente começa a pensar num design diferente, a pensar numa funcionalidade diferente, e isso acaba se tornando muito mais atrativo pro mercado de trabalho também, porque o produto acaba se tornando mais atrativo, ou seja, ele acaba trazendo mais resultado pras organizações no dia a dia.
E além disso, já é um impacto conhecido. Se vocês forem nas redes sociais, no Google, procurar qual é o impacto de ter mulher desenvolvendo produtos, vocês vão ver que o impacto da inovação é gigantesco.
Acho que, além da empatia, que a Érica falou, que eu super concordo, acho que a gente tem um ponto de olhar mesmo as dores, que as pessoas estão passando, entender quais são as oportunidades, nesse ponto de entender, quais são as relações, a organização, a complexidade das coisas, eu acho que a gente faz muito bem, nós como mulheres fazemos, muito bem, de verdade, entender os riscos, olhar o próximo passo, já vi várias pesquisas científicas que falam disso, do cérebro feminino tá sempre ativo, mais ativo, inclusive, porque a gente trabalha mesmo com essa coisa do multitarefismo, então eu acho que a gente tem essa capacidade de olhar o futuro, e você, como pessoa de produto, você tá sempre olhando o que é que é o próximo passo, o que é que eu vou fazer pra conectar o meu produto com a estratégia, pra onde tamo indo, o que o mercado tá fazendo, então eu acho que a gente acaba fazendo isso muito bem porque a gente se antecipa.
E a importância também de ter mulheres em produto, no time de produto, eu acho que tem a ver também com, querendo ou não, tecnologia ainda é um ambiente que tem bastante homens, então a gente entra nos times que tem muitos homens e pra gente é importante também ter figuras de referência, porque isso traz bastante confiança, e a gente sabe que isso é difícil pra muitas pessoas, se comunicar assertivamente, falar com ênfase, o que precisa ser dito, entrar em conversas difíceis, então esses lugares ocupados por mulheres ajudam a gente ganhar essa confiança pra falar o que precisa ser falado.
A gente, que é de produto, sempre pensa lá na espinha do peixe do porquê, porquê, porquê, porquê, porquê que só tem homem no rolê, porquê, porquê, porquê, vamos voltar lá atrás, quando que a gente vê pessoas como nós, que estão no mercado de trabalho, indo numa faculdade ou no ensino médio pra falar das produções que existem além do desenvolvedor. Quando a gente fala de graduação, a gente fala de ciência da computação, a gente fala de neurocomputação, a gente fala de sistema de informação, a gente fala de análise de requisitos, que são graduações que levam as pessoas para o desenvolvimento de software, ela tá ali já, vai ser desenvolvimento de software, e aí, quando você não tem esse tipo de discussão dentro da sua família, ou você não tem pessoas ao redor que te contam que, peraí, você pode se formar em ciência da computação e você não vai ser o desenvolvedor, você pode ser um end coisa, que é uma graduação que te dá N opções, você vai achar que vai ser desenvolvedor.
Eu lembro que na minha faculdade eram 50 pessoas, onde 10 eram mulheres, e as mulheres que entraram ali, eu saí com outra perspectiva. Então, eu acho que esse lugar de não ter tantas mulheres hoje, iniciando a carreira já, a gente tem até muitas empresas fazendo essa pesca, de aqui a gente está criando uma pessoa desenvolvedora, várias afirmativas, mas é difícil encontrar, porque a gente não vai lá na raiz falar assim, olha, gente, vocês estão se formando, essa profissão tem esses leques aqui de oportunidades, não é só para desenvolvedor.
Tem um ponto interessante nisso que, na minha casa, na turma de faculdade, éramos 123 alunos, faculdade de tecnologia, e tínhamos, sei lá, cinco mulheres, seis mulheres. Dessas cinco, seis mulheres, pouquíssimas permanecem na área de produto hoje, pouquíssimas. Então, tem um aspecto interessante que se a gente começar a olhar do ponto de vista da evolução, mulheres estiveram significativamente conquistando espaço de inovação ao longo da história, criando produtos tecnológicos, liderando produtos tecnológicos. Então, a gente não pode esquecer o espaço que a gente conquistou até o momento que os homens, a indústria, começou a contar pra gente que a gente não era parte daquele lugar e que o nosso lugar era um lugar de cuidado e não de inovação.
Então, é importante demais a gente olhar por essa perspectiva de prisma porque a gente não pode deixar que isso se repita pras gerações do futuro, pras mulheres do futuro. E mulheres hoje em dia estão consumindo produtos que são feitos por outras mulheres ou por times mais diversos. Tem várias pesquisas que contam que as mulheres estão mudando o seu padrão de consumo. Então, nada mais justo do que a gente comece a criar produtos, que mulheres comecem a criar produtos que impactam mais mulheres.
E aí, junto disso, eu queria começar a dar algumas dicas. O que a gente pode começar a adotar as pessoas que estão passando por esse momento de transição de carreira, as mulheres que estão tentando sair de um lugar, de uma empresa onde a gente começa só a olhar pra projeto e começar a trabalhar com a empresa, fazer um viés de produto, e a gente pode começar a fortalecer nesse espaço de mulheres na criação de produtos no mundo.
Eu acho que a gente deveria procurar espaços onde promovam ambientes mais diversos, mais inclusivos, pra gente se sentir mais apoiada nesse processo de transição de carreira. Eu acho que isso é fundamental pra gente enquanto mulher. Não adianta eu querer transitar minha carreira num lugar onde eu não tenho espaço pra isso, onde eu possa crescer, onde eu possa ser quem eu for e ter as minhas falhas nesse percalço. Eu acredito que a gente tem que construir um lugar onde a gente precisa e pode demonstrar vulnerabilidade. Porque, criar produto nada mais é do que ser vulnerável pra um monte de usuário. É você testar pequeno, é você botar um negócio no ar que você não tenha certeza que vai funcionar da forma como você espera que aqueles usuários se comportem.
Primeiro eu acho o seguinte, entra na comunidade de mulheres de produto. Começa por aí. Você quer virar uma mulher de produto? Entra na comunidade de mulheres de produto, porque lá a gente tem uma rede de apoio pra te ajudar nessa transição. A gente tem mulheres que estão iniciando, mulheres que estão no meio do caminho, mulheres que já são mais maduras e experientes, que tem um pouco mais de repertório.
Segundo passo, arranja uma mentora. Minha mentora de vida, Andressa Chiara, que me mentora desde 2013. Aproveitem, se vocês tiverem mentores, aproveitem pra gente reconhecer mulheres que nos ajudaram, nos mentoraram. Arranja uma mentora, porque essa mentora, quando você for bater papo com a mentora, eu sei que você vai estar perdido ali, mas tenta entender o seu objetivo, onde você quer chegar ali com aquele papo, no primeiro momento. Depois que você estiver com essa mentora, você vai conseguir se sentir um pouco mais segura pra fazer isso que a Samira trouxe, que é procurar os espaços aonde você é bem-vinda, onde tem uma maior diversidade de mulher. Juntas a gente vai mais longe. Sozinho não é legal, sozinho dói.
Se eu soubesse antes sobre mentoria, acho que eu fui muito na raça, a gente vai tentando, a gente vai buscando informação, conteúdo, blogs, pra gente ler, seguir as pessoas de produto, o que eu vejo de conteúdo que as pessoas de produto colocam, principalmente no LinkedIn. Só que mentoria não tem nada mais efetivo do que mentoria, porque a mentoria é a prática, e aí a gente aprende muito mais, nosso cérebro aprende muito mais pela prática, pela vivência de alguém, do que pela teoria. A teoria, ela é ótima pra você absorver, você precisa dela, ela é a base, mas você vivenciar, você trocar com alguém que vivencia aquilo, inclusive pra você entender se é de fato aquilo que você quer, que eu acho que tem uma questão de também você entender se é aquele desafio que você quer, é a melhor coisa.
Tem um ponto muito interessante nisso, que tem diversas comunidades, e a gente acabou de falar da comunidade de mulheres de produto, onde eu tenho mulheres que estão no momento de transição de carreira, eu tenho mulheres que já estão em cargos mais altos das organizações, estão ali dedicando seu tempo pra orientar e apoiar outras mulheres. Então, pra mim, comunidade, senso de comunidade é importantíssimo nesse processo de transição de carreira.
Mas, nem tudo é amor. Tem hora que o tempo fecha. Tem hora que o negócio dá problema. Eu queria que a gente contasse também coisas que nós já fizemos de errado nessa nossa transição e nessa nossa vida de mulheres de produto. Porque, uma coisa que é certa aqui é que eu erro, e eu erro pra caramba. Mas o grande lance é a nossa adaptação, a nossa capacidade de ser uma mulher e a gente conseguir reconhecer esse erro e dar o próximo passo pra dar o próximo acerto.
Eu passei muito tempo fazendo uma tela de login. Eu lembro até hoje de um projeto que ele era muito importante, tinha entregas contínuas, e eu comecei pela tela de login. A gente gastou muito tempo investindo na tela de login e como fazer a melhor tela de login e como entrar. Escolhi a fatia errada pra começar, mas era aquilo. Eu não tinha naquela época, era justamente a época da transição. Não tinha o conhecimento, não tinha feito os cursos ainda. O primeiro curso que eu fiz foi o da K21, na época era o CSPO. Abriu pra caramba a minha cabeça quando eu fiz o curso. Falei, meu Deus, eu comecei pelo lugar errado. E aí eu vi que eu não tinha começado pelo essencial, que era exatamente o core que entregava o valor do sistema, do que o usuário precisava. Quando chegou naquela fase de fazer o que o usuário precisava, a gente gastou muito mais tempo ainda. Então, demorou demais a entrega de valor e eu comecei pela tela de login. Eu devia ter começado por onde ele já podia ver o resultado.
Teve aquele que eu falei no início, que é voltar todas as jornadas, esquecer que tinha uma pessoa no meio do caminho e ela era a principal e ia mexer ali. Tem um que vem quando a gente comete de novo. E aí, imagina quando você tá trabalhando com produtos internos. Produtos internos são aqueles produtos que tá dentro da empresa, e o usuário é um outro micro serviço, é um outro time. Não necessariamente é o usuário final. E aí, quando você vai fatiar produtos internos? Todo mundo já passou por isso. Pra ter a entrega de valor de um produto interno, às vezes é necessário fazer pedacinhos de vários micro serviços e não só um. E aí você fica naquele lugar, a gente pode fatiar só pelo micro serviço lá, depois pelo micro serviço dele, mas você só vai estar em produção quando os três micro serviços estiverem prontos. E, normalmente quando você tem um produto interno, é uma equipe pequena, de três, quatro pessoas no máximo. E que se for ver quatro pessoas ali no máximo, ele não consegue, de fato, fazer uma entrega de valor fatível daquela plataforma, daquele micro serviço, em uma sprint.
O meu também era produto interno. Então eu tenho exatamente isso, a dificuldade de fatiar e de fazer as pessoas entenderem como fatiar um produto interno é mais difícil ainda.
Eu ignorava os feedbacks dos meus clientes. Já cheguei nesse lugar, de que eu ignorava os feedbacks dos meus clientes. Tipo, o cliente tava dando feedback e eu falei assim, não, vou resolver isso depois. Bora botar o negócio em produção aqui, depois eu olho o feedback dos clientes. E aí uma sprint passava, duas, três. Não cometam esse erro básico de principiante. Por favor, escutem os feedbacks dos usuários de vocês durante o processo de desenvolvimento do seu produto, porque isso é essencial pra você dar o próximo passo.
Tem mais um aqui. Quem aqui já começou a criar produto sabendo como que o mercado se comportava, como que os concorrentes se comportavam, qual era a maior necessidade das pessoas que iriam utilizar aquele produto? Porque eu demorei muito pra conversar por esse aspecto.
Acho que desde o início da minha carreira, eu tive a sorte de trabalhar com produtos que estavam sendo lançados no mercado. Por exemplo, quando eu tava lá em Belém, tava surgindo nota fiscal eletrônica pra lá. Depois que eu falei, eu preciso ficar eletrônica. Como que a gente vai fazer esse negócio? Trabalhei num pedacinho desse produto lá.
Mas, por exemplo, a última foi o PIX. Eu tava na Pags ainda e aí eu e mais um time, um enorme de gente, boa pra caramba, desenvolveu o PIX e naquele momento lá em 2020, no meio da pandemia. Como que as pessoas iam ser recebidas? Era confiável? Não era confiável? Ia dar certo? Os bancos não queriam, os adquirentes não queriam porque o PIX era de graça e todo mundo pagava por TED. E aí, você não podia, no final de semana, mais dizer assim, chegou o churrasco, ah, segunda-feira eu te transfiro. Não, dá pra fazer agora, porque agora tem PIX. E esse foi um momento de muitas empresas de como que o mercado ia aceitar. Tanto que o mercado aceitou, depois do tempo que passou a confiar hoje, que o ticket médio dele é maior do que o de cartão de crédito.
Vamos lá, tá acabando a nossa live. E eu não queria que a gente terminasse a live nesse clima de erro. Queria que a gente terminasse a live com o nosso clima de orgulho, porque errar faz parte do processo e a gente tem que se orgulhar de errar também. E aí, o que que vocês mais se orgulham nessa jornada enquanto mulheres de produto?
Nossa, essa é difícil porque acho que tem vários trechos da jornada que faz com que chegassem até aqui. A gente olhar em retrospectiva, a gente fala nossa, quanta coisa que a gente não fez pra chegar até aqui. Pra mim, tem muito com gratidão, tem a ver com agradecer também as pessoas que passaram pela minha jornada e contribuíram.
Hoje em dia eu trabalho mais em amplitude, mentorando os POs. Então, como consultora principalmente, dentro dos clientes que eu mentoro os POs pra que eles consigam fazer as entregas e eles consigam mostrar os resultados dos produtos que eles estão gerando. Então, acho que eu mergulho bastante recentemente nesse cliente que eu tô. A gente tá fazendo entregas constantemente, o ciclo diminuiu bastante. São produtos financeiros, então é difícil entender a complexidade do mercado financeiro e colocar produtos rapidamente na mão das pessoas pra conseguir ter um bom time to market. Então, hoje em dia, estão fazendo entregas a cada 45 dias, e eu tô muito orgulhosa de tá mentorando eles, ajudando eles com isso, ajudando nos materiais, nessa interlocução com a diretoria, com os stakeholders e com o cliente, a medição desses KPIs, de resultados de negócio também tá sendo bem assertivo. Então, eu acho que o legal é isso. É ver o resultado, talvez mais em amplitude, porque hoje eu tô atuando mais no nível de amplitude, mas conseguir ver as pessoas realizando isso tendo feedbacks muito positivos, e o trabalho delas sendo reconhecido, acaba me dando um calorzinho no coração porque acaba sendo um trabalho de liderança de produtos que eu faço hoje.
Quando eu olho lá pra trás e lembro daquela menina fazia quadro Kanban no isopor e colocava nas squads, que nem era squads que a gente amava, era time. Mas muito num lugar de tentar engajar as pessoas pra que elas entregassem mais, pra que elas estivessem mais felizes, porque o ambiente não era tão legal, era meio caótico, meio difícil de lidar. Fazer um Kanban, rolar, acontecer sozinha, porque você sabe que é difícil. E quando você é sozinha dentro de um todo que ninguém é. E olho pra hoje, pra uma pessoa que é referência pra outras mulheres. É difícil, às vezes, a gente aceitar que as pessoas olham pra gente como referência. Mas, sim, sempre tem mulheres que chegam comigo e falam, ai, você é uma referência, eu me espelho em você.
E eu tô ali na comunidade Mulheres de Produto fazendo a comunidade andar junto com outras mulheres. E isso é importante, que a gente cria um ambiente seguro. As mulheres choram, falam assim, eu precisava estar aqui, eu precisava ouvir, eu precisava estar nesse lugar falando com vocês. Isso é importante pra mim também, enquanto pessoa dentro da minha carreira.
O que eu mais me orgulho é ver mulheres com as suas conquistas pessoais, inspirando outras mulheres, criando produtos pra resolver problemas de outras mulheres, produtos que são resilientes, mulheres resilientes, com apetite da mudança, contribuindo todos os dias pra inovação. Então, isso é minha vida. Pra isso que o Product Bootcamp existe, pra gente conseguir fazer com que mais pessoas, mais mulheres consigam conquistar esse lugar, de inovar esse mundo, de ser mais resiliente, de conquistar novos espaços.
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Aprender deixou de ser evento. Virou estratégia. Neste episódio do Love The Problem, Rafaela Fonseca recebe Paulo Guidugli (Sócio na Gupy) e Iohanna Roader (Especialista em Produtos Educacionais na Nower) para uma conversa provocadora sobre o futuro da educação corporativa em um mundo de IA, mudanças aceleradas e carreiras não lineares. Eles abordam: • O que é Educação Corporativa de verdade ou só distribuição de conteúdo?• Tendências para o futuro da educação além da hype• Como a IA já está transformando empregos e habilidades?• Que mentalidade líderes e RHs precisam desenvolver agora? Uma troca sobre aprendizagem contínua, transformação de carreira e o papel estratégico do RH na geração de resultados. Dê o play e provoque o futuro com a gente. 🎧
- Ep. 176 - Navegando nas águas da gestão de produto
O mundo da gestão de produtos pode parecer vasto e misterioso para quem está apenas começando. Mas não se preocupe, estamos aqui para ajudá-los nessa jornada! Neste episódio, convidamos dois especialistas, Iohanna Roeder (https://www.linkedin.com/in/iohanna-roeder/) e Rodrigo de Toledo (https://www.linkedin.com/in/rodrigodetoledo/), para discutir os primeiros passos na carreira de gestão de produtos. Iohanna e Toledo compartilham insights valiosos, dicas práticas e histórias inspiradoras de suas próprias jornadas na gestão de produtos. Mas isso não é tudo! Também exploramos o Product Bootcamp (https://k21.global/lp/product-bootcamp) da K21 Educação (https://k21.global/br/), uma iniciativa que pode acelerar o seu crescimento na área. Solta o play! Aproveita e se conecta tembém com a gente lá na comunidade do telegram (https://t.me/lovetheproblem) e conta pra gente o que vocês acharam. Referências: Ep.165 - Métricas para Gestão de Produtos (https://open.spotify.com/episode/3KNO1w0w6NcUotdB3kG5aW?si=KDeV9-nwShOqNYCnsFHkzQ)
- Ep. 165 - Métricas para Gestão de Produtos
No episódio de hoje, convidamos dois experts em gestão de produtos, Andressa Chiara (https://www.linkedin.com/in/andressachiara/) e Marco Dubovski (https://www.linkedin.com/in/dubovski/), para discutir um assunto essencial: a importância das métricas na gestão de produtos. Eles vão compartilhar suas experiências e insights sobre como as métricas são fundamentais para medir o sucesso de um produto, tomar decisões estratégicas e impulsionar o crescimento. Se você quer levar sua carreira de produto para o próximo nível, não pode perder esse episódio! Fica até o final do episódio para ouvir o convite incrível que eles fizeram pro workshop que vai rolar. Clica aqui pra saber mais! (https://k21.global/br/treinamentos/workshop-metricas-para-gestao-de-produto#:~:text=Como%20%C3%A9%20o%20Workshop%20M%C3%A9tricas,produto%2C%20alavancando%20a%20sua%20carreira.) Aproveita e se conecta com a gente lá na comunidade do telegram (https://t.me/lovetheproblem) e conta pra gente o que vocês acharam.
- profissões à prova de crise
Artigo: https://forbes.com.br/carreira/2022/10/5-profissoes-a-prova-de-crise/ Referências https://k21.global/lp/product-essentials https://k21.global/lp/certified-exponential-leader https://k21.global/br/treinamentos Ah, segue a gente no Instagram também: https://www.instagram.com/lovetheproblem/