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Ep. 130 - Comunidades, carreira e conexões
Ep. 130

Ep. 130 - Comunidades, carreira e conexões

29 de agosto de 202200:57:47
Agilidade
Carreira
Educação
Pessoas

Resumo rápido

Quatro voluntários da Agile Brasil 2022 — Cleide, Pablo, Carol e o host — compartilham como comunidades de agilidade transformaram suas carreiras de forma profunda e pessoal. O episódio desmistifica o networking como mero adicionar no LinkedIn e mostra que conexões verdadeiras, construídas em eventos, corredores, happy hours e conversas de uma hora, podem redirecionar trajetórias profissionais inteiras. A mensagem central: a comunidade abraça, acolhe e devolve, e participar dela é um investimento que rende para a vida toda.

Capítulos

  1. 00:06Networking: além do LinkedIn frio
  2. 01:54A Agile Brasil que formou a Cleide
  3. 06:31A mudança de carreira da Carol em Campinas
  4. 12:45O Open Space que mudou a trajetória do Pablo
  5. 17:20Uma mensagem no LinkedIn que mudou a carreira da Cleide
  6. 24:56Conexões verdadeiras versus networking superficial
  7. 47:28Devolver para a comunidade: submeter palestras e workshops

Frases do episódio

Mas esse negócio de networking, eu sempre fico pensando, eu já pensei sobre isso algumas vezes, que parece muito interesseiro, sabe?

00:06

Essa pessoa. Será que se eu adicionasse a pessoa no LinkedIn. E mandasse uma mensagem. Essa pessoa vai me notar? Eu que sou ninguém aqui. Como é que isso vai acontecer?

17:20

Conversativa, às vezes, é extremamente puxado. Mas você pensa... Putz, eu estou fazendo isso com uma galera foda pra caralho, né, velho?

19:40

O que você vai ouvir neste episódio

  • Carol Serpejante, Pablo Bender e Cleidi Silva compartilham como a participação na Agile Brazil transformou suas trajetórias de carreira no mercado.
  • A importância do desenvolvimento de networking e da construção de relacionamentos profissionais dentro de eventos da comunidade ágil.
  • A troca de experiências práticas entre profissionais como catalisadora para o aprendizado contínuo e a evolução profissional.
  • O papel das conferências e eventos presenciais na criação de redes de apoio e colaboração na área de tecnologia.

Temas discutidos

O episódio aborda a relação entre o engajamento em comunidades de prática e o desenvolvimento profissional contínuo. No contexto da agilidade e do aprendizado organizacional, a participação ativa em eventos como a Agile Brazil proporciona a troca de saberes e o fortalecimento de redes de contato. Essas interações colaborativas impulsionam o crescimento de carreira, estimulam a inovação nas empresas e aceleram a disseminação de boas práticas de gestão, cultura e liderança no ecossistema de tecnologia.

Para quem é este episódio

Este conteúdo é ideal para praticantes de agilidade, líderes de equipe e profissionais de tecnologia que buscam acelerar seu desenvolvimento profissional. Também beneficia pessoas em transição de carreira que desejam expandir sua rede de contatos e entender como a participação ativa em comunidades pode gerar novas oportunidades no mercado.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

Como a participação em eventos como a Agile Brazil pode impactar uma carreira?

A participação em eventos do setor permite acesso a conhecimentos práticos atualizados e amplia o networking profissional. Além das palestras, o contato com outros profissionais possibilita a troca de experiências reais, a descoberta de tendências do mercado e a abertura de portas para novos caminhos na carreira.

Qual é o papel das comunidades de prática no desenvolvimento de profissionais?

As comunidades funcionam como um ambiente contínuo de aprendizagem e apoio mútuo. Nelas, os participantes compartilham desafios, validam ideias e trocam aprendizados do dia a dia. Esse ecossistema acelera a evolução técnica e comportamental, além de fortalecer a sensação de pertencimento e colaboração entre especialistas do mercado.

Quem são os convidados e quais tópicos foram abordados neste episódio?

O apresentador Panda recebe Carol Serpejante, Pablo Bender e Cleidi Silva. Durante a conversa, eles debatem como as conexões humanas, a participação na conferência Agile Brazil e o envolvimento com comunidades de agilidade foram fundamentais para redirecionar e impulsionar suas jornadas profissionais, gerando aprendizados duradouros para suas trajetórias.

Sobre este episódio

O episódio 130 do Love the Problem reúne Cleide, Pablo, Carol e o host para discutir como comunidades de agilidade — com destaque para a Agile Brasil — transformam carreiras de forma profunda e pessoal. A conversa parte da crítica ao networking frio do LinkedIn e se desdobra em histórias reais de mudança de trajetória: Carol migrou para a agilidade após uma conversa com Mari Graff em 2018; Pablo criou uma rede de conexões a partir de um Open Space casual proposto pelo Lula na entrada do evento; Cleide decidiu trabalhar com agilidade depois de uma hora de conversa com Rafael Albino, iniciada por uma mensagem no LinkedIn. O episódio desmistifica o networking como mero acúmulo de contatos e o reposiciona como construção de vínculos sinceros, construídos em corredores, happy hours, Open Spaces e conversas de uma hora. A Agile Brasil 2022, em Porto Alegre, é apresentada como um ecossistema completo — palestras, workshops, Mentor e Corner, trilhas, Open Space — onde a conexão acontece em todos os espaços, não só nas salas. Os convidados enfatizam que a comunidade acolhe: quando alguém não consegue, a resposta é empatia, não julgamento. A mensagem final é de reciprocidade: quem recebeu da comunidade deve devolver, seja submetendo uma palestra, participando de um comitê ou simplesmente se conectando de verdade com as pessoas. Participar de uma conferência é tratado como investimento de carreira, e a comunidade convida a audiência a se inscrever, se envolver e, acima de tudo, se conectar de forma genuína.

Transcrição completa

Mas esse negócio de networking, eu sempre fico pensando, eu já pensei sobre isso algumas vezes, que parece muito interesseiro, sabe? Você adicionar uma pessoa no LinkedIn de uma forma tão fria assim. Uma coisa que eu odeio, quando me adicionam no LinkedIn não dizem nada, absolutamente nada. Me manda uma mensagem falando, oi, vi você não sei aonde, gostaria de trocar uma ideia ou de, sabe? De qualquer coisa pra entender porque que é aquela conexão, o que que a gente pode trocar ali. E todas as outras pessoas que na Agile Brasil, sabe? É importante saber porque que estão te adicionando no LinkedIn. Eu acho importante isso.

Eu sou agilista, tenho pouco tempo. Sou formada em publicidade e propaganda, mas nesse mundo da agilidade. E a Agile Brasil tem uma parcela de culpa imensa em eu ter me tornado agilista e eu ter aprendido tanto de coisa que eu aprendi até hoje. Porque todas as coisas que eu sei, todas as pessoas que são muito próximas de mim hoje, elas vieram de alguma forma por conta da Agile Brasil.

Eu conheço a Agile Brasil desde 2012. Participei da organização de um em Florianópolis, em 2014. E sempre tive, nesse lugar que eu acho bom, que é a comunidade. O networking é um negócio, o aprendizado, a troca que a gente tem. Eu tenho 20 anos na TI. A agilidade é uma coisa que salvou a minha vida, a minha carreira, no sentido de gostar do que eu faço hoje. Eu sou o agilista desenvolvedor. Eu vivi o cascata. E quando eu comecei com a agilidade, em 2010, mais ou menos, eu ajudei a botar o MPSBR numa empresa e ajudei a tirar, botando Scrum. E isso mudou o meu jeito de pensar. A maneira de ver como que você produz, como que você identifica uma cadeia produtiva, voltou tesão a minha carreira. O que eu fazia que era desenvolver software, com as pessoas na volta, tendo colaboração, tendo gente conectada, trocando, e realmente fazendo o negócio rodar.

A Agile Brasil também salvou minha carreira. Tava querendo migrar de área. Na época eu trabalhava com produtos. Já tinha feito migração de carreira pra produtos. Tava inserida na comunidade até o último fio de cabelo, sem nem perceber. Percebi na Agile Brasil de 2018, em Campinas. Foi quando eu fui pela primeira vez. Fui palestrar, porque não tinha dinheiro pra frequentar a Agile Brasil. Eu estava lá, mas eu era muito caipira. Não trabalhava com agilidade ainda. Estava trabalhando com produto, estava bem inserida na comunidade. Já conhecia o Tiago Soares, Mari Graff, a Érica. Estava querendo migrar, querendo sair do meu emprego atual, indo pra uma área de produto, mas meio que sem certeza de que era isso. E aí acabei ficando na empresa onde eu estava e voltando pro meu time anterior, na redação, como jornalista. E aí comecei a trabalhar com agilidade porque já tava enfiada na comunidade até o último fio de cabelo. Falei: vou aproveitar essa chance pra aplicar tudo que eu entendi, tudo que eu conheci, tudo que eu ouvi dessas pessoas. E isso me deu coragem pra submeter palestra. Era a minha chance de ir pra Agile Brasil. A empresa não ia me pagar, eu não tinha como pagar. Pedi carona pro meu marido. Fui no Caipira Ágil no mesmo ano. Foi o primeiro Caipira que eu fui.

Criei coragem, submeti palestra, e passou. Consegui ir pra lá. E foi por causa da Agile Brasil de 2018 em Campinas que eu comecei a trabalhar com agilidade. Foi lá que eu decidi migrar de carreira definitivamente. Conversando com a Mari Graff, tentei conversar com ela. Falei: eu acho que eu quero trabalhar com isso. Aí ela falou: eu acho que você deveria. Eu não tenho vaga lá no PagSeguro, mas eu tô ligada que o Thiago na Exinvest tem vaga. Eu acho que eu deveria falar com ele. Aí tava conversando com a Mari Graff, saí, encontrei o Thiago. Falei: Thiago, vamos almoçar? Aí ele falou: vamos, amanhã. Era tipo domingo. E foi assim que eu ingressei na área. E tô aí até hoje. Se não fosse isso, eu não sei como que eu teria feito.

Nós quatro estamos participando da Agile Brasil 2022 de alguma forma. Somos voluntários na Agile Brasil, que vai ser em Porto Alegre, dos dias 5 a 7 de outubro. A Agile Brasil de 2018, lá em Campinas, foi o primeiro que o Lula me convidou pra fazer um Open Space com ele. Eu tinha acabado de conhecer o Lula, tinha acabado de chegar nesse universo de agilidade. Eu trabalhava lá com a Mari Graff, com a galera do PagSeguro. E de repente, o Lula, literalmente na entrada do evento, falou: ai que bom que você está aqui, vamos fazer um Open Space sobre a diferença entre o Lincoln, o David Jensen e o Lynn da Toyota. E saiu andando com aquilo. Eu nem sabia o que era Open Space. Eu guardo o post-it até hoje. Eu tenho esse post-it aqui ainda, guardo com uma boa recordação. Como isso mudou minha perspectiva de carreira naquele momento. Eu já estava num cargo no PagSeguro, já tinha sido uma oportunidade incrível que tinha acontecido na minha vida. Mas isso fez com que eu criasse uma rede de conexões que estão impactando a minha carreira até hoje. Não foi pontual, não foi uma parada de arrumar um emprego. É isso que a gente quer desmistificar do networking. Que a Cleide falou do LinkedIn, da agilidade, do jornalismo. O evento pode proporcionar esse grau de conexão. Eu frequentava todos os eventos que vocês possam imaginar que tinham em São Paulo sobre agilidade. Tudo eu estava. E no primeiro evento que eu fui, fui palestrando, tive uma facilitação visual do Anderson e arranjei um emprego. Olha esse combo. Pensa que é networking. Quando a Cleide fala que networking não é adicionar no LinkedIn, é esse grau de coisa que a gente tem que fazer. O evento pode proporcionar. Eu sei que tem oportunidades que estão surgindo na minha carreira que aconteceram por contatos desses. A gente estava falando do Joe Yoder, que é um amigo muito querido, um consultor incrível. Ele me apresentou várias pessoas lá. Porque ele já estava inserido na comunidade no Brasil. E essa rede vai se estabelecendo. E ela é um vínculo sincero e verdadeiro. Ele é diferente, é simplesmente virtual. Você pode estabelecer ótimas conexões. Às vezes você vai mandar uma mensagem para a pessoa e a pessoa fala: claro, marca uma reunião aí, vamos bater um papo. Porque pode acontecer em outros lugares. A gente está instanciando essa oportunidade dentro da Agile Brasil, porque é um evento da comunidade para a comunidade. A galera da comunidade participa ativamente. O grupo de voluntários é incrível. Cada um usa sua habilidade, sua skill, para fazer o negócio acontecer de uma forma muito incrível. Eu tenho um carinho especial pela Agile Brasil. A conexão pode se estabelecer também a distância.

Em 2020, eu estava trabalhando como pipeline, sem me formar como RH. E aí eu comecei a acompanhar mais o time de desenvolvimento. E o time falava muito sobre entregar pontos. E estava falando com um amigo meu, o Daniel, e ele falou: assiste a Agile Brasil remoto, participa, assiste. E nesse Agile Brasil Caravana, eu conheci muita gente. Eu conheci gente que eu falei: essa pessoa, será que se eu adicionasse a pessoa no LinkedIn e mandasse uma mensagem, essa pessoa vai me notar? Eu que sou ninguém aqui. Como é que isso vai acontecer? E uma dessas pessoas que eu adicionei foi Thay Sales, que hoje é minha mentora maravilhosa. E outra pessoa foi o Rafael Albino. Adicionei ele, mandei uma mensagem, falei um pouquinho sobre essa questão de pontos. E a melhor parte disso foi que o Albino não só me respondeu no LinkedIn, como ele falou: velho, que dia que fica melhor para você, para a gente bater um papo aí? Reserva uma hora, que a gente troca uma ideia. Eu já sabia quem que era Albino na comunidade. Eu já tinha visto o livro de Albino. E eu falei: meu Deus do céu, o que está acontecendo aqui? Quantas horas tem no dia dele? Por que ele está fazendo isso comigo? Ele não me conhece. Eu fiquei muito em choque. E a gente passou uma hora conversando. O papo rolou. Ele estava lá pontualmente no horário marcado. E a gente trocou uma ideia muito legal. Eu não tinha noção das coisas que eu tenho hoje. Ele falou: já tentou olhar por outra perspectiva? Talvez. Talvez. Talvez. Você troca uma ideia com as pessoas. Eu estou aqui conversando com outras três pessoas que eu admiro pra caralho. E você vê na cara dessas pessoas que elas realmente querem estar ali, que elas estão curtindo bater aquele papo. E isso é muito legal na comunidade. É uma coisa que você simplesmente não consegue medir. É como o seu coração fica de estar nessa comunidade, é como o seu dia fica de poder participar dessa comunidade. Conversativa, às vezes, é extremamente puxado. Mas você pensa: putz, eu estou fazendo isso com uma galera foda pra caralho, né, velho? Talvez esse trabalho que eu estou fazendo aqui vai impactar a vida de outras pessoas. E eu ainda nem tenho ideia disso. Eu falei para o Albino, alguns meses atrás: velho, eu não sei se você sabe, mas eu decidi trabalhar com agilidade depois daquele nosso papo. E ele ficou tipo: putz, que foda, não sabia disso. Então, ele não fez querendo algo em troca. Mas a uma hora do tempo que o Albino decidiu dedicar para trocar uma ideia comigo mudou a minha carreira. Eu não tinha ideia de que agilidade era uma coisa que eu podia seguir, que eu podia fazer. E mudou a minha carreira no nível que hoje eu amo muito o que eu faço. As pessoas tentam me convencer a mudar de área. Eu falo: não quero, eu amo agilidade, eu quero continuar trabalhando com agilidade. E eu sei que eu ainda tenho tanta coisa para aprender, tanta gente foda para trocar ideia, tanta Agile Brasil para participar e para ajudar a construir, que eu vou ficar aqui por muitos anos. Não tentem me convencer a sair daqui.

Agilidade não é só para fazer software. A gente tem agilidade na saúde, na publicidade. A gente consegue aplicar porque é um mindset diferente. A Agile Brasil é a conferência mais tradicional. Não é mais a maior, mas é a mais tradicional por causa disso. Mas a comunidade, ao mesmo tempo que você tem isso de auxiliar todos os anos, você vai e volta também, dentro da sua condição. Você se entrega, envolve-se. Vale muito a pena. E se tiver com muito trabalho, porque todo mundo tem, que dá o leite das crianças, às vezes não cabe na nossa caixa. A gente se afasta, depois a gente volta. E esse é o negócio. A comunidade é incrível. O jeito ágil de pensar de todas as comunidades é que faz essa diferença. Quando você participa das comunidades, é que você fala: realmente, as pessoas fazem a diferença. Os mandamentos do manifesto, você vê que isso é o que faz a roda girar. Se você não está podendo, vá também. Compra no Early Bird, dá um jeito. Porque se não tiver o público também, não tem a conferência. A gente não consegue viabilizar, não consegue trazer essas pessoas. O evento realmente precisa dessa movimentação de pessoas: voluntários, pagantes, patrocinadores. Cada um se compromete com o tanto que pode, cada um dá aquilo que tem.

Foi a primeira conferência que ela participou. Ela olhou e falou: talvez eu consiga ajudar aqui, eu quero ajudar, eu tô afim. Não precisa ser uma grande coisa. Você não precisa ser uma pessoa super foda na comunidade pra contribuir. Porque tá todo mundo querendo contribuição, tá todo mundo muito feliz de te ouvir, te receber, entender aquilo que você tem a dizer. E a gente cria conexões tão verdadeiras nesses eventos que pode ser que você veja aquela pessoa uma vez por ano. Tem gente que eu só vejo na Agile Brasil. São grandes amigos. Tem pessoas que eu sei que eu vou ver na Agile Brasil, como o Celso Martins. Adoro ver ele na Agile Brasil. Essas conexões são caras e elas perduram. É muito doido. Existe essa diferença do sentimento de um networking pra essa conexão verdadeira. Eu ouvi o Lula falar sobre conexão. Ele falou exatamente sobre essa palavra, de conexões verdadeiras. Quando a gente participa de uma comunidade que é feita com essa intenção, da comunidade pra comunidade, as conexões se tornam muito verdadeiras ali dentro. Não significa que é tudo uma maravilha, porque a gente vive de fato tudo que a gente fala de agilidade num evento como esse. Dá muita confusão, dá muita treta. Mas o que acontece? Um feedback muito rápido. As pessoas integram esses feedbacks, as coisas mudam, evoluem de um dia pro outro, de uma sessão pra outra. A caravana que a Cleide tá falando foi lindo, mas foi um caos. Ninguém tava preparado pra aquilo. Mas a gente enfrentou isso de forma coletiva, com muito feedback. É muito menos sobre falar de agilidade dentro da organização, mas viver isso de fato. É uma experiência muito relevante pra quem participa. A gente quer que as pessoas vivam isso também.

A Agile Brasil exala essa troca. É uma experiência muito relevante, não acontece só na palestra. É diferente de você ir numa conferência pra assistir uma palestra. Tem muita gente que nem entra nas salas da palestra, fica só no corredor. Porque no corredor você encontra um monte de gente, ali você troca. Tem um monte de open space acontecendo ao mesmo tempo, muita troca de conhecimento, muita conexão, mentoria. Se você nunca viu uma conferência com essa característica, que não é só a palestra, se você quiser ir lá só sentar no seu cantinho e só assistir a palestra, tudo bem também. Mas tem muita coisa acontecendo. É um sistema fechado, você entra ali, mergulha lá dentro e tem tudo. Se você vê um bolinho de pessoas, chega ali perto e fala: oi, tudo bem? Prazer. Como é que você se chama? É ali que acontece muita coisa nessas conexões. Procurem o espaço de mentoria, o Mentor e Corner. Se você estiver precisando de alguma dica, algum conselho, seja pro seu trabalho atual ou pra sua carreira, procura o Mentor e Corner. Lá sempre vai ter alguém disponível pra trocar uma ideia. Se você quiser esse formato padrão, reservar uma hora pra falar com uma pessoa que é um guia pra você, isso é o Mentor e Corner. Mas tropeçar na pessoa também funciona, funciona demais. Geralmente funciona melhor.

A gente tem uma keynote todo ano na Agile Brasil. Dois nacionais, dois internacionais e um fora da caixa, cinco keynotes. Os nacionais e internacionais geralmente são assuntos relacionados à agilidade, pessoas que são referências dentro desse universo. Esse ano a gente tem o Lula e o Rafa de keynotes nacionais, e a Rosana Cibora e a Ketty como keynotes internacionais. A keynote fora da caixa é a Natália Frigueto, que é de Porto Alegre, é enóloga, produz vinho em pequenos lotes. Ela vai contar pra gente um pouco de como é esse processo de produzir o próprio vinho. A Cleide tava falando do happy hour. Até no happy hour a parada é muito doida. A Agile Brasil de 2019, que foi em Belo Horizonte, a gente foi pro happy hour depois. Uma galera, tanto da organização, participante, se juntou num bar. E do papo que rolou no bar, saiu uma palestra minha e do Samuel Cavalcante. O papo do bar virou uma palestra que a gente apresentou em dois TDCs, TDC de Porto Alegre e TDC de São Paulo. O Samuca, como um bom facilitador, tinha um bloco de post-it no bolso, sacou, sacou a caneta e facilitou a nossa conversa. E essa facilitação se tornou uma palestra depois de um tempo, pra gente falar sobre melhoria contínua. Coisa que saiu de um happy hour. Eu sei que existem formatos bem individuais de você aproveitar uma conferência. O que a gente tá tentando trazer aqui é que existem tantas possibilidades de você usar essa conferência pra alavancar a sua carreira, alavancar a sua jornada, fazer boas conexões com as pessoas, se desenvolver pessoalmente. Não precisa ser necessariamente profissionalmente. Eu vou assistir uma keynote fora da caixa não porque isso vai mudar, não porque vou botar isso no meu LinkedIn, mas porque fora da caixa vai me trazer uma ideia diferente sobre o mundo, uma visão diferente. A Agile Brasil tem essa característica: independente do seu perfil, você vai encontrar o que você tá procurando. Tem palestras de 30 minutos, palestras de 50 minutos pra assuntos mais aprofundados, workshops, o Mentor e Corner, o Open Space, o bar. Tem tudo. Pra roda girar, a gente tem palestrantes de fora do país que é referência, e pessoas de nível de keynote, e ao mesmo tempo é muito diverso. Cinquenta por cento, no mínimo, das palestras tem que ser com novos palestrantes. A gente tem as trilhas: mão no código, práticas de trabalho, cultura, relato de experiência, produtos. Essas trilhas não acontecem numa sala só. Todas as palestras acontecem em todas as salas. A ideia é que você transite pela conferência, perca uma sala e vá para outra, cruze com pessoas no meio do caminho, passe pelos corredores, tropece em alguém. Você eventualmente encontra alguém que você conheça ou alguém que você reconheça de outros encontros. A ideia que a gente quer passar com a Agile Brasil é essa, da conexão. Não é só você ir lá e gerir uma quantidade de conhecimento e ir embora com esse conhecimento. É você gerar conhecimento também com a gente, contribuir para esse conhecimento, contribuir para essa conexão. É uma relação bem ganha-ganha.

Eu participo de bastante coisa, curto muito a comunidade, acho que vários episódios do Love the Problem eu já falei sobre isso. Eu encontrei nas comunidades um espaço muito importante para mim. Isso vale para todo lugar que você encontrar e que você reconheça como sua comunidade. Pode ser um meetup que você frequenta constantemente, várias outras conferências, eventos, um grupo do Telegram, um canal no Slack de agilidade. Tem coisa para caramba para você encontrar aquilo que faça sentido para você. A nossa dica, usando a Agile Brasil como referência, é do tipo: existe uma forma diferente para você olhar essas conexões. Qual forma que você pode olhar para esses momentos, essas relações, esses encontros e conexões diferentes para a sua carreira? De fato, isso muda a sua carreira. São oportunidades, não é só do conhecimento, é de uma experiência que faz você pensar na vida e que pode mudar essa carreira, que pode fazer sentido para a sua vida cotidiana.

Enquanto pessoa voluntária, eu tinha pensado: eu não sei se vou de Aracaju para Porto Alegre, já fica bem mais caro. E aí eu parei uma noite conversando com a Lara Regiane, e ela falando de como é que era participar. Eu falei: gente, eu não posso deixar de estar lá, eu vou perder muita coisa se eu não for. Porque a Carol falou: a gente encontra uma vez por ano, mas se você não quiser encontrar só uma vez por ano, vem ser uma pessoa voluntária na Agile Brasil porque você vai encontrar toda semana. E aí você vai encontrar pessoalmente uma vez por ano. E é isso que eu estou muito empolgada para fazer. Eu quero encontrar muito vocês pessoalmente, quero abraçar vocês, ficar trocando ideias. Essa magia, essa coisa que acontece, é muito real. São pessoas reais, naturais, não vocês mesmos. Perceber que vocês são pessoas reais, que vocês são naturais, é tipo: putz, agora eu quero ainda mais conhecer vocês pessoalmente. A Agile Brasil permite que a gente tenha essa realidade, tanto nos eventos quanto nas reuniões que a gente tem no dia a dia para fazer isso acontecer. Você se aproxima das pessoas, vê que aquelas pessoas que você admira pra caralho são reais.

Ano passado, a gente teve a Agile Brasil também online. E aí eu tinha que fazer a abertura de um dia. Eu não sabia dessa questão. Eu sou uma pessoa extremamente tímida. Me bota para falar sozinha, eu vou gaguejar até eu não aguentar mais, eu começo a tremer, fico nervosa. E aí eu pensei: não, eu vou. A galera confiou em mim, me chamou, eu vou, eu consigo, eu vou. E aí isso foi de noite, eu topei, e eu não dormi de noite, ando nervosa. Falei: eu não consigo, não dá. Mandei mensagem para a Carol, mandei mensagem para a Jéssica Ferrari, falei: gente, eu preciso de ajuda, alguém faz comigo. E a Carol disse que não podia. E o mais legal, que eu me senti muito abraçada na Agile Brasil nesse dia, foi que as pessoas disseram: está tudo bem, você não é obrigada a conseguir fazer isso. A gente não está te julgando por você não conseguir, por você ter dito para a gente agora que você não consegue. A gente aceita isso, a gente entende que você tem dificuldade, a gente confia na sua capacidade. Mas está tudo bem se você não quiser fazer. Essas pessoas são realmente muito incríveis, porque a empatia que tiveram comigo naquele momento de entender que realmente era uma dificuldade para mim e de não me forçar a fazer aquilo a qualquer custo. Até porque a gente entende que é um trabalho voluntário, que ninguém é obrigado a nada. Mas ainda assim, o jeito que todo mundo tratou a situação, a Carol, a Jéssica Ferrari, que se eu não me engano foi ela que me cobriu, eu fiquei: velho, de verdade, obrigada. É isso da comunidade, que abraça, que entende, que entende as dores de cada um. Você vai doar o tempo que você tem, você vai ajudar do jeito que você consegue. E acima de tudo, as pessoas aqui dentro vão ser transparentes. A Carol vai ser transparente sobre quem ela é, eu vou ser transparente sobre as minhas dores, e ninguém vai me julgar por isso. Ninguém vai olhar para mim e falar: você é uma fracassada, como assim você é agilista e não consegue falar em público por 30 minutos? Isso não aconteceu.

Você está vindo de Aracaju para Porto Alegre, isso não é uma parada barata. Eu lembrei muito da história do Lula, que conta sobre como ele usou o investimento no Scrum Gathering Hill. Ele pensou na participação do Scrum Gathering Hill como um investimento, assim como a gente faz investimento em treinamento, em capacitação, em comprar um curso online. Ele considerou naquele ano que ele veio para o Scrum Gathering Hill como um investimento. A gente fala da conferência, mostra todas essas possibilidades, porque existem formas diferentes que cada pessoa aprende, cada pessoa trata essas relações e conexões. Se você é uma pessoa disso, pense nisso como um possível investimento. Putz, esse ano eu vou lá, vou até Porto Alegre, vou me inscrever, vou participar, vou aproveitar o máximo. Aproveite o máximo, tudo que tiver. Estabeleça suas conexões, aprenda, compartilhe, ensine, crie coisas. Aproveite todo esse evento como um investimento. Se desafie total, tenha uma oportunidade para isso. Às vezes a gente precisa pensar nessa perspectiva também. Isso é um investimento para a minha carreira. Se não deu para participar em 2022, guarda uma graninha para 2023, participa no próximo ano, pega o Early Bird, fica ligado na comunidade. Fala com a sua empresa, pede para a sua empresa comprar. Tem desconto para grupo também. Tenta mobilizar alguma forma de fazer isso acontecer. E se você não souber uma forma e estiver muito afim, fala com alguém da gente. A gente tenta encontrar o caminho, encontrar opções que consigam facilitar isso para você. Pensa nisso como investimento. E se não der para participar esse ano, a gente se vê no próximo lugar. Aproveitar o voluntariado, às vezes, te dá a oportunidade de ganhar o ingresso. Aproveitar os eventos que são gratuitos, os link-offs, esses encontros todos. E aí você já tem oportunidade de se conectar com essas pessoas para ir juntando dinheirinho para ir no evento. Os primeiros Agile Brasil que eu fui, eu comprei no início do ano, eu nem sabia se eu ia palestrar ou não. Então comprei lá quando estava muito baratinho, o mais barato possível. E depois eu resolvo como que eu vou chegar nesse lugar, como que eu vou me hospedar. Tem descontos dos hotéis parceiros da Agile Brasil também.

E eu quero puxar um último assunto para a gente fechar. A gente já falou de coisa para caramba, vários lugares da carreira, possibilidades, conexões, trajetórias, amigos, como a gente pode usar a comunidade. Mas eu queria falar de outro lado também, que é o de como a gente olha a comunidade, da comunidade para a comunidade. Convite também para o próximo ano: você submeter palestra, submeter um workshop, não só na Agile Brasil, mas em várias coisas que acontecem por aí de eventos. Porque eu tenho certeza que você que está ouvindo está vivenciando um case incrível, está participando de uma transformação de uma organização que gera um resultado muito massa que pode ser compartilhado com a comunidade. Com certeza você tem uma prática que você tem vivenciado que é muito positiva, que você pode compartilhar com a comunidade. Tem muita opção, e inclusive opções de vários níveis. A gente fala de poder ter palestras de níveis mais iniciantes, palestras de níveis mais avançados. Tem espaço para todo mundo nesse espectro da nossa comunidade de agilidade. Em 2019 eu estava lá porque eu submeti um workshop de algo que eu estava fazendo lá dentro do PagSeguro na época. E eu estava me pelando de medo porque eu não sabia como isso ia acontecer. Eu sabia fazer no meu universo controladinho. Então eu chamei a Mari Graff, falei: Mari Graff, vem comigo, por favor, vem dar esse workshop comigo. A gente falou de catar de melhoria na Agile Brasil de 2019. A gente fez uma prática com a galera, um workshop muito legal, tive muitos feedbacks legais. Tem espaço para isso na Agile Brasil também, e não só na Agile Brasil, em todas as outras comunidades e eventos que acontecem por aí. Aproveitem, devolvam. Porque ao ensinar você também aprende, você recebe feedback, você vai ter outras conexões, as pessoas vão te conhecer, vão te ver, vão lembrar do seu nome. Isso também é muito importante. Se desafie, porque às vezes dar uma palestra em uma conferência dessa é um desafio, é algo que vai te levar a um desenvolvimento pessoal da sua carreira. Aproveite esse espaço que a comunidade proporciona para você também.

Eu queria agradecer essa conversa. Acho que eu estava precisando falar sobre esse assunto. Esse ano a gente já falou, a gente está na organização da Agile Brasil. Eu acho que eu estava muito exausto, tem muitas coisas acontecendo. E sentar aqui para conversar com vocês restaurou minha fé um pouco no evento, me ajudou a lembrar do que é a Agile Brasil. Depois desses dois anos da gente remoto, foi bom conversar, foi bom reviver esse lugar. Vou chegar lá bem feliz em Porto Alegre. Eu não vejo a hora de ver vocês, vai ser um momento muito legal. Está sendo muito desafiador, a gente está saindo, nem sabe direito se saiu já ou se ainda está saindo dessa pandemia de Covid. Pelo menos nesse sentido, eventos presenciais deu uma freada. Está sendo um desafio. Porto Alegre não é um lugar tão barato, mas eu estou conseguindo. Vou levar minha filha, a Amapola, ela tem 13 anos, ela quer conhecer. Desde que ela se entende por gente, de uma certa forma, eu falo da Agile Brasil. Ela vai ser mascote lá. Em 2012, em 2012 ela tinha três anos. Mas é um momento desafiador mesmo, a gente está saindo de um, estamos tentando criar um novo normal, a gente está nesse processo ainda. Então não é fácil, mas com certeza vale muito a pena. Eu estou aguardando muito esse momento de estar lá na Agile Brasil em outubro, de 5 a 7 de 2022, na PUC.

Eu só tenho a agradecer esse papo, que foi maravilhoso, poder conhecer um pouquinho mais sobre cada um de vocês. Desde que eu conheci a Agile Brasil, eu tenho conhecido muitas pessoas incríveis. E isso tem uma coisa que eu sempre pensei em relação às conexões que eu tenho, que são conexões de verdade. A sorte que eu tenho de encontrar as pessoas que eu encontro durante toda essa trajetória. Se não fossem essas pessoas, eu não teria chegado até aqui. Eu curto muito o lugar que eu estou hoje por conta das pessoas que eu conheci, de tudo que eu aprendi com todas essas pessoas. Desde que o Daniel me falou da Agile Brasil, que eu falei com o Rafael Albino, que eu conheci a Jéssica Ferrari, a Thaís Rigolon, a Thaís Sales, vocês aqui. Eu tenho aprendido tanto com essas pessoas que o mínimo que eu posso fazer é participar de uma reunião, de algum comitê, para devolver para a comunidade tudo que eu recebi da comunidade. Eu sei que ninguém chegou para mim pensando em me tornar uma super agilista. Elas só estavam tentando ajudar, ou retribuir de alguma forma, ou fazer isso que o Pablo estava falando de compartilhar conhecimento. Mas tudo isso tem um impacto muito grande na vida das pessoas. Hoje a agilidade é uma coisa que eu amo falar. Eu saio dia de sábado para o bar com os meus amigos e estou falando de agilidade, e eles estão tipo: Cleide, você poderia por favor falar de outra coisa? Então eu descobri que realmente é algo que eu amo. Quando eu estou entediado, eu penso: vou escutar um podcast, vou limpar a casa escutando uma K21. A Agile Brasil e a agilidade me salvaram de muitas formas e continua me salvando de muitas formas. Tudo que eu tenho para fazer em relação à Agile Brasil, a todas as pessoas, é agradecer e falar: participem disso, participem, estejam com essas pessoas, se conectem com essas pessoas. Mas se conectem de verdade. Não se conectem pensando: vou adicionar a Carol porque ela vai me arrumar um emprego. Vou adicionar a Carol porque ela é foda pra caralho, eu quero conversar sobre qualquer coisa com a Carol, eu quero trocar uma ideia com as pessoas. Vamos se conectar, vamos sair para tomar uma cerveja, vamos sair para falar da vida, ficar fazendo nada, falar de agilidade ou de qualquer coisa. Vamos para a Agile Brasil, vamos fazer isso pessoalmente. O negócio é tão verdadeiro que já tem um episódio no Love the Problem que fala sobre a Agile Brasil, é de 2020, com a Mari Graf, com o Merson Hernandes e com a Céssia Fernandes, falando um pouco mais sobre a Agile Brasil, as histórias antigas e tudo mais.

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