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Ep. 118 - Errar faz bem e a gente gosta!
Ep. 118

Ep. 118 - Errar faz bem e a gente gosta!

16 de maio de 202200:53:42
Agilidade
Educação
Pessoas

Resumo rápido

O palhaço e empreendedor social Pablo Tavares conversa com os hosts Raquel e Antony sobre como a palhaçaria ensina a acolher o erro, viver o presente e reencontrar a criança livre interior, e como isso pode transformar relações, criatividade e cultura no ambiente de trabalho.

Capítulos

  1. 04:21Abertura: o erro que já aparece antes mesmo de começar
  2. 05:15A jornada de Pablo: de bancário a palhaço profissional
  3. 08:54O que é ser palhaço: presença e a criança livre
  4. 16:44O erro bem-vindo cria conexão no ambiente de trabalho
  5. 17:34O case Whirlpool: virar o jogo brincando de forca
  6. 28:51A origem da palavra erro: andar sem destino
  7. 45:04Dicas finais para fazer as pazes com o erro

Frases do episódio

“a qualidade da intervenção jamais vai ser maior do que a qualidade interna do interventor”

18:21

“Inovação é a criatividade emitindo nota fiscal.”

27:34

“o erro, na verdade, é um acerto para o palhaço”

29:34

O que você vai ouvir neste episódio

  • A relação entre a vulnerabilidade demonstrada na arte da palhaçaria e a cultura de experimentação nas empresas.
  • O papel do erro consciente como alavanca para o aprendizado contínuo e para o desenvolvimento de indivíduos.
  • A participação de Anthony Farias, Agile Expert da K21, discutindo a evolução organizacional a partir de falhas.
  • As perspectivas trazidas por Pablo Tavares, idealizador da Trupe Miolo Mole, sobre encarar deslizes com leveza e aprendizado.
  • Estratégias para transformar momentos de falha em acertos estruturados no contexto do trabalho em equipe.

Temas discutidos

A aceitação do erro relaciona-se diretamente com os princípios da agilidade e com a criação de culturas organizacionais orientadas à inovação. Em ambientes de rápida mudança, encarar a falha como etapa do processo de aprendizagem reduz a aversão ao risco e estimula a experimentação contínua. Lideranças e profissionais de produto se beneficiam ao construir espaços psicologicamente seguros, onde falhas são mapeadas e transformadas em melhorias estruturadas para o desenvolvimento de pessoas e de processos.

Para quem é este episódio

Este episódio é indicado para Agile Coaches, Scrum Masters e líderes de equipe que buscam cultivar segurança psicológica e aprendizado contínuo em suas organizações. Também beneficia profissionais de educação corporativa e gestão de pessoas interessados em utilizar metodologias humanizadas e dinâmicas de experimentação para o desenvolvimento de colaboradores.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

Qual é a relação entre a arte da palhaçaria e o ambiente corporativo?

A arte da palhaçaria lida diretamente com a aceitação do imprevisto e o acolhimento do erro sem julgamento. No contexto corporativo, essa perspectiva auxilia equipes a reduzirem o medo de falhar, promovendo a vulnerabilidade, a colaboração e a abertura para experimentações que levam à inovação sustentável nas empresas.

Como utilizar os erros para alavancar o aprendizado nas equipes?

O aprendizado ocorre quando as falhas são analisadas de forma construtiva e imparcial, sem a busca por culpados. Ao integrar retrospectivas e momentos de reflexão na rotina, os times conseguem identificar as causas raiz dos problemas e transformar equívocos passados em melhorias concretas de processos e comportamento.

Por que a tolerância ao erro é essencial para a evolução das organizações?

Organizações que aceitam o erro criam um ambiente propício para a agilidade, pois incentivam a autonomia e a tomada de decisão rápida. Sem a punição a deslizes cometidos no processo de teste, as pessoas sentem segurança para propor novas ideias e adaptar estratégias com mais agilidade diante de novos cenários.

Sobre este episódio

Neste episódio 118 do Love the Problem, os hosts Raquel Tanurkov e Antony recebem o palhaço e empreendedor social Pablo Tavares para uma conversa sobre erro, presença e criatividade a partir do universo da palhaçaria. Antony explica que buscou a Trupe Miolo Mole depois de se cansar de estudar facilitação sempre pelas mesmas fontes tradicionais, e foi assim que conheceu Pablo, que virou amigo depois de ter sido seu aluno.

Pablo abre contando sua própria trajetória: era bancário, vendia seguros e capitalização, mas sonhava, nos bastidores da própria vida, em ser palhaço voluntário em hospitais. Foi demitido do banco e, em 2013, decidiu assumir a palhaçaria como profissão para o resto da vida. Hoje ele visita hospitais para acompanhar crianças doentes e suas famílias, e conta com emoção o reencontro recente com uma mãe que conheceu em 2013, cujo filho voltou a adoecer após a pandemia, ela lhe disse que ele segue com o mesmo brilho nos olhos de sempre.

A partir dessa história pessoal, a conversa avança para o núcleo do episódio: o que significa, de fato, ser palhaço. Para Tony, é sobretudo aceitar plenamente o presente, enxergando e incluindo no jogo as oportunidades que o mundo oferece a cada momento, como fazem, segundo ele, crianças e cachorros, sempre presentes. Pablo aprofunda a ideia trazendo o conceito da criança livre: o palhaço remete à criança que existe em cada pessoa antes de ela ir se "adulterando" para se encaixar em padrões sociais de comportamento, aparência e desempenho. Ao crescer, essa criança livre vai sendo silenciada, e no ambiente de trabalho ela costuma reaparecer de forma distorcida, como a criança birrenta, mimada ou na defensiva, em vez da criança que brinca, cria, erra, aprende e tenta de novo.

É nesse ponto que o episódio chega ao seu tema central: ambientes onde o erro é bem-vindo criam conexões com muito mais facilidade. Antony ilustra isso com um caso real de trabalho na K21, para o cliente Whirlpool, que depois virou case da empresa. A equipe estava tensa, tentando acertar demais em uma entrega, e a virada só aconteceu quando ele propôs parar tudo para jogar forca online com o time, o simples ato de brincar mudou o estado emocional coletivo, e as entregas seguintes saíram muito melhores. Pablo reforça essa ideia com sua experiência prática nas oficinas da Trupe Miolo Mole: aquilo que a pessoa acredita ser um erro ou uma inadequação, muitas vezes, é exatamente o que gera graça e conexão em cena, por isso a orientação constante é "erra, não tenha medo de errar, aqui é o lugar onde você pode errar".

A conversa segue explorando a origem etimológica da palavra "erro", associada a uma raiz indo-europeia que significa "andar sem destino": aceitar o erro, dizem, é aceitar não saber exatamente para onde se está indo, algo inevitável quando se está desbravando um caminho novo, seja na arte, na inovação ou na vida. Tony traz também duas referências que marcam o episódio: a frase de que a qualidade de uma intervenção nunca é maior do que a qualidade interna de quem intervém (associada ao livro Teoria U, de Otto Scharmer), e a definição de inovação do professor Silvio Meira como "a criatividade emitindo nota fiscal", de novo ligando criatividade, risco de errar e inovação real. Daí nasce um paralelo direto com agilidade: focar em valor, trabalhar em ciclos curtos e buscar melhoria contínua são, segundo os hosts, exatamente o que o palhaço já faz o tempo todo, plenamente presente no aqui e agora.

O papo ganha um tom mais pessoal e profundo quando Pablo relaciona fazer as pazes com o erro a fazer as pazes consigo mesmo. Ele compartilha que sua mãe morreu de câncer, algo que um dia enxergou racionalmente como um "erro do destino", mas que hoje entende como parte de uma trajetória que o preparou para cuidar com mais paciência e delicadeza das crianças com câncer que atende hoje. A partir dessa reflexão, o grupo discute o burnout como uma consequência direta da impossibilidade de errar e da cobrança por performance constante, e como escolas e ambientes tradicionais historicamente premiaram acertar um gabarito em vez de pensar de forma criativa, reforçando a ideia de que o maior diferencial de cada pessoa, hoje, é justamente ser quem ela é.

Para fechar, os três compartilham dicas práticas para quem quer seguir esse caminho. Pablo recomenda olhar primeiro para dentro, se conhecer, se amar e se agradecer, para só então estender esse cuidado às pessoas próximas e, depois, ao mundo em uma escala mais ampla. Antony destaca o estado de consciência como primeiro passo, apoiado por totens pessoais, terapia, coaching e comunicação não violenta como ferramentas para quebrar padrões automáticos de comportamento. Raquel encerra convidando à reflexão sobre a "cultura do sim" automático e sem questionamento, defendendo que vale a pena questionar os próprios esforços e ser mais fiel a si mesma, mesmo quando isso exige mais trabalho do que simplesmente seguir a maré.

Transcrição completa

O episódio 118 do Love the Problem recebe o palhaço e empreendedor social Pablo Tavares, trazido pelo Team Coach Antony (Tony), que andava cansado de estudar facilitação sempre pelas mesmas fontes e resolveu investigar o mundo da palhaçaria em busca de novos inputs. Foi assim que chegou até a Trupe Miolo Mole e até Pablo. Pablo conta que era bancário, vendia seguro e capitalização, mas no fundo sonhava em ser palhaço e atuar em hospitais nos fins de semana, de forma voluntária. Foi demitido do banco e, em 2013, decidiu assumir de vez a palhaçaria como profissão. Hoje se define como palhaço, empreendedor social, pai da Maria e marido da Bárbara, e segue visitando hospitais para aliviar a dor de crianças doentes e de suas famílias, inclusive reencontrando, após a pandemia, uma mãe que conheceu em 2013, cujo filho voltou a adoecer, e que lhe disse que ele continua com o mesmo brilho no olhar.

A partir daí a conversa vai direto ao tema: o que é ser palhaço e por que isso se conecta tanto com erro, presença e criatividade. Tony explica que o que mais o conecta ao palhaço é a aceitação plena do presente, a capacidade de incluir no jogo aquilo que o mundo oferece agora, assim como fazem crianças e cachorros, sempre presentes e por isso, na visão dele, sempre um pouco iluminados. Pablo complementa: o palhaço remete à criança livre que existe em cada um, antes de ela ir se "adulterando" para se encaixar em padrões sociais, indo, ao crescer, silenciando essa criança interna. Recuperar o palhaço é reencontrar essa criança que brinca, cria, erra, aprende e tenta de novo, em vez da criança birrenta e cerceada que costuma aparecer no ambiente de trabalho sob pressão.

Daí nasce o núcleo do episódio: em um ambiente onde o erro é bem-vindo, a conexão entre pessoas se cria com muito mais facilidade, e o prazer de criar aumenta. Tony ilustra com a lembrança de um projeto da K21 para o cliente Whirlpool, que virou case da empresa: a equipe estava tensa, tentando acertar demais, e a virada só veio quando ele propôs parar tudo e jogar forca online com a Raquel e o time, o simples ato de brincar mudou o estado interno do grupo e, a partir daí, as entregas melhoraram. Pablo reforça com sua experiência nas oficinas da Trupe Miolo Mole: o que a pessoa acha que é um erro, muitas vezes é justamente o que gera graça e conexão, e por isso a orientação é sempre "erra, não tenha medo de errar, aqui é o lugar que você pode errar".

A conversa passa pela origem etimológica da palavra "erro", ligada a uma raiz indo-europeia que significa "andar sem destino": aceitar errar é aceitar não saber exatamente para onde se está indo, o que é inevitável quando se desbrava algo novo. Tony cita ainda a frase de que a qualidade de uma intervenção nunca é maior do que a qualidade interna de quem intervém (referência ao livro Teoria U, de Otto Scharmer), e a definição de inovação do professor Silvio Meira como "a criatividade emitindo nota fiscal", conectando criatividade, risco de errar e inovação real. Os hosts traçam um paralelo direto com agilidade: focar em valor, trabalhar em ciclos curtos e buscar melhoria contínua são exatamente o que o palhaço já faz o tempo todo, plenamente presente no aqui e agora.

A conversa aprofunda para um território mais pessoal quando Pablo relaciona o fazer as pazes com o erro ao fazer as pazes consigo mesmo, e compartilha que sua mãe morreu de câncer, o que ele um dia enxergou como um "erro do destino", mas que hoje entende como parte de uma trajetória que o preparou para cuidar com mais delicadeza das crianças com câncer que atende. Dali nasce a discussão sobre burnout como uma doença ligada à impossibilidade de errar, à cobrança de performance constante, e sobre como ambientes e pessoas foram "fabricados" desde a escola para acertar um gabarito em vez de pensar com criatividade, e como o maior diferencial de cada um, hoje, é justamente ser quem se é.

Para fechar, os três trocam dicas práticas para quem quer trilhar esse caminho: Pablo recomenda olhar primeiro para dentro, se conhecer, se amar e se agradecer, para só depois estender esse cuidado às pessoas próximas e ao mundo; Antony destaca o estado de consciência como primeiro passo, apoiado por totens pessoais, terapia, coaching e comunicação não violenta como ferramentas para quebrar padrões automáticos; Raquel convida à reflexão sobre a "cultura do sim" automático, sem questionamento, e sobre o valor de ser mais fiel a si mesma mesmo quando isso exige mais esforço.

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