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Ep. 10 - Visual Thinking
Ep. 10

Ep. 10 - Visual Thinking

30 de março de 202000:47:46
Facilitação
Inovação
Agilidade

Resumo rápido

Neste episódio, um praticante de Visual Thinking explica como a técnica resolve problemas de comunicação ao criar 'âncoras' visuais que a comunicação puramente verbal não consegue, e desmistifica o medo de 'não saber desenhar'. A conversa cobre técnicas práticas como mind maps, a regra de duas linhas e quatro palavras, o uso de conectores fortes e fracos, e como criar um dicionário pessoal de símbolos através de prática repetitiva (katas visuais).

Capítulos

  1. 03:41Que problema o Visual Thinking resolve
  2. 07:23Como começar sem desenhar: mind maps
  3. 09:26A regra de duas linhas, quatro palavras
  4. 12:14Contexto é rei, simples e rápido
  5. 16:27O mito de 'não sei desenhar'
  6. 23:37Criatividade além do visual: o jogo Stop Flying Blind
  7. 28:11Como o Visual Thinking mudou uma trajetória pessoal
  8. 41:09Katas visuais: construindo um dicionário pessoal de símbolos

Frases do episódio

“O desenho existe pelo contexto e não o contexto pelo desenho.”

13:39

“Não precisa pensar na forma. Pensa no contexto. A forma é só consequência disso.”

15:05

“A colaboração. Ela melhora. O trabalho do conhecimento. De forma exponencial.”

33:02

O que você vai ouvir neste episódio

  • Lula e João Reis debatem como o Visual Thinking auxilia no alinhamento de equipes durante a resolução de problemas.
  • O uso de elementos visuais no cotidiano de trabalho facilita a compreensão de cenários complexos pelas partes interessadas.
  • O episódio explora iniciativas da comunidade, como o projeto Sketch and Beer, focado no aprendizado prático de facilitação gráfica.
  • A aplicação do pensamento visual atua como ferramenta estratégica para clarear ideias e estruturar discussões organizacionais.

Temas discutidos

O uso de ferramentas de Visual Thinking conecta-se diretamente à agilidade e à gestão de produtos ao promover clareza e transparência no alinhamento estratégico. Em contextos de liderança e cultura organizacional, comunicar conceitos complexos de forma visual reduz ambiguidades e acelera a tomada de decisão colaborativa. A facilitação gráfica se consolida, assim, como uma competência prática para guiar times na resolução de problemas diversos.

Para quem é este episódio

Este conteúdo é recomendado para facilitadores, agilistas e líderes de produtos que buscam melhorar a comunicação em suas equipes. Gestores organizacionais e designers que desejam utilizar ferramentas visuais para acelerar o entendimento e a resolução de problemas complexos também se beneficiam diretamente das práticas apresentadas.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

O que é Visual Thinking e qual é sua importância na resolução de problemas?

O Visual Thinking é uma abordagem de comunicação que utiliza recursos visuais para organizar ideias, estruturar pensamentos e facilitar o entendimento de conceitos complexos. No contexto de resolução de problemas, essa prática ajuda a tornar explícitas as conexões entre diferentes elementos de um cenário, permitindo que as equipes identifiquem gargalos e construam soluções alinhadas com eficiência.

Como o pensamento visual auxilia na comunicação entre equipes organizacionais?

Ao transformar informações abstratas em desenhos, esquemas ou diagramas simples, o pensamento visual reduz falhas de interpretação e nivela o conhecimento entre os participantes de um projeto. Essa prática estimula a participação ativa, alinha expectativas entre diferentes áreas e permite que visões distintas sejam integradas de forma transparente durante discussões.

O que é o projeto Sketch and Beer citado no episódio?

O Sketch and Beer é uma iniciativa mencionada no episódio que conecta pessoas interessadas em facilitação gráfica e representação visual. O projeto promove um ambiente descontraído de aprendizado e troca de experiências, estimulando profissionais a praticar o desenho simplificado como ferramenta para aperfeiçoar a comunicação e a resolução colaborativa.

Sobre este episódio

Neste episódio, um praticante de Visual Thinking explica como a técnica ajuda a resolver um problema central da comunicação: o fato de que a linguagem puramente verbal nunca garante que o que é dito seja entendido da forma pretendida, por causa de filtros emocionais e experiências individuais de quem escuta. Elementos visuais funcionam como âncoras adicionais que tornam esse entendimento mais preciso e muito mais memorável.

Um ponto central é a desconstrução do mito de 'não saber desenhar'. Crianças se expressam visualmente antes mesmo de aprender a escrever, mas o sistema educacional tradicional interrompe essa prática à medida que prioriza a escrita; o resultado é um bloqueio adulto que é, na verdade, falta de prática, não falta de capacidade. Para quem quer começar sem desenhar nada, a recomendação é usar mind maps, e a regra prática de condensar ideias em blocos de 'duas linhas, quatro palavras' ajuda a sintetizar informação antes de conectá-la visualmente. Variações na espessura de linhas e traços tracejados permitem representar visualmente conexões fortes ou fracas entre ideias, algo difícil de comunicar apenas com palavras.

O episódio também explora aplicações que vão além do desenho individual: o jogo colaborativo Stop Flying Blind, criado para tornar tangível o conceito abstrato de Flight Levels através de storytelling; sessões de Open Space em que participantes desenham juntos as ideias discutidas, o que aumenta a retenção coletiva do conteúdo; e o hábito pessoal de desenhar enquanto ouve palestras em outro idioma como forma de manter o foco e reter informação.

Por fim, é descrita a prática de 'katas visuais', repetição deliberada de um mesmo símbolo, inspirada no treino das artes marciais, até ele se tornar parte de um dicionário pictográfico pessoal. Isso elimina a necessidade de criar um novo desenho do zero a cada vez, e é apresentado como o caminho mais rápido para transformar rabiscos simples numa ferramenta prática de comunicação e criatividade no trabalho do conhecimento.

Transcrição completa

Que problema a gente quer resolver com o Visual Thinking? Acho que o Visual Thinking se propõe a resolver alguns problemas, mas o principal é a comunicação, tanto a forma como eu exponho uma ideia quanto como eu vou receber essa ideia, usando não só uma maneira verbal, mas uma combinação entre verbal e visual.

O problema de comunicação é algo que muitos métodos tentam tratar há muito tempo, desde métodos como comunicação não violenta, que é comunicação verbal, até métodos de tecnologia como o UML. No que o Visual Thinking se difere de outras formas de resolver esse problema de comunicação? E qual é o limite entre simplesmente desenhar uns rabiscos bonitinhos e conseguir se comunicar de forma efetiva?

Na comunicação verbal, a gente nunca consegue garantir que o que a gente está expressando é realmente o que a outra pessoa está entendendo: ela tem seus filtros emocionais, seus filtros históricos, uma série de coisas que ela considera para interceptar a mensagem. De uma forma verbal, você pode passar sua ideia e a pessoa entender de uma forma diferente, por conta dessas experiências dela, e não entender de verdade o que você está falando.

Com o Visual Thinking, a gente tenta conectar a comunicação com outros pontos, usando desenhos, elementos visuais, para criar outras âncoras que ajudam esse entendimento a ser um pouco melhor. Também ajuda muito a memorização, quando você conversa desenhando, aqueles desenhos vão criando links no seu cérebro, e depois você consegue lembrar muito mais daquilo que conversou. É quase um hack mental. O limite entre simplesmente desenho e a melhora da comunicação é: os seus desenhos estão resolvendo esse problema de comunicação de fato, estão conseguindo hackear a mente de quem está vendo, ou a pessoa só olha e acha bonito, mas a mensagem que você queria comunicar não está sendo passada?

Você consegue dar alguns exemplos de como alguém consegue começar a usar Visual Thinking mesmo sem começar a desenhar? Primeiro, uma coisa interessante é que Visual Thinking é sobre expressão de ideia, não sobre arte. Isso diferencia muito da ilustração. Para expressar ideias você não precisa ser um grande artista: com símbolos simples você consegue expressar ideias visuais. Você não precisa abrir mão dos desenhos só porque não é um Picasso ou um Leonardo da Vinci.

Uma maneira muito boa de começar é usando mind maps. Você não precisa desenhar nada, só vai trabalhar com a organização de textos, como esses textos se conectam, e a orientação disso no papel. Só de organizar as informações, criar conexões, criar títulos e agrupar de alguma forma, isso já é Visual Thinking. Se alguém quer começar hoje, comece fazendo mind map. Se você tem medo de desenhar, comece por aí, porque é onde você vai trabalhar bastante colocar a informação de forma sucinta e fazer a conexão entre elas; isso é a base do Visual Thinking.

É interessante que qualquer um consegue fazer, e já é um hack mental. Se você estiver numa palestra e quiser tomar nota, geralmente você começa de forma linear, de cima para baixo, da esquerda para a direita, linha por linha; mas a nossa cabeça não funciona de forma linear. Assim que comecei a exercitar Visual Thinking, percebi que comecei a conseguir traduzir melhor o meu mapa mental para o papel. E não precisa de um software poderoso, papel e caneta é prático o suficiente, um guardanapo já funciona.

Se você não quiser começar rabiscando imagens, pode colocar blocos de informação. Uma dica é tentar sempre usar duas linhas, quatro palavras, se você não tem segurança, escreve livremente primeiro, depois tenta reduzir aquilo para duas linhas, quatro palavras por chunk de texto. Se deu mais do que isso, você consegue separar em outros chunks.

E aí você vai criando agrupamentos de informação e dá um título para isso. A ideia básica é essa, duas linhas, quatro palavras, para você ter uma base na hora de expressar visualmente aquilo que você quer dizer. E aí começar a conectar assuntos, o que é muito mais parecido com o que a nossa cabeça faz do que ir de cima para baixo, da esquerda para a direita.

Como colocar essa disposição de mapa mental? Precisa ser conectado de uma maneira totalmente lógica? O nosso cérebro gosta muito de padrões, sempre busca por padrões: a gente começa a agrupar as coisas que se parecem e tenta fazer a conexão delas. O interessante do Visual Thinking é que eu posso colocar que uma coisa está um pouco ligada à outra com uma linha tracejada, uma ligação fraca, ou, se é uma ligação muito forte, uma seta mais grossa.

Eu posso brincar com o jeito que desenho os conectores, de acordo com o quão forte é aquela ligação; é uma coisa que, no verbal, a gente não consegue fazer, porque você tem que gastar um monte de palavras para deixar as coisas fortemente ou fracamente conectadas. No final, é sobre o hack que você quer fazer na mente de quem está interpretando esse conteúdo. Feedbacks são muito bem-vindos: você pode perguntar para alguém do lado o que ela entendeu, o que chamou mais atenção.

Isso já começa a te fazer entender que conector vale a pena reforçar, é linha mesmo, não é desenho. Pega um lápis, faz uma linha, conectou dois assuntos, passou três vezes em cima da mesma linha, já ficou mais forte a conexão. O Visual Thinking tem alguns princípios, mas dois são muito fortes para mim. O primeiro é que o contexto é o rei, o que importa é o teu contexto. O desenho existe pelo contexto, e não o contexto pelo desenho.

E o outro é que tem que ser simples e rápido. Se você está demorando muito para fazer o seu símbolo, para criar as suas conexões, as suas setas, os seus pedaços, tem que treinar mais, tem que praticar mais, para que isso seja sempre simples e rápido. Uma vantagem que eu gosto muito do Visual Thinking é que você começa a exercitar atenção plena, não só para quem vai ler, mas para quem está escrevendo. Quando estou assistindo uma palestra, o retorno que vou ter é basicamente o quanto consigo capturar de ideias, e a nossa mente dispersa muito fácil. Sempre que estou fazendo uma anotação visual, essa atenção que preciso ter para identificar cada bloco de duas linhas, quatro palavras, e onde vou colocar, faz eu prestar mais atenção à palestra.

Isso já resolve um problema que a maioria das pessoas tem medo de ter, antes de experimentar o Visual Thinking, que é: como consigo prestar atenção em duas coisas ao mesmo tempo, no meu rabisco e no conteúdo da palestra? A frase 'o contexto é rei' mostra que você não precisa pensar em duas coisas ao mesmo tempo, precisa pensar em uma só, que é o contexto. O que você está expressando no final é o contexto, e não a forma. A forma é só consequência disso.

Eu quero muito falar sobre essa trava que as pessoas têm, o grande mito de 'eu não sei desenhar'. Na escola, quando a gente é criança, a gente começa desenhando, se expressando de forma visual antes da forma verbal. Mas o nosso sistema tradicional de educação diz que em algum momento a gente tem que crescer, e a gente precisa aprender a escrever; desenhar vira coisa de criancinha. Tanto que muita gente tem muito bloqueio para voltar a desenhar, porque, se passou a vida inteira sem treinar isso, na hora que começar a desenhar os traços vão ser infantis.

E isso é muito ruim para esse adulto, com todo esse estigma na cabeça, por medo de julgamento das pessoas, por saber que o seu traço não evoluiu tanto quanto a sua letra ou a sua própria comunicação verbal. Mas é questão de prática: você vem treinando a comunicação verbal desde o primeiro, segundo ano de vida, e não a visual. Isso não significa que uma criança vai virar artista profissional quando crescer, mas significa que ela vai conseguir desenvolver a habilidade visual tanto quanto a verbal e escrita, ao longo dos anos, e é prática: você vai praticando, você vai ficando melhor. A criança consegue se expressar no nível visual tão bem quanto no verbal, às vezes até melhor. A trava impediu a gente de chegar aqui.

O que era muito útil quando a gente era criança passa a se tornar útil também depois de adulto. Voltando à aplicação profissional, dentro do contexto do trabalho do conhecimento, uma aplicação prática é ir além só do Visual Thinking. O profissional do conhecimento busca soluções emergentes para resolução de problemas que, do jeito normal, não dá para resolver; ele precisa muito de criatividade. A gente sempre liga criatividade à coisa legal, não à coisa chata do trabalho, mas o fato de você criar um software que vai resolver um problema também exige criatividade. Não se limite só a software, não se limite só ao visual, criatividade vai muito além. Mesmo o processo de contratação de pessoas exige criatividade.

Tenho experimentado algumas coisas que geram triggers criativos: storytelling gera trigger criativo, ajuda as pessoas a saírem daquele peso de começar uma ideia. Jogos também, testamos um jogo chamado Stop Flying Blind, criado justamente para desbloquear o aprendizado do que é Flight Levels, um modelo de pensamento não muito tangível. No jogo, usamos bastante storytelling, e a experiência foi muito boa, com vários feedbacks para as novas versões. É uma outra maneira de usar triggers criativos para resolver problemas no dia a dia de trabalho.

O termo que uso bastante é Creative Engagement. O Stop Flying Blind conecta muitas coisas: primeiro, a aplicação prática de tudo isso, depois a construção do jogo com elementos visuais e lúdicos, desde desenhos nas cartas até um passo a passo nas regras. E, apesar de ser um jogo criado por uma pessoa, foi criado de forma extremamente colaborativa, e a criatividade se beneficia de forma exponencial da colaboração, assim como o trabalho do conhecimento.

Um exemplo de aplicação prática: fizemos alguns Open Spaces em que chamamos de Visual Open Space. As pessoas conversavam as ideias do Open Space, geralmente sobre algum tema de agilidade, e ao conversar tinham que desenhar aquilo. Desenhando juntas, no final às vezes parecia um rabisco louco que ninguém mais entendia, mas aquelas pessoas que rabiscaram juntas conseguiam, olhando para aquele desenho, lembrar de tudo que discutiram; tiveram uma absorção maior do conteúdo daquela discussão por terem desenhado juntas. Puxando um pouco do manifesto ágil, indivíduos e interações mais que processos e ferramentas, no final, mesmo o Visual Thinking, ou qualquer outro método que ajude a resolver esse problema de comunicação, quer melhorar a relação entre os indivíduos e as interações que eles têm, inclusive na vida profissional, mas no dia a dia também, até de amizades.

Como o Visual Thinking mudou a sua vida? Eu sempre desenhei, sempre gostei muito de desenhar, mas Visual Thinking mesmo, trabalhar com isso, começou numa palestra em que fiz desenhos e publiquei no Twitter só para ver o que dava. Olhando para esses desenhos hoje, eles nem foram tão legais, mas causou um impacto grande: muitas pessoas vieram conversar, me adicionaram, para saber como eu fazia. A gente sempre faz um julgamento artístico da coisa, mas aqueles rabiscos simples ajudaram as pessoas a memorizar, e elas vieram falar que ficou mais claro para elas o que tinha acontecido na palestra, por causa do desenho. Eu falei, e se eu fizer isso sempre?

Eu precisava estudar inglês, estava indo para o Canadá treinar o ouvido, e comecei a ouvir TED Talks em inglês, só que eu perco a atenção muito fácil, se passar uma mosca vou ficar acompanhando a mosca. Então colocava o TED Talk para ouvir e ia desenhando, e fazia isso todo dia, várias vezes, e foi criando um hábito. Hoje eu consigo descartar e priorizar a informação que estou ouvindo e passar para o desenho por conta disso. Mudou muito a minha vida nesse sentido: foi uma ferramenta que usei muito para me manter conectado e filtrando as informações que chegavam. E a parte de compartilhar me trouxe grandes amigos: a gente se aproximou pelo rabisco. Mudou meu ciclo de amizade, mudou a forma como eu entendo as coisas e as expresso.

Já fui para um evento sozinho, sem conhecer ninguém, e é muito difícil esse quebra-gelo inicial, eu sempre fui tímido, por mais que consiga disfarçar. E é muito legal essa sensação de você, ali, fazendo um negócio privado, que é o rabisco, e alguém falar, que legal, posso ver? Só isso já quebrou o gelo. O que quebrou não foi a pessoa falando oi, foi você rabiscando, e já tem uma conexão feita ali. Outra coisa: quando você precisa expressar uma ideia, pega uma caneta, vai para um flip chart e começa a rabiscar. As pessoas parecem que estão rabiscando junto com você, construindo aquele desenho, acompanhando o seu raciocínio enquanto você desenha. Isso tem um efeito gigantesco na forma como você faz as suas coisas; influencia meu trabalho fazendo apresentações, workshops, treinamentos.

Uma dica boa que fui aprendendo ao longo do tempo: se você não acha que o seu rabisco está bom o suficiente ainda, continua fazendo e praticando, e uma hora alguém vai estar do lado, vai ver e falar que está legal, ou que quer ver. Nesse momento é talvez o momento de você começar a se abrir mais e divulgar ativamente. Talvez um jeito bom de você conseguir impactar mais o mundo seja começar a rabiscar e chamar a atenção das pessoas do seu lado, porque a colaboração é essencial para o trabalho do conhecimento e para a criatividade. Quanto mais desenhos simples a gente compartilhar, menos a noção de que precisa ser uma arte para expor; a gente consegue mudar um pouco a cabeça das pessoas, não precisa ser um grande artista para conseguir postar alguma coisa ou expor as suas ideias.

Fazemos, num evento chamado sketch and beer, pessoas trocando ideias sobre assuntos, no nosso caso principalmente sobre agilidade, rabiscando ali ao mesmo tempo e tomando alguma coisa num bar, num ambiente mais descontraído. Esse movimento de comunidade é consequência de a gente estar muito atento ao contexto, praticando e tentando melhorar a relação entre indivíduos.

Na formação, fizemos alguns katas visuais, kata é um treino repetitivo, nas artes marciais. A gente fez repetição de desenhos: o pessoal experimentando um personagem, repetindo, repetindo, porque você consegue começar a formar um dicionário pictográfico, um dicionário visual, e não precisa pensar tanto em criar novos símbolos o tempo todo, apesar de a gente dar também algumas dicas de como criar símbolos de forma fácil. Você pode simplesmente repetir os símbolos que sempre usa. No meu dicionário pessoal, sempre tem lâmpada, livro, uso um bonequinho padrão em que consigo colocar um balãozinho, e ele consegue falar o que eu quiser. Uso bastante pessoas e expressões, porque elas ajudam a expressar ideias mais complexas, mais abstratas, como você desenha um sentimento? E gosto muito também de criar metáforas visuais, que é combinar dois símbolos para transmitir uma ideia, fazer um bonequinho com cabeça de lâmpada, por exemplo, para dar a ideia de um resultado.

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