Scrum Master: habilitando a autonomia do time

Nesta série de posts, utilizo o modelo de “facilitador hábil“, criado por Roger Schwarz eu seu célebre livro “The Skilled Facilitator”, para falar de algumas características desejadas do Scrum Master (SM). No terceiro post, escrevo sobre uma parte importante, mas extremamente desafiadora na atuação deste papel.

O Scrum Master habilita o time a aumentar sua autonomia. Uma parte importante do trabalho do facilitador é habilitar o time a realizar suas próprias escolhas (e decisões) a partir de informações suficientes: é o que chamamos de escolhas livres e informadas. Ao realizar escolhas livres e informadas, os membros do time naturalmente tornam-se comprometidos com essas escolhas e, ao mesmo tempo, revisam-nas e as mantêm atualizadas. Por meio desse trabalho, o trabalho do SM, enquanto facilitador, é chave para possibilitar a auto-organização do Time de Desenvolvimento.

Um elemento importante para possibilitar as escolhas livres e informadas é a transparência. Para assegurá-la, o SM nunca deve fazer arranjos com determinados membros ou com terceiros, seja para ocultar informações do Time de Scrum (ou de alguma parte dele) ou para se comportar de alguma determinada forma. Ao contrário, o Scrum Master deve ajudar o Time de Scrum a garantir a visibilidade das informações disponíveis.

De forma geral, o time é mais efetivo se é internamente comprometido com suas escolhas. No entanto, mesmo que o SM esteja realizando a facilitação de forma efetiva, o time pode fazer escolhas ruins, já que elas são livres, ainda que informadas. E ainda que o Scrum Master identifique que uma determinada escolha não é apropriada, sua intervenção não é, a princípio, recomendável.

Seu papel é o de estimular o time a refletir sobre o resultado de suas escolhas e ajustá-las de acordo. Ao intervir com suas próprias opiniões ou, pior, tomar a decisão pelo time, o Scrum Master estará reduzindo tanto a autonomia e responsabilidade do time quanto sua própria credibilidade enquanto facilitador.

Para aumentar a autonomia do Time de Scrum e desenvolver sua efetividade, as intervenções do SM, enquanto facilitador, buscam sempre o objetivo de reduzir a dependência do Time de Scrum no próprio Scrum Master. Dessa forma, podemos afirmar que o SM trabalha em direção a se tornar cada vez menos necessário, inclusive habilitando os membros do Time de Scrum a atuarem como facilitadores eles mesmos.

Veja todos os posts dessa série:

SCHWARZ, R. _The skilled facilitator_: a comprehensive resource for consultants, facilitators, managers, trainers and coaches. 2. ed. San Francisco: Jossey-Bass, 2002.

Rafael Sabbagh
Sobre o autor

Rafael Sabbagh

Co-fundador e Trainer na K21

Rafael Sabbagh é co-fundador da K21 e foi membro do Board de Diretores da Scrum Alliance entre 2015 e 2017. Ele é Certified Scrum Trainer (CST) pela Scrum Alliance e também Accredited Kanban Trainer (AKT) pela Kanban University. Atuando em nível executivo, possui uma vasta experiência em Transformação Digital e Gestão de Produtos. Ao longo da sua carreira, já treinou milhares de Scrum Masters, Product Owners e membros de equipes em mais de 15 países na Europa, América e Ásia.

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