Elevando a Maturidade Empresarial com o KMM – Kanban Maturity Model: Práticas, Níveis e Benefícios

Depois de tanto tempo conhecendo o KMM tendo conversado com os dois autores e me aprofundado no assunto lendo o livro várias vezes, falando com pessoas que gostam de conversar profundamente sobre e aplicando, ensinando em treinamentos e palestras notei que para quem tem contato pela primeira vez, não encontra um bom resumo sobre, então decidi compartilhar aqui neste artigo introdutório.

O que é o KMM

O Kanban Maturity Model (KMM) surge como um guia essencial para empresas que buscam aprimorar suas práticas e sistemas de serviços. Desenvolvido por Teodora Bozheva e David J. Anderson, o KMM é um compêndio de experiências provenientes da implementação do método em empresas de variados portes. O KMM foi concebido após análises e comparações das características de diferentes empresas, resultando em uma classificação de sete níveis de maturidade e tudo isso baseado no uso das práticas do Método Kanban.

KMM - Kanban Maturity Model explicado no Formato de Pizza
Explicação em formato de pizza do KMM – Kanban Maturity Model

Benefícios Tangíveis da Implementação do KMM

A adoção do KMM propicia melhorias visíveis na qualidade e nos resultados das empresas. Ao aumentar o nível de maturidade, as organizações conseguem elevar a satisfação do cliente, reduzir riscos no mercado e aprimorar a eficiência operacional. A capacidade de entrega é otimizada, contribuindo para um crescimento orgânico e sustentável que pode tornar sua empresa antifrágil.

Os Pilares do KMM são Cultura, Práticas e Resultados

O KMM baseia-se em três pilares fundamentais: cultura, práticas e resultados. Estes pilares orientam as empresas na adoção de práticas adequadas ao seu nível de maturidade, promovendo uma evolução constante. Quanto mais madura a empresa estiver nos três pilares, menor é seu risco no mercado e maior a qualidade de seus produtos ou serviços.

Os Níveis de Maturidade do KMM

O KMM tem em seu livro mais de 500 páginas e ele divide a evolução das empresas em sete níveis distintos e aqui compartilho um pequeno resumo sobre eles:

Nível 0 – Inconsciente

Empresas nesta fase carecem de um modelo de trabalho definido, sendo consideradas frágeis e pouco estruturadas, apenas focadas em realizar tarefas com foco individual.

Nível 1 – Focado em Times

A gestão começa a gerar valor, estabelecendo uma estrutura organizacional e transparência nas atividades, embora a empresa permaneça frágil, sendo focada em times e com a colaboração e a iniciativa sendo valores.

Nível 2 – Orientado ao Cliente

Processos básicos de fluxo são implementados, uma mudança evolucionária é aprendida junto com o respeito, empatia com o cliente onde os atos de liderança são perceptíveis, representando um modelo de negócio em evolução.

Nível 3 – Ajustado ao Propósito

A empresa apresenta processos mais bem definidos, atingindo resultados conforme as expectativas do cliente e tornando-se mais resiliente diante do mercado. Equilíbrio e resultado de negócio ajustado ao propósito do cliente são valores essenciais praticados junto com o equilíbrio que atendem as expectativas do consumidor como tempo de espera mais curto e previsibilidade alta com os SLAs sendo atendidos

Nível 4 – Riscos Protegidos

Os processos são utilizados consistentemente, a empresa compreende seu mercado e foca em resultados econômicos, mantendo uma análise quantitativa com equilíbrio mais profundo na proteção ao risco sempre tomando decisões orientada a dados, valor esse que agora é extremamente importante junto o desenvolvimento da Liderança deverá ser orientada ao propósito e assim tornando o modelo de negócio robusto.

Nível 5 – Líder de Mercado

A empresa se torna antifrágil, líder de mercado, buscando serviços compartilhados reconfiguráveis e assim otimizar eficiência, resultados econômicos, produtividade e qualidade.

Nível 6 – Construída para Durar

Empresas sólidas, com crescimento sustentável, capazes de gerenciar riscos, avaliar o mercado e se reinventar conforme necessário tomando decisões congruentes e totalmente robustas a mudanças externas.

Quando utilizar o KMM

Minha experiência no uso KMM não deveria ser uma receita única, dada a singularidade da cultura de cada empresa. Entretanto, o profissional que desejar utilizar ele como um mapa para o desenvolvimento e maturidade organizacional é sim recomendável aplicar o KMM quando a empresa busca aprimorar seus processos, aumentar a eficiência e reduzir riscos de mercado.

Conclusão

O Kanban Maturity Model emerge como uma ferramenta valiosa para empresas que buscam evoluir em seus processos e atingir níveis mais elevados de maturidade. Ao adotar práticas do modelo alinhadas aos seus objetivos, as empresas podem não apenas melhorar sua eficiência operacional, mas também agregar valor aos clientes e garantir um crescimento sustentável no mercado competitivo atual.

Lembre-se, ele não é a solução de todos os problemas e nem é bala de prata que irá acabar com os monstros que rondam as áreas e departamentos.

Se quiser conhecer mais, recomendo assistir a essa palestra que conta como o KMM foi utilizado em uma empresa.

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Sobre o autor(a)

Business and Cultural Change Specialist and Trainer

Jose JR é Business and Cultural Change Specialist na Nower e Trainer na K21, atua há mais de 2 décadas no Brasil e na Europa em ambientes e times multiculturais atuando diretamente na capacitação e na transformação digital de empresas nacionais e internacionais. Um dos mais experientes trainers (AKT – Accredited Kanban University Trainer) do método Kanban no Brasil e um dos 30 trainers mundiais de KMM (Kanban Maturity Model) e KCP (Kanban Coach Profissional) pela Kanban University, é pioneiro no conceito de Flight Levels no Brasil sendo um Flight Levels Guide(Trainer Oficial) e Flight Levels Coach pela Flight Levels Academy ajudando as empresas a alcançarem resultados de negócios através do Business Agility e já capacitou mais de 4800 alunos pelo mundo e atendeu mais de 250 empresas nacionais e internacionais. É escritor e tradutor oficial de livros disponibilizando materiais em português para comunidade Luso-Brasileira como Kanban Essencial Condensado de Andy Carmichael e David J. Anderson; O Guia Oficial do Método Kanban publicado pela Kanban University e junto com a Paula Viani é um dos tradutores do livro Repensando Agilidade de Klaus Leopold; Criador do canal Mundo Compartilhado fundado em 2017 e co-fundador da Comunidade Flight Club Global que é dedicado a compartilhar gratuitamente conhecimentos como Colaboração, Aprendizagem, Tecnologia, Startups, Inovação, Agilidade, Gestão, Transformação Digital, Lean, Desenvolvimento Pessoal , Gestão de Pessoas e Empreendedorismo.

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