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Ep. 80 - Dilema da Inovação
Ep. 80

Ep. 80 - Dilema da Inovação

2 de agosto de 202100:41:43
Inovação
Pessoas

Resumo rápido

Manuela Venturini, que lidera moda, inovação e produto na C&A, conversa com Magno de Santana sobre por que amar e nomear o problema, e não a solução, é o verdadeiro ponto de partida da inovação, discutindo o desconforto de ser vista como "rebelde" dentro de uma grande empresa, como medir impacto real com a ideia de que "inovação é quando a borracha encontra o chão" e por que times deveriam se comportar mais como médicos, que investigam a causa, do que como farmacêuticos, que só entregam o que foi pedido.

Capítulos

  1. 01:34Por que amar o problema é o ponto de partida da inovação
  2. 04:17O tabu de falar sobre problemas dentro das grandes empresas
  3. 10:30Os desafios e o desconforto de ter um perfil inovador
  4. 21:07Como medir o sucesso da inovação: a borracha encontra o chão
  5. 27:20Repertório, erros e a armadilha de formar "mini-manus"
  6. 33:18A analogia do médico e do farmacêutico
  7. 36:23Dicas para inovar de forma mais saudável

Frases do episódio

“eu deveria apresentar a solução para o meu chefe antes”

04:17

“Inovação é quando a borracha encontra o chão.”

22:50

“não ter medo de encarar esse desconforto do problema”

36:23

O que você vai ouvir neste episódio

  • Magno de Santana e Manuela Venturini analisam o impacto de manter a área de inovação isolada do restante da empresa.
  • O episódio aborda a importância de disseminar o mindset inovador por todos os níveis da estrutura organizacional.
  • Os participantes debatem as dificuldades práticas e os conflitos que surgem ao tentar aplicar conceitos de inovação no cotidiano.
  • A conversa destaca como o comportamento das lideranças influencia diretamente a adoção de novas práticas e ideias na empresa.

Temas discutidos

A discussão sobre o dilema da inovação conecta-se diretamente à cultura organizacional e ao papel das lideranças na transformação do negócio. Criar estruturas isoladas para inovar muitas vezes impede que a agilidade e a mentalidade de produto se consolidem nas operações cotidianas. Para que a inovação seja sustentável, as empresas precisam integrar a experimentação contínua aos processos diários, incentivando colaboradores a resolverem problemas reais com autonomia e foco em gerar valor prático.

Para quem é este episódio

Este episódio é recomendado para líderes organizacionais que buscam descentralizar a inovação em suas equipes, gestores de produto empenhados em criar soluções alinhadas à estratégia do negócio e agentes de transformação focados em evoluir a cultura corporativa por meio de práticas ágeis.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

Qual é o principal problema de isolar a inovação em uma área específica da empresa?

Isolar a inovação em um setor específico pode criar uma desconexão entre os projetos inovadores e a realidade operacional da organização. Essa separação impede que o aprendizado e as melhorias sejam absorvidos por toda a empresa, gerando resistência interna e dificultando a escala das transformações necessárias para o negócio.

Como vivenciar um mindset inovador na prática organizacional?

Vivenciar um mindset inovador exige encarar a inovação como uma atitude diária e não apenas como um evento formal. Isso envolve incentivar a autonomia, promover a experimentação consciente com aprendizado rápido e garantir que a liderança crie um ambiente seguro para testar novas hipóteses diante dos desafios da organização.

Quais desafios as lideranças enfrentam ao tentar cultivar a inovação?

As lideranças enfrentam o desafio de equilibrar a entrega de resultados imediatos com o tempo necessário para explorar novas possibilidades. Além disso, precisam engajar equipes que estão acostumadas a processos tradicionais, eliminando barreiras burocráticas e incentivando o alinhamento estratégico para que a inovação aconteça de forma orgânica em todos os níveis.

Sobre este episódio

Neste episódio do Love the Problem, Magno de Santana recebe Manuela Venturini, a Manu, que soma mais de 15 anos de experiência no mercado de moda e varejo no Brasil e hoje lidera o time de moda, inovação e produto da C&A, trabalhando remotamente de Londres. A conversa parte da premissa que dá nome ao podcast: para inovar de verdade, é preciso primeiro amar, e nomear, o problema, algo que Manuela descreve como quase tabu dentro de grandes empresas.

Manuela relata como, ao longo de sua trajetória, aprendeu a chegar às conversas já com uma solução pronta para o chefe, evitando levantar hipóteses de problema por medo de parecer que não estava cumprindo seu papel. Ela descreve esse hábito como uma armadilha comum: gestores pedem soluções prontas (a "pizza pronta", em suas palavras) em vez de espaço para construir a resposta junto com o time, o que esvazia o processo de inovação logo na origem. Falar sobre o problema, segundo ela, ainda é hoje uma questão "divisória de águas" nas organizações.

Uma parte significativa da conversa é dedicada ao custo pessoal de ocupar um papel mais questionador. Manuela descreve a sensação de estar constantemente indo contra um sistema, de ser rotulada de rebelde e de precisar reconstruir a confiança das pessoas a cada novo ciclo de mudança, um desgaste que ela associa, ao mesmo tempo, a um sinal de crescimento pessoal. Os dois discutem também a armadilha de repetir fórmulas que funcionaram no passado: como times se apegam ao primeiro "mapa" ou solução encontrada porque isso traz estabilidade, e como o verdadeiro antídoto é manter o apego ao problema, não à ideia inicial usada para resolvê-lo.

O trabalho remoto surge como outro fio da conversa: Manuela descreve a virada de avaliar pessoas pela presença física, sentadas à mesa, olhando para o computador, para avaliar pelo resultado entregue, uma mudança de eixo do espaço físico para o tempo que ela relaciona diretamente à capacidade de inovar, já que rompe padrões culturais profundamente enraizados sobre o que significa "estar trabalhando".

Sobre como medir se uma inovação está de fato funcionando, Manuela recorre à ideia de que a inovação só é real quando "a borracha encontra o chão": impacto concreto em pessoas, medido por feedback espontâneo de clientes e por comportamentos que o próprio time passa a reproduzir, em contraste com processos de inovação que ficam restritos a salas cheias de post-it sem gerar nada utilizado de fato. Ela também defende a importância de repertórios diversos e de ambientes seguros para errar, criticando o microgerenciamento que ela chama de fabricar "mini-manus", times fáceis de lidar, mas que deixam de usar sua principal ferramenta, o próprio raciocínio.

A conversa fecha retomando a analogia da K21 entre médico e farmacêutico: enquanto o farmacêutico entrega exatamente o que foi pedido, o médico investiga a causa antes de prescrever. Manuela aplica essa lógica ao trabalho com clientes de moda, mostrando como ouvir literalmente o que a cliente diz que quer nem sempre revela o que ela de fato precisa. As dicas finais que ela deixa para quem se identifica com esse perfil mais inovador são diretas: não ter medo de encarar o desconforto do problema e ter coragem de ir contra a maré por um sentido maior, mesmo sabendo que esse caminho é, em suas palavras, uma selva.

Transcrição completa

E aí, para a gente começar, Manu, a gente sempre começa, o nome do podcast chama Love the Problem, a gente começa sempre pelo problema, né? Qual o problema que a gente tem? E, por isso, a gente está resolvendo. Então, eu queria que você trouxesse um pouco, dentro dessa sua trajetória de mais de 15 anos de trabalho, e agora mais recente, trabalhando com inovação dentro de uma grande empresa, qual a importância da inovação numa grande empresa? Eu acho super engraçada essa história de amar o problema, né? Porque, geralmente, a gente evita falar do problema em grandes empresas, ainda mais. Então, é uma coisa que parece óbvia, mas é uma coisa assim, que você resolve tudo. Você faz tudo no seu dia a dia e não fala exatamente do problema, que é da onde começa todo o processo de inovação, assim.

Eu lembro muito bem de um, acho que, não sei, uns quatro anos atrás, tinha uma frase que não saía da minha cabeça. E eu pensava, meu Deus, por que a gente desenvolve coleção do mesmo jeito? E isso era um problema, mas naquela época eu não tinha noção que isso era um problema. Eu só achava que eu estava inovando já, mas eu não sabia. Eu achava que eu não era uma pessoa que inovava, enfim. E eu fiquei obcecada por esse assunto durante um ano da minha vida. E aí, era um assunto que acontecia comigo dentro da CEIA. E aí, eu fui estudar, fui fazer um curso fora do Brasil e essa pergunta ficou ainda mais latente pra mim, né? E durante esse um ano, vendo o quanto a gente tinha que conversar, pelo menos a minha proposta era, vamos conversar sobre esse assunto.

Que parecia uma coisa meio proibida, assim. Muito bom, muito bom. Então, sem discutir realmente o problema, é difícil inovar, né? Eu acho que quando a gente fala sobre inovação, acho que tem esse aspecto cultural que você está trazendo, que é como é difícil falar sobre problema dentro das organizações em geral. Seja ela pequena, grande ou média, tem um tabu, né? De, se você está falando muito sobre o problema, você, sei lá, é mal visto ou mal vista.

Se você não consegue compreender qual é o problema que a gente está tentando resolver, dificilmente a gente vai ter sucesso, né? Então, a gente vê, percebe em várias organizações, várias empresas falando, várias pessoas falando super bonito, meio que botando um perfume ali nas soluções. Mas no final, essas soluções não resolvem grandes problemas no dia a dia, né? Então, um aspecto interessante que você está trazendo é o principal, talvez o primeiro desafio da inovação no Brasil.

está aberto a falar sobre o problema, né? É, e eu não sei se eu já estou ficando velha, mas uma das coisas que eu aprendi super rápido que eu entrei numa empresa grande era que eu deveria apresentar a solução para o meu chefe antes. Então, foram anos treinada a chegar, pelo menos, com o mínimo de solução possível, né? E não que já seja uma coisa, ok, não vou pensar na solução também e só pedir respostas, como eu vou levantar a hipótese de um problema se eu estou, supostamente, aqui para resolver o problema? Então, eu nem levanto, né? Não poupar the question, porque você não vai conseguir, você já está indo contra alguma coisa que você deveria estar fazendo. Eu sou pago para resolver problemas, né? Exatamente, como é que eu vou levar mais um?

Ou então, como é que eu vou evidenciar esse problema? E eu me sentia muito mal falando do problema. É muito impressionante, porque eu me sentia, atacando as pessoas, sobre pessoas que trabalhavam comigo, eu me sentia falando, ó, onde eu estou não está legal, e não era isso, né? Era assim, ui, tem um negócio aqui que a gente precisa falar desse elefante aqui na sala, né? Não é possível que está todo mundo indo pela beirada e tal. Então, essa confiança, assim, né? Eu acho que a gente conseguiu, acho que tudo na base da confiança, e aí você consegue, primeiro, né? Tem uma porta que chama confiança, você saber que, né? Você vai estar lá. Mas não é um lugar confortável. Ainda não é, ficar falando de... Ainda não é. Essa era a minha pergunta. E aí, já está tranquila?

Já está resolvida? Ou ainda é um desafio constante aí no dia a dia? Falar sobre o problema e estar com essa, de alguma forma, mal compreendida, né? O mal... É, não. Eu acho que ainda é uma coisa, no mínimo, divisória, assim, divisória de águas, assim, né? Tipo, e o que eu vejo também, principalmente quando você está envolvida com outros grupos, aí sim, né? A história de apresentar cada um uma solução, acho que minimiza o assunto do... de passar tempo com o problema, né? E o que eu vejo também são gestores pedindo, muitas vezes, menos... Eu até ouvi um dia uma frase que foi, eu queria menos a pizza pronta e eu queria contribuir com a pizza, sabe? Que parece que me... Me chegam aqui com a pizza pronta. Soluções, soluções, soluções. E às vezes eu nem consigo contribuir.

O gestor nem consegue contribuir mais. Animal, animal. Eu sofro bastante disso. A gente já bateu um papo, né? Alguns papos sobre isso. O quanto é doloroso, né? No final do dia, dói um pouquinho, porque você está, de alguma forma, na sua cabeça, você está indo contra todo um sistema. E até esse sistema compreender do que você está falando, de qual o problema você está sinalizando, cara, tem um desgaste, uma linha de desgaste muito tensa. E é engraçado, quando as pessoas entendem o que você estava contando, você já está no novo desafio. E você começa a ser, novamente, incompreendido por um tempo, né? É muito. Exato. Eu estava aqui pensando, falei, não, eu achava que era uma coisa... Eu já estava achando que era uma coisa da minha personalidade, que eu era uma pessoa realmente insuportável.

Então, um dos títulos, assim, que eu ouço bastante é, tipo, ai, cheira de ser rebelde agora, então isso daqui, ok. Não só, eu acho que tem uma diferença muito grande, assim, entre reclamar de tudo e enxergar um problema com tanta calareza que você começa a ficar tão inconformado que você começa a ficar falando desse assunto de todo jeito. Você está vendo a solução de uma maneira tão clara, né? Não solução, problema de uma maneira tão clara, eu já estava falando de solução, que você fica insistente, fica até nervoso, né? E é desse jeito que a gente vai fazendo as mudanças, mas Magno, é muito, muito difícil estar nessa posição. Você fica esgotado, cansado, aí você fala, pô, eu realmente não, né? Parece que você está indo contra o trabalho das pessoas que também todo mundo está lá fazendo o melhor, né?

Não é uma coisa que todo mundo acorda e fala, ah, não, não quero resolver o problema. Então, é uma situação desconfortável. É muito, é muito. E no final, é... é... eu acho que pessoas mais inovadoras, talvez a que eu estou me colocando um pouco nesse lugar, é um lugar desconfortável, mas é bom, né? Eu sinto vários, em vários momentos, assim, quando eu estou começando a ficar confortável em algum lugar, em alguma situação, eu sempre me meto em algum desafio, em alguma conversa, em algum objetivo, em alguma resolução de problema, que vai me gerar essa sensação de eu não tenho segurança, não estou seguro de todas as respostas, e isso me dá um pouco de sentimento de crescimento, como indivíduo, magno, né? Então, toda vez que eu me vejo um pouco ali numa zona de conforto, ou chegando próximo dessa zona de conforto, eu tenho que me colocar numa zona de desconforto para eu me sentir bem, que eu estou vivo e eu estou respirando.

Isso acontece com você também? Muito, muito. Não, e parece que está realmente alguma coisa errada, né? É porque de alguma forma, não sei se você sente isso, mas tem uma coisa de causa, né? Porque você está tão tentando... É uma coisa maior. O problema é uma coisa maior. Então, por isso que eu acho que tem uma conexão aí, que as pessoas têm oportunidade de se conectar mais, entendeu? Você traz muito mais. Quando você fala de um problema, mas que tem esse sentido maior, você engaja muito mais o seu time. Você tem esse drive muito mais claro, né? Que você está realmente resolvendo uma coisa com sentido. Você está tentando encontrar ou derrubar ou, enfim. Então, é realmente isso. Então, quando esse ciclo começa a desbloquear, você já precisa realmente engatar em outra causa.

Manu, e dentro do seu dia a dia, com esse perfil mais inovador, com essa cabeça mais rebelde ou disruptiva, o que você entende que são os principais desafios, né? Você já trouxe alguns elementos ali de, talvez, algum desconforto com as pessoas que, talvez, sintam como se você estivesse falando mal do trabalho e tal. Mas quais são os principais desafios que você encontra no dia a dia? Que, cara, como é que você equilibra, né? Os desafios do dia a dia com essa mentalidade, com esse perfil que você tem, viver também no nível de estresse ali, de ser incompreendida por muito tempo, isso não é saudável. O que você traria pra gente que são os principais desafios, assim, que você percebe mais latente no seu dia a dia? Eu ainda acho, então, essa percepção de como o os outros estão me vendo, ainda é uma coisa.

A gente pode falar, ah, eu sou livre de julgamento e tá tudo bem, mas, assim, ninguém é, né? Você pode achar que você, tipo, ah, não, tá tudo bem, eu tô sendo fiel a mim mesmo, mas não é. Eu acho que o exercício de saber de que a recompensa é muito alta, entendeu? Também de estar nesse lugar. Então, é um lugar difícil, mas a recompensa é muito alta. Eu acho que também tem esse balanço, né? O que eu acho mais difícil no dia a dia são quebranças, não sei se eu chamo de silos, ou são coisas que... e aprendes... Na verdade, eu nem acho que é aprender coisas novas. Eu acho que é realmente desaprender e que as pessoas realmente quebrem esses silos e de coisas que... Tudo bem, tá tudo bem se você pensava uma coisa ontem que deu certo e hoje você tá mudando.

Então, essa... No meu dia a dia, eu acho que o que eu mais acho difícil é realmente abandonar alguns aprendizados que eu tive ontem também. E isso acontece comigo também. Tipo, ontem isso deu certo. Como é que eu vou abandonar até esse jeito de ser rebelde que eu fui ontem, né? Então, a gente também tem essa armadilha que a gente não pode cair. Ontem eu inovei desse jeito, então eu vou começar a inovar desse mesmo jeito aqui, nesse mesmo frame. Muito bom. Me lembrou de uma frase? Eu não lembro o nome do autor agora, mas ele fala que a única certeza que a gente tem é a mudança, né? As coisas vão mudar. E é um nível de abertura que você precisa ter, porque cara, eu aprendi a inovar. Então, dentro do meu histórico, eu inovei de várias formas desse jeito.

Se você começa a padronizar esse jeito, você não continuará inovador por muito tempo, né? Você acaba caindo na sua zona de conforto e aí entra um pouco desse desafio de, cara, como é que eu mudo? Não é só sobre as pessoas, mas é como é que eu mudo o meu modelo mental de pensamento, a cada dia, a cada semana e realmente isso é muito desafiador, assim, pra qualquer um, né? Então, eu sempre percebo muito, assim, em algumas pessoas, em alguns times, cara, mas, poxa, a gente definiu isso ontem ou semana passada e a gente tava tendo um caminho, assim. Tudo bem, mas de quando a gente definiu até esse momento, o mundo mudou, né? Então, as coisas mudaram, eu tive contato com outras experiências, com outras pessoas, ou com um benchmark aqui de algum concorrente, de algum, sei lá, de algum comercial que passou na TV e mudou a minha percepção.

E tá tudo bem mudar de opinião, que realmente é dentro do ambiente corporativo, se você muda muito de opinião, quer dizer que você não tem consistência, né? Você não... Não é muito confiável, né? Mudar de opinião tão rápido. Não é muito confiável. Não, e tem um pedaço disso, da mudança, que, assim, não é sobre você. A história da... Porque se é sobre você, você vai querer fazer aquilo que você acha, né? Que você acha que é a ideia. Mas se for sobre o problema, você fica apto a mudar, entendeu? Então, esse apego à sua ideia que inicialmente ia resolver o problema, então você sempre vai voltar pro problema, entendeu? Porque daí você não se apega à sua ideia que você teve. Então, não é o apego à solução que você já achou. Então, quando você já começa também a não querer mudar, porque você já também já achou que tem uma solução e é você passa isso comigo, acho, a gente vê isso o tempo todo.

Todo mundo é louco pela primeira solução. Então, assim, se você acha uma solução, aqui, ó, tá aqui, tá feito. Gente, já temos uma solução, é aqui que a gente vai, né? Aqui é o mapa. E esse aqui é o mapa é quando começa a me preocupar muito. Porque eu falo, meu, aí tá todo mundo já apegado ao mapa. Porque traz conforto pra todo mundo, né? E o ser humano é... E é tudo sobre, né? Sobre pessoas. Então, o ser humano é um ser que precisa se sentir estável, né? De algum jeito. Então, fica todo mundo aqui, ok. A primeira chance de estabilidade é mais fácil de embarcar, né? É mais confortável, né? Engraçado, eu tenho um... Agora, com a pandemia, deu pra várias pessoas essa oportunidade de liberdade geográfica. E pra mim, isso, cara, tá fazendo muito sentido, assim, porque hoje eu consigo trabalhar de qualquer lugar.

E pra mim isso é muito legal. Mas pra muita gente isso é um horror, tipo... Desesperador, é.

Desesperador? Cara, como assim? Eu acho que tem um exercício, né? Eu não é... Eu nunca fui sempre, assim, com essa mente super aberta. Ah, não? Eu tinha mais um perfil mais conservador, de planejar. Nossa, não imagino.

Então, planejava tudo, tinha algumas definições, e aí, eu acho que a vida foi trazendo um pouco dessa... Cara, nem tudo que você planeja dá certo. Acontece exatamente como você imagina. Imaginou, ou imaginava, então, vai abrindo um pouquinho, vai deixando essa incerteza ser mais normal dentro da sua vida, né? E hoje, talvez eu tô num nível muito hard dessa abertura, e isso gera alguns desconfortos nas pessoas que estão ao meu lado, né? Então, o pessoal começa a encarar como, putz, mas você não tem empatia com o problema que a gente tá vivendo, você não considera todo o esforço, a energia que a gente colocou pra construir essa solução. Eu falei, cara, eu considero tudo isso.

Mas tem outras formas de fazer as coisas, de resolver esses problemas, né? Isso é muito legal, assim. Muito bom essa ideia de poder trabalhar de qualquer lugar, né? Quando eu mudei, eu não sabia se ia dar certo. Na verdade, eu tinha certeza que não ia dar certo. Numa empresa super tradicional, a gente ainda não fazia modelo home office, eu falava, pô, qual a chance disso dar certo? É zero, tanto é que a gente fez um teste. Falou, bom, vai e vamos ver o que que dá. E aí, realmente, até pras pessoas mais desapegadas, que trabalham de uma maneira menos organizada, que eu sou um pouco mais nesse perfil, não é fácil. Porque você é orientado, até quando você tá no espaço físico, pelo espaço, pelo tempo, ok, às 10 eu tenho essa reunião, vou falar com não sei quem, vou ver não sei quem, e você fica, você tem que mudar o eixo, né?

O eixo passa do espaço físico e muito focado no tempo mesmo, que é, ok, às 10 é isso aqui, eu tenho que resolver esse problema às 10. Não é mais o espaço físico, às 10, eu vou entrar naquela sala de reunião, entendeu? Então, é uma construção, mas é realmente acho que é um fator importante nessa ideia da inovação, assim. E tem, acho que fazendo essa analogia, né, do trabalho físico ali, trabalho remoto, dentro do trabalho físico, a sensação de que as pessoas estão trabalhando é porque elas estão sentadas nas suas mesas, olhando pro computador. Sim. E no trabalho remoto, você não tem isso, né? A única coisa que você consegue ver mesmo é o trabalho, o resultado do trabalho. Então, não importa muito como a pessoa fez, se ela ficou 8 horas sentada e tomou café duas vezes, uma de manhã e outra tarde.

Cara, o que importa é o resultado que essa pessoa, esse conjunto de pessoas estão entregando. E ainda hoje, com pandemia indo pra mais de um ano, essa ainda é uma grande quebra de paradigma, né? De como é que, parece que não tem relação com inovação, mas tem muita relação de como é que você desprende, né? De alguns padrões que você vai sendo educado ao longo da vida. Então, cara, obviamente todos nós fomos educados que as pessoas trabalhando, elas estão dentro de um escritório, sentadas numa mesa, olhando pro computador. Exato. Como é que você começa a mudar esse modelo mental, inclusive pra você criar um ambiente, cara, não é a pessoa sentada no computador que vai gerar o trabalho. Ela pode trabalhar uma hora por dia e entregar um puta resultado.

O resto, ela pode fazer qualquer coisa e tá tudo bem, né? É, não, eu sofro esse assunto, porque o meu time é muito focado em pesquisa de consumidor, de tendência, enfim, e de alguma forma isso era muito claro que eu fazia isso exatamente enquanto eu não tava trabalhando. Então, eu só conseguia ficar mais próximo do meu consumidor enquanto eu não tava no escritório, olhando pro computador. Era um incômodo, entendeu? Porque de algum jeito eu tinha que fazer isso no meu horário extra, no fim de semana, se eu quisesse ser essa pessoa super conectada com o meu consumidor, eu tinha que fazer isso em alguma hora, pra que não fosse das nove às seis. E eu vejo que essa geração não é nem frente ao computador. Aí muda muito mais. Então, assim, o meu time é assim, é só no telefone, no Instagram, tipo assim, não tem como cobrar, entendeu?

Porque cada um tem um ritmo, né, de pesquisa e os resultados e, enfim, o seu papel, né, é, de novo, é pensar um pouco mais macro. A sua entrega é essa. Como você vai fazer essa entrega, ou, né, se vai ser, tipo, direto, se vai ser, sentado? Não é, não posso, não posso eu definir, né? Eu acho que também tem uma coisa de individualidade, assim. Mas eu vejo que é uma coisa que a gente tem que mudar cada um em si. Não é o seu chefe que também vai chegar e falar assim, oi, gente, a partir de hoje, né, eu acho que a gente muda dentro da gente e depois a gente começa a mudar as pessoas ao redor. E as pessoas começam a ficar mais confortável com isso. Mas, no começo não é fácil. Fica todo mundo até se duvidando que tá fazendo o máximo, né? Então, se você, você fica com culpa que você não tá entregando, né?

Tipo, não tô entregando o meu máximo, então, tipo, tô fazendo isso em outra hora. Então, realmente, é um momento que eu acho que vai ajudar muito a gente, assim. O momento pandemia, pelo menos, acelerou esse movimento, né? Muito bom, muito bom.

E, Manu, dentro de inovação, sempre tem algumas dúvidas, né? Uma das principais dúvidas é como é que a gente mensura se a gente tá tendo sucesso ou não quando a gente inova. Você já tem isso claro na sua cabeça? Como é que mede o sucesso da inovação? Bom, a gente tem, né, tem algumas ferramentas, mas, assim, eu começo a ver se a inovação funciona com as pessoas ao redor de mim, assim, que trabalham comigo, sabe? Se faz sentido, se tem ressonância, acho que são dois termômetros, assim, e eles são muito, pra mim, eles são mais baseados em pessoas, que são as pessoas que eu trabalho e as pessoas que, no caso, são os meus consumidores, né? Então, nada, pra mim, é mais valioso do que um feedback espontâneo. Eu vejo comentário no Twitter, falo, meu, pra alguém ir lá e comentar, né?

Ou eu vejo um momento especial que alguém tava usando uma roupa batizada do meu filho. Isso, pra mim, é um feedback real, né? Você usou aqui ou naquele momento. Então, o impacto que você faz hoje, e eu vejo uma ressonância muito forte com o meu time reproduzindo as coisas, que a gente começou uma jornada atrás. Então, as pessoas que estão entrando agora, né, os mais novos, eles já usam isso como uma nova estratégia, como um novo, tipo, traz a resposta pro seu chefe. Então, ele já tem na cabeça deles essa coisa, não, eu tô aprendendo aqui, calma, então, você ver as pessoas que trabalham com você vivendo isso, eu acho que já é uma forma de resultado. Animal. De alguma forma, reproduzindo algum comportamento, alguma atitude ali, né, nesse aspecto.

Eu ouvi uma vez, uma frase, ele fala sobre tecnologia, mas aí eu mudo tecnologia pra inovação e tá tudo bem. Ele fala que, eu vou parafrasear colocando inovação aqui. Inovação é quando a borracha encontra o chão. Que, parafraseando o que você disse, cara, inovação pra mim é quando gera impacto nas pessoas. Seja essas pessoas que fazem parte do meu time, seja essas pessoas clientes que estão usando o produto que eu tô ideando, concebendo em algum momento da vida. E pra mim isso faz muito sentido. Eu vejo várias empresas, várias pessoas, vários times tratando inovação, fechadas num aquário, com um monte de post -it, mas não sai nada dali. Que eu acho super legal, é super bonito, mas se eu tô criando um processo de inovação que eu não tenho uma borracha encostando no chão, que eu não tenho tecnologia, ou tenho um produto sendo realmente utilizado, ou minimamente algum comportamento sendo reproduzido pra ter uma cultura, e aí eu entendo que as pessoas começam a reproduzir algum comportamento quando tem a borracha encostando no chão, né?

Ninguém vai reproduzir um comportamento que achei legal, vou reproduzir isso, não tá me gerando benefício ou ganho nenhum. Eu acho que esse é o maior estigma, ou o maior mágica, e que acontece em volta da inovação. Então, assim, de algum jeito, você começa a ser uma pessoa inovadora. Ninguém sabe muito porquê, tá? E aí as pessoas começam a prestar atenção no que você tá fazendo e tal. E muitas vezes as pessoas tentam copiar exatamente os processos que você tá fazendo. Ah, então tá, tá fazendo isso, então tá falando com não sei quem, tá entrando, tá falando com o pessoal de inteligência artificial, então essa pessoa que é inovadora, ela tá sempre ali, focada no impressora 3D, enfim, todas essas coisas. Mas as pessoas, mais inovadoras, elas estão resolvendo, ou elas estão numa solução.

É isso que elas querem, entendeu? Então, quando você quer uma solução, faz sentido, pode ser uma solução mínima, pode ser uma solução do seu time ali, que não conseguia, né, sei lá, não conseguia fazer um momento, enfim, aí você tá sendo inovadora, que eu acho que é a borracha e o chão, né? Perfeito, perfeito. E tem um pouco disso também, né, porque o pessoal entende que inovação é um processo. E na minha cabeça, inovação, inovação não é um processo que você consegue copiar. Então, ah, deixa eu copiar tudo que a Manu faz no dia a dia dela, que eu vou ser inovador igual a ela. Não vai ser, porque tem todo um histórico de aprendizados, erros, acertos, que você vem construindo ao longo desses 15 anos e ao longo da sua vida, que foi te formando algumas crenças, né?

Então, eu já tive alguns feedbacks assim, cara, às vezes eu tenho um medo de conversar contigo, porque você traz um aspecto de muita segurança, e isso me gera insegurança. Não, gente, mas eu só tô trazendo, tipo, uma série de repertórios, né, que eu venho construindo ao longo dos anos. Então, é interessante como eu acho que isso garante pra gente essa rebeldia, que a gente talvez fale que é uma rebeldia, que, cara, eu acredito tanto que eu tô olhando pra um lugar que talvez nem todo mundo tá olhando, mas, dado o meu repertório, eu acredito que é o momento, né? Tem uma questão de momento, de time, de quando você olha o problema, de quando você corre, de quando você lança pra realmente ter um resultado ali relevante pras pessoas, que acaba gerando um pouco, volta naquele problema inicial que a gente tava falando, das pessoas não compreenderem muito bem.

E aí, a inovação, né, ela vem de cabeça pra cabeça, então a forma como o Magno inova é totalmente diferente como a Manu inova, mas não tem como você copiar um processo. Talvez você vai ter que criar o seu próprio processo, então você pega empresas, né, copiando várias formas de outras empresas se organizarem, de tomarem decisões, tentando serem inovadoras. Não vão ser, porque, no final, a forma como cada empresa ou cada pessoa pensa é diferente, então não adianta copiar processos, metodologias, sem você ter realmente um repertório, uma mentalidade inovadora, né? E aí, acreditando que inovação tem muito a ver com aceitar a incerteza, que é um pouco do que você trouxe, Manu, de cara, a cada dia eu tô aprendendo. Então, as formas como eu tive sucesso no passado, eu preciso criar dentro de mim, dentro da minha mente, um processo de desaprender, né?

Não, a história do repertório, pra mim, ela é crucial. Até, assim, contratar pessoas hoje, pra mim, tem a ver com repertório e, assim, repertórios diversos, enfim, mas a história do repertório ela significa muito mais do que antes, e muito mais, né? Essa, que nem você falou, ultrapassa muito essa barreira de onde você estudou, né? Onde você trabalhou, é o seu repertório de vida mesmo, né? E como é que você pode, ainda mais as pessoas que entram super novas numa igreja, como é que você pode esperar que elas se comportem do mesmo jeito? Ou seja, você tá perdendo aquela solução, aquele jeito que só essa pessoa poderia trazer, né? Então, os repertórios diversos e mais essa coisa, essa pessoa conecta o dote de um jeito, é diferente do que eu conecto, né?

Quando essa pessoa, ela não vai conseguir fazer o clique que hoje a gente faz se ela não passar por esses estágios, né? Então, mas tem uma coisa que em empresa grande acontece na cabeça, assim, né? No velho pensamento que é um pouco caro você deixar as pessoas testarem, aprender, enfim, então hoje eu vejo com os nossos estagiários, por exemplo, eu sei que alguns erros vão ser mais produtivos pra gente no longo prazo do que no curto prazo, tenho certeza disso. Porque eles vão aprender muito e vão coletar, e não sou eu que posso ser um lá e falar assim, ah, não, isso aqui não vai dar certo mesmo e tal, tal, tal. Então, como é que você prepara as pessoas também pra ficar? Acho que você tem que preparar um ambiente que as pessoas consigam ter repertório.

Eu fiz uma palestra recente que eu trago exatamente isso. Além de você dar um direcionamento estratégico, uma missão clara, você precisa criar um ambiente seguro pra que as pessoas consigam aprender, errar e ter um processo de melhoria contínua. Se você não tem um ambiente onde as pessoas consigam errar, aprender e fazer um processo de melhoria contínua, você não tem inovação, porque as pessoas não vão tentar fazer nada diferente, né? Vão sempre seguir regras. Isso é meio que insano, assim, né? Porque você contrata várias pessoas pra resolver um problema de negócio e automaticamente entregar valor pro cliente, mas você fica microgenitando todo mundo. Basicamente você pega o potencial que você contratou e joga fora, né? Então, se eu contrato uma pessoa, sei lá, mil reais e eu tô dizendo o tempo todo pra ela o que ela tem que fazer ou o que não tem que fazer, cara, a pessoa não pensa, né?

Ela não usa a principal ferramenta dela, que é o cérebro. Então, é como se a gente pegasse metade do salário e jogasse fora. Não, exatamente isso. E essa ideia, né? Então, eu vou pegar um bando de gente, vou formar mini -manus e aí eu tenho um time que é super fácil de lidar, um time sem muito conflito e não é uma coisa que a gente superou, tá? Não acho que é uma coisa que o mercado superou de uma maneira geral, assim, né? Existem momentos que todo mundo enxerga isso como muito importante, mas quando as coisas começam a ficar um pouco mais apertadas a gente volta no nosso modelo reativo de tipo, oi, oi, oi, vamos dar uma segurada aqui, volta a mini -manus aqui. Eu já fiz isso várias vezes, né? Tipo, gente, a venda tá acontecendo, vamos voltar aqui nesse formato aqui.

E aí eu tô perdendo o melhor das pessoas mesmo, né? É exatamente aí que eu perco as pessoas. Verdade.

Muito bom. E Manu, quando ouvir os clientes e quando não ouvir? Nossa, essa eu amo muito, essa eu amo muito. Eu acho que a gente pode ouvir de maneiras diferentes, né? E depende do mercado que você tá, então eu passo muito por isso, né? Então, se você tá no mercado um pouco mais funcional, que as pessoas exatamente estão precisando disso, então eu acho que você precisa ver a indústria primeiro, né? Eu entendo um pouco mais da... Então, eu acho que você precisa ver a indústria primeiro, né? Dessa indústria de moda e tal. Essa é uma indústria que ainda, ela tem alguma coisa mais do que só ser funcional. Ninguém necess... Óbvio, né? Tirando os momentos de inverno, roupa pro meu filho e tal. Essa indústria de moda, ela não é uma compra tão racional assim, do tipo, eu preciso exatamente desse vestido pink aqui, porque eu vou me sentir...

Então, existe algo por trás. Então, a sua cliente, às vezes, numa conversa com elas, você vai mostrar o vestido pink e ela vai falar, não, não gosto. Não quero. Não gosto. Não é isso. E muitas vezes a gente já passou por isso de, ok, não vamos fazer. Isso não vai vender. Ela já falou aqui que não gosta. Fizemos uma pesquisa aqui em Fox Group, falou que não quer desse jeito, né? E aí se apresenta mais um produto em alguma semana depois, né? Com todo o contexto da loja, né? Uma nova experiência e aí racha de vender. Muito bom. É muito bom. Eu acho que tem alguns jeitos, assim. Então, eu acho que a beleza tá em traduzir o que exatamente elas estão falando. Porque esse é o nosso trabalho. Porque se elas quisessem só exatamente falar, ah, eu quero esse vestido pink, ia ser mais uma coisa on demand, né?

A gente ia ficar lá, tipo, anotando o pedido. Tipo, oi, oi, oi, oi. Então, você quer hoje se sentir... Então, acho que a beleza nossa é realmente... E eu vejo as clientes mais felizes são aquelas que falam, eu nem sabia que eu queria isso. E, tipo, sei lá, você já adivinhou isso. Eu não tava esperando por isso. Então, você surpreender aquele ente, às vezes tem mais valor dependendo da indústria que você tá. Você entrega mais, entendeu? Você tá entregando ali uma cereja a mais no seu bolo. Você não tá só entregando o vestido. Pô, eu queria um vestido, mas aí tem uma coisa diferente. Então, eu acho que a beleza de um time que sabe ler e transformar é realmente ir num passo além, assim. Muito bom. E eu acho que aqui a gente volta no tema principal, sobre amar o problema, né?

Dentro da K21, a gente sempre tem uma analogia do médico e do farmacêutico. Se você vai no médico e fala doutor, eu quero uma aspirina, uma injeção e um Rav -X, ele não vai te dar. Ele vai perguntar, vai examinar, ver onde é que você tá sentindo dor, qual o desconforto e tal. E aí, entendendo qual o problema que você tá vivenciando, ele vai te receitar um medicamento pra aliviar aquela dor ou aliviar aquele sintoma. Diferente do farmacêutico. Se você chega com uma receita ou pede algum remédio, ele vai te dar. Então, eu acho que dentro desse processo de inovação, a gente precisa se comportar muito mais como médicos. E talvez o teu paciente, o teu cliente, vai te dizer uma coisa e quando você começa a examinar e ter uma visão um pouco mais ampla daquilo que ele não compreende, né?

E você tem essa capacidade, você começa a entregar remédios mais assertivos que gera, por exemplo, essa surpresa, né? Tipo, cara, eu tô com um problema aqui no... na região abdominal. E o médico examinou e descobriu que é um problema no pé. Tipo, gera uma reação de surpresa. Tipo, cara, eu imaginava que era no abdômen. O cara descobriu que era no pé. De onde vem isso, né? Muito bom. Isso é muito legal. Nossa, é muito boa essa. Tô muito chocada. Não tinha ouvido ainda de vocês. Muito bom, muito bom. E tem muito isso. E tem muito isso, né, Manu? Eu acho que boa parte das empresas e times e pessoas acabam se comportando mais como farmacêuticos e não... de tirar pedidos, mesmo. Tipo, cara, tem um pedido aqui pra entregar tal coisa. Ok, eu vou entregar essa coisa.

Tem um outro pedido pra fazer outra coisa. Beleza, vai fazer outra coisa. E não tô desmerecendo, obviamente, aqui o trabalho do farmacêutico, mas, obviamente, é só uma analogia pra gente avaliar, né, comportamentos diferentes. Então, como um médico avalia um problema e como é que numa farmácia você pede um remédio e tem isso mais facilmente do que... Os dois salvam vidas, de algum jeito, né? Os dois ajudam no propósito. Exatamente. Exatamente. É uma analogia mesmo, tipo, cara, talvez se a gente, nesse processo de inovação, de aceitar... Então, tem muito, né? O farmacêutico tá num ambiente mais seteiro. Ele já tem uma prescrição médica. O médico, não, ele tá num mundo muito mais incerto. Que é onde vem, um pouco, talvez, o aspecto que a gente tem que abraçar pra sermos mais inovadores no dia a dia.

A gente volta no... A gente volta na questão de copiar o processo. Então, o que eu vejo muito é assim, ok, então agora todo mundo tá falando que inovar é você faz um MVP, você testa e pergunta pra cliente e volta e... aquele modelo mental de inovação. E aí, como é que você vai pular o feedback da cliente? E eu fico um pouco paralisada, assim, né? Ok, a gente vai fazer igual, mas faz sentido nesse negócio. Ou então, que tal a gente bater um papo e perguntar outras coisas da vida dela pra gente ver se a gente tem um outro insight, né? Então, esse jeito de fazer pesquisa também, com a cliente, também me incomoda muito, né? O modelo, uma receita de bolo mais básica possível é o jeito que a gente tá coletando feedback hoje, né? De uma maneira geral.

Muito bom, muito bom. E, Manu, quais são as dicas que você deixaria aqui pros nossos ouvintes pra ou serem mais inovadores ou as pessoas inovadoras, rebeldes, que estão sofrendo no seu ambiente de trabalho ou na sua vida, de como é que eles conseguem equilibrar e ter esse mindset de inovação de forma mais saudável, no final do dia? Quais são as principais dicas aí, dado a sua história, que você poderia deixar pra gente? Eu acho que, primeiro, é realmente não ter medo de encarar esse desconforto do problema. A gente falou bastante disso, mas com tudo na nossa vida, a gente meio que faz isso, né? Tem alguma coisa não dando muito certo, a gente ah, vou resolver amanhã, deixa isso daqui, ah, não, no fim do dia eu dou uma passada e tal. Então, exatamente onde você tem mais problema, né?

Eu costumo achar que é onde tem mais revelação de coisas boas. Então, se ali tem muito problema, é ali que tá o negócio que também vai te levar pra um outro lugar. Animal. Se tem um negócio que tá dando meio certo, outro meio, ok, mas o negócio que vai transformar o seu business é onde você tem mais problema. Então, você entrar, né, não ter medo de entrar no jungle, porque eu acho que realmente, aí você entra e aí você fica quase sem ar, né? Porque é uma floresta, assim, selvagem. Aí, quando você tá lá, aí você precisa ter coragem mesmo de se sentir um pouco contra a maré. Aí é um pouco contra a maré. A princípio, no começo. E tá tudo bem, se você achar que você tá desconfortável é porque você tá realmente no caminho certo, você tá vendo alguma coisa que provavelmente a maioria ainda não conseguiu primeiro, entrar no problema e segundo, ter coragem de ficar lá em pé, entendendo o problema sozinho, muitas vezes sozinho.

Então, você vai ver que é muito mais fácil entender que é muito mais fácil, como profissional, concordar com os outros e falar, não, não, também, todo mundo sabe fazer isso. Todo mundo sabe, tipo, agradar o meu chefe. Eu sei agradar o meu chefe. E eu sei quando eu também tenho que falar, não, isso não tá legal. Então, você saber que você tem realmente essa escolha de ir contra a maré, por um sentido maior, assim, acho que esses dois são os fatores essenciais. Muito bom, Manu.

Então, basicamente, eu volto, né, dentro desse, dessas dicas, cara, eu acho que o caminho é árduo, é uma selva, como você trouxe, mas no final, a gente consegue perceber mudança, né? E aí volta naqueles dois pontos que você trouxe mais cedo, que a gente consegue ver uma mudança no comportamento das pessoas que estão ao nosso redor, trabalho, em equipe, etc. E também numa mudança de comportamento nos clientes que consomem os nossos produtos no final do dia. E pra você conseguir fazer realmente isso, gerar impacto, né, gerar impacto relevante, requer muita postura, de alguma forma, muita autoridade ou conhecimento próprio, porque senão você não consegue fazer, você fica no meio do campo, né? Você acaba caindo na sua zona de conforto, ali fica confortável, você entende que tem muita coisa pra fazer, mas cara, talvez a selva tá braba demais, e aí talvez buscar ajuda de pessoas inovadoras como você dentro da organização, ou amigos que consigam bater um papo e dar alguma luz, pode ajudar bastante.

Acho que é um pouco disso, né, Manu, que eu pelo menos interpretei aqui. Muito bom. Faz sentido? Faz muito sentido, muito sentido. Acho que a gente fechou aí na história da selva mesmo. Muito bom. Então, inovação é uma selva de alguma coisa. É uma selva de alguma coisa. E aí você vai abrindo e vai descobrindo, mas você não pode, tipo, parar de abrir os caminhos, né? Senão você não consegue continuar. Muito bom.

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