
Ep. 204 - PLANTÃO LTP: A Polêmica dos 268%: Agilidade em Xeque
Resumo rápido
Um artigo viral no LinkedIn afirmou que 268% dos projetos ágeis falham em comparação com a Impact Engineering Methodology. O episódio desmonta a pesquisa como estratégia de marketing, aponta erros conceituais (confundir prazo com resultado de negócio), reconhece críticas válidas à agilidade pró-forma e defende que completude não é sinônimo de sucesso.
Capítulos
- 00:37A polêmica dos 268%: o que viralizou no LinkedIn
- 01:51A estratégia de marketing por trás da pesquisa
- 03:27Erros conceituais e o triângulo de ferro
- 05:45Críticas válidas e a ausência de resultado de negócio
- 08:01O Extreme Go Horse e a agilidade de verdade
- 11:47Os três públicos em conflito no debate
- 17:35Completude não é sinônimo de sucesso
Frases do episódio
O que você vai ouvir neste episódio
- Andressa Chiara e CFC questionam a metodologia utilizada no relatório que divulgou a taxa de falha de 268%.
- O episódio examina a estratégia de viralização usada para promover a nova abordagem chamada Impact Engineering.
- Os anfitriões analisam a reação da comunidade de agilidade e dos defensores da gestão tradicional de projetos.
- A discussão reforça que a verdadeira agilidade foca na entrega contínua de valor e na adaptação constante.
- O debate destaca a importância de entender o contexto antes de escolher ou criticar métodos de trabalho.
Temas discutidos
O episódio conecta a discussão de métricas polêmicas com a cultura organizacional e a tomada de decisão em liderança de produtos. Ao desconstruir dados alarmistas, os apresentadores evidenciam como a falta de contexto compromete a adoção da agilidade. A verdadeira transformação exige compreender as dores do negócio, focar na entrega contínua de valor e evitar soluções prontas vendidas como milagrosas, fortalecendo a maturidade na gestão de projetos e equipes.
Para quem é este episódio
Agilistas, líderes de produto e gestores de projetos que buscam discernimento crítico diante de estatísticas do mercado se beneficiam deste conteúdo. A discussão oferece visão prática para profissionais que precisam defender metodologias ágeis com embasamento ou avaliar a eficácia real dos processos em suas organizações.
Sobre a série PLANTÃO LTP
O PLANTÃO LTP é o formato de resposta rápida do Love the Problem: episódios curtos que atacam uma dúvida específica enviada pela audiência, com uma recomendação prática ao final. Ideal para quem quer resolver um problema pontual do dia a dia sem ouvir uma conversa longa.
Ver todos os episódios da série PLANTÃO LTPPerguntas que este episódio ajuda a responder
O que está por trás da estatística de que projetos ágeis falham 268% mais?
A estatística surgiu de uma pesquisa com metodologia questionável, utilizada como peça de marketing para promover uma nova abordagem de gestão chamada Impact Engineering. O episódio analisa como dados sensacionalistas são construídos para gerar engajamento e controvérsia nas redes sociais, omitindo nuances fundamentais sobre a aplicação real dos métodos.
Por que a metodologia do estudo sobre a falha da agilidade é questionada?
Os anfitriões mostram que o estudo utiliza critérios frágeis de avaliação e comparações inadequadas para definir o sucesso ou fracasso de um projeto. A análise desconsidera o contexto organizacional e as adaptações necessárias, distorcendo o conceito de agilidade para favorecer uma narrativa comercial específica e promover um produto alternativo.
Qual é a essência da agilidade discutida no episódio?
A essência da agilidade consiste na entrega contínua de valor, na adaptação constante às mudanças e no entendimento profundo do contexto de cada organização. O episódio reforça que ser ágil não se resume a seguir rituais engessados, mas sim a resolver problemas reais de maneira eficiente e alinhada às necessidades do negócio.
Sobre este episódio
O Plantão LTP 204 analisa a polêmica viral do LinkedIn em que uma pesquisa encomendada por 600 engenheiros afirmou que 268% dos projetos ágeis falham em comparação com a Impact Engineering Methodology. Os hosts desmontam a pesquisa como uma estratégia de marketing comparativo: o objetivo nunca foi provar que a agilidade não funciona, mas sim colocar a nova metodologia no mapa, gerando visibilidade e salto no Google Trends. O episódio aponta erros conceituais graves — a pesquisa mede entrega no prazo, ignorando resultado de negócio e valor contínuo — e reconhece que a insatisfação de C-levels com agilidade pró-forma é legítima, mas não é o que a pesquisa resolve. A paródia do Extreme Go Horse, feita por Lula, expõe que velocidade sem qualidade gera dívida técnica infinita. Três públicos se mobilizam no debate: defensores do mindset ágil, profissionais de projetos tradicionais desvalorizados e engenheiros de software. O episódio conclui que a agilidade raiz busca ficar abaixo do custo e maximizar valor cedo, com qualidade inegociável, e que completude não é sinônimo de sucesso. A mensagem final é de espírito crítico: não cair em virais que dobram conceitos para interesses de marketing.
Transcrição completa
Aconteceu uma coisa muito legal, a gente está gravando na sexta-feira, dia 7 de junho, e hoje, se vocês rolaram pelo feed de LinkedIn, não se fala de outra coisa. Teve um artigo que saiu falando que 268 dos projetos ágeis falham. 600 engenheiros fizeram uma pesquisa que 268 mais projetos ágeis falham do que usando o Impact Engineering Methodology. Por isso que a gente acha que foi genial, gente. Isso é uma das estratégias mais eficazes que a gente tem para comunicar algo novo. É muito mais fácil você lançar algo no mercado em comparação com algo antigo do que você lançar algo no mercado, tipo, stand-alone, tendo que se apoiar sozinho nesse lançamento. Então, o que a gente percebeu pelo movimento que estava rolando? Uma galera que criou uma metodologia, resolveu encomendar uma pesquisa, que não é nada enviesada, imagina, mas essa pesquisa basicamente comprova que este método novo que eles estão lançando é milhões de vezes melhor do que os métodos ágeis, certo? E é basicamente esse o objetivo da pesquisa. Se você olhar no Google Trends, ela deu certo, porque a Impact Engineering apareceu. Você vai lá olhar, dá uma procurada depois no Google Trends, você vai ver que deu um salto. Agora, vamos lá. Está cheio de erro conceitual dentro do que está se falando dentro dessa pesquisa. Para começar, com o que ele chamou de 268 a mais, não foi de resultado, foi de projetos entregues no prazo. Fechando, então, o triângulo de ferro. Custo, escopo e prazo. Mas não era isso que a gente estava mudando, por exemplo, lá no ágio? Não era uma das coisas que a gente falava? De não necessariamente o escopo precisa estar fechado e eu posso entregar o projeto mesmo assim, mesmo sem ter cumprido todos os requisitos? E é porque eu estou defendendo alguma coisa? Não. De novo, é sobre uma excelente estratégia de viralização que eles fizeram sobre o método deles, que aqui no Brasil foi usado por um influencer também. E aí, viralizou. E que, no final das contas, é sobre o que o influencer quer viralizar, certo? Então, ele pegou carona no bait ali. Eu achei muito genial porque, assim, no mundo que a gente vive hoje, galera, quando a gente fala de lançamento de produto, quando a gente fala da nossa capacidade de referência, branding, está muito baseado hoje em como é que a gente ganha visibilidade. E eu acho que todo mundo aqui já ouviu aquela máxima de falem mal de mim, mas falem. Por quê? Porque essas pessoas vão ser lembradas. Essa treta, ela vai ser lembrada e, no final das contas, esse era o endgame. O endgame não era provar que os métodos ágeis não funcionam. O endgame era colocar a metodologia que eles criaram no mapa. E foi exatamente isso que eles conseguiram. Agora, a verdade é que também é um produto fake, se você parar para pensar. Por quê? De verdade, ele está comparando com uma série de coisas que não são verdadeiras. E, de novo, aqui, o discurso colocado sobre agilidade era um discurso extremamente voltado ao que se faz há 50 anos, 40 anos já. Não tem nada a ver com agilidade. Entregou no prazo ou não entregou. Ao invés de falar de valor continuado, entrega de valor contínuo. E eu acho que teve uma coisa que eu achei muito legal desse movimento. É que tem algumas críticas que eu acho que são válidas. Por exemplo, o Felipe Adamoli, ele fez um post, falando de como é que tava achando um absurdo que em 2024 a gente ainda estivesse atacando agilidade. Por quê? Porque quando eu falo de agilidade, ah, foi entregue no prazo. Se eu entregar valor antes e descartar o resto do escopo que a gente tinha pensado, porque aquilo não entrega valor, dentro desses critérios isso é uma falha. Nenhum dos critérios que foi usado nessa pesquisa, ele olha para resultado de negócio. E o que ele trouxe eu achei muito legal porque ele começa a questionar um pouco sobre como o sucesso deveria estar vinculado a esses resultados de negócio. Durante um período, até 2022 mais ou menos, a gente tava vendo muito o crescimento da agilidade, mas mais pró-forma. Portanto, tá rodando sprint, então você é ágil. Aquela desfunção do tipo Agile Coach passando com checklist nos times pra medir maturidade. Você tá fazendo sprint? Você tá fazendo daily? Você tá fazendo retrospectiva? E, cara, você pode fazer todas essas coisas e não atingir resultado. E o que isso tem a ver com esse lançamento dessa metodologia hoje? Essa metodologia, ela tá surfando numa insatisfação que é válida. A despeito desse lançamento não ter essa validade, a insatisfação, ela é válida. Os stakeholders, as pessoas que são de C-level, os líderes que estão apostando durante tanto tempo, investindo orçamentos, milhões de reais em ter um time de agilidade. Sendo que esse time de agilidade faz as coisas meio que pró-forma. Uma visão muito de eu tô rodando aqui um processo sem ter mudado nada, inclusive. Mas com nomes novos. Agora eu faço sprint planning. E aí não gera resultado. A partir de 2022, quando a gente começou aquele movimento de retração econômica que a gente tá vivendo ainda hoje, a conta chegou. Então, esses executivos que investiram começaram a questionar. Tá, eu tô botando todo esse dinheiro em agilidade. E aí? E aqui a gente tem que falar de uma premissa muito crítica, muito séria, que é gente, se vocês não tão entregando valor, vocês não tão fazendo agilidade. Não importa quantos sprints você coloque no ar. E outra crítica que eu achei muito boa foi a crítica que o Lula fez. Ele fez um ode ao Extreme Go Horse. Ele pegou o print dessa pesquisa que saiu, falando dos 268 mais chance de dar errado quando é ágil e rabiscou tudo e botou assim, 268 mais chance de serem entregues mais rápido os projetos que adotam Extreme Go Horse. Extreme Go Horse, pra quem nunca ouviu falar, significa faz de qualquer maneira. A brincadeira à parte, de verdade, não é de hoje que muita gente no mercado faz Go Horse. E que outras pessoas que se dizem super ágeis ou fazem Go Horse ou fazem um baita de uma burocratização e não a agilidade raiz, digamos assim. O True Agile, que a gente na K21 fala há tantos anos. Qual é o grande lance? Marketing é maravilhoso. Porque ele se alimenta das pessoas que só consomem headline. Só consomem ali o título. E o que teve de gente porque tá vivendo cenários de dor. Porque tá todo burocratizado. O que venderam pra essa pessoa do ágil não é o que ela vive. Porque, na prática, ela não vive nada de agilidade, só os nomes. A importância de que muito pelo contrário. Hoje em dia, você nascer um projeto de um ano. Você realmente acha que você vai entregar todo aquele escopo que foi desenhado mais de um ano atrás? Boa sorte. Tem cenários de mercado que a gente não consegue fazer isso em dois meses, quanto mais em um ano. Tem um público que eu acho que se alimenta muito desse tipo de controvérsia. Que é um público que se sentia que tinha muito poder, antes. E hoje se sente muito desvalorizado. Que é a galera que tá trabalhando com projetos tradicionais. Mas em universos de trabalho criativo. Por quê, gente? Porque a forma como a gente aprendeu a desenvolver software veio da engenharia civil. Veio da engenharia de trabalho repetitivo. E é por isso que não dá tanto match. Mas isso não invalida que o modelo tradicional de gestão de projeto nunca vai funcionar. Não é isso. É que existem cenários onde você precisa de muita previsibilidade pra que essa metodologia funcione. Então, eu não vou culpar o coitado do martelo. A culpa não é do martelo. O problema é que a gente tem um parafuso. E se a gente usar o martelo no parafuso, a gente vai destruir a madeira. É esse que é o ponto. A gente tem que entender pra que cada metodologia serve. Em que contexto ela se aplica. E aí a gente aplica de acordo. Então, tem uma galera muito forte de projetos tradicionais que quando veio toda essa onda da agilidade é uma galera que se sentiu muito desprestigiada. Porque tinha poder, porque era reconhecida dentro do seu trabalho e começou a se sentir desvalorizada. Então, quando acontece um movimento desse de ah, porque agilidade tem 268 mais chance de falhar quando projeta com agilidade a pessoa que lê esse headline vai compartilhar e falar eu sabia e etc. Por quê? Porque ela já tá com essa dor. Porque ela já tá se sentindo desprestigiada e aí entra um viés cognitivo de confirmação. Ela quer que aquela vivência dela seja representada por elementos externos. E aí, se você pegar os públicos que estão compartilhando, às vezes sem uma análise crítica, você vai ver dois grupos grandes. Um grupo grande é a galera que defende agilidade. E a gente não tá falando aqui de ferramenta ABC, inclusive, normalmente. Porque o Scrum tem valor, o Kanban tem valor. Qualquer uma dessas tem valor. É do jogo, elas estão buscando no fundo a mesma coisa. Mas essa galera raramente tá defendendo a ferramenta e as disfunções de quem só instalou a ferramenta. Tem essa galera que defende a agilidade e aí dentro dessa galera tem a galera que defende a agilidade pelo mindset que é o que a gente tá falando aqui. E tem a galera que defende a agilidade porque é o que eu faço da vida e aí eu trabalho com Sprint e tal. Como é que você não está valorizando o meu trabalho? O segundo público é o público da galera do tradicional que tava se sentindo muito injustiçada e também bate o olho no headline e começa a cuspir dizendo eu disse, eu sabia, etc e tal. E esses dois públicos estão entrando em conflito. E o terceiro público que bate muito aqui é boa parte da engenharia. Eu sou um engenheiro de computação de natureza. Boa parte da engenharia de computação que tá olhando pra muito do que se chamou de agilidade. Que essa pessoa tá trabalhando no dia a dia também. Tá falando assim, deixa eu voltar pro meu velho e bom XGH aqui. Porque, cara, é mais rápido, é melhor. Por acaso, meu problema é cuspir código, certo? Não é entregar, resolver problema de negócio. E a agilidade foi feita pra trabalhar do conhecimento. Foi feita pra fazer método sucessivo de refinamento. Método científico. Se você quer construir prédio, de fato, tem métodos melhores. É uma coisa muito previsível. Não dá pra mudar uma coluna do teu prédio de lugar depois que tá feito. Mas tem alguma chance de uma coisa rápida, tá trabalhando uma coisa de software mais caixinha fechada que você puder imaginar. Tem alguma possibilidade de que o processo que você desenhou digital lá tenha que ser refinado, iterado, seja passível de feedback, o ciclo curto faz sentido? Boa sorte de não usar agilidade raiz. Você vai jogar dinheiro fora. E mesmo quando a gente fala de engenharia, se você tá num ambiente de grandes incertezas, talvez não faça sentido você trabalhar com o modelo tradicional de qualquer forma. Porque, no final das contas, não é sobre se é software, não é sobre o prédio. No final das contas é se você tem muita certeza ou se você tá num ambiente de alta complexidade. E o Lula foi muito feliz na análise que ele fez, porque ele trouxe 60 dos projetos que usam Extreme Go Horse são entregues mais rápido. Claro, eles são entregues mais rápido. Mas a que preço? E aí ele traz os axiomas, cinco axiomas do Extreme Go Horse que são, primeiro axioma, pensou num Extreme Go Horse. Não pensa, faz a primeira coisa que vem à mente. Não existe segunda opção, a única opção é a mais rápida. Segundo, existem três formas de se resolver um problema. A correta, a errada e o Extreme Go Horse que é igual a errada, só que mais rápida. Terceiro, quanto mais Extreme Go Horse você faz, mais você vai precisar fazer. Pra cada problema resolvido usando o Extreme Go Horse, mais insetos são criados. Mas todos eles serão resolvidos da forma Extreme Go Horse. Extreme Go Horse tende ao infinito. Quarto, Extreme Go Horse é totalmente reativo. Os erros só existem quando eles aparecem. E cinco, Extreme Go Horse vale tudo. E o que eu acho que é muito interessante é que o mundo da engenharia de software era assim, gente. Ainda tem muito Extreme Go Horse hoje, mas já foi muito pior. Por quê? Porque justamente o Extreme Go Horse, ele parte da premissa de que você tá cuspindo tarefa. E quando você trabalha métodos mais tradicionais, onde você precisa de alta previsibilidade, mas as coisas na verdade mudam, o que começa a acontecer com quem tá executando é que eles começam a cuspir tarefa e começa aquele cover maestro dos infernos de ah, mas você não pediu isso no escopo. E aí vem a pergunta no fim das contas. A gente tá num cenário, mesmo em crise, em que ser mais customer centric, ser mais focado no cliente, não é mais negociável. Todo mundo aí pensa em algum banco, em algum tipo de telecom e os casos clássicos de problema de experiência que a gente enquanto consumidor teve. Tu não aceita determinadas coisas mais. E esse é o cenário. Então assim, não é negociável a gente lançar coisas como se lançava há 30, 40 anos atrás, você vinha e lançava uma nova plataforma que era uma porcaria. Levava meses, anos até consertar e ficar boa de uso. Não é mais negociável isso. O iterativo incremental, o teste piloto, não é mais negociável fazer assim. O próprio conceito de fim de projeto, que é super válido do ponto de vista de orçamento, a gente entende, a gente trabalha. É do nosso dia a dia de consultoria entender que projetos, capexes e afins, têm controles importantes por trás. Porém, o conceito de projeto como sucesso do produto não é um pra um. Não faz o menor sentido ir pra esse caminho. Isso é o oposto do que a gente vem falando de agilidade há pelo menos 15 anos. Então, como isso chegou e como isso se popularizou é que eu acho que é a disfunção. E o ponto crítico aqui é que quando a gente fala de agilidade, quando a gente fala desse modelo de trabalho, desse mindset, a gente na verdade quer ficar abaixo do custo. Então eu não quero estar dentro do custo, eu quero estar abaixo do custo. E eu quero maximizar o valor o mais cedo possível. E no final das contas essa é a discussão. E se você olhar as premissas do que está sendo discutido, a agilidade está sendo tratada como ah, não faz teste, não tem qualidade, entrega as coisas de qualquer jeito. E é justamente o contrário que a gente quer. O problema é que completude não é sinônimo de sucesso. E esse é o ponto chave. A gente fala há tanto tempo de quatro domínios. De negócio, cultural, organizacional e técnico. De ter que equilibrar. É óbvio que qualidade não pode se abrir mão. A gente fala, vamos voltar no triângulo de ferro. Escopo, prazo e o custo. O que a gente quer fazer é inverter esse triângulo. Qualidade é inegociável. Então qualidade não tem nada a ver com isso. E deveria ser variável. Logo, engenharia, testes e afins não deveriam ser. Cuidado para não cair em alguém que está desversando, está dobrando um conceito para o que mais interessa para ele naquele momento. O mundo é feito de marketing hoje em dia. E cada vez mais o digital só tornou isso mais presente. Um viral desse pode tentar influenciar para um caminho que seja ele qual for, mesmo que esteja conceitualmente errado. Eu queria dar parabéns para a pessoa que desenhou essa estratégia de marketing. Porque você colocou de fato a metodologia no mapa e eu acho que esse era o objetivo. Inclusive por ter produzido 77,87 dessas estatísticas que ele produziu, foram perfeitas. Foi inventado completamente. Foi completamente manipulado para isso e faz parte. É do jogo. É marketing. Só não dá rigor científico a uma coisa que não tem. Eu gosto muito daquela frase de que se você torturar o número, ele conta qualquer história. Se você torturar o número direitinho, ele conta qualquer história que você quiser. Então é muito essa pegada, gente. É por isso que a gente tem que ter tanto um espírito crítico e olhar para o sistema, olhar para o contexto, analisar por que as pessoas estão fazendo as coisas, entender os porquês.
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