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Ep. 201 - PLANTÃO LTP - Além da Gestão de Riscos: O comportamento das seguradoras em um mundo em constante transformação
Ep. 201

Ep. 201 - PLANTÃO LTP - Além da Gestão de Riscos: O comportamento das seguradoras em um mundo em constante transformação

20 de maio de 202400:14:16
Educação
PLANTÃO LTP
Pessoas
Product Management
Transformação

Resumo rápido

O Plantão LTP 201 conecta as enchentes no Rio Grande do Sul à transformação do mercado de seguros brasileiro: desastres climáticos recorrentes despertam no consumidor uma necessidade de segurança que impulsiona lucros recordes de seguradoras como Bradesco e Porto Seguro. Três forças — longevidade, educação financeira via fintechs e inclusão do pequeno empreendedor — criam um ciclo virtuoso que digitaliza o setor e abre oportunidades em insurtechs e healthtechs, enquanto a leitura de contratos e a cobertura de catástrofes naturais permanecem como desafios centrais.

Capítulos

  1. 00:59Rabbit: a lição dos casos de uso não cobertos
  2. 01:45Reconhecimento à solidariedade no Rio Grande do Sul
  3. 04:08Do desastre climático à mudança no comportamento do consumidor
  4. 06:21Três fatores que reprogramam o mercado de seguros
  5. 09:01Digitalização e a revolução do self-service nos seguros
  6. 10:20O caso Nubank no TikTok e a leitura de contratos
  7. 11:31Oportunidades de carreira em insurtechs e healthtechs

Frases do episódio

É que a tendência é que o número de tragédias, o número de desastres climáticos, ele tende a piorar, né?

04:08

No último trimestre, boa parte do lucro, por exemplo, de uma empresa gigantesca como o Bradesco, que está desafiada no contexto de crédito, no contexto bancário, toda uma série de perdas, provisões feitas. Porém, no contexto de segurador, boa parte do lucro que o Bradesco apresentou no último trimestre tem a ver com a seguradora.

05:37

Porque o seguro nada mais é do que uma aposta. A seguradora aposta que você não vai precisar usar e você aposta que você vai.

09:32

O que você vai ouvir neste episódio

  • A necessidade de adaptação contínua das seguradoras frente ao surgimento de novas tecnologias e demandas de consumo.
  • O impacto direto das mudanças climáticas globais na redefinição da gestão de riscos e produtos de seguros.
  • A visão da gestão de produtos na criação de soluções mais resilientes para cenários de incerteza e crise.
  • A importância da mobilização e empatia profissional em momentos de tragédias sociais e ambientais como no Rio Grande do Sul.

Temas discutidos

O episódio conecta o setor de seguros aos pilares fundamentais da agilidade e da gestão de produtos, destacando a necessidade de respostas rápidas em cenários complexos. Diante de eventos climáticos e avanços tecnológicos, as organizações precisam evoluir sua cultura interna para ir além da gestão de riscos tradicional. A liderança adaptativa e a centralidade nas reais necessidades das pessoas tornam-se essenciais para que empresas tradicionais consigam oferecer valor contínuo e apoiar a sociedade de forma eficaz durante períodos de incerteza e transformação profunda.

Para quem é este episódio

Este conteúdo é ideal para Product Managers que atuam no mercado financeiro e de seguros, líderes de inovação corporativa focados em gestão de riscos e profissionais de transformação organizacional que buscam adaptar estratégias e produtos a contextos de mudanças climáticas e novas demandas de consumo.

Sobre a série PLANTÃO LTP

O PLANTÃO LTP é o formato de resposta rápida do Love the Problem: episódios curtos que atacam uma dúvida específica enviada pela audiência, com uma recomendação prática ao final. Ideal para quem quer resolver um problema pontual do dia a dia sem ouvir uma conversa longa.

Ver todos os episódios da série PLANTÃO LTP

Perguntas que este episódio ajuda a responder

Como as mudanças climáticas impactam a gestão de produtos no setor de seguros?

As mudanças climáticas criam novos cenários de incerteza que exigem do setor de seguros a revisão contínua de suas coberturas e modelos de negócios. A gestão de produtos precisa utilizar dados atualizados e abordagens ágeis para antecipar novos riscos, criando soluções que atendam de forma rápida e eficiente às necessidades das comunidades atingidas por eventos severos.

Por que a gestão de riscos tradicional é insuficiente em um mundo em transformação?

A gestão de riscos tradicional baseia-se em padrões históricos estáticos que já não refletem a velocidade das transformações tecnológicas e climáticas. Para manter a relevância, as empresas precisam adotar estratégias adaptativas e centradas nas pessoas, permitindo que a oferta de produtos evolua no mesmo ritmo das novas exigências do mercado e das emergências sociais.

Qual é o papel da cultura organizacional diante de momentos de crise e tragédias ambientais?

A cultura organizacional determina a capacidade de resposta e a empatia de uma empresa diante de crises severas. Organizações com cultura orientada a pessoas e propósito conseguem mobilizar recursos e times de forma ágil para apoiar as vítimas, garantindo que o desenvolvimento de produtos e serviços priorize o impacto social positivo e o suporte efetivo.

Sobre este episódio

Neste Plantão LTP 201, o episódio parte de um reconhecimento à solidariedade no Rio Grande do Sul diante das enchentes e conecta essa tragédia a uma transformação estrutural no mercado de seguros brasileiro. Os apresentadores argumentam que desastres climáticos recorrentes — da Covid-19 às enchentes de 2024 — estão reprogramando o comportamento do consumidor, que passa a buscar segurança financeira de forma mais ativa. Os dados de lucros recordes de Bradesco Seguros e Porto Seguro em 2023 evidenciam essa mudança, com o brasileiro migrando do seguro de carro para seguros residenciais e de vida. Três forças impulsionam esse movimento: a longevidade, a educação financeira democratizada por fintechs e influencers, e a inclusão do pequeno empreendedor no crédito. O episódio também aborda a digitalização do setor, a tensão entre o modelo tradicional do corretor e o perfil self-service do consumidor digital, e o caso viral do seguro de celular do Nubank no TikTok, que expõe a lacuna de leitura de contratos. Por fim, aponta que seguros residenciais não cobrem enchentes, criando um desafio de sustentabilidade para as seguradoras e uma oportunidade de negócio e carreira em insurtechs e healthtechs.

Transcrição completa

Podia só fazer um recap rápido sobre o tal do Rabbit, né? Eu achei muito legal, gente, porque quando estourou aquela notícia de que o Rabbit na verdade é só um app dentro do seu Android, e está falhando horrores e os casos de uso não estavam cobertos, eu pensei: peraí, cadê minha plaquinha? E eu avisei. Porque dessa vez, inclusive, tem um registro de que a gente avisou. A gente fez um plantão sobre o Rabbit e uma das coisas que a gente falou foi exatamente isso: a preocupação de quem já lançou produto e sabe que essas apresentações todas cheias de purpurina, dizendo que o produto vai mudar tudo, por trás tem um monte de casos de uso, um monte de cenário que não é o cenário feliz que a gente está vendo. A gente avisou e aconteceu exatamente o que a gente imaginava, o que a gente temia. No fim era um app Android exato, carinha de MVP. Ele está dando um monte de pau por causa do ChatGPT, da integração do ChatGPT. Então, bem o que a gente falou.

Agora vamos para o nosso episódio de hoje. Eu acho que o episódio de hoje começa com reconhecimento. Não só uma pessoa, mas um conjunto de pessoas. Acho que não dá para começar o plantão sem a gente falar do que está acontecendo no Rio Grande do Sul, de todas as chuvas, de todas as enchentes. A gente sabe que foram muitas vítimas, e por vítima aqui não são só as pessoas que infelizmente perderam a vida, mas pessoas que perderam bens materiais também, pessoas queridas. É um momento de muita tristeza, mas é um momento também onde a gente vê movimentos que renovam a nossa fé na humanidade. Eu vi posts, por exemplo, do Fabiano Demétrio, uma galera do Sicred se organizando, o Vladson, o Viegas, uma galera aqui, Camila, Mancoso, galera toda, ajudando na limpeza, na distribuição de alimento, no resgate de vítimas, que a gente até agora continua ainda com algumas pessoas que não quiseram sair das suas casas, que estão alagadas e estão sendo resgatadas. E pessoas que não estão conseguindo ser alcançadas. É um cenário bem crítico. E de um lado meu fica muito com o coração quentinho, porque eles estão usando agilidade, estão usando técnicas que a gente trabalhou a vida toda, não só pra trabalho, mas também pra salvar vidas, que é algo muito mais nobre. Muito importante a gente ver como esse conhecimento tem o poder de impactar a vida de pessoas. Fica o reconhecimento, um agradecimento, um obrigado pelo serviço, por uma causa muito mais nobre. Não deixa de ser uma guerra. É uma guerra que a gente tá lutando aí.

E essa tragédia é só mais uma que, de alguma forma, se conecta com o principal assunto que a gente quer trazer hoje, que é uma mudança de comportamento que se reflete dentro do mercado de seguros. A gente recentemente viveu a tragédia da Covid-19, ceifou muitas vidas, deixou muitas dores em todo o planeta. E agora, por exemplo, essa tragédia no Rio Grande do Sul também, que queira ou não, também vai deixar marcas profundas sobre o comportamento do consumidor. E tende a piorar. O que mais me preocupa nesse cenário é que não é uma coisa que a gente vai viver agora e vai levar mais 100 anos pra viver de novo, como foi a questão de 41. É que a tendência é que o número de tragédias, o número de desastres climáticos, ele tende a piorar. Essa é a previsão que os cientistas estão puxando. E uma vez que isso tenda a piorar, o que acaba acontecendo é que as pessoas que viveram por isso ou que estiveram próximas de quem viveu por isso, ou mesmo aquelas que estão acompanhando, elas vão começar a despertar uma necessidade de segurança. E essa necessidade de segurança, ela se reflete em como é que a gente faz escolhas, de como é que a gente investe o nosso dinheiro. Esse movimento já está acontecendo desde a Covid. Se a gente olhar, se você colocar no Google 'seguradora lucro record', vocês vão ver que tem um monte de seguradoras que no ano de 2023 puxaram lucros muito acima da média. No último trimestre, boa parte do lucro, por exemplo, de uma empresa gigantesca como o Bradesco, que está desafiada no contexto de crédito, no contexto bancário, toda uma série de perdas, provisões feitas. Porém, no contexto de segurador, boa parte do lucro que o Bradesco apresentou no último trimestre tem a ver com a seguradora. Então, você já vê um crescimento brutal. O Bradesco Seguros é uma das maiores seguradoras do Brasil, assim como a Porto Seguro, por exemplo, também apresentou lucros record. E você vê que isso tem a ver com uma mudança de consumo. O Brasil era muito ligado ao consumo, por exemplo, seguro de carro, proteger o bem em carro. Mas poucos faziam residencial, vários não tinham seguro de vida. E você vê um conjunto de ofertas sendo compradas pelo brasileiro agora, pelo público brasileiro, aumentando. Tem muito a ver com tudo isso, mudança do comportamento e o medo, o receio, a sensação de segurança que o seguro pode passar.

Eu acho que tem dois fatores importantes que a gente tem que considerar, talvez um terceiro. O primeiro fator é que a gente está vivendo mais. Isso força a gente a olhar mais a longo prazo. O segundo é que o brasileiro, historicamente, tem uma cultura muito de curto prazo, de olhar o imediatismo. Mas o que a gente vê, à medida que as fintechs começaram a crescer, e muitas fintechs colocam como missão democratizar o conhecimento sobre finanças. Isso não é uma coisa que gera um impacto social imediato, mas se a gente for pensar no efeito acumulado, cada vez mais a gente vai ter gente que é muito mais alfabetizada no ponto financeiro do que existia na geração anterior. Convém um trabalho riquíssimo nesse segundo fator, trabalho riquíssimo dos influencers hoje em dia. Você tem lá o Favelado Investidor e outros que ajudam a levar à ponta uma série de culturas de investimento, de o que faz sentido, não faz sentido ser investido. E um terceiro fator muito importante é o quanto organizações, à medida que a gente está indo, a fintech é o novo e-commerce. A gente teve uma onda de e-commerce violenta no final da década de 90 e início de 2000. Aí, 2010 para frente, a gente começou a trabalhar muito forte com fintech. E eu não sei se a seguradora vai ser a próxima onda, mas a gente está vendo um crescimento muito grande no segmento de saúde. Os seguradores de saúde estão acompanhando esse movimento, mas o segmento de saúde como um todo, desde monitoramento de dados, de longevidade, de todos esses mecanismos, inclusive o de seguro. Quando a gente olha esses três fatores da longevidade, da educação financeira e também o quanto empresas de crédito estão começando a apostar no pequeno empreendedor, e esse pequeno empreendedor não era uma pessoa alfabetizada do ponto de vista financeiro até então e ela passa a se desenvolver também, a gente começa a ter esse efeito de educação virando um ciclo virtuoso. A minha expectativa e o meu desejo é que cada vez mais a gente consiga olhar a longo prazo e com certeza isso reforça o mercado das seguradoras e muda como é que o cliente, como é que o consumidor desses serviços e produtos se comporta.

E aí aqui vem a parte das oportunidades. O mercado de seguros, quando a gente falava no Brasil, é um mercado muito tradicional, inclusive do ponto de vista de digital. Ele era pouco digitalizado, tinha uma série de fricções no tipo de relacionamento, de transação, a figura do corretor, que é algo obrigatório para muitos seguros, porém que é um atrito para determinados comportamentos de usuário. Usuário que é mais digital tem um perfil de self-service. Não é tirar o corretor da frente, mas é mudar muito essa relação. E isso tem puxado uma revolução no setor de seguros como um todo, desde as fintechs até as grandonas, que também estão se reinventando por dentro. Muito mais difícil, mas com esses resultados que a gente acabou de falar. Essa mudança toda no comportamento de consumidor, buscando mais segurança, gera um mundo de oportunidades interessantíssimas no mercado. E tem movimentos que vão desafiar muito essas seguradoras nos próximos meses, anos, que é relacionado muito à percepção do consumidor versus break-even. Porque o seguro nada mais é do que uma aposta. A seguradora aposta que você não vai precisar usar e você aposta que você vai. Aí a gente vê quem ganha essa aposta.

Existem movimentos, deve ser de um bafafá que rolou no TikTok, de uma criadora de conteúdo que estava toda feliz porque ela pegou o celular do seguro do Nubank, porque ela foi assaltada. Era um iPhone. Ela estava toda feliz, recebeu a caixa com o celular, falando que ganhou um celular novo do seguro e foi super tranquilo, super fácil. E ela abriu o celular e era um celular recondicionado. E ela entrou em chamas. Só que estava no contrato que era um celular recondicionado. E aí isso volta para a questão de o quanto a gente é alfabetizado a ler o contrato, a entender, a imaginar. Porque esse foi um seguro que eu cheguei a fazer e eu lia de letras miúdas e eu sabia que era recondicionado. Então, o quanto as pessoas têm esse hábito. E um ponto importante, quando a gente olha para o mercado, você que está ouvindo, que é um profissional, que está pensando em fazer movimento, que está pensando em como é que você olha para mercados que estão ascendentes, todo esse mercado de seguro e health talvez fique como uma boa dica para você pensar em empresas para ir no futuro. Boas oportunidades de crescimento profissional.

A gente estava falando da tragédia no Rio Grande do Sul. Boa parte dos seguros residenciais não cobrem enchente, não cobrem esse tipo de tragédia que aconteceu. E isso é um desafio. E em caso de cobertura, tem um desafio de negócio também, porque uma tragédia natural pode simplesmente quebrar um business de seguro, porque você atingiu uma grande área, milhares de segurados. Então, o quanto é sustentável também financeiramente? Esse é o equilíbrio e os desafios, consequentemente oportunidades, que advém de atender melhor esse cliente. Fica a dica: se vocês estão pensando em desenvolver a carreira, pensando em desenvolver negócios, os segmentos de seguro, o segmento de health, de saúde, são bons segmentos de mercado para desenvolver nossa carreira, mas, mais importante, são segmentos onde cada vez mais o consumidor vai buscar valor daqui para frente e a gente tem muita oportunidade para impactar positivamente a vida das pessoas. São as insurtechs, são agora as healthtechs, então você vê que até na sigla já se tenta buscar uma fuga de simplesmente ser o lado financeiro pelo financeiro e trazer, de fato, o propósito que está por trás dessas empresas.

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