Quase toda organização quer um time de alta performance. A expressão aparece em apresentações, planos estratégicos e discursos de liderança como se fosse um objetivo claro e universal. Mas, na prática, ela costuma esconder uma expectativa irreal: a ideia de que basta montar as pessoas certas, adotar uma metodologia moderna e cobrar resultados para que a performance apareça.
O problema é que os times não performam isoladamente. Sistemas performam.
Um time pode ser experiente, comprometido e tecnicamente excelente e, ainda assim, entregar pouco valor. Não por falta de esforço, mas porque está inserido em um sistema que gera atrasos, ruídos e desperdícios o tempo todo. Excesso de dependências externas, aprovações em cadeia, mudanças constantes de prioridade e políticas não declaradas acabam determinando o ritmo real do trabalho muito mais do que a capacidade do time.
Esses obstáculos raramente estão visíveis. Eles aparecem como filas ocultas, tarefas “em espera eterna”, decisões que nunca chegam ou prioridades que mudam sem explicação. O trabalho não flui, mas o sistema insiste em medir desempenho individual, velocidade e esforço, como se o problema estivesse nas pessoas.
Performance é uma questão ambiental
Quando se fala em alta performance, quase nunca se fala sobre o ambiente que a torna possível. Pouco se discute como o trabalho chega ao time, quem decide o que é prioridade, quantas iniciativas estão abertas ao mesmo tempo ou por quanto tempo o trabalho fica parado, aguardando alguém fora do time agir. Esses fatores, invisíveis no dia a dia, são os verdadeiros limitadores do desempenho.
É aqui que entra o papel real da liderança.
Liderar times de alta performance não é cobrar mais, motivar mais ou contratar “melhores talentos”. É desenhar e cuidar do sistema em que esses times operam. É tornar explícitas as políticas, reduzir dependências desnecessárias, limitar o trabalho em progresso (Work in Progress – WIP) e criar condições para que o fluxo ocorra de forma previsível e sustentável.
Enquanto a conversa permanecer centrada apenas no time, o mito persiste. A verdadeira mudança começa quando a organização aceita olhar para o sistema e assumir que a performance não é um atributo de pessoas excepcionais, mas o resultado de escolhas estruturais bem feitas.
Lembre-se: os melhores jogadores do mundo não performam como tal em clubes mediocres.
