A Cultura da Taxa de Ocupação

Já falei bastante sobre a evolução industrial e trabalho em esteira no texto “Líder Ágil x “Líder” Chefe“. Mas gostaria de falar um pouco mais sobre comportamentos humanos no dia a dia de uma empresa tradicional. Neste artigo, falaremos sobre a cultura da taxa de ocupação!

Comecei minha carreira profissional em uma grande multinacional de petróleo. Extremamente hierarquizada, onde podia-se ver o cargo ou importância de cada um pelo tamanho das mesas e cadeiras. Me lembro do dia em que fui promovido a coordenador e ganhei uma mesa em “L”. Todos, a partir do momento em que sentei nela, sabiam que eu havia sido promovido. Gerente, então, uma sala para chamar de minha!

Sempre fui muito observador, e no início da minha carreira, costumava ver meu Diretor andando de um lado para o outro sempre com o notebook e/ou um caderno na mão, mesmo que fosse para ir ao banheiro. Um dia tomei coragem (sim, coragem, afinal eram tantos os níveis hierárquicos que nos separavam que era quase proibido determinada aproximação) e perguntei porque ele levava o “Note” para passear? Ele, muito simpático da parte dele, me convida para um café na sua faraônica sala. – “amigo, deixa eu te dar um conselho: nunca ande pela empresa de mãos vazias, pois as pessoas podem pensar que você está desocupado!

Pois bem, queria ilustrar o que significa a cultura da taxa de ocupação nas empresas. Temos uma cultura de taxa de ocupação tão forte que nos impede de fato de priorizar ou até mesmo despriorizar as nossas ações.

Para sermos Ágeis na essência, temos que ser capazes de priorizar nossas ações, trabalhar em ciclos curtos e focar na melhoria contínua. Por estarmos sempre muito ocupados tomando conta das galinhas, não temos tempo para consertar o buraco do galinheiro.

Ou seja, estar muito ocupado me impede de dar foco no que realmente importa. Ainda que você seja um ser iluminado e consiga trabalhar dessa forma, se a empresa ou setor não tiverem essa mesma cultura, seu processo continuará engessado.

Para que isso não ocorra, e para deixarmos de ser tarefeiros na essência (afinal, #SomosTodosTarefeiros), devemos ter a consciência que a transformação digital exige uma cultura Ágil pulsando fortemente no propósito da organização e no coração pessoas. Caso contrário, seremos simplesmente uma organização tradicional (comando e controle) fantasiada de Ágil.

Que tal conferir mais conteúdos no blog da K21?
• O time tarefeiro e o time de produto
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Sobre o autor(a)

Agile Expert e Trainer na K21

Andre Bocater Szeneszi é sócio na K21 e co-fundador da startup WBrain Agile People. Com uma longa trajetória empreendedora e também como HeadHunter, Andre é apaixonado por Pessoas e Cultura Ágil. Formou-se em Administração pela PUC-Rio e possui diversas especializações em Business, como: especialização em Finanças pela Pontifícia Universidad Católica de Buenos Aires, Gerenciamento Estratégico pela Universidad de Belgrano e Strategic Planning & Decision Making pela Berkeley. Atuou como professor da Pós-Administração da Fundação Getulio Vargas durante muitos anos e também ministra treinamentos de Cultura Ágil no Brasil, América Latina, Estados Unidos e Europa. É colunista da Revista Human em Portugal.

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