Metas para o ano

Rodrigo de Toledo Rodrigo de Toledo

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Em muitas empresas, no início do ano, as pessoas têm que formular as metas do ano, tanto individuais quanto para o time.

As metas são um instrumento interessante para alinhar os indivíduos às corporações. Porém, por diversas vezes, esse instrumento é mal usado, ou por causa de uma má definição ou porque é tratado como alvo fixo no qual não se deve mexer.

Este ano, em consultoria para duas empresas diferentes, dei algumas dicas que gostaria de compartilhar aqui:

O PORQUÊ DAS METAS

O porquê da meta deve estar muito claro na própria descrição. Uma maneira de alcançar isso é através da prática japonesa “five why”, normalmente usada para achar causa raiz de um problema.

Exemplo:

meta original:
“aumentar o número de aplicações usando o barramento de serviço (SOA)”
Por que?
“porque queremos aproveitar mais as funcionalidades que já desenvolvemos”
Por que?
“porque os desenvolvedores não precisam recodificar algo que já exista”
Por que?
“para reduzir trabalho e garantir padronização e qualidade”
meta com porquê:
“Reduzir trabalho de codificação e aumento de qualidade com o uso do barramento de serviço”

Dessa forma, fica mais fácil a interpretação da meta. Também diminui o risco das pessoas não entenderem o propósito ou deliberadamente buscarem atingir a meta original sem trazer o benefício esperado. Ainda há um outro benefício: quando se busca o porquê da meta, normalmente a linguagem se aproxima da linguagem de negócio, gerando maior alinhamento vertical.

SMART e o MENSURÁVEL

É senso comum que as metas devem ser SMART (eSpecíficas, Mensuráveis, Atingíveis, Relevantes e com Tempo determinado). Porém, ser Mensurável muitas vezes é a mais difícil característica SMART a ser descrita e, portanto, é aquela que devemos ter mais cuidado.

  • Só use métricas que já sejam conhecidas no cenário atual. Não chute uma métrica: “70% de aprovação dos usuários” se você desconhece o número atual.
  • Dê preferência para as métricas ponta-a-ponta, ou seja, métricas que cubram a maior parte do seu processo e não apenas uma etapa dele. Uma excelente métrica é a felicidade do usuário (ou a satisfação do cliente), mas é difícil de ser medida diretamente.

Em alguns casos, o fator Mensurável não deveria ser exigido e uma percepção qualitativa pode até funcionar melhor.

ENGAJAMENTO DO TIME

Para um time ágil, o ideal é que as metas sejam coletivas. Busque o engajamento do time, construindo as metas em conjunto.

Em empresas onde as metas devem ser individualizadas podemos mesclar as individuais com as coletivas. Nesse caso, para criar alguma distinção entre os indivíduos, é fácil identificar subconjunto de pessoas que se identifica mais com determinadas metas. Dessa maneira, a lista das metas do time não se repete por completo para todos no time.

Finalmente, se as pessoas concordarem que as metas ficaram realmente boas, expô-las de forma que sejam lembradas com frequência (por exemplo, penduradas na parede) pode ser bem interessante!

Textos sobre esse tema:

 

Rodrigo de Toledo
Sobre o autor

Rodrigo de Toledo

Co-fundador da K21, Nower e Wbrain

Rodrigo de Toledo é co-fundador da K21, Certified Scrum Trainer (CST) pela Scrum Alliance, Kanban Coaching Professional (KCP) e Accredited Kanban Trainer (AKT) pela Kanban University, além de Licensed Management 3.0 Facilitator. Com Ph.D na França, possui diversos artigos internacionais e lecionou por doze anos na PUC-Rio e na UFRJ, duas das principais universidades da América do Sul.

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