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Ep. 271 - Aprendizagem Corporativa: mitos e desafios

Ep. 271 - Aprendizagem Corporativa: mitos e desafios

8 de dezembro de 202500:49:56
Educação
IA
Pessoas
Product Management

Resumo rápido

Iô Johanna, designer instrucional da Nower, discute os mitos e desafios da aprendizagem corporativa: a necessidade de resgatar a mediação humana em meio ao digital, a diversificação de formatos, a importância da customização e da simulação, o papel da IA como copiloto de aprendizagem e o conselho de priorizar a dor que impacta o resultado ao desenhar qualquer jornada de capacitação.

Capítulos

  1. 02:27O que mudou na educação corporativa: do presencial ao resgate da mediação
  2. 08:23Diversificação de formatos e a falha do formato único
  3. 12:21Lifelong learning e o custo de aprender no olho do furacão
  4. 16:31O que faz a aprendizagem ser efetiva: clareza, contorno e valor
  5. 24:57Customização e o processo de criação de uma experiência de aprendizagem
  6. 33:51Inteligência artificial como copiloto na educação corporativa
  7. 44:39Conselhos para 2026 e para quem precisa ensinar os outros

Frases do episódio

se você vai aprender a andar de bicicleta, você pode ler todos os livros do mundo sobre bicicleta, você pode aprender de novo todas as leis da física, você pode ver um vídeo de uma pessoa andando de bicicleta, você pode ver um vídeo de um instrutor ensinando alguém a andar de bicicleta, mas isso nunca vai ser igual a você pegar uma bicicleta e tentar andar de bicicleta

20:44

a IA chegou assim, né, plá, estourou a boca do balão, assim, o negócio é IA pra todo lado, IA, IA, IA, IA, IA

33:51

Eu sempre começo, e acho que se eu puder dar, assim, um primeiro passo, né? É justamente parar e pensar, cara, o que que dói mais? O que que tá doendo aqui mais? O que que é o principal gargalo, o principal problema?

47:20

O que você vai ouvir neste episódio

  • A evolução dos formatos de treinamento exige a combinação de diferentes métodos educacionais para gerar engajamento.
  • O uso de simulações e customização ajuda na aplicação prática do conhecimento no cotidiano das organizações.
  • A Inteligência Artificial atua tanto como ferramenta quanto como meio direto para acelerar a aprendizagem corporativa.
  • Lideranças e equipes de Treinamento e Desenvolvimento precisam adaptar suas estratégias para alinhar educação a resultados reais.
  • A criação de experiências educacionais eficientes exige foco na transformação contínua das habilidades dos colaboradores nas empresas.

Temas discutidos

A aprendizagem corporativa é um pilar estratégico para a agilidade organizacional e a gestão de produtos, pois a capacidade de aprender continuamente determina a adaptação das empresas ao mercado. Ao integrar inteligência artificial, simulações e metodologias customizadas, as áreas de RH, liderança e T&D conseguem construir ecossistemas de desenvolvimento mais eficazes. Essa abordagem transforma treinamentos pontuais em processos contínuos de aquisição de habilidades, impactando diretamente a cultura interna, a eficiência dos times e a capacidade de entregar valor consistente.

Para quem é este episódio

Este conteúdo é indicado para profissionais de Treinamento e Desenvolvimento, gestores de Recursos Humanos e líderes de equipe que buscam otimizar o aprendizado contínuo. Também beneficia especialistas em Produtos Educacionais interessados em aplicar inteligência artificial e simulações para melhorar os resultados de capacitação.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

Como garantir que os treinamentos corporativos tragam resultados práticos no dia a dia?

Para gerar resultados reais, os programas de aprendizagem devem combinar diferentes métodos educacionais, como simulações e conteúdos customizados à realidade da empresa. A personalização das experiências permite que os colaboradores apliquem os conhecimentos diretamente em suas rotinas de trabalho, superando os modelos tradicionais focados apenas em teoria passiva.

Qual é o papel da Inteligência Artificial na aprendizagem corporativa?

A Inteligência Artificial atua em duas frentes na educação corporativa: como uma ferramenta de suporte técnico e operacional e como um próprio meio de aprendizagem. Ela possibilita customizar experiências de ensino, acelerar o acesso ao conhecimento e adaptar os formatos às necessidades individuais dos profissionais e das áreas de T&D.

O que muda para os líderes e times de RH com a evolução da educação nas empresas?

Gestores e profissionais de Recursos Humanos precisam migrar de um papel de apenas contratantes de treinamentos para facilitadores de ecossistemas de aprendizagem. Isso envolve selecionar abordagens dinâmicas, incorporar novas tecnologias como a Inteligência Artificial e acompanhar o impacto do aprendizado contínuo na performance e no desenvolvimento dos times.

Sobre este episódio

No episódio 271 do Love the Problem, Iô Johanna, designer instrucional da Nower, conversa com Rafa sobre os mitos e desafios da aprendizagem corporativa. A discussão percorre a evolução dos formatos — do presencial ao e-learning e de volta à mediação humana em formatos híbridos —, a necessidade de lifelong learning como cultura organizacional, a importância da simulação e da customização para que o conteúdo se conecte ao contexto real do colaborador. Iô defende que a inteligência artificial deve ser tratada como copiloto de aprendizagem, mediando a construção de conhecimento em qualquer tema, e que a habilidade central é formular boas perguntas com contexto. Para 2026, o conselho é abandonar a visão de T&D como área isolada e construir a aprendizagem como um processo transversal, em rede, que articule a dor do time com o resultado do negócio, começando sempre pelo 'diamante' que resolve o problema principal.

Transcrição completa

Johanna, a Iô, é socióloga de formação, mestrada em jornalismo, e atua na missão de construir um portfólio de educação corporativa da Nower. Sua trajetória acadêmica, embora difusa, consolidou conhecimentos e habilidades que sustentam sua função atual: entender o que as pessoas precisam e como resolver a grande questão das necessidades de aprendizagem nas organizações, fazendo com que as pessoas aprendam da melhor forma possível.

O tema do episódio é aprendizagem corporativa: desafios, mitos, o que a gente acha que funciona ou não funciona e o que está mudando nesse cenário, incluindo o papel da inteligência artificial.

Iô começou como designer instrucional há pelo menos dez anos e identifica uma evolução clara. Houve um boom presencial, com treinamentos em auditórios e salas de reunião, com convivência e aprendizagem entre pares. Depois veio a pandemia, que jogou tudo para o online, com e-learnings e educação à distância sem mediação humana. Hoje, há uma tentativa de resgatar a mediação do instrutor, do especialista que conversa e passa conteúdo de forma não passiva. Isso se dá por meio de aulas ao vivo, fóruns, chats e comunidades, buscando uma mediação mais íntima, em um a um, ao vivo, mesmo com a alta taxa de home office e a necessidade de formatos que não sejam apenas presenciais.

Outro ponto forte é a necessidade de pensar em formas mais estratégicas de passar conteúdo, que não seja uma carga horária longa, cada vez menos compatível com a rotina. A aprendizagem precisa caber no dia a dia do colaborador, que já lida com várias entregas, projetos e responsabilidades. A experiência de aprendizagem deve ser formatada de modo que esteja no ponto da necessidade, da rotina e do interesse daquele público.

A diversificação de formatos é complementar: o canal (com ou sem instrutor, online, presencial, ao vivo, gravado) e a duração se combinam. A falha comum na educação corporativa é se apegar a um único formato. A aprendizagem não é um evento único; existe a curva de esquecimento, e é preciso retomar o conteúdo de outro jeito, em outro formato, com outra perspectiva, para reavivar a memória e permitir uma apropriação mais eficaz. Isso leva ao conceito de lifelong learning, de criar uma cultura de aprendizagem contínua, pulverizada e orgânica no cotidiano das pessoas e das empresas.

O lifelong learning tem um aspecto inescapável: as coisas mudam, as ferramentas mudam, o mercado muda, e a frequência de situações novas exige aprendizado constante. A diferença entre ter ou não uma estratégia de lifelong learning é que, sem ela, o aprendizado acontece apenas no olho do furacão, apagando incêndios, o que gera um ambiente de trabalho estressante e compromete a efetividade da aprendizagem. Com estratégia, o aprendizado é fluido, orientado e conectado ao resultado.

É fundamental conectar o que a pessoa está aprendendo com o resultado que ela precisa gerar, com a qualidade do trabalho e com a satisfação que ela sente ao realizá-lo. Nenhuma liderança vai cobrar uma prova de gestão do tempo; o valor será observado no cotidiano. Essa conexão abre oportunidades de desenvolvimento para as corporações e para as pessoas, que podem identificar suas vocações e áreas de interesse.

Para que a aprendizagem seja efetiva, o primeiro fator é ter clareza da importância e do ganho que o conteúdo vai proporcionar no trabalho, na satisfação e no resultado. A necessidade precisa ter contorno, não ser difusa. Por exemplo, em vez de 'preciso desenvolver liderança', é preciso entender que as lideranças não estão engajando os times nos resultados. A partir daí, delinea-se a trajetória, os conteúdos e a estratégia didática, considerando o contexto, os interesses e as experiências prévias do público.

É imprescindível oportunizar momentos de troca entre pares, não como extra, mas permeando a experiência de aprendizagem. A simulação de casos faz toda a diferença: assim como aprender a andar de bicicleta exige pegar a bicicleta e tentar, a simulação acelera o processo de aprendizagem ao expor as pessoas às dificuldades reais. Em treinamentos de OKR, por exemplo, a simulação inclui um 'grande perrengue' para que os alunos saibam lidar com problemas reais, não apenas com o estado da arte.

A customização é essencial: o conteúdo precisa falar a língua da pessoa, usar exemplos e cases do contexto real do cliente. Uma empresa de indústria não quer ouvir exemplos de tecnologia; ela precisa de exemplos do seu próprio setor. A experiência de aprendizagem deve ser íntima ao contexto vivido, com cases, práticas e ferramentas que a equipe utiliza.

No processo de criação de um treinamento, Iô se mantém antenada a tendências, relatórios e dados sobre preferências de aprendizagem. O elemento mais crucial é identificar, dentro da necessidade, onde está o maior valor, o 'pulo do gato' sem o qual o treinamento não entrega resultado. É um exercício de priorização, quase como Indiana Jones escavando uma caverna para achar o diamante. Em gestão de produto, por exemplo, o desafio é escolher o que é mais estratégico, transformar em prática e conectar com cases que geraram resultado.

Para quem foi capacitado e precisa replicar o conhecimento, o conselho é entender que o conteúdo mais impactante para si não necessariamente é o mais impactante para os outros. É preciso ter equilíbrio entre o que se valoriza e o que o público precisa. O exercício de alteridade é constante: quando em dúvida, começar pelo porquê, pela necessidade, pelo problema a ser resolvido.

Sobre inteligência artificial na educação corporativa, o primeiro movimento é ensinar a usar a IA, o que é importante, mas insuficiente. A IA não está circunscrita a uma caixa; ela permeia o cotidiano de trabalho, da escrita de e-mails à resolução de problemas. O insight é inverter a lógica: em vez de um módulo separado sobre IA, usar a tecnologia como meio pelo qual as pessoas aprendem qualquer assunto. Treinar liderança em gestão de conflitos com a IA mediando a construção do conhecimento ensina simultaneamente gestão de conflitos e uso estratégico da IA.

Do ponto de vista de quem constrói o treinamento, as ferramentas de IA servem como críticas duras, como haters, para dar feedback incisivo. Isso exige aprender a formular boas perguntas, pois a IA não gera nada sem demanda. A grande habilidade é saber perguntar com contexto e especificidade; instruções vagas geram resultados ruins e podem até deixar a pessoa mais lenta do que se fizesse sozinha.

A IA pode ser um caminho para inserir colaboração em contextos onde não há interação direta, como aulas gravadas, mas não deve substituir a interação humana, especialmente na aprendizagem. A IA funciona como copiloto, como agente de coaprendizagem: não resolve magicamente, mas acelera e muda a eficiência do processo.

É necessário pensamento crítico sobre o que a IA devolve, não apenas para identificar erros ou alucinações, mas para refletir sobre a própria agência em cima do retorno. Essa é uma competência extremamente humana, que continua latente. A IA não é meramente uma tecnologia nova; é um meio pelo qual o conhecimento pode ser desenvolvido.

Para empresas que estão olhando para a estratégia de capacitação em 2026, o conselho é entender a aprendizagem não como algo circunscrito à área de T&D, mas como um processo transversal, em rede, envolvendo lideranças e lideranças técnicas que ajudam a traçar o problema. A aprendizagem não é um buffet, é um bolo que se faz junto, articulando o que o negócio precisa desenvolver com as lacunas do time.

Para a pessoa que foi capacitada e precisa ensinar os outros, o primeiro passo é parar e pensar: o que dói mais? Qual é o principal gargalo? Não apenas o que dói nas pessoas, mas o que piora o resultado. Articulando dor e impacto no resultado, chega-se ao diamante do treinamento. A partir daí, escolhe-se o conteúdo que toca na dor e gera resultado imediato, criando um primeiro passo concreto para mudar o cotidiano e deixar as pessoas mais felizes com o trabalho.

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